Pulpit

Os Dons de Profecia e de Línguas—Contraste entre as Circunstâncias Passadas e a Presente Condição dos Santos—Provações e Tentações Necessárias para a Exaltação—A Condição dos Espíritos Desencarnados—A Redenção dos Mortos

Brigham Young

1856-06-22

Estou feliz pelo privilégio de novamente me levantar diante de vós para conversar sobre aquelas coisas que dizem respeito à nossa paz, que mais profundamente nos interessam em nossas reflexões e em nossas vidas, é um assunto de constante alegria e conforto para mim.

Dá-me grande prazer olhar para as congregações dos Santos, enquanto reflito que alguns de nós temos sido fiéis nesta Igreja por muitos anos, temos pregado aos Santos e aos pecadores, temos chamado o povo ao arrependimento enquanto o dedo do escárnio tem sido apontado contra nós e toda espécie de mal tem sido falada falsamente contra nós. E muitas vezes os Élderes, enquanto trabalhavam fielmente pregando ao povo, não encontravam onde repousar suas cabeças, nenhuma porta aberta para recebê-los, e ninguém para alimentá-los, ainda assim viajaram e buscaram até encontrarem muitos que deveriam ser honestos de coração—muitos que abraçaram o evangelho.

Tem sido um trabalho árduo para muitos dos Élderes desta Igreja realizar o que foi feito, pregar este evangelho a tantas pessoas em tantas diferentes nações e reinos.

Se as milhas que nossos missionários percorreram fossem contadas, chegariam a uma grande soma, e, se pudésseis saber quantos dias estiveram sem comer, enquanto chamavam o povo ao arrependimento, descobriríeis que são um grande número.

Se as dificuldades deste povo, desde o início desta obra, desde a história primitiva do Profeta, e as perseguições dos Santos, pudessem ser apresentadas diante desta congregação, ficaríeis atônitos, maravilhar-vos-íeis com elas. Não acreditaríeis que um povo pudesse suportar tanto quanto este povo tem suportado, pensaríeis ser impossível que homens e mulheres suportassem e passassem pelo que muitos nesta Igreja passaram. Verdadeiramente é um milagre que estejamos aqui.

Levando essas coisas em consideração, e olhando para nossas presentes circunstâncias e os privilégios que desfrutamos, não há um coração que plenamente perceba o que passamos e as bênçãos que agora desfrutamos, sem louvar a Deus continuamente e sentir vontade de exclamar, "Ó, louvado seja o nome de nosso Deus."

É verdade, muitos pensam e sentem que temos tempos difíceis aqui, que é uma terra dura para se viver. Temos longos invernos frios, e temos muitas dificuldades a enfrentar—as guerras indígenas, as guerras de grilos, as guerras de gafanhotos, e as secas.

O que sofremos durante os últimos dois anos vem à nossa mente, e agora a perspectiva é sombria a respeito do sustento para o homem.

Quantos há que sentem e dizem assim? "Não fosse pelo 'mormonismo', saberia de imediato o que fazer; sei o rumo que tomaria." O que farias, irmão? "Pegaria minhas coisas e partiria; venderia o que tenho aqui, se pudesse, e, se não pudesse, deixaria." Estes são os sentimentos de alguns.

Dir-vos-ei quais são meus sentimentos, são: louvado seja Deus pelos tempos difíceis, pois sinto que é um dos maiores privilégios estar num país que não é desejável, onde os iníquos passarão de largo.

Ora, percebemos todos isto? Não, não percebemos; embora eu não tenha dúvida de que alguns percebam. Dir-vos-ei o que vos fará perceber isto; sofrer a perda de tudo aqui pelo inimigo, que vem e vos expulsa de vossas casas, de vossas fazendas e campos, e toma vossos cavalos, gado, implementos agrícolas, e o pouco de que dispondes, e vos banindo deste lugar e vos enviando a quinhentas ou seiscentas milhas de distância, despojados de tudo o que possuíeis, sem vestimentas e provisões adequadas para a jornada.

Então ides ao trabalho, e labutais e trabalhais com todas as vossas forças, por alguns anos, para conseguir outro lar, e então deixais que outro grupo venha e vos expulse daquele lugar, tomando vosso gado, vossas fazendas, e tudo o que tendes, dizendo-vos que querem vossas posses, e, quando já vos tiverem assim expulsado quatro ou cinco vezes, como fizeram com muitos de nós, e vos fizeram deixar tudo o que tínheis, e vos ameaçaram de morte, e vos vigiaram de dia e de noite, para conseguirem oportunidade de vos matar, e ficaram livres para andar impunes, e vos matariam à luz do dia se ousassem, depois de terdes passado por quinze ou dezesseis anos deste tipo de perseguição, agradeceríeis a Deus pelos tempos difíceis, por uma terra onde as turbas não desejam viver.

Muitos do povo nestes vales não têm experiência nestas coisas, e ficaria muito feliz se tais pessoas pudessem escapar daquelas provações, se pudessem receber a mesma glória e exaltação que teriam se as tivessem atravessado.

Olho para o povo, e, como frequentemente digo, tenho compaixão deles, pois nem todos têm experiência. Foi-vos dito esta manhã que não podeis vos tornar Santos perfeitos em um dia, isso é impossível. Poderíeis tão bem tentar ensinar a uma criança todo ramo da literatura inglesa durante sua primeira semana de aula, isso não pode ser feito.

Não somos capacitados a receber num só dia, nem num só ano, o conhecimento e a experiência calculados para nos tornar Santos perfeitos, mas aprendemos de tempo em tempo, de dia em dia, consequentemente devemos ter compaixão uns pelos outros, olhar uns para os outros como gostaríamos que outros olhassem para nós, e lembrar que somos frágeis seres mortais, e que só podemos ser mudados para melhor pelo evangelho de salvação.

Como foi observado esta manhã, deveríamos ser nós mesmos e não outra pessoa. Não desejamos ser outra pessoa, nem desejamos ser outra coisa senão Santos. Desejamos que o evangelho produza efeito sobre cada um de nós; e podemos mudar em nossos sentimentos, em nossas disposições e naturezas, na medida observada pelo irmão Kimball na comparação que fez.

Um homem, ou uma mulher, desejando conhecer a vontade de Deus, e tendo oportunidade de conhecê-la, aplicará seu coração a esta sabedoria até que se torne fácil e familiar para eles, e amarão fazer o bem em vez do mal. Amarão promover todo bom princípio, e logo abominarão tudo o que tende ao mal; ganharão luz e conhecimento para discernir entre o mal e o bem.

A pessoa que aplica seu coração à sabedoria, e busca diligentemente pelo entendimento, crescerá para ser poderosa em Israel.

Recordai-vos de quando primeiro abraçastes o evangelho, quanto sabíeis então comparado com o que sabeis agora? Podíeis detectar o erro então como agora? Podíeis então compreender as operações dos diferentes espíritos como agora podeis compreendê-las? Sei qual seria vossa resposta a estas indagações.

No primeiro surgimento da Igreja, quando os dons do evangelho eram conferidos a um indivíduo, ou a indivíduos, o povo não conseguia compreender senão que o doador do dom também dava seu exercício; quanto trabalho os Élderes que compreendiam este assunto tiveram de fazer para torná-lo claro ao entendimento do povo.

Tomai, por exemplo, o dom de línguas; anos atrás, nesta Igreja, podíeis encontrar homens de idade, e aparentemente de experiência, que pregavam e erguiam Ramos, e quando meninos ou meninas bastante jovens se levantavam e falavam em línguas, e outros interpretavam, e talvez aquela interpretação instruindo os Élderes que os haviam trazido para a Igreja, eles se voltavam e diziam, "Sei o meu dever, esta é a palavra do Senhor para mim e devo fazer como estes meninos ou meninas falaram em línguas."

Perguntai a algum dos Élderes se compreendem as coisas assim agora, e dirão, "Não, os dons são do Senhor, e somos agentes para os usar como quisermos."

Se um homem é chamado a ser Profeta, e o dom de profecia é derramado sobre ele, embora depois de fato desafie o poder de Deus e se afaste dos santos mandamentos, aquele homem continuará em seu dom e profetizará mentiras.

Fará falsas profecias, mas o fará pelo espírito de profecia; sentirá que é profeta e pode profetizar, mas o faz por outro espírito e poder além daquele que lhe foi dado pelo Senhor. Ele usa o dom tanto quanto vós e eu usamos os nossos.

O dom de ver com os olhos naturais é tanto um dom quanto o dom de línguas. O Senhor deu aquele dom e podemos fazer o que quisermos a respeito de ver; podemos usar a visão do olho para a glória de Deus, ou para nossa própria destruição.

O dom do paladar é o dom de Deus, podemos usá-lo para alimentar e satisfazer as luxúrias da carne, ou podemos usá-lo para a glória de Deus.

O dom de nos comunicarmos uns com os outros é o dom de Deus, tanto quanto o dom de profecia, de discernimento de espíritos, de línguas, de cura, ou qualquer outro dom, embora a visão, o paladar, e a fala sejam tão geralmente concedidos que não são considerados sob a mesma luz miraculosa que os dons mencionados no evangelho.

Podemos usar esses dons, e todo outro dom que Deus nos deu, para o louvor e a glória de Deus, para servi-Lo, ou podemos usá-los para desonrá-Lo e a Sua causa; podemos usar o dom da fala para blasfemar Seu nome. Isso é verdade, e tenho tanto direito quanto o irmão Kimball, de dizer que aquilo de que estou falando é verdade.

Ele disse que toda sua fala pela manhã era verdadeira, e tenho tanto direito de dizer que minha fala é verdadeira, quanto ele tem de dizer que a sua é verdadeira.

Estes princípios são corretos a respeito dos dons que recebemos com o propósito expresso de os usar, para que possamos perseverar e sermos exaltados, e para que a organização que recebemos não chegue a um fim, mas perdure por toda a eternidade.

Por uma estreita aplicação dos dons que nos são concedidos, podemos assegurar para nós mesmos a ressurreição destes corpos que agora possuímos, que nossos espíritos habitam, e, quando forem ressuscitados, serão feitos puros e santos; então perdurarão por toda a eternidade.

Mas não podemos receber tudo de uma vez, não podemos compreender tudo de uma vez; temos de receber um pouco aqui e um pouco ali. Se recebemos um pouco, aperfeiçoemo-nos naquele pouco; e, se recebemos muito, aperfeiçoemo-nos nele.

Se recebemos uma linha hoje, aperfeiçoemo-nos nela; se recebemos outra amanhã, aperfeiçoemo-nos nela; e cada linha, e preceito, e dom que recebemos, devemos trabalhar sobre eles, de modo a nos tornarmos perfeitos diante do Senhor.

Esta é a maneira pela qual devemos nos mudar a nós mesmos, e mudar uns aos outros, no que diz respeito aos princípios da retidão.

Como o irmão Joseph observou esta manhã, "Joseph tem de ser Joseph; Brigham tem de ser Brigham; Heber tem de ser Heber; Amasa tem de ser Amasa; Orson tem de ser Orson; e Parley tem de ser Parley;" temos de ser nós mesmos.

O que deveríamos ser, e o que somos? Tomarei a liberdade de dizer algumas palavras sobre isto. Fomos criados retos, puros, e santos, à imagem de nosso pai e nossa mãe, à imagem de nosso Deus.

Em que diferimos? Nos talentos que nos são dados, e em nossos chamados. Somos feitos dos mesmos materiais; nossos espíritos foram gerados pelos mesmos pais; na geração da carne, somos dos mesmos primeiros pais, e todas as linhagens da terra são feitas de uma só carne; mas diferimos no que diz respeito a nossos chamados.

Em primeiro lugar, podemos variar quanto às nossas organizações pertinentes à carne; o irmão Kimball explicou esta manhã por que e como variamos.

Deixai um homem ser devotado a seu Deus e a sua religião, e suas esposas com ele, e é bastante provável que tenha filhos que crescerão na disciplina e admoestação do Senhor. Se toda a totalidade do pai e da mãe, em todos os seus atos, está devotada à edificação do reino de Deus sobre a terra, se não têm outro desejo senão fazer o certo, se a retidão reina predominante, então o espírito que está dentro deles controla, até certo ponto, a carne em sua posteridade.

Ainda assim, todo filho e filha têm de passar pela provação por que vós e eu temos de passar; devem ser provados, tentados, e provocados, a fim de agirem sobre seu arbítrio diante de Deus e provarem-se dignos de uma exaltação.

Embora nossos filhos sejam gerados em retidão, trazidos à luz em santidade, devem ser provados e tentados, pois são agentes diante de nosso Pai e Deus, o mesmo que vós e eu.

Têm de trazer esse arbítrio à ação; as paixões e apetites devem ser regidos e controlados; o olho, a fala, o paladar, os desejos, tudo deve ser controlado.

Se o povo assim se controlasse em suas vidas, faria uma grande alteração nas gerações vindouras.

Mas não podemos nos livrar do poder de Satanás; temos de saber o que é ser provado e tentado, pois nenhum homem ou mulher pode ser exaltado sob nenhum outro princípio, como foi belamente exibido na vida do Salvador.

Segundo a filosofia de nossa religião, compreendemos que, se ele não tivesse descido abaixo de todas as coisas, não poderia ter ascendido acima de todas as coisas.

Como fora designado a ascender acima de todas as coisas, seu pai e seu Deus assim o dispuseram, pela obra de Sua providência, de modo que ele fosse de fato considerado, em seu nascimento e em sua vida, abaixo de todas as coisas.

Desceu ele abaixo de todas as coisas? Seus pais não tinham nem uma casa nem sequer uma tenda para ele nascer, mas foram obrigados a ir a um estábulo, sem dúvida porque lhes foi negado o privilégio de uma casa.

O Filho do Homem não pôde nascer numa casa, e a pobre mãe, em sua aflição, se arrastou para uma manjedoura, entre o lixo deixado pelo gado.

Outros podem ter nascido num estado tão baixo quanto este, mas é difícil encontrar alguém, entre as porções civilizadas da humanidade, que chegue mais baixo.

Mas, na opinião do povo, não eram considerados dignos de nada melhor, e, por algum meio, aconteceu assim, embora não soubessem por quê, nem o povo tampouco.

A história de Joseph e Maria nos é dada por seus melhores amigos, e precisamente como daremos a história do Profeta Joseph. Sabemos que ele foi um bom homem, sabemos que cumpriu sua missão, sabemos que foi um homem honrado e agiu com justiça, conhecemos seu verdadeiro caráter.

Mas deixai que seus inimigos deem seu caráter, e o farão parecer um dos homens mais vis que já viveram. Deixai que os inimigos de Joseph e Maria nos deem seus caracteres, e sereis fortemente tentados a crer como creem os judeus.

Deixai que os inimigos de Jesus nos deem seu caráter, e, na ausência do testemunho de seus amigos, não sei se todo o mundo cristão atual não seria todo judeu, no que diz respeito à crença de que Jesus Cristo foi um impostor e um dos homens mais degradados que já viveram.

Jesus desceu muito baixo em sua parentela e nascimento; mas pode-se perguntar, condescendeu ele em ser reduzido em seu entendimento?

Pelo mesmo raciocínio, creria que sim. Creria que foi uma das crianças mais fracas que já nasceram, uma das mais indefesas ao nascer; tão indefesa que se poderia supor que jamais chegaria à idade adulta.

Qual é a sua história? Lede por vós mesmos o relato dado por seus amigos. Diz-se que Josefo deu um relato bastante justo de Joseph e Maria, dos Apóstolos, etc., mas ele só deu um relato de Jesus e seus pais mais ou menos tão bom quanto alguma pessoa em Londres recentemente deu a respeito dos "mórmons" e de Joseph Smith, seu Profeta, embora dê um relato razoavelmente justo.

Tomai um homem em Paris ou em Londres e deixai-o escrever uma história de Joseph Smith e dos Santos dos Últimos Dias trinta anos depois de Joseph ter figurado na terra, pois a história de Cristo por Josefo foi escrita vários anos depois de ele ter sido crucificado, e ele chegaria tão perto da verdade, talvez, quanto Josefo chegou na história que deu de Jesus e seus Apóstolos. Josefo era um homem bastante justo, mas sabia pouco a respeito deles.

Que relato Jesus teria dado de si mesmo, pudesse ele ter transmitido suas próprias declarações? Tal como todo bom homem daria, pois teria dito a verdade; mas agora temos de tomar sua história de seus amigos e de seus inimigos.

Que história obtemos dos judeus? Arriscar-me-ei a dizer que nenhum homem vivo sobre a face da terra, capaz de usar a linguagem para retratar o caráter de qualquer indivíduo que vive na terra, poderia pintar um caráter pior do que o que deram a Jesus Cristo.

Comparai isso com tudo o que já foi dito contra Joseph Smith, e descobrireis que a sabedoria desta geração terá de se render à dos judeus, pois retrataram o mais vil caráter na história que deram de Jesus; mas deixemos isso passar.

Podeis discernir que temos de nos controlar, que pelo evangelho podemos de fato fazê-lo e nos reformar. Cada homem e mulher, pelo espírito da verdade, pode se conformar a esse princípio para se aperfeiçoar até conhecermos e compreendermos as coisas de Deus, de modo a nos salvarmos pelos mandamentos e vontade de Deus.

O evangelho é simples, é claro. O mistério da piedade, ou do evangelho, está de fato assentado em nossa própria ignorância; essa é a causa do mistério que supomos estar nas revelações a nós dadas; está em nosso próprio malentendido—em nossa ignorância.

Não há mistério algum em todo o plano de salvação, senão para aqueles que não compreendem.

O irmão Joseph, pela manhã, tocou num princípio sobre o qual desejo falar, que é, nosso estado futuro—o futuro.

De tempos em tempos, nossos pais e nossas mães nos deixam, seus corpos são confiados ao túmulo silencioso; nossos Profetas nos são tirados; nossos companheiros são levados; nossos irmãos e irmãs deixam este mundo.

A organização pertinente a esta vida decai, torna-se sem vida, a deitamos. A doença se apega a nossos filhos, e se vão.

Disse algumas palavras sobre o princípio da afeição no último sábado, agora desejo dizer algumas palavras a respeito de nossas vidas no futuro; estenderei estas observações além de nossa existência aqui na carne.

Compreendemos, pois já nos foi dito há muito tempo, que tínhamos uma existência antes de virmos a este mundo. Nossos espíritos vieram para cá puros para tomar estes tabernáculos; vieram ocupá-los como habitações, com o entendimento de que tudo o que se passara antes de virmos para cá nos seria retirado, que não saberíamos nada a respeito.

Vimos para cá viver alguns dias, e então partimos novamente. Quanto tempo os céus estrelados têm existido, não podemos dizer; quanto tempo continuarão a existir, não podemos dizer. Quanto tempo haverá ar, água, terra; quanto tempo os elementos hão de perdurar, em suas combinações presentes, não cabe a nós dizer. Nossa religião nos ensina que jamais houve um tempo em que não existissem, e jamais haverá um tempo em que deixarão de existir; estão aqui, e estarão aqui para sempre.

Dar-vos-ei uma figura que o irmão Hyde teve num sonho. Ele havia pensado muito sobre o tempo e a eternidade; desejava saber a diferença, mas não sabia como compreendê-la. Pediu ao Senhor que lhe mostrasse, e, depois de ter orado a respeito, o Senhor lhe deu um sonho, ao menos presumo que sim, ou permitiu que assim fosse, de qualquer forma teve um sonho; sua mente foi aberta de modo que pudesse compreender o tempo e a eternidade. Disse que pensou ver um riacho jorrando de uma nuvem enevoada que se espalhava à sua direita e à sua esquerda, e que o riacho corria por ele e entrava novamente na nuvem. Foi-lhe dito que o riacho era o tempo, que não tinha lugar onde começara a correr, nem havia fim para seu curso; e que o tempo em que ele pensava e a respeito do qual falava, o que podia ver entre as duas nuvens, era uma porção de, ou uma parte com, aquilo que não podia perceber.

Assim é com vós e comigo; aqui está o tempo, onde está a eternidade? Está aqui, tanto quanto em qualquer lugar de toda a extensão do espaço; um espaço medido de tempo é apenas uma parte da eternidade.

Temos um breve período de duração destinado a nós, e o chamamos de tempo. Existimos aqui, temos vida dentro de nós, tirai-se essa vida e os pulmões cessarão de respirar, e o corpo se tornará sem vida. Está aquela vida extinta? Não, continua a existir tanto quanto existia quando os pulmões respiravam, quando o corpo mortal era revigorado pelo ar, alimento, e os elementos em que vivia, apenas deixou o corpo. A vida, os princípios animadores, ainda existem, tanto quanto existiam ontem quando o corpo estava com boa saúde. Aqui a indagação naturalmente surgirá, quando nossos espíritos deixam nossos corpos, para onde vão?

Dir-vos-ei. Localizá-los-ei eu? Sim, se assim o desejardes. Não passam para fora da organização desta terra em que vivemos. Ledes na Bíblia que, quando o espírito deixa o corpo, vai para Deus, que o deu. Ora, dizei-me onde Deus não está, se quiserdes; não podeis. Quão longe teríeis de ir a fim de ir a Deus, se vossos espíritos estivessem desnudos? Teríeis de sair deste galpão para encontrar Deus, se estivésseis em espírito? Se Deus não está aqui, seria melhor reservarmos este lugar para reunir os iníquos, pois desejarão estar onde Deus não está. O Senhor Todo-Poderoso está aqui por Seu Espírito, por Sua influência, por Sua presença. Não estou na extremidade norte deste galpão, meu corpo está na extremidade sul dele, mas minha influência e minha voz se estendem a todas as partes dele; da mesma maneira está o Senhor aqui.

Lê-se que o espírito vai para Deus, que o deu. Permiti-me tornar esta Escritura um pouco mais clara; quando os espíritos deixam seus corpos, estão na presença de nosso Pai e Deus, estão então preparados para ver, ouvir, e compreender coisas espirituais. Mas onde está o mundo dos espíritos? Está incorporado dentro deste sistema celestial. Podeis vê-lo com vossos olhos naturais? Não. Podeis ver espíritos nesta sala? Não. Suponde que o Senhor tocasse vossos olhos para que pudésseis ver, poderíeis então ver os espíritos? Sim, tão claramente quanto agora vedes corpos, como fez o servo de Elias. Se o Senhor o permitisse, e fosse Sua vontade que se fizesse, poderíeis ver os espíritos que partiram deste mundo, tão claramente quanto agora vedes corpos com vossos olhos naturais; tão claramente quanto os irmãos Kimball e Hyde viram aqueles espíritos malignos desencarnados em Preston, Inglaterra. Viram demônios ali, como nos vemos uns aos outros; podiam ouvi-los falar, e sabiam o que diziam. Podiam ouvi-los com o ouvido natural? Não. Viram aqueles espíritos malignos com seus olhos naturais? Não. Não podiam vê-los na manhã seguinte, quando não estavam em espírito; nem podiam vê-los no dia anterior, nem em qualquer outro momento; seus olhos espirituais foram tocados pelo poder do Todo-Poderoso.

Disseram que olharam através de seus olhos naturais, e suponho que sim. O irmão Kimball os viu, mas não sei se seus olhos naturais estavam abertos naquele momento ou não; o irmão Kimball disse que ficou deitado no chão parte do tempo, e presumo que seus olhos estivessem fechados, mas os viu, assim como o irmão Hyde, e os ouviram falar.

Podemos indagar onde habitam os espíritos, sobre os quais o diabo tem poder? Habitam em qualquer lugar, em Preston, tanto quanto em outros lugares na Inglaterra. Habitam em algum outro lugar? Sim, neste continente; está cheio deles. Se pudésseis ver, e caminhásseis por muitas partes da América do Norte, veríeis milhões sobre milhões dos espíritos daqueles que foram mortos neste continente. Veríeis os espíritos daqueles que foram tão bons na carne quanto sabiam ser? Sim. Veríeis os espíritos dos iníquos? Sim. Poderíeis ver os espíritos dos demônios? Sim, e isso é tudo o que há deles. Foram privados de corpos, e isso constitui sua maldição, isto é, falando à maneira dos homens, sereis andarilhos sobre a terra, tereis de viver ao ar livre o tempo todo em que viverdes.

Essa é a situação dos espíritos que foram enviados à terra, quando ocorreu a revolta no céu, quando Lúcifer, o Filho da Manhã, foi expulso. Para onde foi ele? Veio para cá, e um terço dos espíritos no céu veio com ele. Supondes que um terço de todos os seres que existiam na eternidade veio com ele? Não, mas um terço dos espíritos que foram gerados e organizados e trazidos à luz para se tornarem inquilinos de corpos carnais a habitar esta terra. Abandonaram Jesus Cristo, o herdeiro legítimo, e se uniram a Lúcifer, o Filho da Manhã, e vieram a esta terra; chegaram aqui primeiro. Assim que a Mãe Eva fez sua aparição no jardim do Éden, o diabo já estava presente.

Não podeis dar a ninguém sua exaltação, a menos que saibam o que é o mal, o que são o pecado, a tristeza, e a miséria, pois nenhuma pessoa poderia compreender, apreciar, e desfrutar de uma exaltação sob nenhum outro princípio. O diabo, com um terço dos espíritos do Reino de nosso Pai, chegou aqui antes de nós, e permanecemos ali com nossos amigos, até que chegasse o tempo de virmos à terra e tomarmos tabernáculos; mas àqueles espíritos que se revoltaram foi proibido jamais terem tabernáculos próprios. Podeis agora compreender como é que estão sempre tentando obter posse dos corpos dos seres humanos; lemos de um homem possuído por uma legião, e Maria Madalena tinha sete.

Podeis agora ver pessoas com legiões de espíritos malignos dentro e ao redor delas; há homens que caminham por nossas ruas que têm mais de cem demônios dentro e ao redor deles, incitando-os a toda espécie de mal, e alguns também que professam ser Santos dos Últimos Dias, e, se tirásseis os demônios de dentro e de ao redor deles, deixá-los-íeis cadáveres mortos; pois creio que nada restaria deles.

Quero que compreendais estas coisas; e, se disserdes ou pensardes que não sei nada a respeito delas, tende a bondade de descobrir e me informar. Podeis ver os atos desses espíritos malignos em todo lugar, o país inteiro está cheio deles, a terra inteira está viva com eles, e estão continuamente tentando entrar nos tabernáculos da família humana, e estão sempre à mão para nos incitar a nos desviarmos da estreita linha de nosso dever.

Sabeis que às vezes precisamos de um insuflador; se algum de vós fosse chamado pelo governo dos Estados Unidos a ir à Alemanha, Itália, ou qualquer nação estrangeira, como Embaixador, se não compreendêsseis a língua, alguém teria de interpretar para vós. Bem, esses espíritos malignos estão prontos a vos insuflar. Insuflam-nos eles? Sim, e poderia pôr minhas mãos sobre uma dúzia deles enquanto estive neste púlpito; estão aqui no púlpito. Poderíamos passar sem os demônios? Não, não poderíamos passar sem eles. Estão aqui, e sugerem isto, aquilo, e aquilo outro.

Quando depositardes este tabernáculo, para onde ireis? Para o mundo espiritual. Ireis para o seio de Abraão? Não, para lugar nenhum perto disso, mas para o mundo dos espíritos. Onde está o mundo dos espíritos? Está bem aqui. Vão juntos os espíritos bons e maus? Sim, vão. Habitam ambos um só reino? Sim, habitam. Vão eles ao sol? Não. Vão além dos limites desta terra organizada? Não, não vão. São trazidos a esta terra, com o propósito expresso de a habitarem por toda a eternidade. Para onde mais ireis? Para lugar algum, senão como fordes permitidos.

Quando os espíritos da humanidade deixam seus corpos, não importa se o indivíduo era Profeta ou a pessoa mais vil que se pudesse encontrar, para onde vão? Para o mundo dos espíritos. Onde está ele? Estou vos dizendo. O espírito de Joseph, não sei se está agora mesmo neste galpão, mas vos asseguro que está próximo dos Santos dos Últimos Dias, está ativo pregando aos espíritos na prisão e preparando o caminho para redimir as nações da terra, aquelas que viveram nas trevas antes da introdução do evangelho por ele mesmo nestes dias.

Ele tem tanto trabalho em mãos quanto eu; tem tanto a fazer quanto eu. O Pai Smith e Carlos e o irmão Partridge, sim, e todo outro bom Santo, estão tão ocupados no mundo dos espíritos quanto vós e eu aqui. Podem nos ver, mas não podemos vê-los a menos que nossos olhos fossem abertos. O que estão fazendo ali? Estão pregando, pregando o tempo todo, e preparando o caminho para nos apressarmos em nosso trabalho de construir templos aqui e em outros lugares, e voltar ao Condado de Jackson e construir o grande templo do Senhor. Estão se apressando para ficarem prontos no momento em que estivermos prontos, e todos nós estamos nos apressando para estarmos prontos no momento em que nosso Irmão Mais Velho estiver pronto.

Os espíritos malignos que partem daqui e vão para o mundo dos espíritos, são maus ali? Sim.

Os espíritos das pessoas que viveram sobre a terra segundo a melhor luz que tinham, que foram tão honestos e sinceros quanto homens e mulheres poderiam ser, se viveram na terra sem o privilégio do evangelho e do Sacerdócio e suas chaves, ainda estão sob o poder e controle dos espíritos malignos, até certo ponto. Não importa onde tenham vivido na face da terra, todos os homens e mulheres que morreram sem as chaves e o poder do Sacerdócio, embora possam ter sido honestos e sinceros e feito tudo o que puderam, estão sob a influência do diabo, mais ou menos. Estão eles tanto assim quanto outros? Não, não. Tomai aqueles que foram iníquos deliberadamente, que conscientemente viveram sem o evangelho quando estava ao seu alcance, são entregues ao diabo, tornam-se ferramentas do diabo e espíritos de demônios.

Ide ao tempo em que o evangelho veio à terra nos dias de Joseph, tomai os iníquos que se opuseram a este povo e o perseguiram até a morte, e são enviados ao inferno. Onde estão? Estão no mundo dos espíritos, e estão tão ocupados quanto possivelmente podem estar a fazer tudo o que podem contra o Profeta e os Apóstolos, contra Jesus e seu reino. São tão iníquos e maliciosos em suas ações contra a causa da verdade, quanto eram enquanto estavam na terra em seus tabernáculos carnais.

Joseph, também, vai para lá, mas tem o diabo poder sobre ele? Não, porque ele detinha as chaves e o poder do Sacerdócio eterno aqui, e obteve a vitória enquanto aqui na carne.

Antes de prosseguir, dar-vos-ei uma ilustração. Enviai um homem que está acostumado a magnetizar pessoas, e vede se pode magnetizar um Élder em Israel, um que esteja cheio de fé, ou uma fiel irmã na Igreja de Deus. Poderia Le Roy Sunderland, um de seus maiores personagens, magnetizar um dos Santos dos Últimos Dias? Não. Poderia tão bem tentar magnetizar o sol no firmamento. Por quê? Porque o Sacerdócio está sobre vós, e ele tentaria vos magnetizar por outro e menor poder.

O princípio do magnetismo animal é verdadeiro, mas homens iníquos o usam para um propósito mau. Jamais vos disse muito sobre minha crença neste princípio magnético. Falar é um verdadeiro dom, mas posso falar para a glória de Deus, ou para o prejuízo de Sua causa e para minha condenação, como quiser; e ainda assim o dom é de Deus. O dom do magnetismo animal é um dom de Deus, mas homens iníquos o usam para promover a causa do diabo, e essa é precisamente a diferença. Podeis viajar pelo mundo e fazer indagações onde os Élderes viajaram, e não podereis encontrar um só caso em que o diabo tenha obtido poder sobre um bom e fiel Élder por meio deste poder. Ele não pode fazê-lo, porque o fiel Élder desta Igreja detém chaves e poder acima daquele que é usado por aqueles que andam por aí dando palestras sobre magnetismo, e operando sobre todos que se tornarem passivos à sua vontade. Não têm o mesmo poder que os fiéis Élderes de Israel têm, pois esses Élderes têm o Sacerdócio eterno sobre eles, que está acima e preside sobre todo outro poder.

Quando os fiéis Élderes, detentores deste Sacerdócio, vão para o mundo dos espíritos, levam consigo o mesmo poder e Sacerdócio que tinham enquanto no tabernáculo mortal. Obtiveram a vitória sobre o poder do inimigo aqui, consequentemente, quando deixam este mundo, têm perfeito controle sobre aqueles espíritos malignos, e não podem ser provocados por Satanás. Mas, enquanto vivem na carne, nenhum ser sobre esta terra, da posteridade de Adão, pode estar livre do poder do diabo.

Quando esta porção da escola termina, aquela em que descemos abaixo de todas as coisas e começamos nesta terra a aprender as primeiras lições para uma exaltação eterna, se fostes um aluno fiel, e vencestes, se trouxestes a carne à sujeição pelo poder do Sacerdócio, se honrastes o corpo, quando este se desfaz na terra e vosso espírito se liberta desta morada de barro, tem o diabo algum poder sobre ele? Nem uma partícula.

Esta é uma vantagem que os fiéis ganharão; mas, enquanto vivem na terra, estão sujeitos às provocações de Satanás. Joseph e aqueles que morreram na fé do evangelho estão livres disto; se uma turba viesse agora sobre Joseph, ele tem poder de dispersá-la com o movimento de sua mão, e conduzi-la para onde lhe aprouver. Mas está Joseph glorificado? Não, está pregando aos espíritos na prisão. Obterá sua ressurreição antes de qualquer outro neste reino, pois foi o primeiro a ser escolhido por Deus para trazer à luz a obra dos últimos dias.

Seu cargo não lhe foi tirado, ele apenas foi trabalhar em outro departamento das operações do Todo-Poderoso. Ainda é Apóstolo, ainda é Profeta, e está realizando a obra de um Apóstolo e Profeta; deu um passo além de nós e obteve uma vitória que vós e eu não obtivemos, ainda assim ele ainda não entrou no reino celestial, ou, se entrou, foi por um mandamento direto do Todo-Poderoso, e isso também para regressar assim que o propósito for cumprido.

Nenhum homem pode entrar no reino celestial e ser coroado com uma glória celestial, até obter seu corpo ressuscitado; mas Joseph e os fiéis que morreram obtiveram uma vitória sobre o poder do diabo, que vós e eu ainda não obtivemos. Enquanto vivermos nestes tabernáculos, estaremos sujeitos às tentações e ao poder do diabo; mas, quando os depositarmos, se formos fiéis, teremos obtido a vitória até esse ponto; mas, mesmo assim, não estaremos tão avançados de imediato a ponto de estarmos além da vizinhança dos espíritos malignos.

A terça parte das hostes do céu, que foram expulsas, não foi removida, ao menos não que eu tenha descoberto, e os outros dois terços têm de vir e tomar corpos, todos aqueles que ainda não os tomaram, e ter a oportunidade de se prepararem para uma gloriosa ressurreição e exaltação, antes de terminarmos com este mundo; e aqueles que são fiéis na carne às exigências do evangelho obterão esta vitória sobre os espíritos que não têm permissão de tomar corpos, classe essa que compreende um terço das hostes do Céu.

Aqueles que morreram sem o evangelho são continuamente afligidos por aqueles espíritos malignos, que lhes dizem—"Não vades ouvir aquele homem Joseph Smith pregar, nem David Patten, nem qualquer de seus associados, pois são enganadores."

Os espíritos são tão familiares com os espíritos quanto os corpos com os corpos, embora os espíritos sejam compostos de matéria tão refinada que não seja tangível a esta organização mais grosseira. Andam, conversam, e têm suas reuniões; e os espíritos dos bons homens, como Joseph e os Élderes, que deixaram esta Igreja na terra por uma estação para operar em outra esfera, estão reunindo todos os seus poderes e indo de lugar em lugar pregando o evangelho, e Joseph os está dirigindo, dizendo, avante, meus irmãos, e, se vos cercarem o caminho, avançai e ordenai que se dispersem. Tendes o Sacerdócio e podeis dispersá-los, mas, se algum deles desejar ouvir o evangelho, pregai-lhes.

Podem batizá-los? Não. O que podem fazer? Podem pregar o evangelho, e, quando tivermos o privilégio de edificar Sião, chegará o tempo dos salvadores subirem ao Monte Sião. Meu irmão Joseph falou deste princípio esta manhã. Alguns daqueles que não estão na mortalidade virão e dirão, "Aqui estão mil nomes que desejo que atendas neste templo, e, quando terminares com eles, dar-te-ei outros mil;" e os Élderes de Israel e suas esposas irão adiante para oficiar por seus antepassados, os homens pelos homens, e as mulheres pelas mulheres.

Um homem é ordenado e recebe suas lavagens, unções, e investiduras pela porção masculina de seus antepassados e de sua esposa, e sua esposa pela porção feminina.

Então, no mundo dos espíritos, dirão, "Não vês alguém trabalhando por ti? O Senhor se lembra de ti e revelou a Seus servos na terra o que fazer por ti."

Está o mundo dos espíritos aqui? Não está além do sol, mas está nesta terra que foi organizada para o povo que viveu e que vive e viverá sobre ela. Nenhum outro povo pode tê-la, e não podemos ter nenhum outro reino até estarmos preparados para habitar este eternamente. No mundo dos espíritos, aqueles que obtiveram a vitória vão adiante preparar o caminho para aqueles que vivem na carne, cumprindo a obra de salvadores no Monte Sião.

Para realizar esta obra, não haverá de haver apenas um templo, mas milhares deles, e milhares e dezenas de milhares de homens e mulheres irão a esses templos e oficiarão por pessoas que viveram tão longe quanto o Senhor revelar. Se formos fiéis o bastante para voltar e construir aquele grande templo sobre o qual Joseph escreveu, e o Senhor reconhecer o trabalho de Seus servos, então vigiai, pois vereis alguém a quem já vistes antes, e muitos de vós vereis aquele a quem não vistes antes, mas o conhecereis assim que o virdes.

Este privilégio não podemos desfrutar agora, porque o poder de Satanás é tal que não podemos realizar o trabalho necessário para nos habilitar a obtê-lo.

Quando novamente começarmos nos muros do templo a ser construído neste Quarteirão, a notícia voará do Maine à Califórnia. Quem lhes dirá? Aqueles pequenos demônios que estão por aqui, que estão em torno desta terra no mundo dos espíritos; haverá milhões deles prontos a comunicar a notícia aos demônios no Missouri, Illinois, Califórnia, México, e por todo o mundo. E a pergunta será, "Que notícia há? Há alguma coisa diabólica acontecendo entre os 'mórmons' e eu sei disso. Aqueles 'mórmons' deveriam ser mortos." Não sabem o que os incita a este sentimento, são aqueles espíritos que estão continuamente perto deles.

Todos nós temos espíritos que nos acompanham; quando os olhos do servo de Elias foram abertos, ele viu que aqueles a seu favor eram mais numerosos do que os contra ele. Há dois terços a nosso favor, e um terço contra nós; e não há filho ou filha de Adão que não seja salvo em algum reino e receba glória e uma exaltação em algum grau, exceto aqueles que tiveram o privilégio do evangelho e o rejeitaram e pecaram contra o Espírito Santo, esses se tornarão servos dos demônios.

Quanto tempo existirão? Não sei, nem me importo. Todos deste povo, com os Santos que viveram antes de nós, desde os dias de Adão até agora, e aqueles que possam vir depois de nós, todos dizem, "Edificai o reino de Deus." Para quê? Para salvar os habitantes da terra, para trazê-los todos de volta a algum tipo de reino onde possam ser administrados, e não deixar que esta matéria organizada retorne novamente a seu elemento nativo, pois desejamos que esta obra seja preservada.

Sabeis que, quando fazeis uma fazenda, não gostais de vê-la dominada por ervas daninhas, e vos feriria os sentimentos ver vossas casas, celeiros, e outras propriedades destruídas. É verdade, podeis fazer mais, mas como supondes que o Senhor se sente, Ele que é muito mais compassivo do que nós, quando vê o diabo obtendo vantagem sobre Suas criaturas para as levar embora e destruí-las? Não supondes que as entranhas de Sua compaixão anseiam por este povo, e que Ele está irado com os iníquos? Não supondes que Ele frequentemente sente vontade de dizer, "Ó, meus filhos, por que não escutais o que vos digo, e tomais os princípios da vida, e cessais de seguir um rumo calculado para vos destruir? Trabalhei para trazer à luz esta organização, e não desejo perder meu trabalho, mas desejo que escuteis o conselho que vos dou e vos prepareis para perdurar para sempre e entrar em minha presença, e, se não puderdes fazer isso e observar uma lei celestial, ao menos observai a lei de um reino onde eu possa enviar anjos a vós, e enviarei e vos confortarei e administrarei a vós e vos levantarei e vos farei alegres e felizes, e vos encherei de gozo e de paz"?

É nosso negócio viver nossa religião, e é tudo o que temos a fazer. "Mas," diz alguém, "pensei que tínhamos de cultivar grão." Já vos disse, muitas vezes, que não vos daria nada por vossa fé, sem que acrescentásseis obras. Como ireis trabalhar para edificar o reino?

Desejo agora deixar o assunto que temos considerado, pois penso que já falei o bastante sobre ele por ora, e dizer-vos como vos preparardes para edificar o reino de Deus e salvar os honestos de coração.

Aqui estamos nos vales destas montanhas, e digo que não há povo algum sobre a terra que viveria aqui senão os Santos dos Últimos Dias, e parece quase mais do que podem fazer ficar aqui. Ora, se fossem tão rápidos em escutar o conselho quanto em ficar ricos, e tão rápidos quanto em satisfazer suas próprias disposições, não veríamos os tempos difíceis que agora vemos.

Quando primeiro chegamos aqui, não tínhamos passado duas semanas neste quarteirão, antes que o canal de Big Cottonwood que agora construímos fosse tão visível para mim quanto jamais será quando estiver concluído, e ainda vereis barcos nele. Tem de estar ali. Para quê? Para sustentar este povo. Pensais que queremos a água que agora se desperdiça naqueles canais naturais? Dizei, irmãs, pensais que precisamos de mais água para irrigação? Sim, precisais, pois vossas ervilhas estão secando, e é pouco provável que tenhais muitos pepinos para conservas.

Este povo tem sido tão rápido a escutar o conselho quanto a ficar rico? Não, e muitos de vós preferiríeis orar ao Senhor para enviar chuva, do que apropriar, por vosso trabalho, as águas que continuamente fluem destes cânions. Digo-vos agora, como já disse antes, não tenho muita fé para orar por chuva; e, se tivesse fé e poder para trazer chuva sobre as colheitas nestes vales, não o faria. Por quê? Porque lançaria muitos de vós em hábitos preguiçosos, indolentes, e ociosos, e todo Gentio que passasse por aqui cobiçaria vossas fazendas, e diria, "Esta é a mais bela terra que já vimos, quão ricos sois, como vosso gado prospera nas colinas, vosso grão cresce quase sem trabalho de cultivo da terra."

Logo começariam a desejar vossas heranças, aquelas casas e esta cidade, e não passariam muitos anos antes de termos de partir, ou contender com eles. Como é agora, não há povo que viveria aqui, exceto os Santos dos Últimos Dias, e são decididamente o melhor povo sobre a terra, mesmo que às vezes eu os castigue, e o que digo é verdade, pois alguns poucos merecem castigo.

Não creio que a cidade de Enoque tenha feito maior avanço, no mesmo período de tempo, do que este povo fez nos vinte e seis anos de sua carreira, o que é dizer muito a seu favor. Quem mais viveria aqui? Ninguém. Colocai Gentios aqui e dizei-lhes que teriam de ficar confinados aqui, e se considerariam numa prisão pior do que um presídio.

Resmungam alguns dos irmãos um pouco, e dizem que, não fosse pelo "mormonismo," fariam tal e tal coisa? E daí? Há algum outro povo que se sairia tão bem quanto vós? Não, nenhum outro.

Quando encontro falha no povo por não escutar o conselho, é porque desejo que vivam de modo a prontamente obter a recompensa da retidão, e não tenham de esperar tanto tempo por ela.

Este é um bom povo, embora haja alguns em nosso meio que não fazem o certo. Plantai os Gentios aqui, e logo vereis gargantas sendo cortadas e ouvireis o estalo agudo do rifle nas seitas da água. Haveria muito mais luta por água do que há entre os "mórmons", embora alguns deles a roubem agora.

Muitos dos irmãos sentem como eu; se eu tivesse minhas colheitas crescendo e alguém viesse roubar minha água, diria, ides cultivar grão, não ides? Bem, ide em frente, pois o obteremos, se o cultivardes.

Aqui está sentado um homem que agora posso olhar e que diz que sou um déspota maior do que o Imperador da Rússia. Talvez eu seja, pois, se visse os pobres sofrendo, poderia arrombar barris de farinha melhor do que Alexandre II, e dar o conteúdo aos pobres com um coração melhor do que o dele.

Quem no mundo inteiro poderia viver aqui mais pacificamente do que nós? Ninguém; e agradeço a Deus pelos tempos difíceis. Supondes que os Gentios desejam esta terra? Não; dizem, "É uma terra abandonada por Deus," e digo, aleluia, pois é exatamente a terra que prefiro, uma terra onde ninguém mais viverá senão aqueles dispostos a guardar os mandamentos de Deus.

Desejo ser tirânico o bastante, se esse é o termo apropriado, para vos fazer bons homens e boas mulheres. Ide com todas as vossas forças este ano, e vede se não podemos nos preparar para outro. Esta é uma grande terra para criar Santos; já vimos o trigo crescer aqui quase espontaneamente, e não poderia haver melhor terra para criar Santos.

Se uma pessoa é honesta diante de Deus e tem mais do que precisa para seu próprio uso, e não o cobiça, fará uma distribuição àqueles que não têm, e não haverá necessidade de que nenhuma pessoa fique sem alimento necessário. Sei que há muitos aqui que já distribuíram muita farinha, e de forma alguma sofreram por causa de sua liberalidade. Há um homem sentado no púlpito que diz que [ilegível] raspou o fundo do barril de farinha, e na manhã seguinte foi raspar novamente, para dar mais aos pobres, e o encontrou meio cheio. Ela lhe perguntou "Se ele o havia colocado ali." Ele respondeu, "Não." "Bem," disse ela, "eu o raspei ontem à noite."

O Senhor deseja provar-vos; diremos que entesouraremos as bênçãos de Deus, para que possamos dizer que temos uma grande quantidade só para nós? Não, mas distribuí-as, e fazei-o com coração honesto, em toda humildade; e que aqueles que recebem bênçãos as recebam com coração honesto, em toda humildade e gratidão. Alguns que têm reterão, e alguns dos pobres são cobiçosos e agarrarão um pouco aqui e ali e o entesourarão, ou o desperdiçarão. Se continuardes na cobiça, vossos bens minguarão e se desperdiçarão.

Que os pobres, aqueles que têm de depender de seus irmãos por pão, depois de terem feito tudo o que podem para obtê-lo por si mesmos, sejam gratos, e não tomem mais do que precisam usar de maneira frugal. Ao tomar tal rumo, ninguém sofreria.

Com alguns há um receio, uma falta de fé e confiança em Deus, e uma mesquinha avareza; esta é a causa de muitos estarem tão apertados. Como frequentemente tenho feito, novamente convido aqueles que são desconfiados, e temem que Deus vá abandonar este povo, a partir, se não desejam ser Santos e depositar confiança no Deus dos Santos. Gostaria que tais personagens partissem; ficarei feliz se partirem. Não os manteria; preferiria dar-lhes farinha e ajudá-los a partir, porque são uma maldição para os Santos. E, se o diabo lhes colocar no coração partir, sei que uma certa porção daqueles espíritos malignos irá com eles, e ainda assim sempre teremos muitos mais chegando.

Tudo o que vos peço é que apliqueis vossos corações ao evangelho de Jesus Cristo e sejais Santos. Não vos pedirei mais nada nesta terra senão que vivais de modo a conhecer a mente e a vontade de Deus quando a recebeis, e então nela permaneçais. Se assim o fizerdes, estareis preparados para fazer muitas coisas, e descobrireis que há muito bem a ser feito.

Não temos tempo para gastar tolamente, pois temos tanto em nossas mãos quanto provavelmente podemos fazer, para manter o passo com aquela porção de nossos irmãos que já passaram para a outra sala.

E, quando tivermos passado para a esfera onde Joseph está, ainda haverá outro departamento, e depois outro, e outro, e assim por diante, até uma progressão eterna em exaltação e vidas eternas. Essa é a exaltação que busco. Que Deus vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Os Dons de Profecia e de Línguas—Contraste entre as Circunstâncias Passadas e a Presente Condição dos Santos—Provações e Tentações Necessárias para a Exaltação—A Condição dos Espíritos Desencarnados—A Redenção dos Mortos”, (1856-06-22). Pulpit Vault, 1856-06-22-young-gifts-of-prophecy-and-tongues. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).