Pulpit

Instruções aos Bispos—Os Homens Julgados de Acordo com Seu Conhecimento—A Organização do Espírito e do Corpo—Pensamento e Trabalho Devem Ser Combinados

Brigham Young

1856-03-16

Não me levanto agora expressamente com o propósito de dar instruções adicionais, pois já ouvimos muito hoje; ainda assim, tenho algumas reflexões que oferecerei. Não vos lembrais de ter ouvido oradores públicos, tanto aqui quanto em outros países, usarem muitas palavras sem transmitir ideias clara e distintamente?

O discurso do irmão Vernon, pela manhã, muito me deleitou. Fiquei extremamente satisfeito ao ouvi-lo revestir suas ideias com uma linguagem tão bela, e tão facilmente compreendida. Portanto, exorto meus irmãos, os Élderes, quando se levantarem para ensinar, edificar, ou instruir o povo, a não se limitarem por esforços de meramente selecionar palavras de bom som, mas a distribuírem ideias corretas e úteis, mesmo que não uséis uma palavra em dez de um modo que os letrados considerariam apropriado. Se um orador apresenta ideias úteis a uma congregação dos melhores eruditos existentes, embora nem uma palavra de sua linguagem seja estritamente apropriada, ainda assim o que ele diz alimentará aquela congregação, muito mais do que um volume perfeito de palavras de bom som que transmitem poucas ou nenhumas ideias importantes. Deixarei a correção desta observação para os filósofos de todo grau.

Ainda assim, quando alguém se levanta para falar, se sua mente está repleta de ideias valiosas, que revista seus pensamentos com a melhor linguagem que puder dispor—aquela que lhe vem facilmente e naturalmente. Desejo realmente imprimir esta ideia nas mentes dos Élderes.

Se refletirdes sobre que classe de oradores mais vos edificou, não importa se instruídos ou não na erudição das escolas, descobrireis prontamente que foram aqueles cujas mentes estavam repletas de boas ideias, e que falavam de modo que pudésseis prontamente e facilmente compreendê-los, quer sua linguagem fosse expressa no estilo mais aprovado ou não. Quando ouvis indivíduos falarem cujas mentes estão repletas de ricas ideias, não vos beneficiam mais? Pouco me importa a vossa linguagem, entregai as ideias, e deixai-nos saber o que tendes armazenado em vossas mentes.

Referir-me-ei agora a uma parte do discurso proferido aqui esta tarde, e direi aos Bispos, que seria altamente gratificante para mim, e para todos nós, se vos provásseis mordomos sábios. Tendes uma boa oportunidade de exibir vossas habilidades, e digo ao Bispo que acabou de se dirigir a nós, não fareis como anteriormente vos dirigi, e nomeareis homens bons, sábios, e criteriosos para percorrer vosso Bairro, para descobrir o que há naquele Bairro, e a situação de cada família, se têm dinheiro, farinha, ou roupas caras, ou se estão destituídos e sofrendo? Este é o vosso negócio e chamado. Mas muitos de nossos Bispos estão sonolentos e não prestam para nada, e, se eu fosse purificar a Igreja, conhecendo o caráter dos indivíduos, penso que começaria pelos Bispos. O deles é um dos cargos mais laboriosos e responsáveis em toda a Igreja; é um cargo que requer homens da melhor habilidade, juízo, e talento, para ocupá-lo, e é de grande importância. Bispos, tomareis a iniciativa e tentareis fazer homens de vós mesmos? Depois de tudo o que disse agora e anteriormente, se fôsseis buscar em vossos Bairros, provavelmente viríeis até mim indagar o que deveríeis fazer. Dir-vos-ei, não deixeis que haja um só lugar, nas habitações dos Santos em vossos Bairros, sobre o qual estejais desinformados. O irmão Woolley relatou a circunstância de um Bispo que encontrou uma mulher que tinha vivido da caridade de seus vizinhos, e que, ao mesmo tempo, tinha propriedade valiosa, e dinheiro escondido. Poderia referir-vos a dezenas de circunstâncias semelhantes, e, o que é mais, a alguns dos Élderes, aqueles que se supõe estarem entre os melhores de nossos Élderes, que têm pregado no exterior e trazido suas centenas para a Igreja, que vêm aqui com uma mentira em seus corações e em suas línguas, a respeito de seus meios, e declaram, enfaticamente, que não têm meios com que se ajudar, nem dinheiro nem bens.

Nós os trouxemos para cá, e ainda devem ao Fundo Perpétuo de Emigração pela sua passagem, e têm ouro, se não têm prata, e têm o tipo mais rico de roupas. Isto me traz à mente a circunstância de uma família em Nauvoo, que tinha o hábito de viajar de casa em casa, mendigando seu sustento, e diziam que eram pobres e destituídos. Quando chegou o tempo de deixarmos aquela cidade, e aquela família estava partindo para St. Louis, a mulher soltou seu vestido e mostrou a uma das irmãs seu espartilho, e disse: "Tenho meu dinheiro costurado nestes espartilhos, e a Igreja não o terá." Esta mulher mendigou seu sustento, e ficou em Nauvoo quase dois anos, e preferiria ser condenada a se separar das moedas de ouro costuradas em seu espartilho. Tais pessoas serão condenadas, e quanto mais cedo nos deixarem, melhor.

Se eu fosse Bispo, saberia com razoável grau de precisão o valor das roupas possuídas por aqueles em meu Bairro, que me pedissem assistência, e estaria familiarizado com cada canto e habitação, e vigiaria cuidadosamente para que dinheiro não fosse escondido, e os proprietários mendigassem daqueles mais pobres do que eles mesmos. Saberia se tinham dinheiro entesourado, ou escondido.

Vinte anos atrás os Élderes tinham de estar muito vigilantes, e não suponho que, por muitos anos, tenha dormido tão profundamente que a mais leve batida não me despertasse. Se alguma pessoa dissesse "Brigham!" estou pronto de imediato a perguntar, "O que se deseja?" Estou pronto a saltar, ao primeiro aviso. Ninguém podia se mover, sem que soubéssemos disso.

Os Bispos deveriam estar igualmente bem despertos, e colocar aqueles em quem confiam, aqueles que sabem serem honestos, como vigias na torre, e deixá-los descobrir quem está sofrendo. Sem dúvida, há muitos que estão sofrendo por falta de alimento, mas não há necessidade alguma de que qualquer família sofra nesta Cidade, e, quando esta Cidade estiver suprida, o restante do Território pode ser considerado independente.

Presumo que temos um quarto a menos de provisões nesta Cidade, em relação ao número de habitantes, do que qualquer outra parte do Território, e ainda assim não precisamos sofrer. Aqui não precisamos ter vergonha de mendigar, quando a estrita necessidade nos cercar. Não espero ver o dia em que serei perfeitamente independente, até que seja coroado no reino celestial de meu Pai, e feito tão independente quanto meu Pai celestial. Ainda não recebi minha herança como minha própria, e espero ser dependente até que a receba, pois tudo o que tenho me foi emprestado.

Se um homem vem a mim e diz que está sem alimento, e daí? Ele está sem alimento, é tudo. Se um homem vem e diz: "Minha família está destituída de alimento e roupas," e daí? Simplesmente que estão destituídos de alimento e roupas, e ainda assim podem ser cavalheiros e senhoras, apesar de tudo isso, e estar honrando seus tabernáculos e estando sobre a terra.

Os costumes do mundo tornaram degradante pedir alimento, mas não o é, quando uma pessoa não pode honestamente obtê-lo de nenhuma outra forma. O homem que está faminto e destituído tem tanto direito ao meu alimento quanto qualquer outra pessoa, e me sentiria tão feliz em me associar com ele, se tivesse um bom coração, quanto com aqueles que têm abundância, ou com os príncipes da terra. Todos são por mim estimados, não segundo a riqueza e a posição que ocupam, mas segundo o caráter que possuem.

Bispos, tentareis magnificar vosso chamado? Dar-vos-ei algumas palavras de consolo; na nossa próxima Conferência esperamos dispensar muitos Bispos, e nomear outros, e pretendemos continuar a fazê-lo, até obtermos homens de bom coração e mente ativa, para ocupar aquela posição responsável.

Falarei agora sobre outro assunto; um sobre o qual já toquei muitas vezes, mas que, até hoje, é pouco compreendido. Refiro-me à organização do espírito e do corpo, a distinção entre os dois, e suas operações. Este assunto não é bem compreendido, e geralmente não muito refletido, mas é um que os Santos têm de aprender, se algum dia vierem a aprender a real organização do homem. Então saberão e compreenderão as peculiaridades de nossa presente organização, e quão sujeita a humanidade está a se submeter às suas fraquezas, e às influências dos poderes que reinam sobre eles.

Se estivésseis de posse deste conhecimento, seríeis mais compassivos. Por mais severamente que às vezes vos fale, minha alma está cheia de compaixão. Sempre foi meu estudo compreender a mim mesmo, pois, ao fazê-lo, posso compreender meus vizinhos.

Se este povo aplicasse sua mente à sabedoria, no que diz respeito a si mesmos, seriam mais compassivos do que agora são.

Do que às vezes se diz aqui, poder-se-ia inferir que todos os que não caminhassem na linha estariam prestes a serem destruídos, mas quem foi ferido? Quem está prestes a ser morto? Quem está prestes a ser tirado do caminho? Quando este povo tiver vivido tempo suficiente sobre a terra, para que os princípios de vida e salvação sejam disseminados entre eles, e para que seus filhos sejam ensinados naqueles princípios, de modo que conheçam plenamente os princípios da salvação eterna, então, se nós ou nossos filhos nos afastarmos dos mandamentos de Deus, como alguns fazem agora, poderia vos dizer o que se fará com eles.

O irmão Wesley disse que o tempo não está distante, mas jamais chegará até que os habitantes da terra, e especialmente aqueles que foram reunidos, tenham tempo suficiente para serem educados na lei celestial, de modo que cada pessoa possa compreender por si mesma. Então, se transgredirem contra a luz e o conhecimento que possuem, alguns serão apedrejados até a morte, e "o julgamento será aplicado ao fio de prumo, e a retidão ao nível." Mas o povo jamais será tomado e sacrificado por sua ignorância, quando não tiver tido oportunidade de conhecer e compreender a verdade. Tal procedimento seria contrário à economia do céu. Mas, depois de recebermos e compreendermos as coisas como são, se então desobedecermos, poderemos esperar a mão castigadora do Todo-Poderoso.

Se pudéssemos aprender a nos conhecer, veríamos milhares e milhares de fraquezas no povo. Voltam-se para a direita e para a esquerda, para isto e aquilo que é errado; ainda assim, se soubéssemos e víssemos as coisas como são, compreenderíamos que milhares desses atos são praticados em ignorância.

Presumo que há pessoas me ouvindo falar, que dariam as riquezas das Índias, se as tivessem em sua posse, para poderem obter a mente e a vontade de Deus a seu respeito. Dariam tudo o que possuem sobre a terra, ou esperam possuir, se estivessem de posse das chaves pelas quais pudessem conhecer o caminho a trilhar. O que faremos com essa classe de pessoas? Dir-vos-ei o que farei com elas, no que a mim diz respeito. Vou lhes dar minha fé, confiança, orações, e plena comunhão. E, quando terminarem esta provação, se tiverem feito, o tempo todo, de acordo com o melhor que sabiam, Deus não os responsabilizará pelo que não sabiam, e serão recebidos, pelos méritos do Filho, no reino de nosso Pai.

Menciono isto para informar o povo, para que compreenda o que deve fazer no que diz respeito à lei de Deus, e à transgressão dela. A lei é muito estrita; e nesta congregação há homens e mulheres que, com as mãos levantadas ao céu, diante do Pai, do Filho, e de todos os santos anjos, fizeram solenes convênios de que jamais fariam tal e tal coisa. Por exemplo, uma obrigação é: "Jamais terei algo a ver com nenhuma das filhas de Eva, a menos que me sejam dadas pelo Senhor." Homens invocarão a Deus como testemunha de que jamais transgredirão esta lei, e prometerão viver uma vida virtuosa, no que diz respeito ao relacionamento com mulheres; mas o que se pode ver? Não se passará um ano antes que alguns poucos deles sejam culpados de se insinuar nas casas de viúvas, e na cama das esposas de seus irmãos, corrompendo uma mulher aqui, e outra ali. Impomos a eles a estrita penalidade da lei? Ainda não. Espero que sua conduta surja de sua ignorância, mas deixai-me transgredir meu convênio, e o caso seria diferente. Quero viver o tanto que puder, sobre a terra, mas não gostaria de viver para violar meus convênios; preferiria ir para trás do véu antes de fazê-lo.

Alguns poucos dos homens e mulheres que entram na casa do Senhor, e recebem suas investiduras, e da maneira mais sagrada fazem convênios diante do Todo-Poderoso, vão e violam aqueles convênios. Tenho compaixão deles? Sim, tenho misericórdia deles, pois há algo em sua organização que não compreendem; e há poucos nesta congregação que o compreendem.

Dizeis: "Aquele homem deveria morrer por transgredir a lei de Deus." Permiti-me supor um caso. Suponde que encontrásseis vosso irmão na cama com vossa esposa, e lhes atravessásseis um dardo a ambos, seríeis justificados, e eles expiariam seus pecados, e seriam recebidos no reino de Deus. Eu o faria de imediato em tal caso; e, sob tais circunstâncias, não tenho esposa que ame tão bem a ponto de não lhe atravessar um dardo pelo coração, e o faria com as mãos limpas. Mas vós que brincais com vossos convênios, cuidado, para que, ao julgar, não sejais julgados.

Todo homem e mulher tem de ter as mãos limpas e o coração puro, para executar o julgamento, senão será melhor que deixem o assunto de lado.

Novamente, suponde que as partes não sejam apanhadas em sua iniquidade, e isso passe despercebido, terei compaixão delas? Sim, terei compaixão delas, por transgressões da natureza já mencionada, ou de qualquer outra descrição. Se o Senhor assim ordena que não sejam apanhadas no ato de sua iniquidade, isso é boa prova de que Ele está disposto a que vivam; e digo, deixai-as viver e sofrer na carne por seus pecados, pois terão de fazê-lo.

Não há homem ou mulher, que viole os convênios feitos com seu Deus, que não seja exigido a pagar a dívida. O sangue de Cristo jamais apagará isso, o próprio sangue de vós deve expiá-lo; e os julgamentos do Todo-Poderoso virão, mais cedo ou mais tarde, e todo homem e mulher terá de expiar por quebrar seus convênios. A que grau? Terão de ir para o inferno? Já estão no inferno o bastante agora. Não desejo que estejam num inferno maior, quando suas consciências os condenam o tempo todo. Que a compaixão reine em nossos peitos. Tentai compreender quão fracos somos, como somos organizados, como o espírito e a carne estão continuamente em guerra.

Já vos disse aqui, algum tempo atrás, que o diabo que tentou Eva, obteve posse da terra, e reina triunfante, nada tem a ver com influenciar nossos espíritos, senão por meio da carne; essa é uma verdadeira doutrina. Na medida em que nossos espíritos estão inseparavelmente conectados com a carne, e, na medida em que todo o tabernáculo está preenchido com o espírito que Deus deu, se o corpo está aflito, o espírito também sofre, pois há uma guerra entre a carne e o espírito, e, se a carne vence, o espírito é levado ao cativeiro, e, se o espírito vence, o corpo é feito livre, e então somos verdadeiramente livres, pois somos feitos livres pelo Filho de Deus. Vigiai a vós mesmos, e pensai. Como ouvi observar, na noite do dia 14, no Salão Social, "pensai, irmãos, pensai," mas não penseis tão longe que não possais pensar de volta. Eu então quis contar uma pequena anedota, mas a contarei agora.

Na terra do leste havia um homem que costumava enlouquecer, de vez em quando, e depois voltava a si. Um de seus vizinhos lhe perguntou o que o fazia enlouquecer; ele respondeu, "Fico pensando, e pensando, até que finalmente penso tão longe que nem sempre consigo pensar de volta." Podeis pensar demais para o espírito que é colocado no tabernáculo? Podeis, e este é um assunto sobre o qual desejo que os irmãos sejam instruídos, e que o povo compreenda. O espírito é a parte inteligente do homem, e está intimamente ligado ao tabernáculo. Que esta parte inteligente trabalhe em excesso, e ela acabará por vencer o tabernáculo, o equilíbrio será destruído, e toda a organização perturbada. Muitas pessoas se perturbaram por pensar demais.

A parte pensante é a porção imortal ou invisível, e é ela que realiza o trabalho mental; então o tabernáculo, que é formado e organizado para esse propósito expresso, traz à existência ou efetua o resultado daquele trabalho mental. Que o corpo trabalhe com a mente, e que ambos trabalhem juntos com justiça, e, com poucas exceções, tereis um indivíduo de mente forte, atlético, poderoso tanto física quanto mentalmente.

Quando encontrais a faculdade de pensar perfeitamente ativa, numa pessoa saudável, ela deveria colocar a organização física em operação ativa, e o resultado da reflexão é realizado, e o objetivo é alcançado. Em tal pessoa vereis a saúde e a força mental e física combinadas, em sua perfeição. Temos a melhor oportunidade oferecida a qualquer povo para cultivar essas propriedades do homem.

Não sei que esteja preso pela tradição, ou que qualquer um de nós precise estar, portanto estamos na melhor situação para exibir, por meio da organização do tabernáculo, o trabalho e as propriedades da parte invisível. Quando uma pessoa está pensando o tempo todo ela é pouco melhor que uma máquina; perverte o propósito de sua organização, e prejudica tanto a mente quanto o corpo. Por quê? Porque o trabalho mental não encontra escoamento através do organismo do tabernáculo, e não tem aquele alcance—aquele campo de trabalho que deseja, e que sabiamente foi projetado que tivesse. Pensai de acordo com o vosso trabalho, trabalhai de acordo com o vosso pensamento.

Alguns pensam demais, e deveriam trabalhar mais, outros trabalham demais, e deveriam pensar mais, e assim manter um equilíbrio entre os membros mentais e físicos do indivíduo; então desfrutareis de saúde e vigor, sereis ativos, e prontos a discernir verdadeiramente, e julgar rapidamente. Não é vosso privilégio ter discernimento para circunscrever todas as coisas, não importa que assunto se apresente diante de vós, e conhecer de imediato a verdade a respeito de qualquer assunto? Quando vedes uma pessoa deste caráter, vedes uma com mente saudável e vigorosa, por toda a extensão das operações da organização. É verdade, este não é o privilégio de todos; alguns têm de fazer muito trabalho mental, e pouco trabalho manual, enquanto outros fazem muito trabalho manual com pouco, se algum, trabalho mental. A última classe é tão embotada e estúpida quanto os brutos, e, quando seu trabalho está feito, deitam-se e dormem, como os brutos. Não pensam o suficiente, deveriam trazer suas mentes à operação ativa, tanto quanto seus corpos. Homens que fazem muito trabalho mental, filósofos por exemplo, deveriam aplicar seus corpos a mais trabalho manual, a fim de tornar seus corpos mais saudáveis e suas mentes mais vigorosas e ativas.

Permiti-me tomar vinte anos vindouros, nos quais edificar cidades, templos, tabernáculos, salões, moradias, etc., com minha organização mental, e não estender minhas mãos, nem usar trabalho manual algum, para realizar qualquer parte deste trabalho, não percebeis que meu corpo não teria trabalhado durante todo esse período, e que minha mente teria trabalhado em excesso, até vencer o tabernáculo. Novamente, deixai-me edificar casa após casa, salão após salão, templo após templo, etc., minha mente teria algo em que repousar, e meu corpo, cansado do trabalho, eu poderia deitar-me, e ambos descansariam juntos. Quando desejo edificar um templo, custa-me muito pensamento, e, quando vejo um templo concluído neste quarteirão, como o vi na visão de minha mente, não percebeis que todo o trabalho da mente, sobre aquele assunto, está em repouso? Esta é minha filosofia sobre pensar; e, se eu fosse obrigado a pensar por dez anos, e não erguer um edifício, ou ajudar a edificar uma cidade, ou de qualquer modo colocar meus pensamentos em execução, isso prejudicaria materialmente minha faculdade mental, por falta de resultados sobre os quais repousar. Mas deixai-me engajar em operações ativas, mesmo que eu pessoalmente não realize um só dia de trabalho manual, deixai-me ver o resultado de meu pensamento brotando em existência, e minha mente tem algo em que repousar. Se eu não puder realizar aquilo que está em minha mente—aquilo que desejo realizar em todos os aperfeiçoamentos, na edificação de Sião nos últimos dias, assim que sou privado do trabalho físico necessário, retiro minha mente daquele objeto; não permitirei que minha mente repouse sobre ele. Por exemplo, vamos suspender o trabalho no Templo por um ano, até que possamos nos preparar mais plenamente para aquele trabalho. Abandonamos a ideia de usar adobe nas paredes daquele edifício, e pretendemos usar granito. Ora, suponde que eu começasse a pensar, e pensar, e ainda pensar sobre isso, não percebeis que seria um desperdício de tempo e trabalho mental pior do que inútil? Meu corpo se tornaria cansado e lânguido. Não espero pensar sobre isso por um ano; adeus a isso, por enquanto. Tenho de realizar o trabalho de minha mente, ou o prejudico. Podeis adormecer em um minuto, depois de terdes feito vossas orações e ido para a cama? Podeis cessar a reflexão, dizer adeus ao pensamento, e dizer ao corpo, compõe-te e vamos dormir? Quantos agora nesta casa podem fazer isso? Seja natural, ou sobrenatural, mental ou mecânico, não importa, mas eu me treinei para dormir quando estou pronto, e, quando estou com boa saúde, como regra geral, em cerca de um minuto posso estar profundamente adormecido.

Até que possais governar e controlar a mente e o corpo, e trazer tudo à sujeição à lei de Cristo, tendes um trabalho a realizar quanto a vós mesmos. Deleito-me em falar sobre o assunto de nossa organização, mas devo fazê-lo um pouco de cada vez, ou poderia cansar vossos corpos e distrair vossos pensamentos. Sermões curtos bem ditos são melhores do que longos mal ditos. Que Deus vos abençoe, Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Instruções aos Bispos—Os Homens Julgados de Acordo com Seu Conhecimento—A Organização do Espírito e do Corpo—Pensamento e Trabalho Devem Ser Combinados”, (1856-03-16). Pulpit Vault, 1856-03-16-young-instructions-to-the-bishops. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).