As Dificuldades Não Se Encontram entre os Santos Que Vivem sua Religião—A Adversidade Lhes Ensinará sua Dependência de Deus—Deus Controla Invisivelmente os Assuntos da Humanidade
Brigham Young
Sinto-me muito grato pelo privilégio que desfrutei esta manhã, e pelo discurso que nos foi proferido, é comida e bebida para mim—é alegria e paz. Verdadeiramente, se somos bons homens, e boas mulheres, podemos nos tornar muito confortáveis e felizes, do contrário seremos muito infelizes. ¶
Creio que é um inferno intolerável para um povo, uma família, ou uma única pessoa, esforçar-se por segurar a verdade com uma mão, e o erro com a outra, professar caminhar em obediência aos mandamentos de Deus, e, ao mesmo tempo, misturar coração e mão com os iníquos. ¶
Creio que eu seria um dos seres mais infelizes sobre a terra, se não desfrutasse do espírito da religião que professo. Também creio que, se toda pessoa que professa ser um Santo dos Últimos Dias fosse de fato um Santo, nosso lar seria um paraíso, nada se ouviria, nada se sentiria, nada se perceberia, senão louvor ao nome do nosso Deus, cumprindo nosso dever, e guardando Seus mandamentos. ¶
Há milhares de indivíduos nestes vales, e posso dizer milhares dentro desta Cidade, homens, mulheres, e crianças, que estão constantemente cuidando de seus próprios negócios, vivendo sua religião, e estão cheios de alegria, de segunda-feira de manhã até sábado à noite. ¶
Por essa razão, não se impõem a si mesmos e seus atos à atenção do público, portanto, são conhecidos por poucos. Provavelmente meu amado irmão Vernon, que se dirigiu a vós esta manhã, não é conhecido por muitos desta congregação, pois, desde sua chegada em nosso meio, ele tem praticado tranquila e diligentemente os princípios de nossa religião. Por essa razão, uma apresentação formal do irmão Vernon à congregação poderia por alguns ser considerada necessária, mas, para mim, o "mormonismo" é "fora com a verdade", e isso atenderá aos nossos propósitos, e é tudo o que desejamos. ¶
O irmão Vernon veio para cá com o Élder Taylor, quando ele retornou da Europa. Não é conhecido, exceto por alguns de seus associados, que têm trabalhado com ele nas Obras do Açúcar. Mas suponde que ele tivesse sido culpado de praguejar nas ruas, de se embriagar, de brigar, e farrear, ele teria sido um personagem notório, e dificilmente haveria uma criança que, a esta altura, não conhecesse o irmão Vernon; e as expressões seriam "Ah, é o homem que vimos bêbado outro dia, aquele a quem ouvimos praguejar e vimos brigar; aquele que foi julgado perante o Sumo Conselho por conduta desordeira, ou repreendido perante uma Conferência Geral por sua iniquidade." ¶
Mas o irmão Vernon é quase inteiramente desconhecido, porque tem vivido sua religião, guardado os mandamentos de Deus, e cuidado de seus próprios negócios. Assim se dá com muitos nesta Cidade, são conhecidos por poucos, vivem aqui, ano após ano, e são pouco conhecidos na comunidade, porque atendem aos seus próprios negócios. ¶
Vivem sua religião, amam o Senhor, regozijam-se continuamente, são felizes o dia todo, e satisfeitos, sem causar agitação entre o povo. Isto é o "mormonismo". Gostaria que todos fôssemos assim, ficaria então de fato muito satisfeito. ¶
Penso que tal estado da sociedade atenderia à minha felicidade, não particularmente ao meu gozo espiritual, pois sei que, nesse particular, devo ser feliz por mim mesmo. Devo viver minha religião por mim mesmo, e desfrutar da luz da verdade por mim mesmo, e, quando o fizer, todo o inferno não poderá me privar dela, nem de seus frutos. ¶
Meu gozo espiritual deve ser obtido por minha própria vida, mas acrescentaria muito ao conforto da comunidade, e à minha felicidade, como um com eles, se todo homem e mulher vivesse sua religião, e desfrutasse da luz e da glória do evangelho por si mesmo, fosse passivo, humilde, e fiel; regozijasse continuamente diante do Senhor, atendesse aos negócios a que é chamado, e cuidasse de nunca fazer nada errado. ¶
Tudo seria então paz, alegria, e tranquilidade, em nossas ruas e em nossas casas. A litigância cessaria, não haveria dificuldades perante o Sumo Conselho e os Tribunais dos Bispos, e tribunais, tumulto, e contenda não seriam conhecidos. ¶
Então teríamos Sião, pois todos seriam puros de coração. Ficaria satisfeito se tivéssemos mais alguns milhares de homens como o irmão Vernon. Essa classe, tenho a felicidade de dizer, está aumentando, isto posso dizer verdadeiramente, para o encorajamento desta comunidade. ¶
Quando refletimos sobre quantos estranhos reunimos a estes vales, aqueles que anteriormente criam em alguns dos vários credos do dia, que não os informavam plenamente sobre os princípios do evangelho, que vêm revestidos de muitas das diversas tradições e costumes de diferentes nações e vizinhanças, e quão harmoniosamente se misturam, quão poucas diferenças existem entre eles, quão pouca contenda e iniquidade, é um assunto cheio de consolo. ¶
Ainda assim, há muito mais contenda do que deveríamos ter, mas, com tudo, considerai quão facilmente, sob estas variadas circunstâncias, nos arranjamos, quão facilmente passamos o tempo, e com quão pouca dificuldade. Posso dizer em verdade, para o conforto e crédito desta comunidade, que os Santos dos Últimos Dias estão de fato melhorando. ¶
Ouvis falar de alguma dificuldade entre aqueles há muito provados e testados, ou entre aquela porção dos membros mais jovens que estão plenamente imbuídos dos princípios do evangelho? Raramente. ¶
Raramente encontrais pessoas que foram criadas nesta Igreja, ou que eram muito jovens quando seus pais entraram na Igreja, criando quaisquer dificuldades. Crescem na verdade; compreendem os princípios que são ensinados; conhecem o próprio fundamento e essência do evangelho, são educados nos primeiros rudimentos da educação dos Santos—naqueles princípios que são destinados ao povo em sua infância, enquanto aprendem a ciência do governo. ¶
Esses princípios parecem estar perdidos para o mundo, a julgar por suas presentes operações. O irmão Vernon retratou belamente este fato. O princípio do governo correto parece estar perdido para o mundo, parece ter sido tirado das nações. ¶
Os próprios rudimentos do evangelho de nossa salvação ensinam os princípios melhor adaptados para controlar a criança, e, se assim é, é claro, os melhor destinados a guiar seus passos quando tiver avançado mais na vida. E, se são os melhores para a instrução no governo de uma pessoa, devem sê-lo para o de duas, e, se para o de duas, então necessariamente devem sê-lo para o de uma família, de uma vizinhança, de uma nação, e de toda a terra. ¶
Nenhum homem jamais governou, nem jamais governará judiciosamente nesta terra, com honra para si mesmo e glória para seu Deus, a menos que primeiro aprenda a governar e controlar a si mesmo. Um homem deve primeiro aprender a governar-se corretamente, antes que seu conhecimento possa ser plenamente aplicado ao governo correto de uma família, de uma vizinhança, ou de uma nação, sobre a qual seja sua sorte presidir. ¶
É o espírito do governo e da regência aqui despótico? No uso da palavra, alguns podem assim considerá-lo. Ele coloca o machado à raiz da árvore do pecado e da iniquidade; o julgamento é distribuído contra a transgressão da lei de Deus. ¶
Se isso é despotismo, então a política deste povo pode ser considerada despótica. Mas não dá o governo de Deus, tal como é administrado aqui, a cada pessoa seus direitos? Não sustenta ele o Metodista tão bem quanto o "mórmon"? O Quaker tão bem quanto o Metodista, em seus direitos religiosos? O judeu tão bem quanto o Gentio? Sim, sustenta. Sustentará todas as religiões, seitas, e partidos sobre a terra em seus direitos religiosos, tanto quanto sustentará os Santos dos Últimos Dias nos seus. Não que os diversos credos estejam certos, mas o arbítrio dos crentes neles exige proteção para eles, assim como para nós. ¶
A lei de Deus é dirigida contra o pecado e a iniquidade, e, onde eles aparecem, é inflexível em sua natureza e deve, mais cedo ou mais tarde, impor domínio soberano contra eles, ou a retidão jamais poderia prevalecer. ¶
Não vemos isso exemplificado numa parte da história sagrada? Quando houve rebelião no céu, o julgamento foi aplicado ao fio de prumo e a retidão ao nível, e os iníquos foram expulsos. Ainda assim havia uma porção de graça destinada àqueles personagens rebeldes, ou teriam sido enviados a seu elemento nativo. ¶
Mas tiveram de sair do céu, não podiam habitar ali, tiveram de ser lançados para a terra a fim de provar os filhos dos homens, e desempenhar seu trabalho em produzir um oposto em todas as coisas, para que os habitantes da terra pudessem ter o privilégio de aprimorar a inteligência que lhes foi dada, a oportunidade de vencer o mal, e de aprender os princípios que governam a eternidade, para que possam ser exaltados nela. ¶
Sei que este povo está melhorando, não obstante tenhamos provações e sejamos chamados a passar por dificuldades, e tenhamos de suportar uma estação de escassez. ¶
Digo-vos honestamente que não sei quando fui mais grato, em toda a minha vida, do que fui ao ver a mão apertada da necessidade obrigar todo homem e mulher a orar a Deus nosso Pai, para que nos desse dia a dia o nosso pão de cada dia. ¶
Isso me faz feliz, na medida em que o povo, de outro modo, não compreenderia que o Senhor os alimenta de fato. Em anos de abundância, seu entendimento parecia fechado a este fato, não pareciam perceber que o Senhor fazia a terra frutífera, e a fazia produzir seu fruto abundantemente. ¶
E, enquanto nossos rebanhos e manadas aumentavam sobre as montanhas e as planícies, os olhos do povo pareciam fechados às operações da mão invisível da Providência, e eram propensos a dizer: "É obra de nossas próprias mãos, é nosso trabalho que realizou isto." ¶
O povo está tão cego, quando é prosperado, que não percebe que tudo se deve à providência direta daquele Deus que é verdadeiramente invisível ao mundo, mas cujas operações não deveriam ser desconhecidas por este povo. ¶
Parece estar tão entrelaçado com nossa natureza, enquanto somos abençoados e cercados de todos os confortos da terra, esquecer que o Senhor nos fornece essas coisas. Então digo que me regozijo, quando o Senhor nos traz a circunstâncias calculadas para nos fazer perceber que, se somos alimentados, é Ele quem nos alimenta, que, se somos vestidos, é Ele quem nos veste, pois não podemos fazê-lo nós mesmos, que, se conseguimos pão para comer, a partir de agora até a colheita, deve ser a mão do Senhor que o fornece, pois de nós mesmos não podemos obtê-lo. ¶
Alegro-me em ver-vos trazidos a um estado em que possais começar a pensar e perceber de onde fluem vossas bênçãos. O Senhor rege e reina. ¶
Se pudéssemos ver e compreender as coisas como são, compreenderíamos que não há um rei em seu trono, que jamais houve, desde a formação da terra até agora, sem que o Senhor trouxesse as circunstâncias que colocaram aquele rei naquela posição. Jamais houve um destronado, sem que o Senhor movesse as circunstâncias para causá-lo. ¶
Jamais houve uma nação edificada e prosperada, senão pela mão do Todo-Poderoso, e jamais houve uma nação esmagada e reduzida a nada, sem que fosse feito pela estratégia—as operações invisíveis da Providência. ¶
O antigo provérbio diz: "A quem os deuses querem destruir, primeiro enlouquecem," e está escrito que o Senhor destruirá os iníquos, e Ele o tem feito trazendo circunstâncias que os levam a se destruírem a si mesmos. ¶
Supondes que o Senhor jamais teria dado um rei a Israel, se não o tivessem exigido de Suas mãos? Não, Ele teria sido o seu rei e governante, e teria havido um Profeta para os guiar, não fosse a sua rebelião. Fizeram a escolha de um rei, e Deus lhes deu um em Sua ira. ¶
Sua rebelião contra a lei, o arbítrio que lhes foi dado permitindo sua livre escolha, os induziu a pedir um rei, e Deus lhes deu um. ¶
Foi a escolha do Senhor que tivessem um rei terreno? Não, não foi Sua mente e vontade, mas foi a vontade do povo, consequentemente, Ele trouxe circunstâncias para lhes dar reis e governantes, conforme seu desejo, e para trazer julgamentos sobre eles. ¶
O Profeta Joseph foi mencionado, e sua profecia de que este povo deixaria Nauvoo e seria plantado no meio das Montanhas Rochosas. Vemo-la cumprida. Esta profecia não é coisa nova, não foi escondida nas trevas, nem trancada numa gaveta, mas foi declarada ao povo muito antes de deixarmos Nauvoo. Vemos a mão invisível da Providência em tudo isto; percebemos que Sua mão realizou a nossa salvação. ¶
Por meio de Seu controle das circunstâncias, este povo foi removido da civilização, e foi trazido a habitar estes vales entre as Montanhas Rochosas, a habitar nestas planícies desoladas e áridas onde nenhum outro povo, de que tenhamos conhecimento, viveria um ano sequer, se pudesse escapar. A providência de Deus nos trouxe para cá. ¶
Estamos aqui em cumprimento de profecia? O mundo diz que o Profeta nada sabia a respeito disso, que o Senhor nada teve a ver com isso, que os "mórmons" se tornaram odiosos para eles e tiveram de partir, porque eram o partido mais fraco, e seus inimigos o mais forte. "Não, Deus nada sabia sobre tudo isto, Ele não teve mão nisto, mas não podíamos viver convosco, mórmons." Disseram: "Nós, metodistas, presbiterianos, batistas, etc., não podemos viver convosco, um de nós tem de partir, quem será? Vós, mórmons, tendes de partir, se pudermos vos expulsar." Proclamam que "fomos nós que vos expulsamos para as Montanhas Rochosas, como todos sabem que estão familiarizados com a vossa história." ¶
"Os mórmons têm de partir e ir para onde nenhum outro povo irá, e viver onde nenhum outro povo pode ou quer viver." O mundo não pode ver a mão do Senhor em todos os nossos movimentos, não têm olhos para ver, nem corações para compreender que o Senhor mostrou o futuro ao Profeta Joseph, e o trouxe diante dele em visão. Não podem compreender que o Senhor produziu todas as circunstâncias que efetuaram a remoção deste povo. Não compreendem agora que o Senhor está edificando Seu reino sobre a terra, está reunindo Seu Israel, pela última vez, para fazer deste povo uma grande e poderosa nação. ¶
As circunstâncias plantaram os Santos no meio das montanhas, deram-lhes um Território e um Governo Territorial, e, dentro em breve, lhes darão um Estado livre e independente, e justamente os farão um povo soberano. As circunstâncias realizarão tudo isto. Ora, em nome do bom senso, quem rege estas circunstâncias invisíveis? Sois vós, ou eu? É verdade que, até certo grau permitido, regemos, governamos, e controlamos as circunstâncias, em muitas instâncias, mas, por outro lado, não nos controlam as circunstâncias também? Controlam. Quem tem guiado todas essas circunstâncias, das quais nem nós nem o Profeta sabíamos nada? Estava em poder de um único homem, ou de qualquer grupo de homens, criar e controlar as circunstâncias que fizeram este povo ser plantado dentro destas montanhas? No momento em que dizeis que não, reconheceis as operações de um Poder Supremo. ¶
O mundo, e aqueles de nós que estão destituídos do espírito do evangelho, dirão: "Ah, aconteceu assim." Há dois anos houve um alarido, do leste ao oeste, do norte ao sul, e foi proclamado nos jornais por todos os Estados e por toda a Europa, que "o Governador Young diz que é Governador de Utah e o será, e que o Presidente Franklin Pierce não pode removê-lo da cadeira governamental." Pergunto, fui eu removido? Não está ainda Brigham na cadeira? Deus tem regido em todas essas coisas, embora talvez não o saibamos. Disse então, e sempre direi, que serei Governador enquanto o Senhor Todo-Poderoso desejar que eu governe este povo. ¶
Supondes que está em poder de qualquer homem frustrar os feitos do Todo-Poderoso? Poderiam tanto tentar apagar o sol. Estou nas mãos daquele Deus, assim como o Presidente de nossa nação, e assim como reis, e imperadores, e todos os governantes. Ele controla o destino de todos, e o que vós e eu vamos fazer a respeito disso? Submetamo-nos a Ele, para que possamos participar deste poder invisível, todo-poderoso, semelhante a Deus, que é o Sacerdócio eterno. Não podemos frustrar os planos e propósitos do Todo-Poderoso. Compreende o mundo que, se este povo é fiel a Deus, se tornará um povo poderoso? Não. Vazou, para alguns poucos indivíduos, que o governo dos Estados Unidos vai enviar tropas para cá para expulsar os "mórmons". Digo a tais ameaçadores, cessai vossa loucura, pois só podeis fazer o que Deus vos permitir. ¶
Quando certos juízes imaculados daqui partiram, iam obliterar o "mormonismo". O que realizaram? Fizeram tudo o que puderam, e, como um som vazio, suas vaporações se dissiparam e não são mais conhecidas, nem tampouco aqueles juízes são conhecidos. Onde está o Sr. Brandenbury? Está sentado na cadeira do Presidente, sob as asas que dão sombra a esta nação? Controla ele a força e o poder de qualquer parte da União Americana? Onde está ele? A última vez que ouvimos falar dele estava em Washington, fazendo um pouco de trabalho de escrita para este, aquele, e outro advogado, quando conseguia obter algum, e atendendo casos como advogado, quando conseguia uns poucos dólares para tratar de um pequeno negócio desse tipo, para este ou aquele homem; correndo de escritório em escritório, e de porta em porta, para obter seu sustento. É um homem razoavelmente bom, afinal; e, se tivesse feito como eu o aconselhei, teria ficado aqui, e deixado aquele outro juiz partir. O Sr. Brandenbury era um homem de bom tipo, jamais teve dificuldade alguma comigo, e teria se saído bem, se tivesse tido apenas bom senso suficiente para saber que não poderia obliterar o "mormonismo". Mas pensou que seu associado ia soprar os defensores da verdade para fora da existência, quando poderia tão bem soprar em direção ao sol para apagá-lo. ¶
Quando homens operam contra este povo, podem gastar tudo o que possuem e toda a sua capacidade, e passará como um som vazio, e serão esquecidos. Tais pessoas sempre chegaram a nada, e todos os que lutam contra o povo do Altíssimo continuarão a chegar a nada. ¶
Quem já levantou o seu calcanhar contra Joseph e prosperou, desde o dia em que ele encontrou as placas, das quais o Livro de Mórmon foi traduzido, até agora? Nenhum homem. Assim será com todos os outros que deixam esta comunidade pensando em prejudicá-la. Mostrai-me o sacerdote, a igreja, o povo, o estado, ou a nação, que prosperará ao levantar o calcanhar contra o reino de Deus, que é edificado sobre a terra. Não podem prosperar em tal curso. Não temais, irmãos, vós e eu viveremos aqui exatamente tanto quanto o Senhor desejar. Se tenho medo de alguma coisa, é de que vós e eu não vivamos nossa religião; se o fizermos, estarei desafiando todos os iníquos. Às vezes fico exaltado quando falo a respeito deles, e assim também meus irmãos. Por quê? Porque somos feitos de carne, sangue, e ossos, como outros homens, e às vezes nossos sentimentos se aquecem, quando pensamos na conduta de nossos inimigos. Mas o que nos ensinam os puros princípios do evangelho? "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus, que reino nos céus acima, e realizo meu prazer sobre a terra, e viro os corações dos filhos dos homens, como as correntes de água são viradas." Ele não pede favor algum a ninguém. A quem chama Ele para aconselhá-Lo, para Lhe ditar nos assuntos de Seu domínio sobre a terra? Ele é o Pai, Deus, Salvador, Criador, Preservador, e Redentor do homem. Ele tem em Suas mãos o desfecho de todas as coisas, e julgará todo homem segundo suas obras. Serei Governador enquanto Deus o permitir, e viveremos aqui, e teremos invernos difíceis e verões infrutíferos, e sofreremos os estragos dos insetos destruidores—para quê? Para nos trazer ao juízo; sou grato por isso. ¶
Aqueles de vós que vieram aqui sem tomar café da manhã hoje, não passeis mais de cinco dias sem comer. Quando tiverdes passado tanto tempo sem alimento, dai a conhecer vossas necessidades a vossos vizinhos e dizei-lhes que precisais de algo para comer, e, se vierdes a mim, eu vos alimentarei. Tenho sustentado minha família confortavelmente com oito onças de alimento de farinha por dia, para cada indivíduo. Tenho tido meus filhos vindo a mim e perguntando: "Devo dar minha ração hoje?" Temos batatas em abundância, e presumo que minha família não consome, em média, mais de cinco onças de alimento de farinha por dia por pessoa. Temos tido em abundância, desde o primeiro ano em que aqui chegamos. ¶
Sede prudentes, e não passeis tempo demais sem comer. Não obstante a escassez, digo àqueles que enviam seus filhos a mendigar de casa em casa e que estão trazendo para casa uma dúzia de cargas por dia—parai com isso. Há famílias agora nesta cidade, que professam estar sem provisões, enviando seus filhos a mendigar, e vendendo farinha e carne por dinheiro para os levar ao diabo; agora parai com isso. Digo-vos, Bispos, nomeai assistentes para visitar cada casa em vossos Bairros, e instruí-los a tomar a liberdade de levantar as tampas dos baús, e de olhar sob os assoalhos e sob as camas, pois digo-vos que alguns esconderão suas provisões e vos mentirão, e vos dirão que não têm nada, enquanto conseguem dinheiro pela farinha, etc., que seus filhos mendigam desta comunidade, para os levar ao inferno, ou de volta aos Estados, ou à Inglaterra. Digo àqueles que são obrigados a mendigar, quando tiverdes recebido o suficiente para suprir vossas necessidades, parai. Quando chegar o mês de junho, e os campos estiverem repletos de seus frutos dourados, haverá abundância de trigo e farinha à venda nestas ruas, pois há um suprimento razoável desses artigos de alimento. Esta é uma palavra de encorajamento, portanto não passeis tempo demais sem comer, e, se agora fordes trazidos ao ponto que vos obriga a clamar ao Senhor, dizendo: "Senhor, alimenta-nos, pois, a menos que Tu nos alimentes, não podemos ser alimentados; meu Pai, abre o caminho para que eu possa conseguir um pouco de pão para alimentar a mim mesmo e a meus filhos, ou não serei capaz de consegui-lo," digo, bom, glória, aleluia, que sejais trazidos aos vossos joelhos para confessar Seu poder, e reconhecer Sua mão. Que sejais fiéis é minha oração, o dia todo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶