A Salvação da Alma da Maior Importância—Benefício das Ciências Úteis, Etc
Orson Pratt
Sendo solicitado a falar ao povo esta manhã, levanto-me de bom grado para esse fim, sempre estimando um grande privilégio dirigir-me aos Santos sobre os importantes princípios ligados à nossa salvação. ¶
Estimo o privilégio de proclamar a salvação acima de qualquer outro privilégio que se possa mencionar. O tema da salvação é de importância muito maior do que qualquer outro tema que possa ou consiga interessar a família humana; embora, aparentemente, pudéssemos supor que a acumulação dos confortos desta vida fosse aquele que mais interessa à humanidade, a julgar pelas ações dos homens. ¶
Por que assim é, não sei dizer, a menos que pensem que, dessa forma, podem prolongar suas vidas, e, por esse meio, ter vantagem sobre seus vizinhos. ¶
É muito raro ouvirmos falar do povo desta terra perecendo por falta dos confortos desta vida, e duvido muito que perecessem se não estivessem tão interessados quanto parecem estar no que diz respeito às riquezas. ¶
Não que eu descartasse o mandamento dado logo após a queda—para que o homem lavrasse a terra e ganhasse o pão com o suor do seu rosto; não que eu descarte a ideia de ser diligente, de trabalhar para obter alimento e vestimenta, de embelezar nossas habitações e heranças, mas essas são apenas considerações temporárias, itens de importância secundária. ¶
Assegurar para nós mesmos a vida eterna e a salvação futura é um assunto de tanto maior importância do que todos os outros assuntos combinados, que certamente deveria estar em primeiro lugar em nossas mentes e conversas. ¶
Se nossos corações estivessem supremamente voltados para esse assunto, conversaríamos mais sobre aquelas coisas que dizem respeito à salvação, em vez de estarmos o tempo todo temerosos de que iríamos perecer no que diz respeito a esta vida mortal. ¶
Em vez de temer que fôssemos sofrer um pequeno inconveniente, deveríamos considerar a vida do corpo à luz em que nosso Salvador fala dela em uma das novas revelações: "Não vos preocupeis com o corpo nem com a vida do corpo; mas preocupai-vos com a alma e com a vida da alma," ou, em outras palavras, preocupemo-nos mais com a salvação futura e a vida eterna que estão reservadas para a humanidade. ¶
Suponhamos que fôssemos levados a tais extremos que todos perecêssemos de fome, que importa isso? Se cumprimos nosso trabalho, não poderíamos perecer dessa maneira tão bem quanto de qualquer outra? Há alguma grande diferença no tipo de morte que sofremos? Importa muito se perecemos por falta de alimento, ou se somos martirizados, ou se a grande mudança pela qual todos devemos passar chega de maneira mais comum? ¶
Em minha opinião, não faz muita diferença de que maneira essa mudança venha, mas devemos estar num estado de espírito tal que possamos regozijar-nos em todas as circunstâncias. ¶
Se todos soubéssemos que devemos perecer sob nossa presente escassez de alimento, que importa isso? Não deveríamos regozijar-nos no privilégio de trocar esta vida presente por uma que esperamos ser mais feliz, por uma em que receberemos maiores bênçãos, maiores privilégios, em que teremos gozo mais sólido, e em que nossas faculdades intelectuais serão muito mais expandidas? ¶
Em vez de exercer tão grande ansiedade quanto a onde obteremos um pouco de farinha, um pouco de fubá, algumas batatas, ou um pouco de carne com que nutrir esses corpos, nossas indagações deveriam ser: estão os nossos corações certos diante do Senhor nosso Deus, estamos guardando Seus mandamentos, estamos vivendo à altura de nossos privilégios, estimamos todas as palavras do Senhor como deveríamos, ou estamos um pouco descuidados e indiferentes? ¶
Toda pessoa deveria ter essas ideias em primeiro lugar em suas mentes, pois o Senhor nos disse que é Seu negócio prover para os Seus Santos. Ao mesmo tempo é necessário que sejamos diligentes, e nos esforcemos por fazer o nosso melhor para fazer a Sua vontade em todas as coisas, e descobrir qual é a Sua vontade a nosso respeito, para que possamos cumpri-la. ¶
Tenho, a partir de minhas observações do outono e deste inverno passados, e de observações feitas anteriormente, estado firmemente convencido de que todos nós, como povo, temos sido um pouco infiéis. Esta é a minha opinião, de acordo com a luz e o conhecimento que tenho sobre o assunto, e isso tem se impresso mais plenamente em minha mente desde a última Conferência do que em qualquer outro período de nossa permanência aqui, pois viajei pela maioria dos povoados para realizar Conferências, em conjunto com meus irmãos das missões domésticas, e, pela pequena observação que fiz, estou convencido de que nem todos temos vivido plenamente à altura de nossos privilégios como Santos do Deus Altíssimo. ¶
Por exemplo, num lugar ao norte desta Cidade, e contendo quase habitantes suficientes para encher esta casa, foi recentemente marcada uma Conferência. Vários foram daqui, conforme as missões que nos foram dadas, e, quando chegamos lá, em vez de encontrar um lugar adequado para o povo se reunir, encontramos um edifício de toras muito pequeno que, talvez, apertando-se, pudesse conter cem pessoas; e estava também bastante deteriorado, mal tendo uma vidraça inteira em qualquer de suas janelas. ¶
Paramos perto deste edifício de toras e esperamos até meia hora depois do horário marcado, pois não víamos muitos passando em direção à reunião, e então entramos e encontramos cerca de vinte pessoas sentadas na sala fria, que mal tinha uma janela que não estivesse mais ou menos destituída de vidro. ¶
Depois de um tempo abrimos a nossa reunião, e aqueles poucos indivíduos ficaram tremendo de frio enquanto nos dirigíamos a eles. A parte restante dos habitantes estava ocupada com o cuidado de seu gado, e em outras ocupações, e para eles a Conferência era apenas uma consideração secundária. ¶
Os poucos que compareceram à nossa primeira reunião foram e persuadiram alguns de seus vizinhos a vir, e, depois de realizar algumas reuniões, conseguimos encher bastante bem esta pequena casa; ao passo que, se o povo tivesse comparecido como deveria, o lugar não teria comportado um quarto deles. Ogden City é o lugar a que me referi. ¶
Descobrimos que, em vez de o povo se reunir na hora certa, chegavam cerca de uma hora depois, e, em vez de guardar sagrado o dia do Senhor, trabalhavam em quase todo tipo de labor. ¶
Também observei em outros lugares que o dia do Senhor mal é respeitado. Talvez o povo comparecesse às reuniões às vezes, mas, muitas vezes, depois de terminadas, "viva pelos cavalos, mulas e carruagens", e logo seis ou oito jovens rapazes e moças estão em cada carruagem passeando por prazer. Isso realmente parece que não valorizam devidamente o dia do Senhor, parece que não se importam se vão vagando pelos campos e pradarias, ou como passam o seu tempo. ¶
Menciono essas coisas a fim de mostrar a irresponsabilidade e o descuido manifestados por alguns dos jovens que estão crescendo nestes vales das montanhas. ¶
Mencionarei outra prática que, em minha opinião, é frequentemente levada ao excesso, embora não seja prejudicial em si mesma; é um exercício agradável, mas pode ser tão indulgentemente praticado que traga condenação. Refiro-me à dança e às escolas de dança; penso realmente que essas coisas, e ocasionalmente as nossas festas, são levadas ao excesso. ¶
Incluir-me-ei nesses assuntos, e considero que minhas observações também se aplicam a mim mesmo. Alguns podem perguntar por que considero esses assuntos levados ao excesso; porque, muitas vezes, as mentes dos jovens não apenas são assim indevidamente voltadas para as loucuras e vaidades desta vida, mas essas coisas têm tendência a desviar suas mentes das coisas de cem vezes maior importância. ¶
Suponhamos que uma pessoa fosse a uma escola de dança por dois ou três anos, e se tornasse o dançarino mais habilidoso do mundo, tornando-se tão proficiente que os dedos dos pés e os pés estivessem, a cada passo, colocados na posição correta, as mãos fossem seguradas graciosamente, e todo movimento, gesto e figura fossem devidamente feitos, em suma, tornando-se tão perfeito quanto qualquer um que já se exibiu "no pé fantástico", que resulta tudo isso? Quanto a mente é aperfeiçoada por essa operação? ¶
"Mas," diz alguém, "não tem isso tendência a tornar alguém ágil e gracioso em aparência?" Sim, e igualmente o fazem outros exercícios que seriam mais úteis, pois tendem a tornar as pessoas robustas e atléticas. ¶
Pensai no tempo consumido em aprender a dar cada passo corretamente, quando poderia ser usado com cem vezes mais proveito, pois, afinal, "é a mente que faz o homem!" ¶
Estes corpos são secundários se comparados à mente, pois o corpo é apenas o invólucro, ou a caixa externa. Se nossas mentes são negligenciadas, não importa quão gracioso o corpo possa ser, a utilidade não está ali. ¶
Que vantagem particular traria a esta geração, se passásseis vinte anos aprendendo todos os tecnicismos da graciosidade? Poderia ser de alguma utilidade, mas de muito pouca em comparação com uma mente bem informada e instruída. Penso realmente que nossas mentes estão demasiadamente ocupadas com essas coisas, mas não gostaria que compreendêsseis por minhas observações que devêssemos privar-nos inteiramente desses prazeres. ¶
É bastante razoável exercitarmo-nos ocasionalmente na dança, pois não era proibida em dias antigos, e é predito que os velhos e os jovens hão de desfrutar-se na dança em tempos modernos; mas não estou ciente de que isso se refira a usar todo o nosso tempo dançando. ¶
Há uma coisa que gostaria de encorajar em vez daquele descuido que agora se manifesta em muitos, e é encher nossas mentes com as artes e as ciências; não com especulações tolas, não com vã filosofia, não com algo que voará com os raios do sol, mas com fatos úteis, aqueles que foram buscados por homens influenciados pela inspiração do Todo-Poderoso e registrados em livros. ¶
Suponhamos que vós e eu fôssemos privados de todos os livros, e que não tivéssemos fé para obter revelação, e nenhuma disposição para compreender aquilo que foi buscado, compreendido e registrado em livros, qual seria a nossa condição? Suponhamos que não tivéssemos fé e aplicação suficientes para adquirir informação a respeito de matemática, astronomia, geografia, mecânica e seus ramos afins, ou um conhecimento dos elementos e materiais do nosso globo, com suas várias combinações para propósitos úteis, e sua aplicação à maquinaria, e também das leis pelas quais a maquinaria opera, e as leis que governam os movimentos; suponhamos então que o conhecimento presente fosse totalmente excluído, seria necessário, sob essas condições e independentemente do auxílio do Todo-Poderoso, um período indefinido para se fazer qualquer grande progresso no conhecimento que existe mesmo agora. ¶
Estou falando sobre o princípio naturalmente, sobre aquilo que é revelado sem o Espírito Santo para nos inspirar. Ora, suponhamos que tenhamos livros para nos esclarecer sobre conhecimento útil, quão mais fácil é para nós obter o conhecimento que foi sistematizado de modo que possamos obter em poucos minutos o que, de outra forma, nos levaria anos para adquirir. ¶
Este é o benefício a ser derivado do uso dos livros; portanto, quando dizemos que os livros são úteis, referimo-nos aos livros que contêm ciências e conhecimentos úteis; aqueles fatos que são demonstrados por experimento, e não a livros repletos das teorias descabeladas de homens especuladores, pois esses livros são carregados de embuste em vez de conhecimento. ¶
Quem não sabe que quinze minutos de estudo familiarizariam as pessoas com leis descobertas e registradas que, de outra forma, poderiam levar uma série de anos para se tornarem familiares? Pelo raciocínio e ao tentar generalizar nossas ideias, podemos ganhar muita informação útil, mas devemos, portanto, considerar os livros inúteis? Não há sabedoria em nos aproveitarmos dos trabalhos daqueles que desenvolveram verdades? ¶
É ainda conhecimento, não obstante ter sido descoberto por outros. A verdade é a verdade, e tomai-a onde quer que a encontreis, ou de qualquer fonte que venha, ela era verdade desde toda a eternidade, e será verdade por toda a eternidade. Há um grande fundo de informação útil registrado nos livros. ¶
Não é toda verdade boa? Sim; e, quando falamos de conhecimento verdadeiro e útil, referimo-nos àquele que diz respeito a Deus, ou à obra de Suas mãos; e, quando há livros que dizem respeito a Deus, ou às coisas de Seu reino, ou à obra de Suas mãos, eles devem ser úteis, de algum serviço à família humana. ¶
Portanto, não precisamos desesperar e pensar que, por fim, chegaremos ao fim, a um tempo em que não haverá mais conhecimento nos livros. Quando tiverdes aprendido plenamente botânica e buscado todas as suas leis, e talvez toda a criação botânica, de modo a compreender perfeitamente a natureza e os usos da grande variedade de raízes, árvores, cascas e ervas, tereis vos familiarizado apenas com um ramo das obras ou leis de nosso Deus. ¶
Quando fordes mestre em todo o conhecimento que há nos livros sobre química, e tiverdes organizado a afinidade química dos vários gases, e seus usos, o que tereis descoberto? Apenas tereis descoberto outro ramo das grandes obras de Deus. ¶
Mencionamos apenas dois ramos das grandes obras de nosso Deus, a respeito dos quais podemos adquirir conhecimento e entendimento. Poderíamos referir-nos a muitos outros, a saber, astronomia, geologia, mineralogia e metalurgia, todos os quais seriam úteis em nossos trabalhos e descobertas. ¶
Na verdade, se não fosse pelas descobertas naquelas ciências, a civilização jamais teria se elevado ao seu presente estado no mundo, não seríamos abençoados com muitos dos luxos da vida que agora desfrutamos. E estes são apenas alguns dos vários ramos de Suas obras, dentre o número do que geralmente se chama de ciências. ¶
Poderíamos continuar e enumerar muitas artes e ciências pelas quais a humanidade é beneficiada, especialmente na maquinaria e nas leis da evolução, explicando e definindo o que a maquinaria fará e o que não fará. ¶
Quantas centenas de anos foram gastos por numerosos indivíduos, a fim de descobrir o movimento perpétuo, quando quinze minutos de trabalho, com um conhecimento da ciência da matemática, capacitariam um homem a demonstrar que é uma impossibilidade formarmos uma máquina que, uma vez posta em movimento, forneça sua própria força motriz, e não pare até se desgastar. A matemática teria mostrado àquelas pessoas que estavam em busca de teorias e princípios que não podiam ser descobertos. ¶
Novamente, os alquimistas tentaram por gerações transmutar os materiais mais grosseiros em ouro, e centenas de indivíduos passaram todo o seu tempo na busca daquele fantasma vão, quando, com um conhecimento das propriedades químicas já descobertas, ninguém jamais pensaria em realizar a transmutação. ¶
Nós, como povo, com os privilégios que temos, a oportunidade de estar nestes vales onde o mundo e os inimigos deste povo não tiranizam sobre nós, creio verdadeiramente, não temos vivido tão fielmente quanto deveríamos, não temos vivido em proporção ao conhecimento que possuímos. A este respeito, muitos dos jovens em nosso Território não estão procurando aprimorar suas mentes de uma maneira que os torne mais úteis a si mesmos e aos outros. ¶
Direi a muitos dos jovens, o vosso tempo é gasto em frivolidade; ano após ano é assim gasto por muitos dos jovens rapazes neste Território. Se estivéssemos sendo expulsos de cidade em cidade, e não tivéssemos a oportunidade de conseguir bons e competentes mestres-escola, essas circunstâncias seriam uma boa desculpa. ¶
Mas, tendo estado aqui por tempo suficiente para construir casas, para nos estabelecermos em paz em meio à abundância, florescendo nas montanhas, nos vales e nas colinas, com todas essas bênçãos, não é uma vergonha que deixemos tanto tempo precioso passar sem que seja mais sabiamente aproveitado? ¶
Quando tenho tido um bom exercício de dança, tomo os meus livros e assuntos, e não penso mais na dança até ter uma oportunidade adequada de novamente ir dançar. ¶
Menciono essas coisas para que os pais possam tomá-las, para que sejam induzidos a conduzir seus filhos pelo caminho certo, a dar um exemplo para que aqueles que têm idade apropriada possam se reformar, para que possamos ver a geração nascente crescendo armada de sabedoria e conhecimento, com os princípios da salvação, com os princípios da verdadeira ciência. ¶
Tivemos uma escola secundária aqui? Não neste Vale. "Mas," diz alguém, "tivemos uma escola paterna, e é isso que consideramos uma escola secundária." Sim, tivemos muitas coisas de nome, mas mero nome não é o que se quer. Tivemos uma Universidade de nome, e isso é maior do que uma faculdade, pois se espera que numa Universidade todas as ciências sejam ensinadas, mas até agora não tivemos tal Universidade. ¶
Temos faculdades? Creio que nenhuma, mesmo de nome. Tivemos academias? Creio que não. Se tivemos, foram muito inferiores às dos Estados do Leste. Ide às escolas dos Estados da Nova Inglaterra e vede a ordem que nelas se mantém, vede o progresso dos jovens que nelas são ensinados, e depois voltai às nossas escolas secundárias e comuns, e vereis que as escolas comuns do Leste ultrapassarão em muito qualquer uma que já tivemos em nosso Território, pois naquelas escolas muitos dos ramos superiores da educação são cuidadosamente ensinados. ¶
Falei claramente sobre esses pontos, e de acordo com os meus sentimentos. ¶
O que constitui a civilização? A aquisição e a correta aplicação do conhecimento útil. ¶
O mundo cumpre os princípios da civilização? Cumpre em parte; adquiriu conhecimento em parte, mas faz um uso muito ruim dele. ¶
Os Santos dos Últimos Dias fizeram melhor uso de seu conhecimento? Fizeram. Depois de tudo o que disse, devo elogiar um pouco os Santos dos Últimos Dias, mas espero que não vos torneis orgulhosos por causa disso. ¶
Tendes qualidades que estimo muito altamente, e que poucos no mundo têm, a saber, princípios de honestidade, de integridade e de união. Tendes um alicerce lançado, e, se o edificardes corretamente, ele ultrapassará em muito a atual civilização do mundo, e não tenho dúvida de que edificareis sobre ele. ¶
Edificai sobre os grandes e gloriosos princípios que começaram no coração ao receber os princípios da salvação. Os Santos dos Últimos Dias lançaram seu alicerce corretamente, e, quando tomarem posse e erguerem a superestrutura, será uma das maiores já construídas pelos habitantes desta terra. ¶
Não me desespero ao ver tal alicerce, pois, se agora não somos inteiramente o que deveríamos ser, creio que o Senhor nos disciplinará até chegarmos lá; não tenho dúvida disso. ¶
Apoderai-vos dos princípios do conhecimento, entesourai o conhecimento terreno e o conhecimento celestial, um conhecimento das coisas de casa e das coisas do exterior, das leis das nações, dos princípios das artes e ciências mais úteis, das coisas passadas, presentes e futuras, para que, quando estivermos no exterior pregando o evangelho, possamos estar armados com os plenos tesouros do conhecimento, e sejamos capazes de facilmente circunscrever aqueles que são do mundo. Imaginai as coisas que temos de fazer nesta dispensação! ¶
Estou tão convencido de que o Senhor nos disciplinará neste curso diligente, quanto estou convencido de que estou diante de vós. Por quê? Porque este é o reino, este é o povo e a Igreja do Deus vivo, e tão certamente quanto Ele é o nosso Deus, Ele purificará este povo pela fome, pela guerra, pela doença, pela morte, por vários julgamentos, e pela chama do fogo devorador. ¶
Não podemos escapar do curso da purificação. O que é mais visível aos olhos do que os tratos de Deus, nosso Pai, para conosco durante o ano passado? Primeiro vieram os incontáveis enxames de insetos aos milhões, varrendo nossas colheitas, depois a seca as secando como o sol faz ao orvalho, consumindo quase tudo o que os insetos deixaram. Como foi isso? Porque as neves foram retidas das montanhas durante o inverno anterior. ¶
O que veio depois? A seca continuou mês após mês, impedindo que a grama crescesse como fazia nos outonos de anos anteriores, e assim deixando a nossa terra destituída de pasto. ¶
E depois? Um inverno severo, neve profunda, tão profunda que cobriu as poucas espigas de grama que restavam. Assim, uma calamidade após outra, uma punição após outra, é o bastante para nos convencer de que tudo procedeu da mão do Senhor nosso Deus. ¶
Não terá Ele um propósito nisso? Não é isso uma aflição para nós, para vós e para mim? Não o sentis? Não nos ensinará uma lição? Sim, ensinará. ¶
Sinto vontade de dizer em meu coração, ó Senhor, castiga-me, deixa a Tua mão castigadora estar sobre mim, se vês que não há outra maneira de escapar. Preferiria muito mais ser castigado do que amontoar em abundância os bens deste mundo, e negligenciar alguns dos deveres mais importantes de minha religião. Portanto, quando oro a respeito de mim mesmo, minha oração é para que o Senhor me castigue, e também, a respeito deste povo, minha oração é: ó Senhor, deixa a Tua mão castigadora estar sobre este povo, até que aprendam a obedecer àqueles bons e salutares conselhos que são derramados deste púlpito por aqueles que presidem sobre nós. ¶
Eles são limpos, suas vestes são limpas, e sou testemunha, pois estive aqui, exceto em algumas ocasiões, e testemunhei essas coisas. E ouvi alguns dos mais comoventes e enérgicos discursos e argumentos de nossos Presidentes, chamando o povo a ser mais econômico, e fiel em guardar os mandamentos de Deus; e nos exortaram a essas coisas com todas as suas energias e forças. ¶
Também vi que muitos, que tiveram esses ensinamentos caindo em seus ouvidos, iam embora, e diziam: "Que sermão abençoado ouvimos hoje", e isso era o fim de tudo. Muitos de vós que ouvistes as instruções a que aludi sois testemunhas disso; muitos de vós ouvistes esse dito, e vistes esse comportamento segui-lo. ¶
Se essas instruções não forem observadas, não terão os bons de sofrer com os descuidados e desobedientes? Sim, geralmente sofrem; mas um homem ou mulher verdadeiramente bom não será esquecido, nem será atormentado. ¶
Se não têm um punhado de farinha, e nenhuma batata, ainda assim se sentem bem, e, se morrem, tudo está bem; mas o homem cujo coração não está certo sente a dor. ¶
Quanto melhor seria que o Senhor nos castigasse, ou mesmo que nos enviasse às nossas sepulturas, do que permitir-nos viver no descuido, com as nossas mentes entregues às vaidades e loucuras desta vida, em vez de atender às coisas de verdadeiro valor e importância. ¶
Em dias antigos, os justos tiveram de sofrer com os iníquos, pois aprendemos que Acã tomou a cunha de ouro e a escondeu na terra, contrariando as instruções dadas pelo Senhor, e, em um dia ou dois, os israelitas foram feridos e conduzidos diante de seus inimigos, e sem dúvida muitos dos que pereceram eram homens bons. Havia pecado no acampamento, e, quando descobriram que estava com Acã, e ele foi punido, prevaleceram sobre seus inimigos, porque o pecado foi removido de seu meio. ¶
Foi semelhante no caso de Corá, Datã, Abirão e cerca de 250 outros que se levantaram para serem Presidentes, usurpavam autoridade que não lhes pertencia, e o fogo do Senhor irrompeu e varreu mais de 20.000 dos justos e dos iníquos. ¶
Pouco depois, quando Moisés separou os justos dos iníquos, a terra se abriu e engoliu os líderes da rebelião. Neste caso, os justos sofreram com os iníquos, e isso foi feito a fim de mostrar que os justos, ou o povo de Deus, não poderiam ter a iniquidade em seu meio sem sofrer, e também para mostrar quanto o Senhor odiava a rebelião, a iniquidade, e aquilo que era mau. ¶
Em outra ocasião, quando o fogo do Senhor foi aceso, a única coisa que deteria a praga era que Moisés e Arão corressem entre os vivos e os mortos. Mas supondes vós que todos de um lado deles eram iníquos, e os do outro lado eram justos? Não, isso não é provável; mas havia iniquidade no acampamento de Israel. ¶
Somos todos estritamente justos e obedientes? Não, pois há muitos, mesmo nesta comunidade, que tomam o nome de Deus em vão. Quantas vezes já ouvi o Presidente desta Igreja falar contra a profanidade nos termos mais fortes; e, ainda assim, há alguns que continuarão a se entregar a essa prática maligna. ¶
Em tempos antigos, quando um homem tomava o nome do Senhor em vão, não era apenas cortado da Igreja, mas uma punição mais severa do que simplesmente cortá-lo da Igreja era infligida; aqueles que eram considerados culpados desse crime eram levados para fora do acampamento e mortos. ¶
Não digo que isso fosse sabedoria agora, mas menciono essa prática de alguns para mostrar que o Senhor abomina a iniquidade. ¶
Além dos profanos, há outros que são culpados de outros pecados, e há espaço para todos nós, como o irmão Kimball tem frequentemente dito, para nos tornarmos muito melhores; espaço e oportunidade para estudarmos os oráculos de Deus e regularmos nossas vidas por eles, para que nos tornemos homens e mulheres justos. ¶
Devemos fazer isso não apenas por nós mesmos, mas para que nossos filhos cresçam como honra para a humanidade, e não como filhos que serão indignos de se associar até mesmo com o mundo, para não falar de se associar com Santos e anjos. ¶
Já falei livremente sobre os assuntos que toquei, embora, quando me levantei, não tivesse ideia de falar como falei. Era minha intenção ter falado sobre os dons espirituais, sobre línguas, visões e revelações, e ter mostrado a necessidade e a importância de buscar diligentemente aqueles dons, como nos é ordenado, mas fui conduzido por um rumo diretamente distante daquele assunto. Por que assim é, não sei, a menos que o Senhor queira que vençamos para que estejamos preparados para as coisas que estão vindo sobre a terra, o que Ele conceda pelo bem de Seu Filho. Amém. ¶