Pulpit

A Salvação — A Oração do Senhor — A Novidade de Vida

Amasa M. Lyman

1855-12-20

Irmãos e irmãs, causa-me muita satisfação e alegria ter a oportunidade de me encontrar convosco nesta ocasião. E provavelmente não há necessidade de vos dizer por que estou contente. Podereis inferir isso do que talvez eu diga.

Não vim vos dizer coisas novas, nem coisas estranhas. E não tomarei um texto esta noite, pelo simples fato de que já me foi dado um texto, uma vez, para pregar a partir dele, pregar sobre ele, e pregar a respeito dele, ou explicá-lo ao povo; e tenho trabalhado nisso nos últimos vinte anos, e ainda não terminei de pregá-lo.

Costumávamos pensar que um homem poderia pregar o Evangelho num só sermão, e explicar todas as profecias, além de fazer muitas novas. Mas aprendi melhor, à medida que envelheci. Descobri, para meu espanto, que, em vez de ter pregado todo o Evangelho, ainda aprendi muito pouco dele; consequentemente, não poderia pregá-lo todo. Sou aluno na escola, mas também fui incumbido, por Aquele que me ensina, de ensinar aos meus colegas de estudo, na escola, que não avançaram mais do que eu.

Ora, a realização dos objetivos pelos quais o Evangelho é pregado é um assunto que se apresenta à nossa mente. É da maior importância. Pois os homens poderiam pregar o Evangelho até que não houvesse povo algum debaixo do céu que não o tivesse ouvido; e poderiam voltar, e se assentar, tendo feito fielmente esta proclamação, e ainda assim talvez muito poucos fossem salvos; e talvez apenas uma pequena obra tivesse sido realizada: pois a extensão de sua salvação está de acordo com a quantidade de princípio e verdade que aprenderam e obedeceram.

Falamos de os homens serem salvos do pecado, e então obtemos uma definição bíblica do que é o pecado. Bíblicamente, é uma transgressão da lei. Pois bem, isso nos deixa tão às escuras quanto se não houvesse Escritura alguma. Então o pecado é transgressão da lei; mas, para que possamos compreender plenamente o assunto, deveríamos saber o que é a lei, para sabermos quando a transgredimos.

Ora, para nossa informação, suponde que deixemos de lado estas coisas, e o que lemos em livros, e o que nos foi dito muitos anos atrás, e, à nossa própria maneira de expressar o que de fato entendemos, raciocinemos juntos. Havemos de raciocinar juntos, como se estivéssemos no começo, e tivéssemos dito tudo o que foi dito, e feito tudo o que foi feito.

Pois bem, então, para que possamos entender o que é a salvação, seremos capazes de compreender a maneira pela qual havemos de ser salvos. A salvação, como tudo o mais, é algo que não podemos fazer nem criar. Não vamos fazer nem uma partícula em direção a fazê-la.

Então estabeleceremos isto: que não vamos fazer nada, nem destruir nada, ao nos tornarmos salvos. Não haverá mais verdade no mundo, depois de sermos salvos, do que há agora. O sol nascerá e se porá, e as obras de Jeová continuarão inalteradas, e não haverá diferença nas coisas, senão no que se relacionar a nós mesmos. Diz-se que Jesus é o autor de nossa salvação, tendo aprendido certas coisas, e tendo-se revestido de seu amor pela retidão e pela obediência, ele veio revelar aquela salvação a todos os filhos da terra, para que todos pudessem ter a oportunidade de obter as vantagens que ela estava destinada a conferir; portanto, ele foi o autor e revelador do Evangelho.

Disse ele que veio para o que era seu, e os seus não o receberam; mas a todos quantos o receberam, a estes deu poder de se tornarem filhos e filhas de Deus. E reuniu a seus discípulos e apóstolos ao seu redor, e lhes ensinou a verdade que ele mesmo compreendia, e os enviou, mesmo como Seu Pai o havia enviado. Disse que viera fazer a vontade de Seu Pai, e dar testemunho da verdade. Este era seu testemunho, e o objetivo de sua missão sobre a terra. Ensinou isto a seus discípulos.

Ora, para a realização de que propósito estas coisas deviam ser ensinadas? Para trazer a salvação aos filhos perdidos e decaídos da terra, e conferir-lhes o dom da vida eterna. Pois bem, o que é a salvação? É o que aprendemos em nossa vida cotidiana; é o que o menino da escola aprende na escola.

Um dos antigos apóstolos disse que é a vida eterna conhecer o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou.

Pois bem, é isto o que é preciso para se tornar filhos e filhas de Deus? Sim. Então, como obtiveram os apóstolos este conhecimento? Vou vos dizer: Jesus lhes disse: "Segue-me"; e os levou aos montes, e ali, em segredo, lhes ensinou os princípios da verdade. E, como prova de que pensava que estavam aprendendo, perguntou a Pedro, e aos outros apóstolos (quando entraram; até onde sei, tinham estado fora pregando, como fazem os élderes "mórmons," e provavelmente haviam batizado mil pessoas): "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" E eles disseram: "Uns, João Batista, outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas."

Mas disse Jesus: "E vós, discípulos meus, que tendes trabalhado na vinha, quem dizeis vós que eu sou?" Disse Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." Então disse ele a Pedro: "Bem-aventurado és tu, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus."

Os apóstolos adquiriram conhecimento como resultado de sua dedicação em buscá-lo. Podeis dizer que mudança se operou nestes homens? Eram homens exatamente como nós agora, sujeitos a paixões semelhantes; então isto é tão interessante quanto qualquer outra coisa que possamos contemplar; e não questionaremos por um só momento em nossa mente, senão que tudo se deu exatamente como a Bíblia o relata.

Então, qual foi a mudança na condição destes homens, pergunto eu? Quando nosso Salvador os chamou, estavam pescando, e jamais haviam feito a conhecença do Filho de Deus; nada sabiam a respeito dele, ou de seu Pai, que o enviara.

Foi seu pedido que primeiro atraiu sua atenção, e aprendemos que, posteriormente, foram enviados como mensageiros, para pregar o Evangelho a seus semelhantes. E que dizer disso tudo? "Ora," diz um, "aprenderam as coisas de Deus." Pois bem, tinham eles algo mais do que simplesmente as terem aprendido? O que lhes havia acontecido? Havia alguma diferença com eles, além de saberem um pouco mais do que sabiam antes?

A primeiríssima salvação que Pedro foi capaz de guardar como propriedade sua foi que sabia que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo. Foi o Espírito de Deus que lhe revelou isto; e ele continuou a ter a compreensão da verdade, em acréscimo à verdade que já havia aprendido; e essa era toda a diferença que havia com Pedro, ou com o resto dos apóstolos.

"Mas," diz um, "não falaram eles em línguas?" Sim, mas nada aprenderam com isso, a menos que houvesse um intérprete presente. O apóstolo Paulo disse que preferia falar cinco palavras, com seu entendimento, do que dez mil palavras numa língua desconhecida.

Também profetizaram. E aprenderam algo com isso? Sim, porque algo foi predito, e podiam entender o que era dito; e, por esta razão, o apóstolo Paulo disse uma vez que "quisera a Deus que todos fossem profetas." Assim, parece ter sido discípulo desta doutrina — que o amor e a compreensão da verdade eram o princípio que edificava — que era o princípio que fixaria e estabeleceria a mudança palpável na condição da humanidade.

Lemos a respeito dos apóstolos estarem na prisão, e lemos a respeito de saírem da prisão; mas não os encontramos falando de coisa alguma que constitua a vida eterna, senão a compreensão de algo.

"Pois bem, mas," diz um, "é a verdade que compreendemos, seja onde for, a vida eterna?" Um homem poderia compreender uma verdade que não configurasse um retrato do Evangelho; mas isto é a vida eterna — conhecer o único Deus verdadeiro, e a Seu Filho, Jesus Cristo, a quem Ele enviou. Então, segundo esta linguagem, conhecer certas personagens, ou compreender certas verdades, constitui a salvação. Não é simplesmente saber que Ele existe; pois um homem poderia saber que Ele existe, e ainda assim não estar em posição de receber a vida eterna.

Talvez alguns de meus alunos fiquem impacientes por saber aonde o irmão Lyman quer chegar. Pois bem, vos consolarei com uma pequena explicação. Quero vos mostrar que não é meramente o trabalho que podeis realizar que vos dará a vida eterna; quero que entendais que, se tiverdes a vida eterna, será quando compreenderdes a verdade, de modo que ela se torne vossa propriedade; de modo que a possais aplicar — assim como, quando tendes dinheiro no bolso, podeis comprar pão com ele, ou qualquer outra coisa que desejardes.

Podeis cantar, ou orar, ou simplesmente fazer o que quiserdes, mas, se não aprenderdes a verdade, e a compreenderdes plenamente, falhareis em obter a salvação. Quero que entendais isto, para que não vos desperdiceis.

Sei que os santos fazem grande quantidade de trabalho, e às vezes sofrem muito; mas quero vos deixar bem informados, de tal maneira que vejais que não precisais trabalhar e vos escravizar tão terrivelmente, pensando que isso vos trará a salvação; se o fizerdes, descobrireis, depois de terminardes, que sereis tão maus quanto um homem que se esforçava por se tornar senador de um Estado (se não me engano, na Califórnia), em algumas das recentes disputas políticas. Os candidatos rivais, junto com outros amigos, haviam usado toda a sua influência para vencer o dia. Por fim, chegou a eleição, e a maioria dos resultados já havia chegado, de modo que pensavam já conhecer o resultado; portanto, aquele que se imaginava eleito preparou um grande jantar, mas, justamente quando o jantar estava para acontecer, provou-se que seu oponente havia sido eleito. Como se sentiu mal o pobre homem.

Como será conosco? Pois não esperamos viver aqui para sempre. Ora, havemos de despertar para a compreensão do fato de que não obtivemos o céu ou a salvação que esperávamos. Então, vede, teríamos de esperar, como fez o californiano, ao menos até outra eleição.

Quero que discrimineis entre o que é a salvação, e o que não é a salvação. Há, no mundo, uma coisa chamada meios, e o objetivo que os meios realizam. O objetivo e os meios são duas coisas diferentes. Quero que aprendais isto: que é uma compreensão da verdade, guardada na mente e na alma do homem, e uma justa aplicação da mesma, que o há de salvar. Na medida em que compreendeis e praticais a verdade, estais salvos.

"Pois bem," diz um, "é este conhecimento a que vos referis tudo o que temos a ganhar e do qual nos beneficiar, para sermos salvos?" Não conheço mais nada; não tenho mais nada a vos ensinar.

"Mas," diz um, "eu pensava que era o cumprimento de meu dever que me salvaria; por exemplo, exige-se de mim que pague meu dízimo, seja eclesiástico, ou municipal, ou qualquer outro; além disso, tenho de trabalhar boa parte de meu tempo; e tenho de ir pregar o Evangelho, e chamar os pecadores a obedecer à verdade; eu realmente pensava que isso tinha algo a ver com minha salvação." Pois bem, isso tem algo a ver com vossa salvação, mas não quero que, por terdes pregado o Evangelho, e voltado outra vez, penseis que estais salvos.

Não podemos entender que milhões de homens trabalham com todas as suas forças, embora não estejam praticando o "mormonismo"? Trabalham tanto, e sofrem tanto, quanto nós, e depois descem à terra aos milhares e aos milhões, e, contudo, nenhuma alma deles obteve a vida eterna; nenhuma alma deles obteve a salvação por seu automartírio; pois muitos deles foram martirizados.

Pois bem, agora, qual é a razão pela qual, se o sofrimento há de exaltar e salvar os Santos dos Últimos Dias, não haveria de salvar e exaltar os sofredores milhões que jamais conheceram nada a respeito do "mormonismo"? Como ouvi um pregador universalista dizer (o dito me impressionou, quando o ouvi), que, se pudéssemos encontrar um plano que salvasse um homem, poderíamos encontrar um plano que salvasse todos os homens. Pois bem, é isto o que queremos; pois, se conseguirmos encontrar um plano que salvou um, podemos encontrar o plano que salvou todos os que foram salvos.

Se não se desenvolver em nós a compreensão e a correta prática da verdade, falharemos em ser salvos. Nosso batismo para a remissão dos pecados, seguido da imposição das mãos, e nossas lavagens e unções, de nada valerão, se não forem seguidos deste desenvolvimento.

Se a lâmpada da verdade eterna não está acesa em nós — não está ali plantada — não recebe ali sua força, todos os nossos esforços serão vãos. Se o conhecimento e a luz da verdade eterna não se seguirem como resultado de nosso labor, as ordenanças que recebemos, e tudo o que se faz por nós, não nos hão de salvar. Podemos construir cidades de ouro, adornadas de esplendor e magnificência, dignas de receber o Filho de Deus; será tudo a mesma coisa.

Nabucodonosor construiu uma magnífica cidade, mas era esse o princípio da salvação para ele, ou entre seu povo? Foi salva uma só alma deles, que construiu aquela grande cidade? Não; e, em vez de Nabucodonosor ir para o céu, foi para o pasto, alimentar-se com o gado. E é assim que será convosco, se não labutardes corretamente; em vez de irdes para o céu, tereis de ir para o pasto, como ele foi.

Esta é uma ilustração verdadeira. Nabucodonosor detinha o comando de milhões de homens, e construiu magníficas cidades e palácios; e nós nos pomos a trabalhar segundo o mesmo princípio, e construímos cidades; mas as construímos com materiais rústicos; de uma porção fazemos uma muralha, e de outra porção fazemos uma casa. Estamos progredindo em direção ao esplendor do que Nabucodonosor fez, mas não podemos olhar para o céu, e dizer: aqui estão muitas cidades que fizemos; mas podemos dizer: aqui estão muitas cidades que começamos; contudo, somos muito mais ricos do que o rei; pois temos aquilo que nos fará sábios para a salvação.

Isto é parte de meu sermão; não vos preguei a respeito do batismo para a remissão dos pecados, e a respeito da imposição das mãos, e da profecia, e assim por diante.

Podeis ler a respeito destas coisas em casa; consequentemente, não há necessidade de eu vir para cá, e me desgastar falando a respeito delas. Quero vos ensinar algo que não podeis ler. Se vos tivesse numa escola, não tomaria mais liberdade convosco. Não sois salvos pela verdade, até a conhecerdes e obedecerdes. No "mormonismo," há A e B. Pois bem, então, tereis de aprender A e B, e assim por diante. Lembra-se algum de vós de aprender as letras em casa, que vossa mãe vos ensinou? Ela pegava algum velho livro, e dizia: bem, meu filho, qual é a primeira letra deste livro? Ora, ele não conseguia nomeá-la; ela poderia tanto perguntar ao menino a respeito do sol, quanto lhe perguntar a respeito daquilo.

A mãe diria: bem, isto é A; então o pequeno tentaria dizer assim. Depois de um pouco, ela lhe pediria que lhe dissesse novamente o que é A, mas o pequeno estava tão mudo quanto antes. Pois bem, ela tenta novamente, e, depois de lhe dizer o que é, ele diz A; agora aprendeu algo; aprendeu a conhecer a forma da letra diante dele.

Suponho que não nasci no mundo já conhecendo minhas letras; por isso, tive de aprendê-las, como o resto de vós. Pois bem, quero que saibais que é assim que teremos de obter a salvação.

As revelações nos dizem que a inteligência não foi criada, nem pode ser. Por isso, o que temos a fazer é compreender aquilo que já existe. Isto explica a propriedade e a verdade da Oração do Senhor. Ora, diz o Senhor: "Quando orardes, orai desta maneira — Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu."

Pois bem, o que dizer disto? Ora, em primeiro lugar, não supomos que o simples uso destas palavras salvaria alguém; pois pais e mães frequentemente ensinam esta oração a seus filhos, quase antes que possam falar, e a repetirão até serem grandes o bastante para fugir.

Quero que vejais que aqui está uma das placas indicadoras do Evangelho. Dizemos: Pai nosso, que estás nos céus. Ora, o que implica esta linguagem? Ora, nos diz que temos um Pai nos céus, e que somos Seus filhos. O próximo nos diz que Ele é santo: "Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." Assim oramos, simplesmente, porque queremos que Sua vontade se faça aqui, como se faz ali.

Mas até agora só lemos um lado da placa. Pois bem, então, chegamos agora a pedir ao Pai um favor peculiar; e agora Lhe dizemos: "Pai, perdoa-nos todos os nossos pecados, assim como nós perdoamos aos que nos ofendem." Ora, quereis saber quanto Ele vos perdoará? Se amaldiçoais vosso vizinho, porque ele vos ofendeu, ajoelhai-vos, e orai para que vosso Pai vos amaldiçoe.

"Mas," diz um, "eu não gostaria de orar para que Deus me amaldiçoasse." Suponho que não pensáveis que a Oração do Senhor significasse tanto quanto isto. Pois bem, então, como quisésseis que Deus vos tratasse, assim tratai vosso vizinho.

Ora, todos nós gostaríamos que o homem contra quem ofendemos nos perdoasse, e então supomos que Deus o perdoaria, exatamente como nos perdoou. Nosso Salvador disse que devíamos perdoar os homens, quando pecam contra nós. E por quê? Porque é assim que Deus há de proceder conosco. Não deveríamos esquecer nem negligenciar os primeiros princípios do Evangelho, mas, ao mesmo tempo, prosseguir até a perfeição.

Mas já deixastes de lado vossos pecados práticos? Pois a teoria não vos fará bem algum; podeis ter todo o conhecimento que desejardes, mas não vos fará bem algum, até que ele defina a divindade de seu caráter, até que fique indelevelmente fixado em vossa mente. Quero que aprendais isto.

Diz um: "Não é bom para nós sermos batizados?" Sim. E também é bom usar a Oração do Senhor; e, quando pedis perdão, o exemplo dado vos diz exatamente o rumo que deveis adotar para com Deus, e para com todos com quem tendes algo a ver. Não há nada de que devêsseis ser mais cuidadosos do que isto; quando dizeis, Pai, perdoa-me, certificai-vos bem de que já perdoastes vosso irmão; e, se não perdoastes vosso irmão, quando a expressão estiver prestes a sair de vossos lábios, fechai a boca — fazei dela uma prisioneira.

Talvez me acuseis, e digais: "Ora, pensávamos que o irmão Lyman nos diria algo novo, que nos entretivesse." Pois bem, penso ter sido, de todo modo, boa companhia.

Quando Jesus Cristo desceu aqui, veio como um personagem a ser seguido; veio no caráter de um Deus; não como um simples menino, mas para pregar o Evangelho. Pois bem, então, o que vem a seguir? Disse ele ao povo que se pusesse a trabalhar, e armazenasse pão para um ano, ou para dez anos? Ou disse-lhes que pedissem pão para amanhã? Não, não disse. Por quê? Porque esse é um dia do qual nada sabemos. Suponde que tivéssemos ficado sem pão por oito ou nove dias, e fôssemos lhe pedir pão para amanhã; o que pensaria Ele de nós? Ora, exatamente o que pensaríeis de vossos filhos, se viessem vos pedir pão, com as mãos cheias, e a boca cheia.

Então, se não temos pão, deveríamos pedir hoje nosso pão de cada dia; pois não sabemos se o quereremos amanhã ou não. O ontem já passou, e hoje é tudo o que um homem vive.

Pois bem, então, o que vem a seguir? "Teu é o poder, e a glória, para sempre. Amém." Já concluímos agora a Oração do Senhor, mas não quero que a concluais sempre tão depressa; não me importo se demorardes uma semana com ela. A maioria de vós ensina a vossos filhos esta forma de oração, antes de a poderem apreciar. Vós podeis apreciá-la, mas eles não. Ensinai-los a dizer: "Pai nosso, que estás nos céus," sem que tenham qualquer suposição racional de quem Ele é, ou se Ele é alguém ou ninguém.

Há outras coisas que quero que leveis em consideração. A ordenança do batismo é abusada por muitos. Alguns de vós vos batizais muitas vezes; e para que vos batizais? Enquanto vos vir batizando para a remissão dos pecados, hei de concluir que não estais salvos.

Pois bem, agora, ides à ordenança do batismo, e se diz que sois sepultados. Estais sepultados vivos? Um sepultamento, é claro, pressupõe que alguém está morto. Diz-se também que devemos despir o velho homem do pecado — a velha veste que vestíamos; e daquela sepultura devemos ressuscitar para a novidade de vida, no que tange à conversação anterior. Não devemos agir como antes agíamos, nem fazer como antes fazíamos.

Pois bem, então, devemos estar mortos; mas não devemos morrer como as pessoas geralmente morrem; pois, quando estão mortas, voltam a construir cidades, e a fazer o que faziam antes? Antigamente eram necessários manteiga e queijo, e essas boas coisas, para mantê-las vivas; mas, quando morrem, essa despesa cessa.

Pois bem, então, como há de ser conosco, com respeito à nossa antiga existência? Não éramos santos então; dizíamos e fazíamos, frequentemente, coisas erradas, porque não sabíamos o que era certo. Deveríamos morrer para a escuridão e a corrupção, para que pudéssemos viver para a imortalidade e a vida eterna.

Isto é o que o batismo deveria nos ensinar. Assim lestes a placa indicadora? Simplesmente nos dizer que devemos morrer para a escuridão e a corrupção, para que possamos viver para a imortalidade e a vida eterna, não nos há de salvar. Se não lestes assim a placa, não a lestes corretamente. Aqueles que não foram sepultados com Cristo no batismo, e ressuscitados para a novidade de vida, e despidos do velho homem do pecado, vivem sem a luz; são os que jamais deixaram as sombras escuras da escuridão; pensam errado, agem errado, e vão errado, porque não têm a luz. Não conhecem a diferença entre o que é puro e o que não é puro.

A perfeição não está na placa indicadora, mas ali podemos ler que este é o caminho que a ela conduz. Mas, supondo que ficásseis ali, o que realizaríeis? Ficaríeis perfeitamente desnorteados, sem possibilidade alguma de jamais chegar ao certo. Quão tolo seria ficarmos ali, e dizermos: "Ora, não posso deixar isto; foi o que primeiro me indicou o caminho da vida; e poderia eu deixá-lo agora?" Não, viverei por ele, e morrerei por ele.

Há algo assim no "mormonismo"? Não. O "mormonismo" dá a um homem mais de uma esposa. Ah! dizem alguns pobres "mórmons" de coração dividido, falar de um homem ter mais de uma esposa; ora, já sabemos que a Igreja apostatou toda, e Brigham e os Doze estão todos indo errado. Tais pobres desgraçados chegaram à placa indicadora, e ali querem ficar.

Os santos que têm o Espírito da luz e da verdade teriam vergonha de admitir que são da mesma raça. Como às vezes diz o irmão Kimball, "Tais pessoas estão todas encolhidas; não há tanto delas quanto costumava haver." Toda a diferença que há entre esse tipo de "mórmon" e nós é que já passamos além da primeira placa indicadora, e eles não.

Quero que percebais que há um tempo para tudo; há um tempo para vos batizardes, e há um tempo para deixardes de lado as coisas da infância, e vos tornardes homens e mulheres. Há grande diferença entre a placa indicadora que conduz à salvação, e a própria salvação. Diz um: "Suponho que entendemos isso bastante bem." Espero que sim.

Alguns anos atrás, me foi dado um texto para pregar, mas ainda não o aprendi todo; mas o estou aprendendo o mais rápido que posso, e o pregando; esta é minha missão. Outros homens talvez tenham missões de outro tipo.

Diz um: "Fostes sempre um apóstolo?" Não. "Fostes ordenado apóstolo?" Sim. "O que isso fez por vós?" Apenas me ligou a doze homens; não me deu mais conhecimento algum, nem me tornou diferente.

Vim vos pregar o Evangelho; e, se pensasse que não havia necessidade alguma de o fazer, e que entendêsseis tudo a respeito dele, teria ficado em casa, ou ali na casa do irmão Allred, desfrutando junto à lareira.

É meu direito ordenar as pessoas, mas não vos ordenarei; mas dou a todos vós uma missão de ensinar este Evangelho, que vos preguei esta noite, a vossos vizinhos, e a vós mesmos; e examinai-vos, e vede se viveis a verdade.

Vou vos dizer como sabê-lo. Sabeis quanto haveríeis de dar pela verdade, no ano passado? Diz um: "Daria um décimo, no ano passado." Dareis mais agora? "Realmente não sei. Ora, pensei que apenas me pediam meu dízimo, e que isso era tudo o que valia."

Então não considerais que vale mais agora do que considerastes que valia no ano passado. Pois bem, agora, o que ides fazer? Ides trapacear alguém em nove décimos de sua salvação? Destes um décimo. Para quê? Ora, pensastes que o "mormonismo" valia tanto; considerastes que valia vosso dízimo. Pois bem, o que ides obter? Ides obter um décimo.

Vim a este reino para me identificar com tudo o que tenho, e tudo o que espero ter. Destes um décimo, e esperais obter um dólar, não é? Ora, há algum bom senso sólido nisso? "Pois bem," diz um, "que quereis dizer, tratando o assunto desta maneira?" Ora, quero que penseis nisto, e não vos enganeis, pensando que obtereis uma salvação plena, por pagardes um décimo; se vos consagrardes, a vós mesmos e a tudo o que tendes, à causa da verdade, mereceis o todo.

Quero que aprendais que o "mormonismo" vale tudo; que é tudo o que há de vida — que é tudo o que há de verdade — que é tudo o que há de tudo o que vale a pena ter; e então compreendereis, como eu compreendo, que, para merecê-lo, tereis de lançar mão de tudo o que tendes.

Não podeis fazer mais pela verdade do que ela vale; então, vinde, e consagrai vossos bens. Diz um: "O que isso fará por mim, se o fizer?" Não dizeis que o "mormonismo" vale tudo? Sim; mas só ides pagar um décimo por ele. Então tendes ali as barreiras erguidas.

Que Deus vos abençoe, a mim e a vós, com Seu Espírito Santo, para que sejamos conduzidos a toda a verdade, e plenamente compreendamos e apreciemos aquela salvação que buscamos, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoAmasa M. Lyman, “A Salvação — A Oração do Senhor — A Novidade de Vida”, (1855-12-20). Pulpit Vault, 1855-12-20-lyman-salvation. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).