A Salvação — Os Homens São Condenados por Seus Próprios Erros — A Verdade — A Abrangência do "Mormonismo"
Amasa M. Lyman
Parece, meus irmãos e irmãs, que um encadeamento de circunstâncias novamente nos reuniu; e o encadeamento de circunstâncias vos tirou, por um tempo, aqueles que têm estado mais convosco do que eu mesmo. Mas há uma coisa que não mudou, a saber: nossos interesses — a natureza do objetivo que devemos alcançar, como santos. ¶
O simples fato de a Presidência nos ter deixado por um breve período de tempo não afetou, legitimamente, coisa alguma que devesse nos interessar, e ocupar nossa atenção. Se somos santos, temos o mesmo interesse a sustentar, o mesmo conhecimento a obter, e a mesma fonte da qual tirar aquele conhecimento, tal como aqueles que se afastaram de nós por uma temporada. É nosso direito, nosso privilégio, e um dever que devemos a nós mesmos; àqueles com quem estamos ligados pelos laços do Convênio Eterno, assim como por todo o relacionamento que nos une uns aos outros como seres humanos inteligentes, continuar nosso trabalho, e trabalhar de tal modo que nossos esforços se voltem continuamente para a aquisição daquele conhecimento requisito para nossa salvação; pois isso compreende tudo o que deveria nos interessar, seja qual for o nome pelo qual o chameis, ou quantas divisões ou subdivisões dele façais; e, contudo, quando tudo se considera em conjunto, uma parte com a outra constitui simplesmente a salvação que buscamos. Só ela nos fará felizes; só ela é capaz de realizar por nós aquilo que é necessário para nossa paz e conforto, aqui e no futuro. Talvez pensemos que há muitas distinções bastante sutis que se poderiam fazer entre coisas diferentes, como as consideramos, que talvez constituam em nós, conosco, ou para nós, os meios de felicidade e conforto, e que uma coisa considerada é uma coisa, e outra coisa é a salvação. ¶
Não conheço nada que exista, como meio de felicidade e conforto ao nosso alcance, ou que possa ser tornado disponível, que não pertença à nossa salvação. ¶
Estas coisas são tão variadas e tão numerosas, que poderíamos preencher uma curta vida inteira apenas em enumerá-las, e ainda assim a soma delas ficaria muito aquém de ser contada; mas o grande negócio de nossa vida deveria ser tê-las e desfrutá-las, e então, talvez, seríamos capazes, em pequena medida, de apreciá-las, e nossa felicidade, e conforto, e glória, serão determinados em sua extensão, e definidos precisamente pela extensão em que apreciamos as grandes verdades que existem ao nosso redor, no meio das quais temos nosso ser. ¶
De modo que, quando tivermos obtido a salvação que buscamos, em toda a vasta infinitude a que possa se estender, com a experiência de eras incontáveis — quando a experiência de quase inúmeras eras tiver acrescentado sua contribuição a seus tesouros de riqueza e prazer; quando estas forem as circunstâncias que nos cercam, descobriremos que tudo consiste numa única coisa, que é simplesmente aprender a compreender a verdade que existe ao nosso redor, no meio da qual vivemos, nos movemos, e temos nosso ser. ¶
Realizar isso é o objetivo do Evangelho — o plano de salvação — sobre o qual é bom refletirmos, e falarmos frequentemente uns com os outros; refletir, para que possamos entender o objetivo pelo qual o Evangelho nos é revelado, para que possamos nos capacitar a nos apropriar das coisas tornadas disponíveis para nós — aquelas ferramentas lançadas ao nosso alcance — de tal maneira que conduzam à realização deste objetivo. Então, para a devida apropriação dessas coisas, é necessário que entendamos o que se pretende afetar por meio delas; é necessário estarmos corretos neste ponto, para que não busquemos algo que não existe, e, consequentemente, jamais encontremos a realidade; para que não exploremos algum país à procura das joias de nossa felicidade onde não estão. ¶
Todos nós temos experiência suficiente para nos dar a compreensão da verdade, o bastante para nos convencermos de que nossa busca por uma coisa onde não existe há de, por fim, se provar infrutífera, uma que não nos trará recompensa por nosso trabalho e labor, que não nos dará conforto pela ansiedade que temos nutrido, enquanto buscamos algo que não conseguiremos encontrar. ¶
Pois bem, então, o que é, meus irmãos e irmãs, raciocinemos um pouco esta manhã, o que é que o Evangelho tem a fazer por nós? O que calculamos, em nossa própria mente, que ele é? Há algo que não existe agora, e que precisa ser criado? Nosso ser natural e constitucional há de se transformar, por nos tornarmos recipientes da salvação? Havemos de ser salvos como somos, constituídos como somos, ou havemos de ser salvos como algum outro tipo de ser? O que havemos de ser, quando formos salvos? Supomos que seremos vistos e conhecidos, que seremos reconhecidos como os mesmos indivíduos que agora somos? ¶
Se não formos, gostaria muito de saber o que eu seria, e quem eu poderia ser, porque há certas coisas que, se pudesse evitar, não seria. Mas, de fato, não sei que haja razões que jamais tenham se recomendado a meu juízo, como sendo boas, para eu nutrir o desejo de mudar minha identidade de forma alguma. ¶
O desfrute da salvação, para mim, até aqui, sempre foi nutrido e entendido em conexão com minha própria identidade, de modo que, quando eu for salvo, serei, simplesmente, o irmão Lyman salvo, e ninguém mais; eu seria, simplesmente, o irmão Lyman de posse de todo o conhecimento requerido para a salvação, e o consequente participante de todas as bênçãos decorrentes de possuir aquele conhecimento. Se eu não for isso, ficarei desapontado, não serei feliz, nem satisfeito, a menos que eu perca todas as minhas expectativas e fé presentes. ¶
Então é, simplesmente, a nós, que estamos aqui hoje, que se há de salvar; e em que consiste tudo isso? Simplesmente, numa mudança de nossa condição, e não da condição de algum outro indivíduo. No lugar da ignorância, possuiremos aquele princípio de conhecimento e compreensão que nos torna livres. Livres do quê? Da ignorância. Isso é tudo. ¶
Pois bem, diz um: "Não há muitas outras coisas, além da ignorância?" Se há homens e mulheres nesta sala capazes de calcular, que possam pensar e refletir, desejo que essa classe, em particular, se nunca o fez, faça deste seu estudo, por um breve tempo, para determinar uma coisa, para seu próprio benefício, e para o benefício dos outros, tanto quanto sua influência alcance, descobrir quanto do mal que aflige a humanidade não é verdadeiramente atribuível à ignorância, à existência da escuridão que permeia a mente humana, e em consequência da qual falham em compreender a verdade. Por causa disso, não conhecem a Deus, nem entendem os princípios segundo os quais Ele age. ¶
Quando descobrirdes um mal que não se possa atribuir, legítima e verdadeiramente, a esta grande causa — esta grande fonte aparente do mal e da injustiça que existe no mundo — apenas o anotai, dai-lhe um nome, e deixai-me vê-lo; se há qualquer outra fonte para o mal, quero conhecê-la. Jesus, entendemos, veio ao mundo para salvar os pecadores; veio salvar, como dizemos, o homem perdido e decaído; veio restaurar os filhos pecadores da terra ao desfrute da misericórdia, e do favor, e da bênção do céu. ¶
O que Jesus se propôs a fazer, além de, simplesmente, salvar os homens? O Evangelho que enviou ao mundo se propõe a nada mais do que salvar os homens; e faz tanto pelo mais pobre quanto pelo mais rico, salva-os, e isso é tudo o que faz. ¶
"Mas," diz um, "não condena ele também os homens?" Pensais que sim? Já encontrastes algo a respeito do Evangelho que condenasse algum de vós? "Mas não sustentam as Escrituras tal ideia?" Não sei se o fazem ou não; deveis conhecer vossa própria experiência melhor do que as Escrituras, porque está mais próxima de vós, é vossa própria propriedade. Prefiro minha própria experiência a ter a Bíblia atirada em meu rosto; para mim, ela é muito mais rica. ¶
O que o Evangelho fez por vós, e por mim? Jamais nos fez senão bem. "Mas," diz um, "eis aqui um homem que abraçou a verdade, e depois se afastou dela, a deixou, e agora está condenado." O que o condenou? Foi o Evangelho? Nada o condenou, senão sua própria conduta vil; seus próprios erros, que assim o influenciaram contra seu próprio interesse. Exige o Evangelho que ele cometa pecado? Exige que profira falsidades, e nutra um princípio de hipocrisia, e pratique o engano com seu vizinho? Não. O Evangelho exige dele virtude prática, retidão e verdade em toda a sua conduta. ¶
Então não acusemos o Evangelho de condenar alguém, até descobrirmos que de fato o fez. O Evangelho foi enviado ao mundo pelo Salvador da humanidade, para colocar os meios de salvação ao alcance dos mortais, para dar àqueles que cressem o poder de se tornarem filhos de Deus. Este era o objetivo desta proclamação por toda a terra, e era a razão pela qual foi ensinado com aquela simplicidade que marcou os ensinamentos dos ministros da verdade. As Escrituras prometem a salvação àqueles que creem; e aqueles que não creem, somos informados, serão condenados. O que condena os que não creem? A mesma coisa que os condenava antes de ouvirem o Evangelho. Estavam nas trevas, e qual foi sua condição depois? Estavam nas trevas. ¶
Então, o objetivo deste Evangelho, ao ser enviado ao mundo, era, simplesmente, dar aos homens o conhecimento da verdade, e abrir-lhes os olhos, era fazer a luz brilhar no meio da escuridão que os cercava; para que, naquela luz, pudessem descobrir as coisas como existem ao redor, das quais antes eram ignorantes, e nutrir concepções de coisas que antes não alcançavam nem ocupavam sua mente de forma alguma; tudo isso era para realizar a salvação do homem. Salvação de quê? Da queda, ou de qualquer outro dos males que o cercam. Não me importa se os considerais consequências da queda ou não, não me importa como chamais os males que afligem os homens, e os impedem de desfrutar de uma plenitude de felicidade e glória; deles a humanidade precisa ser salva; constituem as correntes com que os homens estão presos — as nuvens de escuridão que obscurecem a luz da verdade, que impedem a luz do sol da verdade de tornar toda a esfera do ser do homem radiante, gloriosa e resplandecente. Em quê? Naquilo que o grande arquiteto da natureza ali colocou, e com que fez rica toda a criação. ¶
Vivemos no meio disso, e somos insensíveis às belezas ao redor, às excelências ao nosso alcance. Pisamos as bênçãos que se agrupam ao redor de nosso caminho, como as flores da primavera, sob nossos pés, sem apreciar seu valor, em vez de nos banquetearmos com a glória, o poder, a habilidade e o juízo manifestados nas combinações associadas para apresentar esta beleza aos olhos. ¶
Pois bem, assim é com a verdade, e sua excelência em todos os vários departamentos das obras da natureza, e sua glória. Vivemos no meio dela, e estamos famintos; somos um pobre, faminto, miserável, infeliz e mendigo conjunto de criaturas, no meio da abundância. ¶
Ora, é destas correntes, que nos prendem nesta condição, que o Evangelho se propõe a nos libertar — que o plano de salvação há de romper em dois, e nos dar uma abundante libertação, e uma correspondentemente abundante entrada no reino de Deus, e tornar nosso futuro tão glorioso, tão luminoso, e tão amplo, quanto perigoso, escuro e sombrio tem sido o caminho por que andamos. É isto o que o Evangelho se propõe a fazer por nós. Como se há de realizar isso? Sobre este simples princípio — ensinando-nos a verdade, e é por isso que conhecer o único Deus vivo e verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou, é a vida eterna. Há uma razão para isso, tal como para toda outra verdade que se estende, como tal, por toda a vasta extensão da criação. É a vida eterna, porque é liberdade das correntes da escuridão, do domínio do erro — uma emancipação daquele cativeiro que torna o homem, em sua existência, infeliz e miserável. ¶
Então, se isso é de fato a salvação, onde devemos buscar conhecer suas bênçãos? Como havemos de chegar a desfrutar delas? Simplesmente, na aquisição do conhecimento. Diz um: "É isso tudo?" Sim, isso compreende tudo. "Mas não devemos fazer o que é certo; e não é importante que o façamos?" Sim; mas como podeis fazer o que é certo, antes de saberdes o que é certo? ¶
O que fazeis vós, Santos dos Últimos Dias? Posso ver aquela miserável confusão entre eles, que caracteriza os homens do mundo; tudo tem de ceder à busca pela riqueza e pela honra deste mundo; a seus olhos, isso parece ser a única coisa que pode fazê-los felizes. E há tantas maneiras pelas quais os homens buscam a felicidade quantos homens há para buscá-la; e há tão grande variedade de interesses a servir no mundo da humanidade, coletivamente, quantos homens abraçam aqueles interesses, e trabalham para os salvar, e estes hão de estar constantemente em conflito uns com os outros, e o que um homem trabalha para edificar, outro trabalha para derrubar; o que é a riqueza de um é a pobreza de outro; o que enche o bolso de um homem esvazia o bolso de outro até o último centavo — o último dólar o deixa, e vai para a bolsa de seu vizinho. É assim que o mundo se enriquece, e se imagina feliz, e é assim que muitos dos Santos dos Últimos Dias esperariam encontrar a salvação — empreendendo fazer o que é certo, sem primeiro saber o que é certo. ¶
O Salvador falou sensata e razoavelmente, quando disse: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." Sem O conhecerdes, o que podeis conhecer corretamente? O que entendeis e compreendeis da verdade, corretamente? Como geólogos e químicos no mundo, cavam um poço, e encontram muitas camadas, isto é, quando aplicais o termo camada a algo que é para eles um enigma, encontram muitos tipos de material que entram na composição da terra. O alquimista analisa porções da terra, que são retiradas, para descobrir as diferentes proporções e tipos de matéria de que é composta. O que aprendem? Alguma verdade. Mas com que se parece? Não podem dizer. Se possui a propriedade de um ácido ou de um álcali, eles o sabem. Mas sabem algo a respeito de quem combinou suas várias partes; sabem algo a respeito da mente ativa que se projeta nas combinações que encontram? Não sabem. Assim podemos buscar a verdade na terra, sobre a terra, e acima da terra, e podemos encontrar muito, mas nada compreendemos dela, pelo fato de não conhecermos a Deus; não começamos pelo princípio de nossa lição. ¶
Muitos homens se convenceram de que há um Deus, mas não O conhecem, onde vive, como se parece, ou se é semelhante a alguém ou algo que é visto, ouvido, tocado, ou compreendido por nós. Ora, o Evangelho simplesmente se propõe a ensinar ao mundo da humanidade a verdade a respeito da grande fonte de verdade, que está no princípio de todas as coisas que podemos ver como um princípio; conduzi-los a uma descoberta de fatos a respeito daquela verdade que permeia a criação universal — que existe tanto quanto a existência é conhecida, ou não conhecida, onde de fato ela está. Há uma verdade que é coigual em extensão com ela. Se há luz ali, é sua luz; se há glória, pertence à verdade. ¶
"Pois bem," diz um, "é ela grande quanto Deus? Ela compreende Deus, ou é Deus compreendido por ela?" Sabeis que o grande princípio da vida eterna é conhecer o único Deus verdadeiro e vivo, etc. Em nossas especulações infantis, falamos de muitos senhores e deuses, e podeis fazer a doutrina parecer santa, aplicando-lhe a linguagem das Escrituras. ¶
Mas, supondo que as Escrituras nada tivessem dito a respeito, que homem que tenha olhado amplamente para a face da natureza universal, tal como se nos apresenta, que tenha vivido, neste ser e neste mundo respirante, por apenas alguns anos, não aprendeu e entendeu por si mesmo, perfeitamente, que há um princípio de verdade que permeia tudo, que é em si imutável, que é o mesmo em toda parte, em toda terra, país e clima, quer falemos de um único átomo, do inseto rastejante, ou do agrupado universo de mundos; todos se movem, e existem, e são controlados pela mesma grande lei — o mesmo grande princípio que os faz ter sua existência em verdade e harmonia uns com os outros. ¶
Voltemos de nossas viagens ao estrangeiro — deste vaguear — e vejamos se conseguimos encontrar o mesmo aplicado aqui, em casa, conosco. Há um princípio que de fato nos controla, e que podemos controlar, um princípio que está em todas as coisas, no qual vivemos, nos movemos, e temos nosso ser, que é maior do que a maior coisa que podemos conceber, e abrange todas as coisas? Sim, o simples princípio revelado nesta pequena coisa — dois multiplicado por dois é quatro — é um que não podemos mudar, nem conceber um princípio pelo qual pudesse ser mudado. ¶
Não podemos conceber o que seria, se não fosse o que é. É sempre o mesmo, em toda terra, país ou lugar. É o mesmo, quer apliquemos o princípio para determinar o número de maçãs numa cesta de mercado, quer o apliquemos em cálculos mais amplos, para determinar as magnitudes, os tempos, e as distâncias dos planetas. ¶
Aqui está um princípio a que temos de nos submeter; diante do qual temos de nos curvar. Por quê? Simplesmente, porque é maior do que nós, desafia nossos esforços para o mudar; controla nossas ações, influencia nosso ser; determina as coisas, e nós, com as demais coisas, somos por ele determinados. Que lhe podemos dizer? Podemos tratá-lo com indignidade? Não; pois ele há de nos governar; nos rege. O que é? É a luz que está em nós. A revelação diz: "É a luz de nossos olhos que ilumina nosso entendimento." E o que é isto? É o Deus que vemos no sol, e na lua, e nas estrelas, pois Ele é a luz deles, e o poder pelo qual foram feitos. É, simplesmente, o que o apóstolo falou antigamente, tal como está registrado nas Escrituras; ele exclama: "E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus foi manifestado na carne." ¶
Talvez alguns tenham suposto que a revelação de Deus se restringe a apenas algumas poucas coisas — a alguns poucos exemplos daquilo que contemplamos na vasta extensão das obras da natureza, como as chamam; não sei se a natureza tem obras. Enquanto contemplamos estas, descobrimos que tudo o que vemos, lemos, e podemos alcançar, pelos meios que podemos tornar disponíveis para a aquisição de conhecimento, e para o despertar de concepções na mente, a respeito da vasta infinitude da obra do Todo-Poderoso, descobrimos que é simplesmente o refletir de — o quê? Deste grande princípio da verdade, deste Deus que adoramos, que buscamos conhecer, a quem, conhecer corretamente, é a vida eterna. Por quê? Porque rompe em dois as correntes da ignorância que nos mantinham em cativeiro; dissipa as nuvens de escuridão que obstruem a luz do sol da verdade de brilhar ao nosso redor, e então, na luz da verdade, começamos a ver e a compreender o que existe ao nosso redor, e a relação que mantemos com a natureza, com Deus, uns com os outros, e o objetivo pelo qual vivemos, e para o qual fomos constituídos, e o fim a que nos dirigimos. ¶
Até começarmos a aprender isso, estamos obscurecidos e nas trevas; estamos tão efetivamente perdidos quanto qualquer homem num pântano, sem luz, ou sem guia; ele não está pior do que nós, sem a luz da verdade, pois não sabemos qual caminho seguir, ou em que direção buscar socorro; não sabemos de onde há de vir a libertação, ou se há de vir de todo. ¶
Então, o que precisamos para nos salvar? Simplesmente, um conhecimento da verdade. Diz um: "Não sei, mas Deus me salvará." Sei pouco a respeito dEle, mas sei mais a respeito dEle do que a respeito de qualquer outro deus. Por quê? Porque tenho visto mais dEle. Qualquer de vós que já contemplou os céus, viu a luz do dia, foi alegrado pela luz do sol, e reconfortado por seus raios amenos, sentiu suas influências revigorantes. ¶
Eis aqui um Deus que vejo, um Deus que ouvi, cuja voz é proferida por todo o tempo, e por milhões de terras, e sóis, na magnitude do universo, e milhares de universos, associados juntos, refletem Sua grandeza e glória. Então há um Deus que é gentil e bondoso, fácil de ser suplicado, cheio de compaixão e terna misericórdia, cujo celeiro de bens está ricamente repleto, para fazer — quem feliz? Aqueles que buscam a felicidade. Onde vive Ele? Em toda parte. Qual dos deuses é? É aquele Deus que vive em toda parte; que vive por toda a vida, e se estende por toda a extensão; que se espalha indiviso, e opera inesgotável; é o Deus de que agora falo. ¶
Que outro Deus há? Podeis falar do Senhor Jesus Cristo, e de Seu Pai; que disse Jesus de si mesmo — aquele homem que veio ao mundo, e, como dizem as Escrituras, se tornou autor da salvação eterna, para tantos quantos cressem? Que disse ele que veio ao mundo fazer? Nenhuma outra obra, senão o que viu Seu Pai fazer. ¶
Veio fazer a vontade de Seu Pai. O que se diz dele? "O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade." Foi porque amava a retidão, e odiava a iniquidade, que foi preferido a seus companheiros, e ungido com o óleo de alegria acima deles. O que se havia feito com Seu Pai? Disse Jesus de si mesmo que estava no sol, e na lua, e que era o princípio que iluminava nosso entendimento? Não, não disse isso, mas disse que qualquer homem que os tivesse contemplado teria visto Deus movendo-se em majestade e poder. ¶
O que diz ele de si mesmo? Diz: "Santidade é meu nome." Suponde que o mudemos um pouco, e digamos que era um homem santo; isso muda em algo os fatos do caso? Não; ele era, simplesmente, um homem santo. Como veio a ser santo? Exatamente como vós e eu havemos de nos tornar santos, se algum dia o formos. O que o constituiu homem santo? Simplesmente, o ser ele guiado por influências santas, o estar continuamente empenhado na prática de obras santas e retas; isto o fez homem de santidade. ¶
Novamente ele disse: "Homem de Conselho é meu nome"; porque sempre esteve sujeito ao conselho. Veio a este mundo para ministrar ao homem, e deu sua vida por ele, porque era homem de conselho. Veio salvar o homem, porque era homem de conselho; e pregou a verdade, porque era homem de conselho. Eram as perfeições com que estava revestido inerentes a ele? Digo que não, porque as Escrituras dizem que não; foi aperfeiçoado pelo sofrimento, informam-nos. ¶
Poderíamos chamá-lo experiência, pois ele aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. Pois bem, então, exige-se de nós que sejamos perfeitos, mesmo como ele é perfeito, e ele exigiu de Seus discípulos, que estavam com ele, que fossem perfeitos, mesmo como seu Pai nos céus é perfeito. Isto nos abre esta visão do assunto. Jesus nada tinha, senão o que obtivera, por mais vasto e amplo que fosse o poder de que estava revestido. A capacidade que o tornou suficiente para a realização da grande obra que realizou foi o resultado de reunir em torno de si, da grande fonte de verdade, aquela quantidade de compreensão da vasta infinitude da verdade, que o revestiu da capacidade que possuía. ¶
Este é o caminho pelo qual devemos viajar como santos de Deus, no qual devemos buscar a salvação, e reunir, da mesma rica fonte, a soma de nossa felicidade, grandeza e glória. Deus não era grande demais para beber da mesma fonte, e dela tirar tudo o que possuía de poder, grandeza e glória. Aquilo que constitui Sua glória constitui a grandeza, o poder, a força e a majestade de todos os que progridem, e são revestidos do mesmo princípio. Que o Pai de Jesus Cristo não era de modo algum muito diferente dele mesmo é evidente pelo que ele disse; veio a se tornar quase igual a Seu Pai, e é declarado, em virtude de sua obediência, herdeiro de toda a herança de Seu Pai. Diz que veio fazer as mesmas coisas que viu Seu Pai fazer. ¶
Então, se desejamos ler a história de Seu Pai, temos apenas de ler a história do Filho; pois, ao ler a história do Filho, também lemos a história do Pai; e Jesus Cristo nos disse, a nós, seus irmãos, que esta é a vida eterna, conhecer o único Deus vivo e verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou. A que leva isso? Não apenas a saber que tinham a verdade, mas a entender e compreender o princípio sobre o qual a possuíam; se era verdade inerente — que neles habita desde toda a eternidade, sem princípio nem fim, na história de sua existência — quando começaram a adquirir conhecimento, e se adquiriram o conhecimento desta grande verdade, como nos é ensinado a adquiri-lo. ¶
Ora, que este era o mais alto objetivo tido em vista na proclamação do Evangelho — em sua revelação à humanidade — é para mim óbvio, é tão claro para mim quanto qualquer outra coisa que possa ver. Porque, quando o homem aprendeu a verdade, a respeito de todas estas coisas, há algo mais que possa aprender? Não. É a vasta infinitude da verdade que refletiu luz suficiente ao nosso redor, para abrir nossa mente, e nos capacitar a conceber nada mais alto, mais nobre, nada que possua maiores excelências do que, simplesmente, a própria verdade. ¶
Falamos de santidade, e glória, e poder, e força, mas não há poder senão o que vem da verdade, nem grandeza, nem incontaminada bem-aventurança, senão o que vem da verdade. Ela abrange a soma de todas as excelências combinadas em toda a extensão da existência universal; quer se aplique a um grão de pó, ou a uma montanha; a um único planeta, a um universo, ou a uma associação de universos. ¶
Aprender a verdade é a melhor coisa que podemos fazer, é uma busca carregada do maior bem para nós, pois há de nos trazer a salvação, e nos conferir a bem-aventurança, e a bênção plena daquele estado; e nos capacitar a apreciá-la, pois teremos a luz da verdade para descobrir as coisas como existem ao nosso redor. E esta é, de fato, nossa felicidade, glória e força. O que podemos ver mais, do que quando primeiro ouvimos o som do Evangelho? ¶
Consideremos — nós, que tivemos os privilégios e bênçãos que muitos não desfrutaram; nós, que temos a experiência de vinte anos, desde que primeiro ouvimos o Evangelho explicado, comentado; desde que primeiro nos foi sugerido que os céus foram propícios, ao enviar um convite aos filhos errantes da terra, para retornarem de seu vaguear, e se colocarem sob a tutela que o céu instituiu, para desenvolver neles um perfeito conhecimento dos princípios da verdade. Digo eu, o que sabemos mais hoje do que então? Que capacidade possuímos mais? Diz um: "Sei muito mais, e somos capazes de realizar mais agora do que poderíamos então." É, simplesmente, porque sabemos mais verdade, e, em sua aplicação, podemos ocupar um campo mais amplo, e estamos preparados para enfrentar maior variedade de circunstâncias, e, sob todas elas, sermos capazes de aplicar a verdade, e criar circunstâncias que sejam boas e aceitáveis a Deus, para nosso crescimento na verdade, e para o crescimento do reino de Deus sobre a terra. ¶
O reino de Deus está sendo desenvolvido sob a influência do Evangelho. Quão depressa? Tão depressa quanto os verdadeiros princípios se desenvolvem no coração dos homens e mulheres. Tão depressa, e tão amplamente, o reino de Deus é de fato desenvolvido, possui força, e é edificado com materiais sólidos e substanciais, que sobreviverão ao desgaste do tempo, continuando a crescer em força e poder, quando as coisas sublunares já tiverem passado. Ao considerarmos assim a salvação, vemos que seu objetivo é colocar em nossa posse aquilo sem o qual nos é impossível ser felizes. ¶
Pois bem, então, deveríamos estar sujeitos a conselho, e sermos aconselhados? Sim. Aqui há homens que torcem o nariz, e reclamam, porque lhes é exigido estarem sujeitos a conselho. Diz um: "Sei o bastante para cuidar de meus próprios assuntos; não desejo que homem algum administre por mim, não posso suportá-lo; sou independente demais." Ora, tu, pobre alma independente; tu, que és independente demais para aprenderes a verdade; para seres ensinado em teu dever; que independência tens tu? "Oh, tenho o privilégio de andar por este mundo respirante como me apraz; e não me deixarei controlar?" Não te deixarás; mas digo que te deixarás, e és controlado, e essa é justamente a razão pela qual dizes o que dizes, e fazes o que fazes; és controlado a cada instante de tua vida, e ainda assim dizes que não és. Não és independente, jamais foste, e jamais serás. Tal ser não existe dentro do alcance da história do homem. Os próprios princípios sobre os quais existimos nos tornam objetos de dependência. ¶
Conheço a história daquele homem independente. Qual é? É a história de todo homem que vem ao mundo. O homem vem ao mundo mendigo, nu, destituído, e a mais completa amostra de dependência e pobreza que jamais se pôs em cena na existência humana. Poderia ele ajudar a si mesmo, vestir sua nudez? Não. A primeiríssima coisa de que precisou, ao olhar para esta terra, teve de tomar emprestada da atmosfera, que Deus lhe havia preparado antes que ele aqui chegasse. ¶
E, não fosse pelas provisões de seu grande benfeitor, teria nascido apenas para perecer na manhã de seus dias. Assim é o homem que nos diz ser independente. É independente demais para ser ensinado e instruído. Digo eu, o que sabia ele, ou o que podia fazer, nos dias de sua infância? O mais humilde inseto rastejante, que se arrasta pela poeira da terra, era tão independente quanto ele, e tinha mais ajuda para si mesmo. Falar em independência; esqueceu-se de que nasceu, e essa é a dificuldade. Não apenas ignora a verdade, mas tem fechado os olhos a ela o tempo todo, desde que está no mundo. ¶
Esqueceu-se de que nasceu nu e desamparado. Suponho que pense que nasceu envolto em vestes de seda, quando pensa nisso, porque talvez as tenha vestido desde então. Não sei se não pensa que nasceu com as joias que adornam seu corpo, desde que está na terra, ou, como diz o velho ditado, com uma colher de prata na boca. ¶
É independente, diz ele. O que fez, em primeiro lugar? Teve de ser embalado no desamparo, e cuidado. É à ansiedade e ao terno cuidado de uma mãe que deve sua vida, a perpetuação de seu ser sobre a terra. Quando chegou à idade suficiente para tirar seu sustento, e os meios para manter seu ser, de outras fontes, comeu o pão que a terra produziu — que já ali estava antes dele — não teve mão nenhuma em prepará-lo, come-o, desfruta da bênção que dele flui, e ainda assim olha para o céu, e, como Nabucodonosor de outrora, exclama: "Fiz eu todas estas coisas," de tão independente que é. ¶
Supondo que não houvesse terra para produzir pão para seu sustento, como poderia ter vivido? Supondo que não houvesse mão que houvesse lavrado a terra, e produzido pão como resultado do trabalho. Não era capaz de viajar ao estrangeiro para o buscar, nem podia fabricá-lo. Depende o tempo todo. Aqui o encontramos vestido de finas vestes, desfrutando do lugar que seus semelhantes ocupavam, e homens à direita, e à esquerda, que vão ao seu comando, e vêm ao seu chamado. ¶
Mas o que poderia fazer, supondo que eles não estivessem ali, e ele o único habitante deste vasto mundo? Quanto poderia realizar, provendo meios para seu prazer? Quem seria seu fazendeiro, seu jardineiro, ou seu mecânico? Quem construiria seu palácio, o serviria, e atenderia a suas necessidades? Ninguém. Seria pobre, destituído, nu, sem casa em que morar, destituído das bênçãos da associação, e da bondosa atenção dos amigos. ¶
Ainda assim diz que é independente. Se o é, que viva sozinho; e, quando tiver vivido sozinho seis meses, é provável que caia em si, se tiver pão suficiente para se sustentar até então. ¶
Ao fim daquele tempo, estaria desejando a companhia de um babuíno negro, ou de qualquer coisa remotamente parecida à forma humana. Teria fome e sede de associação com seu semelhante; ver-se-ia miserável sem ela, e exclamaria, como Nabucodonosor, na amargura de sua alma, "Deus é grande e bom." ¶
Jesus Cristo jamais declarou sua independência, de forma alguma. Disse que veio ao mundo — por seus próprios negócios? Não, mas veio fazer a vontade de Seu Pai. Nisto temos um exemplo do que devemos buscar, e de como devemos valorizar os princípios que devemos nutrir dentro de nós. A verdade está diante de nós, e cabe a nós aprendê-la. Esta é a grande chave para nossa felicidade; e, quando tivermos aprendido toda a verdade, obteremos toda a nossa salvação. O que não nos ensina a verdade não nos confere a salvação; é o que nos ensina a verdade, e nos capacita a compreendê-la, que é a salvação para nós. ¶
Não me importo como seja obtida, ou onde seja encontrada, seja em nosso trabalho, ou em nossos momentos de descanso, e horas de reflexão, estudo e contemplação. A voz da verdade está em toda parte. É apenas a voz daquele Espírito Santo, que devia fazer — o quê? Conduzir-vos a vós, e a mim, e a todos os demais que fizeram convênio com Deus de guardar Seus mandamentos, a toda a verdade. ¶
Que tipo de mestre é aquele Espírito Santo? Qual é sua capacidade? A capacidade que é obrigado a ter; a menos que haja uma falsidade ligada à declaração de fazer o que promete fazer. O que é isso? Não me conduzir a uma parte da verdade, e então parar, até ter aprendido o resto, mas conduzir-me a toda a verdade. É isso o que é prometido, e o que se declara ser o ofício do Espírito Santo. ¶
Podeis pensar num princípio que seja universal, e infinito em sua extensão; não havendo espaço algum que não esteja preenchido por ele; nenhuma criação que não deva sua existência a seu poder e influência? Pensai nisso, e perguntai a vós mesmos: quem é, e o que é, que pode vos conduzir a toda aquela vasta infinitude de verdade, senão aquele princípio. ¶
Podeis ter alguma ideia do que é o Espírito Santo, que há de desempenhar este ofício para vós e para mim, de nos conduzir a toda a verdade; ou, em outras palavras, o Espírito Santo? Se nos conduz a toda a verdade, ele mesmo há de compreender toda a verdade, ou não poderia ali nos conduzir. ¶
Quando tivermos este Espírito habitando em nós, para ser nosso constante companheiro, e nosso instrutor, cresceremos em graça, e no conhecimento da verdade; porque cada dia nos desvendará novos tesouros de verdade; nosso campo de verdade se tornará cada vez mais amplo, e, consequentemente, abrangerá mais dos fatos da natureza, tais como existem hoje, do que ontem; e, desta maneira, acrescentaremos conhecimento a conhecimento, verdade a verdade, para compor aquela soma que nos tornará capazes de realizar tudo o que é requerido para nossa felicidade, até que talvez se estenda a uma vasta infinitude ilimitada. ¶
Ora, desejo que cultiveis e nutrais em vós um amor e uma consideração por Seu Espírito. Já vos foi exortado repetidas vezes que vivêsseis de modo que o Espírito da verdade — o Espírito Santo — habitasse convosco, e fosse vosso constante companheiro. Deveríeis cultivar aquela condição de sentimento que é afim ao Espírito Santo. ¶
Deveríeis banir toda mesquinhez de alma; e banir todas as concepções escassas e magras; e aprender que a infinitude da verdade não tem limites. E, quando já tiverdes nutrido essa concepção, não calculeis que há algo mais, maior; pois nada pode ser maior do que o que não tem limites — que preenche a imensidão do espaço. Por quê? Simplesmente, porque não há espaço para nada maior. ¶
Essa é a razão pela qual o "mormonismo" é maior do que tudo o mais. Ora, ide então apostatar, sim, vós, pobre e independente classe de Santos dos Últimos Dias. Mas para onde ireis, pois não podeis ultrapassar o alcance do "mormonismo," ainda que morrais e vades ao inferno? ¶
O velho Davi estava convencido disso, pois disse: "Se tomo as asas da manhã, e voo às partes mais remotas do céu, ali estás tu; se desço ao inferno, para sair de vista, eis que ali estás tu também." Havereis de apostatar, pensando encontrar algo melhor do que o "mormonismo." Onde se sustenta esse algo? Gostaria de ver o fundamento sobre o qual se baseia. ¶
O "mormonismo" se estende a uma infinitude sem limites; não há lugar onde não esteja; nenhuma existência que não exista por sua influência e poder. Se tem vida, é por ele vivificada. Se possui luz, é por ele iluminada. Continuarei com o "mormonismo"; embora saiba pouco a respeito dele, aprendi o suficiente para me convencer de que não há espaço para mais nada. Tudo o que tenho a fazer é viver, e ampliar meu conhecimento dele; aumentar minhas explorações através de suas várias ramificações. ¶
Espero percorrê-las através do vasto futuro de meu ser, reunindo conhecimento. Jamais espero sair para fora do "mormonismo"; abandonei há muito a ideia de algum dia apostatar, para dele me livrar. ¶
Aconselharia a vós, que tendes tais pensamentos, a abandonardes a ideia, pois é uma longa jornada; jamais chegareis ao fim dela. Depois de terdes travado muitas batalhas árduas contra os direitos da verdade e suas convicções, hei de vos encontrar em vosso vaguear, e ainda assim vos encontrarei dentro do "mormonismo"; e vivereis dentro dele; não me importa aonde vades, não podeis vos livrar dele. ¶
Aconselharia a vós que abandonásseis todas as ideias de apostatar. Suponde que acordásseis de vosso sono, e tentásseis meu plano de obter conhecimento pleno da verdade. Suponde que o tentásseis por vinte anos; sede fiéis a Deus, tratai honestamente convosco mesmos e com vosso vizinho, por tanto tempo; amai a Deus por tanto tempo, e cultivai um amor pela verdade por tanto tempo, e isso há de operar uma grande mudança em vós. E provavelmente estareis, àquela altura, tão apegados à verdade quanto ao vosso chá, café e tabaco; não porque os amásseis quando nascestes, ou tivésseis gosto natural por eles, mas porque os amastes por dez, vinte, ou trinta anos. ¶
Não despertam e os esquecem, nem vão ao campo, e voltam para casa, e os esquecem, porque a lembrança deles se fixa pelo longo uso; tornaram-se um princípio de sua vida e de seu ser, por assim dizer. Não desejaríeis que o plano de salvação se tivesse assim fixado em vós? Não seríeis muito mais felizes do que agora sois? ¶
Suponho que este seja o caso de alguns. Espero que sim, ao menos. Desejais um amor pela verdade, que é a única coisa que vos assegurará êxito, como Santos dos Últimos Dias, pois, se não tiverdes o amor por ela dentro de vós, não podereis apreciá-la; e, se não a apreciardes, a trocaríeis por um pequeno bolo doce, ou por qualquer coisa fútil, porque o amor por ela jamais se fixou em vossas afeições. ¶
Quando apreciardes a verdade assim — como valendo tudo o que podeis dar ou trocar por ela — então estareis seguros; e, enquanto continuardes a amá-la, não apostatareis. Mas, se começardes a ficar descontentes, cuidado, ou apostatareis. Dizeis: "Gosto do 'mormonismo' tanto quanto sempre gostei, mas não gosto deste país." Dizeis a verdade, creio, mas jamais o crestes com bastante firmeza; se o tivésseis feito, teríeis amado este país, para onde o dever vos chamou; ou qualquer outro país, para onde o interesse da causa da verdade vos chame. Por quê? Porque ali está vosso interesse; ali está o que amais, e ali está a recompensa que buscais. Deveríeis ter o "mormonismo" firmemente preso a vossas afeições, de modo a ocupar toda a afeição da alma, até que o amor pela verdade se dissemine por todo o vosso ser. ¶
Quero que vigieis estas coisas, e não apostateis. É um negócio ruim, e não vos faz bem algum. Permanecei firmes nos convênios que fizestes, e aprendei a verdade dia a dia, e obtende conhecimento continuamente. Se pensasse que há algo mais, ou melhor, do que o "mormonismo," algo que vos fizesse mais bem, falaria a respeito. ¶
Não me dirigi a vós exatamente como me dirigiria a outro povo, sob outras circunstâncias. Muitos de vós já estão há muito tempo no "mormonismo," e têm considerável experiência nele, e novamente alguns têm apenas alguns anos de experiência, em que aprender e ser instruídos. ¶
Pois bem, como Santos dos Últimos Dias, deveríeis aprender que não sois independentes, mas dependentes o tempo todo, que tendes a verdade para aprender. Apenas a adotastes, e dissestes em vosso coração que o testemunho dos servos de Deus é verdadeiro. Talvez tenhais recebido as manifestações do Espírito Santo, que vos deram testemunho, e trouxeram a vosso entendimento coisas que vos foram prometidas. Mas isto é apenas o começo da verdade, ainda está tudo diante de vós, apenas compreendeis um pouco dela; simplesmente compreendeis o fato de que há um sistema de salvação. ¶
Estais vivendo hoje no desfrute daquela liberdade das trevas, da dúvida, e da incerteza, que é apenas o resultado de uma perfeita compreensão da verdade, que satisfaz a alma, e a alivia de todas as suas ansiedades e cuidados? Desfrutais disso hoje? Entendeis plenamente os princípios do "mormonismo"? Se falardes honestamente, hei de me dizer que não. ¶
Buscai aprendê-los. Este é o dever que se apresenta diante de vós; nele consiste vosso trabalho futuro. Fostes batizados para a remissão dos pecados, como sinal do convênio que fizestes, de que despiríeis o velho homem e seus feitos; de que morreríeis segundo os rudimentos do mundo, que influenciaram vossa vida anterior, e seguiríeis os rudimentos de Cristo. ¶
Estais crescendo em graça, e no conhecimento da verdade? Estais vos tornando mais e mais inteligentes? Viveis a verdade mais hoje do que no ano passado, na semana passada, ou há cinco ou dez anos, quando primeiro a ouvistes? Compreendeis mais dela? Se não, não estais crescendo em graça, nem no conhecimento de Deus, e da verdade. ¶
Obedecei à Palavra de Sabedoria. "Quereis dizer que não devo beber chá, nem café?" Não me importa se o fazeis ou não. Não considero que obedeçais à Palavra de Sabedoria, simplesmente, por não beberdes chá e café. Talvez não possais obtê-los. Já vi tempos em que os bebia, quando era difícil obtê-los, e quando não os usava, quando poderia tê-los obtido. ¶
Não vos trabalheis até a morte, mas tentai viver por muito tempo, e aprendei a correr sem vos cansardes, a andar sem desfalecerdes. Pensais que deixar de lado o chá e o café, apenas isso, vos capacitará a escalar as montanhas, e superar a cabra montesa em rapidez? É tão verdade que o cansaço é consequência do trabalho excessivo quanto que Deus vive e reina. Manifesta-se em vós e em mim, e em toda outra parte de Sua obra. Guardai a Palavra de Sabedoria; e, se quereis correr sem vos cansardes, andar sem desfalecerdes, chamai-me, e vos direi como — simplesmente, parai antes de vos cansardes. ¶
A Palavra de Sabedoria foi dada como um princípio, com promessa; como regra de conduta, que capacitasse o povo a economizar seu tempo, e a se administrar e controlar, de modo a não comer nem beber em excesso, nem usar o que lhes é prejudicial; que fossem temperantes em todas as coisas, no exercício do trabalho, assim como em comer e beber. Vesti-vos apropriadamente, se puderdes. Exercitai-vos apropriadamente, se puderdes, e fazei o que é certo em tudo. ¶
Não detenhais a obra de aperfeiçoamento e reforma, para prestar atenção a pequenas coisas indignas de vossa atenção, mas deixai-a se estender por todo o círculo de vosso ser, deixai-a alcançar toda relação da vida, e toda ocupação e dever abrangidos em vossa existência. ¶
Deixai-a afetar vosso pensamento, e os sentimentos que cultivais, e que não haja nada pertencente a vosso ser que não seja por ela influenciado. A Palavra de Sabedoria, por si só, vos salvaria, se apenas a guardásseis, no verdadeiro sentido e espírito dela, compreendendo o propósito pelo qual foi dada. ¶
Alcança tudo o que afeta vossa felicidade. Prossegui, então, e observai a Palavra de Sabedoria. Que vos diz a sabedoria? Deixai o chá e o café, e abstende-vos daquilo que sobrecarregaria a força de vosso organismo, e favoreceria as invasões da doença, e encurtaria vossos dias, e assim limitaria a extensão de vossa utilidade. ¶
Estudai para vos salvardes. Aquilo que salva vossa vida, e prolonga vossos dias, é salvação. E aquilo que preenche vossos dias com a prática do bem é salvação — ajuda a compor a soma de vossa salvação. ¶
Desejo que a considereis deste ponto de vista, e sejais influenciados pelo espírito da verdade, cultivai-o nas fontes de vossos sentimentos, e ele há de dar bom caráter à vossa conduta. ¶
Isto será viver vossa religião todo dia, em tudo o que fizerdes; nada tereis a fazer fora de vossa religião. ¶
Que tenhais sabedoria, agora, para adotardes este modo de vida, e vivais para desfrutar das bênçãos que hão de vir de sua adoção, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶