Pulpit

Fé—Religião Prática—Repreensão—A Necessidade dos Ímpios

Brigham Young

1855 October General Conference·1855-10-06

Um Sermão do Presidente Brigham Young, Proferido na Bowery, Great Salt Lake City, 6 de outubro de 1855. Relatado por G. D. Watt.

Visto que nos reunimos na qualidade de uma Conferência para tratar de negócios, deveríamos buscar seriamente desfrutar do espírito de nosso chamado. Somos chamados a ser Santos, e se tivermos o espírito de Santos teremos o espírito de nosso chamado, do contrário certamente não desfrutamos dos privilégios que o Senhor deseja que tenhamos. O Senhor está pronto e disposto a dar Seu Espírito àqueles que são honestos diante dEle, e que buscam seriamente desfrutá-lo.

Se os Santos, reunidos para adorar o Senhor e tratar de negócios pertencentes a Seu reino, não tivessem o auxílio de Seu Espírito, seria provável que cometessem erros, seria de fato estranho se não o fizessem, e fariam aquilo que não deveriam, mesmo nas transações de negócios; ficariam aquém de realizar seus próprios desejos, e, é claro, muito mais aquém de cumprir os desígnios do céu. Vemos muitos serem desencaminhados, porque não retiveram o espírito de Cristo para guiá-los.

Quando alguém deste povo, que crê no Evangelho, abandona o dever que deve a Deus e a Sua causa, é imediatamente cercado por uma influência que o faz absorver aversão aos Santos e à conduta dos Santos; recebe um falso espírito, e então os Santos não podem fazer o que é certo a seus olhos, os ministros de Deus não podem pregar corretamente nem agir corretamente, e logo desejam deixar a sociedade dos Santos, e isso também, como supõem, com coração e vida santificados. Desejam retirar-se deste, a seu ver, povo ímpio, imaginando que todos são ímpios exceto eles próprios, e desejam separar-se até que o povo seja tão santo quanto se lisonjeiam de ser eles mesmos, quando calculam que voltarão de novo. Outros perderão o espírito de seu chamado, e perceberão que o perderam; são ímpios, e o sabem, e terão mais confiança em outros do que em si mesmos. Mas os autojustos se afastarão e esperarão até que nós, como povo, sejamos santificados e capazes de suportar sua presença, e pensam que então talvez voltem a ajuntar-se entre nós.

As pessoas estão sujeitas, de muitas maneiras, a serem desencaminhadas pelo poder do adversário, pois não compreendem plenamente que é coisa difícil para elas distinguirem sempre as coisas de Deus das coisas do diabo. Há apenas uma maneira pela qual podem conhecer a diferença, e é pela luz do espírito de revelação, mesmo o espírito de nosso Senhor Jesus Cristo. Sem isso, todos estamos sujeitos a sermos desencaminhados e a abandonarmos nossos irmãos, abandonarmos nossos convênios e a Igreja e reino de Deus na terra.

Se todo o povo negligenciasse seu dever e ficasse aquém de realizar as coisas requeridas de suas mãos, perdesse a luz do Espírito do Senhor, a luz do espírito de revelação, não conheceria a voz do Bom Pastor da voz de um estranho, não conheceria a diferença entre um falso mestre e um verdadeiro, pois muitos espíritos saíram pelo mundo, e os falsos espíritos estão dando revelações assim como o Espírito do Senhor. Sabemos disso; sabemos que há muitos espíritos ilusórios, e a menos que os Santos dos Últimos Dias vivam à altura de seus privilégios, e desfrutem do espírito do santo Evangelho, não podem discernir entre aqueles que servem a Deus e aqueles que não O servem. Consequentemente, cabe a nós, como Santos, apegarmo-nos ao Senhor com todo o coração, e buscá-Lo até desfrutarmos da luz de Seu Espírito, para que possamos discernir entre os justos e os ímpios, e compreender a diferença entre falsos espíritos e verdadeiros. Então, quando virmos uma apresentação, saberemos de onde vem, e compreenderemos se é do Senhor, ou se não é dEle; mas se o povo não estiver investido do Espírito Santo, não poderá dizê-lo, portanto cabe a nós ter o Espírito do Senhor, não apenas para pregar e orar, mas para nos capacitar a refletir e julgar, pois os Santos hão de julgar nestes assuntos. Hão de julgar não apenas os homens, hão de ser juízes não apenas na capacidade de uma Conferência para decidir o que se fará, que rumo se seguirá para promover o reino de Deus, que negócios se tratarão, e como se tratarão, e assim por diante, mas na verdade julgarão anjos.

Sentamo-nos aqui como juízes, e suponde que negócios que se provassem prejudiciais a este povo fossem agora apresentados para que decidissem sobre eles, ou suponde que os líderes deste povo tivessem abandonado o Senhor e introduzissem, por egoísmo, algo que militasse contra o reino de Deus na terra, algo que no desfecho realmente destruísse este povo, como haveríeis de detectar o erro e distingui-lo do certo? Não podeis fazê-lo, a menos que tenhais o Espírito do Senhor. Desfruta o povo desse Espírito? Sim, muitos deles o desfrutam. Desfrutam-no em tão grande grau quanto é seu privilégio? Alguns poucos o fazem, ainda assim penso que o povo em geral poderia desfrutar de mais do Espírito Santo, mais da natureza e essência da Divindade, do que desfruta. Sei que têm suas provações, sei que têm o mundo com que lutar, e são tentados, e sei o que têm de combater.

Mas perguntemo-nos individualmente se travamos esta guerra a tal grau que de fato vencemos em cada instância? Em cada contenda saímos vitoriosos? Aqui temos de lidar com nossas paixões; aqui está a natureza decaída, da qual jamais nos livraremos até que nos deitemos na sepultura, está semeada na carne e ali permanecerá, mas é nosso privilégio vencer isso, e trazê-la à sujeição em nossas reflexões, em nossas meditações, e em todo o labor que realizamos, embora possamos ser provados, tentados, e esbofeteados por Satanás. É nosso privilégio ter poder para reinar, governar, e trazer à sujeição até mesmo nossas paixões momentâneas; sim, é nosso privilégio viver e vencê-las de tal modo que jamais tivéssemos uma tentação de pensar mal, ou ao menos jamais falássemos antes de tomarmos tempo para pensar, mas tudo estivesse sujeito à lei de Cristo. Vivemos à altura deste privilégio?

Pode o povo perguntar, não somos bons Santos? Sim, posso dizer que este povo é um bom povo, e desejam ser Santos, e muitos deles se esforçam por ser Santos, e muitos deles são Santos. Reconheço as fraquezas dos homens; não ignoro minhas próprias fraquezas, e é por isso que aprendo a respeito de todos os outros, suas disposições e as operações do espírito sobre os habitantes da terra; conhecer a humanidade é conhecer a mim mesmo.

Este é um bom povo, é um povo reto; contudo há alguns que estão cheios de tolice, há alguns inclinados a fazer o mal e que parecem amar a iniquidade; há alguns cheios de idolatria, e parece que lhes é impossível vencer o espírito do mundo, deixar de amá-lo e de apegar-se a ele e às coisas do mundo. Apelo ao povo como juízes—sois capazes de julgar em assuntos pertencentes ao reino de Deus na terra, a menos que tenhais o Espírito da verdade dentro de vós?

Alguns podem dizer, "Irmãos, vós que conduzis a Igreja, temos toda a confiança em vós, não temos o menor receio de que tudo não corra bem sob vossa superintendência; todos os assuntos de negócios serão tratados corretamente; e se o irmão Brigham está satisfeito com isso, eu estou." Não desejo que nenhum Santo dos Últimos Dias neste mundo, nem no céu, esteja satisfeito com qualquer coisa que eu faça, a menos que o Espírito do Senhor Jesus Cristo, o espírito de revelação, o faça satisfeito. Desejo que saibam por si mesmos e compreendam por si mesmos, pois isso fortaleceria a fé que há neles. Suponde que o povo fosse descuidado, que não manifestasse preocupação alguma com as coisas do reino de Deus, mas lançasse todo o fardo sobre os líderes do povo, dizendo, "Se os irmãos que cuidam dos assuntos estão satisfeitos, nós estamos," isto não é agradável aos olhos do Senhor.

Todo homem e mulher neste reino deveria estar satisfeito com o que fazemos, mas jamais deveria estar satisfeito sem perguntar ao Pai, em nome de Jesus Cristo, se o que fazemos é correto. Quando sois inspirados pelo Espírito Santo, podeis dizer com compreensão que estais satisfeitos; e esse é o único poder que deveria fazer-vos exclamar que estais satisfeitos, pois sem isso não sabeis se deveríeis estar satisfeitos ou não. Podeis dizer que estais satisfeitos e crer que tudo está certo, e vossa confiança pode ser quase ilimitada nas autoridades da Igreja de Jesus Cristo, mas se perguntásseis a Deus, em nome de Jesus, e recebêsseis conhecimento por vós mesmos, por meio do Espírito Santo, isso não fortaleceria vossa fé? Fortaleceria. Pouca fé realizará poucas obras; essa é boa lógica. Diz Jesus, "Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a este monte: Passa daqui para acolá; e haveria de passar; e nada vos seria impossível."

Um grão de mostarda é muito pequeno; contudo, se tivésseis fé como um grão de mostarda, e dissésseis a este monte, "Passa daqui para acolá," seria feito; ou àquele sicômoro, "Sê plantado no mar;" ou aos enfermos, "Sede curados;" ou aos demônios, "Sede expulsos;" seria feito.

Suponde que eu tivesse fé como um grão de mostarda, e pudesse fazer as coisas que Cristo disse ser possível fazer por essa fé, e que outro homem no continente da Ásia tivesse a mesma fé, não poderíamos realizar muito porque apenas dois teriam de combater todo o poder de Satanás. Supondes que Jesus Cristo curou toda pessoa que estava doente, ou que todos os demônios foram expulsos no país onde ele peregrinou? Não penso que sim. Realizar milagres, curar os enfermos, ressuscitar os mortos, e coisas semelhantes, eram quase tão raros em seus dias quanto em nossos dias de hoje. De vez em quando o povo tinha fé em seu poder, e o que se chama um milagre era realizado, mas os doentes, os cegos, os surdos-mudos, os loucos, e aqueles possuídos por diferentes tipos de demônios estavam ao seu redor, e apenas de vez em quando sua fé podia ter poder para produzir efeito, por causa da falta de fé nos próprios indivíduos.

Muitos supõem que nos dias do Salvador ninguém estava doente, nas vizinhanças de seus labores, sem ser curado; isto é um engano, pois era apenas ocasionalmente que ocorria um caso de cura de um doente ou de expulsão de um demônio. Mas, além disso, suponde que dois terços dos habitantes de Jerusalém e das regiões circunvizinhas realmente possuíssem fé semelhante no Salvador à que uns poucos possuíam, então é muito provável que todos os doentes teriam sido curados e os demônios expulsos, pois teria havido a predominância de um bom poder sobre as influências más.

Ponde duas pessoas no continente da América, tendo fé como um grão de mostarda, e ponde uma delas situada na costa Atlântica e a outra na costa Pacífica, e a maioria dos doentes permaneceria doente ao redor delas, os moribundos morreriam, e aqueles possuídos por demônios continuariam a ser atormentados, embora de vez em quando um doente pudesse ser curado, ou um cego fizesse enxergar. Ora, dai a cada um desses indivíduos outra pessoa de fé semelhante acrescentada a ele, e farão o dobro da obra; então ponde quatro pessoas no leste e quatro no oeste, todas possuindo fé como um grão de mostarda, e haverá quatro vezes mais realizado do que quando havia apenas uma em cada lugar; e assim vão aumentando seu número nessa proporção até que, aos poucos, todos os Santos dos Últimos Dias tenham fé como um grão de mostarda, e onde haveria lugar para demônios? Não nestas montanhas, pois todos seriam expulsos. Não percebeis que isso seria uma grande ajuda para nós?

Se eu mesmo tivesse poder para curar os doentes, o que não professo ter, ou para expulsar os demônios, poder que não tenho, embora, se o Senhor achar próprio expulsá-los por meu comando, esteja tudo certo—ainda assim, se eu tivesse esse poder, e não houvesse outra pessoa para me ajudar, o povo faria como faz agora, me perseguiria quase até a morte, dizendo, "Não impores as mãos sobre este doente? Não vais à minha casa lá adiante?" e assim por diante. Sou chamado continuamente, embora só vá ocasionalmente, porque é privilégio de todo pai, que seja um Élder em Israel, ter fé para curar sua família, tanto quanto é meu privilégio ter fé para curar a minha; e se não o fizer, não está vivendo à altura de seu privilégio. É tão razoável para ele pedir-me que corte sua lenha e sustente sua família, pois se ele mesmo tivesse fé, pouparia a mim o trabalho de deixar outros deveres para atender a seu pedido.

Que esta fé seja distribuída e torna tudo fácil, mas ponde uma ou duas dúzias de homens a puxar uma carroça contendo cem toneladas de peso, e o trabalho é muito pesado, ao passo que se todos os Santos dos Últimos Dias colocassem os ombros na carga, ela seria movida com facilidade. É com os poderes mentais como é com os físicos, e é por isso que desejo que considereis o assunto, e por isso vos apresento estas coisas. Que os Santos dos Últimos Dias tenham fé e obras, e que abandonem sua cobiça e se apeguem à retidão.

Dei-vos um breve discurso sobre a fé e a religião prática, e agora digo aos Élderes de Israel, aos Bispos das diferentes alas, e aos Presidentes dos diferentes Ramos, se houver algum negócio que desejeis trazer perante esta Conferência, pertencente à comunhão e à conduta de indivíduos, tendes o privilégio de fazê-lo. Costumávamos, há alguns anos, tratar de tais negócios antes de nossa Conferência Geral, e é nosso privilégio fazê-lo novamente, se escolhermos, ou se houver alguma ocasião.

Em todos os Altos Conselhos, nos tribunais dos Bispos, e em todos os outros departamentos para tratar de nossos negócios, a Igreja e reino de Deus, com o Senhor Todo-Poderoso à cabeça, fará com que todo homem exiba os sentimentos de seu coração, pois recordai que está escrito que nos últimos dias o Senhor revelará os segredos dos corações dos filhos dos homens.

Não faz isso o Evangelho? Faz; leva homens e mulheres a revelar aquilo que teria dormido em suas disposições até caírem em suas sepulturas. O plano pelo qual o Senhor conduz este povo os leva a revelar seus pensamentos e intenções, e traz à tona todo traço de disposição oculto em suas organizações. É isto correto? É. Como haveis de corrigir as faltas de um homem, ocultando-as e jamais falando delas, cobrindo toda falta que vejais em vosso irmão, ou dizendo, "Ó, não digais nada sobre suas faltas, sabemos que ele mente, mas não convém dizer nada sobre isso, pois seria terrível revelar tal fato ao povo?" Essa é a política do mundo e do diabo, mas é essa a maneira como o Senhor procederá com o povo nos últimos dias? Não é.

Este é um assunto que parece ser pouco compreendido por alguns dos Santos dos Últimos Dias, pode ser compreendido por uma parte deles, mas outros não o compreendem. Toda falta que uma pessoa tenha será manifestada, para que possa ser corrigida pelo Evangelho da salvação, pelas leis do Santo Sacerdócio.

Suponde que um homem minta, e não ouseis dizê-lo; "Muito bem," diz o homem, "estou seguro, posso mentir tanto quanto quiser." Ele está inclinado a mentir, e se não ousarmos repreendê-lo por isso, ele se abriga sob esse pavilhão, encobre-se com a caridade de seus irmãos, e continua a mentir. Aos poucos roubará um pouco, e talvez um ou dois de seus irmãos saibam disso, mas dizem, "Precisamos encobrir esta falta com o manto da caridade." Ele continua a mentir e a roubar, e continuamos a ocultar suas faltas; aonde isso levará essa pessoa? Onde terminará sua carreira? A lugar nenhum senão o inferno.

Que faremos com tais homens? Revelaremos suas faltas? Sim, sempre que julgarmos certo e apropriado. Sei que é difícil receber repreensão, pois nenhuma repreensão é motivo de alegria, mas penosa no momento em que é dada; mas se uma pessoa receber a repreensão e orar para que o Espírito Santo repouse sobre ela, para que tenha o Espírito da verdade em seu coração, e se apegue àquilo que agrada ao Senhor, o Senhor lhe dará graça para suportar a repreensão, e ela se submeterá e a receberá, sabendo que é para seu bem. Suportá-la-á pacientemente, e, aos poucos, superá-la, e verá que foi repreendida por suas faltas, e banirá o mal, e a repreensão lhe renderá os frutos pacíficos da retidão, porque ela se exercita proveitosamente nisso.

Deste modo a repreensão é um benefício para qualquer pessoa. Concedei que eu tenha uma falta, e deseje ocultá-la, não seria provável que eu a escondesse? E se o Senhor não a revelasse, eu poderia apegar-me a ela, se não tivesse o espírito de revelação para discernir minha falta e suas consequências. Sem a influência do Espírito do Senhor, estou tão sujeito a viver e permanecer em falsos princípios, falsas noções, e ações injustas quanto em verdadeiras. É assim convosco.

Se vossas faltas não vos são dadas a conhecer, como podeis abster-vos delas e vencê-las? Não podeis. Mas se vossas faltas são manifestadas, tendes o privilégio de abandoná-las e de apegar-vos àquilo que é bom. O desígnio do Evangelho é revelar os segredos dos corações dos filhos dos homens.

Quando os homens me insinuam, seja em público ou em particular, que suas faltas não devem ser mencionadas, não sei como os homens de mente mundana se sentem em casos semelhantes, mas, como Elias, quando escarneceu os sacerdotes de Baal, sinto-me a rir e a fazer escárnio de tais homens.

Supondes que eu me curvarei tanto assim diante de qualquer homem neste Território, ou sobre a terra? Supondes que permitirei ser tão amordaçado a ponto de não poder revelar as faltas do povo quando a sabedoria me ditar fazê-lo?

Temo os ímpios muito menos do que temeria um mosquito em meu quarto à noite, pois este me impediria de dormir, mas quanto aos injustos, aqueles que agirão como vilões e se conduzirão pior que o diabo, insinuar que não tenho o privilégio de falar de suas faltas me faz sentir vontade de rir de sua tolice. Falarei das faltas dos homens quando e onde me aprouver, e o que ireis fazer a respeito?

Sabeis que foi exatamente esse princípio que causou a morte de todos os Profetas, desde os dias de Adão até agora? Deixai que um Profeta se levante sobre a terra, e jamais revele os males dos homens, e supondes que os ímpios desejariam matá-lo? Não, pois ele deixaria de ser um Profeta do Senhor, e o convidariam para seus banquetes, e o saudariam como amigo e irmão. Por quê? Porque lhe seria impossível ser outra coisa senão um deles. É impossível para um Profeta de Cristo viver numa geração adúltera sem falar da iniquidade do povo, sem revelar suas faltas e suas falhas, e nada menos que a morte o deterá disso, pois um Profeta de Deus fará o que lhe aprouver.

Fui pregado, suplicado, e escrito, para que tivesse cuidado em como falo das faltas dos homens, mais do que jamais teve Joseph Smith em sua vida; a cada semana ou duas recebo uma carta de instrução, advertindo-me a ter cuidado com o caráter deste ou daquele homem. Alguma vez já tivestes o Espírito do Senhor, de tal modo que vos sentistes cheios de alegria, e como que a querer saltar e gritar aleluia? Sinto-me assim quando tais epístolas me chegam; sinto-me a dizer, "Não peço favor algum a vós, nem a todo o vosso clã deste lado do inferno."

Tenho sábios irmãos ao meu redor que às vezes dirão, "Não digais isto ou aquilo, sede muito cuidadoso, agora sede cauteloso;" e me escreveram do leste; tenho pacote após pacote de cartas, sim, uma carroça de mão cheia delas, dizendo, "Ó, irmão Brigham, eu suplicaria e oraria e imploraria a vós, se apenas ousasse, para que fôsseis cuidadoso em como falais. Não seria melhor este ou aquele rumo do que subirdes à tribuna, e dizer aos gentios o que são? Não seria melhor guardardes isto para vós mesmo?"

Sabeis como me sinto quando recebo tais comunicações? Vou dizer-vos, sinto-me exatamente como que a esfregar-lhes os narizes com elas. Se não hei de ter o privilégio de falar de Santo e pecador quando me aprouver, amarrai-me a boca e deixai-me ir para a sepultura, pois minha obra estaria terminada.

Foi por isso que mataram Joseph e Hyrum, é por isso que desejam matar a mim e a meus irmãos; conhecemos sua iniquidade, e a diremos quando o Espírito ditar, ou falaremos sobre esta, aquela, ou outra pessoa e conduta no momento apropriado.

Há pessoas em nosso meio que resmungam contra este procedimento, e ao mesmo tempo têm males que penso mal merecerem nota, pois não penso que tais pessoas prestarão para muita coisa mesmo que consigam entrar no reino dos céus, embora suponha que sejam boas em seu lugar, se pudermos descobrir onde é, mas até agora o ignoro; presumo que o Senhor sabe onde é, mas eu não sei. Desejo dizer aos Élderes de Israel, a todo o povo, falarei de vossa iniquidade e falarei de vós exatamente como me aprouver, e quando sentirdes vontade de me matar por fazê-lo, como fizeram algumas das pessoas que se chamavam irmãos nos dias de Joseph Smith, cuidai de vós mesmos, pois falsos irmãos foram a causa da morte de Joseph, e eu não sou um homem muito reto. Tenho dito aos Santos dos Últimos Dias desde o princípio que não professo grande retidão, mas professo conhecer a vontade de Deus a vosso respeito, e tenho ousadia suficiente para dizê-la, destemido de vossa ira, e presumo que é por essa razão que o Senhor me chamou para ocupar o lugar que ocupo; sinto-me tão independente quanto um anjo.

Alguns de vós já fostes levados perante o Sumo Conselho, acusados desta ou daquela falta, e dizeis que é demais para vós, que não podeis suportá-lo. Mas tendes de suportá-lo, e se não o fizerdes, decidi-vos a ir para o inferno de uma vez e terminar com isso. Se desejais ser Santos, deveis ter vossos males removidos e vossas iniquidades expostas, isso deve ser feito se permanecerdes no reino de Deus. Se fizerdes o mal, e for manifestado perante o Sumo Conselho, não resmungueis a respeito, nem choraminguéis sobre vosso amado e precioso caráter, mas considerai que não tendes nenhum; essa é a melhor maneira de lidar com isso. Miríades me caluniaram desde que estou nesta Igreja, e me perguntaram, "Irmão Brigham, ides suportar isto? Não sabeis que tais e tais pessoas estão caluniando vosso caráter?" Disse eu, "Não sei se tenho caráter algum, jamais parei para perguntar se tenho um ou não." Cabe a mim seguir um rumo que edifique o reino de Deus na terra, e podeis tomar meu caráter como bem quiserdes, não me importo o que fizerdes com ele, contanto que mantenhais as mãos longe de mim.

Se sois levados perante o Sumo Conselho, ou perante um tribunal do Bispo, e se prova perante qualquer um desses tribunais que sois cobiçosos, não vos irriteis nem fiqueis tão exaltados que estejais prestes a explodir. Posso julgar próprio expor alguns homens que não pagaram seu dízimo; ora, se ides ficar nervosos por isso e temerdes explodir, avisai-me, e deslizaremos uma casca de ovo sobre vós e vossos preciosos caracteres. Que preciosos caracteres alguns de vós tínheis em Gales, na Inglaterra, na Escócia, e talvez na Irlanda.

Não vos assusteis se for provado contra alguns, perante o tribunal do Bispo, que roubastes as varas da cerca da horta de vosso vizinho. Se o fizestes, seria muito melhor para vós levantar-vos imediatamente e admiti-lo, pois na realidade já perdestes vosso caráter diante de Deus, dos anjos, e dos homens, e então abstende-vos de tais males e procurai estabelecer um bom caráter. Seria melhor para vós fazer isso, do que ficar zangado quando vossas faltas forem manifestadas. Se se provar perante o Sumo Conselho que roubastes um boi, não fiqueis zangados, mas levantai-vos e reconhecei que o roubastes.

Se se provar que fostes à pilha de lenha de alguma pessoa e roubastes lenha, não vos assusteis, pois se ides roubar, isso deve ser manifestado. Alguém pode dizer, "Ora, não pensei que os Santos fossem culpados de tais atos!" Nem eu tampouco. Tais crimes são cometidos por pessoas que se ajuntam com os Santos, para prová-los, para afligi-los e importuná-los, e conduzi-los a seu dever. Não supondes que seja necessário ter ímpios misturados conosco, para fazer de nós Santos? Ainda somos obrigados a ter ímpios em nossa comunidade, não poderíamos edificar o reino sem eles. Muitos de vós sabeis que não podeis obter vossa investidura sem que o Diabo esteja presente; de fato, não podemos fazer progresso rápido sem os ímpios. Sei que assusta o mundo sectário reto pensar que temos tantos ímpios conosco, tantos pobres e miseráveis maldosos. Bendito seja vossas almas, não poderíamos prosperar no reino de Deus sem eles. Precisamos ter entre nós aqueles que roubarão as varas de nossa cerca, que irão roubar feno da meda de feno de seu vizinho, ou entrar em seu milharal para roubar milho, e deixar a cerca caída; quase todo machado que é deixado no desfiladeiro deve ser apanhado por eles, e as dezenas de relógios perdidos, anéis de ouro, alfinetes de peito, etc., devem cair em suas mãos, embora não os usem à vossa vista. É essencialmente necessário ter tais caracteres aqui.

Depois de termos dado aos irmãos uma tal esfregada há dois ou três meses, sobre devolver propriedade perdida quando encontrada, um ou dois homens trouxeram dois ou três pregos enferrujados sem valor algum, que haviam apanhado; isto equivalia a dizer ao irmão Sprague, "Se tivéssemos encontrado vossa bolsa, ou se tivéssemos encontrado a bolsa de Brigham, veríamos vós no inferno antes de devolvê-la." Desejamos impressionar-vos com a necessidade de trazerdes o machado que encontrardes, o forcado de feno, ou qualquer outra propriedade perdida que encontrardes, à pessoa designada para cuidar de tal propriedade, para que os proprietários possam voltar a possuí-la. Mas se apanhardes um pedaço de madeira podre, e o trouxerdes ao irmão Brigham, ou ao Dr. Sprague, com aparência de honestidade, e em escárnio do conselho que recebestes, seria como dizer, "Se pudéssemos encontrar ou roubar vossas bolsas, jamais as veríeis de novo. Somos pobres e miseráveis ímpios, e pretendemos viver aqui roubando dos Santos, e nada podeis fazer a respeito."

Vivei aqui, então, pobres e miseráveis maldosos, até o tempo da retribuição, quando vossas cabeças terão de ser separadas de vossos corpos. Basta o Senhor Todo-Poderoso dizer, "Lançai o juízo ao cordel, e a justiça ao prumo," e o tempo dos ladrões é curto nesta comunidade. O que supondes que diriam na velha Massachusetts, se ouvissem que os Santos dos Últimos Dias receberam uma revelação ou mandamento de lançar "o juízo ao cordel, e a justiça ao prumo?" O que diriam na velha Connecticut? Levantariam um uivo universal de, "Que ímpios são esses mórmons; estão matando os malfeitores que há entre eles; ora, ouço dizer que matam os ímpios lá longe em Utah." Não matam ninguém lá embaixo, matam?

Quanto aos habitantes da terra, que sabem algo sobre os "mórmons," terem poder para proferir epítetos piores contra nós do que proferem, precisam de mais conhecimento para fazê-lo; e quanto àqueles inimigos que estiveram em nosso meio, sentirem-se algo pior do que se sentem, primeiro precisam saber mais; já estão tão cheios de má vontade quanto podem suportar sem explodir. Que me importa a ira do homem? Não mais do que me importam as galinhas que correm em meu quintal. Estou aqui para ensinar os caminhos do Senhor, e conduzir os homens à vida eterna, mas se não têm a intenção de ir para lá, desejo que se mantenham fora de meu caminho.

Desejo que os Élderes de Israel compreendam que, se forem expostos em seu roubo, mentira, engano, iniquidade, e cobiça, que é idolatria, não devem irritar-se com isso, pois calculamos expor-vos, de tempos em tempos, como nos aprouver, quando pudermos ter tempo de vos notar.

Durante esta Conferência, não desejo pensar onde os "mórmons" estiveram, e como foram tratados, mas desejo pensar em assuntos que aliviem meu coração, como a corça nas montanhas—refletir que o Senhor Todo-Poderoso me deu meu nascimento na terra onde Ele levantou um Profeta, e revelou o Evangelho eterno por meio dele, e que tive o privilégio de ouvi-lo—de conhecê-lo e compreendê-lo—de abraçá-lo e desfrutá-lo. Sinto-me a querer gritar aleluia, o tempo todo, quando penso que já conheci Joseph Smith, o Profeta que o Senhor levantou e ordenou, e a quem deu chaves e poder para edificar o reino de Deus na terra e sustentá-lo. Estas chaves foram confiadas a este povo, e temos poder para continuar a obra que Joseph começou, até que tudo esteja preparado para a vinda do Filho do Homem. Este é o negócio dos Santos dos Últimos Dias, e é todo o negócio que temos em mãos. Quando chegamos aos assuntos mundanos, como são chamados, podem ser feitos em tempo tempestuoso, se cuidarmos do reino de Deus em tempo bom.

Que Deus vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Fé—Religião Prática—Repreensão—A Necessidade dos Ímpios”, 1855 October General Conference (1855-10-06). Pulpit Vault, 1855-10-young-faith-practical-religion-chastisement-necessity-of-devils. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).