Pulpit

Consagração

Brigham Young

1855-06-03

Um Discurso do Presidente Brigham Young, Proferido no Bowery, Great Salt Lake City, 3 de junho de 1855. Relatado por G. D. Watt.

As bênçãos concedidas aos Santos são, em muitos casos, consideradas sacrifícios, e por essa razão decidi dizer algumas palavras sobre a lei da consagração, o excedente de propriedade, e o dízimo.

A lei da consagração foi revelada antes de os irmãos irem ao Condado de Jackson, ou por volta da época em que foram; depois que deixaram o Condado de Jackson e foram para Caldwell, na medida em que o povo não entendia por que deveria ser chamado a consagrar; pois se um homem possuísse mais do que necessitasse, o Senhor era de qualquer forma bem-vindo a isso, mas se um homem não possuísse mais do que realmente pensava necessitar, concluíam que não deveria haver lei alguma como a lei da consagração, ou a lei do dízimo; e em consequência de muitas perguntas serem feitas sobre o assunto, uma revelação foi dada depois que o Profeta clamou ao Senhor, dizendo: Ó Senhor, mostra a teus servos quanto da propriedade de teu povo requeres para dízimo.

Esta revelação foi dada em fevereiro de 1831, e lerei uma parte dela, começando no parágrafo 8—"Se me amares, servir-me-ás e guardarás todos os meus mandamentos. E eis que te lembrarás dos pobres e consagrarás de tuas propriedades, para sustento deles, aquilo que tiveres para lhes dar, com um convênio e uma promessa que não poderão ser violados. E se deres de teus bens aos pobres, a mim o farás; e eles serão entregues ao bispo de minha igreja e seus conselheiros, dois dos élderes ou sumos sacerdotes que ele indicar ou tiver indicado e designado para esse propósito. 9. E acontecerá que, uma vez entregues ao bispo de minha igreja e depois de haver ele recebido esses testemunhos concernentes à consagração das propriedades de minha igreja, de modo que elas não possam ser tomadas da igreja, conforme os meus mandamentos, todo homem será responsável perante mim, um mordomo de seus próprios bens ou do que tiver recebido por consagração, aquilo que for suficiente para si e sua família."

Mal vale a pena dizer algo sobre a disposição do povo; contudo, quando uma pessoa pode perceber que os homens não se conhecem a si mesmos, consideramos apropriado lhes dizer quem são, o que são, e como se sentem. Não valeria a pena para mim ou para qualquer outra pessoa falar sobre suas disposições, a natureza de suas intenções, seus apegos ao mundo, suas simpatias, paixões, ou qualquer coisa do gênero, se não fosse pelo fato de que as pessoas frequentemente estão cegas em suas mentes, e não se conhecem a si mesmas: portanto, é apropriado o bastante fazer algumas observações sobre elas mesmas.

Lerei outra revelação dada em abril de 1832—"Em verdade assim diz o Senhor, como acréscimo às leis da igreja concernentes às mulheres e crianças que pertencem à igreja e que perderam seus maridos ou pais: A mulher tem o direito de receber do seu marido o seu sustento, até que o seu marido lhe seja tirado; e se não for considerada transgressora, terá participação na igreja. E se não for fiel, não terá participação na igreja; contudo, poderá permanecer em sua herança, de acordo com as leis do país."

Parágrafo 2. "Todos os filhos têm o direito de receber de seus pais o seu sustento até alcançarem a maioridade. E depois disso, eles têm direito de recorrer à igreja ou, em outras palavras, ao armazém do Senhor, caso seus pais não tenham com o que lhes dar herança. E o armazém deverá ser mantido pelas consagrações da igreja; e prover-se-á a subsistência das viúvas e dos órfãos, como também dos pobres. Amém."

Há outra revelação ainda anterior a este tempo, declarando ser dever de todo o povo que vai a Sião consagrar toda a sua propriedade à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Esta revelação foi referida na Conferência de Abril de 1854. Foi um dos primeiros mandamentos ou revelações dados a este povo depois que tiveram o privilégio de se organizar como Igreja, como corpo, como o reino de Deus sobre a terra. Observei então, e agora penso, que será uma das últimas revelações que o povo receberá em seus corações e entendimentos, por sua própria livre vontade e escolha, e a estimará como um prazer, um privilégio e uma bênção para eles observar e guardar mui santamente.

É hora de o privilégio de consagrar sua propriedade ser dado ao povo, é a vontade do Senhor que desfrutem desta bênção e privilégio, aqueles que escolherem entregar sua propriedade; a quem? Àquele que lhes deu tudo o que possuem: Ele possui tudo o que têm, e não têm propriedade, mais ou menos, senão aquilo que na verdade pertence ao Senhor, e Ele a distribui e concede onde lhe parece bem.

Não me cabe levantar-me e dizer que posso dar ao Senhor, pois na realidade nada tenho a dar. Pareço ter algo, por quê? Porque o Senhor achou por bem me trazer à existência, e abençoou meus esforços em ajuntar coisas que são desejáveis, e a que se chama propriedade. Ele instituiu um plano e uma ordem, organizou este planeta, e o povoou por Sua sabedoria e poder. Deu-me minha existência sobre esta terra que é Sua, pois "do Senhor é a terra," e tudo o que a ela pertence, todos os elementos, não importa como estejam organizados, não importa que elemento seja, é o elemento que o Senhor reuniu para compor a terra. Era Dele no princípio? Era. Fez Ele com que os átomos dos elementos se reunissem para organizar a terra? Fez. Ele trouxe à existência a terra, e a formou e organizou como era no princípio, e a fez perfeita, pura e santa.

A quem pertencem estes elementos agora? Ao mesmo Ser que os possuía no princípio. A terra ainda é Dele, e sua plenitude, e isso nos inclui a cada um de nós, e também inclui tudo o que parecemos possuir. Inclui todos os elementos, seja qual for a forma, aspecto ou condição, e onde quer que se situem, seja no estado nativo, seja num estado de organização para o conforto e benefício do homem.

A capacidade que temos de reuni-los recebemo-la do Senhor, por Seu dom gratuito, e Ele nos tornou capazes de realizar muitas coisas para Sua glória, para Sua sabedoria, e para a exaltação daquelas criaturas que Ele trouxe à existência e fez. Não dotou Ele a humanidade de inteligência? Ele os criou pouco menores que os anjos. Receberam sabedoria, conhecimento e entendimento, e são organizados para receber poder, glória e honra. Se forem diligentes, prudentes, e cheios de entendimento para saberem de onde emanam esses favores, é claro que atribuirão todo o poder e bondade à honra e glória do Ser que os concedeu.

Como já observei, o povo é ignorante; não se conhece a si mesmo, não entende sua própria organização, ou de onde vem; se o entendesse, não haveria necessidade de falar ao povo sobre esses pontos. Estamos aqui na terra, vivemos, e nos achamos dotados de poderes maravilhosos, e parece que nós, como indivíduos, fôssemos perfeitamente independentes de toda criatura ou ser em toda a imensidade do espaço. Não podemos ver nossos superiores, e não percebemos plenamente de onde recebemos tudo o que agora temos em nossa posse. Isto é em consequência de nossa miopia, de nossa falta de entendimento, e de nossa carência do conhecimento dos seres eternos. Aqui é onde a humanidade falha, carecendo do que poderíamos ter em nossa posse, a saber—a luz das revelações de Jesus Cristo, a luz do Espírito Santo, a luz do céu. Este é o privilégio dos Santos dos Últimos Dias, mas não o desfrutam tanto quanto poderiam; consequentemente é correto falar sobre esses assuntos, e instruir o povo.

Se pudéssemos perceber e plenamente entender que toda a capacidade e conhecimento que temos, todo bem que possuímos, toda ideia brilhante, todo afeto puro, e toda boa visão da mente desde nossa infância até o tempo presente, são todos o dom gratuito do Senhor, e que nós mesmos nada temos de original, estaríamos muito melhor preparados e muito mais prontos para agir fielmente e sabiamente sob todas as circunstâncias. Toda coisa boa está em Suas mãos, está sujeita a Seu poder, pertence a Ele, e nos é apenas entregue, por ora, para ver que uso dela faremos.

Se aperfeiçoarmos, formos fiéis e diligentes em todas as bênçãos que nos são concedidas, teremos então o princípio do aumento, e esta é a grande bênção dada ao homem, e foi a promessa que Abraão recebeu das mãos do Senhor. Abraão temia que não aumentaria nem multiplicaria sua posteridade sobre a terra, embora pudesse ele mesmo aumentar em poder, sabedoria e conhecimento; e refletiu: "Não tenho filhos, nem mesmo perspectiva deles, para se levantarem e me abençoarem, ou para honrar e reverenciar meu nome nas gerações vindouras." O Senhor, porém, lhe deu esta promessa: "Foste fiel, e obtiveste sabedoria e conhecimento em cada bênção que te concedi; e agora te darei a promessa de que ainda terás posteridade, e ela se multiplicará sobre a face da terra, e, por fim, o fim de seu número homem algum poderá dizer, pois tua semente será tão numerosa quanto as areias na praia do mar, ou as estrelas no firmamento, e para seu aumento não haverá fim." A mesma bênção foi prometida ao Senhor Jesus Cristo. Era o privilégio de Abraão receber conhecimento, sabedoria e entendimento, mas isso não o satisfazia, queria ver seus filhos se multiplicarem. Quando Abraão passou por certa provação e se provou fiel, receberá honra, poder, glória e exaltação, para o que é tornado tão capaz de alcançar no futuro quanto o foram aqueles que atuaram antes de seus dias. Não fosse assim, a inteligência, o poder da mente, o espírito colocado no corpo, e tudo o que diz respeito à vida neste estágio de ação, ou anterior a nossa vinda ao mundo, não são feitos honrados; e se não são honrados pela criatura, pelo princípio nela colocado, aquela organização está sujeita a se decompor. Podeis entender isto? Por exemplo, que um homem ou uma mulher que recebeu muito do poder de Deus, visões e revelações, se afaste dos santos mandamentos do Senhor, e parece que seus sentidos lhe são tirados, seu entendimento e juízo em retidão lhe são retirados, entram nas trevas, e se tornam como uma pessoa cega que tateia pela parede. Muitos de vós testemunham isso quase diariamente. Tais continuarão a seguir pela senda regressiva até se decomporem; enquanto os que são fiéis continuarão a aumentar, e esta é a grande bênção que o Senhor deu, ou colocou ao alcance dos filhos dos homens, mesmo a de serem capazes de receber vidas eternas.

Ter tal promessa selada sobre nossas cabeças, que nenhum poder na terra, no céu, ou debaixo da terra nos pode tirar, ser selado até o dia da redenção e ter a promessa de vidas eternas, é o maior dom de todos. O povo não entende plenamente estas coisas e não as tem em plena visão diante de suas mentes; se as tivesse, dir-vos-ia, claramente e com honestidade, que não há provação alguma a que os Santos sejam chamados a passar que não percebessem e reconhecessem ser sua maior bênção.

Dar-vos-ei minhas razões para isto; se Adão não tivesse pecado, e se sua posteridade tivesse continuado sobre a terra, não poderiam ter conhecido o pecado, ou o amargo do doce, nem teriam conhecido a retidão, pela simples e clara razão de que todo efeito só pode ser plenamente manifestado por seu oposto. Se os Santos pudessem perceber as coisas como são quando são chamados a passar por provações, e a sofrer o que chamam sacrifícios, reconheceriam serem as maiores bênçãos que lhes poderiam ser concedidas. Mas colocai-os na posse de verdadeiros princípios e verdadeiros gozos, sem o oposto, e não poderiam conhecer o gozo, não poderiam perceber a felicidade. Não poderiam distinguir a luz das trevas, porque não têm conhecimento das trevas e, consequentemente, são destituídos de um senso perceptível de luz. Se não provassem o amargo, como poderiam perceber o doce? Não poderiam. Seriam como uma máquina, e não poderiam se aproximar do padrão de gozo presente do animal irracional, e provavelmente nem mesmo do reino vegetal. Para conhecer o amargo, têm de prová-lo; têm de se familiarizar com o mal que existe, ou não podem perceber o bem. Se o povo pudesse ver e entender as coisas como são, em vez de dizer, "Sacrifiquei muito por este reino," entenderiam que não fizeram sacrifício algum. Receberam a bênção do conhecimento de Deus, para conhecer e entender as coisas como são, para que possam contrastar entre o mal e o bem, entre a luz e as trevas, entre aquilo que é de Deus, e aquilo que não é de Deus, entre aquilo calculado para exaltar e glorificar o povo, e aquilo calculado para levá-lo à destruição, e desgastá-lo até que não mais exista.

É uma ideia curiosa, mas em cujo favor há muito testemunho, que quando o povo toma o caminho descendente, um calculado para o destruir, será realmente destruído em todo sentido da palavra. Será o que se chama aniquilado? Não, não existe tal coisa como aniquilação, pois não podeis destruir os elementos de que as coisas são feitas. Mas Jesus tomará o reino, e reinará até destruir a morte, e aquele que tem o poder da morte, que é o diabo. O povo pensa que muitas das revelações do Senhor são difíceis, e diz: "O Senhor deu esta revelação para me provar, para provar a força de minha fé." É o desígnio do Senhor que Seu povo tenha experiência; portanto não disputarei por um só momento senão que era vontade do Senhor que fôssemos familiarizados com as trevas, e sujeitos à vaidade.

Em minha mais plena convicção, era desígnio do Senhor que Adão participasse do fruto proibido, e creio que Adão sabia tudo a esse respeito antes de vir a esta terra. Creio que não havia outro caminho que conduzisse a tronos e domínios senão que ele transgredisse, ou tomasse aquela posição que somente a transgressão poderia colocar o homem, de descer abaixo de todas as coisas, para que pudessem ascender a tronos, principados e poderes; pois não poderiam ascender àquela eminência sem primeiro descer, nem sobre outro princípio algum.

Não disputo senão que vós e eu, naturalmente, deveríamos amar o mundo; nisto verdadeiramente creio. Creio que o Senhor desígnou, desde eras imemoriais, que estivéssemos em trevas e ignorância, e ao mesmo tempo creio ser Sua vontade que recebamos luz e inteligência a fim de podermos entender o verdadeiro princípio, e a verdadeira posição que os Santos deveriam tomar para contrastar continuamente entre o mal e o bem. Creio tudo isto, tanto quanto creio em qualquer outra coisa relativa à humanidade. É, então, desígnio do Senhor que a humanidade seja colocada neste estado escuro, ignorante e egoísta, que naturalmente nos apeguemos à terra; pois, como se disse aqui no último sábado, a terra é muito boa em si mesma, e obedeceu a uma lei celestial, consequentemente não deveríamos desprezá-la, nem desejar deixá-la, mas antes desejar e nos esforçar por obedecer à mesma lei que a terra obedece, e obedecê-la tão honradamente quanto a terra o faz.

Se obedecermos a esta lei tão fielmente, certamente obteremos nossa ressurreição e exaltação, pois então poderemos ver e entender as coisas como são. Então, em vez de concluir que o Senhor nos arrastou a dificuldades, e nos obrigou a fazer aquilo que é desagradável a nossos sentimentos, e a sofrer sacrifício sobre sacrifício sem propósito, entenderemos que Ele desígnou tudo isto para nos preparar a habitar em Sua presença, a possuir Seu Espírito, que é reto e inteligente, pois nada senão pureza e santidade pode habitar onde Ele está. Assim Ele ordenou, que pela mente natural não podemos ver e entender as coisas de Deus, portanto devemos então buscar o Senhor, e obter Seu Espírito e a luz dele, para entender Sua vontade. E quando Ele nos chama a passar por aquilo que chamamos aflições, provações, tentações e dificuldades, se possuíssemos a luz do Espírito, consideraríamos isto a maior bênção que nos poderia ser concedida.

Quando o Senhor deu a revelação nos instruindo em nosso dever quanto a consagrar o que temos, se o povo então pudesse ter entendido as coisas exatamente como são, e tivesse obedecido àquela revelação, não teria sido nem mais nem menos do que ceder aquilo que não é seu, Àquele a quem pertence. E assim é agora. Mas que princípios e ideias vãos e tolos se infiltraram no mundo, e ocuparam as mentes do povo! Estão longe dos verdadeiros princípios da salvação e da piedade; e o mundo afundou tanto na maldade, na infelicidade, na incompreensão, e em toda sorte de ignorância, e toda espécie de maldade que pode ser concebida e introduzida pelo diabo e pelo povo combinados, que até mesmo alguns dos Santos estão quase persuadidos a pensar que o Senhor os chamou a consagrar, a entregar algo que consideram seu, mas que na realidade não é, a alguém que jamais o possuiu. Alguns do povo sentem assim, e é em consequência da maldade que há sobre a terra. O Senhor não pediu nem um só centavo que não seja Dele mesmo. O povo não poderia possuí-lo, e se o possuísse, teria poder de preservá-lo? Não. Podem preservar seus edifícios dos elementos furiosos do fogo? Não. Têm poder sobre seu grão para preservá-lo do mofo, para preservá-lo da praga, e da devastação dos insetos? Não. Têm poder para preservar seus animais em vida? Não. Podem fazer estas coisas independentemente do poder do Senhor Todo-Poderoso? Não. É um pensamento vão e tolo os homens pensarem que possuem algo por si mesmos, pois não possuem. Está aqui em nossa posse, mas como veio a estar? Não sabem. A vida está aqui, mas sabem eles o poder que a deu, ou o modo de sua vinda? A vegetação e os animais, em grande variedade, pululam sobre a face da terra, mas está a humanidade familiarizada com as fontes secretas de seu crescimento e existência? Os homens deveriam, em primeiro lugar, descobrir como essas coisas vieram, e quem as produziu. Reconhecerão de imediato que jamais houve casa alguma que não fosse construída, e entendem os princípios da arte humana, mas não entendem plenamente as operações da natureza, embora procedam de princípios simples e naturais.

Portanto, veem as montanhas e não sabem como foram feitas, a relva, mas não sabem sobre que princípio cresce; o gado vem e vai, mas não sabem sua origem primeira. A humanidade se espalha pela terra, mas não sabe como veio a estar aqui, e não está familiarizada com o funcionamento do poder que a sustenta. Isto o povo deveria descobrir em primeiro lugar, e então saberá que a terra é do Senhor, e a sua plenitude, e que há uma eternidade de matéria ainda a ser organizada. Quando os Santos descobrirem a verdade tal como é, aprenderão que na realidade nada têm a consagrar, que nada têm a dar ao Senhor, porque nada detêm senão o que já Lhe pertence. Parecemos possuir muito, e se formos fiéis e perseverarmos até o fim, seremos coroados, e então o Senhor dirá: "É o bastante, provastes ser fiéis." Comparativamente falando, Ele falará com eles como um pai fala com seus filhos. A um filho diz: "Vai e aperfeiçoa aquela fazenda, embora eu não a escriture a ti"; a outro diz: "Toma aquela fazenda"; e a um terceiro: "Toma esta"; e tudo sob as mesmas condições, "e verei o que fareis com estas minhas fazendas." Pensam que as fazendas já são deles, mas se enganam, pois o pai não lhes escriturou as fazendas. O filho mais velho a cerca, ara, e a aperfeiçoa, constrói uma casa e um bom celeiro nela, planta um pomar, cria gado, e torna a posse muito mais valiosa do que quando o pai a pôs em suas mãos. "Ora, João," diz o pai, "provaste-te mordomo sábio e fiel, agora te darei uma escritura desta propriedade que possuí por tanto tempo, para que seja tua propriedade." Diz a Guilherme: "Como está tua fazenda?" "Bem, pai, está quase igual a quando ma deste para aperfeiçoar; não fiz muito; cultivei um pouco de trigo e milho." "Onde está tua casa, Guilherme?" "Ah, não tinha certeza de que a terra fosse minha, e não construí uma." "Por que não construíste um celeiro?" "Bem, não sabia que a possuiria, então não me dei a esse trabalho; quanto a um pomar, não ia plantar um para que o desses a algum outro dos rapazes." "És um mordomo infiel, e agora podes ir arranjar uma fazenda para ti, e tomarei esta que poderias ter aperfeiçoado, e possuído como herança eterna, e a darei a João, pois foi fiel." A parábola proferida por Jesus Cristo é uma ilustração apropriada deste princípio, na qual Ele compara o reino dos céus a um homem que viaja para uma terra distante, que chamou seus próprios servos, e lhes entregou seus bens; "e a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um," etc. O que recebeu o único talento o escondeu; foi infiel e improveitoso, e assim seu senhor lhe tomou o único talento, e o deu àquele que tinha dez. Assim é com o Senhor em todas as coisas. Se os homens são fiéis, chegará o tempo em que possuirão o poder e o conhecimento para obter, organizar, trazer à existência, e possuir. "O quê, por si mesmos, independentemente de seu Criador?" Não. Mas eles e seu Criador serão sempre um, serão sempre de um só coração e uma só mente, trabalhando e operando juntos; pois tudo o que o Pai faz, assim faz o filho, e assim continuam em todas as suas operações por toda a eternidade. João será considerado digno de receber sua herança, mas Guilherme será deserdado, e aquilo que parecia ter lhe será tirado, e dado ao mordomo fiel. Que temos nós que seja realmente nosso para consagrar? Nada absolutamente. Qual é nosso dever? É nosso dever aperfeiçoar cada bênção que o Senhor nos dá. Se nos dá terra, aperfeiçoemo-la; se nos dá o privilégio de construir casas, aperfeiçoemo-lo; se nos dá esposas e filhos, tentemos ensinar-lhes os caminhos do Senhor, e exaltá-los acima do estado escuro, degradado e afundado da humanidade, etc.; se nos dá o privilégio de nos ajuntarmos, santifiquemo-nos. Em Sua providência, Ele chamou os Santos dos Últimos Dias do mundo, ajuntou-os de outras nações, e lhes deu um lugar sobre a terra. É isto uma bênção? Sim, uma das maiores que o povo pode desfrutar, estar livre da maldade dos ímpios, das calamidades e do clamor do mundo. Por esta bênção podemos mostrar a nosso Pai no Céu que somos mordomos fiéis; e mais, é uma bênção ter o privilégio de devolver a Ele aquilo que colocou em nossa posse, e não dizer que é nosso, até que Ele o diga dos céus. Então é claro que aquilo que pareço ter, na realidade não possuo, e o devolverei ao Senhor quando o pedir; pertence a Ele e é Dele o tempo todo. Não o possuo, jamais o possuí. Ele chamou o povo a consagrar sua propriedade, para ver se conseguiriam entender coisa tão simples quanto esta. Quando se curvam para adorar o Senhor, reconhecem que a terra é Dele, e o gado sobre milhares de montanhas; e dizem ao Senhor que não há sacrifício algum que não estejam dispostos a fazer pela causa da religião de Jesus Cristo. O povo clamava isto continuamente entre as igrejas quando o Livro de Mórmon veio à luz, e o Senhor falou por meio de Joseph, revelando a lei da consagração, para ver se estavam dispostos a fazer o que diziam em suas orações. Em suas reuniões semanais, contavam como o Senhor os havia abençoado e perdoado seus pecados, que visões gloriosas tiveram, e declaravam que o Senhor estava presente, e que tinham anjos a visitá-los, e se sentiam tão bem que dariam tudo por Cristo. Disse o Senhor a Joseph: "Vê se darão suas fazendas a mim." Qual foi o resultado? Não o fizeram, embora fosse uma das coisas mais simples do mundo. Nenhuma revelação já dada é mais fácil de compreender do que a da lei da consagração, que os cristãos reconheceram durante toda a sua vida, e todos somos cristãos por nascimento, e todos cremos que nada possuímos, mas que tudo pertence ao Doador de todo bem. Cremos em Deus o Pai, e em Seu Filho Jesus Cristo, o Salvador do mundo, e cremos que Ele de fato iria possuir a terra, e reinar com Seu povo sobre a terra; que tudo é Dele, e sempre será. Contudo, quando o Senhor falou a Joseph, instruindo-o a aconselhar o povo a consagrar suas posses, e escriturá-las à Igreja num convênio que não pode ser quebrado, o povo o escutaria? Não, mas começaram a descobrir que estavam enganados, e apenas haviam reconhecido com a boca que as coisas que possuíam eram do Senhor. Quando os Santos dos Últimos Dias se levantam para falar, ou dar testemunho em suas reuniões, falam-nos de o Senhor possuir a terra, e ser seu criador, e já pensei, algumas vezes, que poderíamos reunir uma classe que reconheceria este princípio, tanto por fora quanto por dentro. Não como um homem que me falou no verão passado, enquanto eu andava em minha carruagem; apertou-me a mão, e manteve firme aperto na carruagem com a outra mão, e disse: "Irmão Brigham, como vais? Vou consagrar toda minha propriedade, não poderias me comprar uma fazenda?" Tirei minha mão da dele, e a outra da roda, e ele foi cambaleando de bêbado, e eu lhe disse que não queria nada com tais homens.

Outro diz: "Irmão Brigham, quero consagrar tudo o que tenho, mas tens de me construir uma casa por isso, ou me arranjar minha lenha." Esta classe reconhecerá que tudo é do Senhor, tanto por fora quanto por dentro. Desejo ver o povo reconhecer o princípio da consagração em suas obras, tanto quanto em suas orações. Desejo eu, como indivíduo, ver o povo escriturar tudo o que tem à Igreja? Não me diz respeito individualmente; não daria as cinzas de uma palha de centeio por uma escritura pessoal de tudo o que os Santos dos Últimos Dias possuem. Contudo, estão tentando reconhecer que tudo é do Senhor, e dirão: "Que o irmão Brigham venha e pegue o que quiser, mas não creio em entregar esta propriedade, é minha, e posso querer negociar isto, aquilo, ou o outro artigo." Não quero um só centavo vosso, mas o Senhor ficaria feliz em ver o povo praticar por fora o que hipocritamente professa perante Ele por dentro. Dizem que são do Senhor, e quando seus filhos adoecem, ou suas esposas, pais, mães ou maridos adoecem, oh, como se tornam então humildes, e mandam chamar os Élderes para orar por eles, e reconhecem que tudo é do Senhor, e dizem: "Damo-nos a ti, e tudo o que temos." O Senhor os cura por Seu poder, através das ordenanças de Sua casa, mas hão de consagrar? Não. Dizem: "É meu, e o terei para mim mesmo." Ali está o tesouro, e o coração está com ele, e qual será o fim disso? Aquilo que pareciam ter será dado aos que são fiéis, e nada absolutamente receberão. Não obterão herança sobre a terra, e não podem ser coroados como reis e governantes no reino de Deus; mas se de algum modo forem salvos, será como servos, para fazer o trabalho pesado dos que são fiéis, e que vivem por fora a religião que dizem ter em seus corações. Se o povo se conhecesse a si mesmo, se entendesse seus próprios sentimentos e raciocínios, e os espíritos que operam sobre eles, e de que espírito são, não haveria necessidade de assim lhes falar.

Quando a revelação que li foi dada em 1838, eu estava presente, e recordo os sentimentos dos irmãos. Várias revelações foram dadas no mesmo dia. Os irmãos desejaram que eu fosse entre as Igrejas, e descobrisse que excedente de propriedade o povo tinha com o qual fazer avançar a construção do Templo que começávamos em Far West. Fui, portanto, de lugar em lugar pelo país. Antes de partir, perguntei ao irmão Joseph: "Quem será o juiz do que é excedente de propriedade?" Disse ele: "Que sejam eles mesmos os juízes, pois não me importa se não derem um só centavo. Quanto a mim, nada quero do que têm."

Então respondi: "Irei e lhes pedirei seu excedente de propriedade"; e assim o fiz; achei que o povo dizia estar disposto a fazer mais ou menos o que se lhes aconselhava, mas, ao lhes perguntar sobre seu excedente de propriedade, a maioria dos homens que possuíam terra e gado diria: "Tenho tantos acres de terra, e tenho tantos rapazes, e quero que cada um deles tenha oitenta acres, portanto isto não é excedente de propriedade." Novamente, "Tenho tantas moças, e não creio que possa dar-lhes mais de quarenta acres cada." "Bem, restaram-te duzentos ou trezentos acres." "Sim, mas tenho um cunhado chegando, e ele dependerá de mim para viver; o sobrinho de minha esposa também está chegando, é pobre, e terei de lhe prover uma fazenda depois que aqui chegar." Eu iria ao próximo, e ele teria mais terra e gado do que poderia usar vantajosamente. É uma ideia risível, mas ainda assim verdadeira, os homens me diziam que eram jovens e começando no mundo, e diziam: "Não temos filhos, mas nossas perspectivas são boas, e pensamos que teremos uma família de filhos, e se tivermos, queremos dar-lhes oitenta acres de terra cada um; não temos excedente de propriedade." "Quantas cabeças de gado tens?" "Tantas." "Quantos cavalos, etc.?" "Tantos, mas fiz provisão para todos estes, e tenho uso para tudo o que possuo."

Alguns estavam dispostos a fazer o certo com seu excedente de propriedade, e de vez em quando encontraríeis um homem que tinha uma vaca que considerava excedente, mas geralmente era da classe que dava coices no chapéu de alguém, ou nos olhos, ou os lobos lhe haviam comido os tetos. De vez em quando encontraríeis um homem que tinha um cavalo que considerava excedente, mas ao mesmo tempo tinha esparavão, era arqueado, tinha espavana em ambas as pernas, tinha mal de garrote numa ponta do pescoço e fístula na outra, e ambos os joelhos vergados.

Esta é a descrição do excedente de propriedade que alguns ofereceriam ao Senhor. Tais têm sido os sentimentos de muitos homens. Viriam a mim e diriam: "Irmão Brigham, quero pagar meu dízimo; por favor vem aqui fora, quero te mostrar um cavalo que tenho. Quero levantar cinquenta dólares com este cavalo, e o restante estou disposto a lançar no dízimo. Se me pagares vinte dólares em dinheiro, dez em mercadoria de armazém, e tanto no dízimo de outro homem, e tanto no meu próprio, terás o cavalo por oitenta dólares"; quando eu poderia conseguir um tão bom por quarenta. Não faço tais negociações. Alguns de nossos irmãos na verdade tomavam um cavalo que não valia mais de quarenta dólares, pagavam cinquenta e davam crédito no dízimo por trinta.

Menciono estas coisas para ilustrar os sentimentos de muitos do povo, pois não entendem de que espírito são. Quando um homem deseja dar algo, que dê o melhor que tem. O Senhor me deu tudo o que possuo; nada tenho na realidade, nem um só centavo é meu. Podeis perguntar: "Sentes o que dizes?" Sim, realmente sinto. O casaco que trago em minhas costas não é meu, e jamais foi; o Senhor o pôs honradamente em minha posse, e eu o uso; mas se Ele o quiser, e tudo o que há debaixo dele, é bem-vindo a tudo. Não possuo casa, nem um único palmo de terra, cavalo, mula, carruagem, ou carroça, nem esposa, nem filho, senão o que o Senhor me deu, e se Ele os quiser, pode tomá-los a Seu bel-prazer, quer fale por eles, quer os tome sem falar. Deveria ser este o sentimento a animar todo peito? Deveria. Que tendes vós a consagrar que seja realmente vosso? Nada. Chegará o tempo em que o povo olhará para trás, para sua primeira experiência, e perceberá que aquilo que agora consideram dificuldade era sua maior bênção. São chamados a deixar seus lares, seus pais, suas famílias, e seu país natal. São chamados pela providência de Deus a algo que agora consideram tristeza; mas não é assim, é apenas uma experiência colocada na posse dos Santos, para que conheçam as bênçãos da eternidade. Não há ser algum na eternidade sobre quem já lemos ou ouvimos que não tenha sofrido de maneira semelhante a nós, pois foi pelo sofrimento que tiveram de obter sua exaltação, como vós e eu teremos de fazer.

Quando houve um princípio? Jamais houve um; se houvesse, haveria um fim; mas jamais houve um princípio, e portanto jamais haverá um fim; isso se assemelha à eternidade. Quando falamos sobre o princípio da eternidade, é uma conversa bastante simples, e vai muito além da capacidade do homem. Todos os seres irão a um estado futuro, e o que supondes que pensam aqueles que ali estão agora? Supondes que Joseph, o Profeta, pensa ter sacrificado algo sobre esta terra? Não. Mas o Senhor o guiou de maneira a que pudesse entender a glória, a exaltação, e o poder—para que pudesse compreender as bênçãos que o Senhor lhe deu. Suponde que tivésseis um diamante da mais fina qualidade, do tamanho de meu punho, e valendo milhões de libras esterlinas, e o désseis a alguém que não conhecesse seu valor, ele o poria na lama tão depressa quanto poria uma batata; e uma pessoa muito ignorante não saberia distinguir entre um pedaço de ouro e um pedaço de cobre brilhante. Tem de aprender a distinção por aqueles princípios de conhecimento que o Senhor coloca nos corações da família humana para capacitá-la a contrastar um com o outro, e a conhecer tudo por seu oposto. Tomai uma menininha que não tem mais conhecimento senão pensar que aquele pedaço de papel branco serve tão bem para fazer um vestido quanto um pedaço de bom cambraia, e ela tem de esperar até crescer até esse conhecimento. Todos os Profetas tiveram de aprender de maneira semelhante; Joseph aprendeu dessa forma, e assim devemos nós.

Quanto tempo temos de viver antes de descobrirmos que nada temos a consagrar ao Senhor—que tudo pertence ao Pai no céu; que estas montanhas são Dele; os vales, a madeira, a água, o solo; em suma, a terra e sua plenitude?

Vedes agora um de Seus exércitos passando por aqui, varrendo tudo diante de si. Não tem Ele nada a ver com estes gafanhotos que estão destruindo nossas colheitas? Sim, tanto quanto tem com tudo o mais na terra. Tem Ele algo a ver com os gafanhotos no Egito? Sim; mas não se satisfazem com comer a vegetação, mas comerão os sapatos dos pés de um homem, e a barba de seu rosto, pois quando um homem se deita para dormir, está em perigo de perder seu bigode. Estes são alguns dos exércitos do Senhor; Ele os fez e fez o homem, tanto um quanto o outro. Fez o homem pouco menor que os anjos, e a seguir ao homem a criação irracional, e encheu a terra de toda variedade de sementes e insetos; fez a terra e tudo o que a ela se liga, organizou-a, e a trouxe à existência, e agora pretende ver o que o povo fará com ela; se estão dispostos a fazer algo mais além de dizer, "Isto é meu, e aquilo é teu."

Observai os homens que entraram nesta Igreja ricos em propriedade, e onde podeis encontrar um que tenha dito: "Trouxe cinquenta, quarenta, ou vinte mil dólares a esta Igreja," que não tenha, por fim, ou vindo mendigar à Igreja, ou apostatado? Se vos apegais ao mundo, e dizeis que vos é difícil fazer isto ou aquilo, recordai que o amor do Pai não está em vós. Deixai-me amar o mundo como Ele o ama, para torná-lo belo, e glorificar o nome de meu Pai no céu. Não importa se eu ou qualquer outra pessoa o possui, se apenas trabalharmos para embelezá-lo e torná-lo glorioso, está tudo bem. Deixai-me fazer o que sou chamado a fazer, e estar contente com minha sorte, e não me preocupar com isto, aquilo ou o outro. Já falei bastante. Que Deus vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Consagração”, (1855-06-03). Pulpit Vault, 1855-06-03-young-consecration. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).