Pulpit

Fé e Obras

Jedediah M. Grant

1855-03-11

Um Discurso do Presidente Jedediah M. Grant, Proferido no Tabernáculo, Great Salt Lake City, 11 de março de 1855. Relatado por G. D. Watt.

Sou grato pelas bênçãos que o Senhor se dignou conceder a Seu povo. Se nem sempre expresso publicamente minha gratidão a nosso Pai celestial, ainda assim sinto-me grato e agradecido por todos os Seus favores, seja que o expresse ou não. Tenho razão para crer que todo o povo sente o mesmo, isto é, todos os que sentem retamente, todos os Santos, todos os que vivem de acordo com a religião que professam.

Recebemos muitos testemunhos da bondade de Deus, nosso Pai celestial, na doença e na saúde; Ele ouviu nossas orações, e supriu nossas necessidades; na aflição, administrou-nos consolo; e quando a luz de Seu Espírito está sobre nós, compreendemos claramente os tratos do Senhor, mas quando esse Espírito está ausente de nós, não compreendemos tão claramente Suas misericórdias e bênçãos concedidas a nós individualmente, e como povo. Presumo que, na ordem das providências de Deus, Ele considerou necessário, por vezes, deixar Seus filhos a si mesmos, sem o auxílio de influência especial alguma do Espírito Santo, para que aprendam a compreendê-lo e apreciá-lo quando lhes é concedido.

Por exemplo, as bênçãos que desfrutais todo dia por uma semana, um mês, ou um ano, não as prezais tão altamente quanto as bênçãos que recebeis mais raramente. Privai um homem de qualquer artigo comum de alimento, mesmo do pão que agora desfrutais, retende-o dele por uma semana, por um mês, ou por um ano, e quando ele o obtiver de novo, o apreciará muitíssimo. É de certo modo assim com o Espírito do Senhor; não O desfrutamos em todo tempo, não O recebemos sob todas as circunstâncias da vida, do mesmo modo que sob alguma condição especial em que possamos ser colocados, onde particularmente necessitamos do Espírito do Senhor para nos ajudar.

Oramos por muitas coisas; e ouvi algumas pessoas orarem de maneira tal que, em seus momentos de sobriedade, ficariam muito contrariadas se o Senhor realmente respondesse a suas orações. Se as orações do povo fossem escritas, de modo que pudessem lê-las e refletir sobre elas, não tenho dúvida de que desejariam ter uma nova edição. Já ouvi pessoas orarem para que o Senhor fizesse isto e aquilo; de fato, já as ouvi orar para que Ele fizesse mil coisas que elas mesmas não tentariam fazer; considerariam degradante fazê-las; considerariam, na verdade, pecaminoso esforçar-se por realizar o que suplicariam ao Todo-Poderoso que realizasse por elas.

As obras de um homem devem concordar com sua fé; se tem fé para sustentar suas obras, se tem fé para sustentar seus feitos, suas obras devem corresponder à sua fé. Devo estar certo em minha fé, para estar certo em minhas obras. Se a árvore é amarga, o fruto também será amargo; ou, em outras palavras, a árvore se conhece por seus frutos, e a fé por suas obras. Se as obras de um homem são boas, sua fé também é boa; se suas obras são más, inferimos que sua fé também é má, e inferências bastante justas por sinal. Todos os homens deveriam ser julgados por suas obras; este é um critério correto para julgar toda pessoa. Muitos dos Santos dos Últimos Dias têm fé correta e obras corretas, enquanto alguns professam ter fé correta, mas exibem, por suas obras, que sua fé na verdade não é boa. Como posso saber se vossa fé é boa ou não? Só posso julgá-la por vossas obras.

Se vossas obras são boas e estão de acordo com a lei de Deus, com o Livro de Mórmon, com o Livro de Doutrina e Convênios, e com as regras do que é reto, tenho o direito de inferir que vossa fé produziu as obras que contemplo; que a árvore, ou o tronco, se me permitirdes a expressão, do qual cresceram, é boa. Mas quando vemos as obras de um homem variarem, às vezes com um pouco de bem hoje e amanhã, e talvez no terceiro dia pratique o mal, não posso crer que aquele homem esteja certo em sua fé, em todo sentido da palavra.

Falamos da fé como o primeiro princípio de nossa religião. Se é o primeiro princípio, outros princípios crescem dele. Não podemos criar princípio, só podemos descobri-lo. Se descobrísseis um novo princípio, errarieis ao dizer que criastes um princípio, que trouxestes um à existência. O princípio existe eternamente, e o homem não pode criá-lo. Se descobrirdes alguma lei na matemática, na astronomia, ou algum princípio ou lei ligado às ciências, isso não é prova de que trouxestes à existência uma nova lei, ou processo de lei, pois o princípio existia antes de fazerdes a descoberta.

Temos a faculdade de fazer descobertas, temos a faculdade de descobrir, temos a faculdade de aprender e entender os primeiros princípios das doutrinas de Cristo. A fé, sendo o primeiro princípio de nossa religião, se estabelece na mente pelo ouvir, se estabelece na mente pela evidência e pelo testemunho.

Não posso crer em tudo que meu vizinho deseje que eu creia, não posso sempre crer para agradar a meu vizinho, quando não tenho, talvez, evidência alguma para crer como ele crê. Não tenho testemunho para receber o que ele recebeu, e o rejeito. Meu vizinho fica então ofendido, e me chama a ter fé, a crer como ele crê. Se ele apenas produzisse evidência e testemunho suficientes para que eu baseasse minha fé neles, para produzir em mim confiança, ou estabelecer em minha mente fé, então eu poderia crer como ele crê. A fé, então, vem pelo ouvir testemunho, ou por se produzir testemunho, ou por trazê-lo diante da mente.

O testemunho que recebestes da religião que professais é tão diferente quanto a religião que professais é diferente de qualquer outra religião. O metodista, por exemplo, funda sua religião no tipo de testemunho que recebe; é ensinado pelo Élder presidente, pelo pregador itinerante, pelo pregador local, pelo líder de classe, pelo exortador, ou por alguns dos membros leigos, certos princípios, ou, em outras palavras, produz-se testemunho para convencê-lo de que tais e tais princípios são corretos, e sua crença se baseia no testemunho que é capaz de receber e apreciar. Sua fé corresponde mais ou menos a sua disciplina, ou artigos de fé; creem que há apenas um Deus, infinito, eterno, de eternidade em eternidade, sem corpo, partes ou paixões. Seu testemunho para essa crença só se encontra em sua disciplina e tradições, e foi transmitido de pai para filho, de sua avó, a Igreja de Roma, a sua mãe, a Igreja da Inglaterra; verdadeiramente creem nisso, escrevem-no, e o publicam por toda parte.

Suas noções de aspersão, derramamento, e outras obras que poderíamos mencionar, correspondem a sua crença. Se cressem ser correto que um homem fosse invariavelmente imerso, assim o ensinariam; se cressem ser correto que um homem fosse batizado apenas por derramamento, assim o ensinariam; se cressem ser correto que um homem fosse aspergido para satisfazer as exigências do céu, assim o ensinariam. Portanto, descobris que suas obras corresponderiam a sua fé; se não tivessem fé, não poderiam crer nem na imersão, nem na aspersão, nem no derramamento. Se um crente na imersão, a praticará, suas obras corresponderão a sua fé, e ele sairá e será imerso. Como sabeis que ele crê no batismo por imersão? Por suas obras. Que evidência tendes de que aquela pessoa crê na imersão? "Ora," diz meu irmão, "eu estava presente quando ele foi imerso; ouvi-o dizer ao Élder, ou ao Sacerdote, que exigia a imersão de suas mãos, e ele saiu e sustentou sua fé nela por suas obras." Este seria um raciocínio correto. "Mas," diz alguém, "creio em ter água derramada sobre minha cabeça." "Como sabeis que ele crê nisso?" "Eu estava presente, e o ouvi exigir do Sacerdote, ou Élder, que derramasse água sobre ele, e o Sacerdote atendeu a seus desejos, e suas obras me provaram que ele cria no derramamento."

Outro diz ao Sacerdote: "Desejo que me asperjas, exijo isto porque creio que a aspersão é o melhor modo." Que evidência tendes de que este homem crê na aspersão? Suas obras o provam. O simples fato de terdes estado presentes e o terdes visto aspergido, ou o terdes ouvido pedir a administração do rito, vos convence de que ele tinha certo tipo ou espécie de fé. Todo o povo tem uma só fé? Não, e suas obras são tão variadas quanto sua fé. Se há diversos tipos de fé, deve haver diversos tipos de obras.

Se há apenas uma fé, só pode haver um modo de batismo. O Dr. Clark afirma positivamente que os colossenses foram sepultados com Cristo no batismo, isto é, foram realmente imersos. Diz que o Testamento Grego lê que foram imersos, mergulhados, sepultados, que foram cobertos. Como sabeis algo sobre os colossenses? Que processo de raciocínio seguiríeis, para vos levar à conclusão de que os colossenses criam na imersão como único modo? Que foram realmente sepultados na água? Novamente, se indagardes se os coríntios foram aspergidos, como saberíeis sua fé? Diz alguém: "Eu o saberia por suas obras, pois sei que suas obras corresponderiam a sua fé. E se os efésios tivessem a ordenança administrada por derramamento, eu o saberia por suas obras." Que vos diz a Bíblia? Que há uma só fé, um só Senhor, e um só batismo.

Se os católicos tivessem a mesma fé que tinham os colossenses, poderiam derramar ou aspergir? Certamente não. Se dizeis que uma parte do povo de Deus é derramada, outra parte aspergida, e outra imersa, introduzis o cisma e a falsa doutrina, e então obras diferentes se seguem. Assim que tiverdes os colossenses imersos, os coríntios derramados, e os efésios aspergidos, introduzis a realização de três tipos de trabalho. Mas se há uma só fé, e todos tinham o tipo correto de fé, se todos tivessem alcançado a igualmente preciosa fé entregue aos Santos, e uma parte foi imersa, então o restante também foi imerso. Se se puder estabelecer o fato de que uma parte da Igreja cristã foi imersa, isso estabelecerá o fato, além de qualquer sombra de dúvida, de que a todo o restante se administrou da mesma maneira. O povo de Deus está sob a necessidade de ter igualmente preciosa fé, e suas obras, portanto, também teriam de concordar. Se o Dr. Clark estava certo, e não tenho razão alguma para contestar o douto doutor, de que os colossenses foram imersos, o restante do povo de Deus em toda a antiga Igreja também foi imerso. Se tinham apenas uma fé, é impossível introduzir o derramamento e a aspersão. Se introduzirdes o derramamento, então tinham a fé do derramamento; se a aspersão, a fé da aspersão. Mas se provardes que uma parte foi imersa, provais que tinham igualmente preciosa fé, e o restante deve, por necessidade, ter sido imerso. É assim que raciocino sobre o assunto.

Novamente, se foram imersos, foram confirmados pela imposição das mãos, como aprendeis pela mesma Escritura. Se os antigos Santos criam ser necessário impor as mãos, e os Santos dos Últimos Dias cressem ser desnecessário impor as mãos, como poderíeis fazer vossa fé concordar com a deles? Como poderíeis introduzir uma nova doutrina e argumento, e reconciliar vossa fé com a deles? Eles realmente criam na imposição das mãos, na confirmação, para o recebimento do Espírito Santo.

Os metodistas, batistas, presbiterianos, a Igreja da Inglaterra, todos creem que essa era a prática dos antigos Santos. Todos os que creem na Bíblia concordarão que essa era a fé dos antigos, tal como exibida em suas obras; portanto, se algum dos cristãos modernos o rejeita, temos o direito de afirmar que sua fé se conhece por suas obras. Temos o direito de dizer que sua fé não concorda com a dos antigos. Mas minha fé concorda com a dos antigos. Creio e pratico exatamente as obras que eles praticavam. Creio no batismo para a remissão dos pecados, e na imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo, e, se alguns entre vós estão doentes, em mandar chamar os Élderes da Igreja, em ungir os enfermos com azeite, e em orar por eles, para que sejam curados.

Ora, quero me deter um pouco neste ponto. Não sei se alguns usam as ordenanças de Deus com demasiada frequência, e em ocasiões demasiado leves. Alguns, se enfiam uma lasca no dedo, pedirão a imposição das mãos e oração para curar a ferida; ou se lhes entra um pouco de areia ou poeira no olho, quererão que lhes imponhais as mãos para removê-la; e assim com outras pequenas queixas para as quais já temos remédios simples e conhecidos. Não desejo ensinar isso, mas desejo ensinar-vos a doutrina da Bíblia. "Está alguém entre vós doente? Chame os anciãos da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor: E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." Esta é a doutrina da Bíblia, marcai bem as palavras. Se algum dos Apóstolos está doente, que mande chamar alguns dos demais Apóstolos, e que seus irmãos Apóstolos administrem a eles, e serão curados; a Bíblia não diz isso. Não diz que apenas os renomados na Igreja colherão os benefícios desta instituição, mas diz: "Está alguém entre vós doente?" etc. Suponde que Deus tenha uma verdadeira Igreja sobre a terra nesta era, que modo adotaria aquela Igreja caso alguns estivessem doentes? Diz alguém: "Se tivessem a mesma fé que os antigos, praticariam as mesmas obras." Como havemos de averiguar se os Santos dos Últimos Dias têm a igualmente preciosa fé dos Apóstolos? Sabeis que os Apóstolos disseram que tinham igualmente preciosa fé. Como havemos de averiguar que a temos? Se alguns entre vós estão doentes, mandareis chamar os Élderes da Igreja, e os deixareis ungir-vos com azeite em nome do Senhor, e a oração da fé salvará o doente.

Vedes de imediato que é necessário que vossas obras correspondam, e que mandeis chamar os Élderes da Igreja. Vedes isto praticado entre os Santos dos Últimos Dias? Alguns deles primeiro têm de experimentar o médico, raspar a cabeça, tomar uma dose de calomelano e gutagamba, colocar um emplastro vesicante na nuca, e outro por todo o abdômen, além de um em cada quadril—em suma, têm de ter seis ou oito grandes emplastros vesicantes de uma vez. Depois de experimentar tudo isso, e acumular uma conta com um médico de seis a seiscentos dólares, mandam então chamar os Élderes. Quando James está quase morto, tendo-lhe tirado dois litros de sangue no sábado, e outro na segunda-feira, e quando a vida quase se esvai do pobre coitado por causa dos purgantes e das sangrias, então mandam chamar os Élderes, e lhes pedem que orem por ele. Quando um homem ou mulher manda me chamar depois de seguir tal rumo, sinto-me insultado, ainda que não o demonstre. Vou à casa aparentemente de bom humor, e administro, mas há dentro de mim um franzir de indignação. Sinto que insultaram o Sacerdócio, pisotearam a ordem da casa de Deus, e trataram levianamente Suas santas ordenanças. Não estou ansioso por exercer fé por tais pessoas, pois penso que são tolas, e que morram da morte do tolo.

Se os Santos de Deus realmente têm a fé dos antigos, que pratiquem a doutrina em suas obras. Um homem me dirá que é "mórmon," que crê na fé dos antigos, quando ao mesmo tempo pratica tudo, menos sua religião. Minha regra é praticar nossa religião. Se quero um gole de chá de nébeda, ou de composição, ou de lobélia, está tudo bem, mas primeiro praticarei minha religião. Sabeis que mal é permitido em Utah beber mais de vinte litros de lobélia de uma vez, pois a Assembleia de Deseret já teve o assunto sob consideração.

Desejo ver os Santos praticarem sua religião, e a levarem a cabo, e se não puderem viver por sua religião, que então morram por ela. Esta é a doutrina. Quero minha religião, se vou morrer. Certamente esse é o momento em que não gostaria de deixá-la de lado, pois seria imprudente fazê-lo, já que é exatamente o momento em que dela mais se precisa, e é o momento em que se deveria estar mais imerso nela. Desejo ver os Santos mostrarem realmente, por suas obras, que têm a fé dos antigos.

Quando os Élderes saem a pregar, e pessoas são curadas pela imposição das mãos, alguns disseram: "Não podemos esperar que os doentes sejam curados em Sião; não podemos esperar ver milagres quando estivermos ajuntados em Sião." Esse é exatamente o lugar para os doentes serem curados, e o lugar onde o povo de Deus deveria exercer mais fé, e ser mais diligente em guardar perfeitamente as ordenanças da casa do Senhor. Só ouvistes a teoria ensinada no exterior, mas agora voltastes para casa para praticar o que fostes ensinados em outras terras.

Se alguns entre vós estão doentes, que mandem chamar os Élderes da Igreja para orar por eles, e para lhes imporem as mãos, ungindo-os com azeite em nome do Senhor, e a oração da fé salvará o doente. As pessoas negligenciam ungir com azeite quando deveriam e poderiam usá-lo. Já vi Élderes tentarem expulsar demônios, e, para consegui-lo, jejuaram, e oraram, e impuseram as mãos, e repreenderam o demônio, mas ele não saía. Vi-os então trazer óleo consagrado, e ungir a pessoa possuída pelo demônio, e o demônio saiu imediatamente. Isso me ensinou uma boa lição—que Deus Todo-Poderoso, quando fala, quer dizer o que diz; e se as obras de um homem são corretas, sua fé será correta; e se sua fé é errada, suas obras são erradas. Quando um homem cuja fé é correta sai para administrar aos doentes, ungirá com azeite, bem como imporá suas mãos e orará. A menos que ungais com azeite, vossas orações não subirão mais alto que a neblina, e sabeis que raramente sobe muito mais alto que o cume das montanhas.

Se estou doente, e mando chamar um administrador, quero que ele cumpra cada palavra do Senhor; e se houver ali alguém de quem não gostais, quando vierdes a mim, convidai-o para fora da porta. Quando há demônios na casa, e não gostais deles, expulsai-os, mas certificai-vos de administrar as ordenanças corretamente. Quando um Élder vem administrar aos doentes, e teme sujar os dedos, ou deixar cair um pouco de óleo em seu colete ou calças, e diz: "Ah, não vos importeis com o óleo, não há virtude alguma no azeite de oliva; tanto faria bebê-lo quanto ungir com ele; além disso, posso sujar minhas luvas; vou dispensá-lo," quero que tal homem se retire. Se eu estivesse doente, e ele viesse a mim dessa maneira, diria: "És um pobre e miserável hipócrita." É assim que eu sentiria e falaria. Que um homem, quando tem o tipo correto de fé, pratique as obras dela; e quando Deus diz: "Ungi com óleo," ungi; não me importa se escorre pela barba como escorreu pela de Arão, isso não vos fará mal. Quando um homem cumpre com toda exigência do céu, suas obras e sua fé são corretas. Ele oferece oração pelos doentes, unge com óleo, e impõe as mãos. Quando suas obras são corretas, corresponderão a sua fé, e homens e mulheres serão curados.

Isto é tão certo quanto a lei da matemática; jamais vi falhar, e jamais falhará; digo-vos isto em nome do Senhor Deus de Israel. A grande dificuldade é, como diz o irmão Kimball, que as pessoas brincam com essas coisas como um gato faz com um rato até que este morra; e assim será com as ordenanças de Deus quando apenas parte delas for realizada e parte omitida, pois desta forma o canal das bênçãos do Senhor fica obstruído. Os Santos que estão doentes não devem esperar ficar saudáveis quando apenas metade da ordenança lhes é administrada. Se um homem deseja ser curado, deve ser administrado legalmente daquela maneira que Deus determinou, e viver sua religião.

Muitas pessoas participam do Sacramento, e ao mesmo tempo pensam: "Quantas juntas de animais poderei conseguir amanhã para carregar pedra? Será que aquela irmã tem um chapéu igual ao meu, ou será que posso conseguir um igual ao dela? Será que amanhã fará bom tempo, ou choverá, ou nevará?" etc. Podeis sentar-vos nesta tribuna e ler tais pensamentos em seus rostos. Quando um enfermo enviou um pedido pelas orações desta congregação, muitos permitem que seus pensamentos vaguem por toda a criação. Não vemos isto bem aqui? Sim, e um homem de Deus se indigna com isso. Não importa quem seja chamado a orar, toda a assembleia deveria se unir em um só; toda pessoa na congregação que tenha interesse no trono da graça deveria engajar-se em oração, e elevar seus corações, como o coração de um só homem, ao Todo-Poderoso, pelas bênçãos desejadas, e em ação de graças pelas bênçãos desfrutadas.

Falamos em ser um; ora, se nossa fé é correta, que nossas obras correspondam. Se tendes fé para orar, e a oração é oferecida na tribuna, orai também; e se não puderdes conter vossos pensamentos de nenhuma outra maneira, repeti mentalmente a oração daquele que ora em voz alta, palavra por palavra, e que todo Santo de Deus ore quando chegar a hora da oração. Quando a oração é assim oferecida ao Deus do altíssimo céu pelos doentes e aflitos, achareis que os doentes serão curados, pois as orações do povo de Deus sobem como incenso diante Dele, e Ele decretou que responderá a suas orações porque estão unidas. Quando um enfermo envia aqui um pedido pelo benefício de nossas orações, não é enviado para que um só homem ore por essa pessoa, mas para que as orações dos Santos reunidos, individual e coletivamente, sejam oferecidas por essa pessoa. Portanto, cada um no Tabernáculo dos justos deveria elevar sua voz e orar por aquele enfermo, é vosso dever fazê-lo. E quando participais do Sacramento, deveríeis discernir o corpo do Senhor, e crer que, pela virtude de Seus sofrimentos, sangue e morte, sois redimidos. Deveríeis perceber que não é uma ordenança pequena e trivial, mas foi instituída pelo grande Deus para o benefício de Seu povo, e para comemorar e perpetuar os sofrimentos e a morte de Seu Filho.

Desejo exortar-vos a serdes fiéis, a terdes o tipo correto de fé, e a exibi-la por vossas obras. Qual é o testemunho dos Santos dos Últimos Dias? Nossa religião é tão diferente da religião de outros povos quanto nosso testemunho é diferente do deles. Quando Joseph Smith deu seu testemunho, disse ao povo que um anjo do alto céu lhe havia falado, que fora ordenado por autoridade de Jesus Cristo, e enviado a pregar o Evangelho. Já ouvistes os metodistas darem tal testemunho? Se não, como podeis esperar que tenham fé como a do homem que crê no testemunho de Joseph Smith? Os metodistas não têm tal testemunho, a não ser o que têm dos Santos dos Últimos Dias. Joseph também disse que vira as regiões sombrias do Hades; já ouvistes um metodista dar esse testemunho? Não. Aqui estão Élderes de Israel que viram companhia após companhia de anjos, que viram os doentes curados, os ouvidos dos surdos abertos, a língua dos mudos solta, e os olhos dos cegos abertos. Ouvi-los-eis testificar que viram a glória de Deus; e que, pelo espírito de profecia, viram guerra, peste e fome vindo sobre a terra. Os metodistas não pretendem ter tal testemunho, e, é claro, não têm tal fé. Podeis ir a qualquer seita que desejardes sobre a terra, e sua fé corresponde mais ou menos a seu testemunho.

Os Santos dos Últimos Dias têm testemunho, e a fé lhes vem por ouvirem a palavra de Deus, mas aos demais lhes vem por ouvirem as palavras dos homens.

Temos testemunho de que Cristo vive, e se assenta à mão direita de Deus, de que anjos ministraram aos filhos dos homens sobre a terra, e de que nosso Deus ouve e responde a nossas orações. Nossa fé é diferente e nosso testemunho é diferente do resto do mundo professo, e, para que concordem conosco, têm de ouvir e receber o mesmo testemunho, a mesma doutrina, e o mesmo peso de argumento que temos, pois a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus. O povo de Deus nestes últimos dias difere de outras seitas de religiosos. Como poderia ser de outra forma, quando nosso testemunho é tão diferente, quando a primeira proclamação que ouvimos foi tão diferente, quando a restauração do Livro de Mórmon, sua tradução pelo uso do Urim e Tumim, os dons e bênçãos do Espírito Santo, o ministério de anjos, e tudo o que está ligado a nossa religião, são tão diferentes daquilo a que o mundo tem estado acostumado? Creem que o calomelano curará os doentes—nós não cremos, mas que a unção com óleo e a imposição das mãos o farão; e agimos de acordo.

Não é de admirar que os Santos dos Últimos Dias creiam de maneira diferente dos demais, pois suas obras são diferentes, e seu testemunho é diferente. Cremos em nos ajuntar; o Senhor Deus nos falou dos céus e nos ordenou que nos ajuntássemos. Eles não creem em ajuntar-se onde o Todo-Poderoso possa falar-lhes; nem sequer oram para que o Senhor lhes envie um anjo para lhes falar. Os Santos dos Últimos Dias procuram viver sua religião, para que possam conversar com anjos, receber o ministério de santos mensageiros do trono de Deus, ser santificados em seus espíritos, afeições, e todos os seus desejos, para que o Espírito Santo repouse sobre eles, e seus corações se encham dele, e se tornem capazes de suportar a presença de anjos.

Que o Senhor vos abençoe, e vos desperte quanto a estes pontos de doutrina, para que vossa fé e obras sempre correspondam, e que vossas bênçãos sejam iguais às do antigo povo de Deus, em nome de Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Como citar este discursoJedediah M. Grant, “Fé e Obras”, (1855-03-11). Pulpit Vault, 1855-03-11-grant-faith-and-works. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).