O Sacerdócio e Satanás—A Constituição e o Governo dos Estados Unidos—Direitos e Política dos Santos dos Últimos Dias
Brigham Young
Observações do Presidente Brigham Young, Proferidas no Tabernáculo, Great Salt Lake City, 18 de fevereiro de 1855. Relatado por G. D. Watt. ¶
Uma parte desta congregação foi criada na América, e está mais ou menos familiarizada com a Constituição, com os direitos constitucionais do povo, com as instituições do país, com os governos estaduais, leis, etc.; e se prestaram atenção particular, e ouviram o irmão Bullock ler meu discurso escrito, de modo a poderem entendê-lo, sabem se suas mentes, sentimentos e juízos coincidem com os meus, quanto aos pontos de vista que acabaram de ser apresentados. ¶
Por mim, posso dizer que são verdadeiros; são os sentimentos deste povo, na medida em que estão familiarizados com os princípios do governo dos Estados Unidos; embora parte de nossa comunidade atual não tenha sido criada sob as benignas influências das instituições de nosso governo materno. Mas, na medida em que compreendem, arrisco-me a dizer que estes são os sentimentos de todos os Santos dos Últimos Dias. ¶
Em minha conversa, falarei e agirei como me aprouver. Ainda assim, estou sempre ciente, ao falar em público, de que há os que estão presentes dispostos a encontrar defeitos neste povo, e a tentar suscitar preconceito contra ele; e apanharão palavras e frases isoladas, e as juntarão a seu bel-prazer, e enviarão uma versão distorcida para prevenir o mundo contra nós. Com tal procedimento nunca me importo; pois tenho frequentemente dito que as palavras faladas são apenas vento, e, uma vez ditas, se vão; consequentemente, tomo liberdades ao falar que não permito quando comprometo meus sentimentos por escrito. ¶
O discurso que acabou de ser lido, apontando o caminho que este povo trilhou, é apenas um breve resumo de nossa experiência, do que temos suportado, e do que cremos. ¶
Antes que o Livro de Mórmon fosse impresso, e imediatamente depois que Joseph Smith obteve as placas, e as revelações que recebeu a respeito de ser este registro o registro dos nefitas, e dos lamanitas, que são os pais dos atuais aborígenes de nosso país, e em que o Senhor lhe disse que estava prestes a estender Sua mão pela segunda vez para ajuntar Israel, começou a guerra contra ele; isso foi muito antes de o livro ser impresso. Vou agora contar-vos a todos um segredo, embora já vos tenha sido lido; é este: Cristo e Belial não são amigos, são inimigos. Perguntamos onde está a Igreja de Cristo. Minha resposta conclusiva é: se os Santos dos Últimos Dias não constituem o Reino de Deus sobre a terra, a Igreja de Jesus Cristo, ela não se acha em lugar nenhum sobre ela. Facilmente se prova pelas Escrituras que nenhuma outra igreja, que professe crer no Antigo e no Novo Testamento, guarda quase nenhuma semelhança com a antiga e verdadeira Igreja na plenitude das doutrinas do Senhor Jesus. ¶
No que diz respeito à moralidade, em muitos casos não tenho queixas a fazer. Milhares e milhões de pessoas vivem segundo a melhor luz que possuem, mas o Santo Sacerdócio não está sobre a terra, a menos que os Santos dos Últimos Dias o tenham. É o Sacerdócio de novo dado aos filhos dos homens—hei de dizê-lo? ["Sim."] Isso desperta o diabo, e enfurece todo o inferno; e os servos do diabo correrão de um lado para outro, e publicarão suas mentiras sobre Cristo e Sua Igreja na terra. Não estão irados comigo nem convosco; e os professores do cristianismo, os sacerdotes, não estão irados conosco, mas estão cheios de ira e indignação consigo mesmos, e com o Todo-Poderoso. Por que estão irados? Porque são homens, e como os demais homens. Se um homem vê sua casa prestes a cair, se vê algo ou outra coisa continuamente roendo, e roendo, e corroendo, e operando sobre o alicerce, e descobre que, mais cedo ou mais tarde, sua casa há de cair, talvez enquanto dorme, ou quando está longe de casa, e destruir suas mulheres e filhos, ele está sempre preocupado, e agitado; sempre vigiando, com um temeroso olhar à espera do momento em que ela desmoronará. Esta é a dificuldade com o mundo cristão professo. Será assim com o Infiel? Não, ele não se importa em nada com o assunto; mas aqueles doces, amorosos, benditos cristãos, o sacerdote no púlpito, e o diácono debaixo dele, e os sábios seguidores de seus próprios disparates e das tradições de seus pais são os que estão em guerra com o Sacerdócio Eterno de Deus. ¶
Os universalistas dizem que todos iremos ao céu amontoados juntos, e se crêem em sua religião não se preocupam com o "mormonismo." Embora confesse que penso que a maioria deles é como aquele velho, forte crente no universalismo, que, caminhando entre seu gado, e meditando sobre sua doutrina, aproximou-se de um boi favorito, e disse a si mesmo: "Creio na doutrina dos universalistas, mas, velho Bright, por mais que te ame, dar-te-ia de bom grado se soubesse que é verdade." Encontrai um homem que não creia em doutrina religiosa alguma, que não creia numa existência futura, e o que lhe importa o "mormonismo"? Absolutamente nada. ¶
Quem é que agita o diabo o tempo todo? Aqueles hipócritas santificados, aqueles velhos sectários, que professam tanta santidade, e tanta religião. Veem que sua velha e favorita morada está se desmoronando em pó, para nunca mais ser reconstruída antes que o "mormonismo" triunfe. É isto que agita toda a maldade. Foram sacerdotes que primeiro perseguiram Joseph Smith. Relatarei aqui algumas das circunstâncias que eu mesmo pessoalmente conheci a respeito da vinda das placas, das quais parte foi usada para traduzir o Livro de Mórmon. Este fato pode ser novo para vários, mas eu tinha conhecimento pessoal de muitas dessas circunstâncias. ¶
Conheci bem um homem que, para conseguir as placas, cavalgou mais de sessenta milhas três vezes no mesmo verão em que foram obtidas por Joseph Smith. Por volta da época em que foram entregues a Joseph pelo anjo, os amigos deste homem mandaram chamá-lo, e o informaram de que estavam prestes a perder aquele tesouro, embora não soubessem o que era. O homem a que me refiro era um adivinho, um nigromante, um astrólogo, um vidente, e possuía tanto talento quanto qualquer homem que já pisou o solo americano, e era um dos homens mais perversos que já vi. Da última vez que foi buscar o tesouro, sabia onde estava, e disse onde estava, mas não sabia seu valor. Permiti-me contar-vos que um diácono batista e outros vizinhos de Joseph foram exatamente os homens que mandaram chamar este nigromante da última vez que foi buscar o tesouro. Nunca ouvi homem que soubesse praguejar como aquele astrólogo; praguejava cientificamente, por regra, por nota. Para os que amam praguejar, era musical ouvi-lo, mas não para mim, pois eu deixava sua presença. Ele chamava Joseph de tudo o que era ruim, e dizia: "Creio que ele vai conseguir o tesouro, afinal." E conseguiu, e a guerra começou imediatamente. ¶
Quando Joseph obteve o tesouro, os sacerdotes, os diáconos, e os religiosos de todo grau, andaram de mãos dadas com o adivinho, e com toda pessoa perversa, para tirá-lo de suas mãos, e, para realizar isto, uma parte deles saiu e o perseguiu. ¶
A nossa é professamente uma nação cristã, e os que professam ser cristãos deveriam sê-lo de fato; se o fossem, não hesitariam em ter um bom homem e cristão a presidir sobre eles. Por mais que se diga contra cristãos sentarem-se na cadeira Presidencial do governo, são eles as únicas pessoas apropriadas para governar, e deveriam ser ensinados pelo Senhor por sonhos e visões. Mas, apesar de todo o alvoroço a respeito de "Igreja e Estado," não houve, em nossos dias, um só Presidente, nem Governador, que não tenha sido controlado, mais ou menos, por sacerdotes que negam a revelação, não creem em visões, e não recebem o ministério de anjos. Presidentes, Governadores, membros do Gabinete e do Congresso são mais ou menos controlados, seja pelos sacerdotes, seja por uma influência religiosa tradicional; e ao mesmo tempo quase todos se voltarão e amaldiçoarão os sacerdotes, e amaldiçoarão a religião até ao mais profundo inferno, enquanto são governados e controlados por ela. A falsa religião que há no mundo é o que suscita este "alvoroço," desencaminha o povo, e se opõe ao Reino de Deus sobre a terra. Ora, se apenas nos conformássemos com os ímpios, tudo estaria bem, e então ninguém desejaria nos perseguir. ¶
Mencionarei alguns ditos e feitos que se passaram no Missouri, quando tinham Joseph e muitos outros presos. O velho General Clark tinha poder discricionário, do Governador Boggs, para matar homem, mulher e criança, ou poupar as mulheres e crianças, ou distribuir toda a comunidade dos Santos entre os demais habitantes, como bem lhe aprouvesse. A causa disso foi atribuída aos "distúrbios mórmons," "problemas mórmons"; embora os "mórmons" não tivessem saído de seu próprio condado, pois possuíam quase todo o condado em que viviam, e não iam além de seus próprios limites, exceto por negócios legais e necessários. Havíamos entregue nossas armas, a seu pedido, para provar nossa lealdade ao governo, e então muitos deles disseram: "Agora, maldito seja, vamos atirar em vocês"; e alguns dos Santos foram mortos depois de terem entregado suas armas, em fiel cumprimento à exigência. ¶
O ponto de partida de nossas perseguições ali surgiu com nossos inimigos ateando fogo às suas próprias casas, e jurando que haviam sido queimados e expulsos pelos "mórmons." Isto eu sei, pois se deu sob minha própria observação. Quando o General Clark entrou em Far West com seu exército, enviou George M. Hinkle, o apóstata, para chamar o restante dos irmãos até a praça pública, e, quando estavam reunidos, cercou-os com seus homens, e disse: "Senhores, tenho poder discricionário em minhas mãos, e agora vos direi o que desejamos. Desejamos que um vá para casa com este homem, e outro com aquele homem, e leve suas esposas e filhos convosco, e vos distribuais pelo Estado. Sois os melhores mecânicos e o povo mais diligente que temos; e realizastes aqui mais em dois anos do que nossos antigos colonos em doze. Desejamos que vivais conosco. Por que não podeis vos associar conosco? Quero que vos espalheis entre nosso povo, e abandoneis vossa religião, e vosso Profeta, pois vos digo agora, desde já, jamais tornareis a ver vosso Profeta, Joseph Smith." (Disse eu a mim mesmo: 'Isso é mentira.') "Apenas misturai-vos conosco, e abandonai vosso Profeta, vossos Apóstolos, e vosso ajuntamento, e desejamos que fiqueis conosco, pois sois os melhores cidadãos do Estado." Pensei que estas expressões não correspondiam bem a muitas de suas observações, e, determinado a não abandonar minha religião, concluí de imediato que ele podia ir para o inferno, e eu deixaria o Estado; e assim fiz, com o restante dos Santos dos Últimos Dias, pois já haviam matado muitos anteriormente. ¶
Irmãos e irmãs, nossos amigos desejam saber nossos sentimentos para com o Governo. Respondo: são excelentes, e o provaremos também, como vereis, se apenas viverdes o suficiente, pois que viveremos para prová-lo é certo; e quando a Constituição dos Estados Unidos estiver pendurada, por assim dizer, por um único fio, terão de chamar os Élderes "mórmons" para salvá-la da total destruição; e eles avançarão e o farão. ¶
Amamos a Constituição de nosso país; é tudo o que poderíamos pedir; embora em alguns poucos casos pudesse haver emendas que a aperfeiçoassem. Amamos o Governo Federal, e as leis do Congresso. Não há nada nessas leis que de forma alguma milite contra nós, nem mesmo em nossa exclusão da lei comum deste Território. Posso informar a nossos advogados que aqui pleiteiam que o Congresso dos Estados Unidos aprovou leis que nos dão o privilégio de excluir a lei comum a nosso bel-prazer, e isso sem violação alguma da Constituição, ou dos estatutos gerais. Também nos deram o privilégio de impedir a embriaguez, os palavrões e o jogo, e de prevenir corridas de cavalos, e de punir homens por ferirem e roubarem uns aos outros. A Constituição dos Estados Unidos, e todo o Governo Federal, em seus atos, nos concederam este privilégio. ¶
Ora, direi uma coisa a que sou contrário, e a que este povo é contrário; é a um homem vir aqui como oficial, com um pedaço de pergaminho no bolso trazendo o nome de algum grande homem, e começar a estabelecer suas regras de disciplina para o povo, e dizer: "Sou um cavalheiro, sou um cavalheiro de elevados brios; podeis me dizer onde posso encontrar uma mulher para dormir comigo esta noite?" e a montar casas de jogo, e beber, e farrear, e fomentar contendas, e tramar processos judiciais; a caçar espíritos descontentes, e depois pregar sermões de moralidade ao povo, desejando que se tornem como outras comunidades, e a dizer à Sra. Fulana ou à Srta. Fulana: "Não quereis passear comigo—não quereis dar um passeio de trenó esta noite comigo? Sou um cavalheiro de elevados brios." Um pai, ou marido, prudente diz: "Vinde para casa; aqui é vosso lugar; não tendes nada a fazer com estranhos." Qual é o resultado disto? Ora, da maioria desses cavalheiros de elevados brios, podeis ouvir: "Maldição aos mórmons, são contrários ao Governo Federal, porque não nos deixam dormir com suas esposas e filhas." Sou contrário a tais homens, e os persigo com as flechas farpadas do Todo-Poderoso. Até que ponto? Que ousem intrometer-se na castidade de minha família, e, assim Deus me ajude, hei de acabar com eles. [Toda a congregação disse: "Amém."] Tais personagens podem gritar: "Estranhos, estranhos; os mórmons são todos hostis ao governo," e podem gritá-lo até estarem no inferno. ¶
Como já afirmei, o Presidente dos Estados Unidos deveria ser um padrão perfeito para todo o povo seguir; assim também o Vice-Presidente, os membros do Gabinete, e do Congresso, os Governadores dos Estados e Territórios, e, em suma, todos os oficiais do Governo, deveriam ser padrões para o povo imitar. Mas que se encontra entre os líderes do povo? Quase tudo, menos um exemplo íntegro. ¶
Homens corruptos não podem caminhar por estas ruas com impunidade, e se isso é ser estranho ao Governo, amém a isso. A Constituição dos Estados Unidos sustentamos o dia todo, e ela nos sustentará e nos protegerá, enquanto os homens que dizem que somos estranhos, e que gritam "distúrbio mórmon," irão para o inferno. Houve oficiais aqui que não eram próprios para viver em nosso meio, e fugiram para casa, e levantaram o clamor, "distúrbios mórmons," "rebelião mórmon," "guerra mórmon," e "traidores"; mas seu dia passou. ¶
Quando um homem professa ser meu amigo, e amigo deste povo, seguirá meu conselho, em vez de fomentar contendas, e praticar iniquidade. Detesto os deliberadamente corruptos, e, com o tempo, sairei como um trovão, como já fiz com outros que praticavam iniquidade; e como fiz com certo indivíduo quando fez seu glorioso discurso, e insultou este povo, do mais alto ao mais baixo. Eu o castiguei, e ele fugiu e relatou como minhas palavras aquelas que eu não disse. Foi-lhe dito, enquanto estava nas planícies, que o Presidente Zachary Taylor estava morto e condenado, e correu pelos Estados, de lado a lado, que fui eu quem o disse. Primeiro se propalou que os "mórmons" o disseram, e depois que Brigham o disse; bem, eu o confirmei, porque sabia ser verdade. Tenho tanto direito de dizer que o Presidente Taylor está no inferno quanto de dizer que qualquer outro miserável pecador ali está. Era ele mais do que carne e sangue? Tenho tanto direito de examiná-lo de um ponto de vista religioso quanto de examinar o camponês sobre o monturo. Ele foi para lá, e assim foram muitos outros; e o Senhor Todo-Poderoso está removendo os ramos amargos, conforme predito no Livro de Mórmon. ¶
Os jornais estão repletos de declarações de que eu disse: "O Presidente Pierce e todo o inferno não me poderiam remover do cargo." Dir-vos-ei o que de fato disse, e o que agora digo: o Senhor reina e governa nos exércitos dos céus, e faz Sua vontade entre os habitantes da terra. Ele estabelece um reino aqui, e derruba outro ali, a Seu bel-prazer. Anda no meio do povo, e este não o sabe. Faz Reis, Presidentes e Governadores a Seu bel-prazer; portanto concluo que serei Governador do Território de Utah, exatamente pelo tempo que Ele quiser que eu o seja; e, por esse tempo, nem o Presidente dos Estados Unidos, nem nenhum outro poder, pode impedi-lo. Então, irmãos e irmãs, não vos preocupeis com minha destituição do cargo; pois quando o Presidente nomear outro homem para ser Governador do Território de Utah, podeis reconhecer que foi o Senhor quem o fez, pois devemos reconhecer Sua mão em todas as coisas. ¶
Todo o povo está nas mãos do Todo-Poderoso, e Ele os governa e controla, embora não percebam, nem reconheçam, Sua obra. Ele exalta o Presidente para ser o chefe da nação, e coloca reis em seus tronos. Não há homem que escape a Seu conhecimento, e Ele traz à luz Seus propósitos nos últimos dias. Posso dizer-vos algo mais, irmãos e irmãs, e amigos, e os Estados Unidos, e o mundo inteiro; o Senhor Todo-Poderoso não permitirá que Seu Sacerdócio seja novamente expulso da terra, ainda que permita que os ímpios matem e destruam este povo. O Governo dos Estados Unidos e todos os reis do mundo podem guerrear contra nós, mas Deus preservará uma parte dos mansos e humildes deste povo para levar o Reino aos habitantes da terra, e defenderá Seu Sacerdócio; pois é o último tempo, o último tempo de ajuntamento; e Ele não permitirá que o Sacerdócio seja novamente expulso da terra. Podem massacrar homens, mulheres e crianças; mas o Senhor não permitirá que destruam o Sacerdócio; e digo aos Santos que, se verdadeiramente praticarem sua religião, viverão, e não serão extirpados. ¶
"Há um espírito no homem: e a inspiração do Todo-Poderoso os faz entender"; e muitos que não possuem o Sacerdócio têm ideias que são realmente verdadeiras, ainda que nem sempre tenham certeza se são verdadeiras ou não. As cogitações, a respeito deste povo, dos homens em seus leitos, do Presidente dos Estados Unidos, dos membros do Congresso, e dos governantes de diferentes nações, quando meditam sobre a condição do mundo, e sua saída final desta cena de ação, são de que não há mal algum nos Santos dos Últimos Dias. E digo-vos, em nome do Deus de Israel, que suas reflexões secretas lhes dizem isto, a menos que estejam tão depravados pela maldade que o Espírito do Senhor tenha cessado de lutar com eles. Mas assim que se envolvem no turbilhão de seus deveres diários, o alvoroço de que "os mórmons estão prestes a fazer isto e aquilo" atrai sua atenção. Antigamente o boato era que "iam interferir com os escravos," quando jamais havíamos pensado em tal coisa. A semente de Cão, que é a semente de Caim descendente através de Cão, servirá, segundo a maldição que lhe foi imposta, a seus irmãos, e será "servo dos servos" de seus semelhantes, até que Deus remova a maldição; e nenhum poder o pode impedir. Estes são meus pontos de vista sobre a escravidão. Direi aqui um pouco mais sobre este ponto. A conduta dos brancos para com os escravos, em muitos casos, mandará tanto o escravo quanto o senhor para o inferno. Esta afirmação compreende muito em poucas palavras. Os negros deveriam ser tratados como servos, e não como brutos, mas devem servir. É seu privilégio viver de modo a desfrutar de muitas das bênçãos que acompanham a obediência aos primeiros princípios do Evangelho, embora não tenham direito ao Sacerdócio. ¶
Mas prossigamos; o mal principal está nos governantes, ou naqueles que professam ser governantes, e nos administradores da lei, e não na Constituição, que é pura. Até mesmo aqueles que têm o mal em seus corações, quando contemplam os poderes que existem, tal como agora se exibem diante de seus olhos, quando pensam neles em seus leitos, e em suas mais sóbrias reflexões, começam a perceber que Deus está visitando a terra, que os Santos dos Últimos Dias não são um povo tão mau quanto seus inimigos os representam, que não estão dispostos a ser hostis ao Governo, e que são um bom povo. Muitos que ocasionalmente refletem calmamente começam a perceber que temos algo sobre o qual pouco sabem, e a desejar que o compreendessem. Quando afastam estas reflexões, o medo os invade, porque o clamor, de uma ponta à outra da União, é que "os mórmons estão prestes a fazer algo." Que se disse em Nauvoo? "Deixem Joe Smith e os mórmons em paz, e não passará muito tempo antes que controlem a eleição deste Estado; e o homem que Joe Smith disser que será Governador, esse será; e os homens que ele disser que serão Representantes, esses serão; e não o toleraremos." ¶
Era o sacerdote no púlpito espicaçando o político, e cutucando por baixo, dizendo: "Não toleres isso"; e isso porque o sacerdote não podia suportar ficar de pé no púlpito e reconhecer sua vergonha por defender uma religião falsa, pois nossos Élderes conseguiam silenciar todos e cada um deles, e cobrir-lhes o rosto de vergonha. Portanto suas palavras e determinações foram e são: "Vamos matar os mórmons"; e os sacerdotes espicaçavam os "mórmons" por trás dos políticos. Quanto tempo teria levado antes que toda a eleição de Illinois fosse controlada pelos Santos dos Últimos Dias? Nossos inimigos viram isto, e o diabo o sabia, e enfureceu-se, e determinou nos remover. Ele o fez, e agradeço a Deus por isso. Os sacerdotes e os políticos podiam discernir que o "mormonismo" estava reunindo a seu estandarte seus milhares e dezenas de milhares, e que não passaria muito tempo antes que o Estado fosse governado inteiramente pelos Santos dos Últimos Dias. Toda a eleição teria sido controlada por eles, se não tivéssemos saído, e proibido nosso povo de votar. Tivemos de fazer isso, ou controlar as urnas. ¶
Conseguiram matar Joseph Smith e seu irmão Hyrum, e nos expulsar para estes Vales. Ora, estamos aqui, e do que têm medo? Vou dizer-vos; têm medo de que nos tornemos independentes deles. ¶
A relação entre nós e o Governo pode ser comparada a um homem que tem doze filhos, e todos os filhos mais velhos se voltam contra o mais novo, como os irmãos de José, antigamente, se voltaram contra ele. Perseguiram-no, e mentiram a seu pai sobre ele, e tentaram alienar os sentimentos do velho contra ele, e conseguiram, em certa medida, distanciar os sentimentos do pai do jovem filho. Assim é com o Governo Geral e conosco. Temos suplicado repetidas vezes, e continuaremos a suplicar, dizendo: "Poupai-nos, amai-nos; pretendemos ser um dos melhores filhos que tendes; sede bondosos conosco, e se nos castigardes, que se diga que beijamos a vara e reverenciamos a mão que a deu, e tentamos de novo: mas sede misericordiosos conosco, pois não vedes que somos um filho obediente?" Mas não, Tom, Bill, Dick, Harry, e o resto dos meninos correm eternamente ao velho com mentiras na boca, e ele castigará o pequeno José. E embora o velho não tenha saído em guerra aberta contra ele, e mobilizado a força e as armas do Governo para matar o menino, ainda assim dormita em sua cadeira, e sonha com isso, e fala em seu sono, dizendo: "Vão em frente, meninos; vão em frente, meninos; não diremos nada aqui." E Tom, Bill, Dick, etc., começam a bater no pequeno José; e o velho cochila em sua cadeira dizendo: "Vão em frente, meninos." Que será deste pequeno José? Vou dizer-vos. Somos um filho do Governo, um dos filhos mais novos, e nos apegamos a nosso genitor, e desejamos ser contados na família, e saudar nossos irmãos como irmãos, e ser numerados entre eles, seja em capacidade Territorial, seja Estadual. E o que se segue? O clamor é levantado pelos filhos mais velhos de que "jamais servirá admitir este filho mais novo na União, ele é um estranho, e devemos excluí-lo." Vou dizer-vos a que isso levará: baterão e abusarão do pequeno José até que suas afeições sejam totalmente desmamadas de seu genitor, e de seus irmãos, e ele se torne um menino independente. Quem causará isso, os "mórmons"? Não, os irmãos mais velhos o farão. Instigarão sua hostilidade contra o pequeno José até que seja expulso para o Egito em busca de socorro. Ora, se isto não for Egito o bastante, onde o encontrareis? ¶
"Que se há de fazer com estes turbulentos mórmons, estes ultrajantes mórmons?" Vou dizer-vos o que se poderia fazer, e o que se deveria fazer. O Governo dos Estados Unidos, e os Presidentes dos Estados Unidos, deveriam tratar a religião dos Santos dos Últimos Dias como tratam o metodismo, o presbiterianismo, o quakerismo, o shakerismo, e muitos outros ismos, e dizer: "Aqui, desejo que guardeis vossas línguas quanto aos mórmons, pois eles têm tanto direito à sua religião quanto vós à vossa." E quando o povo peticiona por isto ou aquilo (pois o direito de petição jamais deveria ser negado), é dever daqueles a quem se dirige atender às petições do povo, e permitir-lhes ter oficiais de sua própria escolha, pois o poder de nomeação é eleito pela voz do povo, e a massa do povo detém as rédeas do governo em suas mãos. Que o povo, então, cumpra aqueles princípios que adotou e professa seguir, e quando desejarmos um Governador, ou um Juiz, ou qualquer outro oficial nomeado, que tenhamos os homens que preferirmos, e não aqueles que fugirão e relatarão falsidades sobre nós. ¶
Muitos dos rapazes do Batalhão estão aqui hoje, que caminharam pelas planícies e desertos; sabem o que suportaram. Deixaram seus pais, mães e filhos na pradaria, e alguns deles jamais tornaram a ver, e não os verão neste tempo, pois dormem na sepultura silenciosa. Sofreram tudo isso lutando pelo país que os havia expulsado! ¶
Amo os assassinos e os desordeiros como amo os bons homens? Não. Oro por eles? Sim, para que o Senhor os julgue por sua própria boca, e prontamente. ¶
Suplicamos o tempo todo que nos deixem em paz, e nos permitam viver em paz, e não sermos açoitados e abusados sem causa, pois somos "carne de vossa carne, e osso de vosso osso"; então, por que não nos deixar desfrutar de nossa fatia de bolo, como vos deixamos desfrutar da vossa? Por isto suplicamos, e suplicamos, e suplicamos continuamente, mas "Não," dizem eles, "vamos vos castigar porque temos o poder de fazê-lo; vamos vos açoitar porque somos mais fortes do que vós." ¶
Tomarei o Governo dos Estados Unidos, e as leis do Missouri e de Illinois, do ano de 1833 a 1845, e se tivessem sido cumpridas segundo sua letra e espírito, teriam enforcado os assassinos e desordeiros que ilegal e injustamente mataram, saquearam, perseguiram, e nos expulsaram. Vou dizer-vos quanto amo tais personagens. Se tivessem algum respeito por seu próprio bem-estar, viriam e diriam, fosse Joseph Smith um Profeta ou não: "Derramamos seu sangue, e agora expiemos por isso"; e estariam dispostos a ter suas cabeças decepadas, para que seu sangue corresse sobre o chão, e sua fumaça se erguesse diante do Senhor como incenso por seus pecados. Amo-os tanto quanto isso. Mas se o Senhor deseja que vivam e espumem seus pecados diante de todos os homens e mulheres, está tudo bem, não me importa para onde vão, ou o que façam. ¶
Tenho apenas um temor a respeito deste povo nos Vales das Montanhas, tenho apenas uma sensação trêmula nos nervos de meu espírito, e é a de que não vivamos a religião que professamos. Se apenas praticarmos o que professamos, digo-vos que desafiamos todo o inferno. Mas se transgredirmos a lei que Deus nos deu, e pisotearmos Suas misericórdias, bênçãos e ordenanças, e as tratarmos com a indiferença que tenho pensado que alguns ocasionalmente demonstram, sem plenamente perceber as obrigações a que estão sujeitos para com seu Deus, temo que, em consequência, sejam vencidos, e que o Senhor os deixe ser espalhados e feridos. Mas apenas os deixai viver sua religião, e não tenho mais medo a respeito de serem expulsos, e a respeito de seus inimigos terem poder sobre eles, do que tenho a respeito destas montanhas serem derrubadas sobre esta cidade. Estou disposto a lutar, ou a partir; a correr, ou a ficar; ou a fazer qualquer outra coisa que o Senhor Todo-Poderoso exija de mim pelo bem de Seu Reino, e então dar minha vida por Sua causa. Mas juro pelos Deuses da eternidade que não permitirei que homens em nossas ruas, e em nossas casas, corrompam este povo e o subvertam, sendo o Senhor e os homens bons meus auxiliares. ¶
A quem aludo, senão àqueles que desejam destruir este povo? A ninguém em particular; não sou contrário a homem algum ou grupo de homens que esteja aqui, ali, acolá, ou em qualquer outro lugar, mas sou contrário à maldade e ao vício, onde quer que se encontrem em toda a terra; sou contrário à iniquidade, e sempre pretendo sê-lo. ¶
Prefiro observar sobre assuntos conforme se apresentam à minha mente; embora pudesse preparar uma série de palestras, e me limitar a temas determinados, como frequentemente fiz; mas quando estou nesta tribuna, ergo a comporta e deixo a enxurrada correr, sem me importar para onde vai, nem como. ¶
O que aconteceu quando castiguei um oficial fujão? Não lhe disse uma só palavra precipitada, nem o castiguei nem metade do que merecia; mas lhe disse o que era, e como me parecia; para que fora enviado aqui, e o que deveria ser, se engrandecesse seu cargo. Antes que a reunião terminasse, a palavra era: "Oh! Vamos ser expulsos; aqui vem uma turba." Disse eu: "Saia do meu caminho, ou vou te chutar para fora; do que tens medo?" "Oh! do Governo dos Estados Unidos?" Respondi: "Deixa-me morrer e ir a meu Pai no céu, antes que me abaixe a essa abominável maldade; jamais me abaixarei a isso, assim Deus me ajude." Qual foi o resultado do curso que então tomei? Ele foi castigado, e nosso Juiz Presidente, que agora está aqui, disse-lhe em Washington que fora castigado por sua própria iniquidade, e disse-lhe: "Suponho que não o castigaram nem a metade do que merecia." Supondes que vou me curvar, e permitir que este povo se dobre continuamente à vara da corrupção? Não. Vinde com vossas facas, vossas espadas, e vossas fogueiras, e destruí-nos a todos, antes que abandonemos nossa religião. Seja ela verdadeira ou falsa, não é da vossa conta; se a doutrina da pluralidade de esposas é verdadeira ou falsa, não é da vossa conta. Temos tanto direito de adotar princípios em nossa religião quanto a Igreja da Inglaterra, ou os metodistas, ou os batistas, ou qualquer outra denominação têm na sua. Nossa doutrina é uma doutrina bíblica, uma doutrina patriarcal, e é a doutrina dos Deuses da eternidade, e dos céus, e foi revelada a nossos pais sobre a terra, e há de salvar o mundo por fim, e nos levar ao seio de Abraão, se algum dia lá chegarmos. São os oficiais do Governo os juízes de nossa religião? Não é da conta deles se é verdadeira ou falsa. Sei se é verdadeira ou não, e isso me basta; vós sabeis, irmãos e irmãs, e isso vos basta. Se não creem nisso, não os incomodamos com isso. Dizemos que vos encontraremos como amigos, e como vizinhos, como "carne de nossa carne, e osso de nosso osso," mas não, como o mundo vos encontra, sobre a plataforma da corrupção e da iniquidade. Não estamos ali, nem nos encontraremos convosco ali; mas vos saudaremos como amigos, e como irmãos, no que diz respeito à cidadania do Governo; assim saudamos os oficiais que agora estão conosco. E se o galante cavalheiro que agora está em nosso meio tivesse recebido a comissão de Governador deste Território, como se relatou, e a tivesse aceitado, eu teria tirado meu chapéu e honrado a nomeação; e este povo teria sido tão passivo e submisso a ele quanto jamais poderia ser a mim. Isso eu garanto e afianço. Se desejam enviar um Governador aqui, e ele é um cavalheiro, como aquele a que me referi, todo coração diria: "Graças a Deus, temos um homem para estar à nossa cabeça em capacidade governamental; um homem que tem bom coração, e está disposto a que desfrutemos dos direitos federais da Constituição tanto quanto ele mesmo." Estou com todos esses homens, de coração e mão. Mas que um homem venha aqui e infrinja meus direitos e privilégios individuais, e os de meus irmãos, isso jamais terá minha sanção, e o açoitarei até que se vá; estou atrás dele. Mas direi, em louvor ao galante cavalheiro a que me referi, se houvesse de se chamar um cavalheiro para ser nosso Governador, não há homem, fora do Reino de Deus, que eu escutaria mais prontamente, e sentiria mais confiança e cordialidade para com ele, do que para com ele. Gostaria que esta medida de louvor pudesse ser conferida a todo oficial do Governo, mas não pode. Temos aqui algumas das maldições mais corruptas, condenáveis e vis que já desonraram a terra; alguns que até desejam carregar o santo santuário numa mão, e um jarro cheio de uísque na outra, e seguir uma prostituta, e ter um santo atrás segurando suas vestes para evitar que se sujem. São como o peixe-piloto do tubarão, servindo para conduzi-lo à sua vítima. Desprezo-os; e assim faz todo homem bom. Mostrai vossas cores, senhores, e deixai-nos saber o que e quem sois, como eu faço, para que toda a terra possa ver e ouvir. ¶
Tenho algum sentimento contra o homem que tem um coração verdadeiro pelos direitos constitucionais? Não tenho senão amor e bons sentimentos por todos esses. Que tenho para o pecador, o hipócrita, o incrédulo, o ímpio, o mentiroso, o feiticeiro, o fornicador, e o adúltero? Não tenho senão castigo para eles, até que se arrependam de seus caminhos ímpios, e se voltem para Deus e encontrem misericórdia. Isto é conforme meu ofício sacerdotal. Informei-vos, no discurso que acabou de ser lido, que minha religião é o primeiro e principal para mim, e a enviarei a toda a terra, ao Presidente Pierce, quer me mantenha como Governador do Território de Utah, quer não; e, fosse eu Presidente dos Estados Unidos, ou Rei da Grã-Bretanha, ou Monarca de todo o mundo, minha religião e meu Deus são o primeiro e principal para mim. Minha realeza, minha presidência, e tudo se curvará àquele Sacerdócio eterno que Deus me conferiu. Tenho sido Governador deste Território desde que ele o tem, e em todas as minhas transações oficiais agi de acordo com o Sacerdócio. Jamais o infringirei com nada que eu venha a fazer em qualquer cargo; que tudo isso se vá pela borda, antes que eu seja levado a uma situação que me faça infringir meu Sacerdócio. Em tudo o que faço como Élder de Israel, como detentor das chaves do Sacerdócio para esta geração, se continuar sendo o Governador deste Território, engrandecerei meu cargo por meu Sacerdócio. Não importa qual seja meu Sacerdócio e chamado, tudo deve se curvar a meu Deus, e a Seus mandamentos. Fui obrigado a violar alguma lei? Não. O Sacerdócio me ajuda a honrar, a preservar, a ver, e a entender o bem-estar do Governo por que atuo, e me capacita a fazê-lo mil vezes mais eficazmente do que poderia sem este Sacerdócio; e se alguém puder produzir documentos que provem que algum Governador engrandeceu melhor seu cargo do que eu, que os traga. ¶
No governo livre e independente dos Estados Unidos, quem, aos olhos do Todo-Poderoso, deveria ter o privilégio de sentar-se na cadeira Presidencial, para ser sustentado, adorado, amado e reverenciado em sua capacidade, e ser justificado nisso pelas hostes celestiais? É aquele homem que é santificado diante de Deus, e que ama o Senhor Jesus com todo seu coração, ou, em outras palavras, que é dotado de sabedoria do alto, e tem revelações, visões e sonhos, dando-lhe entendimento para prover pelo bem-estar de toda parte da nação, e disposição para preservar a cada um seus justos e equitativos direitos religiosos, bem como políticos, para o bem e benefício de todos. Aos olhos da justiça eterna, apenas tal homem tem direito a esse cargo. Têm medo de colocar ali um homem que seja professor de religião, temendo que favoreça seu próprio partido. É tolo o homem que faria isso, quando tem leis a preservar e a manter invioláveis para com os metodistas, e todas as denominações religiosas. ¶
O reino que Daniel viu há de impulsionar sua lei, e essa lei protegerá os metodistas, os quakers, os pagãos, os judeus, e todo outro credo que já houve ou jamais haverá, em seus direitos religiosos. Ao mesmo tempo, o Sacerdócio prevalecerá, e manterá o governo do Reino sob controle em todas as coisas, de modo que todo joelho se dobre, e toda língua confesse, para a glória de Deus o Pai, que Jesus é o Cristo. Todos devem se curvar ao Salvador, e reconhecê-Lo e confessá-Lo com sua boca. Ainda podem ser metodistas? Sim. Presbiterianos? Sim. E espero que muitos serão levados a apuros, como o judeu o foi pelo padre católico. O judeu caiu através do gelo, e estava prestes a se afogar, e implorou ao padre católico que o tirasse. "Não posso," disse o padre, "a menos que te arrependas, e te tornes cristão." Disse o judeu: "Tira-me desta vez." "Crês no Senhor Jesus Cristo, e na Santa Igreja Católica?" perguntou o padre. O judeu respondeu: "Não, não creio." "Então tens de ficar aí," e o padre o manteve sob a água por um momento. "Crês em Jesus Cristo agora?" "Oh, sim, tira-me daqui." "Bem," observou o padre, "graças a Deus que outro pecador se arrependeu; estás salvo agora, e enquanto estás salvo, mandar-te-ei diretamente ao portão do céu," e deu ao judeu um empurrão para debaixo do gelo. ¶
Espero com toda certeza que chegará o tempo em que toda língua confessará, e todo joelho se dobrará, ao Salvador, embora o povo possa crer no que quiser quanto à religião. O reino que Daniel viu de fato fará leis para proteger todo homem em seus direitos, como faz agora nosso governo, sejam as religiões do povo verdadeiras ou falsas. Cremos nisto tão sinceramente quanto cremos em qualquer outra coisa; e penso que o curso deste povo o provou, no que diz respeito aos atos dos filhos dos homens. Toda a criação não poderia pedir mais testemunhas do que as que têm, de que o Novo Testamento é verdadeiro, de que Jesus é o Cristo, de que os santos Profetas são verdadeiros, de que o Livro de Mórmon é verdadeiro, e de que Joseph Smith foi um Profeta e Revelador. Mas o Senhor ordenou de tal modo que nenhum homem receberá os benefícios do Sacerdócio eterno sem humilhar-se diante Dele, e dar-Lhe a glória por ensiná-lo, para que possa testemunhar a todo homem da verdade, e não depender das palavras de indivíduo algum sobre a terra, mas saber por si mesmo, viver "de toda palavra que sai da boca de Deus," amar o Senhor Jesus Cristo e as instituições de Seu reino, e finalmente entrar em Sua glória. Todo homem e mulher pode ser um Revelador, e ter o testemunho de Jesus, que é o espírito de profecia, e prever a mente e a vontade de Deus a seu respeito, evitar o mal, e escolher o que é bom. ¶
Há milhares de coisas que gostaria de mencionar a respeito de nós mesmos e de nosso Governo. Todo nosso interesse está nele; a ele nos apegamos como criança de colo ao peito da mãe, e a ele nos agarraremos até que nos afastem à força, até que não possamos mais nos agarrar, e isto jamais acontecerá, a menos que nos expulsem dele sob o pretexto do que o "mormonismo" está prestes a fazer. Que há de realizar o Reino de Deus sobre a terra? Revolucionará não apenas os Estados Unidos, mas o mundo inteiro, e sairá da manhã à noite, do nascer ao pôr do mesmo sol, assim há de ser a proclamação do Evangelho até que toda a terra seja inundada por ele, e os justos sejam ajuntados. ¶
O pecador matará o pecador, o ímpio cairá sobre o ímpio, até que haja completa derrubada e consumação sobre a face de toda a terra, até que Deus reine, a quem pertence o direito. Como se disse nos dias do Salvador, se deixarmos este homem em paz, podeis contar que, por sua influência, tomará de nós nosso lugar e nossa nação. Se deixardes o "mormonismo" em paz, prometo que todo homem e mulher honestos nos Estados Unidos estarão na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e serão governados pela lei de Deus. ¶
Que tomem o conselho do falecido Capitão Gunnison, massacrado pelos índios; convenceu-se de que não convinha perseguir os "mórmons"; pois cada vez que fomos expulsos, tivemos êxito além de nossas mais otimistas expectativas. Aconteceu-nos como sucedeu ao muro de pedra do velho, que tinha cinco pés de altura e seis de espessura. Os meninos não conseguiam alcançar suas maçãs, e disseram entre si: "Vamos derrubar o velho muro"; derrubaram-no, e ele ficou mais alto do que antes. Assim é conosco; cada vez que os "mórmons" foram expulsos, ampliaram suas fronteiras. Cuidado, expulsai-nos de novo e tomaremos o reino antes que percebais. ¶
Certamente ajuntaremos todo o bem tão rápido quanto pudermos, pois o povo que ama a verdade ouvirá o argumento sólido, que é nossa regra de batalha, e é uma regra científica. Ora, vinde à guerra, quando julgardes melhor, e ajuntaremos os honestos até que a última semente de Israel seja ajuntada, e mal reste o suficiente para eleger um Presidente, mesmo entre os Know-Nothings. ¶
Apenas persegui-nos e cresceremos mais depressa. Dizem eles: "Que faremos; dizei-nos que caminho tomar, pois não sabemos o que fazer, nem o que dizer; se os perseguirmos, crescerão mais depressa, e tomarão nosso lugar e nossa nação, e conseguirão que todo o bom povo os siga, e o que faremos?" É um caso difícil, eu sei. ¶
Quando estranhos vêm entre nós, muitas vezes se sentem tímidos, pois nos mantemos aqui isolados nestas partes distantes, e nem sempre sabemos de imediato se estamos prestes a receber amigos ou inimigos em nossa comunidade. Fomos perseguidos e expulsos, e fomos escárnio e provérbio, e quando estranhos vêm entre nós, sentem certo constrangimento em travar nosso conhecimento. Digo, irmãos e irmãs, sede francos com os estranhos, e quando falardes com eles, ou estiverdes em sua presença, vivei vossa religião, e não vos desvieis nem um pouco da verdade. ¶
Dizeis: "Amo meu Deus e minha religião." Manifestai-lhes, então, o que é vossa religião, e, se forem honestos, não tardarão a se juntar a ela; se não, tomarão sua marcha e nos deixarão; e minha oração é que sejamos livres de toda corrupção inata. ¶
Na medida em que o tempo e vossa paciência permitiram, procurei retratar de maneira franca e verdadeira nossos verdadeiros sentimentos e pontos de vista a respeito do Governo Geral, dos membros das várias denominações cristãs, dos justos em toda parte, e dos corruptos e abomináveis onde quer que se encontrem; e também esboçar brevemente algumas das cenas e incidentes de nossa história passada e presente. ¶
Vivamos nossa religião, e mostremos ao mundo que amamos o Senhor Jesus Cristo mais do que qualquer outra coisa. Ainda que o mundo vos persiga, apegai-vos ao Senhor e ao Santo Evangelho, ainda que tenhais de dar vossa vida pela causa da verdade. Que Deus vos abençoe. Amém. ¶