Pulpit

A Constituição e o Governo dos Estados Unidos—Direitos e Política dos Santos dos Últimos Dias

Brigham Young

1855-02-18

Um Discurso do Presidente Brigham Young, Proferido no Tabernáculo, Great Salt Lake City, 18 de fevereiro de 1855. Relatado por G. D. Watt.

Irmãos, Irmãs e Amigos—

Somos um povo que crê nas providências de Deus, e reconhece Sua mão em Seus tratos conosco dia a dia.

Somos um povo cuja origem e progresso, desde o princípio, tem sido a obra de Deus nosso Pai Celestial, que, em Sua sabedoria, considerou próprio iniciar para o restabelecimento de Seu reino sobre a terra.

Além disso, cremos que o Senhor tem estado preparando para que, quando trouxesse à luz Sua obra, quando o tempo determinado chegasse plenamente, pudesse haver um lugar sobre Seu estrado onde existisse liberdade de consciência suficiente, para que Seus Santos pudessem habitar em paz sob a ampla proteção da lei constitucional e dos direitos iguais. Sob este ponto de vista, consideramos que os homens da Revolução foram inspirados pelo Todo-Poderoso a lançar fora as amarras do governo materno, com sua religião estabelecida. Por essa causa foram Adams, Jefferson, Franklin, Washington, e uma hoste de outros, inspirados a atos de resistência contra os decretos do Rei da Grã-Bretanha, que também poderiam ter sido levados àqueles atos agressivos, pelo que sabemos, para realizar os propósitos de Deus, estabelecendo assim um novo governo sobre um princípio de maior liberdade, uma base de autogoverno que permitisse o livre exercício da adoração religiosa.

Foi a voz do Senhor que inspirou todos aqueles homens dignos que exerceram influência naqueles tempos difíceis, não apenas a sair para a batalha, mas a exercer sabedoria em conselho, fortaleza, coragem e resistência no acampamento militar, bem como, posteriormente, a formar e adotar aquelas medidas sábias e eficazes que garantiram a si mesmos e às gerações seguintes a bênção de um governo livre e independente.

Este governo, assim formado, tem sido abençoado pelo Todo-Poderoso até que estende suas velas em todo mar, e seu poder se faz sentir em toda terra.

O Governo Americano não fica atrás de nenhum outro no mundo em influência e poder, e está muito à frente de todos os demais em instituições liberais e livres. Sob sua benigna influência, as massas pobres e pisoteadas do velho mundo podem encontrar um asilo onde possam desfrutar das bênçãos da paz e da liberdade, não importa a que casta ou seita religiosa pertençam, ou estejam dispostas a favorecer, ou se estão dispostas a favorecer alguma, ou nenhuma. Foi neste governo, formado por homens inspirados por Deus, embora à época não o soubessem, depois que ele se estabeleceu firmemente na sede do poder e da influência, onde a liberdade de consciência e o livre exercício da adoração religiosa eram um princípio fundamental garantido na Constituição, e entrelaçado com todos os sentimentos, tradições e simpatias do povo, que o Senhor enviou Seu anjo a revelar as verdades do céu, como em tempos passados, tal como nos dias antigos. Isto deveria ter sido saudado como a maior bênção que se poderia conferir a qualquer nação, parentela, língua ou povo. Deveria ter sido recebido com corações de gratidão e alegria, louvor e ação de graças.

Mas, assim como foi nos dias de nosso Salvador, assim foi no advento desta nova dispensação. Não estava em consonância com as noções, tradições e ideias preconcebidas do povo americano. O mensageiro não veio a algum eminente clérigo de qualquer uma das assim chamadas ortodoxias, não adotou sua interpretação das Sagradas Escrituras. O Senhor não veio com os exércitos do céu, em poder e grande glória, nem enviou Seus mensageiros revestidos de outra coisa senão a verdade do céu, para comunicar ao manso, ao humilde, ao jovem de origem modesta, ao sincero buscador do conhecimento de Deus. Mas Ele enviou Seu anjo a esta mesma pessoa obscura, Joseph Smith, Jr., que depois se tornou Profeta, Vidente e Revelador, e o informou de que não deveria unir-se a nenhuma das seitas religiosas do dia, pois todas estavam erradas; que estavam seguindo os preceitos dos homens em vez do Senhor Jesus; que Ele tinha uma obra para ele realizar, na medida em que se provasse fiel diante Dele.

Assim que isto se tornou conhecido, e foi publicado por toda parte, e o povo começou a ouvir e obedecer ao chamado celestial, a oposição começou a se enfurecer, e o povo, mesmo nesta terra favorecida, começou a perseguir seus vizinhos e amigos por professarem opiniões religiosas diferentes das suas.

Paro agora para perguntar: não tinha Joseph Smith o direito de promulgar e estabelecer uma religião e forma de culto diferente, nova, neste governo? Todos devem admitir que sim. Este direito sempre foi tido como sagrado, pois nele se baseava a liberdade religiosa de todo cidadão da República. Era um privilégio tido como sagrado no seio de toda classe de pessoas; nenhum Juiz ousava invadir seus recintos sagrados. Nenhum Legislador nem Governador se aventurava a obstruir seu livre exercício. Como, então, se deveria considerar objeto digno de perseguição que Joseph Smith, o homem chamado por Deus para realizar uma obra de restauração do Evangelho de salvação aos filhos dos homens, e seus seguidores, verdadeiros crentes em sua missão divina, tentassem exercer o mesmo privilégio tido como sagrado por todos os outros, de todo nome, natureza e descrição, e igualmente sagrado por eles? Por que deveriam ele e seus seguidores ser privados do privilégio de adorar a Deus segundo os ditames de suas consciências? Legalmente não podem, e afirmarei ainda mais: legalmente não o fizeram. Não! Sempre que a mão de ferro da opressão e da perseguição caiu sobre este povo, nossos opositores quebraram suas próprias leis, desafiaram e pisotearam todo princípio de direitos iguais, justiça e liberdade encontrado escrito naquele rico legado de nossos pais, A Constituição dos Estados Unidos.

Sempre que a fúria popular se voltou contra nós, nenhum poder no governo se mostrou suficientemente potente para nos conceder proteção, e o que é ainda mais surpreendente, suficientemente honrado para nos conceder reparação, nem esforço algum conseguiu levar à justiça aqueles indivíduos que perpetraram tão terríveis crimes. Não! O assassino, o homicida, o saqueador em pleno dia, e o ladrão de estradas vagam sem serem incomodados, e se misturam sem serem questionados na sociedade dos governantes da terra; passam e repassam como moeda corrente, sem produzir sobressalto algum na sensibilidade da polidez, sem odioso algum na atmosfera em que se movem.

Pergunto-vos, amigos, como é isto? Não são nossos sentimentos religiosos tão sagrados para nós quanto para qualquer outra parte da comunidade? E não deveria ser o dever, bem como o orgulho, de todo cidadão americano estender-nos aquela disposição da Constituição que reivindica para si mesmo? E não é aquele instrumento sagrado invadido e violado tanto ao nos privar e excluir de seus privilégios, direitos e bênçãos, quanto seria se vossos direitos e privilégios fossem assim invadidos? Não, senhores, não quebramos lei alguma, nossa Gloriosa Constituição nos garante tudo o que reivindicamos. Sob suas amplas dobras, em seu sentido e intenção óbvios, estamos seguros, e podemos sempre regozijar-nos em paz. Tudo o que jamais reivindicamos, ou desejamos, da parte do governo, é a justa administração dos poderes e privilégios do Pacto Nacional.

Não são nossos atos, nem nossas intenções, aquilo de que o povo ou o Governo têm medo ou de que se queixam, mas sim suas próprias suposições malévolas a nosso respeito.

Em nosso primeiro assentamento no Missouri, disseram nossos inimigos que pretendíamos interferir com os escravos, não que tivéssemos ideia semelhante, pois tal coisa jamais nos passou pela mente. Sabíamos que os filhos de Cão haveriam de ser os "servos dos servos," e nenhum poder debaixo do céu poderia impedi-lo, enquanto o Senhor permitisse que se debatessem sob a maldição, e essas eram conhecidas como nossas opiniões religiosas a respeito deles. Contudo, a deturpação de nossos inimigos encontrou ouvidos dispostos naqueles preconceituosos contra nós, e fomos expulsos de nossos lares em consequência dos temores do povo, e do preconceito que se havia levantado contra nós em consequência disso.

Novamente, no Missouri, no início de nossa história, os temores do povo e do Governo se despertaram, porque eles, não nós, disseram que era nossa intenção interferir com os índios, portanto não deveríamos ser autorizados a existir em suas proximidades; e novamente o alarme soou, e fomos expulsos de nossos lares, saqueados, agredidos por turbas, alguns mortos, e tudo isso não por crime algum que houvéssemos cometido, mas por temor de que pudéssemos cometê-lo.

Novamente; espalhou-se diligentemente que íamos declarar nossa "Independência," não que tivéssemos, nem pretendêssemos fazer coisa tão absurda; contudo, qualquer coisa, por mais absurda que fosse, parecia desculpa suficiente para despertar os temores da comunidade, e começaram a expulsar, saquear, roubar, queimar nossas casas, e devastar nossos campos, e a isso se chamou "distúrbios mórmons," e invocou-se o auxílio do Governo para sufocar a "insurreição mórmon," os "problemas mórmons," e os "turbulentos mórmons." E embora se tenha considerado necessário, como afirmam, expulsar-nos do Missouri e das fronteiras, para nos impedir de interferir com os escravos e os índios, considerou-se igualmente necessário, dez anos depois, quando éramos cem contra um naquele momento, expulsar-nos de Nauvoo para o próprio meio dos índios, como indignos de qualquer outra companhia.

Os temores quanto ao que poderíamos fazer com os índios já se haviam, a essa altura, dissipado, e os temores de outra coisa que pudéssemos fazer no futuro, se nos deixassem permanecer em paz, e o desejo de saquear, realizaram nosso êxodo de Illinois. Talvez, porém, neste último caso, nossos inimigos alimentassem algum temor de que, se nos permitissem permanecer sem sermos molestados, os assassinos sanguinários que mataram nosso amado Profeta e Patriarca, Joseph e Hyrum, tão desumanamente massacrados enquanto repousavam sob a fé empenhada do Estado por sua proteção e segurança, não pudessem permanecer impunes em sua culpa.

Como no caso dos índios na fronteira, esta também foi uma falsa conclusão, pois se algum povo já se justificou em reparar seus próprios agravos, e pudesse tê-lo feito com impunidade, foi na época daquele horrível assassinato. Mas provaram ao mundo, por sua conduta tranquila e pacífica, que não tinham tal intenção, mas isto foi esquecido, e em menos de um ano e meio fomos novamente atacados, nossas casas e pilhas de grãos queimadas, e nossos irmãos abatidos a tiros à luz das chamas, enquanto tentavam salvar um pouco para afastar a fome não das portas nem das tendas, pois não havia nem umas nem outras, mas dos corações famintos de seu círculo social—de suas esposas e filhos.

E novamente foi invocado o auxílio do Governo para sufocar os assim chamados "distúrbios mórmons," e ainda vemos os jornais repletos destes e de epítetos semelhantes—"turbulentos mórmons." "Que se há de fazer com estes turbulentos mórmons?" é o clamor de uma ponta à outra da União. Em nome do Céu, que fizemos nós para despertar os temores de qualquer Povo ou Governo, para que o som da guerra e do sangue deva eternamente ressoar em nossos ouvidos? Respondo: nada. É o mesmo de antes, no caso de interferir com os escravos e os índios, um certo temor de que, se não formos vigiados, expulsos, despojados de nossos lares e posses, mortos e massacrados como antes, possamos fazer algo, que ainda não definiram precisamente, ao que eu saiba.

Não terá este povo invariavelmente demonstrado seus sentimentos amistosos, sua disposição e seu patriotismo para com o governo, por todo ato e prova que qualquer povo possa dar?

Permiti-me chamar vossa atenção, por um momento, a alguns fatos relativos ao levantamento do Batalhão para a guerra do México. Quando a nuvem tempestuosa da perseguição desceu sobre nós por todos os lados, quando toda saída nos foi fechada, nossos Líderes traiçoeiramente traídos e mortos pelas autoridades do Governo em que vivíamos, e nenhuma esperança de alívio podia penetrar através da densa escuridão e tristeza que nos cercava por todos os lados, nenhuma voz se ergueu em nosso favor, e o Governo Geral permaneceu silencioso diante de nossos apelos. Quando havíamos sido insultados e maltratados o dia todo, por aqueles em autoridade que exigiam que entregássemos nossas armas, e por todo outro ato de insulto e abuso que a fértil imaginação de nossos inimigos pudesse inventar para testar, como diziam, nosso patriotismo, exigências essas, saiba-se bem, sempre atendidas de nossa parte; e quando finalmente fomos obrigados a fugir, para a preservação de nossas vidas e das vidas de nossas esposas e filhos, para o deserto; pergunto: não tínhamos razão para sentir que nossos inimigos estavam em ascensão? Que mesmo o Governo, por seu silencioso consentimento, também era favorável à nossa destruição? Não tínhamos, pergunto, alguma razão para considerar a todos, tanto o povo quanto o Governo, igualmente nossos inimigos?

E quando, além de tudo isto, e enquanto fugíamos de nossos inimigos, outro teste de fidelidade e patriotismo foi engendrado por eles para nossa destruição, e consentido pelo Governo (por meio da atuação de um distinto político que evidentemente buscava, e pensava ter planejado, nossa ruína e aniquilação total), consistindo numa exigência do Departamento de Guerra, de fornecer um Batalhão de quinhentos homens para lutar sob seus oficiais, e por eles, na guerra então existente com o México—pergunto novamente, poderíamos deixar de considerar tanto o povo quanto o Governo nossos mais mortais inimigos? Olhai por um momento para nossa situação, e para as circunstâncias sob as quais esta exigência foi feita. Estávamos migrando, sem saber para onde, exceto que nossa intenção era ir além do alcance de nossos inimigos. Não tínhamos lares, senão nossas carroças e tendas, e nenhum estoque de provisões e roupas; mas tínhamos de ganhar nosso pão diário deixando nossas famílias em lugares isolados por segurança, e indo trabalhar entre nossos inimigos. Não estávamos já, mesmo antes desta cruel exigência, impiedosamente abatidos pela opressão e perseguição além do que qualquer outra comunidade poderia suportar? Mas, sob estas difíceis circunstâncias, exigiu-se de nós que tirássemos de nossos acampamentos itinerantes 500 de nossos homens mais capazes, deixando os velhos, os jovens, as mulheres nas mãos dos demais, para cuidar e sustentar; e caso nos recusássemos a atender a exigência tão desarrazoada, seríamos considerados inimigos do Governo, e aptos apenas para a matança.

Olhai também para a proporção do número exigido de nós, comparada com a de qualquer outra parte da República. Uma exigência de apenas trinta mil, de uma população de mais de vinte milhões, era tudo o que se queria, e mais do que se forneceu, equivalendo a apenas uma pessoa e meia por mil habitantes. Se todas as demais circunstâncias fossem iguais, se pudéssemos ter deixado nossas famílias no gozo de paz, tranquilidade e segurança nas casas de onde havíamos sido expulsos, nossa cota de uma exigência equitativa não teria excedido quatro pessoas. Em vez disso, quinhentos deveriam ir, treze mil por cento acima de uma proporção igual, mesmo que todas as demais coisas fossem iguais, mas sob as circunstâncias peculiares em que foi feita, a comparação falha em demonstrar, e a própria razão vacila diante de sua enormidade. E por quem havíamos de lutar? Como já mostrei, por aqueles que tínhamos toda razão para crer serem nossos mais mortais inimigos. Poderia o Governo ter esperado nosso cumprimento? Esperavam-no? Não acreditavam nossos inimigos que rejeitaríamos, com apropriado ressentimento e indignação, tal proposta profana? E não estavam preparados para fazer de nossa rejeição um pretexto para inflamar ainda mais o Governo contra nós, e assim realizar seus infernais propósitos sobre um povo inocente, em sua total extinção? E como foi recebida esta proposta, e como lhe respondeu este povo? Eu mesmo fui, em companhia de alguns de meus irmãos, entre cem e duzentas milhas ao longo das várias rotas de viagem, parando em cada pequeno acampamento, usando nossa influência para obter voluntários, e no dia marcado para o encontro, o contingente exigido estava completo; e tudo isto se realizou em cerca de vinte dias a partir do momento em que a exigência se tornou conhecida.

Nosso Batalhão foi ao teatro de operações, não em confortáveis camarotes de vapores, nem com poucos meses de ausência, mas a pé, por mais de duas mil milhas através de desertos sem trilhas e planícies áridas, experimentando todo grau de privação, dificuldade e sofrimento durante cerca de dois anos de ausência antes de poderem reunir-se novamente a suas famílias. Assim foi novamente realizada nossa libertação pela intervenção daquele Ser Todo-Sábio que pode discernir o fim desde o princípio, e sobrepor-se às intenções malévolas dos homens para promover o avanço de Sua causa sobre a terra. Assim fomos salvos de nossos inimigos ao cumprir suas, como até então, injustas e sem paralelo exigências; provando novamente nossa lealdade ao Governo.

Aqui permiti-me prestar um tributo de respeito à memória do Capitão Allen, portador desta exigência do Governo. Era um cavalheiro cheio de sentimentos humanitários, e, se tivesse sido poupado, teria suavizado o caminho, e facilitado o cumprimento deste dever, na medida em que estivesse ao seu alcance. Seu coração se comoveu de simpatia quando viu nossa situação, e se maravilhou de espanto quando testemunhou o patriotismo entusiástico e o fervor com que tão prontamente atendemos sua exigência; provando novamente, como já havíamos provado centenas de vezes antes, por nossos atos, que fomos caluniados por nossos inimigos, e que estávamos tão prontos, e ainda mais do que qualquer outro habitante da República, a empunhar o mosquete, e sair a lutar as batalhas de nossa pátria comum, ou permanecer em sua defesa. A história não fornece paralelo, seja da severidade e injustiça da exigência, seja da presteza, fidelidade e patriotismo com que foi respondida e atendida. Assim podemos citar caso após caso de pessoas investidas de autoridade legal, movidas, através da deturpação e influência de nossos inimigos, a nos insultar como povo, exigindo um teste de nosso patriotismo. Até quando há de continuar este estado de coisas? Enquanto o povo escolher permanecer em deliberada ignorância a nosso respeito; enquanto escolher deturpar nossos pontos de vista, deturpar nossos sentimentos, e mal interpretar nossa política.

Acusar-nos de sermos desafeiçoados ao Governo é acusar-nos de hostilidade à nossa religião, pois nenhum item de inspiração é tido como mais sagrado entre nós do que a Constituição sob a qual ela atua. Como sociedade religiosa, nós, juntamente com todas as demais denominações, reivindicamos sua proteção; estejam nosso povo localizados nos outros estados ou territórios, como milhares deles estão, ou neste território, ela é tida como um escudo para proteger o mais precioso dos dons de que o homem é capaz—suas opiniões e sentimentos religiosos.

O Governo dos Estados Unidos jamais se engajou numa cruzada contra nós como povo, embora tenha permanecido silencioso, ou nos tenha recusado, quando apelamos para a reparação de agravos. Permitiu que fôssemos expulsos de nossas próprias terras, pelas quais havia recebido nosso dinheiro, e isso com suas cartas patentes em nossas mãos, garantindo-nos posse pacífica. Assistiu calmamente e permitiu que se quebrasse uma das disposições mais fundamentais e caras da Constituição; permitiu que fôssemos expulsos e pisoteados com impunidade. Sob estas circunstâncias, que curso nos resta seguir? Respondo que, em vez de procurar destruir o melhor governo do mundo, como parece ser o temor de alguns, devemos, como todos os demais bons cidadãos, procurar colocar no poder aqueles homens que sintam as obrigações e responsabilidades a que estão sujeitos perante um povo poderoso; que sintam e compreendam a importante confiança neles depositada pela voz do povo que os chama a administrar a lei sob a solene sanção de um juramento de fidelidade àquele instrumento inspirado pelo céu, para cuja preservação inviolável olhamos em busca da perpetuidade de nossas instituições livres.

Deveria ser o objetivo de todos os bons cidadãos, e é nossa intenção e desígnio como povo, promover a virtude, a inteligência e o patriotismo; e quando alguma pessoa procura invadir nossa virtude, semeando as sementes da corrupção e do vício, e, quando repreendida por isso, ataca nossos direitos e patriotismo, como universalmente se tem feito até aqui, ela exibe, diante deste povo, seu próprio coração depravado. Não deveriam aquelas pessoas nomeadas para administrar a lei observá-la elas mesmas? Não deveriam aqueles oficiais que nos foram enviados pelos Estados Unidos ser um exemplo em ponto de moralidade, virtude e bom comportamento; e honrar aquelas leis que vieram aqui executar e administrar? E hão de esquecer-se de si mesmos, a ponto de gastar seu tempo em libertinagem, jogo, e sedução dos inocentes e desprevenidos, e de várias maneiras semear as sementes do pecado e da imoralidade, com impunidade, sem que ninguém ouse protestar? Digo-vos que não. Comigo, com este povo, tereis guerra, se necessário, sobre este princípio. É nossa obrigação usar nossa influência para a preservação de nós mesmos, de nossas esposas, de nossos filhos, de nossos irmãos, de nossas irmãs, e de toda nossa sociedade, da influência contaminadora do vício, do pecado, da imoralidade e da iniquidade, de onde quer que emane. Se existe em lugares altos, tanto mais necessidade de repreendê-la, pois de lá fará o maior mal.

Reivindico isto como um direito, um direito constitucional; creio ser legal exercer todo o poder e influência que Deus me deu para a preservação da virtude, da verdade e da santidade; e porque nos sentimos sensíveis a pontos como estes, deveria interpretar-se que somos inimigos do Governo Federal? Nossa história prova que, por tais coisas, temos sido perseguidos até a morte, mas isso não me detém. Preferiria ter Deus como amigo, e todo o mundo como inimigo, a ser amigo do mundo, e ter Deus como inimigo; e, sob este ponto de vista, o Governo também deveria ser nosso amigo, pois seguramente, na preservação da virtude, da moralidade e da inteligência, ele pode buscar a perpetuidade de suas instituições livres, e a preservação de sua liberdade. E no momento em que desconsiderar estes princípios, quando a maldade e o pecado puderem correr soltos com impunidade, e não se encontrar no povo influência e força moral suficientes para contê-los e pisoteá-los, então poderá contar com uma queda rápida. Quando as obrigações morais deixarem de exercer influência, e a virtude ocultar seu rosto, e a desavergonhada audácia do pecado e da corrupção imunda tomar seu lugar, então poderá a nação considerar que há perigo. "Mas quando o ímpio domina, o povo geme."

Esta, então, é nossa posição para com o Governo dos Estados Unidos, e para com o mundo, derrubar a iniquidade e exaltar a virtude; declarar a palavra de Deus que Ele nos revelou, e edificar Seu Reino sobre a terra. E, sabei todos os homens, Governos, Nações, Parentelas, Línguas e Povos, que este é nosso chamado, intenção e desígnio. Buscamos viver nossa religião, e ter comunhão com nosso Deus. Buscamos limpar nossas vestes do sangue desta geração, por nossa fidelidade em pregar a verdade do céu com toda simplicidade e clareza; e tenho dito frequentemente, e o repito agora, que todas as demais considerações, de qualquer nome ou natureza, tornam-se insignificantes em comparação com esta. Servir a Deus e guardar Seus mandamentos é, para mim, o primeiro e o principal. Se isto é lei superior, que assim seja. Como é comigo, assim deveria ser com todo departamento do Governo; pois esta doutrina se baseia nos princípios da virtude e da integridade; com ela, o Governo, sua Constituição e instituições livres estão seguros; sem ela, nenhum poder pode evitar sua rápida destruição. É o poder que dá vida ao governo; é o elemento vital do qual ele existe e prospera; em sua ausência, ele afunda para não mais se erguer.

Passamos agora a discutir a questão: nossa fé e prática—nossa santa religião, como a temos e cremos—entra no âmbito da Constituição; ou, em outras palavras, é uma questão religiosa sobre a qual a Constituição estende seu escudo protetor? Diz ela: "O Congresso não fará lei alguma respeitante ao estabelecimento de uma religião, ou proibindo o livre exercício dela." A nossa é peculiarmente uma instituição religiosa; nela estão centradas todas as nossas esperanças de salvação, honra, glória e exaltação. Nela encontramos nossas esperanças de ressurreição, e de uma vida de imortalidade noutro estado de existência. Por ela somos movidos em todos os nossos negócios da vida, por sua influência preservamos a virtude, estabelecemos a verdade, e fomos capacitados a suportar a perseguição. Por sua influência superamos as dificuldades de um banimento das moradas da civilização e do esclarecimento deste mundo, e nos estabelecemos nestes vales distantes, onde, até chegarmos aqui, nada havia, seja no solo, no clima ou nas produções, para atrair a atenção sequer do mais aventureiro e empreendedor; numa terra que não oferecia induzimentos dignos de consideração a nenhum povo, senão a nós. E por que a nós, como povo? Porque aqui, bem distantes de qualquer povoação branca, sobre um pedaço de terra sem valor por suas facilidades de cultivo, navegação ou comércio, onde toda a face do país apresentava o aspecto mais árido e repulsivo, consideramos que poderíamos viver e desfrutar nossa religião sem sermos molestados, e livres da interferência intrometida de qualquer pessoa. Se nossos princípios e nossa religião fossem odiosos a alguém, esse alguém estava livre de nossa presença, a menos que escolhesse nos seguir.

Se o povo dos Estados Unidos não gosta de nossas instituições religiosas, não é obrigado a misturar-se em nossa sociedade, ou associar-se conosco, ou com nossos filhos. Nada aqui há para tentar sua cobiça, sua avareza ou sua luxúria. Que fiquem, então, em casa, ou, se desejam vagar em busca de novos lugares, não há nenhum menos desejável do que este, para qualquer outro propósito que não seja aquele para o qual o escolhemos, não por seu valor intrínseco de um ponto de vista pecuniário, mas a fim de que pudéssemos desfrutar nossa religião em paz, preservar nossa juventude na virtude, e ficarmos livres dos insultos, abusos e perseguição de nossos inimigos.

Por que haveríamos de ter inimigos? "Por que é," dizem nossos opositores, "que não podeis misturar-vos e mesclar-vos na sociedade como outras denominações religiosas?" Tem-se visto que o povo não nos permitiria habitar em seu meio em paz. Fomos universalmente expulsos por força ilegal, por turbas, assassinos e homicidas, como indignos de ter um lugar entre as moradas do homem civilizado, até que, como último recurso, encontramos paz nestes vales distantes. É porque nossa religião é a única verdadeira. É porque temos a única autoridade verdadeira, sobre toda a face da terra, para administrar as ordenanças do Evangelho. É porque as chaves desta dispensação foram confiadas por mensageiros enviados do mundo Celestial a Joseph Smith, e agora são retidas sobre a terra por este povo. É porque Cristo e Lúcifer são inimigos, e não podem tornar-se amigos; e Lúcifer, sabendo que temos este Sacerdócio, este poder, esta autoridade, busca nossa ruína.

Estou ciente de que estas respostas envolvem a verdade de nossos princípios, a nomeação divina de Joseph Smith, a autenticidade divina do Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios, etc.; mas este assunto deixo à vossa consideração e investigação, com esta simples declaração: que, seja nossa religião crida por qualquer outro povo ou não, é crida por nós, e nenhum poder ou autoridade no governo pode legal ou justamente molestar-nos no pacífico e tranquilo gozo dela. Não se pode fazê-lo sem lei, e certamente o governo não tem direito de fazer lei alguma a seu respeito, ou de impedir o livre exercício dela.

Por que se haveriam de exigir provas de patriotismo ao governo deste povo, mais do que de qualquer outra comunidade nos Estados e Territórios? Não se consideraria altamente insultante e abusivo, por qualquer outra comunidade no governo, ser assim submetida e humilhada? Não podem o povo e o governo perceber em nós, como povo, diligência, sobriedade, ordem e sociedade bem regulada; também uma difusão geral de conhecimento e disseminação de princípio moral? E não sabem eles que estes são os inequívocos sinais e frutos de virtude, verdade, amor à pátria, e alto respeito por suas instituições? E não emanam tais pontos de vista, sentimentos, práticas e princípios de uma religião pura e sem mácula, um elevado senso de fé, prática e obrigação para com Cristo nosso Senhor, e Sua vontade revelada a nós?

Nossa doutrina, contendo tais pontos de vista, sentimentos e práticas, e exercendo influência tão benigna sobre a sociedade—ou, em outras palavras, nossa religião nos desqualifica de sermos fiéis, bons e patrióticos cidadãos do governo americano? Terá o povo americano se desviado tanto, e se afastado da luz e do poder do Evangelho, a ponto de não poder entender, reconhecer e apreciar o elemento saboroso da influência religiosa, o alto tom de moralidade, e a prática exemplar de princípios virtuosos e santos? Se assim for, então de fato os filhos degenerados de dignos e patrióticos ancestrais quase esgotaram sua substância, e se preparam para subsistir com as bolotas, junto aos porcos. Se assim for, então a escassez moral quase anuncia uma fome que excede em muito a seca abrasadora, a pestilência devastadora, e as terríveis calamidades de 1854. Se assim for, então o governo, como a embarcação impelida pela tempestade, logo se despedaçará, não tendo nem leme para guiá-lo, nem calibre para resistir ao encapelamento furioso das ondas tempestuosas.

Na sincera observância dos princípios da verdadeira religião e virtude, reconhecemos a base, o único fundamento seguro de uma sociedade esclarecida e de um governo bem estabelecido. Em verdade, e em virtude de designação divina, combatemos o erro, e buscamos rasgar o véu de trevas que envolve a raça humana.

No progresso da era em que vivemos, discernimos o cumprimento da profecia, e a preparação para a segunda vinda de nosso Senhor e Salvador para habitar sobre a terra. Esperamos que o refúgio de mentiras seja varrido, e que toda cidade, nação, governo ou reino que não sirva a Deus, e não dê atenção aos princípios da verdade e da religião, seja totalmente desperdiçado e destruído.

A palavra saiu do Todo-Poderoso, e não retornará a Ele vazia. Convém, portanto, a todos e cada um de nós, ter nossas vestes nupciais, ter nossas lâmpadas aparadas e acesas, bem cheias de azeite, para que não sejamos também surpreendidos, e compartilhemos o destino das virgens insensatas.

Que o Senhor nos abençoe com a inspiração de Seu Espírito Santo, para que nossas mentes sejam iluminadas, nosso entendimento ampliado e fortalecido; e que Sua graça, sabedoria e inteligência nos sejam concedidas para nossa preservação e santificação, conforme nosso dia e geração, pelo bem do Redentor. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “A Constituição e o Governo dos Estados Unidos—Direitos e Política dos Santos dos Últimos Dias”, (1855-02-18). Pulpit Vault, 1855-02-18-young-constitution-and-government. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).