Pulpit

O Espírito Santo e a Trindade

Orson Pratt

1855-02-18

Um Discurso do Élder Orson Pratt, Proferido no Tabernáculo, Great Salt Lake City, 18 de fevereiro de 1855. Relatado por G. D. Watt.

Presumo que o povo que agora está diante de mim sinta, como eu, uma certa decepção em suas expectativas nesta manhã. Reunimo-nos aqui com o propósito de ouvir um discurso de nosso amado Presidente, a respeito dos pontos de vista deste povo quanto ao Governo dos Estados Unidos, e nossas relações e conexão com esse Governo como povo.

Certamente é uma decepção para mim, e não tenho dúvida de que o seja para todos os que estão ao alcance de minha voz, mas veem que a casa é insuficiente para nos acomodar a todos, e por essa razão, tendo sido solicitado por alguns da Primeira Presidência, saí ao ar livre com o propósito de dirigir-me a vós, conforme a força de meus pulmões e a sabedoria que Deus se agrade em me conceder.

Elevemos todos nossos corações em fé diante do Senhor, para que, em nossa decepção por não ouvirmos o Presidente, o Senhor ainda seja misericordioso, e derrame do alto o Espírito Santo sobre nós, para que sejamos instruídos e edificados, e tenhamos nossas mentes fortalecidas pelos dons, poder e sabedoria dele; pois sem os dons e a força do Espírito Santo para inspirar os corações dos que falam e dos que ouvem, nossas palavras serão em vão, e nosso ouvir será em vão; mas mantende esse Espírito conosco, e então, apesar das circunstâncias em que nos encontramos, tudo estará bem; e que os Santos nunca se sintam desanimados, nem se esqueçam de orar para que o Espírito Santo repouse sobre eles, e sobre os que lhes falam, para que cada um e todos sejam dirigidos a agir, em todo tempo, por aquele Espírito que é capaz de guiar a toda a verdade. Este é certamente o objetivo para o qual fomos ajuntados dentre as nações da terra; este é o objetivo para o qual estamos reunidos aqui hoje; ao menos, deveria ser. Não deveríamos ter outra coisa em mente senão sermos abençoados, edificados e fortalecidos no Senhor.

Estou certo de que não tenho outro objetivo em mente, e sou a última pessoa que, por seus próprios sentimentos, sairia para tentar falar pelo prazer de ouvir a si mesma e obter o aplauso dos homens; pois, no que se refere a falar, sinto-me mais inclinado a retirar-me para algum lugar solitário; pois nunca senti desejo de me envolver na vida pública, senão na medida em que possa fazer o bem; mas tenho o desejo de servir ao Senhor, tenho o desejo de fazer o bem, tenho o desejo de persuadir homens e mulheres a se tornarem justos, tenho o desejo de compreender o conhecimento e as coisas de Deus, e aqueles grandes princípios que hão de me ajudar em todas as circunstâncias desta vida, bem como na que há de vir; e para essas coisas vivo, e por essa causa (crendo que isso é exigido de minhas mãos pelo Senhor) tomo parte na vida pública.

Creio que tomarei um texto, e então poderei, talvez, reunir meus pensamentos e concentrar minha mente sobre algum assunto. Estou ciente de que é muito difícil falar ao ar livre, mas procurarei fazer com que todos ouçam. Não conheço texto mais apropriado do que um que se expressa em duas palavras, sendo, portanto, muito breve; e embora já tenha falado e escrito sobre o assunto anteriormente, pode haver os que estão presentes que não estão plenamente familiarizados com ele, e isso pode também ajudar os Élderes a defender nossos princípios quando forem enviados a pregar o Evangelho. Está compreendido nas seguintes duas palavras—"Sede um."

Por que se exige que sejamos um? Qual é o objetivo de sermos um? Não conheço maneira melhor de ilustrar esta questão do que esta—se esta congregação, agora presente diante de mim, fosse requerida a realizar alguma grande e poderosa obra, na qual fosse necessário exercer grande força, e cada indivíduo fosse tentar realizar a obra que lhe fora dada de maneira unida, seus atos, sendo realizados individual e separadamente, falhariam em realizar a obra.

Pode ser uma obra de grande importância a que somos chamados a realizar, exigindo toda a união, força e vigor que há em nossas mentes. Se os homens empreenderem qualquer obra de grande magnitude por sua força e vigor unidos, poderão realizar aquilo que não conseguiriam individualmente; e assim é com relação às coisas do reino de Deus.

Somos requeridos a ser um a fim de que nossos esforços e forças possam ser unidos, e tenham influência para realizar nosso grande fim e objetivo; pois por nossa fé e esforços unidos poderemos provar-nos dignos. Os Santos estão universalmente interessados, tanto quanto nós, na edificação deste reino, que exige unidade de ação.

O diabo está o tempo todo trabalhando em oposição aos nossos esforços, e sente grande interesse em se opor a nós com todas as suas forças, corporificadas e desencarnadas; pois ele tem muitas maneiras de vencer a família humana e trazê-la à escravidão. Está há muito tempo em guerra com o reino de Deus, e se tornou muito astuto, e tem grande experiência a seu favor, e é assim que adquiriu tanta astúcia; embora não tenha o mesmo grau de conhecimento que se exerce em favor dos Santos; pois não conhece a mente de Deus em todas as coisas.

Que ele é assim limitado em conhecimento é claramente revelado na tradução inspirada do Profeta Joseph do livro de Gênesis. Tem muitos anos de experiência, assim como seus associados; pois têm estado engajados numa guerra espiritual por muitas eras, procurando levar cativos os espíritos dos homens, para conduzi-los à sujeição a seu próprio poder; e é necessária uma força considerável para operar com sucesso contra sua numerosa hoste; consequentemente, lemos que na última grande batalha que se travará com este adversário, todas as forças do céu se voltarão contra ele: estarão todas unidas num só grande corpo sob a direção de nosso pai Adão, o príncipe chefe, o arcanjo que foi designado no princípio para vencer o diabo com a ajuda de seus filhos. Ele reunirá todas as hostes do céu, e poderá prevalecer contra ele; e então os Santos serão libertos de seu poder, desde então e para sempre.

Ora, vedes a natureza dos pensamentos e ideias que o Salvador tinha em mente quando ordenou a seu povo que fosse um. Temos de aprender aqui a lição da união, e quando chegar o tempo de as ordens serem proferidas pelo arcanjo, ou pelo anjo chefe, que seus filhos estejam prontos, e todos sob seu comando verdadeiramente preparados para ir e realizar a obra que lhes foi dada a fazer. Como, ou de que maneira, esta batalha será travada, não é necessário explicar neste discurso; de fato, não conhecemos todos os pormenores, pois não são revelados, mas podemos julgar por analogia.

Vemos como o diabo opera conosco nesta vida, pois sabe agora que nossa força está fragmentada; alguns estão em povoações distantes, alguns aqui, e outros espalhados entre as nações; e ele está o tempo todo operando e traçando planos com o propósito de prejudicar e afligir os Santos do Deus vivo; e não alterará seu curso maligno, mas tentará prender tantos quanto possível por seus estratagemas, e desviá-los da senda da vida. É assim que ele combate a causa de Deus.

Se haverá ou não força física empregada por seres celestiais ao combaterem outros seres, não é revelado; mas basta dizer que haverá uma força e vigor espirituais exercidos, e um esforço para vencer as mentes dos homens e mulheres, e trazê-los à sujeição e ao cativeiro; e quando a mente é trazida à sujeição, haverá uma miséria espiritual, e esta é uma das maiores causas de miséria.

Não é este corpo físico que sofre num caso como o que mencionamos; mas, como há anos frequentemente disse ao povo, o corpo não tem vida em si mesmo; é o espírito que tem vida e sentimento, e que é capaz de experimentar tristeza e alegria, e todas aquelas mudanças de sensação a que estamos sujeitos neste estado mortal; quando somos vencidos, o espírito fica em cativeiro, sujeito ao poder daquele que o sujeitou e venceu, e assim será com aqueles que Satanás finalmente vencer; tornar-se-ão seus prisioneiros, pois terá prevalecido contra eles; e assim são espiritualmente subjugados.

Se forem vencidos em seus corpos enquanto aqui estiverem, se suas mentes forem mantidas cativas por seu grande inimigo, se se sujeitarem a ele, isso produzirá miséria, dor e infelicidade para toda alma assim afetada. Isto é comparado a uma dor literal do corpo por fogo e enxofre, sobre a qual tanto se tem dito no mundo religioso.

Não sei se haverá um inferno literal desta descrição; pelo que sei, o Senhor pode ter mundos preparados com muito fogo e enxofre neles; mas, em minha opinião, o maior tormento que os ímpios terão será o tormento e a picada da mente, sendo trazidos à sujeição àquele ser que continuamente procura vencer e enredar a humanidade em suas armadilhas.

Portanto, é necessário que sejamos um, e por isso o Senhor nos disse, no início desta Igreja: "Digo-vos: Sede um; e se não sois um, não sois meus." Por que não Seus? Por que não nos aceitará? Porque, sem união, sem concentração, é claro que não podemos desfrutar de nós mesmos como o Senhor deseja que o façamos; em resumo, excluindo o princípio e o espírito da união, jamais poderemos realizar nenhuma grande obra como a que nos foi entregue nas mãos.

O Senhor, portanto, desejou ter Seu povo unido em um só, para nos mostrar a natureza de Suas leis, e a necessidade de sermos unidos, para que possamos desfrutar da sociedade dos antigos, e ser um com eles.

Também nos é ordenado evitar todas as contendas e discórdias, e todas aquelas emanações hostis que criariam um inferno para nós, e para aqueles com quem estamos associados em nossas famílias.

O Senhor não tem fundamento seguro sobre o qual operar, a menos que sejamos unidos; e, consequentemente, a fim de prevenir a discórdia e a desunião, resultados de cada um seguir seu próprio caminho, Ele nos advertiu de antemão, e disse que, a menos que sejamos um, não somos Seus.

Mas examinemos por alguns momentos este texto. As Escrituras dizem, num lugar, que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um. Que devemos entender desta expressão? Devemos entender que as pessoas do Pai e de Jesus Cristo estão incorporadas numa só? Não, não tem tal significado. São eles, então, um em substância, como declara a disciplina metodista, e muitos outros credos? Não; pelo próprio fato de que duas partículas de matéria jamais podem ser uma; ou, em outras palavras, onde uma está, a outra não está, e não pode estar no mesmo instante de tempo.

Pode haver várias substâncias separadas existindo ao mesmo tempo, possuindo as mesmas propriedades, perfeições e atributos; as partículas de que se compõem podem ser da mesma espécie, e possuir a mesma quantidade de sabedoria, poder e inteligência; mas ainda assim são substâncias separadas, ocupando porções separadas de espaço; assim é com as pessoas do Pai e do Filho: por exemplo, se examinarmos os constituintes da água obtida em Utah e na França, achamo-los os mesmos, não em substância, mas em qualidade.

Uma partícula de oxigênio, ou de hidrogênio, na Europa, é exatamente a mesma em qualidade que na América, ou em qualquer outro lugar; é exatamente assim com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Eles são um nos atributos e princípios que existem em suas substâncias, sendo os materiais da mesma espécie e apenas das mesmas qualidades. Mas não direi que o Espírito Santo seja uma pessoa, da mesma forma que o Pai e o Filho. Quando falo do Espírito Santo, falo dele como sendo uma substância exatamente igual, em seus atributos, às do Pai e do Filho; falo dele como uma substância que se difunde por todo o espaço, do mesmo modo que o oxigênio na água pura ou no ar, e como estando ciente de cada acontecimento diário. E onde quer que este Espírito Santo esteja, possui os mesmos atributos e o mesmo tipo de qualidades que as pessoas do Pai e do Filho possuem; consequentemente, a unidade de que aqui se fala deve ser aplicada aos atributos, e não às pessoas em si mesmas.

Este assunto tem sido um grande mistério para os homens no mundo religioso; não conseguiram compreendê-lo, e, consequentemente, conjecturaram muitas coisas a respeito, sem terem a inspiração do Todo-Poderoso para guiá-los; e assim, um tem uma ideia, e outro conjecturou à sua maneira e obteve outra ideia, bem diferente da de seu vizinho. E desta forma os homens elaboraram credos e sistemas diversos entre si, e contrários à verdade real; e por causa desses falsos credos têm se debatido e contendido por eras.

Quanto a mim, não vejo mistério algum nisso; o assunto é claro e simples para os que desfrutam do dom do Espírito Santo.

A fim de explicar mais plenamente minha mente sobre este assunto, tomarei um pai e um filho, e uma pessoa que vive com eles, e trabalha na fazenda, e desempenha outros deveres que se façam necessários: suponhamos que essas pessoas tenham os mesmos atributos, que uma saiba tanto quanto a outra, e que todas atuem em união e concerto; poder-se-ia então dizer dessas três pessoas que eram um; e ninguém, a partir dessa expressão, suporia que fossem uma única pessoa idêntica, mas todos creriam e entenderiam que eram um em seu conhecimento, um em seus pontos de vista, e em seus atributos. Entendo o mesmo com relação ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Dir-vos-ei o que creio a respeito de o Espírito Santo ser uma pessoa: mas não conheço revelação que declare que este seja o fato, nem tampouco há alguma que nos informe que não o seja, de modo que somos deixados a formar nossas próprias conclusões sobre o assunto, e assim alguns concluíram que estavam certos, e que outros não estavam. É, de fato, uma questão de dúvida para muitos, e de incerteza, creio, para todos, se há ou não um Espírito Santo pessoal.

Inclino-me a pensar, a partir de algumas coisas nas revelações, que existe tal ser como um Espírito Santo pessoal, mas isso não é declarado como fato positivo, e o Senhor nunca me deu revelação alguma sobre o assunto, e, consequentemente, não posso formar plena convicção num sentido ou noutro.

Sei que há indícios de que tal seja o fato; por exemplo, onde o pronome pessoal é aplicado ao Espírito, como "ele vos guiará a toda a verdade;" "não falará de si mesmo, mas falará tudo o que tiver ouvido;" e "há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar."

Destas e de muitas outras passagens da mesma espécie e teor, podemos tirar a conclusão de que o Espírito Santo é, de fato, uma pessoa. Depois, novamente, há outras revelações onde se aplica o pronome ele (como coisa), como, por exemplo: "o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis." E muitas outras revelações transmitem a ideia de que o Espírito é uma substância difusa. Assim também no Livro de Mórmon encontramos muitos desses termos, e, consequentemente, somos deixados à nossa própria conjectura quanto a haver um Espírito Santo pessoal; mas uma coisa é certa: haja ou não um Espírito Santo pessoal, há uma quantidade inesgotável daquele Espírito que não é uma pessoa. Isto é revelado; isto é um fato. E é tão provável, a meu ver, que uma parte dele esteja organizada em pessoa, quanto que exista universalmente difundida entre todos os materiais no espaço.

Este Espírito Santo é onisciente, e em muitos de seus atributos muito semelhante ao Pai e ao Filho, e atua em concerto com eles. Governa e controla todas as coisas, e disso alguns poderiam inferir que possui o mesmo conhecimento e poder que o Pai e o Filho têm.

Dir-vos-ei algo do conhecimento que este Espírito Santo possui; ele controla todas as leis que vedes existindo ao vosso redor, nas variações do clima e nas mudanças das estações, e todos aqueles fenômenos que contemplais, e que chamais leis da natureza; tudo isso não é mais nem menos que a atuação deste Espírito onisciente.

Vedes uma pedra ou outras substâncias caírem ao chão, e perguntais: O que as faz cair, e o que as controla? Por que não hão de subir? Alguém jamais descobriu a causa disto? Não; até mesmo os princípios de gravitação de Sir Isaac Newton falharam em demonstrá-la; erudito como era, ele nos deu apenas um índice ou chave dos efeitos, mas não a causa desses efeitos. Ele se esforçou muito para nos mostrar que, quando algo cai ao chão, é o efeito da lei da gravitação universal; mas ele mesmo declara que a lei não dá indicação alguma da causa; ele faz esta declaração em seus escritos.

Se, então, ele nada sabia sobre a causa de as pedras caírem, e se nenhuma outra pessoa sabe, ainda se pode com propriedade indagar—qual é a causa de pedras, ou de qualquer outra substância, quando lançadas ao ar, caírem à terra? Este é um dos mistérios da natureza ainda não descoberto, a menos que possamos atribuí-lo ao Espírito Santo governando e controlando todas as coisas. Mas estará o Espírito Santo na pedra, pergunta o indagador? E é isso que faz com que ela caia ao chão, em vez de subir, ou em vez de ir na direção horizontal? Este Espírito está em todas as coisas, governando-as e controlando-as segundo os decretos eternos do Todo-Poderoso. "Como o provas?" diz alguém? Prová-lo-ei citando uma revelação onde diz: "Como também ele está no sol e é a luz do sol e o poder pelo qual foi feito. Como também ele está na lua e é a luz da lua e o poder pelo qual foi feita; Como também a luz das estrelas e o poder pelo qual foram feitas; E também a Terra e seu poder, sim, a Terra sobre a qual estais."

"E a luz que brilha," referindo-se à luz do sol, "que vos ilumina, vem por meio daquele que ilumina vossos olhos; e é a mesma luz que vivifica vosso entendimento; Luz essa que procede da presença de Deus para encher a imensidade do espaço—A luz que está em todas as coisas, que dá vida a todas as coisas, que é a lei pela qual todas as coisas são governadas, sim, o poder de Deus, que se assenta em seu trono, que está no seio da eternidade, que está no meio de todas as coisas."

Esta luz, então, lembrai-vos, é tão universalmente difundida que dá luz a todas as coisas. Esta é a mesma luz que governa todas as coisas, e é chamada o "poder de Deus." E isto, em conexão com outra passagem na mesma revelação, expõe claramente a doutrina que apresentei diante de vós; a passagem diz que "a luz se apega à luz." Todos vos lembrais do parágrafo. A revelação continua dizendo que "Deus, que se assenta em seu trono, governa e executa todas as coisas. Ele compreende todas as coisas, e todas as coisas estão diante dele, e todas as coisas estão ao seu redor; e ele está acima de todas as coisas, e em todas as coisas, e todas as coisas são por ele, e dele, sim, Deus, para todo o sempre."

Pois bem, diremos então, quando Deus, ou Seu Espírito Santo, que em muitas revelações é chamado Deus, está em todas as coisas, sendo universalmente difundido, e em e ao redor de todas as coisas, que Ele não está numa pedra quando esta cai ao chão? Não; não O excluiremos de nada que existe, pois se excluíssemos aquele Espírito de uma substância, poderíamos igualmente excluí-lo, ou tentar excluí-lo, de toda a matéria. Se Deus está em todas as coisas, Ele está na pedra. Se tomássemos as asas da alva e voássemos até às extremidades da terra, Deus está ali; ou se fizéssemos nossa cama no inferno, Ele está ali; e aquele Espírito está ali, não sofrendo, mas executando os decretos do Todo-Poderoso.

Todos aqueles vastos corpos que vemos percorrer o espaço são governados e controlados por este mesmo Espírito. Se cada um deles, ou o Espírito Santo difundido através deles, não conhecesse suficientemente aquelas leis universais pelas quais todos os mundos e toda a matéria são mantidos em ordem, poderiam frequentemente colidir uns com os outros, pois as órbitas de muitos deles se cruzam ao realizarem suas revoluções. Até mesmo a pedra lançada ao ar não segue ao acaso, mas seu trajeto é traçado sistematicamente; segundo certas leis e condições, ela sempre cai ao chão.

Por que subiu o machado à superfície da água quando ordenado pelo Profeta Eliseu? Dir-vos-ei como Eliseu o fez subir à superfície da água. O espírito ou poder que fez o pedaço de ferro afundar foi usado para trazê-lo de volta, pois era necessário o mesmo poder para trazê-lo à superfície da água que para levá-lo ao fundo. O agente ou poder que fez o machado de ferro afundar quando caiu na água é chamado de lei da "gravitação universal." Não há atração em direção à terra, como alguns supuseram, mas há um poder gravitacional, ou um poder que envia tudo em direção à terra assim que é solto na atmosfera.

Supondo que tirásseis do machado de que falamos o espírito que está em todas as coisas, será que as partículas de ferro se manteriam unidas? Não, não se manteriam; não haveria mais união entre as partículas do que há na atmosfera que todos respiramos; mas é o Espírito de Deus que faz com que as partículas de ferro se mantenham unidas no machado, e é o mesmo Espírito que o traz à superfície da água, e esse mesmo Espírito faz com que o ferro afunde até o fundo de um riacho ou rio em que possa cair; e, consequentemente, todas essas leis universais que aparecem tão proeminentemente diante de nós dia após dia não são mais que as operações daquele Espírito onisciente que, nos é dito, está "ao redor e em todas as coisas," e que age segundo certas leis prescritas pelo Todo-Poderoso.

É este mesmo Espírito que atua em conexão com o Pai e o Filho no governo de todas as coisas nos céus e na terra, e por toda a extensão ilimitada do espaço. Fazei cessar esta unidade, esta união entre as partículas do Espírito, e logo vereis todas as coisas caírem em confusão. Tirai este Espírito, e vereis imediatamente algumas coisas subindo, outras descendo; algumas movendo-se horizontalmente; uma parte da terra se dividiria da outra; uma parte voaria para cá, outra para lá. A menos que houvesse uma unidade existindo nos inumeráveis átomos deste Espírito universal, a matéria cessaria de se mover por lei; mas todos atuam em concerto, e por isso não há confusão nas operações da natureza ou das leis da natureza.

Já ouvi observarem, como argumento contra este ponto de vista sobre o assunto, que, se todas as partículas do Espírito Santo tivessem o mesmo grau de conhecimento, poderiam entrar em desavenças umas com as outras. Tirai este tipo de união que agora existe, e achareis uma partícula lutando por um tipo de governo, e uma segunda por outro, e cada uma pensaria que seu próprio método é o melhor; haveria lugar para muito mais contenda e desavença onde a diversidade de opinião existe por falta de conhecimento, do que se todas tivessem o mesmo conhecimento. Em suma, se as partículas do Espírito Santo não fossem um em conhecimento, haveria uma contenda constante por falta de entendimento. As diferenças de pontos de vista, provenientes da falta do mesmo conhecimento, introduzem sentimentos e expressões discordantes em cada família, e entre cada classe de pessoas onde existem.

Dai a dois indivíduos das mesmas capacidades o mesmo conhecimento de algo—fazei-os ver e entender de modo que tenham os mesmos pontos de vista formados por essa igualdade de conhecimento, e não discordarão sobre seus pontos de vista, mas agirão como um só, e, consequentemente, serão um na coisa que entendem igualmente; e assim é com os planetas, a terra, a lua e outros mundos; atuam em concerto, e o espírito que os governa compreende os princípios pelos quais este mundo e todos os outros são governados, e, consequentemente, não há confusão nem discórdia; nenhum mundo colidindo contra o outro, e se despedaçando em milhões de átomos, e se espalhando pelo espaço. Por que nada disto acontece? Porque as partículas do Espírito Santo são um.

Não achareis uma parte de nossos espíritos ou de nossos corpos lutando contra outra parte. Não achareis o espírito que está em nosso pé esquerdo lutando contra o espírito que está no pé direito; mas atuam juntos, sendo um. Se uma mão se queima, a outra é avisada e se afasta do fogo. Por que isso? É porque as partículas de espírito em ambas têm o mesmo grau de inteligência, e, sendo unidas em todas as coisas, uma é avisada pela outra.

Alguns supõem que toda a nossa inteligência está na cabeça. Não creio em nada disso; mas creio que, se nossos espíritos pudessem ser tirados de nossos corpos e ficar diante de nós, de modo que pudéssemos contemplá-los com nossos olhos naturais, veríamos a semelhança e a imagem de cada um dos tabernáculos de que foram tirados. Não apenas a cabeça, mas a figura da cabeça, dos pés, dos braços, das mãos, do rosto, e de todo o corpo. Se o espírito é composto de inumeráveis partículas que possuem conhecimento ou inteligência, argumentamos que se difunde por todo o sistema em que habita. Pois, se as partes do espírito não tivessem individualmente nenhum conhecimento, então não teriam nenhum conhecimento coletivamente.

Quantas pessoas mortas seria necessário empilhar juntas para formar uma viva? Se dez mil fossem empilhadas, não produziriam nem vida nem conhecimento. E é exatamente assim com estas partículas ou partes do corpo ditas não terem espírito nelas; poderíeis reuni-las, e saberiam tanto quanto cem mil pessoas mortas. Consequentemente, se o todo é inteligente, as partes o são. Não importa se as partículas são tão pequenas que dez mil delas pudessem caber na ponta de uma agulha de costura; todas formam partes daquele Espírito inteligente, e atuam em uníssono umas com as outras em todas as coisas; e por isso há uma unidade conforme as palavras de nosso texto. Nenhuma luta de uma contra a outra, mas existe uma unidade perfeita, exibida através de todas as ações desse Espírito. Se o Espírito onisciente obtém existência no homem, procura influenciá-lo e persuadi-lo a se tornar um com Deus, assim como é um com Ele.

Porções deste Espírito, dizemos, existem por toda parte do espaço, e realizam toda a obra de governar e manter aquela harmonia perfeita que contemplamos em toda a natureza. Toda a natureza é, por estes meios, feita a se submeter à grande lei da unidade. Então, por que não nos conformarmos de uma vez a este mesmo grande princípio? Devemos conformar-nos a ele, se pretendemos desfrutar da presença de Deus, e de Seu Filho Jesus Cristo. Temos de nos tornar tão um em nossa fé e em nossas ações quanto nossas mãos direita e esquerda o são em suas ações, uma com a outra.

"Mas," diz o povo, "visto que estás tratando deste princípio da unidade, gostaríamos que nos explicasses a passagem em que se diz: 'O Pai está no Filho, e o Filho no Pai, e o Espírito está em ambos,' ou palavras nesse sentido." É a passagem que registra a oração de Jesus por Seus discípulos. Dar-vos-ei as próprias palavras de nosso Salvador: "E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste." Quantas vezes nas Escrituras da verdade nos é dito este grande e importante fato—a unidade do Pai e do Filho, e quantas vezes se repete no Livro de Mórmon. Numa única página daquele livro o achamos repetido um grande número de vezes.

Ora, Jesus, em Sua oração, não se referia à unidade de suas substâncias, mas aos atributos, mostrando-nos, da maneira mais explícita, que os atributos que habitam no Pai também habitam no Filho.

Ora, deixai-me perguntar-vos, se o mesmo conhecimento estiver em duas ou mais pessoas—se elas entendem uma verdade, e quaisquer outras pessoas a entendem também, isso faz dela mais de uma verdade? Ou, se eu entendo uma verdade, e alguma outra pessoa nesta congregação entende a mesma, isso faz dela duas verdades? Não; não faz. E se este grupo de pessoas diante de mim estivesse na posse da mesma verdade que eu, isso faria tantas verdades quantas pessoas a entendem? Não; certamente não: é tudo uma só verdade, habitando em vários tabernáculos; é uma verdade onde quer que se encontre, ou quem quer que a possua—continua sendo a única verdade imutável.

Jesus poderia com toda propriedade dizer, ao falar do conhecimento que tinha: "O Pai está em mim, e eu nele."

Que diz Ele a nosso respeito numa revelação de 1831? Diz Ele: "E o Pai e eu somos um. Eu estou no Pai e o Pai em mim; e sendo que me recebestes, estais em mim e eu em vós." Isto é como dizer que "nem tudo o que sou está em vós, porque sois imperfeitos: mas na medida em que recebestes a verdade que tenho comunicado, tanto de mim está em vós, pois eu sou a verdade, e tanto de vós habita em mim." E se acontecer de obterdes conhecimento de toda a verdade que Ele possui, tereis então toda a Sua luz, e toda a plenitude de Cristo habitará então em vós.

Há uma revelação com que este povo geralmente não está familiarizado. Creio que nunca foi publicada, mas provavelmente o será na História da Igreja. É dada em perguntas e respostas. A primeira pergunta é: "Qual é o nome de Deus na língua pura?" A resposta diz: "Ahman." "Qual é o nome do Filho de Deus?" Resposta: "Son Ahman—a maior de todas as partes de Deus, exceto Ahman." "Qual é o nome dos homens?" "Sons Ahman," é a resposta. "Qual é o nome dos anjos na língua pura?" "Anglo-man."

Esta revelação continua dizendo que Sons Ahman são as maiores de todas as partes de Deus, exceto Son Ahman e Ahman, e que Anglo-man são as maiores de todas as partes de Deus, exceto Sons Ahman, Son Ahman e Ahman, mostrando que os anjos estão um pouco abaixo do homem. Que conclusão se pode tirar disto? É que estes seres inteligentes são todos partes de Deus, e que aqueles que têm a maior parte das partes de Deus são os maiores, ou os mais próximos de Deus, e aqueles que têm as próximas maiores porções das partes de Deus são os próximos maiores, ou os mais próximos da plenitude de Deus; e assim poderíamos continuar a traçar a escala das inteligências, da mais alta à mais baixa, traçando as partes e porções de Deus na medida em que temos conhecimento delas. Vemos, portanto, que onde quer que exista uma grande quantidade deste Espírito inteligente, há uma grande quantidade ou proporção de Deus, que pode crescer e aumentar até que haja uma plenitude deste Espírito, e então há uma plenitude de Deus.

Considerando o assunto sob esta luz, não há mais mistério algum na Escritura que diz que o Pai está no Filho, e o Filho no Pai, pois eles são sempre um, trabalhando juntos para realizar a grande obra da redenção.

A carne e os ossos do Filho não estavam no Pai, nem Jesus tentou transmitir tal ideia. Os Apóstolos entendiam este ponto como nós entendemos, e igualmente sabiam que Ele fizera e criara todas as coisas; cremos o mesmo, e que Ele é infinito. Não infinitamente expandido em Sua pessoa, mas que a substância onisciente, chamada Espírito Santo, está "em todas as coisas, e ao redor de todas as coisas."

Vemos, então, a propriedade desta oração de nosso Salvador: "Pai, não rogo apenas por estes Doze Apóstolos que me deste, mas por todos os que hão de crer em mim por meio de sua palavra; que todos sejam um, como tu, Pai, és em mim, e eu em ti; que sejam aperfeiçoados em um, assim como nós somos um."

Portanto, os homens hão de ser um com Cristo pelo mesmo princípio pelo qual Ele é um com o Pai. Ora, não há homem tão tolo que pense e creia que todos os homens que hão de crer no Salvador por meio das palavras dos Apóstolos se tornarão a mesma e idêntica pessoa; não é esta a ideia transmitida, mas eles haveriam de ter aquela mesma verdade, de modo a torná-los um em seus sentimentos, desejos, desígnios e ações para a salvação da raça caída de Adão.

Quando contemplamos todos esses princípios, e refletimos sobre eles, nos proporcionam alegria e conforto, e essa reflexão me dá um sincero desejo de ser um com meus irmãos, e de ser um sobre os princípios da retidão, e não sobre princípios iníquos; pois, se fosse possível aos homens serem um sobre princípios iníquos, isso não lhes seria de nenhuma utilidade.

Perceberão que no reino do diabo, com todo o conhecimento que adquiriram por longa experiência, não são um. Há desunião e contenda continuamente entre eles; não estão unidos sobre falsos princípios, e onde quer que falsos princípios existam no mundo, ou em qualquer outro lugar, haverá discórdia e contendas, e por isso Ele (Jesus) diz: "Sede um." Isto não tem nenhuma referência a ser um sobre um fundamento iníquo; refere-se apenas a ser um sobre os princípios da lei celestial. E assim que este povo se unir, e se tornar um sobre os princípios da lei celestial, o Senhor derramará Suas bênçãos mais abundantemente sobre eles; quando todos a entenderem, todos serão governados por ela; crerão da mesma forma, e agirão da mesma forma, e isso os fará um.

Há outra coisa sobre a qual falarei agora, a saber, a Onipresença de Deus.

Todos sabem que é absurdo crer que uma pessoa esteja presente em dois lugares ao mesmo tempo. "Mas," diz alguém, "nada é impossível a Deus." Mas peço licença para discordar de tais pessoas, e informá-las de que, se a Escritura for verdadeira, há coisas que são impossíveis a Deus; pois se diz que Lhe é impossível mentir; e, se assim é, seria impossível a Ele agir de modo inconsistente com a verdade; Ele não poderia colocar Seu corpo na Europa e na América ao mesmo tempo, pois isso seria inconsistente com os mais simples princípios da verdade.

Ouvimos um discurso excelentíssimo no domingo passado sobre os anjos serem enviados às várias nações da terra, para superintender os assuntos e os destinos delas; também sobre cada pessoa na face de toda a terra ter seu anjo guardião desde o momento em que vem ao mundo. O Espírito Santo atua em conjunto com esses anjos, e em lugares onde eles não podem estar, pois há muitos lugares onde esses anjos não podem estar presentes, e o Espírito Santo, sendo onipresente, está em todo lugar no mesmo instante de tempo, regulando as estações, e governando os planetas em seus cursos. Seria necessário um vasto número de anjos para estarem presentes em todo lugar no mesmo instante de tempo, dirigindo os movimentos de cada partícula de matéria através da vasta extensão do espaço; consequentemente, isto é atendido por aquele Espírito Todo-Poderoso que existe em quantidades inesgotáveis por todo o universo.

O Espírito Santo "está em todas as coisas, e ao redor de todas as coisas," mantendo todas as coisas unidas em todo lugar e parte da terra, e em todas as vastas criações do Todo-Poderoso. Se subirdes ao céu, ele está ali: se tomardes as asas da alva e voardes até às extremidades da terra, ele está ali; se fordes às profundezas do inferno, ele está ali, não sofrendo, mas realizando as obras de Sua justiça sobre os ímpios. Ide onde quiserdes, através do espaço infinito, e achareis o Espírito ali, e, consequentemente, quando falamos da onipresença de Deus, referimo-nos a Seu Espírito, e não a Sua pessoa. Mas por que se chama isto de onipresença de Deus? Simplesmente porque este Espírito possui o mesmo conhecimento que habita nas pessoas de Deus o Pai e de Deus o Filho, portanto Deus está ali, na medida em que aquele conhecimento está ali.

Isto, então, explicará o grande mistério que existe no mundo sectário sobre Deus estar presente em toda parte. Alguns deles pensam e creem que Deus é uma pessoa, e que Ele pode estar presente em toda parte numa capacidade pessoal. Aqueles chamados de mais sábios entre o mundo religioso concluíram que as pessoas do Pai e do Filho podem estar neles e em todo outro lugar no mesmo instante de tempo. Isto é um absurdo tão grosseiro quanto seria dizer que três vezes três é dez, ou três vezes um é quatro. Mas tiraram essa conclusão de certas passagens da Escritura, a fim de satisfazer seus ouvintes com relação a este intrincado assunto. Não desejam reconhecer sua ignorância, e por isso propuseram esta doutrina, que é diametralmente oposta a todo princípio de ciência, bem como de razão.

A simples e clara doutrina escriturística é que o Espírito de Deus está ali, o que é Deus em todo Seu poder e majestade. Todas aquelas passagens aparentemente misteriosas que os sábios teólogos aplicaram à pessoa do Pai ser onipresente têm referência àquele Espírito onisciente de que falamos. Que efeito terá esta visão da doutrina sobre as pessoas? Respondemos que uma pessoa que crê e segue isto, conforme ensinado no Livro de Convênios e no Livro de Mórmon, jamais se confundirá. Tais pessoas estarão o tempo todo pensando: "Se temos algo a fazer, Deus está naquela coisa, e é a lei e o poder pelo qual todas as coisas que nos cercam são governadas e mantidas em tão perfeita ordem." Que influência isto terá sobre um homem que o crê? Colocá-lo-á mais alerta, muito mais do que estaria de outra forma; pois Deus não pode estar nesta tábua, ou em cada lâmina de relva, em pessoa, mas quando sabemos que o Espírito Santo está presente em toda parte, sendo combinado com toda a matéria, então temos um entendimento correto. Deus não pode estar em todo lugar sem entender também nossas ações e nossos pensamentos. Credes que as partículas do Espírito Santo têm tal grande conhecimento? Quanto conhecimento necessitariam para lhes permitir vigiar e superintender todas as obras de Deus? Necessitariam de conhecimento infinitamente maior do que jamais pensamos. Por exemplo, hão de ter um conhecimento perfeitíssimo da lei do quadrado inverso da distância, pertinente à gravitação universal, ou como poderiam conhecer a distância exata daqueles inumeráveis mundos sob seu encargo, de modo a mantê-los todos se movendo harmoniosamente como os vemos? Partículas de inteligência que podem fazer tudo isto podem certamente conhecer os pensamentos e intenções do coração; portanto, devemos sempre considerar, quando tentados a fazer o mal, que Deus está ao nosso redor com todo o conhecimento que governa e controla a natureza. Vedes, então, que esta visão do assunto está calculada para ter um efeito que será proveitoso para todos nós.

"Mas," pergunta alguém, "como haveis de lidar com a passagem, em Isaías, onde o Senhor declara que 'Antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá?'" Como podemos crer nisto, quando cremos na revelação dada por meio de Joseph Smith, que diz que há muitos Deuses, e que Abraão, Isaque e Jacó são Deuses, e que todos os homens bons nesta Igreja se tornarão Deuses? Paulo também fala do único Deus sábio. Talvez alguns suponham que isto esteja traduzido impropriamente. Mas achareis a mesma coisa no Livro de Mórmon, traduzido pelo Urim e Tumim; as mesmas coisas também estão contidas na nova tradução do livro de Gênesis, dada a Moisés, onde o Senhor declara que "não há outro Deus além de mim." Nestas expressões, Deus se refere aos grandes princípios da luz e da verdade, ou do conhecimento, e não aos tabernáculos em que este conhecimento possa habitar; os tabernáculos são muitos e sem número, mas a verdade ou o conhecimento, frequentemente personificado e chamado Deus, é um só, sendo o mesmo em todos; Deus é um, sendo uma unidade, quando representado pela luz, verdade, sabedoria ou conhecimento; mas quando se faz referência aos templos em que este conhecimento habita, o número de Deuses é infinito.

Isto explica o mistério. Se tomássemos um milhão de mundos como este e contássemos suas partículas, acharíamos que há mais Deuses do que partículas de matéria nesses mundos. Mas os atributos da Divindade são um só; e constituem o único Deus de que falam os Profetas, e que os filhos dos homens em todos os mundos adoram.

Um mundo tem um Deus ou Pai pessoal, e os habitantes dele adoram os atributos daquele Deus; outro mundo tem outro, e adoram Seus atributos, e além dele não há outro; e quando O adoram, estão ao mesmo tempo adorando os mesmos atributos que habitam em todos os Deuses pessoais que enchem a imensidade. E por isso o Senhor diz, numa das revelações destes últimos dias: "Sois tabernáculos em que Deus habita, o homem é o tabernáculo de Deus." Suponde que houvesse mil, ou cento e quarenta e quatro mil, número que João viu, e todos tivessem a inscrição "Deus" em suas testas, não colocada ali para zombar deles, mas para descrever suas pessoas e a autoridade que possuem. Suponde que todos recebessem o mesmo conhecimento, Deus não habitaria neles? Se o homem é o tabernáculo de Deus, então Deus habita em todos eles, sendo apenas um Deus; mas quando falamos deles em sua capacidade pessoal, dizemos que João viu cento e quarenta e quatro mil Deuses; se falamos da luz ou da verdade em cada um que os governa a todos, então há apenas um Deus, e Ele está em todos os mundos, e por todo o espaço, onde quer que se encontre a mesma luz ou verdade idêntica; e todos os seres, de toda a eternidade a toda a eternidade, têm de adorar e venerar o mesmo único Deus, e sempre O adorarão; embora O adorem em tantos tabernáculos diferentes, é, contudo, o único Deus, ou, em outras palavras, a mesma luz ou verdade que todos adoram. Quando contemplamos o assunto sob esta luz, não há mistério algum nele. Basta contemplá-lo à luz em que é revelado ao homem nestes últimos dias, e não há nada daquela escuridão e tolice sectária que caracteriza a Cristandade apóstata; e não podemos entender nem explicar corretamente um único princípio, e estamos nas trevas e não conseguimos ver o caminho diante de nós; mas quando falamos e agimos sob a influência imediata do espírito de revelação, então podemos ver aquilo de que o mundo é ignorante. Quando empreendemos falar dos grandes e gloriosos princípios revelados em nossos dias, e falamos da grande e gloriosa luz agora revelada, e da qual o mundo tem sido ignorante por tantas gerações, e afirmamos que o Senhor viu por bem revelar a plenitude do Evangelho eterno a Joseph Smith, homem sem instrução, o mundo religioso o despreza e o expulsa de suas moradas.

Como o Senhor veio a passar por todos os homens grandes e bons com sua sabedoria—como foi, digo eu, que Ele passou pela erudição desta geração para revelar as doutrinas e princípios de nossa santa religião? Porque estava determinado a que nenhuma carne se gloriasse em Sua presença. Como foi que Joseph Smith foi capacitado a tornar essas doutrinas tão claras quanto o alfabeto? Foi porque Deus estava com ele; Deus estava na obra; e adoraríamos com a mesma prontidão aquele Espírito Santo ou inteligência em Joseph Smith, ou em qualquer outra pessoa—não a pessoa, mas o Deus que nela está—quanto adoraríamos os mesmos atributos em qualquer outro lugar. E quando encontrarmos o Pai de Jesus Cristo, nós O adoraremos, não a carne e os ossos, mas os atributos. O Salvador nos diz que revelou muitas coisas, para que saibamos como adorar em espírito e em verdade. Como pode um homem invocar o nome de Deus de maneira aceitável e inteligente, a menos que conheça Seus atributos, e a menos que Suas doutrinas sejam reveladas? Como podem os pobres e ignorantes índios da floresta adorar aceitavelmente até que sejam ensinados a respeito de Deus e de Jesus? Têm de compreender muitas coisas a fim de poderem compreender as coisas de Deus, e serem batizados de maneira aceitável. Se quisermos adorar o Pai e o Filho, temos de saber algo a respeito deles.

Devemos estudar as leis de Deus, e obter um entendimento perfeito de todas as coisas reveladas, e acharemos que podemos compreender tudo o que é para nosso bem presente.

Não sei se estou tomando tempo demais. Fui levado, em minha mente, a explicar algumas dessas coisas; fi-lo pelo fato de que os Élderes vão pelo mundo entre as nações da terra e enfrentam muita oposição. Por exemplo, quando os letrados e os sábios começam a contestar as revelações dadas a Joseph, o Vidente, que eles (os Élderes) saibam quais argumentos apresentar para sustentá-las, e vereis, irmãos, como é fácil mostrar que há apenas um Deus quando se fala dos atributos, mas que há muitos Deuses quando se fala das pessoas em que os mesmos atributos habitam, e podeis torná-lo claro e simples. Publiquei estas coisas em minha última missão, conforme o conhecimento que tinha, sabendo que eram pontos de vista com que o mundo cristão se defrontava; e sabendo também, nesta manhã, que eram coisas que os Élderes precisariam entender, falei como falei. Se os Élderes se informassem, achariam que têm uma armadura forte com que se sustentar, e seu testemunho seria tão poderoso que os argumentos de nossos inimigos cairiam por terra; de fato, em minha missão, não pude encontrar ninguém que investigasse ou contestasse o que eu expunha, e isso foi uma decepção para mim. Não pude encontrar oposição alguma, senão através dos jornais; e, consequentemente, tive de lançar nossos pontos de vista e deixar que o público julgasse. Entre todos os jornais e periódicos publicados nos Estados, nunca vi um dos argumentos expostos no Seer ser rebatido por uma razão sólida e boa; o ridículo e as denúncias eram as únicas armas usadas contra nós; e assim tem sido sempre. Achareis que, quando a verdade é apresentada ao povo, este recorrerá ao ridículo, pelo fato de não terem argumentos.

Havendo dito isto, que o Senhor vos abençoe, irmãos e irmãs, e Seu Espírito repouse sobre todos nós, e que sintamos a importância de ser um em todas as coisas que são boas, virtuosas e retas. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “O Espírito Santo e a Trindade”, (1855-02-18). Pulpit Vault, 1855-02-18-pratt-the-holy-spirit-and-the-godhead. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).