As Antigas Profecias
Orson Pratt
Um Discurso do Élder Orson Pratt, Proferido no Tabernáculo, Great Salt Lake City, 7 de janeiro de 1855. Relatado por G. D. Watt. ¶
Fui solicitado pelo irmão Kimball a dizer algumas palavras sobre o assunto das Antigas Profecias. Começarei sem preliminares, pois não temos tempo, num discurso tão curto, para abordar as profecias sistematicamente e traçar seu cumprimento até o período presente; tampouco temos tempo para nos referirmos a uma centésima parte das profecias relativas ao período presente, ou às que se referem ao futuro; mas temos tempo de dizer algumas palavras e colher algumas poucas ideias que tenham relação com a geração presente: e procurarei fazer minhas observações tão simples e claras quanto possível. ¶
Os Santos dos Últimos Dias que agora estão sentados diante de mim, e os que habitam este Território, estão aqui em cumprimento de profecia. Habitamos estas montanhas porque os antigos Profetas predisseram que tal acontecimento se daria, e estamos cumprindo suas predições a esse respeito. ¶
Cremos naquele sagrado registro chamado Livro de Mórmon. Por quê? Porque os antigos Profetas predisseram que tal livro seria revelado nos últimos tempos; e ele veio, acompanhado de evidências suficientes para produzir convicção em nossas mentes; mas se alguma pessoa pudesse nos persuadir de que o Livro de Mórmon não é o livro predito pelos antigos Profetas, temos luz e informação suficientes nas profecias para nos convencer de que tal livro deve vir, e deveríamos, de comum acordo, procurar por um livro de descrição semelhante. ¶
Esta obra dos últimos dias que recebemos é considerada uma obra muito estranha, na estimativa do mundo; mas na estimativa dos Santos ela não parece estranha, por quê? Porque é exatamente a coisa que o Senhor, pela boca de Seus Profetas, milhares de anos atrás, predisse que aconteceria: e nós somos exatamente o povo que está desfrutando o cumprimento dessas predições. Portanto, traremos, em primeiro lugar, algumas evidências proféticas que provam a autenticidade divina do Livro de Mórmon; não que não tenhamos outras provas, claras e lúcidas, e demonstrativas em sua natureza, para estabelecer sua autenticidade divina. ¶
Quanto às evidências proféticas do Antigo Testamento em relação a este livro, voltemo-nos primeiro ao capítulo 29 de Isaías, e vejamos o que ele disse sobre este assunto. No primeiro versículo, o Profeta se dirige à Cidade de Jerusalém, chamada Ariel—"Ai de Ariel, Ariel, a cidade em que Davi assentou o seu acampamento! Acrescentai ano a ano, e completem as festas o seu ciclo. Contudo, porei Ariel em aperto, e haverá pranto e tristeza." Observaremos, em relação a esta profecia, que os judeus da cidade onde Davi habitou foram angustiados; e, apesar de prolongarem seus sacrifícios depois que já deveriam ter cessado, foram angustiados, e abatidos, e afligidos com pranto e tristeza. ¶
Depois de predizer a angústia dos habitantes daquela cidade, o Profeta começa a falar de outro povo, e diz: "E ela me será como Ariel." Ora, aqui há algo a ser angustiado, a ser abatido em pranto e tristeza, e aflito de modo semelhante à cidade de Ariel—é alguma nação de que o Profeta fala, que haveria de encontrar aflição semelhante à que viria sobre o povo de Jerusalém, a cidade em que Davi habitou. "Porque te cercarei com o meu acampamento, e te sitiarei com baluartes, e levantarei fortalezas contra ti." Contra quem? Contra aquele povo que deveria ser afligido de modo semelhante ao que os habitantes de Jerusalém haviam de ser afligidos. "Então serás abatida, falarás desde debaixo da terra, e a tua fala desde o pó sairá fraca, e será a tua voz desde debaixo da terra como a de um espírito familiar, e a tua fala sussurrará desde o pó." ¶
Este povo, pois, a que o Profeta aqui alude, deveria encontrar destruição e aflição semelhantes às que viriam sobre Ariel, e deveriam ter fortalezas levantadas contra eles, e fortificações. Ora, não estará todo ano trazendo à luz antigos fortes e fortificações neste continente? É bem sabido que, dentro de poucos anos passados, grandes e extensos volumes foram publicados descrevendo os fortes, fortificações e antigas ruínas que foram encontrados no meio dos Estados Unidos. Nos grandes volumes publicados pela "Instituição Smithsonian" em Washington, uma das instituições mais eruditas de nosso país, encontram-se descrições de um grande número dessas antigas ruínas; elas estão situadas nos Estados de Nova York e Ohio. Essas descobertas foram publicadas nos últimos anos. ¶
Os antigos habitantes deste país foram eventualmente abatidos, e suas cidades, templos e sinagogas em ruínas proclamam, em silenciosa grandeza, que uma nação grande e poderosa caiu—foram abatidos e angustiados como os judeus na antiga Jerusalém—como Ariel. Mas muitos antiquários supuseram que foram abatidos, e nada restou de sua história além de suas velhas ruínas para proclamar sua antiga grandeza. Não é assim; pois o mesmo povo que assim deveria ser abatido haveria de falar desde o pó. O quê! Seriam ressuscitados para conversar conosco? Era isso que o Profeta tinha em mente? Não; não é isso que ele tem em mente nesta passagem, como se verá ao ler o que se segue no mesmo capítulo; o sussurro deles desde o pó e sua fala desde a terra era uma obra que haveria de ocorrer antes da destruição das nações dos ímpios. ¶
Ora, como se cumpriu esta profecia, senão na vinda do Livro de Mórmon? Aquele livro veio do chão; foi encontrado no Estado de Nova York, no meio daqueles fortes e fortificações tão abundantes ali. Aquele sagrado registro foi encontrado escrito sobre placas que tinham a aparência de ouro; do chão ele foi retirado; e contém as palavras dos antigos Profetas que viveram entre este remanescente da casa de Israel que foi abatido, e cuja fala haveria de sussurrar baixo desde o pó; ele sussurra aos ouvidos do homem mortal; proclama arrependimento à geração presente, como a voz de alguém que clama dentre os mortos. ¶
"Além disso, a multidão dos teus inimigos será como o pó miúdo, e a multidão dos tiranos como a pragana que passa: sim, isso acontecerá num instante, repentinamente." Qualquer pessoa que se der ao trabalho de ler aquele livro que veio do chão, e que nos sussurra desde o pó, achará que a multidão dos tiranos entre os antigos nefitas passou como a pragana; foram destruídos nesta terra às centenas e aos milhares, por juízos, calamidades e guerra. ¶
"Do Senhor dos Exércitos serás visitada com trovões, e com terremotos, e grande ruído, com tufão de vento e tempestade, e labareda de fogo consumidor." Este versículo se refere ao que se segue no próximo—"E como o sonho de visão da noite, assim será a multidão de todas as nações que pelejarão contra Ariel, como também todos os que pelejarão contra ela e contra os seus muros, e a porão em aperto. Será também como o faminto que sonha, e eis que lhe parece que come, porém, acordando, se acha a sua alma vazia; ou como o sedento que sonha, e eis que lhe parece que bebe, porém, acordando, eis que ainda desfalecido se acha, e a sua alma com sede: assim será toda a multidão das nações que pelejarem contra o monte Sião." Aqui se percebe outra coisa que o Profeta trata em conexão com o sussurro das palavras daquela nação desde o pó; imediatamente depois desse acontecimento notável haveria uma terrível destruição, não sobre Ariel—não sobre Israel—mas sobre a multidão de todas as nações da terra que combatessem contra o monte Sião. Três coisas, portanto, são declaradas em sequência—uma é a destruição de uma nação, outra é a fala de suas palavras desde o pó aos ouvidos dos vivos, e a terceira, que se segue imediatamente, a saber, a destruição de todas as nações da terra que combatessem contra o monte Sião; este último acontecimento ainda não se cumpriu; mas é tão certo de se cumprir quanto as outras partes da profecia que já se cumpriram; tão certo quanto o Livro de Mórmon sussurrou desde o pó, e falou aos ouvidos desta geração, em cumprimento das palavras do Profeta Isaías, assim tão certo o Senhor dos Exércitos visitará a multidão de todas as nações da terra que combaterem contra o monte Sião, com trovões, terremoto e com a labareda de fogo consumidor, e serão como o sonho de uma visão noturna, passarão da face da terra e serão como pragana levada pelos quatro ventos do céu, e nenhum lugar se achará para eles. Mas prossigamos. ¶
O Profeta volta agora, depois de predizer a destruição das nações que se seguiria à vinda desta obra, à coisa de que falava anteriormente, e nos dá mais pormenores sobre este assunto, e nos informa mais particularmente de que maneira o Senhor realizará este sussurro desde o pó; diz ele à multidão daquelas nações prestes a serem destruídas: "Detende-vos e maravilhai-vos, cegai-vos e ficai cegos: bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte." Ele não poderia usar linguagem melhor para descrever a geração presente do que fez; estão embriagados, como João, o Revelador, os viu, com a imundícia das abominações da antiga Babilônia; titubeiam, não com bebida forte, mas com as tradições dos homens, que inculcaram de geração em geração, e que se instilaram nas mentes do povo. "Porque o Senhor derramou sobre vós um espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos: vendou os profetas, e os vossos cabeças, e os videntes." Ele chama a este povo, sobre quem se derramou o espírito de sono, a se deterem e a se maravilharem. Maravilharem-se! Do quê? Ora, diz ele, "Pelo que toda a visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: Não posso, porque está selado. Ou dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: Não sei ler. Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, porém o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído: Portanto, eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro: porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá." ¶
Vejam com que clareza o Profeta ilustrou a vinda desta obra. Descreve um livro, e as palavras de um livro, e chega até a particularizar, e nos informa que as palavras daquele livro seriam enviadas aos letrados. Todos os que conhecem a história da vinda do Livro de Mórmon sabem ser fato que várias das palavras daquele livro foram copiadas por Joseph Smith, e enviadas, pelas mãos de Martin Harris, do Condado de Ontário para a cidade de Nova York, e ele as exibiu aos homens mais eruditos que se pôde encontrar, para ver se poderiam traduzi-las; entre outros, ele foi ao Professor Anthon—um professor de grande celebridade. O Sr. Anthon examinou os caracteres, como ele mesmo publicou desde então. Ele afirma que veio até ele um fazendeiro ignorante, que tinha alguns caracteres ou escritos antigos que não conseguia entender: supõe que sejam caracteres selecionados de muitos alfabetos, misturados; publicou o suficiente para provar que tal circunstância realmente ocorreu, que um homem sem instrução veio até ele com palavras que afirmava terem sido copiadas de um livro. O Sr. Smith nada sabia sobre esta profecia naquela época, pois desconhecia o conteúdo da Bíblia; fora criado para trabalhar. Esta parte da profecia se cumpriu ao pé da letra; as "palavras do livro", não o livro em si, foram enviadas aos letrados. Se o Sr. Smith tivesse enviado as placas para Nova York, os termos desta profecia não se teriam cumprido. ¶
O versículo seguinte diz: "Ou dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: Não sei ler." Ora, o Sr. Smith não era um homem letrado, como reconhecem todos os nossos opositores. É verdade que possuía alguns dos rudimentos comuns de uma educação inglesa, sabia ler e escrever de forma bem desajeitada, e isso era mais ou menos a extensão de sua educação. Quando o livro foi dado ao homem não letrado, ele não respondeu ao Senhor como o letrado Sr. Anthon respondeu a Martin Harris, dizendo que era uma língua selada e que não conseguia compreendê-la, mas disse: "Não sei ler." Qual foi a resposta do Senhor a este jovem sem instrução? Ele lhe respondeu com as palavras de Isaías que já citei: "Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim com a sua boca," &c. ¶
O que naturalmente concluiríamos que o Senhor pretendia fazer, a partir desta expressão? Disse que faria uma obra maravilhosa e um assombro, depois de ter apresentado o livro ao não letrado, e depois que este, ao ser instado a lê-lo, se desculpara alegando não ser instruído. Suporíamos naturalmente que o Senhor pretendia fazer com que este homem sem instrução lesse o livro; era, de fato, o caso, ele foi ordenado pelo Senhor a lê-lo, e o traduziu por meio de um Urim e Tumim, que é bem sabido ser um instrumento usado em tempos antigos, por meio do qual as pessoas consultavam o Senhor. Arão tinha um no centro do seu peitoral, e quando algo se apresentava diante dele que não pudesse compreender pelo seu próprio julgamento, ele consultava o Senhor, pelo Urim e Tumim, e ali terminava a controvérsia. Desta maneira o Senhor fez com que este homem sem instrução lesse o livro. Isso não fez perecer a sabedoria do erudito Sr. Anthon, e vir a nada o entendimento dos sábios deste mundo? Foi necessária inspiração e poder de cima—uma obra maravilhosa e um assombro—para se traduzir este livro de mais de seiscentas páginas, e revelar a história de metade do nosso globo às nações atônitas da terra. ¶
Ora, para provar positivamente que o Senhor fez com que este livro fosse traduzido pelo não letrado, e que foi lido por alguém, citaremos o versículo 18 deste capítulo—"E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas as verão os olhos dos cegos. E os mansos terão cada vez mais regozijo no Senhor; e os necessitados entre os homens se alegrarão no Santo de Israel." Vemos o cumprimento disto diante de nós no tempo presente. Aqui estão centenas e milhares de pobres, que estavam presos sob a maldição da opressão e da tirania em terras estrangeiras, que, por meio deste livro que foi traduzido por um homem sem instrução, e por meio da proclamação do glorioso Evangelho nele contido, foram levados a se alegrar no Santo de Israel. O cego viu dentre a escuridão, e o surdo ouviu as palavras do livro, e vieram das nações do velho mundo—de sob a mão da tirania e da opressão—e foram plantados aqui nestes ricos vales; e se não creem que se alegram, entrem em algumas de suas esplêndidas festas, e fiquem num canto observando-os. ¶
Haverá muito regozijo, com o tempo, quando chegar a hora em que a multidão de todas as nações que combaterem contra o monte Sião será como uma visão noturna, quando serão totalmente varridos da terra. Vejam o que diz o Profeta no versículo seguinte—"Porque o tirano fenece, e se consome o escarnecedor, e todos os que se dão à iniquidade são extirpados." Esta é uma causa de sua alegria, "todos os que se dão à iniquidade são extirpados," &c. "Os que fazem culpado ao homem por uma palavra, e armam laços ao que os repreende na porta, e os que põem de lado o justo por um nada." Não é de admirar, pois, que os pobres entre os homens se alegrem no Santo de Israel quando esses acontecimentos se derem. ¶
Mas de que maneira este livro afetará os filhos de Israel? Ele não se destina apenas a nos fazer alegrar, mas irá afetar as nações de Israel; se não creem, vejam o que o Profeta diz sobre isso—"Portanto, assim diz o Senhor, que remiu a Abraão, a respeito da casa de Jacó: Jacó não será agora envergonhado, nem se lhe descorará agora o rosto." Quando este livro vier, quando for traduzido, quando for levado a Israel pela autoridade que Deus ordenou e estabeleceu sobre a terra, e publicarem seus gloriosos princípios em seus ouvidos, "Jacó não será envergonhado;" embora tenham sido por 1.800 anos passados chutados e maltratados, privados do que se chama cidadania entre as várias nações da terra, e pisoteados e destruídos às centenas e aos milhares, e embora tenham vagado sem Profetas e homens inspirados, sem o Urim e Tumim, sem visões e anjos do céu, e sem os poderes e manifestações da glória de Deus que estiveram entre seus pais; ainda assim, quando o Senhor lhes enviar este sagrado livro, não serão envergonhados. Pelo que estiveram esperando? Que o Senhor trouxesse este livro. E jamais poderiam ser redimidos, mas permaneceriam pisoteados pelos gentios por milhares de anos ainda por vir, a menos que o Senhor trouxesse este livro—que é um dos principais meios para a redenção de Jacó. ¶
Prossegue o Profeta: "Mas quando ele vir seus filhos, a obra das minhas mãos, no meio dele, santificarão o meu nome, e santificarão ao Santo de Jacó, e temerão ao Deus de Israel." Sim; serão reunidos, congregados em um só, e os convênios feitos com seus pais se cumprirão. Outro glorioso efeito que este livro terá sobre os honestos entre as nações da terra—"Os que erram de espírito virão a ter entendimento, e os murmuradores aprenderão doutrina." Toda pessoa que agora está diante de mim sabe muito bem que houve muitos indivíduos honestos, cândidos e sinceros entre todas as várias nações da Cristandade que erraram de espírito; queriam aprender a verdade, como nós, mas erraram de espírito, e também murmuraram. Quantas vezes meus ouvidos escutaram as murmurações dos honestos de coração em algo semelhante à seguinte linguagem—"Não sei o que fazer; é estranho que haja tanta confusão, um ensinando isto, outro aquilo." Murmuravam por causa das divisões e contendas que viam entre as sociedades religiosas. Mas aqui está algo que acabará com esses erros, pois o livro não apenas fará com que o cego veja dentre a escuridão e as trevas, mas os que erraram de espírito virão a ter entendimento. De que maneira? Como podem chegar a entender por meio deste livro? Por causa da clareza da doutrina de Cristo nele contida. Se alguma pessoa se der à oportunidade de se informar a respeito do conteúdo daquele livro, achará a doutrina da salvação—a doutrina da ressurreição dos mortos, e cada princípio pertencente à redenção do homem, exposto de maneira tão clara, simples e convincente, que é quase impossível a qualquer indivíduo que creia em sua autenticidade divina errar em doutrina; faz de um povo um só coração e uma só mente, no que se refere à sua fé, se puderem uma vez se convencer de que é de Deus. ¶
Este é apenas um capítulo de profecia relativo à grande obra de nosso Deus nos últimos dias. Poderíamos citar muitos outros. De fato, há outros a que me referirei, se o tempo permitir. ¶
Este livro afirma ser um registro escrito por um remanescente da casa de José; enquanto a Bíblia é reconhecida como um registro dos judeus, contendo uma história da Palestina e das nações adjacentes, intercalada com doutrina. O Livro de Mórmon é a história da antiga América, intercalada com as profecias de numerosos Profetas que outrora viveram neste continente. O Senhor confirmou este livro com inúmeras evidências que não mencionarei em minhas observações neste curto discurso. Ele uniu o testemunho das antigas nações da América ao testemunho dos judeus; desejamos saber se há alguma indicação nas profecias da união do testemunho destes dois livros nos últimos tempos. ¶
Referiremos suas mentes ao capítulo 37 das profecias de Ezequiel, onde encontraremos algo muito definido sobre este assunto, começando no versículo 15—"E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira, e escreve nele: Por Judá e aos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pedaço de madeira, e escreve nele: Por José, a vara de Efraim, e de toda a casa de Israel, seus companheiros: E ajunta um ao outro, para que sejam uma vara; e serão uma só na tua mão." Ezequiel foi e fez como o Senhor lhe disse, e tomou duas pequenas varas e escreveu para Judá e José; depois de terminar de escrever, juntou-as e as ergueu diante da casa de Israel. "E quando te falarem os filhos do teu povo, dizendo: Porventura não nos declararás o que significam estas coisas?" "É estranho que escreveste sobre uma vara para Judá, e sobre outra para José, e as ergueste diante de nós; explica-nos o mistério." "Dize-lhes, pois: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei a vara de José que esteve na mão de Efraim, e das tribos de Israel, seus companheiros, e as ajuntarei à vara de Judá, e farei delas uma só vara, e elas se farão uma só na minha mão." "Assim como estas duas varas são uma na tua mão, assim farei uma a vara de José e Judá na minha mão, mas as varas sobre as quais escreveste serão uma só diante de seus olhos." ¶
Aqui, então, havia um símbolo representado diante de seus olhos, numa linguagem que não podia ser mal-entendida; era um símbolo de dois registros; pois é bem sabido que os registros eram mantidos em tempos antigos em pergaminho, enrolados sobre varas, tal como hoje guardamos nossos mapas. Todas as profecias de Jeremias, por muitos anos, foram escritas e enroladas sobre uma vara, e chamadas de livro; assim, em Ezequiel, estas varas representam dois registros, um o registro da tribo de José, e o outro de Judá: e o Senhor promete, por meio deste símbolo, que Ele mesmo tomaria a vara de José e a poria com a vara de Judá, e a faria uma só na Sua própria mão, mostrando que seria uma obra que Ele mesmo realizaria nos últimos dias. ¶
"As varas sobre as quais escreveste estarão na tua mão diante dos seus olhos. E dize-lhes"—agora observem o que se segue a estas duas varas—"Eis que tomarei os filhos de Israel de entre os gentios, para onde foram, e os congregarei de todos os lados, e os levarei à sua própria terra: E farei deles uma nação na terra, nos montes de Israel; e um só rei será rei para todos eles: e nunca mais serão duas nações, nem se dividirão jamais em dois reinos." Isso já se cumpriu alguma vez? Isto se refere ao seu ajuntamento da Babilônia antes de Cristo? Não. Foram dispersos desde então, e as dez tribos foram levadas antes daquela época, e nunca foram reunidas. Mas aqui está uma predição de que nunca mais se dividiriam em dois reinos, mas se tornariam uma só nação nos montes de Israel, nunca mais a serem dispersos. Notem, Ele lhes declara que, antes de fazer isso, tomará o registro de José e o porá com o registro de Judá, e os fará um em Sua mão, e então realizará este ajuntamento de Israel. ¶
Ora, meus amigos, podem trabalhar com todas as suas sociedades beneficentes cristãs, para reunir os judeus dentre as nações; podem combinar toda a sabedoria e o saber da Cristandade, e empregar todos os seus esforços, e todos os fundos que puderem arrecadar e reunir dos dois hemisférios da terra, e, no final, jamais conseguirão realizar o ajuntamento e a restituição de Israel até que o Senhor a faça à Sua própria maneira, unindo os registros de Judá e José para realizar esta obra. Então, e somente então, a casa de Jacó se alegrará no Santo de Israel, e não mais será envergonhada. ¶
Ora, há alguma indicação de que a casa de José viria à América? Diz alguém: "Se eu realmente pensasse que estes índios americanos são os descendentes de José, ficaria inclinado a pensar que o Livro de Mórmon é de fato o registro de José." Vejamos o que o Profeta Jacó, o antigo Patriarca, disse a respeito da casa de José. Ele chama os dois filhos de José, e pronuncia uma bênção peculiar sobre eles, pondo a mão direita sobre a cabeça do mais novo, e a mão esquerda sobre a cabeça do mais velho, e os abençoou, dizendo: "O Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia, o anjo que me redimiu de todo o mal abençoe estes rapazes; e seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaque; e multipliquem-se em multidão no meio da terra." Quando José viu seu pai pôr a mão direita sobre a cabeça do mais novo dos rapazes, isso lhe desagradou, e ele tomou a mão de seu pai, para transpô-la da cabeça de Efraim para a cabeça de Manassés, dizendo: "Assim não, meu pai: porque este é o primogênito; põe a tua mão direita sobre a sua cabeça." E seu pai recusou, e disse: "Eu sei, filho meu, eu sei: também ele será um povo, e também ele será grande: contudo o seu irmão menor será maior que ele, e a sua semente será uma multidão de nações." ¶
Passem ao capítulo seguinte, e encontrarão uma notável profecia sobre José. Depois de abençoar os dois filhos de José, ele chama seus doze filhos diante de si, e começa a abençoá-los, começando por Rúben; quando chega a José, pronuncia sobre ele uma bênção peculiar—"José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro," &c. Como quem diz que todos os ramos que descenderam de José não permaneceriam num só país, ligados à árvore-mãe, mas seriam tão frutíferos e numerosos, a fim de cumprir a predição proferida no capítulo 48, que se tornariam uma multidão de nações no meio da terra; que teriam de deixar a árvore-mãe, e o lugar de sua primeira herança; teriam de "correr sobre o muro," sobre a grande muralha de águas que se interpõe entre eles e este grande hemisfério ocidental. ¶
A fim de mostrar que herdariam uma terra maior do que a que possuíam pelos antepassados de Jacó, o velho senhor continua nesta bênção, e diz: "As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais, até a extremidade dos outeiros eternos: elas estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do que foi separado dentre seus irmãos." Isto é, a bênção de Jacó prevaleceu sobre a de Abraão e Isaque. O Senhor prometeu a Abraão e a Isaque que teriam a terra de Canaã, e sua semente após eles, como possessão eterna. Isso, sabem, não é um país grande; mas diz Jacó: "Tenho uma bênção maior do que essa. Eu prevaleço sobre a de meus antepassados, e conferirei esta bênção a ti, José. As bênçãos de teu pai excederam as bênçãos de meus antepassados." Quanto mais? "Até a extremidade dos outeiros eternos." Isto é como dizer que "minhas bênçãos não se destinam apenas a herdar este pequeno país, chamado a terra de Canaã, mas se estendem até a extremidade dos outeiros eternos; tenho um país maior do que este a conferir sobre mim mesmo, e porque tu foste um bom filho, e porque teus filhos são bons, e porque cuidaste de teus irmãos na terra do Egito, eu o darei a ti. Estas bênçãos estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do que foi separado dentre seus irmãos." ¶
Para que José se tornasse uma multidão de nações, seus ramos tinham de correr sobre o muro; ele tinha de chegar à extremidade dos outeiros eternos; tinha de ser situado num grande país onde sua semente pudesse ter espaço para crescer numa multidão de nações. Onde se pode encontrar uma multidão de nações descendentes de José? Podem percorrer a Inglaterra, a Irlanda, a Escócia, o País de Gales, a Europa, a Ásia e a África, mas não os encontrarão em nenhuma dessas terras. A origem dessas nações pode em sua maior parte ser rastreada, e pode-se provar que não são descendentes de José. Depois de percorrerem todas essas terras, e não conseguirem achar uma multidão de nações de José, atravessem as grandes águas que se interpõem, como um muro, entre a terra da Palestina, ou o hemisfério oriental, e o continente americano, e o que descobrem? Uma multidão de nações, evidentemente originadas da mesma fonte, como indicam características muito marcantes. ¶
Aqui, então, está a única terra em que essa profecia se cumpriu. Se não se cumpriu aqui, não pode ter se cumprido em nenhuma outra parte da terra de que temos conhecimento. Moisés fala disto e de José em particular, quando estava para ser tirado do meio dos filhos de Israel. Ele pronunciou uma bênção sobre as doze tribos, começando por Rúben. Quando abençoou José, sua bênção foi verdadeiramente peculiar. E de José disse—"Bendita do Senhor seja a sua terra, com o mais excelente dos céus, com o orvalho, e com as águas do abismo que jaz abaixo, e com os mais excelentes frutos do sol, e com os mais excelentes produtos da lua, e com o mais excelente dos montes antigos, e com o mais excelente dos outeiros eternos, e com o mais excelente da terra, e com a sua plenitude, e com a benevolência daquele que habitava na sarça: a bênção venha sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do que foi separado de seus irmãos." Se José apenas herdasse uma pequena porção da terra de Canaã com o resto das tribos, por que Moisés abençoa sua terra mais particularmente do que as heranças adjacentes das outras tribos? Não poderia haver muita diferença na qualidade de terras que jaziam lado a lado. ¶
Aqui obtemos uma pista para uma terra que deveria ser abençoada acima de todas as outras terras—uma terra distante de Canaã, como se expressa nas palavras "a extremidade dos outeiros eternos," e suficientemente grande para conter uma multidão de nações provenientes de José. Lembrem-se de que deveriam ser abençoados não apenas com as coisas preciosas da terra, e sua plenitude, mas com as coisas preciosas do céu. Que são as coisas preciosas do céu? São elas algo mais além das revelações? Podem pensar em algo mais que se pudesse chamar de coisas preciosas do céu? Depois que os filhos de José vieram a esta terra, foram abençoados, como Moisés predisse, com as coisas preciosas do céu; o Senhor lhes revelou as coisas passadas, presentes e futuras, desdobrando Seus grandes propósitos que haveriam de ocorrer nos últimos tempos; Ele lhes desdobrou mistérios e coisas grandes demais para serem proferidas pelo homem. Muitas dessas coisas foram escritas; guardaram seus registros, que foram transmitidos de Profeta a Profeta: por fim o povo caiu em grande maldade, e a principal nação foi destruída; e um dos seus últimos Profetas foi ordenado a depositar os registros onde foram encontrados pelo Sr. Smith. Suas palavras "sussurraram desde o pó," e vieram entre as nações, acompanhadas de abundância de evidências. ¶
Antes de isso ser oferecido ao mundo, o Senhor o confirmou abrindo os céus em plena luz do dia, e enviando um anjo santo, que desceu à presença de quatro indivíduos, três além do Sr. Smith, e o anjo tomou as placas, e as virou folha por folha, enquanto, ao mesmo tempo, a voz do Senhor, vinda dos céus, lhes dizia que haviam sido traduzidas corretamente, ordenando-lhes que enviassem seu testemunho a todas as nações, reinos, línguas e povos. Eles, então, anexaram seu testemunho impresso em conexão com o Livro de Mórmon. Isso foi feito antes que lhes fosse permitido sair e edificar a Igreja. O Senhor estava determinado a que esta geração não tivesse apenas a segura palavra de profecia para os convencer da verdade desta obra, mas testemunhas vivas para dar testemunho do que seus olhos haviam visto, seus ouvidos haviam ouvido, e suas mãos haviam manuseado a respeito deste assunto, para que tivessem evidências tão grandes a ponto de deixá-los sem qualquer desculpa. ¶
Passaremos agora a algumas outras profecias relativas ao ajuntamento do povo. Sabem que já os referimos a profecias relativas ao ajuntamento de Israel quando este registro fosse trazido à luz. Mas Israel não é o único a ser ajuntado, mas muitos dos gentios também serão ajuntados e contados com Israel. Poderíamos primeiro referi-los a algumas profecias que mostram que esta obra não deve começar entre Israel primeiro, mas entre os gentios; que os gentios são os primeiros a quem o estandarte deve ser erguido. É isso que o Apóstolo Paulo diz no capítulo 11 de Romanos: "Porque assim como vós também antigamente fostes desobedientes a Deus, porém agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles: Assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela vossa misericórdia." Por meio de quem? Por meio dos gentios; pois é por meio deles que o Senhor está trazendo o registro de José ao mundo nos últimos dias, como um estandarte de doutrina, um plano de salvação, erguendo-o no meio das nações gentias, para que nós, como instrumentos em Suas mãos, possamos sair e ajuntar a casa de Israel, para que, por meio de nossa misericórdia, também eles possam crer, e sejam trazidos ao conhecimento da verdade. Isaías, em seu capítulo 49, nos informou que esta obra deveria começar, não entre os judeus primeiro, mas entre os gentios. ¶
Leremos uma parte daquele capítulo—"Assim diz o Senhor Deus: Eis que levantarei a minha mão para as nações, e aos povos levantarei a minha bandeira: então trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas sobre os ombros." Isto é, os filhos e as filhas da casa de Israel. "E os reis serão os teus aios, e as suas princesas, as tuas amas: diante de ti se inclinarão com o rosto em terra, e lamberão o pó dos teus pés; e saberás que eu sou o Senhor, que os que esperam em mim não serão envergonhados." Aqui percebemos que, quando chegar o grande dia em que a casa de Israel será restaurada às suas próprias terras, a primeiríssima obra que Ele realizará em relação a essa restauração será levantar a Sua mão aos gentios e erguer um estandarte entre eles. Isto mostra claramente que não será algum homem entre os gentios que se levantará sem inspiração, como os antigos reformadores, estabelecendo suas próprias doutrinas e opiniões: não é uma obra dessa descrição, mas é uma obra que o próprio Senhor tem de realizar; "e levantarei a minha mão para as nações, e levantarei a minha bandeira aos povos, e então, depois de fazer isso, eles (os gentios) trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas sobre os ombros, os reis serão os teus aios, e as suas princesas, as tuas amas," &c. As mesmas coisas são preditas, também, no capítulo 11 desta profecia: "E acontecerá naquele dia que o Senhor tornará a estender a sua mão pela segunda vez para adquirir os remanescentes do seu povo, que restarem da Assíria, e do Egito," &c. ¶
Ora, o Senhor não realizará isto ajuntando o povo na capacidade de sociedades missionárias, sem Profetas, Apóstolos, e a palavra do Senhor a dirigi-los; mas é o Senhor quem diz: "Estenderei a minha mão pela segunda vez," &c. Como Ele estendeu Sua mão pela primeira vez, para ajuntar Israel para fora do Egito? Fê-lo por meio de uma companhia de homens sem inspiração, sem milagres, anjos, sinais e maravilhas? Não; mas Ele estendeu Sua mão pela primeira vez por meio de sinais, maravilhas, Profetas, milagres, enviando anjos do céu, dividindo as águas e fazendo com que Israel atravessasse o meio do mar sem sofrer dano, e vindo sobre o Monte, e proclamando a lei aos ouvidos de todo o Israel; quando Ele empreender ajuntá-los das nações da terra, achará necessária uma obra de magnitude ainda maior para realizar este grande ajuntamento. Tirar uma nação do meio de outra única nação onde todos estavam reunidos, e conduzi-los onze dias de jornada até outra terra, é uma pequena obra comparada com o ajuntá-los de todas as nações da terra, e reuni-los em um só. Quando Ele estender a Sua mão pela segunda vez, diz Ele: "levantará um estandarte entre as nações;" o que é a mesma coisa de que se fala no capítulo 49. O estandarte que provei dever ser erguido aos gentios é a mesma coisa que o estandarte mencionado neste lugar. "Levantará um estandarte entre as nações," "e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra," &c. ¶
Creem que possam ser reunidos antes que aquele padrão—aquele estandarte—seja erguido? Podem ser reunidos de alguma outra maneira, e as profecias se cumprirem? Em vão as nações empreenderiam realizar isto de qualquer outra maneira senão aquela que o Senhor apontou por profecia. Notem o que Ele diz no versículo 15: "E o Senhor destruirá totalmente o braço do mar do Egito, e moverá a sua mão contra o rio com a força do seu vento, e o ferirá nas sete correntes, e fará que se passe por ele com sapatos. E haverá caminho plano para os remanescentes do seu povo, que restarem da Assíria, como sucedeu a Israel no dia em que subiu da terra do Egito." Creem nas palavras do Profeta? Creem que, quando o Senhor estender a Sua mão pela segunda vez para ajuntar Israel dos quatro cantos da terra, e erguer um padrão e estandarte entre os gentios para realizá-lo, eles atravessarão o mar a pé enxuto, como fizeram através do Mar Vermelho antigamente? Se não creem, não creem nesta profecia. Falo agora a um povo que crê nisso; creem que será como foi no dia em que Israel subiu da terra do Egito; não espiritualmente, mas literalmente, como então. ¶
Nós, como gentios, temos motivo para nos alegrar; isto é, nós que somos contados entre as nações gentias (pois pode haver muitos do sangue de Israel entre nós)—digo, temos motivo para nos alegrar de que o Senhor levantou Sua mão, e ergueu Seu padrão, e alçou Seu estandarte, e nos chamou a levar este estandarte—este padrão—às nações da terra, e a proclamá-lo aos ouvidos dos gentios primeiro; para quê? Para que se cumpram os tempos dos gentios, para que a plenitude venha a entrar, e então todo o Israel seja salvo, como está escrito: "De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades." Portanto, somos o povo identificado com os gentios, a quem este estandarte foi erguido; e foi erguido, também, sobre os montes, pois o Profeta Isaías nos disse que assim se cumpriria sobre os montes. Referimo-nos ao capítulo 18 de sua profecia. Nele há uma proclamação a todo o mundo. São ordenados, naquele dia, tanto a ver como a ouvir—"Vós, todos os habitantes do mundo, e vós os moradores da terra, quando se levantar a bandeira nos montes, o vereis; e quando se tocar a trombeta, o ouvireis. Porque assim me disse o Senhor: Estarei quieto, olhando desde a minha morada, como o ardor resplandecente depois da chuva, como a nuvem do orvalho no ardor da ceifa. Porque antes da ceifa, quando já o gomo está perfeito, e as uvas verdes amadurecem depois de brotarem, então podará os sarmentos com a podadeira e, cortando os ramos, os tirará dali." Que se torna deles depois de cortados? "Juntamente serão deixados às aves dos montes e aos animais da terra, e sobre eles passarão o verão as aves de rapina, e todos os animais da terra invernarão sobre eles." Que destruição terrível; a multidão de todas as nações se tornará como o sonho de uma visão noturna, passarão. Todas as nações são aqui chamadas a ver e ouvir no momento em que o estandarte é erguido: verão elas? Não. O espírito de profundo sono é derramado sobre elas; os Profetas, e Videntes, e governantes estão vendados. ¶
A fim de mostrar ainda mais claramente que os gentios são os que levarão este estandarte às nações, referimo-nos ao último capítulo de Isaías—"Porque conheço as suas obras e os seus pensamentos: e há de vir que ajuntarei todas as nações e línguas; e virão, e verão a minha glória." Como Ele fará esta obra? Diz Ele, "porei entre eles um sinal." A mesma coisa de que se falou nas passagens já citadas—"E os que deles escaparem enviarei às nações" (aqui vão os missionários)—"às ilhas mais distantes, que não ouviram a minha fama." Irão entre as nações idólatras, ao Indostão, Sião, China, às Ilhas Sandwich, etc. "E anunciarão a minha glória entre as nações." O Senhor não enviou estes mensageiros para anunciar a Sua glória a Israel primeiro, por quê? Porque uma certa obra tinha de ser feita entre os gentios primeiro; eles haviam de levar este sinal, estandarte, ou padrão, proclamando as doutrinas de Jesus Cristo de modo a não ser mal compreendido; têm de levá-lo às ilhas mais distantes, e anunciar Sua glória primeiro entre os gentios. ¶
O que se segue? Uma missão a Israel; e estes mesmos missionários "trarão todos os vossos irmãos (Israel), dentre todas as nações, como oferta ao Senhor, sobre cavalos, e em carros, e em liteiras, e sobre mulas, e sobre dromedários, ao meu santo monte, a Jerusalém, diz o Senhor, como quando os filhos de Israel trazem as suas ofertas em vasos limpos à casa do Senhor." Os filhos de Israel serão ajuntados tão literalmente como outrora traziam uma oferta à casa do Senhor. Nos últimos dias, quando o Senhor puser um sinal entre os gentios, Ele trará de volta todo o Israel tão literalmente ao seu santo monte em Jerusalém quanto os trouxe do Egito antigamente. Depois que Seu povo tiver sido ajuntado das nações, terão o privilégio de ir contemplar os cadáveres dos que transgrediram contra o Senhor; o seu bicho não morrerá, nem o seu fogo se apagará. ¶
Ora, temos uma grande obra diante de nós; somos um pequeno punhado nas montanhas, mas sabem o que Isaías disse: "O menor virá a ser mil, e o mínimo um povo grandíssimo." Por menores que sejamos, havemos de nos tornar mil; embora sejamos poucos, não passará muito tempo antes que sejamos um povo forte, não fraco; e teremos missionários em toda parte das nações da terra, e proclamaremos Sua glória entre toda nação, povo, tribo e língua; e à medida que fizermos com que o povo creia no padrão que o Senhor ergueu, os introduziremos no reino, os batizaremos para a remissão dos pecados, e imporemos nossas mãos sobre eles em nome de Jesus Cristo, conforme Ele nos ordenou, e receberão o Espírito Santo, e serão cheios de poderosa fé, e serão armados com o poder de Deus, em grande glória, e virão de diferentes nações com cânticos de alegria eterna sobre suas cabeças, e nada poderá competir com a obra do Senhor; mas ela avançará e continuará a rolar, até que toda nação ouça, e todo coração seja penetrado, e os céus e a terra se unam. ¶
Isso é o que buscamos, a união dos céus e da terra; habitamos aqui, separados de nossos irmãos no céu; queremos voltar a eles, e eles a nós, e queremos ser unidos, e realizar aquilo que o Senhor pretende realizar nos últimos dias; e antes de terminarmos com isso, veremos maravilhas e sinais maiores do que aquela pequena transação de tirar Israel do Egito: aquilo quase será totalmente esquecido em meio às grandes manifestações de Seu poder nos últimos dias. ¶
Haverá uma casa do Senhor edificada nos últimos dias. "O quê! Não há bastantes casas do Senhor? Vão a Nova York, e a muitas outras grandes cidades, e encontrarão a Igreja de São João, e a de São Pedro, e a Igreja de Jesus, e muitos edifícios que professam ser casas do Senhor; e, no entanto, nos dizem que haverá uma casa do Senhor edificada nos últimos dias." Não será algo maravilhoso quando o Senhor tiver uma casa sobre a terra? Sim—Ele esteve tanto tempo sem uma. As pessoas têm edificado casas para Ele, do mesmo modo que Israel construiu sepulcros para os Profetas que seus pais haviam matado; assim é com os bons cristãos do século dezenove. Ele lhes disse para edificarem casas a Si? Ele lhes deu o modelo com que trabalhar? Ele apontou o lugar sobre o qual deveriam ser edificadas? Não; o Senhor não teve mão em suas obras. Mas, o que diz o Profeta Isaías, no capítulo dois de sua profecia? Ele predisse: "E acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes, e se exalçará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações." O que poderia haver de tão atraente na casa do Senhor a ponto de fazer com que todas as nações se voltassem a ela, e de fazer com que o Profeta notasse o próprio lugar em que deveria ser edificada? Não deve ser edificada na cidade de Nova York, ou em Boston; essas são regiões relativamente planas, quase ao nível do mar; mas, "acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes." ¶
Subimos aqui a mais de quatro mil pés de altitude, e vamos edificar-Lhe uma casa, pela palavra do Senhor, e pela inspiração do Todo-Poderoso, conforme o Livro de Doutrina e Convênios, que nos ordena edificar uma em Seu nome; e será uma casa diferente de todas as outras, que atrairá a atenção das nações; e todas as nações fluirão para ela. Para quê? Isaías nos diz: "E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine acerca dos seus caminhos, e andemos nas suas veredas: porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor." Em dois lugares o Senhor dará revelações; um é o Monte Sião, e o outro Jerusalém. O que se seguirá a isto? "E julgará entre as nações, e repreenderá muitos povos: e converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; não alçará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear." Que tempo feliz e pacífico! Mas antes que o Senhor possa introduzir tal tempo de alegria, Ele há de cortar os ramos dos ímpios com podadeiras, e deixar que as aves e os animais da terra tenham uma boa refeição; "e sobre eles as aves passarão o verão, e os animais invernarão." Quando Ele tiver comido os rebeldes, o restante das nações virá em bandos ao monte da casa do Senhor, para serem ensinadas em Seus caminhos, e instruídas em Suas veredas; e ficarão tão perfeitamente instruídas que não desejarão mais aprender a guerra, e converterão suas armas em utensílios de lavoura. ¶
Aquele tempo feliz e pacífico, tantas vezes predito pelos Profetas, há de vir; é por essa razão, meus ouvintes, que queremos edificar uma casa do Senhor no cume das montanhas; é a fim de cumprir a profecia antiga e moderna, e os mandamentos que o Senhor nosso Deus nos deu. Deve haver algo verdadeiramente maravilhoso para atrair a atenção de todas as nações; a menos que se manifeste um poder muito grande, isso não atrairia a atenção do povo distante; se apenas alguns poucos doentes fossem curados, talvez não se ouvisse falar disso senão a poucas milhas do lugar onde aconteceu. Deve ser algum poder tremendo entre aquele povo que edifica a casa do Senhor. Que tipo de cidade será esta Sião, e como serão iluminadas as habitações do povo? Isaías nos disse, no capítulo quatro: "E criará o Senhor sobre toda habitação do monte Sião, e sobre as suas congregações, uma nuvem de dia, e uma fumaça, e um resplendor de fogo flamejante de noite: porque sobre toda a glória haverá proteção." Não é de admirar que as nações distantes fluam para Sião. Já ouviram falar de uma cidade inteira iluminada dessa maneira? Já ouviram falar da invenção da luz a gás, mas isso não atrai a atenção das nações; mas haverá uma cidade chamada Sião, e uma casa do Senhor no cume das montanhas, que não serão iluminadas a gás, mas pela glória do Deus de Israel—"Criarei sobre toda habitação do monte Sião," &c.; não sobre uma só casa, mas sobre cada habitação, "uma nuvem e fumaça de dia, e o resplendor de um fogo flamejante de noite." As nações ficarão atônitas de admiração, e dirão: "Se aquele povo tem tamanho poder, deixemos nossas próprias terras e países; pois deve ser que aquele povo é o povo de Deus, pois suas casas estão envoltas numa chama de fogo toda noite, por causa de Sua glória: vamos até lá, e saibamos o que é Sua vontade para conosco." ¶
Mas as profecias são tão abundantes sobre estes assuntos, e o tempo já tão gasto, que pararei aqui, sem dizer mais nada. ¶