Pulpit

Os Homens São Seres Eternos—Trevas, Ignorância e Fraqueza do Mundo—Privilégios dos Santos

John Taylor

1854-04-19

Tendo sido chamado pelo Presidente Grant para me dirigir a vós nesta manhã, faço-o com prazer. Não sei por quanto tempo falarei, pois tenho estado bastante indisposto nos últimos tempos, e não estou preparado para dizer se minhas forças resistirão ou não; poderei dizer-vos melhor depois de tentar.

Tenho-me interessado muito durante a Conferência que passou; e embora não pudesse tomar parte ativa nos trabalhos que se desenrolavam, contudo meu espírito se regozijou ao ouvir os princípios de verdade que foram apresentados, e nas coisas que foram desenvolvidas e plenamente manifestadas pelo Espírito do Deus Altíssimo.

Associados como estamos com o reino de Deus, podemos razoavelmente esperar, enquanto cumprirmos nosso dever diante do Senhor, ter contínuos desenvolvimentos de luz, verdade e inteligência, que emanam do grande Deus, para a orientação, direção, salvação e exaltação deste povo, seja no que se relaciona com o tempo, seja com a eternidade; pois tudo com que temos a ver é eterno; e quando falamos de tempo e eternidade, são apenas termos relativos que atribuímos às coisas que são presentes; e às coisas que estão por vir, e às coisas que já passaram. Mas quanto a nós mesmos, como indivíduos, somos seres eternos, ainda que ocupemos certo espaço da eternidade chamado tempo; quanto ao Evangelho que pregamos, ele é eterno; quanto ao Sacerdócio, ele é eterno; quanto a nossos convênios e obrigações, eles são eternos; quanto às nossas promessas, perspectivas e esperanças, elas são eternas. E enquanto atuamos neste palco da existência, estamos apenas dando início a um estado de coisas que existirá enquanto incontáveis eras se desenrolarem; e se tivermos visões corretas e sentimentos corretos, e sustentarmos princípios corretos como seres eternos, todos os nossos pensamentos, nossas ações, nossas perspectivas--todas as nossas energias e nossas vidas, estarão empenhadas em lançar um fundamento sobre o qual construir uma superestrutura que será permanente, duradoura e tão resistente quanto o trono do grande Jeová; e se algo ficar aquém disso, ficará aquém do alvo do chamado elevado ao qual podemos, ou devemos, chegar; e muitos dos pequenos incidentes e ocorrências da vida pelos quais temos de passar são transitórios em comparação com as coisas que hão de vir; e ainda assim todas essas pequenas coisas são outros tantos elos na grande cadeia de nossa existência, de nossas esperanças e perspectivas.

Há muitas coisas que nos parecem provações e dificuldades, que perturbam, incomodam e afligem nossos espíritos; contudo essas próprias coisas, como alguém justamente observou, são bênçãos disfarçadas, tantas ajudas para desenvolver nossas fraquezas e enfermidades, e nos levar a pôr nossa confiança em Deus, e a depender dEle para nos dar conhecimento de nós mesmos, de nosso próximo, e da obra de Deus; têm a tendência de desenvolver em nossas mentes princípios de valor, e assim servem como preceptores, ajudas e instrutores, e nos são outras tantas bênçãos disfarçadas. De fato, todas as coisas com que temos a ver no mundo, sejam adversidade ou prosperidade, relacionem-se a nós mesmos ou a outros, se corretamente apreciadas e compreendidas, podem ensinar-nos uma lição que será para nossa alegria, provavelmente não apenas no tempo, mas em toda a eternidade. Precisamos conhecer-nos a nós mesmos, aprender o que há em nossa natureza--nossa fraqueza, nossa força, nossa sabedoria, nossa loucura; e o mesmo quanto ao que habita em outros, para que aprendamos a apreciar princípios verdadeiros e corretos, e sejamos governados por eles sempre que se manifestem; para que aprendamos a dar um valor justo a todas as coisas sublunares, para que não as valorizemos acima de seu valor real, e para que não nos valorizemos, nem a nós nem aos outros, acima de nosso ou de seu mérito; para que aprendamos a olhar para nós mesmos como seres eternos, agindo em tudo com referência à eternidade; para que possamos, em breve, assegurar-nos exaltações eternas, tronos, principados e potestades nos mundos eternos.

Estes são alguns dos meus sentimentos em relação aos assuntos e acontecimentos cotidianos da vida, e às coisas que me cercam, e sinto-me ansioso todo dia, quando me sinto bem, por fazer algum progresso hoje, em algo que me beneficiará a mim ou a outros em relação à eternidade, assim como ao tempo; pois, embora sejamos seres eternos, também somos seres temporais, e temos a ver com coisas temporais, assim como com coisas espirituais ou eternas. Tomando esta visão do assunto, é de muito pouca importância se somos ricos ou se somos pobres, se estamos colocados em circunstâncias adversas ou prósperas. Pode, contudo, ser de maior importância do que pensamos. Creio que a adversidade é uma bênção em muitos casos; e em alguns, a prosperidade; mas nada é bênção para nós que não seja destinado a iluminar nossas mentes, e nos conduzir a Deus, e nos colocar na posse de verdadeiros princípios, e nos preparar para uma exaltação no mundo eterno.

Quanto a Deus e às coisas de Deus, se o mundo da humanidade pudesse ver corretamente, e compreender corretamente; se pudesse saber o que era para seu verdadeiro interesse; ou se pudesse tê-lo sabido por gerações, não haveria um sequer que não temesse a Deus com todo o coração, mente, alma e força, isto é, se tivessem poder para fazê-lo; esse teria sido seu sentimento, e mais especialmente entre os Santos. Se os Santos pudessem compreender as coisas corretamente; se pudessem ver-se como Deus os vê; se pudessem conhecer, compreender e apreciar os princípios da verdade eterna tal como emanam de Deus, e tal como habitam em Seu seio; se pudessem conhecer a esperança gloriosa de seu chamado elevado, e o destino futuro que os aguarda, na medida em que forem fiéis; não há um Santo de Deus, não há um único nestes vales das montanhas, que não se prostraria diante dEle; dedicaria seu coração, e sua mente, e sua alma, e sua força a Deus, e seu corpo, e seus espíritos, e sua propriedade, e tudo o que possui na terra, e o estimaria como um dos maiores privilégios que poderiam ser conferidos ao homem mortal. Se há aqueles que não veem essas coisas corretamente, é porque veem em parte, e conhecem em parte; é porque seus corações não estão devotados a Deus como deveriam estar; é porque seus espíritos não estão inteiramente sob a influência do Espírito do Altíssimo; é porque não têm vivido à altura de seus privilégios, a ponto de se colocarem na posse daquela luz e verdade que emanam de Deus para Seu povo; é porque o deus deste mundo lhes cegou as mentes, de modo que não podem compreender plenamente, que não podem ser plenamente familiarizados com os grandes e gloriosos princípios da verdade eterna. Quando nos vemos corretamente, quando compreendemos os princípios da verdade corretamente, o que haveria que não déssemos pela salvação? Quando o Espírito brilhou poderosamente sobre os corações dos Santos, quando a luz e a inteligência do céu se manifestaram, quando o Senhor resplandeceu sobre as almas dos Santos reunidos, como se sentiram eles? Que são os bem-aventurados do Senhor. Quantas vezes, quando se reuniram em ocasiões especiais para receber certas bênçãos das mãos de Deus, repousou sobre eles o espírito de revelação, e o futuro se abriu à sua vista em toda a sua beleza, glória, riqueza e excelência; e quando seus corações se aqueceram por aquele espírito, quanto se regozijaram! Como olharam para as coisas deste mundo, e para a perspectiva que os aguardava--para seus privilégios como Santos do Deus Altíssimo, e para a glória que herdarão se forem fiéis até o fim! Podeis ter experimentado o sentimento que tais pensamentos e perspectivas naturalmente criariam no coração humano. Por que é que, em algum momento, sentimos de outro modo? É porque nos esquecemos de orar, e de invocar a Deus, e de nos dedicar a Ele, ou porque caímos em transgressão, cometemos iniquidade, e perdemos o Espírito de Deus; e esquecemos a esperança gloriosa de nosso chamado. Mas se pudéssemos ver, e perceber, e compreender o tempo todo nossa verdadeira posição diante de Deus, nossas mentes estariam continuamente voltadas para as coisas de Deus, e estaríamos procurando saber o dia inteiro o que poderíamos fazer para promover a felicidade e a salvação do mundo; o que poderíamos fazer para honrar nosso chamado--para honrar o Sacerdócio do Filho de Deus, e o que fazer para honrar nosso Deus, e para aproveitar o tempo que nos resta sobre a terra, e as energias de nossos corpos, para a realização de Seus propósitos, para o avanço de Seu reino, para o progresso de Seus desígnios, para que, quando estivermos diante dEle, Ele possa dizer-nos--"Bem está, servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor; foste fiel sobre o pouco, sobre o muito te colocarei."

Estes seriam nossos sentimentos, e sem dúvida é para isto que viemos ao mundo. Não conheço nenhum outro objetivo, nenhum outro desígnio, que Deus tivesse em mente ao nos enviar aqui. Viemos de nosso Pai nos céus, tendo o privilégio de tomar corpos neste mundo. Para quê? Para que nossos corpos e espíritos juntos pudessem realizar a vontade de nosso Pai celestial, e encontrar seu caminho de volta à Sua presença; para que, enquanto estivéssemos sobre a terra, pudéssemos ser governados por Sua sabedoria, pela inteligência e pelas revelações que dEle emanam; para que Ele pudesse ser guia e diretor de nossos passos enquanto peregrinamos aqui; e para que pudéssemos preencher a medida de nossa criação em honra a nós mesmos, em honra a nossos progenitores, e em honra à nossa posteridade; e finalmente, encontrar nosso caminho de volta à presença de Deus, tendo realizado o objetivo pelo qual viemos ao mundo, tendo preenchido a medida de nossa criação, tendo obtido honra para nós mesmos, honra para nossa posteridade e para nossos progenitores, e nos tornado uma honra para Deus, nosso Pai celestial, andando humildemente diante dEle, cumprindo Suas leis, e realizando este, o objetivo de nossa criação.

Digo, como disse antes, que se nos compreendêssemos corretamente, este seria nosso principal objetivo; mas conhecemos em parte, e vemos em parte, e compreendemos em parte; e muitas das coisas de Deus estão ocultas à nossa vista, tanto as coisas que passaram, como as coisas presentes, e as coisas que hão de vir. Por isso o mundo em geral julga as ações de Deus que se desenrolam entre eles, servem-se do fraco juízo que Deus lhes deu para escrutinar os desígnios de Deus, para desvendar os mistérios que passaram, e as coisas que ainda estão ocultas, esquecendo-se de que nenhum homem conhece as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus; esquecendo-se de que a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; esquecendo-se de que nenhum homem, por si e em si mesmo, é competente para desvendar os desígnios e conhecer os propósitos de Jeová, seja em relação ao passado, ao presente, ou ao futuro; e assim, esquecendo isso, caem em toda espécie de erros; erram quanto a coisas contidas nas Escrituras, algumas das quais são uma representação das loucuras e fraquezas dos homens, e algumas talvez sejam a sabedoria e a inteligência de Deus, tão acima de sua sabedoria e inteligência quanto os céus estão acima da terra. Quantas vezes já ouvi indivíduos, por exemplo, exclamar contra a dureza, a crueldade, e a tirania de Deus, ao destruir os antediluvianos, o povo de Sodoma e Gomorra, e outras cidades e lugares, e contra outros juízos e crueldades que caíram sobre o povo. Quão pouco entendem tais pessoas sobre isso. Segundo seus próprios sistemas de filosofia, agiriam precisamente segundo os mesmos princípios, se apenas compreendessem os princípios pelos quais Ele agiu; ao passo que, na ignorância deles, pensam ser de fato cruel Deus destruir os habitantes do mundo antigo, as cidades de Sodoma e Gomorra, ou outros lugares. Por quê? Porque foi a destruição de tanta vida humana. Mas conhecem eles os porquês e os motivos disso? Não. Do mesmo modo olham para Moisés, Josué, e alguns outros homens eminentes de Deus, que foram chamados a executar Seus juízos, e realizar Seus desígnios--extirpar os ímpios, destruir os ímpios, e estabelecer os princípios da retidão. Encarariam seus atos como atos de crueldade, tirania e opressão. Por quê? Porque não conseguem conceber outra ideia senão aquela que habita em seus próprios seios; ali habita o princípio da vingança, ou da ambição, e não conhecem outro motivo que pudesse levar Deus a fazer o que fez na destruição dos ímpios em várias ocasiões. Do mesmo modo os homens nos julgam em relação às nossas relações matrimoniais; se um homem está associado a mais de uma mulher no mundo, não conseguem ver isso de outro modo senão como lascívia e adultério, os próprios princípios que predominam neles mesmos; não têm outra ideia. Nossa situação, nossa conduta, e nossos procedimentos, a seus sentimentos e opiniões, são ultrajantes e abomináveis, e isso creem com toda a sinceridade. Por quê? Porque não conhecem outro princípio senão esse, não foram iluminados, não compreendem o fim desde o princípio, os porquês e os motivos; se compreendessem, saberiam que a virtude, a pureza e a estrita integridade habitam nos seios dos Santos, e que são governados por princípios corretos, virtuosos e santos, e mil vezes mais do que jamais sonharam em toda a sua vida. Assim é quanto a suas opiniões acerca das transações de Deus com os ímpios em épocas passadas.

Todo o mundo antediluviano estava envolto em corrupção; haviam abandonado a Deus, o Pai e a fonte de sua existência, e o doador de todo dom bom e perfeito, submetendo-se aos poderes do adversário num estado de trevas e ignorância, vivendo e propagando sua espécie inumeravelmente naquele estado de corrupção, depravando-se moral e intelectualmente, abandonando a Deus, e ensinando nada além de princípios corruptos e abomináveis. Olhai para o mundo naquele estado, e considerai Deus como seu Pai, e a eles mesmos como seres eternos, propagando seres eternos num estado da mais profunda depravação; olhai para as coisas que os aguardavam no futuro, a posição em que se achavam, a miséria que teriam de suportar no futuro depois de terem vivido aqui, o problema e a posição em que teriam de se colocar antes de poderem voltar à presença de seu Pai; pensai em milhões e milhões de pessoas vivendo e morrendo nisso, e trazendo milhões de indivíduos ao mundo, que teriam de carregar os pecados de seus pais, amaldiçoados com sua maldição, e vivendo e morrendo em sua corrupção ainda mais aumentada, para serem condenados e ir para o inferno, para serem redimidos antes de poderem ser trazidos de volta à presença de seu Criador--tomando essa visão do assunto, podeis dizer que Deus foi injusto, cruel e tirânico ao destruir um povo tal como esse? Não; pois havia milhões de espíritos não nascidos para vir a este mundo e habitar esses corpos depravados, e se tornar sujeitos às corrupções de uma parentela depravada; pois não havia geração justa, pois toda a terra se havia corrompido. Ele tinha poder para pôr fim à propagação de tal corrupção, mas, se não o tivesse feito, teria agido retamente para com os ainda não nascidos? Estaria fazendo justiça a Sua criação sobre a terra ao deixar que o diabo governasse e dominasse universalmente, e nunca estender Sua mão para deter a humanidade em sua corrida insana? Todo homem reflexivo veria a destruição de tais seres depravados como um ato de misericórdia, deste modo detendo aqueles males crescentes ao cortar a vida do homem da terra, e deter o curso avante daquela semente vil.

Qual é a razão de os homens formarem juízos errados sobre tais coisas? É porque não compreendem nem entendem princípios corretos, porque não possuem as visões do Todo-Poderoso; não entendem o fim desde o princípio, nem compreendem os desígnios do grande Jeová; se os compreendessem, teriam sentimentos e ideias muito diferentes em relação à destruição de Sodoma e Gomorra e do mundo antigo, com todas as suas abominações e corrupções, e em relação aos feitos de Moisés e Josué, e outros homens de Deus, que foram separados para manter em ordem os assuntos pertencentes ao reino de Deus, e estabelecer a retidão, e fazer a vontade do céu. Se não tivessem feito essas coisas, eles próprios teriam sido corrompidos, e seus filhos depois deles, teriam permitido que o mal vencesse o bem, e permitido que Satanás triunfasse sobre Deus, e governasse, e tivesse domínio, e corrompesse toda a família humana. Há milhares de coisas como essas sobre as quais os homens formam ideias erradas, e juízos errados; ao passo que, se apenas compreendessem a mente de Deus, e os princípios corretos, chegariam a outras conclusões, e diriam--"Deus age com sabedoria e prudência, e retamente, em todos os Seus tratos com a família humana."

É necessário que os homens possuam o Espírito de Deus antes de poderem conhecer as coisas de Deus: por isso a grande dificuldade sob a qual os servos de Deus têm tido de trabalhar, em diferentes épocas do mundo, na propagação da verdade, é que o que seria correto aos olhos de Deus pareceria errado à compreensão da humanidade; por isso Seus servos têm sido perseguidos, afligidos, provados, expulsos, caçados, mortos, e suportado toda espécie de tormento e aflição que a engenhosidade de homens ímpios, e a malícia infernal de demônios pudessem conceber, e tudo isso pela falta de compreensão e de amor pelos princípios da verdade. Tem sido difícil, em toda época do mundo, para os servos de Deus realizarem Seus propósitos sobre a terra. Tem sido difícil, para aqueles que professaram ser Santos de Deus, em toda época, fazer fielmente Sua vontade sem serem molestados, tal tem sido a influência dos poderes das trevas, a fraqueza do intelecto do homem, e a falta de conhecimento nas coisas de Deus. Por causa disso, tem sido difícil para aqueles que professaram piedade discernir entre o certo e o errado; sentir-se-iam inclinados a fazer o certo, mas, como foi com Paulo em certas ocasiões, quando queria fazer o bem, o mal estava presente nele. Espero que ele devesse tê-lo vencido, e espero que nós devêssemos igualmente; mas assim é o caso, não podemos olhar para lugar nenhum sem ver a fraqueza e a enfermidade da natureza humana.

Podemos sentar-nos e raciocinar calma e serenamente sobre este assunto, guiados pelo Espírito de Deus, e voltar em pensamento ao tempo de Enoque, e ler algumas das revelações dadas a esse povo, e olhar para as lutas e provações pelas quais tiveram de passar; então olhar também para o tempo que decorreu, depois de ele ter reunido Seu povo do mundo corrupto, antes que estivessem preparados para serem arrebatados aos céus; pois Enoque foi trasladado, e a cidade com ele, e os Santos, seus habitantes, aqueles que criam nele como Profeta de Deus, e praticavam a retidão.

Olhai novamente para o tempo em que Noé saiu da arca, depois que ele e sua casa foram salvos do dilúvio que afogou o mundo; eram os únicos que eram justos. Quando Noé e sua família viram o naufrágio pavoroso, a calamidade terrível, as cenas de angústia e aflição, de tribulação e morte, que sobrepujaram o mundo--com tudo isso diante deles, quão depressa se afastou sua posteridade dos princípios corretos, e curvou o pescoço ao poder do adversário; quão depressa se manifestou a fraqueza da natureza humana! Considerai a tribulação, as aflições, a guerra e o derramamento de sangue que vieram em consequência de tudo isso, o fomentar de paixões más no coração humano, e o ceder a toda espécie de iniquidade, sendo levados cativos pelo diabo à sua vontade, até que nação se armou contra nação, reino contra reino, poder contra poder, e autoridade contra autoridade. Testemunhai os seres humanos que foram mortos, e os cadáveres humanos que foram deixados a apodrecer nos campos de batalha; tudo isso foi em consequência de não se aderir ao que é reto, verdadeiro e santo.

Novamente, vede os antigos israelitas. Abraão fora separado, e escolhido pelo Todo-Poderoso, como um homem que se provara fiel em todas as coisas, depois de ser provado até o extremo. Deus disse positivamente: "Sei que Abraão me temerá e ordenará a seus filhos depois dele." Contudo, vede seus filhos, e vede sua descendência no deserto, e quando o braço de Deus se estendera em seu favor, vede sua rebelião, idolatria e lascívia, e vereis belos exemplos da pobre, caída e depravada natureza humana. Assim foi com eles, e assim tem sido em toda época do mundo. Não podemos explicar isso por nenhum outro princípio, senão que o deus deste mundo cegou, e continua a cegar, os corações dos filhos dos homens, para que a luz do glorioso Evangelho da paz não brilhe sobre eles, e sejam salvos.

Em que somos melhores do que muitos daqueles de quem falamos? Deus nos revelou Sua verdade; abriu os céus e enviou Seus santos anjos, restaurou o santo Sacerdócio em tão grande poder quanto jamais o teve em qualquer época, e de fato maior; pois agora vivemos na dispensação da plenitude dos tempos, quando Deus determinou reunir todas as coisas em uma só, sejam elas coisas nos céus, sejam coisas na terra; não obstante tudo isso, somos nós muito melhores do que o antigo povo do qual acabamos de falar? Podemos ler a história do povo deste continente, no Livro de Mórmon, de sua fidelidade a Deus, e dos princípios da verdade e da retidão, e a mão de Deus se estendeu em poderosa força para salvá-los de seus inimigos; e lemos novamente de sua destruição e queda em consequência de seu afastamento de Deus. E entre este povo, que foi abençoado com a luz e as revelações de Deus, que foi reunido de diferentes nações, que percorreu milhares de milhas pelo privilégio de escutar os oráculos da verdade eterna, de assegurar para si a salvação, que saudou com alegria a mensagem de misericórdia que lhe foi estendida, cujos corações em tempos passados batiam forte com as perspectivas de se misturar com os Santos de Deus em Sião, e escutar as palavras da vida eterna, o que vemos até mesmo entre eles? O mesmo exemplo da natureza humana caída; a mesma fraqueza, as mesmas enfermidades e loucuras que caracterizaram os homens que viveram em épocas passadas.

Quantos de nós já caímos à direita e à esquerda; aqueles que julgávamos serem homens de inteligência, alguns deles desviaram-se de um jeito e outros de outro. Alguns cederam a seus apetites e paixões corruptos, e caíram numa hora má, perderam o Espírito de Deus, destruíram-se, e destruíram outros; corrompidos, fracos, caídos, degenerados e abomináveis, afundaram-se em seu próprio lugar. Quanto disso já houve, tanto entre homens como entre mulheres, com violação dos mais sagrados convênios que fizeram diante de Deus, dos anjos e dos homens. Quebraram seus convênios, corromperam-se, afastaram-se do caminho reto, perderam o Espírito de Deus, e estão ansiosos para ir daqui para ali, e tudo está errado com eles, e nenhum lugar lhes traz conforto, porque a consciência de sua culpa está continuamente com eles; tudo está fora do lugar para eles, e seu entendimento está escurecido. Em outro tempo eram rápidos em compreender a verdade pela luz do Espírito, mas agora andam nas trevas.

Isto me lembra uma observação feita uma vez, em Far West, por um homem; disse ele: "Sei que Joseph Smith é um falso Profeta, e que o Livro de Mórmon e os Convênios são falsos." Como o sabes? "Ora," disse ele, "se um homem comete adultério, apostatará; e eu o fiz, e não apostatei." Essa é uma boa amostra da inteligência manifestada por muitos. Pensam as pessoas que podem cometer atos de iniquidade, transgredir as leis de Deus, e quebrar seus convênios, depois de terem sido admitidas a grandes privilégios no reino de Deus, e reter Seu Espírito, e o conhecimento de Seus propósitos? Digo-vos que não; mas sua própria conduta e espírito desmentem sua profissão de fé o dia todo, tanto quanto o fez a deste homem do Missouri que mencionei.

Ora, em que estamos empenhados? Alcança-se o objeto de nosso ser, nesta vida, pensando em nada mais senão em cavalos, olhando para nada mais senão nossos pequenos interesses, nossa pequena fazenda ou casa, algumas cabeças de gado, e coisas semelhantes? É isto tudo o que nos importa, ó Santos dos Últimos Dias? E se algumas dessas coisas não correm tranquilas e certas segundo vossas noções; e se fizestes de algo vosso ídolo dourado, ou outro querido ídolo, e um Moisés viesse e o quebrasse em pedaços e o pisasse sob os pés, e o espalhasse por toda parte, e dissesse: "Levanta-te, Israel, e desperta de teu sono;" sentir-vos-íeis muito magoados? Sentir-vos-íeis como se alguma calamidade terrível vos tivesse acontecido? Esquecestes quem sois, e qual é vosso objetivo? Esquecestes que professais ser Santos do Deus Altíssimo, revestidos do Santo Sacerdócio? Esquecestes que buscais tornar-vos Reis e Sacerdotes para o Senhor, e Rainhas e Sacerdotisas para Ele? Esquecestes que estais associados aos Santos de Deus em Sião, onde os oráculos da verdade são revelados, e as verdades de Deus são manifestadas e claramente desenvolvidas; onde vós e vossa posteridade depois de vós podeis aprender os caminhos da vida e da salvação; onde estais colocados numa posição em que podeis obter bênçãos do grande Eloim, que repousarão sobre vós e vossa posteridade por mundos sem fim? Esquecestes essas coisas, e começastes a voltar-vos novamente aos mesquinhos elementos do mundo, e a tornar-vos cegos, como outros de quem falamos, voltando como a porca lavada ao seu revolver na lama? Devíamos refletir às vezes sobre essas coisas, e compreender nossa verdadeira posição. Esquecestes que viestes de Deus, que Ele é vosso Pai? Esquecestes que buscais voltar à Sua presença? Se esquecestes tudo isso, vossa conduta e vossas ações agora estão carregadas de consequências eternas para vós mesmos, para vossos progenitores, e para vossa posteridade depois de vós. Esquecestes que milhares que aqui possuíram o Santo Sacerdócio ainda existem no mundo eterno, e olham com interesse para vossa conduta e vossos procedimentos? Esquecestes que Deus estendeu novamente Sua mão pela segunda vez para reunir os remanescentes de Seu povo? Esquecestes que Ele está preparando um povo que seja puro de coração; que seja abençoado com luz, vida e inteligência; com conhecimento das coisas passadas, presentes e futuras? Esquecestes que estais no meio de irmãos que já passaram além do véu, que observam vossas ações, e estão ansiosos por vosso bem-estar, prosperidade e exaltação? Esquecestes que vivemos no último tempo, em que uma poderosa luta há de se dar entre os poderes das trevas que estão no mundo, e os filhos da luz; que é necessário que nós, como indivíduos, nos cinjamos com os princípios da verdade, e nos cinjamos de retidão à direita e à esquerda, para nos habilitar a permanecer no meio da desolação, da ruína e da miséria que pairam sobre uma terra consagrada; e que, como seres eternos, devíamos ter os olhos abertos para as coisas eternas, e não estar sonhando nossa existência, esquecidos daquilo que viemos a este mundo para realizar?

Ora, aqui estamos, e quem somos nós? Somos Santos do Deus Altíssimo, não é assim? E, apesar de toda a nossa fraqueza e enfermidades, somos o melhor povo que há debaixo da face dos céus, mil vezes mais. Pobres como somos, fracos como somos, mutáveis, aflitos como somos, ainda assim somos o melhor povo que Deus tem sobre a terra. Se a verdade é revelada em algum lugar, é aqui; se Deus comunica Sua vontade à família humana em algum lugar, é aqui. Se alguém pode iluminar a humanidade, este povo pode; e se as nações da terra, com seus reis, potentados e poderes, algum dia forem exaltadas no reino de Deus, algum dia receberem a luz, a verdade e a inteligência do céu, será por meio deste povo. Somos Seus servos; estamos alistados para a vida no reino de Deus, para fazer Seu mandado, e para andar em obediência às Suas leis, para sustentar Seu reino, para fazer avançar Seus propósitos, e fazer tudo o que Ele achar apropriado exigir de nós.

Tivemos algumas coisas apresentadas durante a Conferência, sobre as quais ignoro os sentimentos deste povo, nem me importa quais sejam seus sentimentos; é assunto de nenhuma importância para mim, nem para meus irmãos, nem para quem faz a vontade de Deus. Mas uma coisa sei, e uma coisa sabeis vós, não sois competentes, por vós mesmos, para regular coisa alguma pertencente a vosso bem-estar eterno; não importa quão sábios e inteligentes sejais, não há um só entre vós independente de Deus, ou dos ensinamentos de Seus servos. Isso sei, e isso sabeis.

Notamos algumas coisas esta manhã, em que o mundo está em falta, por causa de sua falta de experiência. Tomai, por exemplo, metade do mundo, refiro-me à China, e a grande maioria na Europa. Notai sua posição no momento presente, e pode algum de vós apontar um remédio que restaure a amizade e a paz entre eles? Há alguma mente ou espírito superior--um homem que possua inteligência suficiente para caminhar entre as nações da Europa, e dizer ao monstro de sete cabeças: "Guerra, aquieta-te e sossega?" Há um homem que possa ir à China e fazer o mesmo, e desemaranhar a confusão do mundo?

Aproximemo-nos mais de nossa casa; pode algum de vós regular os assuntos desta nação e endireitá-los? Não creio que possais; e se não conseguis fazer coisas tão pequenas, que se associam com o tempo, coisas que podemos ver, saber e compreender, como ireis pôr em ordem as coisas de Deus? Como ireis ordenar os fins que hão de vir? Para saber qual seria o melhor curso a seguir, quando as nações forem convulsionadas, tronos derrubados, e impérios destruídos; quando nação se lançar loucamente sobre nação, e o sangue humano correr como rios de água? Que faríamos em tais circunstâncias? Algumas pessoas pensaram que estávamos numa condição terrível, quando as dificuldades com os índios estavam entre nós nestas montanhas; e nossos vizinhos distantes ficaram surpresos de como sobrevivemos; mas que pensaríeis se estivésseis em algumas das nações europeias no momento presente? Suponde que fôsseis um dos reis dessas nações, ou um dos conselheiros, e algumas das maiores nações empreendessem vos ordenar a fornecer um número de homens para ajudar a lutar suas batalhas, e dissésseis: "Desejamos permanecer neutros;" a resposta seria: "Mas vos faremos lutar, e se não o fizerdes vos exterminaremos, para começar." Suponde que estivésseis numa posição assim. Creio que não estamos em pior situação nestas montanhas do que o mundo está. Podemos estar, em algumas circunstâncias, mas em muitos outros aspectos estamos muito melhor do que eles. Creio que nossos rapazes, por exemplo, achariam muito duro se fossem obrigados a passar de três a cinco anos servindo como soldados em tempos de paz, como têm de fazer em muitas das nações da Europa, ou trazer um substituto para ir em seu lugar. Creio que, às vezes, poderíamos estar muito piores do que estamos; e creio que é necessário que os homens sejam provados, para que possam ser testados, e para que possam conhecer a si mesmos; e que alguns sejam destruídos, como já foram neste continente, ou no outro; tudo isso está na sábia providência de Deus; a vida e a morte são de pouca importância para Ele. É uma questão de grande importância conhecer a verdade, e obedecer-lhe, ter o privilégio de aprender, da boca dos servos de Deus, Sua vontade, e depois ter o privilégio de fazê-la sem ser molestado, não importa o que seja, seja viver ou morrer, ou qualquer que seja o curso que tenhamos de seguir. Creio que é um grande privilégio para nós estarmos associados com o reino de Deus. Eu mesmo assim o estimo, e sinto-me abençoar a Deus, meu Pai celestial, o dia todo, por Ele ter-me considerado digno de obter o Sacerdócio, e de estar associado a Seus servos, que são os homens mais honrados, puros e filantrópicos sobre a terra; e sinto-me abençoar e louvar meu Pai celestial o dia todo; meu coração está cheio de louvor, e regozijo-me sobremaneira por ter sido considerado digno de estar associado a Seu povo e reino.

Não deveríamos todos sentir o mesmo quanto a isto? Todos professamos estar cheios de amor pelo Santo Sacerdócio, e manifestamos grande quantidade de confiança nele. Isso me lembra alguns dos missionários entre as igrejas de hoje; sempre têm muita fé quanto ao bem-estar espiritual do povo, mas nunca tiveram fé suficiente para confiar seu tempo e seus amigos nas mãos de Deus, enquanto se ocupavam em Sua obra; mas é preciso haver caixas de missões para engolir o dinheiro nelas colocado, e se vão para o estrangeiro, precisam estar bem providos de dinheiro, mas pedem ao povo que confie neles para seu bem-estar espiritual, enquanto eles mesmos não podem confiar em Deus para um pedaço de pão de milho. Creio que às vezes somos muito parecidos com eles; temos boa quantidade de fé, sabemos falar e cantar em línguas, e alguns de nós têm o dom da profecia, e estão cheios de religião e zelo. Oramos fervorosamente pelo Presidente, e pelos Doze, e pelo avanço do reino de Deus, e parecemos todos vivos nisso desse modo; mas e nossos interesses temporais? "Ó, não sei muito sobre isso, creio que somos os melhores juízes nesses assuntos, mas em assuntos espirituais não me intrometo como juiz, estão nas mãos dos servos do Senhor, e eu mesmo posso cuidar de meus assuntos temporais."

"Sim, temos muita fé, sabemos falar em línguas, e expulsar demônios em teu nome." Mas cuidado para que Ele não diga por fim, "Nunca vos conheci." "Por quê, Senhor? Não expulsamos demônios, e não estávamos cheios de tua religião, e não te oramos com frequência?" Contudo Ele dirá: "Nunca vos conheci."

Vou dizer-vos como me sinto quanto ao princípio da consagração, que foi apresentado pelo Presidente perante a Conferência; mas há uma coisa que talvez faça diferença para mim, não tenho muito a consagrar ou sacrificar, por isso não posso me gabar muito nesses assuntos. Não importa quanto a isso, que venha; pois sinto que estou alistado para a guerra, e ela vai durar pelo tempo, e por toda a eternidade; e se sou servo de Deus, estou sob a direção daqueles servos de Deus a quem Ele designou para me guiar e aconselhar por revelação vinda dEle; é direito deles ditar e controlar-me em meio a todos os assuntos daqueles associados com o reino de Deus; e sinto, além disso, que tudo, seja espiritual ou temporal, relacionado com o tempo ou com a eternidade, está associado com o reino de Deus. Sentindo desse modo, faz muito pouca diferença para mim para que lado as coisas vão; não é assunto de grande importância se ficam de um lado, do outro, ou do outro ainda; se o caminho é áspero ou suave; durará apenas certo tempo, e eu também durarei apenas certo tempo; mas a coisa principal para mim é como me apegar à minha fé, e manter minha integridade, e honrar meu chamado, e cuidar para ser encontrado fiel no final, não apenas desta vida, mas por mundos sem fim; e continuar a crescer em toda inteligência, conhecimento, fé, perseverança, poder e exaltação; isso é assunto de alguma importância para mim, mas o outro mal merece um pensamento.

O princípio que nos foi apresentado foi publicado anos atrás nas revelações de Deus, e os Santos têm aguardado ansiosamente o tempo em que seria plenamente posto em prática por eles. Mas há uma coisa que podeis dar por certa--se um homem não tem confiança numa revelação de Deus, não a tem em outra; e se um homem se sente bem quanto a uma, sentir-se-á bem quanto a todas as revelações vindas dessa fonte. Eu detestaria, depois de lutar, e de tentar dominar o mal ao meu redor, e vencer a disposição má que me cerca, deixar que alguma pequena coisa me perturbasse, e me desarraigasse, e me fizesse perder a esperança gloriosa de meu chamado elevado, e naufragar minha fé, e me enviar à perdição; e sei que também detestaríeis isso. Temos de seguir os oráculos do céu em todas as coisas; não há outro caminho senão seguir aquele que Deus designou para nos liderar e nos guiar à salvação eterna. Ou ele foi delegado do céu para isso, ou não foi; se foi, seguiremos seu conselho; se não foi, então podemos sacudir os calcanhares, e cada homem se ajudar do melhor modo que puder. Se vim de meu Pai nos céus, e estou procurando encontrar meu caminho de volta à Sua presença novamente, e não conheço o caminho por mim mesmo, sinto, de minha parte, pela graça de Deus, ceder à inteligência que Ele dá, e avançar em nome do grande Eloim, para que eu possa obter o objetivo de minha criação, e não fazer de mim um tolo, e me destruir, mas ser uma bênção para mim mesmo, para meus progenitores, e minha posteridade, e obter um assento no reino de Deus.

Estes deveriam ser nossos sentimentos. Sei que a maioria deste povo sente-se bem, e oro a Deus para aumentar esse bom sentimento em cada seio, para que nossos corações se expandam, e para que as bênçãos do grande Deus repousem sobre nós, e para que finalmente sejamos todos salvos em Seu reino. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Os Homens São Seres Eternos—Trevas, Ignorância e Fraqueza do Mundo—Privilégios dos Santos”, (1854-04-19). Pulpit Vault, 1854-04-19-taylor-men-eternal-beings. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).