Perfeição e Salvação—Autogoverno
Brigham Young
Amo ouvir meus irmãos falarem. Seu testemunho traz alegria e consolo a meu coração. Mas, apesar do prazer que me daria sentar-me e ouvi-los continuamente, é obrigatório para mim ocupar a posição que ocupo, e deixar minha voz ser ouvida junto com a deles. ¶
Todos ocupamos posições diversificadas no mundo, e no reino de Deus. Aqueles que fazem o certo, e buscam a glória do Pai nos céus, seja seu conhecimento pouco ou muito, ou possam fazer pouco ou muito, se fazem o melhor que sabem, são perfeitos. ¶
Pode parecer estranho a alguns de vós, e certamente parece ao mundo, dizer que é possível a um homem ou mulher se tornar perfeito nesta terra. Está escrito: "Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus." De novo: "Se alguém não tropeça em palavra, o tal homem é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo." Isto é perfeitamente consistente para a pessoa que entende o que a perfeição realmente é. ¶
Se a primeira passagem que citei não está redigida para nosso entendimento, podemos alterar a fraseologia da sentença, e dizer: "Sede tão perfeitos quanto puderdes," pois isso é tudo o que podemos fazer, embora esteja escrito: sede perfeitos como vosso Pai que está nos céus é perfeito. Ser tão perfeito quanto possivelmente pudermos, segundo nosso conhecimento, é ser exatamente tão perfeito quanto nosso Pai nos céus é. Ele não pode ser mais perfeito do que ele sabe ser, tal como nós. Quando estamos fazendo o melhor que sabemos na esfera e posição que ocupamos aqui, estamos justificados na justiça, na retidão, na misericórdia e no juízo que estão diante do Senhor dos céus e da terra. Estamos tão justificados quanto os anjos que estão diante do trono de Deus. O pecado que se apegará a toda a posteridade de Adão e Eva é que não fizeram o melhor que sabiam. ¶
Aplicarei isto a mim mesmo, e se aplicará a vós, e a todo homem e mulher sobre a terra; incluindo, é claro, o irmão Morley, que se dirigiu a vós esta manhã. Se ele fez o melhor que pôde nas recentes dificuldades com os índios, no distrito onde vive, e agiu segundo o juízo e a luz do espírito de revelação nele, está tão justificado quanto um anjo de Deus. ¶
Embora possamos fazer o melhor que sabemos neste momento, não pode haver melhoria em nossas vidas? Pode. Se fazemos o errado por ignorância, quando aprendemos que é errado, então é nosso dever nos abstermos daquele erro imediata e para sempre, e o pecado da ignorância é desculpado, e passa ao esquecimento. ¶
Fez-se uma pergunta esta manhã, se sabemos quem somos, qual é nossa situação, e a relação que sustentamos uns com os outros, com nosso Deus, e a posição que ocupamos em relação à família humana. Posso responder à pergunta. Não, não sabemos. Compreende o povo todas as obrigações a que está sujeito uns para com os outros, e para com seu Deus? Não compreende. De novo, procuram sabê-lo, na medida em que está em seu poder? Não procuram. Há indivíduos entre nós que buscam, com todo o coração, conhecer e entender a vontade de Deus? Sim, muitos. Mas, como povo, procuram, com coração indiviso, conhecer a vontade de Deus, em preferência a tudo o mais sobre a terra? Não procuram. ¶
Há uma razão para isso. O irmão Morley queria saber se aprendemos a nos conhecer. Não aprendemos. Quando se referiu aos espíritos no mundo, e ao que poderíamos testemunhar na criança pequena no colo de sua mãe, neste momento como um pequeno serafim, e no seguinte, mais como um demônio de paixão e fúria, pensei que não precisamos nos limitar à criança como exemplo, pois este quadro de bem e mal se exibe tão frequentemente no pai, e até no ancião de cabelos grisalhos, quanto na criança. Se homens e mulheres entendessem perfeitamente sua posição diante de Deus, dos anjos e dos homens, o lugar que ocupam, e a esfera em que agem, saberiam que são tão independentes em sua organização quanto os anjos, ou quanto os Deuses. Contudo, em consequência do pecado ter entrado no mundo, as trevas, a miséria, a loucura, a fraqueza de toda espécie, e o poder da tentação cercam os filhos dos homens, assim como o poder de Deus. Digo que o pai de cabelos grisalhos, e a matrona idosa, cederão ao poder do mal, quando este vier sobre eles, tão prontamente, em muitos casos, quanto a criança pequena no colo de sua mãe. ¶
Falo o que sei, e digo: vergonha para aqueles que estão sujeitos a tal fraqueza, quando tiveram tempo e oportunidade de aprender melhor. Diz o irmão Morley: "Tais espíritos serão condenados." Bendito seja, já estão condenados. A razão pela qual agem como agem, de maneira tão diametralmente oposta aos anjos e Deuses nas eternidades que são, é porque estiveram em condição miserável desde que estão sobre a terra. ¶
Quando homens e mulheres cedem a estes espíritos maus, é prova de que não aprenderam sua organização, e para que foram feitos. ¶
Quanto a este povo conhecer sua verdadeira posição diante de Deus, em meio às nações da terra, é certo que ainda não a aprendeu. Aprenderemos algum dia? Aprenderemos. E ainda mais, seremos obrigados a aprendê-la; e mais ainda, seremos COMPELIDOS a aprendê-la. Como? Por lisonja? Por bênçãos? Pelos sorrisos bondosos da Providência? Pela abundante plenitude da mão invisível de nosso Pai celestial, concedendo-nos toda bênção? Ora, alguns de nós estão prontos a dizer que isso não nos trará ao entendimento de nossa verdadeira posição, nem nos preparará para o que está diante de nós. Se as misericórdias e bênçãos de nosso bondoso e indulgente Pai celestial não produzirem os efeitos desejados sobre seu povo, ele certamente o castigará, e o fará saber, pelo que sofre, como governar-se e santificar-se diante dele. ¶
Deveríamos seguir o mesmo curso com nossos filhos, quando desejamos que obedeçam a nossos mandamentos. É razoável e certo, depois de terdes oferecido toda espécie possível de incentivo, para trazê-los ao juízo e à obediência, se ainda assim continuarem obstinados, experimentar a vara, e castigá-los até que se tornem obedientes. É isso que nosso Pai nos céus fará por este povo, se não aprenderem por suas bênçãos e bondade amorosa. ¶
Perguntais se penso que estamos prestes a ser afligidos? Se não formos bons filhos, seremos. Devemos aprender a amar a justiça, e odiar a iniquidade, e então poderemos nos castigar, e nos trazer à esfera que fomos designados a preencher em nossa existência, e nos governar e controlar nela, preparatoriamente ao poder ser posto em nossas mãos. Não deveríamos ter senão um desejo, senão uma determinação; nossa vontade deveria estar perfeitamente centrada num só objeto, a saber, descobrir a vontade de Deus, e fazê-la. Que cada indivíduo assim se instrua, se castigue, se prove, se examine e reexamine, tomando-se a si mesmo sob custódia como prisioneiro sujeito a exame severo, até que sua vontade seja perfeitamente subserviente à vontade de Deus em toda instância, e possais dizer: "Não importa o que seja, façamos saber a vontade do Pai nos céus, e essa é nossa vontade." Então seremos capazes de treinar, instruir e praticar sobre nós mesmos, até podermos controlar, e trazer à sujeição, as influências más que nos cercam; poderemos então começar a abrir caminho, ou a lançar uma estrada de santidade para a geração ascendente. ¶
Isto temos de fazer. É nosso negócio. É o labor dos Santos dos Últimos Dias, o qual, se levado a cabo, atravessará todas as várias cenas mutáveis da vida mortal. Está em todo ato e transação, tanto conosco mesmos, com nossas famílias, quanto com estranhos. Preenche cada avenida da vida humana, do princípio ao fim. Obter a ascendência espiritual sobre nós mesmos, e sobre as influências que nos cercam, por meio de um rígido curso de autodisciplina, é nossa primeira consideração, é nosso primeiro labor, antes que possamos abrir caminho para que nossos filhos cresçam sem pecado até a salvação. ¶
Nenhum homem, numa breve hora ou duas, pode dizer tudo o que está em seu coração, quando este está cheio pela inspiração do Espírito Santo. Mas continuarei minhas observações, e vos darei um pouco mais. ¶
Todas as pessoas são cercadas de circunstâncias peculiares a sua localização, posição e situação na vida. Uma parte de nossos antigos associados crê que somos inteiramente controlados pelas circunstâncias; mas este povo aprendeu o suficiente para saber que tem a habilidade e o poder de controlar as circunstâncias, até certo ponto; elas nos controlarão mais ou menos, mas não inteiramente. Podemos lançar, em meio a este povo, o fundamento para uma série de circunstâncias que cercarão a geração ascendente com uma influência divina. Podemos também produzir uma série de circunstâncias que trabalharão para sua certa destruição. Isto está em nosso poder, e a primeira é o labor dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Alguns, quando suas mentes se abrem para contemplar a pureza de um Deus de eternidade — a pureza do céu — e entendem que nada impuro pode ali entrar; quando podem perceber a perfeição da Sião redimida e glorificada, e então olham para o povo agora, e suas ações, e como são vencidos por suas fraquezas, como não podem sair nem entrar sem entrar em conflito, de algum modo, com seus vizinhos; quando contemplam a pecaminosidade universal do homem mortal, estão prontos a exclamar: "Iremos todos à destruição, a salvação é impossível." Não creio uma palavra disso. Se fazemos o melhor que sabemos, e ainda assim cometemos muitos atos que são errados, e contrários ao conselho que nos é dado, há esperança em nosso caso. ¶
O Salvador nos advertiu a sermos cuidadosos em como julgamos, perdoando uns aos outros até setenta vezes sete num dia, se nos arrependemos e confessamos nossos pecados uns aos outros. Podemos ser mais misericordiosos e clementes do que nosso Pai nos céus? Não podemos. Portanto, que o povo faça o melhor que puder, e abrirá caminho para que a geração ascendente ande na luz, sabedoria e conhecimento dos anjos, e dos redimidos desta terra, para não falar de outras terras, e estarão preparados para desfrutar, na ressurreição, todas as bênçãos que são para os fiéis, e desfrutá-las na carne. ¶
É nosso dever, e para isto somos chamados, moldar e controlar as circunstâncias em nossa vida, de modo a trazer bênçãos sobre a geração ascendente, às quais nunca poderemos alcançar enquanto estivermos na carne. Mas quando a visão de nossas mentes se abre para contemplar a imaculada pureza, perfeição, luz, beleza e glória de Sião, o céu da eternidade, o lugar onde os Santos e os anjos habitam nos mundos eternos, então a salvação para nós, pobres mortais errantes, parece quase impossível; parece que mal seremos salvos. Isto, porém, é verdadeiramente verdade, mal seremos salvos. Jamais houve pessoa alguma salva; todos os que foram salvos, e que o serão no futuro, apenas o foram por pouco, e isso não sem uma luta para vencer, que convoca ao exercício toda energia da alma. ¶
É bom para nós seguir o exemplo daqueles que alcançaram a salvação; consequentemente, se desejo ser salvo, e ser instrumento para apontar o caminho a outros, que eu não apenas pregue a doutrina da salvação, mas dê o exemplo em minha conduta, e implore que a sigam. Se nossa fé é uma, e estamos unidos para alcançar um grande objeto, e eu, como indivíduo, posso possivelmente entrar no reino celestial, vós, e toda outra pessoa, pela mesma regra, podeis também ali entrar. ¶
Embora nosso interesse seja um só, como povo, lembrai-vos, contudo, de que a salvação é obra individual; é cada pessoa por si mesma. Quero dizer mais com isto do que tenho tempo de vos contar por inteiro, mas vos darei uma dica. Há aqueles nesta Igreja que calculam ser salvos pela retidão de outros. Errarão o alvo. São aqueles que chegarão bem quando o portão já estiver fechado, e assim, nesse caso, podeis ficar fora; então chamareis alguém que, por sua própria fidelidade, através da misericórdia de Jesus Cristo, entrou pelo portão celestial, para vir abri-lo para vós; mas fazer isso não está em seu poder. Tal será o destino daquelas pessoas que vãmente esperam ser salvas pela retidão e influência do irmão Fulano. Advirto-vos, portanto, a cultivar em vós mesmos a retidão e a fidelidade, único passaporte para a felicidade celestial. ¶
Há outra coisa que desejo notar, a saber, tocante ao homem de quem falou o irmão Morley esta manhã, que despediu a esposa que havia tomado recentemente. Ele começou a dizer-vos quão mesquinho lhe parece brincar dessa maneira com as maiores bênçãos do céu ao homem. Aos homens que pedirão bênçãos, e joias de grande valor, e buscarão descartá-las amanhã, dir-se-á, mais tarde: "Tomai isto e dai-o ao homem que é mais digno." E que se fará com o outro? Que esfregue o chão, limpe sapatos, e faça sabão. Refiro-me a isso em sentido espiritual. Certamente seremos tão limpos na celestial Sião que não precisaremos de ninguém para lavar por nós. Quando digo que poremos tais indivíduos a trabalhar no jardim, a limpar nossos estábulos, a escovar nossos cavalos, ou a trabalhar na cozinha do porão, deve-se entender espiritualmente. ¶
Podeis obter joias de grande valor, e brincar com elas, e considerá-las nada, mas, mais tarde, elas vos ofuscarão de tal modo que não podereis olhar para o brilho de sua glória sem serdes atingidos pela cegueira. As palavras do Salvador se cumprirão sobre tais pessoas: "Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece que tem lhe será tirado." ¶
Aquilo que pensam possuir, apenas parecem ter. É posto em suas mãos por poucos dias, para ver se têm sabedoria suficiente para usá-lo para a glória e honra de Deus, para que se lhes acrescentem mais bênçãos. Quando se provam indignos, aquilo que pareciam ter lhes será tirado, e dado a outro que seja mais digno, para que tenha mais abundantemente. ¶
Quanto às ações más do povo, enquanto o irmão Morley falava, pensei que poderia contar-vos coisas sobre alguns homens que não gostaríeis de ouvir. Para satisfazer meus próprios sentimentos, por meio de comparação, dar-vos-ei uma vaga ideia de como me parecem. ¶
Imaginai todos os cadáveres das pessoas que morreram de cólera, e de outras doenças repugnantes, amontoados para apodrecer numa massa geral, sob os raios de um sol meridional; o fedor de tal massa de corrupção não começaria a ofender minhas narinas, nem as narinas de todo homem justo, tanto quanto esses homens o fazem. Por outro lado, se todo homem fizer o melhor que puder, e tanto quanto souber, tudo lhe correrá bem, e será abençoado até não haver espaço para conter as bênçãos que se derramarão sobre ele. O pecado consiste em fazer o errado quando sabemos e podemos fazer melhor, e será punido com justa retribuição, no devido tempo do Senhor. ¶
Foi este povo abençoado? Foi. Por que não conseguem entender que são organizados e formados com o propósito expresso de se tornarem independentes em si e por si mesmos, para que possam começar a guardar-se contra qualquer princípio mau, ou as sugestões do mal? Mas dirieis prontamente: "Isso está em todos os homens, é natural a eles." Assim pensava Paulo. Estava cercado de espíritos maus, e por eles maravilhosamente atormentado, tanto que, quando queria fazer o bem, o mal estava presente com ele. Eu os teria expulsado a pontapés. Ele era homem justo, e morreu pelo Evangelho, e foi certo que morresse, ainda que fosse apenas por ter cuidado das vestes daqueles que apedrejaram Estêvão até a morte. "Ora," diz Paulo, "eu quereria fazer o bem àquele homem, mas o mal está presente comigo." Por que ele não expulsou aquele mal do caminho de fazer o bem? Estava obrigado a ser atormentado por ele? Não, não mais do que vós e eu. ¶
Estão os que hoje bebem e se embriagam (e pode haver alguns fazendo-o entre os que professam ser irmãos) obrigados a quebrar o Sábado, e se tornarem bêbados e glutões? Não. Se os irmãos que professam ser Santos, e fazem o errado, revelassem a raiz do assunto, e dissessem toda a verdade, seria: "Tenho o desejo de fazer muito bem, mas o diabo está sempre a meu lado, e gosto de manter o velho cavalheiro onde possa pôr minha mão sobre ele, pois quero usá-lo às vezes." Essa é a razão pela qual homens e mulheres são vencidos pelo mal. ¶
De novo, posso acusar-vos daquilo de que todos vos declarareis culpados, se confessardes a verdade, a saber, não ousais entregar totalmente vosso coração a Deus, e ser santificados por inteiro, e conduzidos pelo Espírito Santo de manhã até a noite, e de um fim de ano ao outro. Sei que é assim, e ainda assim poucos o reconhecerão. Sei que este sentimento está em vossos corações, tão certamente quanto sei que o sol brilha. ¶
Examinemos isso mais de perto. Muitos de vós tendes temerosos pressentimentos de que nem tudo está certo na organização deste reino. Estremeceis e tremeis em vossos sentimentos, e tremeis em vosso espírito; não podeis pôr vossa confiança em Deus, nos homens, nem em vós mesmos. Isto surge do poder do mal, tão predominante sobre a face de toda a terra. Foi-vos dado por vosso pai e vossa mãe; misturou-se com vossa concepção no ventre, e amadureceu em vossa carne, em vosso sangue, e em vossos ossos, de modo que se tornou fixo em vossa própria natureza. Se eu vos perguntasse individualmente se desejáveis ser santificados por inteiro, e vos tornar tão puros e santos quanto pudésseis viver, toda pessoa diria que sim; contudo, se o Senhor Todo-Poderoso desse uma revelação instruindo-vos a vos entregar totalmente a ele, e à sua causa, encolheríeis, dizendo: "Temo que ele tire alguns de meus queridos." Essa é a dificuldade com a maioria deste povo. ¶
Cabe a vós e a mim guerrear contra esse princípio, até que seja vencido em nós, para que não o transmitamos a nossos filhos. Cabe-nos lançar um fundamento tal que tudo com que nossos filhos tiverem de lidar os trará ao Monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e a uma inumerável companhia de anjos, à assembleia geral e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador do novo testamento, e ao sangue da aspersão, que fala melhores coisas do que o de Abel. Se lançarmos tal fundamento com toda boa consciência, e labutarmos tão fielmente quanto pudermos, tudo correrá bem conosco e com nossos filhos, no tempo e na eternidade. ¶
Que espécie de sensação produziria em meu coração se, ao final desta reunião, eu ouvisse que o Senhor permitira que o diabo destruísse minhas casas, minhas esposas e meus filhos, e entregasse cada partícula de minha propriedade às chamas devoradoras — que fiquei destituído, e sozinho no mundo? Desejo que todos apliqueis esta pergunta a vós mesmos. Que produziria tal circunstância sobre este povo, caso não soubessem que o Senhor ia enviar-lhes um juízo, como fez em tempos passados (embora não precisásseis temer isso)? Como vos sentiríeis? Não haveria murmuração, e busca de culpados, e cartas e conspirações com apóstatas, e alguns fugindo para a Califórnia, e alguns correndo de volta para os Estados? ¶
Ou suponde que, ao chegardes em casa desta reunião, encontrásseis que vossos vizinhos mataram vossos cavalos e destruíram vossa propriedade; como vos sentiríeis? Sentiríeis vontade de tomar vingança instantânea sobre o autor do feito. Mas seria errado para vós encorajar a menor partícula de sentimento como raiva, ou vingança, ou como tomar o juízo em vossas próprias mãos, até que o Senhor Todo-Poderoso dissesse: "O juízo é vosso, e cabe a vós executá-lo." ¶
O irmão Morley queria saber se alguém podia dizer a origem do pensamento. A origem do pensamento foi plantada em nossa organização no princípio de nosso ser. Isto não vos diz como veio a estar ali, nem quem o pôs ali. O pensamento se originou com nosso ser individual, que é organizado para ser tão independente quanto qualquer ser na eternidade. Quando ides para casa, e sabeis que vossos vizinhos cometeram alguma depredação sobre vossa propriedade, ou em vossa família, e a raiva surge em vosso peito, considerai, e sabei que ela surge em vós mesmos. ¶
Por outro lado, suponde que alguma pessoa vos abençoou ao voltardes para casa, trouxe-vos um saco de farinha, por exemplo, em tempo de grande escassez, e um pouco de manteiga, leite e legumes; pensamentos surgiriam de imediato para abençoar o doador. A origem do pensamento e da reflexão está em nós mesmos. Pensamos, porque somos, e somos feitos suscetíveis a influências externas, e a sentir nossa relação com objetos externos. Assim, pensamentos de vingança, e pensamentos de bênção, surgirão na mesma mente, conforme influenciada por circunstâncias externas. ¶
Se sois prejudicados por um vizinho, o primeiro pensamento do coração não regenerado é que Deus condene a pessoa que vos feriu. Mas se uma pessoa vos abençoa, o primeiro pensamento que surge em vós é: Deus abençoe aquele homem; e esta é a disposição à qual deveríamos nos apegar. Mas dispensai qualquer espírito que vos impulsione a prejudicar qualquer criatura que o Senhor tenha feito, não lhe deis lugar, não o encorajeis, e ele não permanecerá onde estais. Podeis deixar o homem negro, ou o homem branco, entrar em vossa casa, como vos aprouver; podeis dizer "entrai" a ambos. ¶
Isto é uma figura. Quando o homem branco se apresenta, vós o conheceis de imediato por sua cor; o mesmo quando vedes a escuridão e a negrura avançando, sabeis que é de baixo, e podeis ordená-la a deixar vossa casa. Quando o homem bom chega, traz consigo um halo de bondade que vos enche de paz e conforto celestial; convidai-o para vossa casa, e fazei dele vosso hóspede constante. ¶
Tenho-vos dito frequentemente desta tribuna que, se vos apegardes a princípios santos e semelhantes a Deus, acrescentareis mais bem a vossa organização, que é feita independente desde o princípio, e o bom espírito e influência que vêm do Pai das luzes, e de Jesus Cristo, e dos santos anjos, lhe acrescentam mais bem. E, quando fordes provados, e quando tiverdes labutado e trabalhado suficientemente nisso, tornar-se-á, em vós, o que o irmão Joseph Smith disse ao Élder Taylor: se se apegasse estritamente ao Espírito do Senhor, tornar-se-ia nele, a saber, uma fonte de revelação. Isso é verdade. Depois de algum tempo, o Senhor dirá a tais pessoas: "Meu filho, tens sido fiel, apegaste-te ao bem, e amas a justiça, e odeias a iniquidade, da qual te afastaste; agora terás a bênção do Espírito Santo para te conduzir, e ser teu companheiro constante, de agora em diante e para sempre." Então o Espírito Santo se torna vossa propriedade, é dado a vós para proveito, e bênção eterna. Tende a acréscimo, extensão e aumento, à imortalidade e vidas eternas. ¶
Se permitirdes que o oposto disso tome posse de vossos tabernáculos, isso vos ferirá, e a tudo o que estiver associado convosco, e frustrará, e ferirá com ferrugem, até que vosso tabernáculo, que foi criado para continuar por uma duração sem fim, se decomponha, e retorne a seus elementos nativos, para ser moído de novo, como o barro refratário que se estragou na mão do oleiro; deve ser trabalhado de novo até que se torne dócil, e ceda ao desejo do oleiro. ¶
Um poder é para acrescentar, edificar e aumentar; o outro, para destruir e diminuir; um é vida, o outro é morte. Lancemos, então, um fundamento para que a geração ascendente cresça sem ser entravada e impedida em seu curso adiante rumo à glória e à felicidade, pelas superstições, tradições e ignorância que nos cegaram e feriram. Façamos o melhor que pudermos, e, se cometermos um erro, uma vez, sete vezes, ou setenta vezes sete num dia, e formos honestos em nossas confissões, seremos perdoados livremente. Como esperamos obter misericórdia, tenhamos misericórdia uns dos outros. E, quando o espírito mau vier, que não encontre lugar em vós. ¶
Recordo-me de dizer aos Santos dos Últimos Dias que nenhum homem poderia julgar a natureza de um espírito sem primeiro testá-lo; até então, não é capaz de julgá-lo. Irmãos, amai a justiça, e odiai a iniquidade. ¶
Que Deus vos abençoe para sempre. Amém. ¶