A Abrangência da Verdadeira Religião—Os Santos São Apenas Mordomos
Brigham Young
Eu mesmo e meus irmãos frequentemente nos levantamos para nos dirigir à congregação neste lugar, sem saber precisamente o que pode ser mais benéfico e instrutivo. A mesma fraqueza há em mim, que é comum à maioria de meus irmãos que se dirigem a vós desta tribuna, isto é, um grau de timidez que surge de um senso da importância da obra em que estamos empenhados; mas minha resolução compensa isso. ¶
Pode algo ser ensinado que edifique esta congregação como os princípios do Evangelho? Poder-se-ia dizer que a vida e a existência do homem, com as variadas ocupações de sua vida, do nascimento à morte, são um assunto tão interessante quanto o Evangelho. Mas isso está ligado ao Evangelho da salvação, assim como tudo o mais que se associa ao seu ser. Toda a existência mortal do homem não é nada mais nem nada menos que um estado preparatório dado a seres finitos, um espaço em que podem se aperfeiçoar para um estado de ser mais elevado. O trabalho do homem nesta existência parece estar quase inteiramente dirigido a procurar uma subsistência mortal; isso se dá mais particularmente com os que não aprenderam a ordem dos céus, e que é necessário dirigir nossas energias, durante nosso tempo aqui, num canal para assegurar a salvação no reino de Deus. ¶
A humanidade, em geral, não para para refletir; avança precipitadamente para agarrar o mundo inteiro, se possível; cada indivíduo é para si mesmo, e ignora o desígnio que o Todo-Poderoso teve em sua criação e existência nesta vida. Obter conhecimento deste desígnio é um dever obrigatório para todos os filhos e filhas de Adão. ¶
Os Santos dos Últimos Dias reconhecem que não há período da existência do homem que não esteja incorporado ao plano de salvação, e apontando diretamente para uma existência futura. Consequentemente, quando nos levantamos aqui para falar ao povo, que cada homem fale o que está em seu coração. Se um de nossos Élderes é capaz de nos dar uma palestra sobre qualquer uma das ciências, que seja proferida no espírito de mansidão — no espírito do santo Evangelho. Se, no dia de sábado, quando aqui nos reunimos para adorar o Senhor, um dos Élderes se sentir impelido a nos dar uma palestra sobre algum ramo da educação com que esteja familiarizado, está isso fora dos limites de nossa religião? Penso que não. Se algum dos Élderes está disposto a dar uma palestra a pais e filhos sobre letras, sobre os rudimentos da língua inglesa, isso está em minha religião, é parte de minha fé. Ou se um Élder nos der uma palestra sobre astronomia, química ou geologia, nossa religião abrange tudo isso. Não importa qual seja o assunto, se tende a aperfeiçoar a mente, exaltar os sentimentos, e ampliar a capacidade. A verdade que há em todas as artes e ciências forma parte de nossa religião. A fé não é mais parte dela do que qualquer outro princípio verdadeiro da filosofia. Se eu vos desse hoje uma palestra sobre agricultura, estaria eu falando sobre um assunto que transcende os limites de nossa religião? A agricultura faz parte dela tanto quanto qualquer outra verdade. Se eu palestrasse sobre princípios de negócios de qualquer espécie, nossa religião os abrange; e o que ela não circunscreve, seria bom que dispensássemos de uma vez e para sempre. ¶
Esta linguagem pode entrar em conflito com os preconceitos de muitas pessoas, e acrescentarei, de todas as pessoas, a menos que tenham sido instruídas no "mormonismo". Entra em conflito com as tradições, preconceitos e sentimentos de anos passados, quando o alfa e o ômega de nossa religião consistia em cantar, pregar, exortar e clamar "Glória, aleluia, louvado seja o Senhor!" E quando chegava a manhã de segunda-feira, íamos para nossas fazendas, para nosso comércio, para nosso ofício, e para o que chamávamos de nosso enfadonho negócio da vida, que considerávamos não pertencer à nossa religião. Estas são as tradições do mundo, mas não é assim conosco; aprendemos o Evangelho melhor. ¶
Estou ciente de quão fácil é para a mente do homem se enredar com o engano das riquezas, pois tenho alguma experiência no espírito do mundo. Quão fácil é para o amor do mundo tomar posse do coração da família humana! Quão fácil é para suas mentes se escurecerem pelo deus deste mundo, e se tornarem como os olhos do tolo, que estão nos confins da terra, buscando ouro e prata, e as riquezas, a grandeza, a popularidade e os títulos deste mundo. Se a religião que possuímos não controla e reina predominante sobre todo outro princípio e sentimento, não fomos instruídos nela de modo a aprender bem nossas lições — não somos mestres desta ciência celestial. Se os Santos dos Últimos Dias não foram suficientemente instruídos a ponto de perceber que todas as coisas pertencentes a este mundo — riquezas, honrarias, grandeza mundana e títulos mundanos — não estão inteiramente subservientes à sua religião, não estão plenamente hábeis em sua profissão. Estais cientes disso? Percebem os Santos dos Últimos Dias, individualmente, as circunstâncias em que estão colocados, a posição que ocupam na sociedade humana, em meio à Igreja de Jesus Cristo? Quantos há aqui hoje que percebem, como deveriam, sua posição perante Deus e o homem, e que entendem precisamente sua posição na vida, seu relacionamento com os anjos, e os desígnios da Providência? Há aqui muitos que estão na Igreja há anos — são eles mestres, ou são ainda apenas estudantes? São pais, ou ainda apenas crianças? Precisam ser ensinados quanto aos rudimentos da doutrina de Cristo, ou são capazes de ensiná-los à família humana, apontando o caminho da vida e da salvação? Muitos são capazes. Se aprendemos bem nossas lições, ao mesmo tempo que ensinamos o caminho da vida e da salvação a outros, o exemplificaremos em nossa própria vida. Quantos de meus ouvintes possuem domínio sobre si mesmos, podem manter o espírito irado sob o império da razão, e não podem ser tomados de preconceito contra seus irmãos? Selecionai os homens ou mulheres que são capazes de julgar com juízo justo, que podem pesar exatamente a vida e a conduta de seus vizinhos na balança da justiça, da misericórdia e da verdade? Há alguns? Espero que haja muitos. ¶
Quantos dos Santos dos Últimos Dias, que estão na Igreja há quinze a vinte anos, aprenderam o Evangelho o suficiente para serem senhores de suas paixões? Quantos aprenderam a natureza das coisas, assim como dos homens, o uso do ouro e da prata, e dos elementos que nos rodeiam, de modo a desfrutar da vida do mundo, e entender sua natureza o bastante para dedicar todos os tesouros do oriente, se os possuíssem, à edificação do reino de Deus, e não ter outra vontade senão a do Senhor? Quem está imune à influência de um bom nome, e da fama mundana? Quantos aprenderam a lição tão perfeitamente a ponto de desafiar as profundezas da pobreza, da aflição e da miséria a movê-los, ou a abalar, ainda que minimamente, sua integridade? A congregação pode responder a estas perguntas com calma, cada um por si mesmo. Posso assegurar-vos que temos de aprender tais lições, se ainda não as aprendemos. ¶
A misteriosa e invisível mão (assim chamada) da Providência se manifesta em todas as obras de Deus. Quem, nesta congregação, pode perceber, por um só momento, que o Senhor notaria assunto tão insignificante quanto os cabelos que penteastes de vossa cabeça esta manhã? Contudo é assim; nenhum cabelo caiu ao chão sem a atenção de nosso Pai nos céus. Para convencer os antigos Apóstolos de seu cuidado por eles, Jesus escolheu as coisas mais insignificantes, em sua estimação, para ilustrar às suas mentes que nem a menor coisa escapava à sua atenção. Disse ele: "Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes temei aquele que pode fazer perecer tanto a alma quanto o corpo no inferno. Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nem um deles cairá em terra sem o conhecimento de vosso Pai. Mas até os cabelos da vossa cabeça estão contados." ¶
Podemos perceber como esta Providência governa e controla as nações da terra, e traça os desígnios de cada homem individualmente? Se não aprendemos estas lições, elas estão diante de nós, e ainda temos de aprendê-las. Se ainda não aprendemos que a pobreza, a doença, a dor, a necessidade, o desapontamento, as perdas, as cruzes, ou mesmo a morte, não devem nos mover um fio de cabelo do serviço de Deus, nem nos separar dos princípios da vida eterna, é uma lição que temos de aprender. Se não aprendemos a lidar com as coisas deste mundo à luz da salvação, ainda temos de aprendê-lo. Ainda que tenhamos montanhas de ouro e prata, e depósitos de coisas preciosas amontoadas, e pudéssemos controlar os elementos, e comandar o gado sobre mil colinas, se não aprendemos que cada partícula disso deveria ser dedicada à edificação do reino de Deus na terra, é uma lição ainda a ser aprendida. ¶
Nossa religião abrange toda verdade pertinente à vida mortal — nada está fora de seus limites. Não importa o que as pessoas façam, se se mantiverem dentro dos limites da verdade e da justiça, do Evangelho do Filho de Deus. Podem elas ultrapassar esses limites? Podem. Dir-vos-ei quão facilmente. Quando os Santos começam a atravessar as planícies para vir a este lugar, não importa de onde partam, estão cheios de fé e religião, cheios de oração e humildade, e ó, como desejam chegar a Sião! Atravessam o Atlântico, viajam pelas águas do Mississippi e do Missouri, e começam sua jornada pelas planícies, mas antes de terem percorrido metade da distância, entram em tentação, alguns deles a ponto de dizer: "Quando chegar ao Vale, seguirei para a Califórnia." Alguns se desviarão o suficiente para amaldiçoar e praguejar contra seu gado, e outros o tratarão cruelmente, num acesso de fúria. Os que fazem tais coisas sabem que estão além dos limites do que lhes foi ensinado ser certo, mesmo pelas tradições dos pais. Fomos ensinados, desde a infância, que a paixão, a ira, a contenda e a malícia são erradas. Nossas tradições anteriores, em muitíssimos casos, foram tão verdadeiras, e tão de acordo com o Evangelho, quanto poderiam ser dadas. Fomos tradicionados a não praguejar, e o espírito dentro de nós o proíbe. Se maltratamos nossos animais, ou uns aos outros, o espírito dentro de nós, nossas tradições, e a Bíblia, todos concordam em declarar que isso é errado. Quando os Santos chegam ao Vale do Lago Salgado, quão fácil é para eles se desviarem do caminho certo! Eu poderia apontar dezenas de casos, se tivesse tempo. Por outro lado, posso apontar homens que estão conosco há anos nas profundezas da pobreza, e alguns desde o início, e nunca viram o tempo em que pudessem alimentar suas famílias com comida suficiente, nem vesti-las, e, contudo, estão cheios de fé e humildade. Se este povo desfrutasse das bênçãos do Senhor tão livremente quanto ele está disposto a concedê-las, isso os destruiria. Não percebem que devem ser provados em todas as coisas. Diriam: "Reconheço que sou abençoado, mas eu mesmo me abençoei;" e esquecem que é o Senhor quem os abençoou, e lhes deu seu ouro e sua prata, suas casas e terras, seus cavalos e carruagens, e todas as coisas que possuem. ¶
Se os Santos dos Últimos Dias não aprenderam a lidar com as boas coisas deste mundo, reconhecendo a mão de Deus em colocá-las em sua posse, ainda têm esta lição a aprender. Quando aqueles que podem suportar a pobreza são abençoados com a prosperidade, tendem a se erguer em sua própria força e sabedoria, e a esquecer o Deus que os abençoou, e a naufragar na fé. De novo, há aqueles que foram prósperos em sua vida, e, quando são levados à pobreza e à necessidade, se afastam da verdade, como o jovem em Nauvoo, que se sentou para tomar seu café da manhã apenas com um bolo de milho; disse ele: "Não pedirei bênção sobre isto; se Deus não me der alimento melhor que este, jamais lhe pedirei que o abençoe." Eu disse: "Naufragarás na fé." O espírito que ele manifestava era um espírito apóstata; havia esquecido que havia uma providência na própria circunstância que desprezava, e foi para a destruição. Por mais misterioso que possa parecer aos filhos dos homens, Deus está em todas as coisas, e ao redor de todas as coisas. ¶
Fazer o certo pode reduzir-se à perfeita simplicidade em poucas palavras, a saber: de agora em diante, que ninguém trabalhe, nem realize qualquer espécie de negócio, que não possa fazer em nome do Senhor, e que se afunde inteiramente em sua vontade, seja ela contrária a seus preconceitos ou não, ou decididamente objetável a seus sentimentos. O Senhor por fim conduzirá tais pessoas à plenitude de sua alegria por um caminho que às vezes lhes pode parecer escuro. Mas há milhares que dirão: "Senhor, cremos em teu nome, em teu nome fomos batizados, e profetizamos, e expulsamos demônios em teu nome; não te lembras de que impusemos as mãos sobre uma pessoa naquela cidade, ou naquela casa, e expulsamos um demônio dela?" Tais pessoas, que curaram os enfermos, ou expulsaram um demônio, mais cedo ou mais tarde, tomam para si força, se não têm cuidado, e creem que têm por si mesmas poder para fazer o que quiserem. Não vos gabeis destas coisas. Ouvis muitos dizerem: "Sou um Santo dos Últimos Dias, e jamais apostatarei;" "Sou um Santo dos Últimos Dias, e o serei até o dia de minha morte." Eu jamais faço tais declarações, e jamais farei. Penso ter aprendido que, de mim mesmo, não tenho poder algum, mas meu sistema está organizado para crescer em sabedoria, conhecimento e poder, obtendo um pouco aqui e um pouco ali. Mas quando sou deixado por mim mesmo, não tenho poder, e minha sabedoria é loucura; então me apego de perto ao Senhor, e tenho poder em seu nome. Penso ter aprendido o Evangelho de modo a saber que, em mim mesmo e por mim mesmo, não sou nada. Na organização de meu sistema, contudo, está lançado um fundamento, se eu o aproveitar corretamente, que me assegurará a independência dos Deuses na eternidade. Isto se obtém aderindo estritamente aos princípios do Evangelho nesta vida, o que nos conduzirá de fé em fé, e de graça em graça. É este o caminho, penso eu, pelo qual aprendi o Senhor. ¶
Veremos algum dia o tempo em que seremos perfeitamente independentes de todo outro ser em todas as eternidades? Não; jamais veremos esse tempo. Muitos caíram sobre terreno tão simples quanto este, e, se eu usasse um termo do Oeste, diria: "estavam incomodados com uma grande vaidade." Tais pessoas pensam ter poder para fazer isto, aquilo e aquilo outro, mas são deixadas por si mesmas, e o Senhor gosta de mostrar-lhes que não têm poder algum. ¶
Ouvimos alguns dizer: "Sairei desta comunidade assim que puder." Por quê? "Porque comprei uma carroça de um de meus irmãos, e ele quer que eu a pague." Ou: "Cavalguei o cavalo de um irmão até a morte, e ele acha que devo indenizá-lo." "É uma comunidade condenável, e não permanecerei nela." Eu mesmo não ouço estas coisas, mas posso ouvir falar delas. Sei que é assim. Que mal têm essas pessoas? Tomaram força para si mesmas, e esqueceram o Senhor seu Deus. Não invocam seu nome, nem confiam nele para dirigi-los em todos os seus caminhos. Esquecem que estão fazendo como costumavam fazer antes, a saber, servir ao Senhor no sétimo dia, e tomar seis para si mesmos. Comerciarão, negociarão, trabalharão e amontoarão riquezas durante seis dias, e irão à reunião no domingo para servir ao Senhor por um dia. A respeito de tal religião, sou ignorante, só sei que não presta para nada. Minha religião deve estar comigo de uma manhã de segunda-feira até a próxima, o ano inteiro, ou não me servirá. Podeis ver quão fácil é para os Santos dos Últimos Dias se desviarem do caminho do dever. ¶
Aqueles que se desviam do caminho não se conhecem a si mesmos; não estão familiarizados com a natureza da família humana, nem com os princípios do reino que estamos empenhados em edificar. Quando os Santos dos Últimos Dias decidem suportar, pelo bem do reino de Deus, o que quer que venha, seja pobreza ou riqueza, seja doença ou serem expulsos por turbas, dirão que está tudo certo, e honrarão a mão do Senhor nisso, e em todas as coisas, e o servirão até o fim de suas vidas, segundo o melhor de sua habilidade, sendo Deus seu ajudador. Se ainda não vos decidistes por isso, quanto mais depressa o fizerdes, melhor. ¶
Pessoas que não conseguem controlar a si mesmas, e manter sob sujeição seus sentimentos, desejos lascivos e apetites, não sabem fazer melhor do que correr desatinadas atrás das coisas perecíveis deste mundo. Dizem que "vão para a Califórnia;" e agradeço ao Senhor por irem. Por quê? Porque eu preferiria estar nesta comunidade com cem famílias de Santos pobres, de coração honesto, do que com cem milhões que se misturam com demônios, e vão para a Califórnia. E quanto tempo estarão lá antes de implorar a algum comerciante gentio que os traga de volta? Mas eu digo: "deixai-os jazer ali no inferno, até que estejam bem queimados, como um velho cachimbo." Não moveria um dedo para ajudá-los a voltar agora, pois apenas corromperiam a comunidade. Depois de algum tempo, quando estiverem purificados, então os traremos a Sião, se desejarem vir e servir ao Senhor; mas se desejam servir a si mesmos, que sirvam a si mesmos, e se ao diabo, que sirvam a ele. ¶
Minha oração por vós, esta manhã, é que sejais servos do Deus Altíssimo; mas se algum de vós encontrar homens ou mulheres que não queiram servir ao Senhor, não ponhais um só obstáculo em seu caminho para impedi-los de servir ao diabo, mas dai-lhes um dólar, ou ajudai-os com uma carroça, para apressar sua saída desta comunidade. Seria melhor fazer isso do que mantê-los aqui, quando não têm disposição alguma de amar e servir ao Senhor. Estamos melhor sem eles. ¶
Não julgueis, para que não sejais julgados. Que ninguém julgue seu semelhante, a menos que saiba que tem em si a mente de Cristo. Deveríamos refletir seriamente sobre este ponto; quantas vezes se diz: "Tal pessoa fez errado, e não pode ser um Santo, ou não faria assim." Como sabeis? Ouvimos alguns praguejar e mentir; pisam os direitos de seu vizinho, quebram o Sábado ficando longe da reunião, andando pela cidade, procurando cavalos e gado, ou trabalhando nos cânions. Não julgueis tais pessoas, pois não conheceis o desígnio do Senhor a respeito delas; portanto, não digais que não são Santos. Que faremos com elas? Tenhamos paciência com elas. Os irmãos e irmãs de países antigos frequentemente depositam grande confiança nos Élderes americanos que têm sido seus pastores, mas ocorre alguma coisa insignificante que não lhes parece certa, e dizem no mesmo instante: "Aquele Élder não é um Santo dos Últimos Dias." Não julgueis a ninguém. Uma pessoa que diria que outra não é um Santo dos Últimos Dias, por algum assunto insignificante da vida humana, prova que não possui o Espírito de Deus. Pensai nisto, irmãos e irmãs; escrevei-o, para que possais refrescar vossa memória com isso; levai-o convosco, e olhai-o com frequência. Se julgo meus irmãos e irmãs, a menos que os julgue pelas revelações de Jesus Cristo, não tenho o espírito de Cristo; se o tivesse, não julgaria a ninguém. Esta é a doutrina verdadeira. Que os recém-chegados, especialmente, se lembrem de não julgar seus irmãos e irmãs. Muitos se assentam em julgamento sobre mim, e sobre este povo, e eu tenho tanto direito de julgar quanto eles. Se eu proferisse meu julgamento sobre aqueles que me julgam, a mim e a este povo, fá-lo-ia na linguagem de José, no Diálogo que temos impresso. Nele, uma pergunta é feita a José, como segue: "José, és tu Jesus Cristo?" — "Não; mas sou seu irmão." ¶
Serão todos os que não são Santos dos Últimos Dias condenados? Sim, e muitos deles, a menos que se arrependam depressa. Direi ainda mais: que muitos dos Santos dos Últimos Dias, a menos que aprendam melhor suas lições, serão julgados da mesma maneira. Esta é minha opinião sincera. Há famílias entre nós, aqui, com quem estive relacionado desde o início, que têm ideias sobre as coisas deste mundo que me parecem estranhas. Têm uma concepção estranha das boas coisas da terra. Sobre este ponto especialmente, desejo que os Santos de Deus concentrem suas mentes, e aprendam corretamente esta importante lição, para que não entrem em tentação. Suponhamos, por exemplo, um pequeno Ramo da Igreja surgido num distrito onde geralmente estão bem de bens terrenos. Vendem sua propriedade, e se reúnem com os Santos. Digamos que há dez famílias no Ramo, e suponhamos que valham dez mil dólares cada. Nove das dez perdem sua propriedade por advogados, por seus irmãos, por seus pais, ou por alguma pessoa que os rouba pelo caminho, e lhes resta apenas o suficiente para chegar aqui. Uma das dez tem a sorte de salvar sua propriedade, e a tem em ouro. Ele, porém, empresta a um homem cem dólares, compra uma parelha para outro, e paga a passagem desta ou daquela família pobre, até gastar todo o seu dinheiro, e ele também chega aqui despido. Ora, tomai estas dez famílias e ponde-as juntas; dos lábios das nove, cuja propriedade caiu nas mãos dos ímpios, não ouvireis um murmúrio ou queixa sequer, ao passo que ouvireis uma centena delas daquele que dispôs de seu dinheiro para ajudar os pobres Santos a se reunirem em Sião. Estou-vos dizendo agora o que sei ser verdade, pois tenho observado este item da vida humana desde o início. ¶
Permiti-me dizer aqui aos Santos que acumulei uma grande quantidade de riqueza em meu tempo; e chamo a todos os que me conhecem para testemunhar, se puderem, se alguma vez angustiei um homem por aquilo que me deve, ou pressionei alguém, por pouco que fosse. Alguma vez despedi vazia a viúva e o órfão, ou o pobre faminto de minha porta ou de minha bolsa, se nela houvesse dez centavos? Alguma vez tomei um irmão pela garganta e disse: "Paga-me o que me deves"? Não. Mas tenho pilhas de notas promissórias contra eles, somando mais de trinta mil dólares. Não me gabo disto, mas apresento o quadro como exemplo para que sigais. ¶
Quando pobres e miseráveis malditos, que nos cortariam a garganta, obtêm meios de um membro desta Igreja, isso me fere os sentimentos. Quanto melhor seria entregá-los à pessoa devida, dizendo: "Toma isto, alimenta os Santos pobres, e faze bem com isso"? Quem pode perceber que o Senhor pode pôr uma grande quantidade de propriedade em suas mãos em pouco tempo, ou tirá-la dele de novo? Eu posso perceber isto em consideráveis medida. Posso ter milhares de riqueza trancados hoje, e cheques em meu poder para somas imensas nas melhores instituições bancárias do mundo, mas tenho eu alguma garantia de que valerei um centavo amanhã de manhã? Nenhuma. O Senhor Todo-Poderoso pode enviar fogo e destruição quando lhe apraz, destruindo cidades e engolindo vilas no terremoto rugidor. Ele pode erguer reinos, e enriquecer comunidades, e trazê-las à pobreza, a seu prazer. Quando lhe apraz, pode dar-lhes riqueza, conforto e facilidade, e, por outro lado, atormentá-las com pobreza, aflição e amarga tribulação. Quem pode perceber isso? O mundo inteiro deveria, e especialmente os Santos. ¶
Desejo gravar mais outra coisa em vossas mentes. Um Élder, disposto a pregar o Evangelho, toma emprestado de vós cem ou mil dólares, e nunca proferis a primeira queixa contra ele, até que voltais para casa, a este vale, mas depois de aqui estardes por alguns dias, me seguis por toda parte, enchendo meus ouvidos de queixas contra este irmão, e me perguntais o que ele fez com vosso dinheiro? Digo: "Não sei." Assim ficais angustiados e em miséria, o dia todo, para recuperá-lo. Se um Élder tomou emprestado de vós, e verificais que vai apostatar, então podeis apertar os parafusos sobre ele; mas se está disposto a pregar o Evangelho, sem bolsa nem alforje, não é da vossa conta o que ele faz com o dinheiro que tomou emprestado de vós. A doutrina do irmão José é que nem um dólar que possuís é vosso próprio; e se o Senhor o quer usar, deixai-o ir, e não é da vossa conta o que ele faz com isso. Deveria ser gasto para mimar o preguiçoso? Não; mas podeis ver aqueles que estiveram em missões, trabalhando nos cânions, e percorrendo o país de um lado a outro, tentando ganhar a vida pelo trabalho de suas mãos. ¶
Mas dizeis: "Que fez ele com o meu dinheiro?" Talvez tenha, com ele, ajudado aquela família pobre a se reunir, ou não estariam aqui. Se murmurardes contra aquele Élder, provareis vossa condenação. O dinheiro não era vosso, mas o Senhor Todo-Poderoso o pôs em vossas mãos para ver o que faríeis com ele. O ouro, a prata, o trigo, a fina farinha, o búfalo, o veado, e o gado sobre mil colinas, tudo é dele, e ele os inclina para onde quer; e ele inclina as nações para onde quer, derrubando uma nação e erguendo outra, segundo seu próprio prazer. Tudo o que tem qualquer mérito ou valor no mundo está incorporado em nossa gloriosa religião, e destinado a exaltar as mentes dos filhos dos homens a uma posição permanente, celestial e eterna. ¶
Nenhum homem precisa me julgar. Nada sabeis a respeito, se sou ou não enviado; ademais, não é da vossa conta, exceto ouvir com ouvidos abertos o que vos é ensinado, e servir a Deus com um coração indiviso. ¶
Talvez vos tenha detido tempo suficiente. Em minhas observações, não ultrapassei os limites de minha religião. Se vos tivesse falado sobre a nova cartilha de ortografia dos Santos dos Últimos Dias, minha religião a abrange, e a todo o bem que vemos de um ano ao outro. ¶
Tentareis ser Santos de fato? Não peço ao Senhor que o sejais, mas minha oração vos é oferecida, e vos rogo, em lugar de Cristo, sede reconciliados com Deus, e servi-o com um coração indiviso, até o fim de vossa vida. E rogo a meu Pai Celestial que vos capacite a fazê-lo. E que Deus vos abençoe. Amém. ¶