Pulpit

Efeitos e Privilégios do Evangelho — Os Santos dos Últimos Dias e o Mundo Cristão

Brigham Young

1853-07-24

Sinto-me disposto a ocupar uma parte do tempo nesta manhã.

Não tenho dúvida de que o povo, que são Santos, é muito edificado pela pregação e exortações dadas desta tribuna. Se eu falasse por mim mesmo, poderia dizer com verdade que estou contente, que me regozijo, e que me sinto excessivamente feliz, tanto ao pregar quanto ao ouvir pregações, exortações e orações, e ao associar-me com os Santos em outras ocupações e afazeres da vida. Também em capacidade familiar, em nossas reuniões de oração familiar, e em todas as ocupações da vida que me dizem respeito como indivíduo, sou feliz.

O Evangelho de Jesus Cristo, tal como está dado no Antigo e no Novo Testamento, no Livro de Mórmon, no Livro de Doutrina e Convênios, e na experiência de todo verdadeiro cristão que viveu e ainda vive sobre a terra, ensina que é privilégio de todo Santo viver e andar assim diante de seu Deus, de modo a desfrutar a luz do espírito de verdade dia após dia, semana após semana, e ano após ano, por toda a sua vida. Sem este privilégio no Evangelho, ligado aos dons do Espírito Santo, eu me inclinaria a crer que a religião ensinada na Bíblia e no Livro de Mórmon não passaria de um mero fantasma — uma coisa imaginária. Seria inadequada para satisfazer, em qualquer grau, a mente do homem, tal como ela agora está organizada.

Posso apelar à experiência de milhares, assim como à minha própria, de que a doutrina do Salvador é verdadeira, que a história dada no Novo Testamento é uma história verdadeira, até onde vai, dos sentimentos e da experiência comuns a toda variedade da vida humana, e se harmoniza com a experiência de todo verdadeiro crente em Jesus Cristo em todas as eras do mundo, ainda que a expressão "verdadeiro crente" precise ser qualificada, pois muitos creem sem obedecer — vou qualificá-la dizendo, um crente em Jesus Cristo, que manifesta sua fé a Deus, aos anjos, e a seus irmãos, por sua obediência. Não que não haja crentes que não obedeçam, mas os únicos verdadeiros crentes são os que provam sua crença por sua obediência aos requisitos do Evangelho.

É um privilégio e bênção especial do santo Evangelho a todo verdadeiro crente conhecer a verdade por si mesmo. Que oradores nos falem, que Profetas expliquem a lei, e nos ensinem doutrina, com o propósito especial de nos dar conforto, não é particularmente exigido; mas nas reflexões e meditações da mente ao contemplar as coisas de Deus e os ricos tesouros da sabedoria infinita, que são abertos aos filhos dos homens que obedecem ao Evangelho, eles desfrutam de um banquete contínuo para a alma. Este é o privilégio dos Santos dos Últimos Dias, é o privilégio do mundo inteiro, tão logo o conhecimento de Deus possa ser disseminado entre o povo. É verdade, o mundo geme nas trevas. Estão presos com os grilhões da incredulidade, do erro, e da ignorância, mais do que nós; contudo podemos dizer com verdade que apenas começamos a ver o despontar da verdade através do denso manto de ignorância em que estamos envoltos. Àqueles que vivem fielmente em seu dever como Santos de Deus, e continuam a servi-Lo, o tempo há de revelar que os Santos dos Últimos Dias — os melhores dentre eles — os mais inteligentes entre eles, ainda estão na ignorância, ainda carentes, ainda buscando algo mais, ainda aumentando, ainda crescendo; digo, o tempo há de revelar, para sua própria satisfação, que nesta etapa de sua existência estavam na ignorância, mas não no mesmo grau daqueles que não tiveram os privilégios que eles desfrutaram.

É frequentemente observado — especialmente pelos Santos dos Últimos Dias — que curiosidade é, quão singular, que o Evangelho de Jesus Cristo tenha o efeito sobre as mentes do povo que tem. É notável! É estranho! Quando as pessoas refletem sobre isso, ficam espantadas de que o evangelho da salvação perturbe assim os sentimentos, a tranquilidade, a paz da comunidade. Tem ele este efeito sobre o mundo? Vossa própria observação vos permite responder afirmativamente. É um dito verdadeiro do Salvador, que ele não veio ao mundo para trazer paz, para unir todo o povo, mas para trazer divisão. Ele veio com o propósito expresso de dividir os justos dos ímpios. Isto formava tanto uma parte de seu santo ministério quanto qualquer outra parte da vontade de seu Pai.

Vemos este princípio verificado desde os dias antigos. Foi demonstrado no próprio início do povoamento da terra. Quão logo se introduziu uma oposição na manhã da criação, quando a retidão era proclamada, quando a verdade era revelada, quando a luz e o conhecimento da eternidade brilhavam com beleza luminosa sobre Adão e seus filhos, Caim tinha de se levantar e matar seu irmão, enquanto andavam com o Senhor, enquanto Ele os visitava dia após dia, ministrava a eles, conversava com eles, pregava a eles, e lhes dava instrução, assim como eu e meus irmãos vos instruímos desta tribuna. Ele lhes ensinou como viver, como ordenar seu curso, e agiu em todos os pontos como um pai terno e afetuoso, e no entanto ao mesmo tempo tinha de haver oposição.

É bem verdade que se o pecado não tivesse entrado no mundo, e a oposição não tivesse sido introduzida, a morte não teria entrado. Desde aquele tempo até este, a morte, a oposição, o egoísmo, a malícia, a ira, o orgulho, as trevas, e a maldade de toda descrição que pudesse ser inventada pelos filhos dos homens, à medida que se multiplicaram e se espalharam sobre a terra, aumentaram. Sim, verdadeiramente, aumentaram. E os dias que nós, como cristãos, chamamos dias das trevas e da ignorância, foram dias de luz, conhecimento, e inteligência, a exceder aquela que desfrutamos nesta era.

Descobrimos que o Evangelho da vida e salvação está perfeitamente calculado para perturbar os ímpios. Diremos nós que eles estão em paz? Estão em felicidade? Estão desfrutando aquilo que seus corações desejam? Podemos dizer com verdade que estão buscando isso tão bem quanto sabem, mas o resultado é o aumento da maldade sobre a terra, e a crescente infelicidade da família humana. A humanidade, de fato, não pode ser feliz a menos que primeiro seja infeliz; não podem estar tranquilos, não podem estar em repouso e sentir-se confortáveis, a menos que primeiro estejam em dor; não podem estar alegres, a menos que primeiro estejam tristes. Referi-vos, por exemplo, às vossas próprias disposições, à natureza caída que há em vós. Quando a paixão se levanta dentro de vós, podeis satisfazer vossos sentimentos sem cedê-los, em prejuízo de vós mesmos e de outros? Não podeis sentar-vos e sentir-vos em repouso a menos que possais saciar a ardente vingança da paixão, descarregando vossa vingança sobre alguma pessoa, ou sobre algum animal indefeso.

O Evangelho da salvação está perfeitamente calculado para causar divisão. Ataca a raiz da própria existência da humanidade em sua maldade, seus desígnios malignos, paixões, e cálculos ímpios. Não há mal algum entre a família humana, mas em cujo fundamento ele ataca eficazmente, e entra em contato com toda paixão maligna que se levanta no coração do homem. É oposto a toda prática ímpia dos homens, e consequentemente os perturba nos caminhos ímpios que estão seguindo.

Quando o Evangelho que foi pregado por Jesus e seus Apóstolos foi pregado aos filhos de Israel por Moisés, criou o mesmo efeito entre eles. Quando ele os ensinou a abandonar seus pecados, a abandonar todo princípio e prática iníqua de suas vidas, e a se voltar para o Senhor com todo o coração, isso criou tal divisão que Moisés não pôde estabelecer o Evangelho entre eles, depois de toda a bondade que o Senhor lhes mostrara, embora Ele os tivesse tirado do Egito com mão poderosa, dividindo o mar, fazendo a água jorrar da rocha seca para saciar sua sede, o maná caindo do céu para satisfazer sua fome, e as codornizes para satisfazer seu desejo de carne. Ele também ordenou que suas roupas não envelhecessem, nem seus sapatos se gastassem por quarenta anos. Não tiveram de arar, colher, ou recolher em celeiros, como nós fazemos. Não obstante esta manifestação da bondade de seu Deus, ele não pôde estabelecer o Evangelho entre eles, e foi obrigado a dar-lhes uma lei de mandamentos carnais. Por que o Senhor não os destruiu, vendo que eram tão perversos? Ele o fez; e de todos os que saíram do Egito, apenas dois entraram na terra de Canaã — Josué e Calebe.

Sempre que o Evangelho é pregado em vilas, cidades, lugares do campo, ou em qualquer comunidade que esteja nas trevas, nunca deixa de trazer luz; manifesta sua ignorância; os distrai, e perturba sua paz. Dizem eles: "Supus que era sábio, feliz, confortável, e bem o bastante; mas eis que vem algo que me informa que estou enganado, que isto e aquilo estão errados. Isso reflete luz sobre meu entendimento, e me ensina que meus atos, enquanto vivo sobre a terra, deveriam tender à glória de Deus e à paz da humanidade. Isto naturalmente parece contrário a meus sentimentos, disposição, paixões, e tradições, e a tudo ao meu redor, exceto ao reflexo da verdade sobre minha mente, que ilumina meu entendimento, e me ensina a glorificar a Deus, e a fazer o bem a meus semelhantes."

O Evangelho não está calculado apenas para dividir o povo, mas há de dividir o pecado daqueles que o abraçam com verdadeiro coração. No mundo encontramos bondade, honestidade, humildade, e prudência, que são impulsionadas pelos motivos de um bom coração. Mas a virtude é pisada aos pés, a honestidade e a prudência são apontadas com o dedo do escárnio e da derrisão! Vemos quase todo princípio de retidão descartado. Se o mundo inteiro não estiver já nesta condição, faltam apenas mais alguns passos para levá-lo às profundezas dela, e completá-lo em sua rebelião contra todo bem e seu Autor.

É a escuridão sobre a terra, a densa escuridão que paira sobre as mentes do povo, que os leva ao erro, à maldade, e à destruição, contudo em meio a esta ignorância e terrível corrupção da mente humana, há de se encontrar humildade, bondade, e virtude. Mas que uso se faz delas? São destruídas; são usadas segundo os desejos dos ímpios, e segundo os desígnios do mau planejador. É este quase universalmente o caso.

O Evangelho está calculado para dividir esta maldade daqueles que o abraçam, e então há de dividir aqueles que o abraçam daqueles que o rejeitam. Cristo e Belial não podem se fazer amigos, nem podem a Igreja de Cristo e os adoradores de Belial se unir. Não podem se amalgamar. Consequentemente, aqueles que recebem o Evangelho com todo o coração, depois de crer no testemunho dos servos de Deus, se dividirão daqueles que não o recebem. Neste Evangelho, vida e salvação são oferecidas a toda alma honesta; no mundo eles encontram tribulação, mas em Jesus Cristo, paz. Em obedecer o Evangelho há conforto, mas na glória do mundo, tristeza e dor.

Se a pergunta surgisse em nossas mentes, por que estamos nesta manhã na posição que ocupamos, é muito facilmente respondida e entendida por toda pessoa que entende a natureza do Evangelho de Cristo. É porque é impossível unir Cristo e Belial — unir a retidão com a iniquidade, pois nunca podem andar de mãos dadas. A retidão não pode se tornar iniquidade, e a maldade jamais pode herdar um reino justo.

Os antigos Santos foram, e os Santos dos últimos dias têm sido, expulsos de um lugar a outro, seu nome um escárnio e um provérbio, e seu caráter caluniado ao mais baixo grau. Apelarei aos homens nesta congregação, que viveram por anos na sociedade do mundo, que são juízes, magistrados, xerifes, mercadores, mecânicos, e agricultores, se algo já foi alegado contra seu caráter até que se juntaram aos Santos dos Últimos Dias. Mas onde estão vossos caracteres agora no mundo? Vossos antigos amigos agora descobriram que sempre fostes criaturas miseráveis, agora declaram que nunca tiveram nenhuma confiança em vós, pois sempre fostes seres entusiastas, e não sabíeis o que estáveis fazendo. Sempre acreditaram que provaríeis ser desonestos, etc. Este tem sido o caráter dado aos Santos pelo mundo em todas as eras.

Suponhamos que agora observemos aquela parte do mundo chamada cristã, que professa crer no Antigo e no Novo Testamento, a tradução do Rei Tiago. Dizem que creem nesta Bíblia, contudo se estiverdes na França, na Alemanha, na Inglaterra, nos Estados Unidos, nas Canadás, nas ilhas do mar, ou não importa onde entre as nações cristãs, no momento em que se torna sabido que abraçastes o Livro de Mórmon, e que credes que Joseph Smith é um Profeta, imediatamente vos acusarão de rejeitar a Bíblia, publicarão que vos tornastes um "Santo dos Últimos Dias," "um mórmon," e consequentemente negastes a Bíblia que outrora crestes, e a descartastes inteiramente. Qual é a razão disso, que não preciso me esforçar para comprovar, pois é um fato que quase toda pessoa conhece? Ora, nós somos crentes na Bíblia, e em consequência de nossa fé inabalável em seus preceitos, doutrina, e profecia, pode-se atribuir "a estranheza de nosso curso," e a conduta injustificável de muitos para com este povo.

Vinde, meu irmão presbiteriano; vinde, meus irmãos professores de toda persuasão de longa tradição e distinção popular no mundo, que sois rotulados com a palavra "Ortodoxo;" vinde, somos todos bons cristãos; não encontro falha alguma em vós — por que haveríeis de encontrar falha em mim? Mas respondeis: "Não posso ser um Santo dos Últimos Dias, consequentemente devemos nos separar, e não podemos mais ser irmãos."

Vinde, meu bom irmão metodista, e meu bom irmão batista, sois livres e abertos em vossas opiniões e sentimentos, pois defendeis uma salvação livre. Esta é uma doutrina favorita dos metodistas. Dizem que a salvação é oferecida a toda a família humana, sem dinheiro e sem preço, e convidam-nos a vir e participar livremente das águas da vida. Declaro o mesmo. Sou um crente em Jesus Cristo, em Deus o Pai, e nas doutrinas de salvação como são ensinadas no Antigo e no Novo Testamento, embora não tão pontualmente no Antigo quanto no Novo. Contudo os mesmos princípios de vida e salvação são estabelecidos em ambos estes livros, e eu os creio. Vinde, meu irmão B., credes neles? Respondeis: "Sim, e há trinta anos, dos quais vinte e sete tenho sido pregador do Evangelho. Creio no Filho de Deus, e no Antigo e no Novo Testamento." Bem, então, com que no mundo quereis brigar comigo? "Porque não sois um crente, rejeitastes a Bíblia." Estais enganado, Sr. B.; pois em vez disso, aprendi sabedoria, obtive luz, conhecimento, e entendimento, de modo que sei como crer na Bíblia. Pergunto-vos, irmão B., como devo crer na Bíblia, e como deveis vós e todo outro seguidor do Senhor Jesus Cristo crê-la? "Irmão Mórmon, como credes nela?" Creio nela exatamente como é. Não creio em pôr a interpretação de nenhum homem sobre ela, de modo algum, a menos que seja dirigida pelo próprio Senhor de algum modo. Não creio que precisemos de intérpretes e expositores das Escrituras, para arrancá-las de seu sentido literal, simples e claro.

Tomemos um ponto das Escrituras, e tentaremos concordar com o Sr. B., e levá-lo conosco por alguns momentos, e descobrir onde discordamos. Lemos na Bíblia muitas coisas pertinentes à vida e à salvação. Primeiro começamos a ler que Jesus veio em carne. Ora, para tocar esse ponto, que não pretendo fazer senão ligeiramente esta manhã, tenho certeza de que discordaremos logo no início. Mas suponde que eu examine isso por um momento. O Novo Testamento me diz que o Pai deu Seu unigênito Filho como resgate pelos pecados do mundo. Credes nisso, irmão B.? Credes que Jesus Cristo é o unigênito Filho do Pai? "Sim." Credes que o Filho foi gerado pelo Pai, como os Apóstolos disseram que foi? Aqui terei de discordar de vós, para começar; pois creio que o Pai desceu do céu, como os Apóstolos disseram que fez, e gerou o Salvador do mundo; pois ele é o unigênito do Pai, o que não poderia ser se o Pai não o tivesse realmente gerado em pessoa.

"Não posso crer nisso, pois ele é um Deus sem corpo, partes, ou paixões; ele não tem pessoa, portanto, devo discordar de vós, irmão Mórmon." Creio que o Pai desceu em seu tabernáculo e gerou Jesus Cristo. O Sr. B. crê que ele não tem tabernáculo. Creio que ele tem um tabernáculo, e gerou Jesus Cristo à sua expressa imagem e semelhança, porque a Bíblia expressamente o declara. Vós não credes nisso, porque vosso sacerdote e vossa mãe vos ensinaram que não é assim. Quando vossas mães primeiro leram esta Escritura, era tão claro a seus entendimentos e a seus filhos, que a entenderam como o faria um anjo, mas o diácono Jones teve de ser chamado para explicar, e ele a explicou até anulá-la. Assim discordo de vós, Sr. B., no primeiro ponto que notamos, pois credes que Deus não tem corpo nem partes, enquanto a Bíblia declara que Ele tem um corpo corpóreo; que à Sua semelhança, precisamente, Ele criou Adão. Os sacerdotes desta era declaram que não é assim. O Deus em que o Sr. B. crê é sem corpo, partes, e paixões. O Deus em que seu "irmão Mórmon" crê, é descrito na Bíblia como sendo uma pessoa de tabernáculo, com olhos para ver, pois aquele que fez o olho não haveria de ver? Com ouvidos para ouvir, pois seus ouvidos estão abertos para ouvir as orações dos justos. Ele tem membros com que pode andar, pois o Senhor Deus andava no jardim na frescura do dia. Ele conversou com Seus filhos, como no caso de Moisés na sarça ardente, e com Abraão nas planícies de Manre. Ele também comeu e bebeu com Abraão e outros. Esse é o Deus em que os "mórmons" creem, mas seus muito religiosos irmãos cristãos não creem no Deus de Abraão, Isaque, e Jacó, que é o Deus que a Bíblia estabelece, como um ser corpóreo organizado. Neste único ponto, podeis agora ver claramente onde discordamos.

Dizeis que rejeitei o Novo Testamento. Digo que não o fiz. Dizeis que o sacrifiquei pelo Livro de Mórmon. Digo que não. Reconheci a Bíblia desde que pude ser ensinado por meus pais a reverenciá-la. Ensinaram-me que era a sagrada palavra de Deus. E até onde pôde ser traduzida corretamente do hebraico e do grego, ela nos é dada tão pura quanto possivelmente poderia ser dada. A Bíblia é minha, e não estou disposto a que me roubeis dela, sem meu consentimento. A doutrina nela é minha, na qual firmemente creio. Creio que o Pai gerou o Filho, e o deu como propiciação pelos pecados do mundo. Creio que ele morreu pela redenção do homem, e ressuscitou ao terceiro dia.

Credes na morte e ressurreição de Cristo para a salvação do homem, Sr. B.? "Sim."

Além disso, creio que ele dotou os Apóstolos para irem e pregarem o Evangelho de vida e salvação ao mundo. Pois, disse Jesus Cristo, "Sois minhas testemunhas; ide e preguem minha ressurreição dentre os mortos. Dizei ao povo, o Pai me deu por seus pecados; mas em Adão todos morrem, mas em mim todos serão vivificados novamente. Se vos perguntarem o que devem fazer para serem salvos, dizei-lhes o que já disse a toda outra pessoa que foi salva; que só podem ser salvos em atos de obediência para provar que creem em mim, no Pai, no céu, nos anjos, e em vós, que sois meus servos e verdadeiros crentes em mim. Dizei-lhes que entrem nas águas do batismo, e sejam batizados para a remissão dos pecados. Essa é a primeira ordenança a que se deve atender depois de crer. Depois de terem manifestado sua fé em Deus o Pai, em mim, e em vossas palavras por seu arrependimento, então imergi-os na água à imitação de meu sepultamento, e levantai-os novamente para fora da água, à imitação de minha ressurreição.""

"Ó," diz o irmão B., "creio no batismo, mas ainda assim creio que uma pessoa pode ser salva puramente pelo sangue de Jesus, sem a primeira gota de água." Mas Jesus lhes disse para irem por todo o mundo, e pregarem o Evangelho a toda criatura; aquele que crer e for batizado será salvo, e aquele que não crer será condenado.

"E credes que é absolutamente necessário ser batizado para ser salvo? Não posso crer nisso." Este é outro ponto em que vós e eu discordamos, Sr. B. Não podeis dizer com boa graça que credes na Bíblia, enquanto em vossas obras a negais. Não apenas digo que creio, mas o provo por minhas obras. Vou e me submeto a ser batizado para a remissão dos pecados, como me é ordenado.

"Mas, irmão Mórmon, realmente supondes que a água lavará vossos pecados?" Direi o que suponho. Suponho que o Senhor disse que lavaria, e além disso não é da minha conta. O batismo foi instituído para a remissão dos pecados; portanto o faço para tirar meus pecados; se há alguma culpa nisso, recai sobre o Autor disso, e não sobre mim. Paulo foi mandado ser batizado para lavar seus pecados.

Meus irmãos cristãos no mundo dizem que é uma tolice — uma espécie de extremo absurdo, crer que a água lavará os pecados. Não me importa o que dizem; é um mandamento do Senhor; não há engano nisso, fala por si mesmo. Ele diz, Fazei assim e assado, e vossos pecados serão lavados. Não me importa como são tirados; se um anjo os leva ao Senhor para obter perdão, se afundam ao fundo da corrente, ou flutuam por cima, e são espalhados aos quatro ventos; Ele diz, Ide à água e sede batizados, e serão lavados; o que me basta. Neste ponto também o mundo cristão e os "mórmons" discordam. Mas quero saber se concordamos com os ensinamentos da Bíblia, em nossa crença e prática. Os Santos dos Últimos Dias creem em fazer exatamente o que o Senhor lhes disse para fazer neste livro. Se vão adiante e são batizados para a remissão dos pecados, seus pecados lhes são remitidos, se o fazem com toda boa consciência, calculando servir ao Senhor todo o resto de seus dias.

Que se segue? Jesus instruiu seus servos, depois de terem batizado os crentes, a impor suas mãos sobre eles para o dom do Espírito Santo. Cremos nisso. Que credes vós a respeito disso, Sr. B.? "Ora, creio que é necessário entregar nossos corações a Deus." Cremos nisso, tanto quanto vós. "Creio em ir a nossas grandes reuniões, a nossas reuniões de oração, e reuniões prolongadas, e reuniões de campo, e reuniões de reforma; pois são organizadas com o propósito de excitar os sentimentos do povo; creio em ir ali e lutar com o Senhor pelo perdão dos pecados." Não nos importa quanto tempo ou quão alto oreis; podeis orar alto o bastante para derrubar o telhado da casa, e enviá-lo aos quatro ventos, mas ireis obter o perdão dos pecados deste modo? "Ó sim, irmão Mórmon, não vedes que o mundo está quase evangelizado por nossas reuniões, nossas sociedades de tratados, e nossas sociedades missionárias. Vamos converter o mundo desse modo. Fui convertido assim, e estou tentando com todas as minhas forças converter outros do mesmo modo. Dizemos aos pecadores para irem ao banco dos ansiosos para obter a remissão de seus pecados." Aqui é onde discordamos novamente. Dizeis-lhes para irem ao banco dos ansiosos para obter perdão; Cristo, seus Apóstolos, e nós, dizemos-lhes para serem batizados para a remissão dos pecados. Também os dizeis para irem ao banco dos ansiosos para obter o Espírito Santo; nós lhes dizemos para recebê-lo pela imposição de mãos, como a Bíblia nos instrui.

"Bem, Sr. Mórmon, e realmente recebeis o Espírito Santo desse modo?" Sim, recebemos. Se pedis testemunho para comprovar isto, podemos dar o mais alto, o testemunho de Jesus Cristo. Ele disse a seus antigos servos, "Ide a todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; e aquele que não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que creem; Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os enfermos, e eles se recuperarão." Apelamos a milhares nesta Igreja, que podem testemunhar o cumprimento desta citação. De qualquer modo, por mim, estou aqui para testemunhar centenas de instâncias, de homens, mulheres, e crianças curados pelo poder de Deus, pela imposição de mãos: e muitos vi levantados das portas da morte, e trazidos de volta da beira da eternidade; e alguns cujos espíritos realmente haviam deixado seus corpos, retornaram novamente. Testemunho que vi os enfermos curados pela imposição de mãos, segundo a promessa do Salvador.

"Bem," diz o Sr. B., "se tendes este grande poder, e podeis curar os enfermos pela imposição de mãos, vinde comigo e curai os enfermos em nossa vizinhança; ou como é que algum de vós, mórmons, morre de todo?" Tende paciência, Sr. B. A Bíblia me ensina que sou pó, e ao pó devo retornar. Não me cabe frustrar os planos de Jeová, ou anular qualquer item de doutrina que o Senhor me ensinou. Do pó sou, e ao pó devo retornar. Assim é com o resto de nós, todos morreremos e seremos sepultados na sepultura silenciosa, a menos que possamos obter fé suficiente para vencer a morte. Morremos porque não vencemos a morte, o inferno, e a sepultura. Mas se continuarmos obedecendo o Evangelho, vereis o tempo em que teremos esse poder.

Aqui novamente discordamos, quanto ao recebimento do dom do Espírito Santo. O Sr. B. converte as pessoas com longas orações e gritos altos; convertemos as pessoas pregando o arrependimento, e batizando-as para a remissão dos pecados, e impondo as mãos para o dom do Espírito Santo; cujo espírito paira continuamente sobre elas para o seu bem, cura seus corpos, ilumina suas mentes, e as torna humildes, mansas, e inofensivas como criancinhas. Quando uma pessoa recebe o Espírito Santo por autoridade legal, é como uma criança no colo de sua mãe; tudo é harmonia, louvor a Deus, e boa vontade para com os filhos dos homens sobre a terra. Está cheio de paz, conforto, e salvação, e sente vontade de clamar aleluia o tempo todo. Está perfeitamente humilde e passivo, e o Senhor pode fazer com ele o que quiser. Permanecerá sempre este estado de sentimento? A paixão jamais se levantará novamente? Sim; pois então começais uma guerra, embora o Consolador vos encha o coração, fazendo-vos regozijar em Deus vosso Salvador, com a atmosfera de vossa existência clara e sem nuvens; isto não há de continuar, mas logo o dia da provação e da tentação escurece a bela perspectiva, para vos ensinar a apoiar-vos no Senhor, e a vencer o mundo. Sob a influência do Espírito Santo tenho me sentido tão feliz quanto possivelmente poderia sentir, meu coração tem se enchido de alegria; apego-me a isso, e me agarro firmemente à promessa do Senhor na hora da tentação, e clamo a Ele para me dar força para vencer.

Devo interromper o fio de meu discurso aqui, e dizer — Maridos, é assim que fazeis? Esposas, adotais esse plano quando a paixão se levanta em vossos corações umas contra as outras? Clamais ao nome de Jesus Cristo, e dizeis, "Pai, peço-te o dom de teu Espírito para vencer esta paixão que se levanta;" ou cedeis a ela, e repreendeis vossas esposas, ou vossos filhos, em linguagem amarga e vingativa? Digo, vergonha sobre aquele homem que ceder a suas paixões, e usar o nome de Deus ou de Cristo para amaldiçoar seu boi ou seu cavalo, ou qualquer criatura que Deus fez; é uma vergonha para ele.

Depois desta breve digressão, retomarei novamente o fio de meu assunto. Recordai-vos dos pontos em que discordamos com nossos irmãos cristãos; nossa discordância é mútua; discordam tanto de nós quanto nós deles. A Bíblia nos leva a discordar de todas as nações cristãs, e depois de todo o mundo. Traçou a linha de demarcação entre aqueles que servem a Deus e aqueles que não O servem.

O Espírito Santo toma do Pai, e do Filho, e mostra aos discípulos. Mostra-lhes coisas passadas, presentes, e futuras. Abre a visão da mente, destranca os tesouros da sabedoria, e começam a entender as coisas de Deus; suas mentes são exaltadas ao alto; suas concepções de Deus e de Suas criações são dignificadas, e "Aleluia a Deus e ao Cordeiro nas alturas," é a linguagem constante de seus corações. Compreendem a si mesmos e o grande objeto de sua existência. Também compreendem os desígnios do maligno, e os desígnios daqueles que o servem; compreendem os desígnios do Todo-Poderoso ao formar a terra, e a humanidade sobre ela, e o propósito último de todas as Suas criações. Leva-os a beber na fonte da sabedoria eterna, da justiça, e da verdade; crescem em graça, e no conhecimento da verdade tal como está em Jesus Cristo, até que vejam como são vistos, e conheçam como são conhecidos.

"Quê!" diz o Sr. B., "um homem ou uma mulher ter revelação nestes dias — nesta era esclarecida!" Sim, meus irmãos e irmãs aqui, tanto homens quanto mulheres, têm revelação, e posso dizer com Moisés de outrora — "Prouvera a Deus que todo o povo do Senhor fosse profeta." Mas neste ponto discordamos.

O Sr. B. é um tempestuoso ao pregar, e ao trabalhar sobre as simpatias do povo, e especialmente sobre os sentimentos ternos da porção feminina de sua congregação. Falará sobre seus filhos morrendo, e retratará os sofrimentos das pobres criaturinhas ternas. Falará sobre seus maridos morrendo, e sobre esposas morrendo, e como jazem na sepultura humilde e silenciosa. Acrescente a este assunto, tão emocionante às sensações dos mortais, um peculiar tom trêmulo e queixoso, e talvez acompanhado de uma chuva de lágrimas escorrendo pelo rosto do pregador, e está bem calculado para perturbar o equilíbrio dos naturalmente sensíveis, lançá-los em lágrimas e soluços, e fazê-los supor que são as operações do Espírito Santo, quando na realidade não há uma única palavra de bom senso ou de verdade salvadora em toda a pregação.

Novamente, subirão ao púlpito e orarão para que Deus o Pai desça em seu meio, para que Jesus Cristo e anjos se misturem em sua companhia, e sejam um com eles. Orarão por um aguaceiro Pentecostal do Espírito Santo, ao passo que, em verdade, as pessoas que querem o Espírito Santo, os anjos, o Filho, o Pai, e todo o céu em seu meio, quando terminarem de orar, dirão de imediato ao povo que Deus não dá o Espírito Santo, e que não há tal coisa nestes dias como revelação; que Joseph Smith foi um impostor porque professou ter recebido nova revelação; que os Santos dos Últimos Dias são todos impostores, e rejeitaram o Antigo e o Novo Testamento; que são pessoas perigosas; e aconselham seus ouvintes a se manterem afastados deles, ou certamente serão iludidos, e levados por suas falsas doutrinas; que são o povo mais ímpio e perigoso da terra, etc.

Bem, Sr. B., neste ponto vós e eu discordamos. Cremos no Novo Testamento, e consequentemente, para sermos coerentes, devemos crer em nova revelação, visões, anjos, em todos os dons do Espírito Santo, e todas as promessas contidas nestes livros, e crê-las tal como são lidas. Damos grande crédito aos Apóstolos, tradutores, e aos pais que preservaram e nos transmitiram a Bíblia, seus filhos, e a defenderam através de sangue e fogo. Nisso certamente legaram uma grande bênção ao mundo, se este se deixar guiar pelas claras instruções contidas naquele livro.

Os Santos dos Últimos Dias entendem a Bíblia tal como é lida, mas a generalidade dos cristãos modernos discorda de nós, e diz que precisa de interpretação. Não conseguem crer que nosso Senhor quer dizer o que diz no capítulo 16 de Marcos, quando manda seus Apóstolos irem "por todo o mundo, e pregarem o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; mas aquele que não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que creem," etc. "Ora," dizem eles, "não podemos crer nisso tal como está escrito, mas temos uma interpretação muito bonita que nos convém muito mais do que o texto simples. E além disso temos um argumento arrasador que há de destruir todo o vosso sistema do início ao fim, e provar que não há de haver mais revelação." Vejamos a passagem aqui referida. João, estando na Ilha de Patmos, teve uma revelação que escreveu, e a concluiu dizendo, "Porque eu testifico a todo homem que ouvir as palavras da profecia deste livro, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro; e se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." Quando este livro, a Bíblia, foi compilado, foi selecionado pelo concílio de Cartago dentre uma pilha de livros maior do que esta tribuna poderia conter, que tem sido impressa, e encadernada em quase todas as formas e tamanhos, e chamada a Bíblia. A revelação de João foi um dos muitos livros destinados por aquele concílio a compor a Bíblia. E o dito que citamos, e que constitui o argumento arrasador dos cristãos modernos contra a nova revelação, apenas se refere a este livro particular, que deveria ser mantido sagrado, como a palavra do Senhor a João, e não à Bíblia inteira; nem proíbe os Santos em seus dias, ou os Santos em qualquer tempo futuro, de obter nova revelação para si mesmos. Isso não é tudo; se voltarmos aos escritos de Moisés, encontramos o mesmo sentimento, e quase a mesma linguagem usada. Diz Moisés: "Não acrescentareis à palavra que vos ordeno, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus que vos ordeno." Assim, se tais citações são dadas com a intenção de fechar os céus, e pôr fim a toda nova revelação, então as revelações dadas aos Profetas que surgiram depois de Moisés, e as revelações dadas a Jesus Cristo e a seus Apóstolos, incluindo João e sua revelação na Ilha de Patmos, tudo se reduz a nada, e não merecem nossa atenção. Este "argumento arrasador," quando é examinado, arrasa demais; além disso, o Evangelho de João e sua epístola a seus irmãos foram escritos depois que ele escreveu sua revelação na Ilha de Patmos, consequentemente ele destruiria seu próprio sistema; mas isso estabelece a ignorância e a míope visão daqueles que não têm o testemunho de Jesus, que é o espírito de profecia.

Nisto discordamos. Dizem que a Bíblia precisa de interpretação; que não significa o que estabelece; que o Espírito Santo não tem sido dado desde os dias dos Apóstolos; que não há necessidade de mais revelação, estando completo o cânon das Escrituras. Meu conhecimento é que, se seguirdes os ensinamentos de Jesus Cristo e de seus Apóstolos, tal como registrados no Novo Testamento, todo homem e mulher será posto de posse do Espírito Santo; toda pessoa se tornará um Profeta, Vidente e Revelador, e um expositor da verdade. Conhecerão coisas que são, que serão, e que foram. Entenderão coisas no céu, coisas na terra, e coisas debaixo da terra, coisas do tempo, e coisas da eternidade, segundo seus vários chamados e capacidades.

Há uma ideia sustentada pelos "mórmons" que é algo de tropeço para o povo, e os apóstatas a manejam a seu propósito. É que consideramos a Bíblia meramente como um guia ou um poste indicador, apontando para certo destino. Esta é uma verdadeira doutrina, que ousadamente sustentamos. Se seguirdes as doutrinas, e vos deixardes guiar pelos preceitos, daquele livro, ele vos dirigirá aonde podereis ver como sois vistos, onde podereis conversar com Jesus Cristo, ter a visitação de anjos, ter sonhos, visões, e revelações, e entender e conhecer a Deus por vós mesmos. Não é um apoio e um bordão para vós? Sim: provará a vós que estais seguindo os passos dos antigos. Podeis ver o que eles viram, entender o que eles entenderam, e desfrutar o que eles desfrutaram.

É isso rejeitar a Bíblia? De modo algum; mas acrescenta fé à fé, virtude à virtude, conhecimento ao conhecimento, luz à luz, verdade à verdade; pois a verdade abraça a verdade, a luz se apega à luz, e todo santo princípio se apega ao seu próprio. Sempre diferimos nestes itens.

Sempre estive, desde minha primeira experiência, disposto a conversar, e trocar ideias com todo homem e mulher em cuja sociedade acaso me achasse. Digo a todas as partes, não tenho contendas convosco, nenhuma disputa, mas estou disposto a exibir minha crença diante de vós, pois é a doutrina do Novo Testamento, que é também a doutrina do Livro de Mórmon, e do Livro de Doutrina e Convênios, livros que contêm as revelações de Jesus Cristo, e conduzem à vida eterna. Dou-vo-los livremente. Se tendes algo a mais, e que vale mais do que o que tenho, por que não estar disposto a me dar como eu estou disposto a dar-vos? Tendes verdadeiros princípios do Cristianismo? Também são meus. Nunca tive ocasião de ter uma briga ou debate com nenhum homem.

Dizeis que pertenceis aos presbiterianos; não importa se tendes a verdade. Sois calvinista, ou wesleyano? Não importa, se tendes a verdade; essa verdade também é minha. Pertenceis à sociedade metodista? E tendes a verdade? Está certo, essa verdade é "Mormonismo," é minha propriedade. Sois quaker? Não importa, se tendes a verdade, essa mesma verdade é minha. Sois católico, e tendes a verdade? Essa é minha doutrina, e não brigarei sobre isso.

"Bem," diz um, "sou judeu; acho que posso arranjar uma briga convosco." Não, não podeis. Não contenderei convosco, pois os judeus têm verdadeiros princípios, e não possuem verdade alguma que não pertença ao "Mormonismo;" pois não há verdade na terra ou no céu, que não esteja abraçada no "Mormonismo."

Outro se adianta e diz, "Sou pagão; acho que não concordareis comigo." Sim, concordarei, na medida em que seguirdes o caminho da verdade; e quando chegardes ao fim dele, vos darei mais verdade; mas se a rejeitardes, é assunto vosso, e não meu. Não pedirei a nenhuma pessoa que abrace algo que não esteja no Novo Testamento, até que tenham perguntado a Deus se é verdadeiro ou falso, o qual os satisfará se pedirem com fé, nada duvidando. Não pedirei a nenhuma pessoa que abrace o Livro de Mórmon e o Doutrina e Convênios, para crer que conversamos com Deus e anjos, até que descubram a verdade disso por si mesmos. Se dizeis que credes porque eu digo que é verdadeiro, e nunca buscais saber por vós mesmos, meu testemunho vos fará muito pouco bem. Que eu diga, creio em Cristo, e não obedeça o Evangelho, me fará muito pouco bem; dizer que Joseph Smith foi um Profeta, e não obedecer seu Evangelho, não me aproveitaria.

Isto pode ser considerado linguagem forte. Mas direi ainda mais: se eu chegar ao conhecimento de todos os verdadeiros princípios que já existiram, e não me governar por eles, hão de me condenar mais profundamente no inferno do que se eu jamais tivesse sabido algo a respeito deles.

Notei alguns princípios sobre os quais o mundo cristão assim chamado, e os Santos dos Últimos Dias, discordam. Agora deixai-me dizer-vos, meus ouvintes, a Santos e pecadores: eis o Novo Testamento; podeis deixar de lado o Livro de Mórmon, e o Livro de Doutrina e Convênios, e seguir os preceitos daquele livro fielmente, e vos garanto chegar à salvação.

"Isso é o que sempre cremos," dizem alguns; "nunca cremos em nos reunir ao Vale do Lago Salgado; sempre cremos que o Senhor poderia nos salvar em nossa própria terra tanto quanto na América. Não pode o Senhor nos salvar na Inglaterra tanto quanto naquele distante vale? E nunca pensamos que fosse muito necessário abraçar o Livro de Mórmon." Mas se seguirdes o testemunho daquele livro (o Novo Testamento), e conformardes rigorosamente vossas vidas a suas doutrinas, preceitos, e mandamentos, vireis a mim e direis, "Irmão Brigham, batizai-me, para que eu receba o Espírito Santo, pois o Senhor me disse que devo ser batizado para a remissão de meus pecados por alguém que tenha autoridade; e os Santos dos Últimos Dias detêm as chaves do reino;" e por esse meio descobrireis que o Livro de Mórmon é verdadeiro, que Joseph Smith foi um verdadeiro Profeta do Senhor, que um anjo do céu ministrou a ele, que os Santos dos Últimos Dias têm o verdadeiro Evangelho, que João Batista veio a Joseph Smith e lhe conferiu as chaves do Sacerdócio Aarônico; e que Pedro, Tiago, e João também vieram a ele, e lhe deram as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque, que é segundo a ordem do Filho de Deus. "E agora, irmão Brigham, Joseph me enviou um anjo, que me contou tudo sobre isso, e vou convosco ao Vale do Lago Salgado nas montanhas." Assim, atendendo fielmente aos primeiros princípios do Evangelho estabelecidos no Novo Testamento, sois introduzidos no conhecimento das obras de Deus na dispensação da plenitude dos tempos. Digo ao mundo cristão, tudo isto é tão verdadeiro quanto vive o Senhor Deus; mas é este meu testemunho para converter alguém? Não. Não obstante é verdadeiramente verdade.

Se o mundo cristão seguisse as instruções do Novo Testamento, creria nas doutrinas dos Santos dos Últimos Dias: e nossas espadas seriam transformadas em relhas de arado, e nossas lanças em foices de podar, e nos saudaríamos como irmãos. Todas as brigas nestas planícies chegariam ao fim, e todo desejo de prejudicar uns aos outros cessaria. A palavra na boca de cada pessoa seria "Irmão, que posso fazer por vós? Tenho algo de que necessitais, com que possa servir-vos, necessário para atender vossa esposa e filhos enfermos? Está perdido vosso gado, e devo ajudar-vos a encontrá-lo?" Todas as armas de guerra seriam sepultadas no pó, para nunca mais serem ressuscitadas, e cada homem diria, "Vinde, saudemo-nos como irmãos, e façamos bem uns aos outros em vez de mal."

Como estão os Santos dos Últimos Dias? Mal ouso falar sobre eles. Nós que estivemos dentro entre os Santos, sabemos há mais tempo do que vós que estivestes fora, que não são demasiado justos, embora não sejamos culpados do que pensais que somos.

Deixai-me explicar. Um homem ou mulher que abraçou, e que desfruta, os princípios desta Igreja, deveria viver como um anjo. Nunca deveriam se irritar uns com os outros, mas viver na luz da verdade continuamente, e todo homem ser bondoso com seu vizinho. Em vez disso, há rixas, brigas, e sentimentos duros, e homens que buscam se engrandecer, e obter glória à custa de seus irmãos. Não daria muito pela exaltação de tais homens, a menos que busquem fazer o bem a este povo, e ao povo imediatamente ao seu redor. O Senhor não vos agradece por vossas esmolas, longas orações, discursos sacrossantos, e semblantes longos, se vos recusais a estender a mão da benevolência e da caridade a vossas criaturas semelhantes, e levantá-las, e encorajar e fortalecer os fracos, enquanto lutam contra a corrente dos males mortais.

Cessai vossa ira, e a acidez de vosso temperamento, e servi ao Senhor com alegria, e sinceridade de coração. Não podeis esperar salvação, exceto se puderdes administrar a mesma salvação a outros, tanto em preceito quanto em exemplo. Se esperais compaixão de mim, administrai-me a mesma. Se desejais palavras e tratamento gentis de mim, dai-me a mesma bênção que desejais para vós mesmos; e esse é o modo pelo qual sereis salvos.

Digo, ó Santos dos Últimos Dias, cessai vossa maldade; servi ao Senhor com todo vosso coração, e guardai vossos convênios com Deus e vossos irmãos. Então ganharemos a vitória, e nossa guerra em breve chegará ao fim. Ganharemos a vantagem sobre o inimigo e subjugaremos nosso adversário, e nos encontraremos no céu com nossas famílias e amigos.

Isto é Sião; e se não obtivermos esta união entre nós, não será Sião que nos fará felizes. Devemos começar e fazer Sião em nossos próprios corações, e depois estendê-la a nossas vizinhanças, e assim continuar até que o Senhor reine sobre a terra.

Estes comentários fragmentados vos dei livremente. Que Deus vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Efeitos e Privilégios do Evangelho — Os Santos dos Últimos Dias e o Mundo Cristão”, (1853-07-24). Pulpit Vault, 1853-07-24-young-effects-and-privileges-of-the-gospel. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).