Herança e Sacerdócio
Parley P. Pratt
A pedido de meus irmãos, levanto-me para ocupar uma parte do tempo. Reconheço que há muitos presentes igualmente preparados para administrar nas coisas do Espírito de Deus. O tempo é precioso, e desejo ter o Espírito de Deus, com as orações e a confiança do povo, para falar com sabedoria o que é necessário, e então dar oportunidade a meus irmãos; pois gosto de ouvi-los, e assim faz este povo. ¶
Refleti um pouco sobre o texto que nos foi apresentado por nosso Presidente há poucos dias, e sobre as excelentes observações feitas por ele mesmo e por outros a respeito do assunto da herança, ou dos direitos inerentes ao primogênito, e da eleição. Considero, de fato, que isso abre um vasto campo, e que não há perigo de esgotar o assunto, seja lá o que se diga dele. ¶
Os convênios feitos com os pais, e os direitos dos filhos por causa deles, são um assunto de meu interesse. ¶
Em primeiro lugar, se todos os homens fossem criados iguais, se todos tivessem o mesmo grau de inteligência e pureza de disposição, todos seriam iguais. Mas, não obstante a declaração dos sábios americanos, e dos pais de nosso país, em contrário, é um fato que nem todos os seres são iguais em sua capacidade intelectual, em suas disposições, e nos dons e chamados de Deus. É um fato que alguns seres são mais inteligentes do que outros, e alguns são dotados de habilidades ou dons que outros não possuem. ¶
Ao organizar e povoar os mundos, verificou-se necessário colocar entre os habitantes algumas inteligências superiores, capacitadas para ensinar, governar e presidir entre as demais inteligências. Em suma, uma variedade de dons, e de aptidões para as diferentes artes, ciências e ocupações, era tão necessária quanto se provaram os usos e benefícios daí resultantes. Daí uma inteligência ser peculiarmente adaptada a um ramo de utilidade, e outra a outro. Lemos muito na Bíblia a respeito de uma escolha ou eleição, da parte da Divindade, para com as inteligências em Seu governo sobre a terra, pela qual algumas foram escolhidas para ocupar posições muito diferentes das outras. E esta eleição não afetou apenas os indivíduos assim escolhidos, mas sua posteridade por longas gerações, ou mesmo para sempre. ¶
Poder-se-ia indagar onde se originou primeiro esta eleição, e sobre que princípio um Deus justo e imparcial exerce a prerrogativa eletiva. Retrocederemos ao conhecimento mais antigo que temos da existência das inteligências. Aprendemos, pelos escritos de Abraão e de outros, e pela revelação moderna, que as inteligências que agora habitam estes tabernáculos de terra eram inteligências vivas e ativas naquele mundo distante, enquanto as partículas de matéria que agora compõem nossos corpos exteriores ainda estavam misturadas com seu elemento nativo; que então nossos espíritos encarnados viviam, moviam-se, conversavam e exerciam um arbítrio. Todas as inteligências que existem possuem certo grau de independência em sua própria esfera. Por exemplo, a abelha pode ir à vontade em busca de mel, ou permanecer na colmeia. Pode visitar uma flor ou outra, tão independente em sua própria esfera quanto Deus o é na Sua. Encontramos certo grau de independência em tudo o que possui algum grau de inteligência; que pensa, se move, ou age: porque o próprio princípio da ação voluntária implica uma vontade independente para dirigir tal ação. ¶
Entre as inteligências que existiam no princípio, algumas eram mais inteligentes do que outras, ou, em outras palavras, mais nobres; e Deus disse a Abraão: ¶
"A estes farei meus governantes!" ¶
Deus disse a Abraão: ¶
"Tu és um deles; foste escolhido antes de nasceres." ¶
Nobre! Usa Ele a palavra nobre? Sim; a palavra nobre, ou aquilo que a significava, foi usada em conversa entre Deus e Abraão, e aplicada a inteligências superiores sobre a terra, que haviam pré-existido nos céus. ¶
Estou ciente de que o termo é muito abusado, na Europa e em outros lugares, sendo aplicado àqueles que possuem títulos, e àqueles que herdam certos títulos e propriedades, sejam eles sábios ou tolos, virtuosos ou viciosos. Um homem pode até ser idiota, bêbado, adúltero, ou assassino, e ainda assim ser chamado de nobre pelo mundo. E tudo isso porque seu antepassado, por alguma ação meritória, ou talvez por ser hábil em assassinato e roubo, sob o falso brilho da "glória militar," obteve um título, e a posse de uma grande propriedade, da qual ajudara a expulsar o legítimo ocupante. ¶
Ora, o Senhor não baseou Seu princípio de eleição ou nobreza sobre uma ordem de coisas tão desigual, injusta e inútil. Quando Ele fala de nobreza, quer dizer simplesmente uma eleição feita, e um ofício ou título conferido, com base no princípio da superioridade do intelecto, ou da nobreza de ação, ou da capacidade de agir. E quando esta eleição, com seus títulos, dignidades e propriedades, inclui a posteridade ainda não nascida de um homem escolhido, como no caso de Abraão, Isaque e Jacó, é tendo em vista que os espíritos nobres do mundo eterno viriam através de sua linhagem, e seriam ensinados nos mandamentos de Deus. Daí os Profetas, Reis, Sacerdotes, Patriarcas, Apóstolos, e até mesmo Jesus Cristo, estarem incluídos na eleição de Abraão, e de sua semente, conforme lhe foi manifestado em um convênio eterno. ¶
Ainda que algumas inteligências eternas possam ser superiores a outras, e ainda que algumas sejam mais nobres, e consequentemente sejam eleitas para preencher certos ofícios úteis e necessários para o bem de outras, ainda assim tanto a maior quanto a menor podem ser inocentes, e ambas justificadas, e úteis, cada qual em sua própria capacidade; se cada qual magnificar seu próprio chamado, e agir dentro de sua própria capacidade, tudo está certo. ¶
Poder-se-ia indagar por que Deus fez um desigual a outro, ou inferior em intelecto ou capacidade. Ao que respondo que Ele não criou a inteligência deles de modo algum. Ela jamais foi criada, sendo um atributo inerente ao elemento eterno chamado espírito, elemento que compõe cada espírito individual, e que existe em uma infinidade de graus na escala do intelecto, em todas as variedades manifestadas no Deus eterno, e daí até o mais baixo agente, que age por sua própria vontade. ¶
É uma lei fixa da natureza que a inteligência superior preside sobre, ou tem mais ou menos influência sobre, ou controle de, aquela que é inferior. ¶
O Senhor, ao contemplar as inteligências eternas que se apresentavam diante dEle, encontrou algumas mais nobres ou intelectuais do que outras, que eram igualmente inocentes. Sendo assim, exerceu a prerrogativa eletiva sobre princípios sábios, e, como um pai bom e bondoso entre seus filhos, escolheu para governantes aqueles que eram mais capazes de beneficiar os demais. Entre estes estava nosso nobre antepassado, Abraão. ¶
Não retomo o assunto pelo meio, como o homem natural, que pouco sabe do passado ou do futuro, e que julga pelas coisas presentes diante de seus olhos. Um tal poderia supor que aconteceu que Abraão apareceu, e foi escolhido sem nenhuma referência particular ao passado, ou a princípios eternos, e foi eleito para o ofício; que poderia muito bem ter sido outra pessoa em seu lugar. Mas, ao contrário disso, ele foi escolhido antes de o mundo existir, e veio ao mundo exatamente para o propósito que cumpriu. Mas, apesar dessa pré-eleição, ao passar o véu e entrar em um tabernáculo de carne, tornou-se uma criancinha, esqueceu tudo o que já soubera nos céus, e recomeçou a receber inteligência neste mundo, como é o caso de todos. Foi, portanto, necessário que ele progredisse gradualmente, recebesse uma experiência, fosse provado e testado. E quando fora suficientemente provado segundo a carne, o Senhor lhe manifestou a eleição antes exercida para com ele no mundo eterno. Ele então renovou aquela eleição e convênio, e o abençoou, e a sua semente depois dele. E disse-lhe: ¶
"Multiplicando, te multiplicarei; e abençoando, te abençoarei." ¶
Os sodomitas, os cananeus, etc., receberam o inverso desta bênção. Em vez de lhes dar uma multiplicidade de esposas e filhos, Ele os exterminou, raiz e ramo, e apagou seu nome de debaixo do céu, para que houvesse um fim de uma raça tão degenerada. Ora, esta severidade foi uma misericórdia. Se fôssemos como o povo antes do dilúvio, cheio de violência e opressão; ou se nós, como os sodomitas ou cananeus, estivéssemos cheios de toda sorte de abominações sem lei, mantendo relações promíscuas com o outro sexo, e nos rebaixando ao nível da criação animal, e predispondo nossos filhos, por todos os meios ao nosso alcance, a se entregarem plenamente a desejos, apetites e paixões estranhos e antinaturais, não seria uma misericórdia sermos exterminados, raiz e ramo, e assim pôr fim ao nosso aumento sobre a terra? Todos direis que sim. Os espíritos no céu agradeceriam a Deus por impedi-los de nascer no mundo em tais circunstâncias. Não se regozijariam os espíritos no céu no convênio e nas bênçãos de Abraão, Isaque e Jacó, quanto à multiplicação de sua semente, e em cada esposa adicional que Deus lhes deu como meio de multiplicação? Sim, regozijar-se-iam; pois poderiam dizer — "Eis aqui uma oportunidade para tomarmos corpos na linhagem de uma raça nobre, e sermos educados na verdadeira ciência da vida, e nos mandamentos de Deus." Oh, que contraste indizível entre ser filho de Sodoma e ser filho de Abraão! ¶
Ora, Abraão, por sua anterior superioridade de inteligência e nobreza, por sua eleição anterior antes de o mundo existir, e por conduzir-se neste mundo de tal maneira que obteve a renovação da mesma segundo a carne, trouxe sobre sua posteridade, assim como sobre si mesmo, aquilo que os influenciará mais ou menos até as mais remotas gerações do tempo, e na eternidade. ¶
Paulo, o grande Apóstolo dos gentios, ao falar sobre este assunto, testifica que os filhos de Israel diferem muito em todos os sentidos dos gentios, pois a eles, diz ele: ¶
"pertencem a adoção, e a glória, e os convênios, e a lei, e o culto sagrado, e as promessas; dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é Deus sobre todos, bendito eternamente. Amém." ¶
Ele então prossegue a traçar os ramos peculiares em que a herança se perpetua. Abraão teve um filho, Ismael, e vários filhos por suas outras esposas e concubinas que o Senhor lhe deu. Todos podiam ser abençoados, mas as bênçãos peculiares da herança e do Sacerdócio permaneceram e se perpetuaram em Isaque. ¶
Novamente, quando Rebeca, esposa de Isaque, concebeu gêmeos, a eleição a estas bênçãos peculiares correu pela linhagem de Jacó, e não de Esaú. É verdade que Esaú era o primogênito, e era herdeiro da herança, que sempre pertence ao direito de primogenitura, mas a eleição para deter e perpetuar as chaves do Sacerdócio eterno era peculiar a Jacó, e mesmo aquilo que Esaú herdou foi perdido por transgressão, e por isso transferido a Jacó. ¶
O Senhor abençoou Ismael em muitas coisas, porque era semente de Abraão. O Senhor abençoou Esaú em muitas coisas, porque era filho de Abraão e Isaque, mas as coisas peculiares do Sacerdócio, pelas quais todas as nações seriam abençoadas, pertenciam exclusivamente àquele ramo peculiar dos hebreus que provinha de Jacó. ¶
Ora, antes que estas duas crianças nascessem, ou tivessem feito algum bem ou mal nesta vida, Deus, que os conhecia na vida anterior, e que sabia os graus de inteligência ou de nobreza que cada um possuía, revelou a Rebeca, mãe deles, que duas nações ou maneiras de povo surgiriam destes gêmeos, e que um povo seria mais forte do que o outro, e que o mais velho serviria ao mais novo. Quando estas duas crianças nasceram, e morreram, e quando sua posteridade se tornou duas nações, então o Senhor falou pelo Profeta Malaquias que amava a Jacó, por causa de algum bem que fizera, e que odiava a Esaú, e devastara suas montanhas, por causa de certos males especificados na mesma declaração. ¶
O Apóstolo Paulo, ao falar de Jacó e Esaú, cita a revelação a Rebeca, antes de eles nascerem, e a revelação a Malaquias depois que se tornaram duas nações; e as duas citações, ambas seguindo-se em conexão imediata nos escritos de Paulo, têm sido mal-entendidas por muitos, como se Deus tivesse revelado ambas as declarações antes de nascerem as duas crianças; e assim as Escrituras são torcidas e feitas dizer que Deus odiou uma criança antes de ela nascer, ou de ter feito algum bem ou mal. Dificilmente se poderia conceber uma doutrina mais falsa e errônea, ou sustentar uma acusação pior contra Jagrená, do que a imputação de odiar crianças antes de nascerem. ¶
Aqui indagaria eu: há algo inconsistente, ou depreciativo do caráter de um pai bom e imparcial, que ama todos os seus filhos, em ele eleger ou designar um deles para cumprir certo propósito ou chamado, e outro para cumprir outro chamado útil? Há algo de estranho em uma pessoa ser mais forte do que outra, em uma pessoa servir a outra, ou em uma pessoa ter uma posteridade mais numerosa do que outra? Há algo estranho ou injusto em uma pessoa ser agricultor, vinhateiro, ou construtor, e outra professor, governador, ou ministro de justiça e equidade? Que há de mais natural, mais útil, ou justo, do que um pai, ao descobrir as várias habilidades ou aptidões de seus filhos, designar-lhes seus vários chamados ou ocupações? ¶
Deus não disse que Jacó seria salvo no reino de Deus, e Esaú condenado ao inferno eterno, sem consideração alguma por seus atos; mas simplesmente disse que duas nações distintas, amplamente diferentes, surgiriam deles, e que uma seria mais forte do que a outra, e que o mais velho serviria ao mais novo. Se uma nação é mais forte do que a outra, pode ajudar a defender a outra. Se uma nação serve à outra, terá direito a uma justa remuneração pelos serviços prestados. Se um herda uma bênção ou Sacerdócio, pelo qual todas as nações serão abençoadas, certamente a nação composta pelos filhos de seu irmão terá uma reivindicação antecipada à salvação por meio deste ministério. Eu consideraria um grande privilégio se, enquanto eu servisse a meu irmão, e ambos participássemos dos frutos de meu trabalho, ele fosse eleito para um Sacerdócio, por cujo ministério eu mesmo e toda a minha posteridade, assim como a dele, pudéssemos ser ensinados, exaltados, e eternamente salvos. Por nosso trabalho mútuo, então, poderíamos ser mutuamente beneficiados no tempo e na eternidade. Eu administro a ele, e sou feliz. Ele administra a mim, e ele é feliz. É uma espécie de serviço mútuo, uma divisão de trabalho, em que cada um se dedica ao negócio mais natural a ele, e em que há benefício mútuo. Por que, então, eu haveria de censurar, ou nutrir inveja ou ódio para com meu irmão? Cultivar uma vinha, arar um campo, colher, ou construir, é tão necessário quanto ensinar, ou administrar as ordenanças da salvação; um age em uma capacidade, e o outro em outra, mas ambos são mutuamente abençoados e beneficiados por seus chamados e dotações separados. ¶
Quanto ao assunto do ódio, sinto-me muito como o Senhor se sentiu quando odiou a Esaú, e devastou suas montanhas. Quando os filhos de Jacó estavam em dificuldades com seus inimigos, os descendentes de Esaú se juntaram ao inimigo, e não permaneceram ao lado de seus irmãos. Quando Jacó estava impopular, e as nações o odiavam por causa das peculiaridades de sua religião, Esaú abandonou seu irmão e negou o parentesco, associando-se aos perseguidores de seu irmão. Também odeio um traidor, que se volta contra mim em dia de adversidade, quando tenho sobre ele a reivindicação de irmão. ¶
Mas voltemos ao assunto da eleição, e da herança. Na linhagem de Abraão, Isaque e Jacó, segundo a carne, se manteve o direito de herança às chaves do Sacerdócio, para as bênçãos e a salvação de todas as nações. Desta linhagem surgiram os Profetas, João Batista, Jesus, e os Apóstolos; e desta linhagem surgiu o grande Profeta e restaurador dos tempos modernos, e os Apóstolos que detêm as chaves sob sua mão. É verdade que Melquisedeque e os pais antes dele detinham o mesmo Sacerdócio, e que Abraão foi ordenado e abençoado sob sua mão, mas isso foi um ramo mais antigo da semente escolhida. Falo mais plenamente daqueles que viveram desde que os ramos mais antigos desapareceram, e desde a transferência das chaves a Abraão e sua semente. Nenhum ismaelita, nenhum edomita, nenhum gentio teve, desde então, o privilégio de deter as chaves presidentes do Sacerdócio, ou do ministério da salvação. Nesta linhagem peculiar, e em nenhuma outra, deveriam todas as nações ser abençoadas. Desde os dias de Abraão até agora, se o povo de qualquer país, era ou nação, foi abençoado com as bênçãos peculiares do convênio eterno do Evangelho, seus poderes seladores, Sacerdócio, e ordenanças, isso se deu por meio do ministério daquela linhagem, e das chaves do Sacerdócio detidas pelos herdeiros legítimos segundo a carne. Eram os doze Apóstolos que Cristo ordenou, gentios? Era algum deles ismaelita, edomita, cananeu, grego, egípcio, ou romano por descendência? Não, em verdade. Um dos Doze foi chamado "cananeu," mas isto não poderia aludir a sua linhagem, mas antes à localidade de seu nascimento, pois Cristo não foi comissionado para ministrar pessoalmente aos gentios, muito menos para ordenar algum deles ao Sacerdócio, que pertencia aos filhos de Abraão. Arriscaria minha alma no fato de que Simão, o Apóstolo, não era cananeu por sangue; era talvez cananeu pelo mesmo princípio pelo qual Jesus era nazareno, o que expressa a localidade de seu nascimento ou residência. Mas nenhum homem pode deter as chaves do Sacerdócio ou do Apostolado, para abençoar ou administrar salvação às nações, a menos que seja descendente literal de Abraão, Isaque e Jacó. Jesus Cristo e seus antigos Apóstolos de ambos os hemisférios eram dessa linhagem. Quando desapareceram, e os Santos, seus seguidores, foram destruídos da terra, então a luz da verdade não mais brilhou em sua plenitude. ¶
O mundo tem, desde aquele dia até este, fabricado sacerdotes, sem nenhuma consideração particular à linhagem. Mas o que realizaram? Fizeram o que o homem podia fazer; mas o homem não podia conferir aquilo que não possuía, consequentemente não podia conferir as chaves eternas de poder que constituiriam o Sacerdócio. Fabricaram algo, e chamaram-no de Sacerdócio, e o mundo tem sido amaldiçoado com isso até este dia. ¶
Mas Deus Todo-Poderoso, no cumprimento dos convênios feitos com Abraão, Isaque e Jacó, e com os Profetas, Apóstolos e Santos de outrora, levantou um José, e conferiu-lhe os antigos registros, oráculos, e chaves do Sacerdócio eterno. Se ele fosse o impostor que o mundo o considerava, por que não lhe ocorreu declarar em seu livro que era descendente dos romanos, ou que descendia dos lombos de Sócrates, ou que provinha de algum dos filósofos gregos, ou generais romanos? Por que não descendente de alguma casa nobre dos reis ou nobres gentios? Como éramos ignorantes das peculiaridades da eleição e da herança ao real Sacerdócio, por que o Livro de Mórmon não predisse que um nobre gentio seria o instrumento para recebê-lo e traduzi-lo nos tempos modernos, para que, por meio dos gentios, os judeus pudessem obter misericórdia? É verdade que o livro foi trazido à luz e publicado entre os gentios; é também verdade que vem dos gentios a Israel, falando racionalmente; mas quando prediz o nome e a linhagem de seu tradutor moderno, "Eis que ele é descendente de José do Egito," por que haveria um suposto impostor de ser consistente nisto tanto quanto em todos os outros itens? A razão é óbvia. É porque o registro é verdadeiro, e seu tradutor não é impostor. ¶
Conhecendo os convênios e promessas feitos aos pais, como agora os conheço, e os direitos de herança ao Sacerdócio, conforme manifestados na eleição de Deus, jamais aceitaria eu como Apóstolo ou Sacerdote, detentor das chaves da restauração para abençoar as nações, alguém que reivindicasse pertencer a qualquer outra linhagem que não Israel. ¶
A palavra do Senhor, por meio de nosso Profeta e fundador, aos instrumentos escolhidos do Sacerdócio moderno, foi esta: ¶
"Sois herdeiros legais segundo a carne e fostes escondidos do mundo com Cristo, em Deus." ¶
Isto é, foram mantidos em reserva durante o reinado da Mística Babel, para nascerem no devido tempo, como sucessores dos Apóstolos e Profetas de outrora, sendo seus filhos, da mesma linhagem real. Vieram, por fim, como herdeiros das chaves do poder, do conhecimento, da glória e da bênção, para ministrar a todas as nações dos gentios, e depois restaurar as tribos de Israel. São do sangue real de Abraão, Isaque e Jacó, e têm direito a reivindicar a ordenação e as investiduras do Sacerdócio, na medida em que se arrependam, e obedeçam ao Senhor Deus de seus pais. ¶
Aqueles que não são desta linhagem, sejam gentios, edomitas, ou ismaelitas, ou de qualquer que seja a nação, têm direito à remissão dos pecados e ao Dom do Espírito Santo, por meio de seu ministério, sob condições de fé, arrependimento e batismo, em nome de Jesus Cristo. Por meio deste Evangelho, são adotados na mesma família, e contados como semente de Abraão; podem então receber uma porção deste ministério sob aqueles (descendentes literais) que detêm as chaves presidentes do mesmo. ¶
Ao obedecer ao Evangelho, ou por adoção por meio do Evangelho, todos nós nos tornamos coerdeiros com Abraão, e com sua semente, e seremos, pela perseverança em fazer o bem, todos abençoados em Abraão e em sua semente, não importa se descendemos de Melquisedeque, de Edom, de Ismael, ou se somos judeus ou gentios. Sobre os princípios da adoção do Evangelho, a bênção é ampla o bastante para reunir todo o povo bom, penitente e obediente sob suas asas, e estender a todas as nações os princípios da salvação. Convidaríamos, portanto, mais cordialmente todas as nações a se unirem a esta linhagem favorecida, e a virem com toda humildade e penitência ao seu real Sacerdócio, se desejarem ser instruídas e abençoadas, pois serem abençoadas neste sentido peculiar de qualquer outra forma, ou por quaisquer outras instituições ou governo, não podem, enquanto valerem as promessas e convênios de Deus para a semente eleita. ¶
Convertei-vos de todos os vossos pecados, ó gentios; convertei-vos de todos os vossos pecados, ó povo da casa de Israel, ó edomitas, judeus, e ismaelitas; todas as nações da terra, e vinde ao Sacerdócio legítimo, e sede abençoados. A promessa é para cada um e todos vós; não a rejeiteis. As chaves do reino, do governo, do Sacerdócio, do Apostolado; as chaves da salvação para edificar, governar, organizar, e administrar a salvação temporal e espiritual até os confins da terra, estão agora restauradas, e detidas pelos instrumentos escolhidos desta linhagem. ¶
Falei em capacidade nacional e em princípios gerais. Quanto à herança individual e aos direitos de pais, mães, maridos, esposas, filhos, filhas, etc., não tenho o poder, ainda que tivesse o tempo, de tornar o assunto mais claro do que nosso Presidente o fez outro dia. Cabe-nos aprender cada vez mais, dia após dia, e continuar a aprender e praticar aqueles princípios e leis que assegurarão a cada indivíduo e família seus direitos, segundo a antiga ordem do governo de Deus, que agora está sendo restaurada. ¶
Os oráculos vivos, ou o Sacerdócio em nosso meio, podem desenvolver estes princípios de tempos em tempos, conforme deles necessitemos, pois eles ministram nas coisas sagradas, e em breve entrarão conosco no santo templo, onde poderemos aprender mais plenamente; e se ainda formos deficientes, desfrutarão conosco os grandes mil anos em que ensinar, qualificar e preparar-nos para a eternidade. ¶
Precisamos aprender mais plenamente o relacionamento que mantemos com nossas famílias, com a comunidade, com as nações da terra, com a casa de Israel, com o céu, com a terra, com o tempo, e com a eternidade. Precisamos aprender mais plenamente a cumprir os deveres desses relacionamentos. Devemos aprender por graus. A verdade não é toda contada de uma vez, nem aprendida em poucos dias. Um pouco foi desenvolvido por nosso Presidente outro dia, do que muito nos alegramos; havemos de guardá-lo, e, conforme as circunstâncias o exigirem, receberemos um pouco mais, até que, por graus, se aprenda a lei de Deus daqueles que detêm as chaves, mesmo cada item que pertence a nossos próprios direitos, e aos direitos de nossos filhos, para que não usurpemos os de outrem. Deste modo, todo o povo bom sobre a terra, no mundo espiritual, ou no mundo das ressurreições, poderá tornar-se um em amor, paz, boa vontade, pureza e confiança, e em guardar as leis de Jesus Cristo e do santo Sacerdócio. Se cada pessoa tem o conhecimento e a disposição de fazer o certo, e então o faz continuamente, mesmo como desejaria que outros lhe fizessem, isto não apenas dará a cada um seu direito, mas criará a mais absoluta confiança, amor e boa vontade, pelos quais se poderá formar uma união perfeita entre uns e outros, e com todos os bons espíritos e anjos, e, finalmente, com Jesus Cristo e Seu Pai, pelos séculos dos séculos. Amém. ¶