Pulpit

Deveres e Privilégios — Sacrifício — Confiança — Linguagem — Organização e Desorganização — Tomar Esposas

Brigham Young

1853-02-27

Levanto-me para fazer algumas observações, sobre o assunto de que o irmão Hyde estava falando, a respeito dos privilégios dos santos. Penso que ele demonstrou claramente que os privilégios estão, em certa medida, desligados dos deveres; e ainda que não os exerçamos em tudo o que poderíamos, mesmo assim, não cairemos sob condenação por essa negligência.

Os privilégios dos santos de Deus, e que são concedidos aos habitantes da terra, estão fundados nos princípios da verdade e da retidão; mas muitas pessoas os usam para sua própria condenação; contudo, se soubessem como recebê-los e agir sobre eles, não haveria condenação, mas ao contrário, uma bênção. Esta observação se aplica não apenas ao privilégio da dança (pois assim é), do qual se falou nesta manhã, mas a todos os outros atos e privilégios que existem, e que ainda não são especificamente apontados por revelação como deveres ou exigências. Todas as bênçãos desta natureza devem ser usadas como tal, com discernimento, pelos santos, e sobre princípios retos.

Quais são os privilégios dos santos nestes vales? São eles restringidos em algo? Não podem eles acumular riqueza negociando uns com os outros, com os emigrantes, cultivando o solo, criando gado, indo às minas e escavando ouro -- em suma, seguindo qualquer e toda ocupação para aumentar em riqueza, e acumular para si as coisas deste mundo? Ainda mais, se desejarem agir sobre princípios injustos, podem tirar vantagem da necessidade de seu vizinho, cobrar preços extorsivos por prestar qualquer pequena assistência ou serviço, e depois de assim encherem desonestamente suas bolsas, ir à mesa de jogo, ou à taverna, e gastá-lo embriagando-se, e rolando pelas ruas. Quase incontáveis, na verdade, são os privilégios e bênçãos da família humana, e seus abusos igualmente extensos.

Mas quando as bênçãos e privilégios devem ser usados pelos santos, deveria ser de modo a não trazer condenação. Sobre qual princípio, quando, e onde podemos usá-los? Tenho o privilégio de me associar com meus irmãos e irmãs na dança. Quando posso fazer isso sem abusar deste privilégio, e assim trazer condenação sobre mim mesmo? Respondo, é quando tiver cumprido todo ato, todo dever que me incumbe, quando todo trabalho e exigência necessários forem cumpridos, quando tiver servido a meu Deus e a meus irmãos, quando tiver realizado todo ato que se exige de mim, até que nada reste a fazer, senão deitar-me e descansar, buscar recreação, então se torna meu legítimo privilégio, e não antes. Temo que isto seja bem diferente da prática de muitos. Eu também, tanto quanto outros, poderia agir sobre princípios injustos, se quisesse, e negligenciar meus deveres pertencentes à vida e à salvação.

Suponde que fordes a algumas das alas e disserdes, "conseguimos alguma música, vamos à escola e façamos uma dança." "Ah, sim!" é a resposta imediata, e imediatamente se preparam, aprontam seus filhos e filhas, e, deixando todos os deveres importantes pertinentes ao seu bem-estar aqui e no futuro sem atender, enchem a casa até transbordar. Irmãos, usareis estes privilégios para vossa própria destruição, se não tiverdes cuidado. Sim, poderíeis ter uma casa cheia, dançando ao som de festividades e música; mas, por outro lado, suponde que vosso convite seja a vosso vizinho, "Vinde, irmãos, irmãs, teremos uma reunião de oração ali na escola. Ireis? Vireis? Não para dançar, mas para orar!" "Bem, realmente, não vejo como posso; meu trabalho não está terminado; ainda tenho algumas tarefas [pequenos afazeres domésticos] a fazer; concordei em ir à casa de um vizinho por negócios; um vizinho prometeu visitar-me esta noite, e não posso bem sair. Gostaria muito de ir, mas realmente não vejo como posso hoje à noite." Em suma, desculpas não faltam. Digo-vos, meus irmãos, e a mim mesmo, se tomarmos este caminho, a condenação é nosso destino, nós nos arruinaremos, condenaremos a nós mesmos, e o Senhor Todo-Poderoso nos julgará por nossa própria boca. Este é o relato tal como é. Não é para nenhum de nós desfrutar do privilégio da dança, ou de qualquer outra recreação, até que todo dever que nos é imposto seja cumprido.

Não posso, legitimamente, ter o privilégio de exercer-me perfeitamente independente de meus irmãos, até ter cumprido toda exigência que puseram sobre mim; o mesmo se aplica a vós e a todos os santos.

Pergunto aos irmãos, orais antes de irdes a estas danças? Quando voltais, não estais cansados, fatigados, e não está vossa mente cheia de tolices, de modo que não desejais orar; e finalmente, não concluís que deveis esperar, adiar até de manhã? Este abuso deste privilégio, desta bênção, trará condenação a milhares; e não apenas isto, mas todos os privilégios desta vida, se não forem sabiamente usados.

Quando fordes divertir-vos, ou recrear-vos de qualquer maneira que seja, se não puderdes desfrutar do Espírito do Senhor ali e então, como o faríeis em uma reunião de oração, deixai aquele lugar; e não retorneis a tais divertimentos ou recreações, até que tenhais obtido o domínio sobre vós mesmos, até que possais comandar as influências ao vosso redor, para que possais ter o Espírito do Senhor em qualquer situação em que possais estar. Então, e não antes, torna-se o privilégio de vós, de mim, ou de qualquer dos santos, unir-se às festividades destinadas por nosso Criador para nossa recreação. Desejo que vos lembreis disto; e para que o façais, repito que não é vosso legítimo privilégio ceder a nada em forma de divertimento, até que tenhais cumprido todo dever, e obtido o poder de Deus para vos permitir resistir e enfrentar todos os espíritos imundos que possam vos atacar, e vos desviar; até que tenhais domínio sobre eles, e por vossa fé, obtida por meio de oração e súplica, as bênçãos do Espírito Santo, e que ele repouse sobre vós, e permaneça continuamente convosco.

Jamais podereis obter meu consentimento para vos engajardes em divertimentos e recreações, até que estejais nesta situação, até que sejais exercitados e influenciados pelo Espírito do Senhor nosso Deus. Ouvi isto, todos vós, Santos dos Últimos Dias! Passareis o tempo de vossa provação em vão, e desperdiçareis vossa existência e ser? Fostes organizados, e trazidos à existência, com o propósito de perdurar para sempre, se cumprirdes a medida de vossa criação, seguirdes o caminho certo, observardes as exigências da lei celestial, e obedecerdes aos mandamentos de nosso Deus. É então, e apenas então, que podeis esperar que a bênção de vidas eternas vos seja conferida. Ela não pode ser obtida por nenhum outro princípio. Compreendeis que deixareis de existir, que chegareis a um fim completo, ao seguir o curso oposto?

Os privilégios e bênçãos dos santos do Deus Altíssimo são muitos. Sim! Tudo o que há no céu e na terra -- reinos, tronos, principados, poderes, alturas, profundezas, coisas presentes e coisas por vir; com tudo o que podeis ver, ouvir ou pensar, perceber ou contemplar; tudo no céu, na terra, ou no inferno, é para vossa glória, exaltação e excelência, se por vossas vidas honrardes o Sacerdócio que vos foi conferido; e, no tempo próprio, tudo se tornará subserviente a vós, mas não antes disso. Mas se vos submeterdes a servir vossos próprios sentimentos, e se não desejardes edificar o reino de Deus, e santificar vossos corações, eles vos conduzirão a ficar eternamente sujeitos a isso -- sujeitos ao poder que vos afligirá e atormentará, e eventualmente vos levará à destruição; ao passo que, se seguirdes o curso oposto, esses sentimentos e paixões se tornarão sujeitos a vós; sereis capazes de governá-los e controlá-los, e fazê-los vos servir, e servir ao objeto e desígnio para o qual foram plantados em vosso seio.

Frequentemente tenho olhado para indivíduos que passam de um lado a outro por nosso Território, e os ouvi dizer, "Estes são os mórmons alegres; estes são os mórmons jubilosos, nunca vi tal sociedade!" Por que é isso? Simplesmente porque desfrutam de si mesmos, porque têm tanto conforto.

É um homem um santo, que entra na Igreja de Deus sob tais influências, meramente porque os santos parecem estar felizes? Não, não é. Ninguém pode ser um santo, a menos que receba o santo evangelho, pela pureza, justiça, santidade e duração eterna dele. Tudo o mais tende à decadência, à separação, à aniquilação; não, não aniquilação, como usamos o termo em português, não há tal princípio em toda a eternidade, mas dissolução ou decomposição.

Ora, vós, élderes que compreendeis os princípios do reino de Deus, o que não daríeis, faríeis, ou sacrificaríeis, para ajudar a edificar Seu reino sobre a terra? Diz um, "faria qualquer coisa que estivesse em meu poder, qualquer coisa que o Senhor me ajudasse a fazer, para edificar Seu reino." Diz outro, "sacrificaria toda a minha propriedade." Maravilhoso, de fato! Não sabeis que a posse de vossa propriedade é como uma sombra, ou o orvalho da manhã diante do sol do meio-dia, que não podeis ter nenhuma garantia de seu controle por um único momento! É a mão invisível da Providência que a controla. Em suma, o que não sacrificaríeis? Os santos sacrificam tudo; mas, estritamente falando, não há sacrifício algum nisso. Se derdes um centavo por um milhão em ouro! um punhado de terra por um planeta! uma morada temporária e gasta por uma glorificada, que existirá, permanecerá, e continuará a aumentar por toda uma eternidade sem fim, que sacrifício, de fato!

Muitos, sem dúvida, considerariam um grande sacrifício ser chamados a ir em missão por alguns anos; deixar esposa, filhos, amigos, lares confortáveis, viajar talvez a pé, enfrentar tempestades no mar, estar em perigos em terra em meio a turbas, e ser odiado por todos os homens. É verdade que poderíamos considerar isto um grande sacrifício, e ainda assim os homens fazem tudo isso, e mais -- arriscam suas próprias vidas em seu empreendimento para obter ouro, para seguir os atrativos do prazer. E não deveriam os santos do Deus Altíssimo estar mais dispostos, mais ansiosos para promover a causa de sua santa religião, devotando-se a si mesmos, sua influência, propriedade, e, se necessário, sua existência, do que os devotos da moda, os devotos da riqueza e do prazer, e de meros objetos sensuais e temporários de ganho ou engrandecimento mundano? Verdadeiramente vos digo, se não o fizerdes, e se tiverdes um espírito que busca as vaidades levianas, vãs e tolas do mundo, as coisas pertinentes apenas à gratificação dos sentimentos presentes, paixões e desejos egoístas, e não tiverdes espírito de oração e súplica, não puderdes nem sentirdes exercer um interesse acima de todos os outros, pela causa da verdade, meu conselho e recomendação a todos esses é, ide diretamente às minas de ouro da Califórnia, e procurai por ouro, pois podeis estar certos de que quantos tiverem esse espírito correrão como seus sentimentos injustos os impelirem ou ditarem. Sim! Ide à região do ouro, e não venhais pedir meu conselho sobre isso, se estou disposto a que vades ou não, pois não apenas estou disposto a que partais, mas ansioso para que o façais o quanto antes.

Se não amardes a Deus, e Sua causa, mais do que tudo o mais, e não puderdes com bom coração e mão disposta, edificá-la sobre a terra; se não vos arrependerdes de vossas loucuras, e obtiverdes o Espírito da verdade em vós, de modo a amá-lo, e sentir disposição a sacrificar tudo por ele, não podereis edificar o reino de Deus.

Confiança, irmãos, confiança em nosso Deus, e uns nos outros, é o texto que dei aos Doze e a todos os demais que pregaram no último sábado, para pregarem a respeito. Os Doze receberam missões para pregar ao povo nestes vales, em seus vários locais, na última Conferência; e creio que têm sido razoavelmente fiéis, sob a direção do Presidente de seu Quórum, o irmão Hyde. Que agora preguem a partir deste texto, Confiança; e que todo o povo aja segundo seus princípios, e note quando e onde ela começará e terminará, e vede se não estabelecemos tal confiança nesta comunidade, entre este povo, como nunca existiu, nem jamais existirá sobre a terra, em nenhuma comunidade de pessoas senão santos. Poderia dizer que já a temos; mas penso que um aumento de fé em nosso Deus, e de confiança uns nos outros, é desejável. Se pudéssemos obter aquela fé e confiança uns nos outros, e em nosso Deus, que quando pedíssemos um favor, pudéssemos fazê-lo com plena garantia e conhecimento de que o receberíamos, não percebeis que isso nos levaria diretamente a fazer aos outros como gostaríamos que nos fizessem, em toda transação e circunstância da vida. Isso nos impeliria a fazer, não apenas tanto quanto solicitado, mas mais. Se vosso irmão vos pedisse que andásseis uma milha com ele, andaríeis duas; se ele vos processasse por vosso casaco, dar-lhe-íeis também vossa capa. Este princípio nos impele a fazer tudo o que pudermos para promover o interesse uns dos outros, a causa de Deus na terra, e o que quer que o Senhor deseje que façamos; nos torna prontos e dispostos a cumpri-lo de imediato. Precisa-se da linguagem dos anjos para expressar nossas ideias, para conversarmos uns com os outros de modo a sermos perfeitamente compreendidos. Quando vemos e compreendemos as coisas no Espírito, muitas vezes percebemos uma incapacidade absoluta de simplificá-las e dizê-las em nossa língua, a outros; embora possamos receber princípios, e transmitir os mesmos a outros, em certa medida. Seria grande consolo para mim, uma vez que a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus, se eu tivesse linguagem para expressar meus sentimentos. Nenhum homem pode dizer tudo o que pode ver no Espírito, quando a visão do Espírito está sobre ele. Pode ver e compreender apenas no Espírito. Não pode dizê-lo, ainda assim muitas coisas podem ser dadas, em parte, a outros.

Pensei, enquanto o irmão Rich falava sobre certos princípios, quão belo, quão satisfatório seria para os santos, se pudessem conversar em uma linguagem pura; se pudessem ter a linguagem dos anjos com a qual se comunicar uns com os outros. Contemplei os princípios pertinentes à salvação -- os princípios que tenho procurado apresentar-vos; os atos dos homens, e como deveriam ser ordenados diante de seu Deus. Diria simplesmente, devemos atender aos deveres que nos são impostos, antes de desfrutarmos de nossos privilégios.

Que princípio isso transmite às vossas mentes? Nenhum, a menos que vossas mentes estejam abertas, e iluminadas pelas visões do Espírito Santo. Os princípios da verdade são eternos. A mente perguntaria de imediato, o que é verdade? É qualquer coisa, princípio, ou fato que realmente tem existência. Se uma falsidade, ainda assim é verdade que a falsidade existe. É tão verdade que demônios existem, quanto que Deuses existem.

Diz Jesus, "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida." O diabo também diz, "Eu sou, eu existo"; e consequentemente, pela mesma regra, "eu sou a verdade." Quão distante isso está do que o Senhor revela por Seu Espírito Santo! Jesus Cristo, Seu Pai antes dele, todos os fiéis, os Deuses da eternidade, e todos os elementos organizados, foram organizados com o propósito expresso de serem exaltados a um aumento eterno; ou suponhamos que eu diga, à verdade eterna. Isso transmitiria às vossas mentes que o diabo, por ser verdade que ele existe, poderia alcançar o mesmo poder e exaltação? Suponde que admitamos a ideia de que veremos o tempo em que poderemos combinar e organizar elementos, trazer mundos à existência, redimi-los, e elevá-los à glória eterna, meramente dizendo -- "eu sou a verdade." Como citado antes, "Jesus é o caminho, a verdade, e a vida." Podemos voltar-nos e dizer -- Satanás é o caminho, a verdade, e a morte; ou o caminho, e a falsidade. Podeis perceber a diferença? Mas dizer que Jesus Cristo é o caminho, a verdade, e a vida, equivale a dizer que ele é a única existência contínua ou eterna. O Senhor Jesus Cristo opera sobre um plano de aumento eterno, de sabedoria, inteligência, honra, excelência, poder, glória, majestade e domínio, e os atributos que enchem a eternidade. Sobre qual princípio opera o diabo? É destruir, dissolver, decompor, e despedaçar. O princípio da separação, ou desorganização, é tanto um princípio eterno, tanto uma verdade, quanto o da organização. Ambos sempre existiram e sempre existirão. Posso apontar-vos a diferença nestes princípios, e mostrar clara e satisfatoriamente o benefício, a propriedade, e a necessidade de agir sobre um, mais do que sobre o outro? Tentarei à minha maneira, tão brevemente quanto puder. É claro para mim, mas podeis compreendê-lo?

Em primeiro lugar, a matéria é eterna. O princípio da aniquilação, de riscar da existência algo que existiu, ou que teve ser, de modo a deixar um espaço vazio que aquela coisa ocupava, é falso, não há tal princípio em toda a eternidade. O que existe? A matéria é eterna. Cultivamos nosso trigo, nossos frutos, e nossos animais. Ali estão organizados, aumentam e crescem; mas, depois de um tempo, decaem, dissolvem-se, tornam-se desorganizados, e retornam à sua mãe terra. Não importa por qual processo, estas são as revoluções pelas quais passam; mas os elementos das partículas de que eram compostos ainda existem, sempre existiram, e sempre existirão, e por meio deste princípio de mudança, temos um aumento eterno.

Mas Satanás opera sobre o princípio oposto; procura destruir, aniquilaria se pudesse, mas apenas decompõe, desorganiza. Permiti-me perguntar qual foi sua maldição? Foi que ele não deveria mais aumentar, mas chegar a um fim.

Quando cheguei à porta do tabernáculo, nesta manhã, ouvi o irmão Rich contando sobre um terço das hostes celestiais se revoltando contra o governo de Jeová. Esta foi sua maldição -- jamais ter tabernáculos em que habitar. Existem agora em espírito, mas jamais terão um corpo, nem serão exaltados; não terão adição alguma a sua existência; enquanto aqueles que não se rebelaram puderam ter tabernáculos, e, por meio da ressurreição, tornar-se personagens tabernaculados no mundo eterno. Ali está, de um lado, e do outro. Podeis agora ver o benefício, a propriedade de obedecer aos princípios que conduzem a vidas eternas, exaltações, e aumento; e por que Jesus Cristo tem tanto mais poder que Satanás. O poder do maligno está além da concepção do homem; sua astúcia sagaz, e maneiras sedutoras de se insinuar e introduzir-se em uma comunidade, um indivíduo. Isto é para obter, se possível, um tabernáculo, o qual, embora emprestado, ainda assim aumenta seu poder, enquanto ele puder manejá-lo a seu propósito; e se falhar nisso, e em atrair para o mal, então seu objetivo é decompor, destruir, para que o bom poder, a boa influência, possa, como ele mesmo, tornar-se despojada do poder pertinente a um espírito incorporado.

O Senhor opera sobre os princípios de continuar a organizar, de acrescentar, de reunir, de trazer à existência, de aumentar e espalhar-se; enquanto o poder oposto não o faz. Isto mostra a natureza de sua oposição àquele traço peculiar do cristianismo, baseado nos princípios da duração eterna, do aumento, do poder, da glória, e da exaltação; e aponta a diferença entre os dois poderes adversos.

Novamente, por que amais a verdade? É porque podeis descobrir uma beleza nela, porque é afim a vós; ou porque pensais que ela vos fará governante, ou senhor? Se imaginais que alcançareis poder por tal motivo, estais muito enganados. É um truque do poder invisível, que anda por toda parte entre os habitantes da terra, que os desvia, prende suas mentes, e subverte seu entendimento.

Suponde que nosso Pai nos céus, nosso irmão mais velho, o Redentor ressuscitado, o Salvador do mundo, ou qualquer dos Deuses da eternidade, agissem sobre este princípio, de amar a verdade, o conhecimento, e a sabedoria, porque são todo-poderosos, e com a ajuda deste poder pudessem enviar demônios ao inferno, atormentar o povo da terra, exercer soberania sobre eles, e torná-los miseráveis a seu bel-prazer; deixariam de ser Deuses; e à medida que adotassem e agissem sobre tais princípios, tornar-se-iam demônios, e seriam lançados abaixo em um piscar de olhos; a extensão de seu reino cessaria, e sua Divindade chegaria a um fim.

Linguagem, para transmitir toda a verdade, não existe. Mesmo na Bíblia, e em todos os livros que foram revelados do céu ao homem, a linguagem falha em transmitir toda a verdade tal como é. Verdade, sabedoria, poder, glória, luz e inteligência existem sobre suas próprias qualidades; não existem, nem podem existir, sobre nenhum outro princípio. A verdade é afim a si mesma, e a luz se apega à luz, ela busca a si mesma, e se agarra a isso. É o mesmo com o conhecimento, e a virtude, e todos os atributos eternos; eles se seguem e se atraem mutuamente. A misericórdia se apega à misericórdia, porque é misericórdia; a luz à luz, porque é luz, e não há trevas, nem engano, nem falsidade nela. A verdade se apega à verdade, porque é verdade; e deve ser adorada, porque é um atributo de Deus, por sua excelência, por si mesma. É sobre este princípio que estes princípios devem ser mantidos, estimados, praticados. Quaisquer pessoas, homens ou mulheres, que não recebem estes princípios pelo amor que lhes devotam, por sua beleza, excelência, e glória; e porque são afins a seus sentimentos sobre este princípio, não são santos! Existem sobre sua própria base, e repousam sobre seu próprio fundamento. A justiça eterna, a misericórdia, o amor, e a verdade, jamais podem ser abalados; são atributos que correspondem, e são afins uns aos outros; promovem-se mutuamente, fortificam os céus, os Deuses, e aquilo que os Deuses possuem.

Ora, olhai para o lado oposto destes princípios. Suponde que digais, "Abandonaremos os afazeres de nossa santa religião. Não somos Santos dos Últimos Dias. Vamos buscar as coisas do mundo, especular, adquirir riquezas para nós mesmos, afastar-nos de nossos deveres, negligenciar as coisas pertinentes à nossa salvação, ir com os levianos, os frívolos, os buscadores de ouro, à Califórnia, à Austrália, ou a outro lugar, com o propósito de adquirir riqueza." Digo-vos o resultado desse caminho. Deixaríeis de aumentar em todos os atributos de excelência, glória, e duração eterna, a partir daquele mesmíssimo momento. Assim que concebeis tais ideias, encontram em vós um solo preparado para nutri-las, e isso produz seus efeitos funestos; a partir daquele mesmíssimo momento deixais de aumentar. O princípio oposto vos apreende, se prende a vós, e vós diminuís, minguais, decaís, e vos desgastais em qualidade, excelência, e força, até que vossa organização se extinga, o esquecimento vos cubra, vosso nome seja apagado do Livro da Vida, dos céus, da terra, e de debaixo da terra, e retornareis, e afundareis em vosso elemento natural, que não pode ser destruído, embora muitos leiam a Bíblia como transmitindo tal ideia, mas ela não o faz.

O princípio oposto ao do aumento eterno desde o princípio, conduz ao inferno; a pessoa diminui, perde seu conhecimento, tato, talento, e por fim, em um curto período de tempo, se perde; retorna à sua mãe terra, seu nome é esquecido. Mas onde, oh, onde está seu espírito? Não tomarei agora o tempo para seguir seu destino; mas aqui, linguagem forte poderia ser usada, pois quando o Senhor Jesus for revelado, após o término do descanso dos mil anos, ele convocará os exércitos do céu para o conflito, virá em fogo flamejante, descerá para executar os mandatos de um Deus indignado, e, em meio aos trovões da ira da Onipotência, enrolará os céus como um pergaminho, e destruirá a morte, e aquele que tem o poder dela. Os rebeldes serão lançados de volta a seu elemento nativo, ali permanecendo por miríades de anos antes que seu pó seja novamente reavivado, antes que sejam reorganizados. Alguns poderiam argumentar que este princípio conduziria à reorganização de Satanás, e de todos os demônios. Nada digo sobre isso, senão o que o Senhor diz -- que quando vier, "destruirá a morte, e aquele que tem o poder dela." Não pode ser aniquilada; não podeis aniquilar a matéria. Se pudésseis, isso provaria que houve espaço vazio. Se os filósofos pudessem aniquilar a menor quantidade concebível de matéria, poderiam então provar que houve o mais mínimo vácuo, ou espaço vazio; mas não há sequer isso, e está além do poder do homem provar que há algum.

Irmãos, por que amais a verdade? É porque ela vos dá o poder, a autoridade do Sacerdócio? É porque vos faz governantes, reis, e sacerdotes de nosso Deus, e vos dá grande poder? Há homens professando ser santos, mesmo nesta congregação, ao alcance de minha voz, que sentem quão todo-poderosos se tornaram. Eles vos amaldiçoarão, se não virdes por bem cumprir seus desejos. Muitos homens têm sentimentos em seu coração para com suas esposas, de que se elas não fizerem precisamente como desejam, para realizar isto ou aquilo, os amaldiçoarão. Que coisas maravilhosas vão fazer! "Se não obedeceres à minha voz, ao meu conselho, enviar-te-ei ao inferno, e girarei as chaves sobre ti, para que nunca! Nunca jamais! sejas libertada." Irmãs, tanto valeria darem ouvidos ao estalar de espinhos sob a panela, ao pássaro ocioso que passa, ou ao grasnar de um grou, no que tange ao seu Sacerdócio. Estais seguras, se apenas mantiverem as mãos longe de vós; deixai-os amaldiçoar. Isso me lembra um provérbio que os árabes têm, de que "as maldições são como pintinhos, ainda voltarão para casa para se empoleirar."

É por isso -- é porque isso vos dá tão grande poder e autoridade, que amais a verdade? Que isso vos dá poder para amaldiçoar vossos vizinhos, os filhos de vossos vizinhos, seu gado, e tudo ao vosso redor? Que todos esses vão embora para seu próprio lugar, para a Califórnia, pela rota do norte; não para San Bernardino, no local dos irmãos Lyman e Rich, pois já têm demônios suficientes ali; mas ide para o mundo, inteiramente longe dos santos, e quanto mais cedo melhor.

Os homens devem agir sobre o princípio da retidão, porque é certo, e é um princípio que amam estimar e ver praticado por todos os homens. Devem amar a misericórdia, por causa de sua benevolência, caridade, amor, clemência, e de todos os seus atributos amáveis, e ser inspirados por isso a agir com justiça, imparcialidade, e honra, distribuindo aos outros o que justamente merecem.

Se o egoísmo vos impele a abraçar a verdade, se é meramente para exaltar a vós mesmos e vossos amigos que fazeis convênio de servir a vosso Deus, e esse é vosso único motivo, seria melhor seguirdes pela rota do norte, pois nada podemos fazer de bom por vós se esperardes, ou permanecerdes conosco; não que Deus não tenha consideração por todos os Seus filhos; mas Ele ama aqueles que amam todos os princípios da retidão, porque são retos, e têm prazer no exercício de princípios puros, de virtude, de excelência e verdade, de mansidão, longanimidade, e abnegação, misericórdia, e caridade.

Estou ciente de que minha linguagem falha em transmitir minhas ideias a vós como eu desejaria. Mas prosseguirei um pouco mais. Uma grande promessa foi feita a Abraão, que foi -- terás semente, e para tua posteridade não haverá fim. A mesma promessa foi feita ao Salvador, e a todo homem verdadeiro e fiel que serve a Deus de todo o seu coração, e cujo prazer está em guardar a lei do Senhor, obedecer aos preceitos de Jeová, e edificar Seu reino sobre a terra.

Os élderes de Israel frequentemente me chamam -- "Irmão Brigham, uma palavra em particular, se me permitis." Bendito seja, isto não é segredo para mim, sei o que quereis, é obter uma esposa! "Sim, irmão Brigham, se estiverdes disposto."

Digo-vos aqui, agora, na presença do Deus Todo-Poderoso, não é privilégio de nenhum élder ter sequer uma esposa, antes de ter honrado seu Sacerdócio, antes de ter magnificado seu chamado. Se obtiverdes uma, é por mera permissão, para ver o que fareis, como agireis, se vos conduzireis com retidão naquele santo estado. Cuidado! Élderes de Israel, sede cautelosos! Ou perdereis vossas esposas e vossos filhos. Se abusardes de vossas esposas, expulsando-as de casa, e as tratardes de maneira dura e cruel, ficareis sem esposa e sem filhos; não tereis aumento na eternidade. Tereis trocado esta bênção, este privilégio; tereis vendido vosso direito de primogenitura, como Esaú fez com sua bênção, e nunca mais vos voltará, nunca, nunca jamais!

Atentai a isso, ó élderes! Despertareis de vosso sonho, ai, mas cedo demais, e então percebereis a verdade das observações que faço hoje. De quem é o privilégio de ter mulheres a ele seladas? É daquele que resistiu à prova, cuja integridade é inabalável, que ama a retidão porque é certa, e a verdade porque não há erro nela, e a virtude porque é um princípio que habita no seio d'Aquele que se assenta entronizado nos céus mais altos; pois é um princípio que existiu com Deus em todas as eternidades, e é cooperador, co-obreiro entre o homem e seu Criador, para exaltar o homem, e trazê-lo à Sua presença, e torná-lo semelhante a Si mesmo! É privilégio de tal homem ter esposas, filhos, vizinhos, e amigos, que desejem ser selados a ele. Quem mais? Ninguém. Digo-vos, ninguém mais. Ouvis isto?

Muitas solicitações certamente serão feitas a mim por esposas, e, talvez, por homens que roubam, ou transgridem contra mim, seus vizinhos, matam seu gado, agem perversamente de várias maneiras. Nada condenaria tais homens mais rapidamente do que dar-lhes este privilégio. Respondo aos irmãos, eles têm de agir sob sua própria responsabilidade. Digo-vos a verdade. Se sois um homem excelente e bom, e honrais vosso Sacerdócio, é vosso privilégio. O homem que se provou diante de Deus, foi fiel, atravessou e cumpriu tudo o que o Senhor lhe impôs fazer, com o propósito de edificar e sustentar Seu reino, provou-se diante dos homens, dos anjos, e de seu Pai nos céus, ele é o único caráter que aumentará, e obterá uma glória celestial. Outros podem parecer prosperar, aumentar por uma temporada, mas aos poucos ficam à sombra, sua glória é cortada, e sua casa lhes é deixada desolada.

Orai ao Senhor para inspirar vossos corações. Pedi sabedoria e conhecimento. É nosso dever buscá-lo. Busquemos, e acharemos; batamos, e nos será aberto. Mas quanto a Ele descer aqui para derramar Seu Espírito sobre vós, enquanto almejais as coisas vãs e frívolas do mundo; indulgindo em toda a vaidade, tolice e loucura que vos cerca; bebendo toda a abominação imunda que deveria ser desprezada por toda comunidade sobre a terra -- enquanto continuardes neste caminho, ficai certos de que Ele não se aproximará de vós.

Não entrarei em pormenores. Já sabeis o suficiente a respeito deles. Peço que abandoneis isso; abstende-vos, purificai-vos, e santificai-vos diante de vosso Deus, e obtende tanto do espírito da verdade que possais tornar-vos cheios dele, de modo que possais gritar em alta voz com todas as vossas forças ao louvor de Deus, e sentir vossos corações claros como o sol do meio-dia. Então podereis dançar, e glorificar a Deus; e à medida que permanecerdes na verdade, Deus vos erguerá, e acrescentará a vossos números, de modo que vosso séquito encherá o Santo Templo, como foi dito do Senhor por um dos antigos. Que o Senhor vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Deveres e Privilégios — Sacrifício — Confiança — Linguagem — Organização e Desorganização — Tomar Esposas”, (1853-02-27). Pulpit Vault, 1853-02-young-duties-and-privileges-sacrifice-confidence. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).