Pulpit

O Estandarte e a Insígnia para o Povo

Parley P. Pratt

1853-01-30

Irmãos e Amigos — Alegro-me em ver-vos outra vez, e pelo privilégio de reunir-me convosco. Não esperava dirigir-me a vós esta manhã, não estando bem de saúde; mas, a pedido de meu irmão, que preside sobre mim, e na ausência de muitos que poderiam edificar-vos, levanto-me para falar por um curto tempo, e dar lugar a outros.

Desejo vossas orações, para que meu corpo seja fortalecido, e também pelo dom do Espírito Santo, sem o qual nenhum homem pode edificar seu semelhante.

Somos ensinados, pelo Profeta antigo, na boa e velha Bíblia, e por aquele Profeta peculiar que o mundo cristão (aquela parcela deles que preza a Bíblia) considera mais claro e mais eloquente do que qualquer outro cujas profecias estão registradas — o Profeta Isaías; somos ensinados por ele que o Senhor, em algum tempo, "levantaria um estandarte para o povo", "uma insígnia para as nações", e que ele não somente faria isso, mas o faria como uma manifestação que resultaria na grande restauração de todas as coisas de que falaram os Profetas, na restauração das doze tribos de Israel, dos quatro cantos da terra, à sua própria terra, nacionalidade, instituições e religião; para que fossem novamente nacionalizadas, estabelecidas e reintegradas em seu convênio renovado com elas, como nos dias antigos, e tivessem seu próprio Sacerdócio, governantes, governadores e, consequentemente, suas próprias bênçãos. Digo, somos ensinados por um dos maiores Profetas cujas profecias estão registradas, que um estandarte seria levantado ou manifestado, a fim de trazer essa grande restauração. Que estandarte é esse? Raciocinemos um pouco sobre esse assunto, nesta manhã. Alguns poderiam dizer que é um livro. Poderia ser, em certo sentido. Um dicionário de uma língua às vezes é chamado de estandarte, isto é, algo estabelecido, algo que é uma autoridade suficiente, algo a que todos podem recorrer, como a um modelo ou doutrina, para decidir uma questão ou uma incerteza no significado das palavras.

Em ponto de princípio ou doutrina, um livro que poderíamos chamar de "estandarte" poderia ser considerado como contendo verdades. Mas não entendo a predição a que me refiro como pertencendo exclusivamente a um livro, mas antes a uma religião, a um conjunto de princípios desenvolvidos, a um convênio estabelecido, ou, para levá-lo mais adiante, a um povo organizado, reunido e estabelecido em um só, tendo uma fé, um espírito, um batismo, um Deus, um convênio eterno e sempiterno pelo qual todos estão unidos, e um conjunto de princípios pelo qual são governados. Pois onde tal governo pudesse ser subdividido por circunstâncias locais, quer esses princípios estivessem escritos em um livro ou em mil livros, ou fossem ensinados e praticados sem livro algum, quer o povo pudesse ler um livro ou não, nada menos do que o desenvolvimento de certos princípios de religião, lei e governo, abraçados por certa parcela de povo, pelo qual pudessem ver olho no olho, no qual estivessem unidos, e pelo espírito dos quais se tornassem um em luz, verdade e companheirismo, e reunidos, organizados, plantados, estabelecidos — em suma, um sistema contendo um desenvolvimento de todos os princípios que constituem um governo celestial, nada menos do que isso, se entendo a predição de Isaías, seria considerado pelos judeus, e pelas outras tribos de Israel, onde quer que se encontrassem, e finalmente por todo o mundo gentio que vivesse para vê-lo, como um "estandarte". Isso seria algo digno de ser chamado estandarte, algo a que pudessem olhar, e vir, e ser organizados, consolidados, nacionalizados e governados, política e religiosamente; ou, falando mais verdadeira e consistentemente, religiosamente, porque isso inclui todos os governos políticos dignos de menção ou de esforço, no céu ou na terra.

Um sistema de religião, ou um povo organizado sobre ele, deveria incluir todo ramo de governo de que pudessem necessitar para sua convivência mútua, para sua organização, paz, bem-estar, defesa, ordem, felicidade, e para sua convivência com nações vizinhas. Um sistema de religião que vem do céu jamais deixaria de incluir todos esses princípios. Portanto, é inconsistente; é por causa da ignorância que há no mundo que se usam dois termos — "governo político" e "governo religioso".

Os homens têm o hábito de andar com, de estarem organizados e identificados com, religiões mais ou menos falsas, e não suficientes em si mesmas para levar a cabo todos os princípios de governo; são uma espécie de conveniência dominical, separada e distinta dos afazeres cotidianos da vida; uma espécie de grande capa religiosa, para ser vestida naquele dia, mas sem considerar-se que tenha algo a ver com os assuntos cotidianos. Não sendo essa espécie de religião suficiente para a felicidade e o governo, o esclarecimento e o aperfeiçoamento, a educação e a regulação da humanidade, ou da sociedade em todos os seus ramos, é claro que os homens inventariam outra coisa separada dela, e a chamariam de "a política do governo civil". Não os culpo, pois uma religião falsa, ou uma em parte falsa e em parte verdadeira, jamais foi calculada para responder a esse propósito. Uma religião não inteiramente verdadeira não poderia possivelmente desenvolver todos os recursos, princípios, ramos, departamentos, oficiais e poderes adaptados ao governo, à organização, à paz, à ordem, à felicidade e à defesa da sociedade, e à sua regulação enquanto convive com departamentos e poderes estrangeiros.

Os homens precisam de algo mais do que esses sistemas imperfeitos, que são uma mistura de verdade e erro, existentes no mundo (e não têm nada melhor, é claro); precisam de algo além de seus arranjos dominicais, além dessa maquinaria de teorias; precisam de algo de utilidade prática cotidiana; e a isso chamam governo civil e política, distinta da religião, embora em alguns países misturem uma com a outra, e ambas estejam em vigor. Mas uso os termos política e religião para adaptar-me a essas ideias obsoletas, que estão passando entre nós, mas sob as quais a grande maioria da humanidade ainda labuta. Ao dirigir-me aos Santos, não faço distinção; quando digo um sistema religioso, quero dizer aquele que une princípios de governo político e de religião, que é perfeitamente suficiente para, e completamente adaptado a, todas as necessidades de cidades, distritos, condados, estados, reinos, impérios, ou o mundo, ou um milhão de mundos; aquele sistema de religião ou governo, chamai-o como quiserdes, que regula as coisas no céu, e pelo qual todos os homens que professam o cristianismo oram.

Quer os homens percebam ou não, quando dizem, "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu", é como dizer, "Ó Deus, varre toda a falsidade e todos os abusos de poder que há no mundo, sejam religiosos ou políticos; abaixo os tiranos, abaixo os abusos, abaixo a falsa nobreza, abaixo o orgulho, a extravagância e a ociosidade de uma classe, e abaixo as duras provações, a necessidade, a opressão e a pobreza que se acumulam sobre a outra classe; acaba com toda a arte dos reis, a arte dos sacerdotes, e a arte das repúblicas que há no mundo. E no lugar de todos esses falsos governos e religiões, na vida política e social, introduz aquele governo eterno, aquela ordem pura das coisas, aqueles princípios e instituições eternos, que governam a sociedade naqueles mundos melhores, os mundos da imortalidade e da vida eterna." É isso que um homem pede, tanto quanto posso dizê-lo, quando diz, "Seja feita a tua vontade na terra, assim como no céu." Ele diz, "Varre todos os abusos, toda a corrupção, toda a falsidade, toda a guerra, toda ambição ímpia e egoísta; e em seu lugar introduz um novo governo para todo o homem universal, um sistema que tocará todas as suas necessidades, religiosa, política e de todo outro modo; que organizará e governará a sociedade sobre os princípios pelos quais a sociedade é governada no céu."

Oro por esse dia, entendendo-o dessa maneira. E se alguém usa essa oração, e não a entende dessa maneira, é por falta de reflexão. Por exemplo — acredita algum homem em seu juízo perfeito que o governo dos céus eternos, na presença de Deus, consista numa variedade de reinos, impérios, repúblicas e estados, governados por vários princípios, regidos por aspirantes, e algumas vezes por tiranos, que diferem amplamente uns dos outros nos princípios pelos quais governam, um chocando-se com o outro, e invadindo-o, e frequentemente entrando em guerra com ele, tendo mil modos diferentes de adoração, e de administração religiosa e política? Pergunto de novo, acredita algum homem sensato, que reflete, que o céu é governado dessa maneira? Não. Toda pessoa que reflete acredita, tanto quanto eu, que se há um mundo de imortalidade, onde a retidão governa, os mesmos princípios, até onde alcançam, são desenvolvidos para todos, e adaptados a todos. Alguns podem ter mais verdade, ascender a graus maiores de perfeição, e ser capazes de receber princípios de governo mais elevados e mais gloriosos do que outros, mesmo no céu. Alguns podem alcançar uma glória celestial, da qual o sol é o símbolo; outros podem ser como seres telestiais, cuja glória é comparada às estrelas, tal como aparecem à nossa vista; e essas duas classes podem diferir tão amplamente uma da outra quanto as estrelas diferem do sol em glória, tal como o homem as vê. Na medida em que os seres celestiais tenham se tornado esclarecidos por revelação nas leis do governo eterno, existe uma uniformidade em sua posse dos princípios da verdade, até onde alcança. Alguns podem estar de posse da mesma porção de verdade, mas talvez não a possuam em plenitude, mas é verdadeira até onde alcança, pela qual todos estão em união, paz e amor, e pela qual todos fazem o que é certo, e todos glorificam a Deus, e mantêm uma paz eterna e um laço de felicidade.

Ao ver o céu assim, "não creio que difira, senão em grau, das expectativas e visões de toda a cristandade que crê numa vida futura." Eles não contenderiam por um momento sequer pelo jargão e pela divisão que existem neste mundo, que produzem — o quê? Inveja, ódio, trevas e ignorância. Não creem por um momento que algo desse tipo exista no céu. Oram tão bem quanto nós, "Seja feita a tua vontade na terra, assim como no céu." Oram, quer pensem nisso ou não, que todo o jargão, os erros, os abusos, as trevas e a ignorância que agora existem no mundo, sob o nome de religião, governo, ou qualquer outra coisa, tenham um fim; que, na medida em que há iniquidade, ou algum erro de princípio, tronos sejam derrubados; que todos os poderes da terra, sejam republicanos ou monárquicos, que não estejam de acordo com a lei e o governo do céu, passem; e que aqueles princípios que governam os santificados no céu sejam introduzidos, na medida em que o homem nesta vida seja capaz de recebê-los e desfrutá-los em verdade, união e paz. Então, com essa visão do assunto, tal sistema introduzido, mesmo entre uns poucos homens, sendo eles organizados sobre ele, e praticando-o em boa medida, chamaríamos isso um "estandarte". Os judeus poderiam olhar para ele e chamá-lo de "estandarte". As dez tribos, e os remanescentes dispersos, e todos os que pertencem à linhagem de Abraão, Isaque e Jacó, espalhados pelo mundo, aguardando a redenção e a restauração do reino a Israel, poderiam olhar para tal "estandarte", para o povo organizado sobre esses princípios desenvolvidos do céu, e praticando-os em todos os seus pontos, pois são capazes de governar um mundo, ou um milhão de mundos; para isso poderiam olhar e dizer: eis um "estandarte".

Se todas as ferrovias, os barcos a vapor e outros meios rápidos de transporte, com todo o ouro e a prata, estivessem nas mãos e sob o controle da linhagem correta, e todos os capitães de navio e proprietários de ferrovias estivessem prontos a servi-los, quando o judeu voltasse sua atenção à perspectiva que se ilumina, e à sua própria terra, naturalmente lhe surgiria a pergunta — sob qual ESTANDARTE devo ir? Podeis dizer sob as cores da Grã-Bretanha, mas isso não basta. Sobre quais princípios seríamos organizados, religiosa e politicamente? Qual, de todas as igrejas da cristandade, nos apresentará um estandarte justo, constituído à nossa capacidade? Qual, de todas as nações, apresentará um estandarte de governo, constituído à nossa posição?

"Bem, mas," dizeis, "deixai os judeus tomarem seu próprio estandarte." Então não terão nem a dispensação cristã, nem a de Moisés e dos Profetas, porque ambas tinham um poder que os judeus não professam ter. A religião cristã tinha seus homens inspirados, Apóstolos e Profetas. Aqueles os judeus não têm. Moisés e os Profetas tinham seus milagres, dons, poderes e oráculos, homens que foram levantados pelo céu, para dirigir, fazer leis e governos, e organizar um reino entre os judeus; tampouco têm esses. O máximo que pretendem ter é um Livro que dá a história de seus pais, e de Moisés e dos Profetas; mostrando que viviam sob uma dispensação de Sacerdócio, revelada do céu, e transmitida dos pais, de geração em geração, cujo Sacerdócio detinha o Urim e Tumim, e a guarda do lugar santo, contendo as coisas sagradas, e o poder de inquirir de Deus, e de instruir o povo naquilo que era para sua paz, defesa, bem-estar, governo, juízo e lei. Os judeus não podem dizer que têm essas coisas agora. Moisés e os Profetas tinham o ministério de anjos. Os judeus, hoje, não têm. Moisés e os Profetas tinham oráculos vivos vindos do céu. Os judeus não têm. Moisés e os Profetas tinham poder para controlar os elementos, e operar prodígios poderosos em nome do Senhor; alguns deles até fizeram a terra retroceder em seu eixo. Têm os judeus esse poder? Não. Restaurá-los à Palestina, e deixar que suas próprias instituições sejam um estandarte, seria pôr ali o que não se assemelha nem a Moisés e aos Profetas, nem a Jesus e aos Profetas.

"Mas suponhamos que tentemos convertê-los às atuais instituições cristãs," diz alguém. Bem, onde está o "estandarte?" Quem o tem? A instituição cristã consistia de Apóstolos e Profetas, ministros cujo Sacerdócio era segundo a ordem do Filho de Deus, e ordenado por ele mesmo, pois ele diz, "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós;" "não me escolhestes vós a mim, porém eu vos escolhi a vós, e vos designei." Ligados ao apostolado estão as chaves e poderes de governo, a administração das ordenanças, e os dons e poderes do Espírito Santo. Isso é um "estandarte", que os judeus, e as dez tribos, todos reconheceriam, e é um estandarte cristão, mas um que toda a cristandade não pode apresentar. Podem apresentar um livro, como os judeus; um é um livro que testifica que Moisés e os Profetas tinham esse poder, o outro que Jesus e seus Apóstolos o tinham, mas nenhum desses livros pode ser o "estandarte", porque a mera história de que alguém teve esse poder não seria um "estandarte" vivo. Se os cristãos apresentam aos judeus o Novo Testamento, os judeus apresentarão aos cristãos o Antigo Testamento, e os autores de ambos tinham o poder. O judeu teria de admitir que o poder e o "estandarte" de que seu livro era a chave já haviam passado; e o cristão, que os anjos, os dons e as bênçãos de que seu livro dava conta também haviam passado.

Se tomardes o estandarte despótico da Rússia, ou o estandarte de qualquer outra nação da Europa, algumas delas são ilimitadas em suas disposições — o soberano é a lei; outras são limitadas — o soberano sendo apenas parte da lei e do poder, surgem frequentes guerras sangrentas entre o monarca e o povo; e aqueles que chegam diretamente ao trono por direito hereditário estão sujeitos aos mesmos males. Além disso, na Rússia há um tipo de religião; na Grécia, outro; em Roma, um terceiro; e na Inglaterra, um quarto; todos diferindo amplamente uns dos outros.

Tomar a forma republicana de governo, e estabelecê-la como estandarte, seria pôr os judeus e as Dez Tribos, quando chegassem à sua terra, a criar seu próprio governo, religião e oficiais. Diriam, "Isto não é uma restauração de todas as coisas à ordem dos pais. Quem já ouviu falar de uma nação levantando-se, e fazendo seu próprio ministério de anjos, seus próprios Profetas, Apóstolos e Sacerdócio, para falar a palavra de Deus, e inquirir dele?" O Senhor voltar-se-ia e diria, "Não escolhi este homem, vós o escolhestes e o ordenastes." Elegeu o povo e nomeou Moisés para receber todos os seus poderes, para ter comunhão com a sarça ardente, e dividir as águas do Mar Vermelho? Elegeram Josué àquela fé pela qual viveu para conduzir Israel a Canaã, e dividir o Jordão pela palavra de Deus? Instruíram-no a prolongar o dia enquanto Israel vencia seus inimigos? Não. Deus Todo-Poderoso escolheu Moisés e o ordenou; e Moisés impôs as mãos sobre Josué e o ordenou, e portanto ambos estavam cheios do Espírito de Deus para preencher um chamado semelhante.

Os judeus e as Dez Tribos sabem melhor do que curvar-se a tal ordem de coisas, pois nenhuma regra, precedente ou exemplo pode ser encontrado na história dos pais para justificar tal proceder; concluiriam, ou que Deus mudou, ou que tais procedimentos eram uma impostura, e não pertenciam a governo real algum vindo do céu.

"Bem, então," diz o Senhor, "estabelecerei um estandarte para meu povo, e levantarei minha mão aos gentios. Um sistema será desenvolvido do céu, pelo qual o povo será plantado em um só, isto é, aqueles que o abraçarem; pelo qual será desenvolvido entre eles um espírito, uma doutrina, uma ordem de Sacerdócio, adoração, poder e governo, para conduzir, dirigir, controlar, e dizer que religião adotarão, incluindo todo departamento de governo, suficiente para todos os assuntos de estado, tanto internos quanto externos, e que contribuirá para seu esclarecimento, aperfeiçoamento, defesa, exaltação, e suas relações com todo o mundo." Tal coisa seria um "estandarte". Serviria ao propósito de plantá-los e governá-los. Traria os gentios a ele. Para isso, seria um princípio de governo desenvolvido em todas as suas partes, não muito diferente do antigo, aliás. "Quereis dizer a lei de Moisés?" Sim, mas apenas na medida em que os mesmos princípios eternos existiam naquela lei. Havia muitos princípios dados naquela lei que não pertenciam ao reino eterno de Deus; tinham de ser cumpridos em Cristo, e então ter um fim.

"Bem, então, que quereis dizer? Quereis dizer que este estandarte moderno não deve diferir das instituições reveladas e praticadas nos dias de Cristo e de seus Apóstolos?" Não, não é isso que quero dizer, porque tem de diferir em alguns de seus aspectos daquelas instituições. "Em quê?" Neste aspecto, se em nada mais — Pedro e o restante dos Apóstolos, tendo feito o que estamos fazendo agora, isto é, falado sobre aquele "estandarte", e sobre a restauração do reino e do governo a Israel, disseram a Jesus, "Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?" Isto é, "Levantarás tu neste tempo um estandarte com todos os poderes de governo, derrubarás o Império Romano, e darás o reino e a grandeza do reino debaixo de todo o céu a teus Santos, para que assim todo o Israel possa ser salvo?" Longe de dar-se uma resposta satisfatória a Pedro e aos Apóstolos, o Salvador disse, "Não vos pertence saber os tempos ou as estações" em que isso se fará, muito menos fazê-lo, pois o conhecimento desses tempos "o Pai estabeleceu por sua própria autoridade." Jesus não se voltou e lhes respondeu como fariam os sectários — "Estais completamente enganados, meu reino sempre será um reino espiritual; e ficareis muito decepcionados se esperardes outra coisa." Ele praticamente disse — "Baste dizer que não vos é dado, a vós Apóstolos, deter as chaves do meu reino nessa era e época do mundo, nem tampouco saber o tempo em que farei essa obra." "Bem, Senhor, que queres que façamos? Como as Escrituras são mais completas sobre esse assunto do que quase qualquer outro, pois reis e Profetas falaram de pouco mais, e não nos direis sobre isso, mas o reservais para outro povo, e para ser conhecido em outro tempo, que não nos é dado saber, o que é que queres que façamos?" "Simplesmente sede minhas testemunhas em Jerusalém, Samaria, e nas partes mais remotas da terra. Batizai o povo, se se arrependerem, depois de lhes terdes ensinado a crer em mim, seu Rei eterno e grande Sumo Sacerdote, que ressuscitou dos mortos, e subiu às alturas em vossa presença, para reinar no céu, e por fim sobre a terra. Ide e dizei ao povo isso, e deixai que se arrependam, e se voltem para mim com pleno propósito de coração, e saibam que eu sou a lei, e o caminho, e a verdade; e se guardarem minhas palavras, terão a vida eterna; e se não o fizerem, permanecerão em condenação. Se vos ouvirem, a mim ouvem; e se vos receberem, a mim recebem; e se me receberem, recebem aquele que me enviou; e se vos rejeitarem, a mim rejeitam. E o que quer que vos façam, é o mesmo que se o fizessem a mim. Sois meus embaixadores, meus representantes, meus ministros, e se vos fizerem o bem, é o mesmo que se o fizessem a mim. Se vos rejeitarem, e não crerem em vossas palavras, e retiverem suas mãos de vos ajudar a levar a cabo os princípios da verdade, é o mesmo que se o fizessem a mim." "Mas, mestre, como estabeleceremos um estandarte de governo e paz, para manter esses princípios?" "Não podeis fazê-lo." Disseram Jesus Cristo e seus Apóstolos essas coisas em tantas palavras? Não. Mas em palavras que equivaliam à mesma coisa. Diz ele — "Vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar suporá fazer um serviço a Deus." E a Pedro, o cabeça dos Apóstolos, Jesus disse, falando da morte que Pedro haveria de sofrer — "Quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras." Jesus disse a seus servos que seriam açoitados de cidade em cidade, e de lugar em lugar, e de sinagoga em sinagoga, e seriam vencidos, pois outro poder se levantaria, diferente do reino de Deus, e faria guerra contra eles, e os venceria, e se embriagaria com o sangue dos Santos, e teria domínio sobre todos os reis da terra, sobre toda tribo, língua e povo, até que as palavras de Deus se cumprissem; portanto, não deveriam pensar em reunir o povo, para estabelecer um reino ou governo na terra, pois não poderiam fazê-lo. Havia outro poder para se levantar, que derrubaria seu poder, e reinaria sobre todas as nações, e todas as nações seriam enganadas por ele.

Tomai agora as instruções dos Apóstolos aos Santos dos dias antigos, e as manifestações do Senhor ao último dos Doze enquanto ele estava na Ilha de Patmos, e vede se não equivalem ao que foi dito acima.

Bem, então, dai-nos uma dispensação como a que eles tiveram, uma adaptada ao Novo Testamento; e é simplesmente percorrer o mundo, e testemunhar das manifestações do Senhor da vida e da glória na carne, e de sua ressurreição dentre os mortos; convocar o povo a arrepender-se e ser batizado, e dar-lhes os primeiros princípios do Evangelho, e prepará-los para reinar naquele mundo de glória, na medida em que pudessem ser fiéis pelo Evangelho; e assim que fossem batizados, dizer-lhes, "Podeis esperar ser mortos, e se não estiverdes dispostos a dar a vida, não poreis vosso nome entre nós, nem sereis batizados, pois os iníquos farão guerra contra os Santos e os vencerão." Arrepender-se, e ser batizado, e receber o Evangelho para a remissão dos pecados, ser morto e ir para casa, para a glória, era o Evangelho que os antigos Apóstolos pregavam. Digo, se tivéssemos uma dispensação precisamente igual à que Pedro e o restante dos Apóstolos de outrora tiveram, isso é o mais longe que poderíamos levá-la. Onde está o lugar onde poderíamos edificar o reino de Deus? Em nenhum lugar. Se vivêsseis em Roma (e Roma era o mundo), e vos submetêsseis a suas carnificinas, até que as palavras de Deus se cumprissem, seríeis mortos e iríeis para aquele mundo.

Portanto, o reino de Deus teve de ser estabelecido duas vezes, uma vez nos dias de Pedro, em que aqueles que obedeceram às ordenanças do Evangelho tiveram de submeter-se ao poder romano e ser mortos. Depois de mortos, e retirado o Sacerdócio da terra, e desaparecidas também da terra as suas chaves, ou ocultas, de modo que ninguém as detém, e todas as nações enganadas, como foi escrito pelo Revelador João a respeito desse poder dominador, que não é nada mais nem menos que Roma, pois esse era o mundo então conhecido — depois de tudo isso, quando chegar o tempo de a palavra de Deus se cumprir, e de um estandarte ser estabelecido, o que diz este livro, a Bíblia? Que diz o próprio Jesus Cristo? "Haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas; e na terra, angústia das nações em perplexidade, pelo bramido do mar e das ondas; homens desfalecendo de terror;" e ele continua dizendo que quando virdes essas coisas se cumprirem, sabei então que o reino de Deus está próximo.

Os milleritas o entenderam mal, e pensaram que significava que soubessem que o reino do Senhor Jesus Cristo estava mesmo à porta. Muitos se enganaram nesse assunto, entre as comunidades cristãs, assim chamadas. Mas se tivessem procurado diligentemente saber, não teriam tomado a segunda vinda do Messias, e a posto no lugar de seu reino, para estar próxima quando virdes os sinais começarem a acontecer; então "sabei que o reino de Deus está próximo."

Ora, é evidente que o reino de Deus deveria ser estabelecido duas vezes — em dois momentos distintos, ou então todo o assunto é um engano do princípio ao fim, porque João Batista disse que estava próximo em seus dias, Jesus Cristo disse o mesmo, os Apóstolos e os Setenta disseram, em seus dias, que estava mesmo à porta. E então Jesus Cristo predisse toda uma série de acontecimentos, incluindo a destruição de Jerusalém, e a dispersão dos judeus. Depois predisse sinais que seriam vistos no sol, na lua e nas estrelas, e disse, eis que "o reino de Deus está próximo." Tão certo quanto o sol brilha, o reino teve de ser estabelecido duas vezes, ou o Livro não tem sentido algum, e a última, também, no tempo que os milleritas e outros fixaram para o aparecimento pessoal do Salvador.

O Senhor, falando a seus Apóstolos, disse, "Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu por sua própria autoridade." Que diria ele aos Apóstolos nos últimos dias? Diria justamente o contrário disso — "A vós é dado saber os tempos e as estações, porque sois exatamente os homens para fazer essa obra, mas meus antigos Apóstolos deviam apenas testificar de mim ao mundo. Como as tradições recebidas e a religião do mundo estavam em guerra com o princípio da ressurreição apresentado em meu corpo, exigi de meus antigos Apóstolos que testificassem dele em Jerusalém e Samaria, e até às partes mais remotas da terra, onde quer que encontrassem seguidores. Mas agora levantarei a vós e outros homens, e vos ordenarei, e farei com que chaves de poder vos sejam confiadas, como nos dias antigos, nas mesmas ordenanças e espírito do Evangelho; mas quando elas vierem, não vos será exigido cumprir coisa alguma como a que meus servos fizeram antigamente, que era testificar, pregar o arrependimento, batizar o povo, e serem mortos. Sabereis os tempos e as estações, que o Pai pôs em seu próprio poder, e que meus outros Apóstolos não puderam saber, e então ide trabalhar com todas as vossas forças e cumpri-la."

Portanto, a reunião dos Santos; a organização do reino de Deus, religiosa e politicamente, se quiserdes; a revelação da lei de Deus, e o novo e eterno convênio feito com Abraão de outrora e sua semente, o qual nunca foi alterado pelo Senhor, apenas perdido para o povo. Paulo disse que a lei dada no Monte Sinai, quatrocentos e trinta anos depois de feito aquele convênio, não podia anulá-lo. Jesus Cristo era aquele homem de quem se falava quando Deus disse, "Em ti e em tua semente serão abençoadas todas as nações da terra." Assim, Paulo e Jesus, em tantas palavras, confirmaram o convênio feito com Abraão, o qual nem a lei de Moisés nem Jesus Cristo jamais anularam. O que era ele? Muitas coisas, mas a principal era, "grandissimamente multiplicarei a tua semente;" em suma, foi-lhe dada uma lei pela qual ele e sua posteridade deveriam ser regulados e governados, no que diz respeito ao matrimônio e à posteridade.

Ora, então, restaurar o novo e eterno convênio feito com Abraão, e não anulado por Moisés, pelos Profetas, por Jesus Cristo e pelos Apóstolos; restaurar uma organização de princípios, de lei; um desenvolvimento que fizesse um estandarte para regular famílias, lares e reinos em todo aspecto; isso seria cumprir as palavras de Isaías, onde diz, "estabelecerei o meu estandarte ao povo;" então vos reunirei. Trabalhar para reuni-los a um estandarte estabelecido por professores modernos seria absurdo, pois não se harmonizaria com a lei que governava Abraão e os assuntos de sua família, quando ele e muitos outros houvessem de reunir-se e assentar-se no reino de Deus. Tal estandarte seria falho em alguns pontos.

Se eu fosse judeu, poderíeis clamar a mim e pregar-me até o dia do juízo, e então tomar uma espada, e mantê-la sobre mim para separar minha cabeça de meu corpo, mas eu diria: "Não moverei um só passo para o estandarte que não é de Abraão, nem do convênio sempiterno em que meus pais Abraão, Isaque e Jacó, e todos os santos Profetas virão e se assentarão na presença de Deus, sobre os mesmos princípios com seus filhos modernos. Sou judeu, e minha esperança está nos convênios dos pais. Se vós, nações que não estais numeradas nesse convênio, quereis ser abençoadas, tem de ser nesse convênio, e de nenhum outro modo; e não podeis trazer-me nenhum outro estandarte que seja legítimo. Podeis ensinar-me o cristianismo, como o chamais; podeis tentar governar-me por um governo republicano, como o chamais; e dez mil outras coisas; mas quando me tiverdes ensinado tudo isso, nem pelo vosso fogo, vossa espada, vosso governo, vossa religião, vossas ameaças, nem por coisa alguma, jamais abraçarei outro sistema que não o estandarte, o convênio, no qual toda a minha nação, todas as Dez Tribos e os remanescentes dispersos possam ser abençoados; um convênio que os buscará, com todo o mundo gentio; e ressuscitará todos os antigos dentre os mortos, e pelo qual todos poderão assentar-se juntos no mesmo reino, e ser governados pelos mesmos princípios, convênios, leis e ordenanças para sempre." Essa é a teimosia que eu teria em minha natureza, se fosse judeu. E o sangue que corre rápido em minhas veias diz-me que não estou nem um pouco atrás do judeu; diz-me que sou da semente de Abraão, Isaque e Jacó; portanto, sou quase tão obstinado quanto eles em não crer senão num estandarte pleno e completo, um desenvolvimento daquele sistema que me organizará, a mim e à minha casa, e a todo o povo, seja judeu ou gentio, que o abraçar, em todo o mundo, se se arrependerem. Leio, em tantas palavras do bom e velho Profeta, que "a nação e o reino que não te servirem perecerão, e as tais nações de todo serão assoladas." Diria eu ao rei Agripa, se ele estivesse aqui hoje, "Crês tu nos Profetas?" Se o mundo cresse, então, toda a sua arte dos reis, e a arte dos sacerdotes, e os seus sistemas confusos logo passariam, e o convênio feito com Abraão, Isaque e Jacó, e para o qual olharam os Profetas, Jesus e os Apóstolos, seria estabelecido.

"Quando virdes essas coisas se cumprirem, sabei que o reino de Deus está próximo." É um sistema de governo, para organizar e reunir o povo? Sim, um povo que não terá mais suas cabeças cortadas por aquele governo que enganou o mundo inteiro, e se embriagou com o sangue dos Santos do Altíssimo. É um reino que os iníquos não terão permissão de possuir ou destruir novamente. Como o procuraremos? Será um dos menores governos desta terra, ao qual se compara um grão de mostarda. Quando virmos os sinais no sol, na lua e nas estrelas, e entre as diferentes nações, isso prova que o reino de Deus está próximo; então poderemos começar a procurá-lo. Não devemos procurar na Rússia, ou na Inglaterra, por este reino, mas no menor dos governos deste mundo, tão pequeno que é comparado a um grão de mostarda. Onde devemos procurá-lo? No próprio lugar onde tem espaço para crescer, e em sua pequenez ser encoberto por ervas e plantas de outra espécie; assim devemos procurar sua organização, estabelecimento e desenvolvimento em algum país onde esses poucos componham a maioria, e devam governar. Ora, com essas grandes características, e instruções claras, que qualquer homem pode extrair da Bíblia, não precisamos procurar em outro lugar por esse reino. Então entre os Santos aqui mesmo, onde compõem a maioria, onde não há outro governo maior, onde estão cercados de montanhas, e podem estabelecer a paz, e um reino, e um governo, e uma lei. "Bem," diz alguém, "sois um governo republicano; como isso se harmoniza com a palavra reino?" Não importa quanto ao nome exterior, seja tome o nome de república ou de reino, ou isto, aquilo, ou outra coisa; não é o nome que faz o negócio. Chamamos a Inglaterra de monarquia, porque sua Presidência vem perpetuamente de uma linhagem, é hereditária. Chamamos os Estados Unidos de governo republicano, porque colocam um homem para governar, e o tiram uma vez a cada quatro anos. Estive em ambos os países e vivi e agi mais ou menos sob os dois governos. Fui à Inglaterra com bastante preconceito; pois fui criado a crer que um governo republicano era o único bom governo do mundo, e que os britânicos foram feitos para serem mortos. Quando meu irmão Orson começou a falar, a primeira palavra que me lembro de tê-lo ouvido dizer foi — "Ora, papai foi atirar nos britânicos." Assim, devo ter ido para lá mais ou menos preconceituoso contra aquele governo. Qual é o fato, contra todos esses preconceitos de infância? É que o governo é razoavelmente bom em ambos os países. Os Estados Unidos têm as melhores instituições dos dois, mas digo-vos, se as tivessem posto em prática melhor para nós, poderíamos estar aqui, não tão pobres quanto estamos hoje. Prefiro a Inglaterra entre os dois; não porque suas instituições sejam melhores, mas porque são melhor postas em prática. Um governo bem posto em prática é melhor do que qualquer outra forma de governo não posta em prática. Podeis espalhar vossas formas no papel, mas o papel mentirá por muito tempo antes de cortar a cabeça de um homem por infringir a lei.

Aqui estamos nós, e, graças a Deus por isso, um pequeno governo, podeis chamá-lo de governo republicano, ou o que quiserdes; mas o espírito, e o Evangelho, e a lei, e os princípios da união estão aqui, e ninguém pode impedi-lo. Não há lei contra a unidade, contra o batismo, contra receber a administração de anjos, ou as chaves do apostolado, contra impor as mãos sobre outros para que os homens sejam cheios do Espírito Santo. Não há lei contra essas coisas, graças a Deus. Isso nos une, faz-nos cumprir nosso dever, e permanecer no espírito de unidade e na fé, trabalhando diligentemente sobre os princípios desenvolvidos por revelação sobre revelação, e preceito sobre preceito, e lei sobre lei, e verdade sobre verdade. Achamo-nos um governo organizado sobre esses grandes princípios, e um governo em paz. Este governo tem de manter seu caráter, e tornar-se um estandarte, tendo desenvolvido nele todo princípio para a salvação dos vivos e dos mortos; para deter as chaves do Sacerdócio que reina no céu, na terra e no inferno, e manter um povo edificado sobre ele, o que é tudo necessário para tornar-se um estandarte. Para isso olharão as Dez Tribos, para isso olharão os remanescentes dispersos que estão cientes da promessa a Abraão, de que em sua semente, e não em algum outro Sacerdócio e linhagem, serão abençoadas todas as nações e povos da terra. Onde deveriam olhar, se fôssemos dispersos pelo mundo, se chegássemos a um ponto morto, e cravássemos nossas estacas, e disséssemos ao Todo-Poderoso e a seus servos — "Faremos isto e aquilo, e isto não faremos, mas iremos pelo nosso próprio caminho?" Suponde agora que o espírito de profecia descesse sobre as Dez Tribos de Israel, e elas ferissem as montanhas de gelo pela palavra de Deus, e as montanhas se derretessem, e seus Profetas viajassem pelo mundo em busca, pois viram os sinais nos céus, e sentissem como os sábios do oriente ao indagarem pelo Salvador; suponde que as Dez Tribos viessem e indagassem — "Onde está o Templo de Deus, pois vimos os sinais nos céus; onde o encontraremos?" E fôssemos nós dispersar-nos e dividir-nos, e perder o Espírito de Deus, e tornar-nos sectários, ou coisa pior; as Dez Tribos teriam então de procurar com uma vela acesa, e não poderiam encontrar o Templo aqui, e eu as desafio a encontrá-lo em qualquer outro lugar.

"Ora, então, irmão Pratt, temos abraçado todo esse bom Evangelho de que falais. Fomos batizados, entramos no novo e eterno convênio, somos um, nossos pecados nos são perdoados, e recebemos uma porção do Espírito Santo." Tendo-nos valido de todas essas coisas, o que somos como indivíduos, ganhamos juntos como número um e dois, e todos são justificados juntos, e os interesses comuns do reino são levados a cabo. Alguns podem dizer, "Há climas mais quentes do que este, por que não ir a eles, e acomodar-nos melhor do que aqui podemos? Além disso, há lugares onde os homens obtêm mais ouro e prata, e podem comprar açúcar, frutas etc., onde a madeira é abundante, e onde a região apresenta paisagem mais bela, e é mais parecida com o Paraíso do que este lugar; toda a terra está diante de nós, por que não podemos ir e possuí-la onde quisermos? Por que não podemos ir e servir a nós mesmos por um tempo, e deixar que o reino de Deus cuide de si mesmo, ou que esses bons e piedosos Élderes e Apóstolos, tão apegados a ele, dele cuidem?" Se é certo para vós fixardes vossas mentes em climas mais quentes, em madeira mais conveniente, e em ganhar dinheiro, então é certo para cada um de nós fazer o mesmo. Se é certo para vós, é certo para nosso Presidente, e seu Conselho, e os Doze, e para todos os demais. Se cada pessoa tivesse seu próprio caminho, fosse aonde o clima melhor lhe convier, onde há mercado e todas as demais conveniências, quero saber, então, onde está o reino de Deus? Sob que governo mundano poderíeis viver, como o reino de Deus, depois de terdes satisfeito esses desejos? Apontai apenas o dedo para o lugar, nesta vasta terra, onde há clima melhor do que este, mercado melhor do que este, onde os artigos básicos e as conveniências da vida existam em maior abundância do que existem aqui. Apontai o dedo para tal lugar, e convencei-me por demonstração matemática de que este povo pode viver ali, e ser maioria ali, e reinar ali, e manter o reino de Deus ali, e não tenho certeza se não iria convosco, e, creio, o Presidente iria também, e penso que o Senhor ficaria satisfeito com isso. Se tivéssemos tal lugar, e pudéssemos ir e desfrutá-lo, quem se importa? Quanto menos tempo levar para ganhar a vida, mais tempo teremos para cuidar do ensino aos outros, e mais conveniência para reuni-los a ele. Não sei se o Senhor teria alguma objeção a isso, se pudésseis nomear tal lugar.

Que espécie de governo há lá adiante, a oeste de nós? A própria escória flui dos Estados Unidos para aquela terra boa, aquele país de ouro; há uma concentração de jargão, ignorância, tolice, corrupção e abominação, tudo reunido num só foco, e depois se corrompendo mais, após ser feito de corrupção. Um Santo de Deus poderia juntar todas as vantagens de clima, madeira, solo, comércio e dinheiro no mundo, e não poderia viver sob aquele governo. Por que não parastes em Roma, e servistes a Deus ali? Estáveis num belo país, um clima saudável, a madeira à mão, e possuíeis uma situação deliciosa. Por quê? Porque os Apóstolos não podiam viver sob o Governo Romano sem serem mortos; e como poderíeis fazê-lo sem compartilhar o mesmo destino? Se vivêsseis em Roma, não podeis dizer que o governo está de acordo com o convênio feito com Abraão, Isaque e Jacó. Por que não ficar na Inglaterra? É um clima bom, e, em muitos aspectos, tem bom solo, com comércio, e bastante carvão para combustível. Por que não ficar nos Estados Unidos, onde podeis obter açúcar por três centavos a libra? Por que jamais deixastes vossos países, vossos lares nativos, para vir até aqui? Olhai para estas montanhas cobertas de neve, e planícies desnudas — olhai a escassez de madeira, e a dificuldade de percorrer tal distância para chegar aqui, e tão longe de qualquer mercado. Abençoada seja vossa alma, não encontrareis conveniências no mundo, em lugar algum, mais à mão do que estão aqui! Por que não ficar onde estáveis? "Por quê," dizeis, "pensei que obteria um pouco de instrução aqui, que não poderia obter em outro lugar; mas, tendo obtido essa instrução, pensei em desfrutá-la, e ir aonde me aprouvesse." Minha visão do assunto é esta — reunir-se, e permanecer reunido, para ser organizado no governo de Deus, e chamá-lo como quiserdes quanto ao nome. Usavam a palavra reino nos tempos antigos, não significando nada mais nem menos do que governo. Devemos permanecer reunidos, e contar como um nas escolas, nas reuniões, no pagamento do dízimo, no pagamento de impostos, no desempenho de nosso papel como membros da comunidade; contar como um quando homens são necessários, se preciso, para ir contra os selvagens; contar como um em influência, em beleza, em espírito, em fé e em obras; para construir Templos, para atender às ordenanças, e ministrar aos vivos e aos mortos, e dar um exemplo digno de imitação. Que fariam um milhão de pessoas se todas estivessem fazendo isso, sob um convênio, movidas pelo mesmo espírito, batizadas por um só batismo? Seriam um milhão daquela fé, um milhão daquele espírito, um milhão daquela luz e verdade, um milhão possuindo os próprios poderes da paz, e do céu, e de Sião em seu seio. Que fariam? Ora, o próprio mundo veria sua luz. Como uma vela acesa num candeeiro, não poderia ser escondida. Quereis riquezas? Isto é ouro, é prata, é vestuário, é osso, é tendão, é indústria e poder. Virá fluindo a vós como uma corrente. Vossos Apóstolos e vossa Primeira Presidência, em vez de estarem preocupados com os cuidados deste mundo, como arar seus campos, ou construir suas cabanas, mal teriam tempo de sair daquele templo para tomar o café da manhã, se tivéssemos o templo construído. A um povo assim consolidado, viriam as nações da terra. Os reis e rainhas, e governadores e governantes, e grande número da casa de Israel, e pessoas de influência e poder de todas as nações, viriam. Diriam, "O Senhor está ali, o poder de Deus está ali;" e se tivessem algum dinheiro, fariam ali um depósito dele, pois as nações estariam se desfazendo, e o povo desejaria escapar com vida da guerra, e da angústia das nações. O povo diria, "Ali é onde iremos para encontrar segurança, pois ali os habitantes vivem em união, têm a luz da verdade eterna, enquanto outros povos estão nas trevas e na ignorância sem medida. Aquele povo feliz sabe como se unir e defender-se: não é seu número que constitui sua força, mas é sua união, e, é claro, seu número tem influência."

Se um homem é poderoso, há mais poderosos. Se um homem quer as riquezas do tempo e da eternidade, que tenha um bom governo, educação, e as leis do céu para criar seus filhos no caminho certo. Ele jamais enriquecerá tão depressa quanto o faria se cooperasse com o reino de Deus. Sabeis que quando algo é pedido de mim, estou sempre pronto, embora não haja homem que pudésseis contratar. Os homens irão à Califórnia, aos Estados, ou a qualquer outro lugar, mas não conseguiríeis que o fizessem ordinariamente sem contratá-los. Mas se os designardes a levar uma missão sem bolsa nem alforje, como um anjo, irão até ao inferno, se o Senhor lhes der ali uma missão, e ficarão muito contentes de voltar assim que a tiverem cumprido.

Detive-vos demasiado tempo. Que o Senhor vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoParley P. Pratt, “O Estandarte e a Insígnia para o Povo”, (1853-01-30). Pulpit Vault, 1853-01-30-pratt-pp-the-standard-and-ensign-for-the-people. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).