Pulpit

Caráter Extenso do Evangelho—Abrangência da Revelação Divina, Etc.

Brigham Young

1852-08-15

Estou confiante de que tenho as orações dos Santos e a fé dos que têm fé. Raramente peço aos Santos que orem por mim, pois os julgo por mim mesmo com um juízo justo. Sempre oro pelos Santos, e suponho que, em retribuição, orem por todos os fiéis; e, consequentemente, tenho minha parcela de suas orações.

Recordo-me de uma declaração que fiz, no último sábado, a respeito do Evangelho — o que é um sermão evangélico, quanto tempo leva para pregá-lo, e o que ele compreende; que leva o mesmo tempo para pregá-lo que leva para realizar o plano de salvação pertinente aos filhos dos homens.

Ainda não vi o tempo em que tivesse sabedoria, força e habilidade suficientes para pregar um discurso evangélico — para começá-lo, e terminá-lo, apresentando ao povo o plano de salvação de forma suficientemente completa, para que assim pudessem ser salvos. Mas ele é dado apenas em porções — um pouco aqui, e um pouco ali, por homem frágil.

O assunto que temos diante de nós hoje está no grande discurso. Para entender os primeiros princípios do Evangelho — para entendê-los corretamente, um homem precisa ter a sabedoria que vem do alto; deve ser iluminado pelo Espírito Santo; sua mente deve estar em visão aberta: deve gozar ele mesmo das bênçãos da salvação, a fim de comunicá-las a outros.

Em nossa capacidade, somos privilegiados, de um ponto de vista espiritual, exatamente como o somos de um ponto de vista temporal. Temos o privilégio de aprender e de acrescentar ao conhecimento que já obtivemos. Temos, por exemplo, um conhecimento dos rudimentos da língua inglesa. Se continuarmos em nossos estudos — em nossos esforços para adquirir informação, obtemos mais conhecimento; e se continuarmos ainda a perseverar, acrescentamos ainda mais a isso, até nos tornarmos mestres perfeitos da língua.

De novo, quanto à mecânica, em certo sentido, o mesmo princípio se aplica. Temos o privilégio de aprender as artes e ciências que os eruditos entre as nações gentias entendem; temos o privilégio de nos tornarmos estudiosos clássicos — de começar pelos rudimentos de todo o conhecimento — de entrar, poderíamos dizer, nas academias da perfeição. Poderíamos estudar, e acrescentar conhecimento a conhecimento, desde o tempo em que somos capazes de saber alguma coisa até descermos à sepultura. Se gozássemos de corpos saudáveis, de modo a não desgastar as funções da mente, não haveria fim para o aprendizado de um homem. Isto se compara exatamente à nossa situação quanto às coisas celestiais.

A capacidade da humanidade em alcançar o conhecimento geométrico e as belas-artes é grande. Todas as nações e povos entendem mais ou menos do conhecimento pertinente às artes e ciências. Mas quando deixam aqueles princípios compreendidos nos estudos seguidos pelo homem natural, e empreendem definir a si mesmos, seu próprio ser, e entender a propriedade e a sabedoria da criação, e trazer à luz, para si mesmos ou para outros, aqueles princípios pertinentes ao conhecimento futuro, estão nas trevas; há um véu sobre eles. O véu da cobertura que está sobre as nações da terra obscureceu seus entendimentos, de modo que estão em densas trevas. Isto nossa experiência nos ensina — que, quando qualquer pessoa ou pessoas não inspiradas (que pretendem sê-lo) vão além da natureza organizada, que é visível aos olhos naturais, há um mistério — o mistério oculto — o profundo e insondável mistério da criação.

Podemos ver o homem natural, podemos contemplar nosso rosto no espelho; mas podemos dizer que espécie de pessoa somos? Podemos definir o objeto desta organização — deste corpo? Podemos circunscrevê-lo? Podemos sondar as profundezas, a propriedade, a necessidade, e o objeto da sabedoria divina em nossa organização? É um mistério para o mais sábio que há sobre a terra. Vemos vida e ação: testemunhamo-lo diariamente; nós mesmos agimos; vemos outros agirem. Temos a visão para ver; nossos ouvidos são organizados para ouvir, nossas mãos para sentir, e todo o sistema, ao longo de tudo, parece perfeitamente concebido para o sentido e o entendimento; e o mistério disso é tal que os mais sábios de todos os filósofos estão prontos a reconhecer, e exclamar: é um mistério! — não é para ser sondado ou entendido pelo homem. Quando avançamos para o futuro ou recuamos para o passado, ambos lançam o homem em mistério ainda maior. É um mistério que o mundo tem buscado por sua sabedoria: têm estudado diligentemente com o expresso propósito de se familiarizar com esses mistérios. Milhares e milhares passaram toda a vida em estudo — buscaram e leram os comentários e ideias de outros com a máxima ansiedade e fervor de intenção, procurando encontrar aquilo que outros não encontraram — aprender aquilo que não foi aprendido.

Este Livro, que é o Antigo e o Novo Testamento, prega apenas um sermão, de Gênesis a Apocalipse. Começamos e percorremos todo este volume; depois pesquisamos todos os livros que foram rejeitados pelas nações cristãs como não canônicos, e quaisquer outros escritos de Profetas e Apóstolos, e de todos os homens bons — todas as revelações que foram postas de lado, e consideradas desnecessárias; convoquemos todas as revelações dadas desde os dias de Adão até hoje; e qual é a soma de todo o ensinamento daquele que criou (o Supremo do universo) — que organizou, e planejou, e executou, e trouxe à existência — todos os seus ensinamentos a seu povo? Simplesmente isto — Filho, filha, vive diante de mim, para que eu possa vir e te visitar; ordena tua vida com aquela propriedade, para que eu não seja desonrado ao vir habitar contigo por uma temporada; ou, quando eu enviar meus anjos ou meu ministro, o Espírito Santo, para revelar minha mente e vontade a ti, ou para te abençoar com conforto duradouro, que não sejam desonrados em tua companhia.

Digo, todas as revelações de Deus ensinam simplesmente isto — Filho, filha, sois a obra de minhas mãos: andai e vivei diante de mim em retidão; que vossa conversa seja casta; que vosso procedimento diário seja segundo minha lei; que vossos negócios uns com os outros sejam em justiça e equidade; que meu caráter seja sagrado em vossa boca, e não profaneis meu santo nome nem pisoteeis minha autoridade; não desprezeis nenhum de meus ditos, pois não serei desonrado. Desejo enviar um de meus servos para vos visitar. Para quê? Para que possais ver e saber como outros o fizeram — para que possais ver como sois vistos — para que possais entender aqueles princípios pertinentes mais particularmente ao reino em que estais. Descestes abaixo de todas as coisas. Eu, em minha sabedoria, vos reduzi; fiz com que bebêsseis das fezes do cálice amargo. Coloquei-vos nas profundezas da ignorância, e vos cerquei de fraqueza, para vos provar. Sujeitei-vos a toda miséria que se possa suportar. Fiz com que viésseis a esta terra, onde reinam a miséria, e as trevas, e toda espécie de incredulidade e maldade, para vos provar, para que possais entender e conhecer o bem do mal, e sejais capazes de julgar entre estes com um juízo justo.

Fiz que tudo isso se fizesse; e agora, filho e filha, os habitantes de toda a terra que viveram desde os dias de Adão até agora, o primeiro e o último — o grande objetivo de tudo o que eu, o Senhor, revelei é instruir-vos a viver de modo que eu possa vir e vos visitar, ou enviar meus anjos, para que possam entrar em vossas habitações, andar e conversar convosco, e não sejam desonrados. Ao assim procederdes, sereis feitos participantes de todo o conhecimento e sabedoria, poder e glória que os seres santificados ou glorificados gozam. E isto é, antes de tudo, o que o Senhor deseja do povo.

O que nos ensina nossa experiência — o que nossos olhos testemunham dia após dia? De fato, posso dizer, com muitos de vós, não estou sob a necessidade de ouvir o nome de meu Deus, a quem sirvo, meu Pai nos céus, blasfemado diariamente; não estou associado com os que blasfemam o nome do Pai e do Filho, e o caráter do Espírito Santo; não me associo com os que são mentirosos, ou adúlteros, ou libertinos, ou os que amam e inventam a mentira. Podeis dizer o mesmo: contudo, quando nos misturamos entre os ímpios, o que vemos e ouvimos? O que ouvem estes meus irmãos, que se dão ao trabalho de ir aos canyons vender um pouco de cerveja ao viajante? Ouvem o nome do Senhor que os comprou blasfemado. Seriam necessárias todas as juntas de bois que há no país para trazer ouro suficiente para me tentar a tal situação.

Homens andam enlouquecidos para frequentar as balsas, a fim de amealhar alguns míseros dólares. O que se ouve ali? Ouve-se o nome do Senhor Todo-Poderoso, e seu caráter, e o de seu Filho Jesus Cristo, e o de seu ministro, o Espírito Santo, blasfemados; e todo servo de Deus sobre a terra é amaldiçoado por eles até as regiões mais baixas. Não é todo o ouro de Ofir e da Califórnia que me contrataria a ouvi-lo por um mês. Estes são meus sentimentos.

Ouro e prata perecerão, mas o nome do Todo-Poderoso permanecerá para sempre. Seu caráter não se afundará, nem o caráter de seu Filho, nem de seus ministros, nem de nenhum de seus fiéis servos que guardam seus mandamentos. As riquezas perecerão, mas eles perdurarão. Digo de novo, não há ouro suficiente a leste das Montanhas Rochosas que me trouxesse a uma dessas balsas para ouvir as blasfêmias que teria de ouvir. Mas não podemos ouvi-lo aqui mesmo? Sim — para a vergonha e desonra de alguns poucos dos que se chamam Santos dos Últimos Dias. Será que há um homem cujo nome está escrito no Livro da Vida do Cordeiro que tomará o nome da Divindade em vão? Falo a vós que brincais com o Senhor Jesus e o Santo Espírito da promessa, para a vergonha de alguns poucos dos Élderes de Israel.

Chegará o tempo em que serão cortados, embora lamente ter de dizer isso. Preferiria dizer que, enquanto estiver na companhia dos Santos dos Últimos Dias, jamais ouça o caráter da Divindade ridicularizado e desonrado, e seu nome usado de forma leviana e frívola.

É verdade, eu não o ouço. Se eu ouvisse aquilo que outras pessoas dizem ouvir — um Élder de Israel usar o nome do Senhor Deus em vão — eu o cortaria da Igreja; e se não pudesse conseguir ajuda alguma para cortá-lo, eu mesmo o faria. Deixai-me dizer-vos, deve ser um homem muito ignorante quem pode usar o nome da Divindade em vão, sem ter de se arrepender imediatamente.

Enquanto falava, no último sábado, desejei ter força de pulmão para falar por cerca de mil anos, e viver sem comer nem descansar. Pensei que, nesse tempo, teríamos avançado bastante numa porção do sermão evangélico.

Lerei agora um pouco neste livro, chamado o Livro de Doutrina e Convênios, referente ao assunto que tínhamos diante de nós no último sábado. Lerei parte de uma pequena revelação, a fim de expor alguns itens de doutrina que não são geralmente entendidos, embora estejam diante do povo. Todas as pessoas dispostas têm o privilégio de ler este livro por si mesmas; pois foi publicado ao mundo há alguns anos. Os Santos o leem e têm o privilégio de entendê-lo, se assim o quiserem. Ainda assim, como observei, estamos na escola e continuamos a aprender, e não esperamos deixar de aprender enquanto vivermos na terra; e quando passarmos pelo véu, esperamos continuar a aprender e a aumentar nosso acervo de informação. Isso pode parecer uma ideia estranha para alguns; mas é pela razão simples e clara de que não temos capacidade para receber todo o conhecimento de uma só vez. Devemos, portanto, receber um pouco aqui e um pouco ali.

Lerei no Livro de Doutrina e Convênios, seção 44 —

"Um mandamento de Deus, e não do homem, a Martin Harris, dado (Manchester, Nova Iorque, março de 1830) por aquele que é eterno."

Poderia dar ao povo a causa desta revelação, mas não é necessário. Talvez diga uma palavra sobre ela quando chegar a esse ponto na revelação, o que explicará tudo o que for necessário. Os que conhecem Martin Harris sabem sua tendência e disposição naturais: ele queria aprender tudo de uma só vez, estava continuamente em busca de conhecimento, e negligenciava agir sobre o que já havia recebido. Esse é seu verdadeiro caráter, no que tenho conhecido dele. A revelação diz o seguinte —

"Eu sou o Alfa e o Ômega, Cristo, o Senhor; sim, eu sou ele, o princípio e o fim, o Redentor do mundo. Eu, tendo cumprido e consumado a vontade daquele a quem pertenço, ou seja, o Pai, a meu respeito — tendo feito isso para sujeitar a mim todas as coisas — Retendo todo o poder, até para destruir Satanás e suas obras no fim do mundo; e no último grande dia do juízo, que pronunciarei sobre seus habitantes, julgando a cada homem de acordo com suas obras e as ações que houver praticado."

Lemos na Bíblia, recordai-vos, que todo homem será julgado segundo suas obras; mas é quase impossível; ou, direi, é uma tarefa considerável e um bocado de trabalho fazer com que uma comunidade entenda essas palavras tal como são lidas; quando, na realidade, para aqueles que as entendem, é tão claro para eles quanto é para esta congregação contar quantos dedos estou agora levantando diante de vós. Se levanto dois dedos, exclamais: são dois. Mas alguém se levantará e dirá: não, é apenas um; enquanto outro declara: são quatro, e não um ou dois. Toda pessoa tem o privilégio de olhar por si mesma, e pode saber se levanto um, dois, ou quatro dedos. Para uma pessoa que entende este dito, é tão fácil para ela julgar e saber que a humanidade será julgada segundo as obras que fizerem no corpo; e, contudo, quão difícil é fazer com que o povo diga que é assim, e o entenda.

"E certamente todo homem deve arrepender-se ou sofrer, pois eu, Deus, sou infinito. Portanto, não revogarei os julgamentos que pronunciar, mas sobrevirão desgraça, pranto, lamentação e ranger de dentes, sim, àqueles que se acharem à minha esquerda. Contudo, não está escrito que não haverá fim para esse tormento, mas está escrito tormento infinito."

Esta revelação está diante do povo, neste volume, desde o ano de 1834, e contudo quão poucos lhe deram atenção. Suponhamos que repita parte desta última citação — "Contudo, não está escrito que não haverá fim para esse tormento; mas está escrito, tormento infinito."

"Também, está escrito condenação eterna; portanto, está mais explícito do que outras escrituras, a fim de influenciar o coração dos filhos dos homens inteiramente para a glória de meu nome. Explicar-vos-ei, portanto, este mistério, porque vos convém conhecê-lo, assim como meus apóstolos. Falo a vós que fostes escolhidos com referência a este assunto, como se fôsseis um, para que entreis em meu descanso. Pois eis que o mistério da divindade, quão grande é! Pois eis que eu sou infinito e o castigo que é dado pela minha mão é castigo infinito, pois Infinito é meu nome. Portanto — Castigo eterno é castigo de Deus. Castigo infinito é castigo de Deus."

Se me recordo bem, penso não haver lugar algum na Bíblia tão explícito quanto a este nome da Divindade — "pois Infinito é meu nome."

"Portanto, ordeno que te arrependas e guardes os mandamentos que recebeste pela mão de Joseph Smith Júnior em meu nome; E é pela minha onipotência que os recebeste; Portanto, ordeno que te arrependas — arrepende-te, para que eu não te fira com a vara de minha boca e com minha ira e com minha cólera e teus sofrimentos sejam dolorosos — quão dolorosos tu não sabes, quão intensos tu não sabes, sim, quão difíceis de suportar tu não sabes. Pois eis que eu, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam; Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri; Sofrimento que fez com que eu, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito — e desejasse não ter de beber a amarga taça e recuar — Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens. Assim, ordeno outra vez que te arrependas, para que eu não te humilhe com minha onipotência; e que confesses teus pecados para que não sofras esses castigos dos quais falei, os quais experimentaste em pequeníssima, sim, em ínfima proporção, quando retirei meu Espírito."

Esta linguagem não precisa de explicação particular para os que já conheceram Martin Harris.

"E ordeno-te que nada pregues a não ser arrependimento; e não mostres estas coisas ao mundo até que me pareça prudente. Porque agora não podem tolerar carne, devem receber leite; portanto, não deverão conhecer estas coisas, para que não pereçam. Aprende de mim e ouve minhas palavras; anda na mansidão de meu Espírito e terás paz em mim. Eu sou Jesus Cristo; vim pela vontade do Pai, e cumpro a sua vontade."

Desejo ligar esta parte da revelação dada a Martin Harris com algumas palavras da revelação chamada a Visão —

"Assim diz o Senhor concernente a todos os que conhecem o meu poder e dele foram feitos participantes; e que se deixaram vencer pelo poder do diabo e negaram a verdade e desafiaram o meu poder — Estes são os filhos de perdição, de quem eu digo que melhor lhes fora nunca terem nascido; Pois são vasos de ira, condenados a sofrer a ira de Deus com o diabo e seus anjos na eternidade; Sobre os quais eu disse que não há perdão neste mundo nem no mundo vindouro — Tendo negado o Santo Espírito, depois de havê-lo recebido, e tendo negado o Filho Unigênito do Pai; tendo-o crucificado dentro de si e tendo-o envergonhado abertamente. Estes são os que irão para o lago de fogo e enxofre com o diabo e seus anjos — E os únicos sobre quem a segunda morte terá qualquer poder; Sim, em verdade, os únicos que não serão redimidos no devido tempo do Senhor depois de terem sofrido a sua ira. Pois todos os demais ressurgirão na ressurreição dos mortos, pelo triunfo e pela glória do Cordeiro que foi morto e que estava no seio do Pai antes que os mundos fossem feitos."

Desejei ligar estas duas citações, e referir-me diretamente à situação do mundo, crendo que isso pode se tornar proveitoso como tudo o mais. Todas as revelações que são dadas, e cada revelação que foi dada, e todo fato ou verdade revelado aos filhos dos homens é para seu benefício; e, se aproveitado, com honestidade e verdade, em retidão e humildade, para a glória de Deus, e para sua própria honra, é um benefício duradouro; mas se se voltarem e fizerem uso perverso disso, será sempre para sua condenação: consequentemente, cabe aos habitantes da terra conhecer as bênçãos e os privilégios que o Senhor tem para eles gozarem. Foi dito pelo Salvador, quando na carne, aos escribas e fariseus e doutores da lei eruditos; e se aplicará a toda classe e grau, e a todo indivíduo em toda comunidade: "Esta é a condenação: a luz veio ao mundo, e os homens preferem as trevas à luz."

Assim é; sempre foi, e sempre será assim: quando a luz vem, se o povo rejeita essa luz, ela os condenará, e acrescentará à sua tristeza e aflição. Assim é com os habitantes da terra, hoje em dia, tanto quanto era nos dias do Salvador, ou em qualquer outro período do mundo. A luz vem ao mundo, mas os homens escolhem as trevas: quando o fazem, isso prova que suas obras são más. Este princípio pode se mostrar benéfico para nós e para todo filho e filha de Adão que ouvem e têm o privilégio de ouvir e de entender por si mesmos.

Quando examinamos os habitantes da terra, e olhamos para nós mesmos, e contemplamos nossa própria situação e circunstâncias, estamos convencidos de que nós, como povo, somos favorecidos acima de qualquer outra classe sobre a face deste globo. Nossas bênçãos se multiplicam para conosco mais do que para qualquer outro povo. Temos o privilégio de saber como escapar deste mundo de tristeza e pecado, para entrar pela porta estreita de que falou o Salvador, e obter a vida eterna.

Há algum outro povo que conheça estes princípios — que tenha confiadas a si as chaves do santo Sacerdócio, pelas quais possa salvar-se a si mesmo, salvar sua família, salvar seus vizinhos, e salvar todos os que os ouvirem? Onde está essa comunidade? Não sei. Assim poderia exclamar esta congregação, se a mesma pergunta lhe fosse feita: podem dizer, não sabemos.

Somos abençoados, grandemente abençoados; e quando contemplamos até mesmo nossas aflições, o fato é que nos parecem não valer a pena mencionar: jamais deveriam vir à nossa lembrança. Temos o privilégio de servir ao Senhor, de crescer em graça, e obter aquilo que o Senhor tem para nós. Este é o povo que o Senhor tenciona seja preparado para entrar pela porta estreita; pois estreita é a porta e apertado é o caminho, diz Jesus, que conduz às vidas infinitas. É traduzido, na versão do Rei Jaime do Antigo Testamento, "que conduz à vida eterna." Mas em nossas revelações recentes é traduzido, "Estreita é a porta e apertado é o caminho que conduz às vidas infinitas, e poucos há que a encontrem."

Se eu perguntasse aos Santos dos Últimos Dias se todos esperam entrar pela porta estreita de que falou o Salvador — se todos vão herdar vidas infinitas, todos responderiam afirmativamente. Espero que sim. Realmente me alegraria, se assim fosse; mas não posso crer por um momento sequer que toda pessoa que recebe este Evangelho estará preparada para entrar pela porta estreita e herdar vidas infinitas. Mas há um fato, e este é inegável — não podemos alterá-lo, e é que todo homem será julgado segundo suas obras, e todo homem receberá de acordo com a extensão de sua capacidade.

Todo indivíduo entre os Santos dos Últimos Dias e entre todos os que professam religião, e depois entre todos os pagãos sobre a face da terra, será julgado segundo suas obras. É isso tudo? Não. Todo indivíduo também receberá de acordo com a extensão de sua capacidade. Poder-se-ia perguntar: todos os indivíduos que recebem o novo e eterno convênio, e por seus atos a ele se submetem — são eles capazes de receber a glória a ser revelada — as coroas de glória, de imortalidade, e de vidas eternas? Podeis responder a essa pergunta vós mesmos. Pausai um momento.

Remeterei vossas mentes a Abraão. Ele viveu muitos anos sem filhos, e buscou diligentemente do Senhor saber se seu nome seria apagado do livro — se se tornaria extinto. Era um homem justo, um homem bom, e conversava com seu Senhor, recebia revelações do alto, e comungava com seres celestiais; enquanto seu clamor constante era, ó Senhor, meu nome cessará aqui? Podeis ler na Bíblia como obteve uma promessa, e sua esposa de fato lhe deu um filho em sua velhice. Ele obteve esta promessa — "Abraão, meu filho, terás uma posteridade, e uma grande nação surgirá de teus lombos; receberás o desejo de teu coração. Que podes desejar, Abraão?" Quero saber se este será o fim de minha posteridade? E meu nome cessará aqui? Não, diz o Senhor; a tua posteridade não haverá fim. Recordai-vos do que diz o Apóstolo a este respeito. É isto — "Sua semente será como a areia à beira-mar, e como as estrelas no firmamento, em multidão; não poderão ser contadas, deste tempo em diante e para sempre; são infinitas, e continuam ainda a aumentar e aumentar."

Aqui está a própria posteridade de Abraão nesta casa. Quase toda esta congregação é composta por eles; e estão em aumento, espalhando-se à direita e à esquerda, segundo a promessa feita a Abraão, e as bênçãos que ele buscava ardentemente. Menciono isto para vos recordar de um fato: é uma grande bênção, e uma das maiores que se pode conceder a um ser mortal, receber a sanção do Todo-Poderoso, a voz de Deus ao homem, dizendo que ele herdará vidas eternas. O dom da vida eterna é o maior de todos os dons que se pode conceder à humanidade.

Quando avançamos para outras comunidades, ou contemplamos o passado, e olhamos para nossos antepassados, qual será sua situação? Qual seu destino? Posso dizer-vos, e permitir-me-eis julgar o assunto; não, contudo, que eu vá julgá-los e pronunciar sentença sobre eles; mas sua situação é clara para os que entendem.

Meu pai e meu avô — meus antepassados foram alguns dos religiosos mais estritos que viveram sobre a terra. Sem dúvida podeis dizer o mesmo dos vossos. De minha mãe — a que me gerou — posso dizer, nenhuma mulher melhor jamais viveu no mundo do que ela. Tenho os sentimentos de um filho para com ela. Deveria tê-los — é justo; mas julgo o assunto pertinente a ela pelos princípios e o espírito dos ensinamentos que dela recebi.

Consentiria ela num de seus filhos, no mínimo ato que fosse errado segundo suas tradições? Não, em grau algum. Fui criado tão estritamente, tão firmemente na fé da religião cristã por meus pais, que se eu tivesse dito, "Diabo," acreditaria ter jurado muito malignamente, não importa em que ocasião ou sob que circunstâncias isso viesse a ocorrer. Se eu usasse o nome de Diabo, certamente teria sido castigado, e severamente. Permitiriam meu pai ou minha mãe que algum de seus filhos dissesse, "Que droga"? Foram alguma vez permitidos dizer, "Eu juro"? Não. Se tivéssemos dito qualquer dessas palavras, teríamos sido açoitados por isso. Não digo que não dissemos tais coisas quando fora da vista de pai e mãe; mas se, por algum meio, chegasse aos seus ouvidos, com certeza seríamos castigados.

Ouvi eu alguma vez um homem jurar na casa de meu pai? Não, jamais em minha vida. Nunca ouvi meu pai, nem ninguém em suas propriedades, jurar a ponto de dizer, "Que droga," ou "Maldição," ou "o Diabo." Assim vedes que fui criado bastante estritamente. Minha mãe, enquanto viveu, ensinou seus filhos o tempo todo a honrar o nome do Pai e do Filho, e a reverenciar o santo Livro. Dizia ela, lede-o, observai seus preceitos, e aplicai-os às vossas vidas tanto quanto possível: fazei tudo o que é bom; não façais nada que seja mau; e se virdes alguma pessoa em aflição, atendei às suas necessidades: nunca permitais que a ira se levante em vosso peito; pois, se o fizerdes, podeis ser vencidos pelo mal. Não sei se algum dia lesei meu vizinho, ainda que no valor de um alfinete. Fui ensinado, quando criança, a não tirar um alfinete do quintal de um vizinho, mas a levá-lo para dentro de casa e dá-lo a alguém da família. Nunca minha mãe ou meu pai consentiu em que algum de seus filhos fizesse algo para lesar seu vizinho ou semelhante, mesmo que fossem prejudicados por eles. Se me prejudicaram, dizia meu pai, deixai-me retribuir o mal com o bem, e deixá-lo na mão do Senhor; ele me abençoará por fazer o certo e os amaldiçoará por fazerem o errado.

Mencionei apenas meus próprios pais e seus ensinamentos a seus filhos para trazer diante de vossas mentes os milhares e milhões e milhares de milhões de habitantes da terra que viveram e passaram deste palco de ação, e os milhões que agora vivem, comendo, bebendo, e ocupados nas buscas quase infinitas da vida mortal como nós, cada um se movendo segundo sua própria capacidade e segundo suas próprias visões e noções das coisas; mas todos igualmente respiram o ar livre e bebem da água livre, e todos estão diante do Senhor. Trago à tona estes pequenos itens para preparar o caminho para a pergunta: "O que fareis com todos esses habitantes da terra?"

Os metodistas respondem: "Precisais vir ao banco dos ansiosos, ou então ser lançados naquele lago de fogo e enxofre, e ali viver para sempre, sem fim algum para vosso tormento, entre demônios ocupados em vos jogar de um lado para o outro, acrescentando enxofre ao fogo e fogo ao enxofre. Deveis ficar ali por milhões e milhares de milhões e milhões de bilhões de anos, e todo o resto que um homem possa pensar em forma de números. Depois de terdes vivido ali tantos anos, não estareis mais próximos do fim deste terrível tormento do que estáveis quando ele começou."

Isto sempre me pareceu, desde a infância até hoje, uma peça de completo absurdo, falar dos habitantes da terra estarem assim irremediavelmente perdidos — falar de meu pai e minha mãe, e dos vossos, ou de nossos antepassados, que viveram fielmente segundo a melhor luz que tinham; mas porque não tinham o convênio eterno e o santo Sacerdócio em seu meio, deveriam ir para o inferno e ali assar por toda a eternidade. É um absurdo para mim; sempre foi, e ainda é.

O que fareis com eles? Dir-vos-ei. Tomai os metodistas e todo reformador, desde o mais recente até o rei Jaime, que se separou da autoridade do Papa, e as centenas e milhares que agora vivem sobre a terra, e viveram e desapareceram, que não professam religião alguma, mas ficam à margem de todos os partidos — entre os que já morreram e os que vivem, há multidões que foram, e são, tão boas quanto sabem ser.

Ora, o ponto é saber o que faremos com eles. Vamos enviá-los a um inferno sem fim? Isto requer um pouco de explicação; pois se eu dissesse que todos vão para o inferno, com certeza estaria dizendo a verdade; e posso dizer, como disse no último sábado, todos vão para lá, tanto Santo quanto pecador, num certo sentido da palavra.

Há razões para isso, e cabe ao homem entender quais são, colocando cada coisa em seu lugar, classificando e pondo todas as coisas onde pertencem, para tornar completa a doutrina da salvação. A pré-ordenação, por exemplo, e a graça livre, são ambas doutrinas verdadeiras; mas devem ser corretamente combinadas e classificadas de forma adequada, de modo a produzir harmonia entre essas duas doutrinas aparentemente opostas. Precisamos saber, quando o Senhor fala, do que ele está falando, e a quem ele está se referindo; tudo isso, e bem mais, é necessário para se obter um conhecimento adequado de todo o plano da salvação.

Pergunto-vos de novo, o que faremos com pai e mãe? Vamos enviá-los à perdição, e ali deixá-los debater-se em terrível miséria e tormento sem fim? Não; não faremos nada disso; mas os colocaremos onde pertencem.

Ora, entendei, todos os espíritos vieram de Deus, e vieram puros de sua presença, e foram postos em tabernáculos terrenos, que foram organizados com esse expresso propósito; e assim o espírito e o corpo se tornaram uma alma vivente. Se essas almas viverem segundo a lei do céu, Deus ordenou que se tornassem templos preparados para herdar todas as coisas. Desejo que entendais que todos os espíritos são puros quando são postos nestes tabernáculos; mas não temos tempo de explicar ou apresentar-vos as razões da variação de aparência nos tabernáculos mortais. Há causas para isso. Nossos espíritos preenchem os tabernáculos organizados para eles; o corpo é uma habitação para o espírito nele habitar; e se o espírito e o corpo concordam ambos em guardar todas as leis e todos os mandamentos que o Senhor revela àquele tabernáculo, ele jamais será destruído.

Quantos serão preservados? Todos os que não negam nem desafiam o poder e o caráter do Filho de Deus — todos os que não pecam contra o Espírito Santo. Ora, voltemos de novo. Aqui estão os espíritos que vieram e tomaram posse dos tabernáculos preparados; entraram em sua casa; e observais que essas habitações dos espíritos dos homens estão espalhadas pela face da terra, e vieram do Senhor puros em seus espíritos. Estes entram em seus tabernáculos e são excluídos de sua presença e do conhecimento do Senhor: são ignorantes, cheios de incredulidade, expostos às tradições ímpias dos pais, com as quais têm de lutar, e toda a maldade que há no mundo, com a qual têm de contender.

Com os olhos da mente, olhai para os milhões deles, em todas as nações, que estão fazendo segundo o melhor conhecimento que possuem. O quê! Os católicos romanos? Sim, e depois cada uma de suas filhas, até a mais recente Igreja Protestante que se organizou. Todos estão fazendo tão bem quanto podem, e vivendo segundo a melhor luz que têm — muitos deles, embora não todos. O que faremos com eles? Passam deste mundo, seus espíritos vão para o mundo espiritual, e seus corpos voltam para a terra-mãe, e ali dormem, enquanto seus espíritos estão diante do Senhor.

São eles felizes? Todo filho e filha de Adão que vivem segundo a melhor luz e conhecimento que têm, quando vão para o mundo espiritual, são felizes na proporção de sua fidelidade. Por exemplo, tomai uma visão de alguns de nossos recentes reformadores; tomai o melhor exemplo de reformadores que temos, que estão sempre cheios de glória e felicidade e cheios de louvor ao Senhor — que se reúnem com frequência para cantar, orar, pregar, gritar de alegria, e dar graças ao Senhor Todo-Poderoso; e em muitos casos, e em grande grau, gozam de muito de um bom espírito, que é o Espírito do Senhor, ou a luz de Cristo, que ilumina o mundo.

Ora, isto pode parecer estranho para alguns. O quê! Eles gozam do Espírito do Senhor? Sim, todo homem e mulher, segundo sua fé e o conhecimento que têm em sua posse. Gozam da bondade de seu Pai nos céus. Recebem o Espírito do Senhor? Recebem, e gozam de sua luz, e nela andam, e nela se regozijam.

Qual será seu estado daqui em diante? Todo metodista fiel que viveu de acordo com e cumpriu fielmente as exigências de sua religião, segundo a melhor luz que tinha, fazendo bem a todos e mal a nenhum, não prejudicando pessoa alguma sobre a terra, honrando seu Deus tanto quanto sabia, terá um céu tão grande quanto jamais antecipou na carne, e muito maior ainda. Todo presbiteriano, e todo quaker, e todo batista, e todo membro católico romano — todo reformador, de qualquer classe ou grau, que vive segundo a melhor luz que tem, e nunca teve oportunidade de receber luz maior do que a que tem em sua posse, terá e gozará de tudo por que vive.

Estou vos dizendo a verdade tal como é, e podeis escrevê-la se quiserdes, e chamá-la de revelação se assim o desejardes. Mas já foi revelada antes de eu a revelar aqui hoje. Esta é a situação da cristandade após a morte.

Podeis ir entre os pagãos, ou entre todas as nações que existem, e eles têm sua religião, seus sacramentos, e cerimônias, que lhes são tão sagrados quanto os nossos o são para nós: são tão preciosos e caros para eles, embora os chamemos de pagãos. São adoradores idólatras; contudo sua religião lhes é tão sagrada quanto a nossa é para nós. Se vivem segundo a melhor luz que têm em sua religião, Deus é Deus sobre todos e o Pai de todos nós; somos todos a obra de suas mãos; e se são ignorantes, cheios de superstição, e têm as tradições dos pais entrelaçadas como um manto ao seu redor e sobre eles, de modo que não podem ver luz alguma, assim serão julgados; e se viveram segundo o que possuíam, assim receberão daqui em diante.

E será glória, podeis perguntar? Sim. Glória, glória, glória a nosso misericordioso Pai nos céus; pois a menor glória de que se fala nesta Visão dada a Joseph Smith, filho, e a Sidney Rigdon, não pode ser descrita: é tão grande e tão requintada que está inteiramente além da percepção mortal.

Não puderam escrevê-la, nem descrevê-la em linguagem. A glória do mundo telestial nenhum homem conhece, a não ser que dela participe; e, contudo, naquele mundo diferem em glória como as estrelas no firmamento diferem umas das outras. A glória terrestrial é ainda maior, e a celestial é a maior de todas; essa é a glória de Deus, o Pai, onde reina nosso Senhor Jesus Cristo. Bem, este povo é privilegiado acima de todo outro povo sobre a terra: esta comunidade — esta congregação agora diante de mim — são o povo cujas bênçãos são muito superiores às bênçãos de toda a família humana à parte.

Que espécie de pessoas devemos ser? Não deveriam todas as nossas vidas estar cheias de louvor, e glória, e aleluias a Deus e ao Cordeiro, com boas obras e bons sentimentos, sendo cheios do Espírito de Deus? Se assim fosse, haveria algum espaço para ira ou contenda daqui em diante? Não haveria um homem ou mulher que pudesse achar tempo para falar de seus vizinhos ou contender com um irmão, mas todos os corações estariam santificados diante do Senhor, e toda língua estaria falando louvor, e toda mão estaria estendida para fazer o bem e buscar edificar o reino de Deus; e nunca mais pecariam. Se buscarmos edificar este reino, daqui em diante o Senhor nos edificará. Não sei se conseguirei chegar à metade do que quero dizer hoje. Desejo voltar e nos examinar a nós mesmos, em seguida.

Quantas glórias e reinos haverá na eternidade? Vereis a mesma variedade na eternidade que vedes no mundo. Por exemplo, vedes aqui uma classe de homens que viveram segundo a melhor luz que tinham. Podeis ir entre os pagãos, ou entre os cristãos, não importa; chamá-los-ei a todos de cristãos, ou a todos de pagãos, se isso acomodar os sentimentos de alguém, pois não deixam de ser, em grande parte, todos pagãos. Tomaremos os melhores homens que pudermos encontrar entre eles — quando passam pelo véu estão na felicidade, estão na glória, vão entre os espíritos desencarnados; mas não vão para onde há corpos ressuscitados, pois ali não podem viver: um Profeta ou um Apóstolo não pode viver ali. Também vão ao mundo espiritual para viver com espíritos. Comungam com o Pai e o Filho? O Pai comunga com eles como lhe apraz, por meio de anjos, ou de outra forma do Filho e do Espírito Santo. Esta é a situação do Profeta, do Apóstolo, e de todos os Santos antes de receberem seus corpos ressuscitados; mas estão à espera do tempo em que receberão seus corpos do pó; e os que foram fiéis, provavelmente, receberão em breve seus corpos ressuscitados. Abraão já teve seu corpo há muito tempo, e habita com o Pai e o Filho, entre todos os Profetas e Santos fiéis que receberam seus corpos ressuscitados imediatamente após a ressurreição do Salvador. Estavam então preparados para entrar no descanso do Pai e serem coroados com glória e vidas eternas; mas não estavam preparados antes.

Nenhum espírito de Santo ou pecador, do Profeta ou daquele que mata o Profeta, está preparado para seu estado final: todos passam pelo véu, deste estado, e vão para o mundo dos espíritos; e ali habitam, à espera de seu destino final. Sem dúvida vos parece uma ideia singular que tanto o Santo quanto o pecador vão ao mesmo lugar e habitam juntos no mesmo mundo. Podeis ver a mesma variedade neste mundo. Vedes os Santos dos Últimos Dias, que vieram a estes vales — estão por si mesmos como uma comunidade, contudo estão no mesmo mundo que outras comunidades. Mas não sinto como se estivesse habitando onde há seis ou oito tipos de religião ou mais, e, afinal, religião nenhuma. Não estou habitando onde há blasfêmia, e juramento, e corridas de cavalo, e jogos de azar, e tudo o mais calculado para perturbar uma comunidade pacífica. Embora eu esteja no mesmo mundo onde tudo isso existe, não estou habitando onde isso está, nem sou perturbado por isso; mas sou pacífico e sirvo ao Senhor.

Podeis ver a variedade aqui. Os presbiterianos podem ir viver por si mesmos e construir cidades e vilas, e tentar proibir todas as demais pessoas que não sejam presbiterianas de habitarem com eles. Os metodistas podem fazer o mesmo; os batistas podem fazer o mesmo. Temos o privilégio de organizar a sociedade neste mundo como quisermos, em certo sentido. Isto é o que o Sr. Owen chama de socialismo. Ele diz que a humanidade é controlada pelas circunstâncias, e outros dizem que a humanidade governa e controla as circunstâncias. Ambos são verdadeiros. Governamos e controlamos as circunstâncias; mas quando entramos em circunstâncias que o Senhor controla, então somos controlados pelas circunstâncias. Eu e meus irmãos podemos ir e nos estabelecer em certa parte; e se quisermos, podemos entrar no comércio ou na criação de gado; e se quisermos, podemos viver sem família, como um shaker. Desta forma podemos controlar as circunstâncias em grande medida, embora haja circunstâncias sobre as quais não temos controle algum. Tudo isto exibe exatamente a situação do povo daqui em diante: eles controlam as circunstâncias em grande medida, e às vezes as circunstâncias os controlam. Quando estão no mundo dos espíritos, ali estão o Profeta e o Patriarca; todos os homens justos estão ali, e todos os homens ímpios também estão ali.

O que se fará com eles? Pouco a pouco Sião será edificada; Templos serão erguidos, e o santo Sacerdócio entrará em vigor e governará, e toda lei de Cristo será obedecida, e ele governará e reinará Rei das nações como agora é Rei dos Santos. Muito em breve vereis Templos erguidos, e os filhos de Jacó entrarão nos Templos do Senhor. O que farão ali? Farão muitas coisas. Quando virdes Sião redimida e edificada — quando virdes o povo realizando as ordenanças de salvação por si mesmos e por outros (e o farão daqui em diante), vereis simplesmente isto (mas não tenho tempo, nesta manhã, para vos contar senão uma pequena parte disso). Por volta da época em que os Templos do Senhor serão construídos e Sião estabelecida — bem próximo a esse tempo, vereis (os que forem suficientemente fiéis), antes que percebais, haverá estranhos em vosso meio, andando convosco, falando convosco: entrarão em vossas casas e comerão e beberão convosco, irão ao culto convosco, e começarão a abrir vossas mentes, como o Salvador fez aos dois discípulos que caminhavam pelo campo, nos dias antigos.

Por volta da época em que os Templos estiverem prontos, os estranhos estarão presentes e conversarão convosco, e vos perguntarão, provavelmente, se entendeis a ressurreição dos mortos. Podereis dizer que já ouvistes e lestes muito a respeito, mas que não a entendeis devidamente; e eles então abrirão vossas mentes e vos contarão os princípios da ressurreição dos mortos e como salvar vossos amigos: apontarão as Escrituras no Antigo e no Novo Testamento, no Livro de Mórmon, e outras revelações de Deus, dizendo: "Não vos recordais de ler tal e tal coisa, que salvadores viriam sobre o monte Sião?" etc.; e vos explicarão as Escrituras. Tendes vossos Templos prontos: ide, pois, e sede batizados por essas boas pessoas. Ali estão vosso pai e vossa mãe — vossos antepassados de muitas gerações atrás — o povo que viveu sobre a face da terra desde que o Sacerdócio foi tirado, milhares e milhões deles, que viveram segundo a melhor luz e conhecimento em sua posse. Eles vos explicarão as Escrituras, e abrirão vossas mentes, e vos ensinarão a respeito da ressurreição dos justos e dos injustos, da doutrina da salvação: usarão as chaves do santo Sacerdócio, e destrancarão a porta do conhecimento, para vos deixar olhar dentro do palácio da verdade. Exclamareis, isso é tudo bem claro: por que não o entendi antes? E começareis a sentir vosso coração arder dentro de vós, enquanto caminham e conversam convosco.

Entrareis no Templo do Senhor e começareis a oferecer ordenanças diante do Senhor por vossos mortos. Diz este ou aquele homem, quero salvar tal pessoa — quero salvar meu pai; e ele vai imediatamente à ordenança do batismo, e é confirmado, e lavado, e ungido, e ordenado às bênçãos do santo Sacerdócio por seus antepassados. Antes de esta obra se concluir, muitos dos Élderes de Israel no monte Sião se tornarão colunas no Templo de Deus, para não mais saírem: comerão e beberão e dormirão ali; e frequentemente terão ocasião de dizer — "Alguém entrou no Templo ontem à noite; não sabíamos quem era, mas era, sem dúvida, um irmão, e nos contou muitas coisas que antes não entendíamos. Deu-nos os nomes de muitos de nossos antepassados que não estão registrados, e me deu minha verdadeira linhagem e os nomes de meus antepassados de centenas de anos atrás. Disse-me, tu e eu estamos ligados numa só família: ali estão os nomes de teus antepassados; toma-os e escreve-os, e sê batizado e confirmado, e salva tal e tal pessoa, e recebe das bênçãos do Sacerdócio eterno por tal e tal indivíduo, como fazes por ti mesmo." Isto é o que faremos pelos habitantes da terra. Quando olho para isso, não quero descansar muito, mas ser diligente o dia todo. Pois, quando pensamos nisso, não temos tempo a perder, pois é um trabalho bastante árduo.

Sinto grande vontade de deixar o chicote deslizar um pouco sobre alguns homens. Pensais que eles quereriam ir à Califórnia buscar ouro, ou correr às balsas, de onde o nome do Todo-Poderoso é blasfemado, se entendessem devidamente estas coisas — o caminho da vida e da salvação? Entrareis no Templo do Senhor, quando, pouco a pouco, aparecerem, por exemplo, os irmãos Joseph e Hyrum Smith; pois serão perfeitamente capazes de vir e passar a noite convosco, sem que saibais quem são. Ou suponde que David Patten venha, e aperte a mão de alguns dos Doze, e queira passar a noite com eles e explicar as Escrituras e revelar as coisas ocultas de Deus. Não faltará muito para que assim seja.

Suponde que estejamos prontos para isso, e um grande Templo seja construído no ponto central, no Condado de Jackson. Senhores, não vos assusteis; pois, se não voltarmos para lá, nossos filhos e filhas o farão; e um grande Templo será construído sobre o local consagrado, e muitos outros além desse. A terra de José é a terra de Sião; e são necessárias a América do Norte e a do Sul para formar a terra de José. Suponde que estejamos prontos para entrar nos Templos de Deus para oficiar por nossos pais e nossos avós — por nossos antepassados de centenas de anos atrás, que estão todos observando o que seus filhos estão fazendo sobre a terra. O Senhor diz, enviei as chaves de Elias, o Profeta — comuniquei aquela doutrina para converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais. Ora, todos vós, filhos, estais atentos à salvação de vossos pais? Estais buscando diligentemente redimir aqueles que morreram sem o Evangelho, na medida em que buscaram o Senhor Todo-Poderoso para obter promessas para vós? — pois nossos pais de fato obtiveram promessas de que sua semente não seria esquecida. Ó vós, filhos dos pais, olhai para estas coisas. Deveis entrar nos Templos do Senhor e oficiar por vossos antepassados.

Suponde que estejamos prontos para entrar no Templo, para sermos batizados e cuidarmos das ordenanças por cem de nossos melhores antepassados, e Thomas diga a John, "John, cuida disso e vê a isso; quero ir a esta balsa fazer um pouco de dinheiro"; ou "Joseph, tu conheces os nomes de nossos antepassados melhor do que eu; não irias tu cuidar da salvação deles? Eu não tenho tempo; quero construir uma ponte." "James, estás pronto para cumprir teus deveres pelos mortos?" "Não; quero ir cuidar de uma mercearia." E conheceis a linguagem comum a tais lugares: o nome do Senhor é blasfemado, e seus servos são amaldiçoados com juramentos amargos.

Que pensais disso, senhores, Élderes em Israel? De que vos serviria o dinheiro, se estivésseis agora no limiar da eternidade, e a eternidade se abrisse para vós? Teríeis a apostasia, como agora a tendes? Um pouco de dinheiro é mais para tais pessoas do que a salvação de todos os filhos e filhas de Adão. Quisera ter uma voz como dez mil terremotos, para que todo o mundo pudesse ouvir e conhecer a bondade amorosa do Senhor.

Estou dizendo-vos coisas que estão constantemente diante de mim. Quando homens e mulheres se estendem em busca das coisas perecíveis deste mundo, e se desviam do caminho do dever e põem em risco sua salvação, tem-se dito que isso fere os sentimentos do irmão Brigham. É verdade, e eu poderia até chorar por tais pessoas; e os anjos choram por nós, ao ver nossa insensatez — que sejamos tão frívolos a ponto de correr atrás das coisas passageiras do mundo, e fixar nossas mentes e sentimentos nas riquezas, e negligenciar nosso dever de nos prepararmos para a vinda do Filho do Homem, para a vinda dos antigos e modernos Apóstolos e Profetas, para a redenção de Sião, e a redenção de nossos queridos amigos em toda era do mundo em que o Sacerdócio não esteve sobre a terra.

Ora, a pergunta em nossas mentes é: participará todo o mundo destas bênçãos? Sim, todo o mundo. Não haverá nenhum que se perca? Não haverá nenhum que sofra a ira do Todo-Poderoso? Posso dizer, em primeiro lugar, como disse toda a minha vida, onde quer que tenha pregado, nunca tive o espírito de pregar inferno e condenação ao povo. Já tentei muitas vezes — tentei no último sábado, e tentei hoje chegar a esse ponto — os sofrimentos dos ímpios. Parece que sofrerão; mas não consigo fixar meu coração em nada além da salvação para o povo. Todas as nações participarão destas bênçãos; todas estão incorporadas na redenção do Salvador. Ele provou a morte por todo homem: todos estão em seu poder, e ele os salva a todos, como diz, exceto os filhos de perdição; e o Pai colocou todas as criações desta terra em seu poder. A própria terra, e a humanidade sobre ela, os animais brutos, os peixes do mar, e as aves do céu, os insetos, e toda criatura rastejante, com todas as coisas pertinentes a este globo terrestre — tudo está nas mãos do Salvador, e ele os redimiu a todos. Quem há que esteja fora de seu poder? Dir-vos-ei, em primeiro lugar, ele fez do homem um agente para si mesmo diante do Senhor, com tudo o mais que ordenou, para que a humanidade agisse por si mesma, pensasse por si mesma, negociasse por si mesma. Podem escolher o bem e abandonar o mal, ou apegar-se ao mal e negligenciar a luz e o bem, como quiserem. A vida e a morte são postas diante deles, e têm o privilégio de escolher a vida ou a morte. Se escolhem a morte, o mal, e as trevas, chegará o tempo em que aqueles familiarizados com o poder de Deus negarão esse poder, e falarão contra o Espírito Santo, e cometerão o pecado imperdoável. Eles então se lançam para fora do poder do Salvador, e tomam para si poder, e dizem, "Não escutarei mais o Senhor Jesus; servirei a quem eu quiser, e desafio o poder do Filho de Deus." Rendem-se como servos ao Diabo e se tornam seus anjos. Estão então fora das mãos do Salvador, e jamais poderão habitar no céu, mundos sem fim.

Isto ilustrará a ideia. Já ouvistes muito sobre ter vossos nomes escritos no Livro da Vida do Cordeiro. Quando éramos cristãos, segundo a acepção comum da palavra, costumávamos pregar muito sobre ter nossos nomes escritos naquele livro. Dir-vos-ei como é. Os nomes de todo filho e filha de Adão já estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro. Haverá alguma vez em que serão retirados dele? Sim, quando se tornarem filhos de perdição, e não antes. Toda pessoa tem o privilégio de mantê-lo ali para todo o sempre. Se negligenciarem esse privilégio, então seus nomes serão apagados, e não antes. Todos os nomes da família humana estão escritos ali, e o Senhor os manterá ali até que cheguem ao conhecimento da verdade, de modo que possam rebelar-se contra ele, e possam pecar contra o Espírito Santo; então serão lançados ao inferno, e seus nomes serão apagados do Livro da Vida do Cordeiro.

Quero que os irmãos olhem para a obra que temos diante de nós. Contemplai vossas bênçãos, e as percebei. Não há povo que seja abençoado como o somos. Temos as palavras da vida eterna, o santo Sacerdócio do Filho de Deus. Possuímos as chaves desse Sacerdócio, e podemos nos preparar para nos tornarmos anjos de Deus — sim, mais, para nos tornarmos Santos de Deus — sim, mais, para nos tornarmos Deuses na eternidade, e sermos coroados com coroas de glória, imortalidade, e vida eterna. E ai daqueles que negligenciarem estas coisas — que as leem com leviandade! Ai daqueles que vivem entre o mundo, e amam as riquezas, ou qualquer coisa mais do que amam o Autor de nossa salvação!

Estas são algumas partes do Evangelho da redenção. Não é uma bênção? Não é um grande privilégio para os habitantes da terra conhecer a verdade tal como é — que ela ressoe em seus ouvidos, para que possam ir ao inferno e sofrer a ira do Todo-Poderoso; contudo, se não tiveram o privilégio de receber o santo Evangelho, não chegaram ao conhecimento da verdade, de modo a pecar contra o Espírito Santo, chegará o tempo, pelo poder e triunfo do Cordeiro, em que ele os fará ressurgir, depois de terem sofrido sua ira segundo as obras feitas no corpo. Não é uma grande bênção?

Dir-vos-ei, irmãos, e irmãs, e amigos, quando olho para estas coisas, desejo ardentemente que pudessem ser entendidas por todo o mundo universal. Desejo que pudessem vê-las e percebê-las, e contemplar a bondade, e a severidade, e a benevolência com essa severidade, e o amor que o Todo-Poderoso tem por eles. Se pudessem sabê-lo, não esperaríamos o nascer do sol de novo antes que todo joelho se dobrasse diante do Senhor, do leste ao oeste, e do norte ao sul, por todo este globo, e toda língua confessasse diante de Deus Pai que Jesus é o Cristo.

Quando o souberem e o entenderem, esse é o tempo em que o véu da cobertura será retirado de seus olhos, e toda a carne verá sua glória juntamente. Então todo joelho se dobrará, e toda língua confessará, que Jesus é o Cristo, o Redentor, o Salvador, e o legítimo herdeiro desta criação, e o honrarão como seu benfeitor benevolente, e o louvarão continuamente, embora estejam no mundo terrestrial.

Sinto dizer, que o Senhor vos abençoe! É com dificuldade que vos falo nesta manhã. Minha voz não troveja, como outrora; e seria uma miséria para mim falar a uma congregação, sem que me ouvissem. É com dificuldade que prego. Gostaria, se pudéssemos falar aqui por mil anos sem nos cansarmos, se tivéssemos a habilidade e o poder de fazê-lo. Chegaremos a isso, pouco a pouco. Que o Senhor vos abençoe e vos prepare para o reino de descanso. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Caráter Extenso do Evangelho—Abrangência da Revelação Divina, Etc.”, (1852-08-15). Pulpit Vault, 1852-08-15-young-extensive-character-of-the-gospel-etc. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).