A Terra — Sua Queda, Redenção e Destino Final — A Morada Eterna dos Justos
Orson Pratt
A terra foi formada para ser habitada — foi projetada para ser a morada da existência animada — o lugar de habitação de seres capazes de gozar a vida e a felicidade. ¶
No momento de sua criação, foi declarada por seu Autor como "muito boa". O termo "muito boa" não poderia ter significado algum, a não ser que fosse dito com referência a seres que fossem capazes de experimentar algum benefício de sua construção. Por mais belamente formada que seja — por mais grandiosos e magníficos que sejam seus movimentos — por mais habilmente que seus elementos estejam combinados, ou suas partes proporcionadas umas às outras —, ainda assim, se não fosse projetada para estar ligada a seres perceptivos, a terra não poderia ser declarada boa. ¶
Uma massa de elementos inanimados não pode ser organizada em nenhuma forma ou proporção possível de modo a beneficiar-se ou prejudicar-se a si mesma, e, portanto, não pode ser boa nem má em relação a si mesma. A bondade, e sua qualidade oposta, quando aplicadas à matéria inconsciente, sempre se referem a seres conscientes capazes de derivar dessas qualidades felicidade ou infelicidade. Este era o sentido do Criador quando atribuiu à terra a qualidade da bondade; ela continha todo ingrediente necessário para proporcionar felicidade aos seres que foram projetados para ocupá-la. ¶
Depois de feita toda preparação necessária, incontáveis espécies de seres vivos e móveis vieram do mundo espiritual para habitar corpos terrenos e tomar posse de sua morada nesta magnífica criação. Entre os demais, o homem — a prole da divindade — deixou seu lar antigo — seus irmãos e irmãs espirituais — e veio para um mundo lindamente adaptado às suas necessidades futuras. Aqui ele entrou em um tabernáculo de carne e ossos, e recebeu domínio e autoridade sobre todas as ordens inferiores da existência. ¶
Aqui reinava a imortalidade, e a morte não tinha domínio. Os elementos estavam tão sabiamente dispostos e proporcionados que a vida derivava de todas as coisas ordenadas para o uso do homem ou do animal, da ave ou do peixe. O elemento nutritivo da vida estava difundido pela terra, pelo oceano e pelo ar. A vida permeava todo vegetal e todo fruto não proibido ao homem. A vida reinava triunfante por toda essa vasta criação. A morte era desconhecida; não fora vista, nem ouvida, nem experimentada em nenhuma das variadas ordens de seres terrenos. ¶
Aqui, pois, havia uma criação "muito boa", habitada por seres capazes de existência eterna, tanto no corpo quanto no espírito. Aqui havia uma criação adaptada às necessidades de todos os seus habitantes, calculada para preservar imutável aquela imortalidade de que estavam dotados. Aqui, pois, havia uma criação digna de ser possuída como morada eterna. ¶
Tal era a herança dada ao homem, com seus vastos tesouros e suntuosos luxos — tal era o dom do céu, sob certas restrições. Essas restrições não foram cumpridas — o homem caiu — uma grande mudança se abateu sobre o belo rosto da criação — a terra foi amaldiçoada — sobrevieram doença, dor e miséria — a imortalidade cedeu lugar à mortalidade — a morte reinou triunfante por todo o reino animal — a herança eterna sobre a terra recém-formada foi perdida — tudo parecia perdido — perdido para sempre! Enquanto toda a criação gemia em completo desespero e morte, ouviu-se uma voz; não uma voz de ira e indignação, mas a voz da misericórdia e da compaixão — a voz do Criador, proclamando-se a si mesmo o Redentor; o amor fluía por cada frase — o homem escutava com avidez — a porta da esperança se abriu — o desespero fugiu — todas as coisas assumiram novamente um novo aspecto. A terra, embora amaldiçoada, havia de ser redimida — o corpo, embora corruptível, havia de revestir-se novamente de incorruptibilidade — tudo o que se perdera pela primeira transgressão havia de ser restaurado outra vez em sua excelência e beleza primitivas. Embora esta grande redenção fosse universal, a mudança seria gradual ou progressiva, não imediata; os efeitos da queda haveriam de continuar por um tempo, até que todos os habitantes do mundo espiritual, destinados a esta criação, aprendessem, pela amarga experiência, as infelizes consequências do pecado. Por isso, todo o mundo ainda geme sob os tristes efeitos da transgressão original. Tristeza, luto e morte ainda prevalecem — o idoso, o de meia-idade e o infante ainda sentem a força desses males — todos são feitos partícipes, em maior ou menor grau, da miséria e da infelicidade da queda — ninguém escapa — ninguém pode proclamar-se imortal, ou livre desses terríveis efeitos. ¶
A redenção universal da posteridade de Adão da queda será plenamente consumada depois que a terra tiver sido preenchida com sua medida de habitantes, e todos os homens tiverem sido redimidos da sepultura para a imortalidade, e a própria terra tiver sido mudada e feita inteiramente nova. ¶
Mas uma redenção universal dos efeitos do pecado original nada tem a ver com a redenção de nossos pecados pessoais; pois o pecado original de Adão e os pecados pessoais de seus filhos são duas coisas diferentes. O primeiro foi cometido pelo homem em seu estado imortal; o segundo foi cometido pelo homem em estado mortal; o primeiro foi cometido em estado de ignorância do bem ou do mal; o segundo foi cometido pelo homem tendo conhecimento de ambos, o bem e o mal. Como os pecados são diferentes, e cometidos em circunstâncias inteiramente diferentes, também as penalidades são diferentes. A penalidade da primeira transgressão foi uma separação eterna entre corpo e espírito, e o banimento eterno da presença de Jeová; enquanto a penalidade de nossas próprias transgressões não envolve a desunião entre corpo e espírito, mas apenas o banimento eterno. A primeira penalidade não apenas excluiu o homem da presença de Deus, mas o privou eternamente de um corpo; a segunda penalidade permite-lhe reter seu corpo, ainda que em condição de banimento. Como as penalidades são diferentes, também o é a redenção. A redenção da primeira penalidade é incondicional da parte do homem; a redenção da segunda penalidade é condicional. A redenção incondicional é universal; abrange todo o gênero humano; é tão ilimitada quanto a queda; redime os homens de todos os seus efeitos; restitui-lhes seus corpos; restitui-os à presença de Deus. ¶
Os filhos de Adão não tiveram arbítrio na transgressão de seus primeiros pais e, por isso, não lhes é exigido exercer arbítrio algum em sua redenção da penalidade dela. Eles são redimidos dela sem fé, arrependimento, batismo, ou qualquer outro ato, seja da mente, seja do corpo. ¶
A redenção condicional também é universal em sua natureza; é oferecida a todos, mas não é recebida por todos; é um dom universal, embora não universalmente aceito; seus benefícios só podem ser obtidos por meio da fé, do arrependimento, do batismo, da imposição das mãos e da obediência a todos os demais requisitos do evangelho. ¶
A redenção incondicional é um dom imposto ao gênero humano, que este não pode rejeitar, ainda que estivesse disposto a fazê-lo. Não assim com a redenção condicional; ela pode ser recebida ou rejeitada conforme a vontade da criatura. ¶
A redenção do pecado original é sem fé nem obras; a redenção de nossos próprios pecados é dada por meio da fé e das obras. Ambas são dons da graça gratuita; mas, enquanto uma é um dom imposto a nós incondicionalmente, a outra é um dom meramente oferecido a nós condicionalmente. A recepção de uma é compulsória; a recepção da outra é voluntária. O homem não pode, por ato algum possível, impedir sua redenção da queda; mas pode recusar e impedir absolutamente sua redenção da penalidade de seus próprios pecados. ¶
A terra, como a posteridade de Adão, foi amaldiçoada por causa do pecado original e, como eles, será redimida incondicionalmente, e restituída novamente à presença de Deus. No que diz respeito ao pecado original, a humanidade e a terra acompanham-se mutuamente. Quando um cai, o outro também cai. Quando um é redimido, o outro também é redimido. ¶
Se não houvesse outro pecado além do de Adão, a terra redimida teria se tornado a morada eterna de toda a posteridade de Adão, sem exceção alguma. Mas tanto o homem quanto a terra foram ainda mais corrompidos por outros pecados. A posteridade de Adão transgrediu o código de leis dado desde a queda, e sujeitou-se à sua penalidade. Esta penalidade não interfere com a primeira penalidade. O homem será redimido da primeira antes que a segunda seja plenamente infligida. Quando sua redenção da primeira morte estiver completa, virá então o julgamento, quando seus próprios pecados serão examinados, e não os de Adão. Ao comparecer diante do tribunal do julgamento, ele se verá inteiramente inocente da transgressão de Adão, e inteiramente redimido dos efeitos dela, mas ainda se verá culpado de seus próprios pecados individuais, cuja penalidade é uma segunda morte, não uma dissolução de corpo e espírito como a da primeira morte, mas um banimento da presença de Deus, e da glória de seu poder. ¶
A redenção da segunda morte, como já observamos, é condicional. Tendo o homem cometido voluntariamente o pecado, deve voluntariamente cumprir as condições da redenção; do contrário, deverá sofrer a penalidade. Se alguém se sentir inclinado a duvidar se a segunda penalidade será infligida, que observe a aplicação da primeira, ao longo dos últimos 6.000 anos. A primeira morte, com todos os males que a acompanham, tem estendido seus estragos entre todas as nações e gerações desde que a primeira lei foi quebrada. Se Deus, então, cumpriu sua palavra na primeira provocação, à risca, por que se haveria de supor que Ele não infligirá a segunda morte como penalidade da segunda provocação? ¶
Todas as gerações testemunham a fidelidade de sua palavra proferida no jardim do Éden. Por que, então, deveríamos supor que a justiça será frustrada, e que sua palavra se tornará nula quanto a qualquer penalidade futura com que o pecador é ameaçado? Se o pecado de um homem trouxe a primeira morte sobre milhões incontáveis, por que não haveria o pecado de cada homem de trazer a segunda morte sobre si mesmo? Não há escape para o pecador da segunda morte, senão pelas condições do evangelho. Todos os que crerem em Cristo, e se arrependerem de seus pecados, e forem batizados por imersão para a remissão deles, e receberem o Espírito Santo pela ordenança da imposição das mãos, e permanecerem fiéis até o fim, escaparão da penalidade da segunda morte. Todos os que rejeitarem essas condições deverão sofrê-la, pois a palavra de Deus não pode tornar-se nula, nem a justiça pode ser frustrada de seus severos decretos. ¶
Embora todo o gênero humano venha a ser plenamente redimido dos efeitos do pecado original, temos, contudo, grande razão para temer que poucos serão redimidos de seus próprios pecados. Esses poucos que forem redimidos receberão a terra como herança eterna; pois a terra, como já observamos, será redimida incondicionalmente da maldição do pecado original, e, no que diz respeito a esse pecado, não constituirá obstáculo algum para que a terra entre na presença de Deus. Mas, como a terra foi corrompida por outros pecados além do original, ela deve participar das maldições da segunda morte, depois de redimida das maldições da primeira, a menos que Deus tenha provido um meio para sua santificação e redenção dessas maldições. Aprouve ao grande Redentor instituir ordenanças para a purificação, santificação e redenção eterna da terra, não do pecado original, mas dos pecados da posteridade de Adão. ¶
A primeira ordenança instituída para a purificação da terra foi a da imersão em água; ela foi sepultada no elemento líquido, e tudo o que havia de pecaminoso em sua face foi lavado. Ao emergir do dilúvio oceânico, como a criança recém-nascida, ela era inocente, ergueu-se em novidade de vida; era seu segundo nascimento, do ventre das poderosas águas — um mundo novo surgindo das ruínas do antigo, revestido de toda a inocência de sua primeira criação. Assim como o homem não pode nascer de novo pela água sem um oficiante, também a terra necessitou de uma agência independente de si mesma, para administrar esta grandiosa ordenança purificadora, e restituí-la à sua pureza de infância. Esse oficiante foi o próprio Redentor. ¶
A segunda ordenança instituída para a santificação da terra é a do fogo e do Espírito Santo. Virá o dia em que ela arderá como um forno, e todos os soberbos, e todos os que praticarem a maldade serão como restolho; depois do que, a glória de Deus cobrirá a terra, como as águas cobrem o mar. Aqui, pois, há um batismo de fogo primeiro, e depois do Espírito Santo. Assim como o homem recebe o batismo de fogo e do Espírito Santo pela imposição das mãos de um oficiante legal, também a terra recebe o mesmo, não por sua própria agência, mas pelas agências ordenadas por Deus. Assim como o homem se torna nova criatura ao nascer de novo, primeiro da água, depois do espírito, da mesma maneira a terra se torna uma terra nova ao nascer de novo desses elementos purificadores e santificadores. Assim como o homem se torna um homem justo pelo novo nascimento, também a terra se torna uma terra justa pelo mesmo processo. ¶
A retidão habitará sobre sua face durante mil anos, e o Salvador a abençoará com sua presença pessoal; depois do que, o fim logo virá, e a própria terra morrerá, e seus elementos serão dissolvidos pela agência de um fogo. Esta morte, ou dissolução da terra, é uma penalidade do pecado original. Crianças e homens justos morrem, não como penalidade de seus próprios pecados, mas porque Adão pecou; assim também a terra morre, ou passa por mudança semelhante, não por causa das transgressões dos filhos de Adão, mas por causa da transgressão original. Mas, assim como todo o gênero humano é vivificado da primeira morte pela ressurreição, também a terra será novamente renovada, seus elementos serão novamente reunidos, serão recombinados e reorganizados como quando saiu pela primeira vez do ventre do caos. Assim como os corpos dos justos se tornam imortais, eternos, imutáveis e gloriosos, também a própria terra será construída de modo a ser capaz de duração eterna. A imortalidade será indelevelmente impressa em cada parte desta criação. Ela será coroada com a presença de Deus, o Pai, e resplandecerá em todo o esplendor da glória celestial. Mas quem serão seus habitantes? Aqueles que passaram pelo mesmo processo de purificação, e nenhum outro. Como todos os que participam da segunda morte devem ser banidos da presença de Deus, segue-se necessariamente que devem ser banidos da terra glorificada; pois esta é redimida para a presença de Deus, e goza da glória de seu poder; e nenhum ser pode habitá-la senão os que são santificados pelas mesmas ordenanças e lei. ¶
À medida que a terra passa por sua grande mudança final, duas de suas principais cidades — a antiga Jerusalém, do continente oriental, e a nova Jerusalém, do continente ocidental — serão preservadas da conflagração geral, sendo arrebatadas ao céu. Estas duas cidades, com toda a sua multidão glorificada, descerão sobre a terra redimida, sendo as grandes capitais da nova criação. "Fora" (ou exterior a essas cidades santas, e sobre outras criações de ordem inferior, bem separadas da terra glorificada) "estarão os cães, e os feiticeiros, e os fornicadores, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira. (Apoc. xxii. 15.)" Estes são os que são banidos da presença de Deus, e da glória de uma terra celestial. ¶
Somente os mansos receberão a herança prometida — são eles os herdeiros legítimos. "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra" foi a promessa do grande Redentor. ¶
Mas quem são os mansos? Por quais peculiaridades se distinguem dos demais homens? Deve haver neles algumas qualidades muito superiores à generalidade da humanidade, ou não se tornariam os herdeiros exclusivos da nova terra. A lei da mansidão inclui todas as leis do evangelho, com suas ordenanças e bênçãos, sacerdócio e poderes, pela obediência aos quais a humanidade se torna justificada, santificada, purificada e glorificada. Tais são os mansos da terra, e nenhum outro. E, como o evangelho não foi pregado nem administrado com autoridade no hemisfério oriental durante os últimos dezessete séculos, consequentemente, durante esse tempo, não houve ninguém que possuísse as qualidades requeridas de mansidão suficientes para conferir-lhe direito à herança prometida sobre a nova terra. Só uns poucos serão salvos — só uns poucos receberão a lei da mansidão e nela permanecerão. ¶
Diferentes porções da terra foram indicadas pelo Todo-Poderoso, de tempos em tempos, a seus filhos, como herança eterna. Como exemplos — a Abraão e a sua posteridade, os que fossem dignos, foi prometida a Palestina. A Moabe e a Amom — filhos do justo Ló — foi prometida uma porção não distante das fronteiras das doze tribos. Aos mansos entre os jareditas, juntamente com um remanescente da tribo de José, foi prometido o grande continente ocidental. Os justos de todas as nações que, nesta dispensação, forem reunidos àquela terra, receberão sua herança em comum com os mansos que ali outrora peregrinaram. Na ressurreição, os mansos de todas as eras e nações serão restituídos àquela porção da terra que lhes fora anteriormente prometida. E assim, todas as diferentes porções da terra foram e serão dispostas aos legítimos herdeiros; ao passo que aqueles que não puderem provar sua herança como legal, ou que não puderem provar que receberam alguma porção da terra por promessa, serão lançados fora para algum outro reino ou mundo, onde, se algum dia obtiverem uma herança, terão de ganhá-la observando a lei da mansidão durante outra provação. ¶
Quão grande será o desapontamento dos ricos, dos altos e dos nobres, que rejeitaram as mensagens da verdade eterna, enviadas em diferentes épocas para a redenção dos homens, quando descobrirem que não há um só palmo da nova terra que possam chamar de seu; tendo sido tudo ela legalmente disposto aos pobres e aos mansos. ¶
Uivai, pois, ó homens ricos, que rejeitais a mensagem dos servos de Deus; pois a vossa porção está nesta vida, e não tendes reclamação alguma sobre a herança eterna. Deus resgatará a terra de sob o vosso domínio, e a dará àqueles a quem ela é prometida. Uivai, pelas misérias que sobre vós hão de vir! ¶
Alguns têm suposto que a terra não será suficientemente capaz para acomodar as nações dos justos. Mas tal suposição parecerá errônea a qualquer pessoa que exercer suas faculdades de raciocínio o bastante para calcular o conteúdo superficial de nosso globo, e comparar isso com o número provável de habitantes destinados a esta criação. ¶
Em números redondos, a superfície de nosso globo terrestre contém 197.000.000 de milhas quadradas, ou mais de cento e vinte e seis mil milhões de acres. Ora, se, da criação da terra até sua glorificação final, decorrer um período de oito mil anos, ou oitenta séculos, e se supusermos que a população tenha, em média, mil milhões por século (o que é, provavelmente, uma média excessivamente elevada), ainda assim haveria abundância de espaço na nova terra para toda essa vasta multidão. Haveria mais de um acre e meio para cada alma. ¶
Mas, quando refletimos sobre quão poucos serão salvos — quão poucos receberam o plano da redenção, mesmo quando este lhes foi proclamado com autoridade aos ouvidos, e sobre quantas gerações passaram sem que o Todo-Poderoso lhes enviasse mensagem alguma, somos levados a crer que não mais de um em cada cem receberá uma herança na nova terra. Mas, ainda que suponhamos que um por cento de toda essa imensa população se torne, pela obediência ao evangelho, herdeiro legítimo da nova terra, então haveria mais de cento e cinquenta acres para cada alma. Se a nova terra contiver apenas a mesma proporção de terra firme que a antiga, ainda assim haveria cerca de quarenta acres para cada alma redimida. Mas a nova terra é representada pelo apóstolo João como não tendo mar algum, o que aumenta em quatro vezes sua capacidade para habitantes, acima da antiga. O agricultor que aguarda a nova terra como sua herança eterna não precisa temer ser demasiado limitado em suas posses. Haverá amplo espaço para as deliciosas ocupações do agricultor. Poderá ter seus jardins de recreio; seus pomares dos frutos mais deliciosos; suas hortas ornadas com as mais formosas flores; e ainda ter terra suficiente para o cultivo dos artigos mais essenciais, tais como o maná para comer, e o linho para a confecção de finas vestes, &c. ¶
Quem, ao contemplar a terra em sua ascensão na escala do universo, não deseja acompanhá-la, para que, quando ela for classificada, por sua vez, entre os astros deslumbrantes do azul firmamento celeste, resplandecendo em todo o esplendor da glória celestial, ele próprio se veja proporcionalmente adiantado na escala da excelência intelectual e moral? Quem, senão o mais abandonado, não deseja ser julgado digno de associar-se àquelas ordens superiores de seres que foram redimidos, exaltados e glorificados, juntamente com os mundos que habitam, eras antes de os fundamentos de nossa terra serem lançados? Ó homem, lembra-te do futuro destino e da glória da terra, e assegura a ti mesmo tua herança eterna sobre ela, para que, quando ela for gloriosa, também tu sejas glorioso. ¶