Pulpit

Um tesouro peculiar

Alan R. Walker

Conferência Geral de Abril de 2026·Sunday Morning Session·2026-04-05

Quando menino, eu tinha grande interesse em qualquer coisa que tivesse a ver com tesouros. Muitas vezes me vi totalmente envolvido em histórias e filmes sobre tesouros escondidos, mapas secretos e exploradores corajosos em busca de riquezas perdidas. Quando meus irmãos e eu visitávamos nossos avós que moravam ao pé da Cordilheira dos Andes, em Mendoza, Argentina, passávamos horas procurando pedras brilhantes nos campos. E as quebrávamos ansiosamente, na esperança de descobrir algo muito precioso lá dentro — mas encontrávamos apenas minerais brilhantes, e nunca um tesouro real.

Ao estudarmos as escrituras, deparamo-nos com a palavra tesouro dezenas de vezes — na maioria das vezes como um aviso para não voltarmos o coração para as riquezas ou as coisas passageiras do mundo. No entanto, entre todas essas advertências sobre tesouros terrenos, há uma passagem que revela algo surpreendente: o próprio Senhor nos chama de Seu tesouro. Falo do momento em que o Senhor falou ao profeta Moisés no monte Sinai e declarou que Seu povo seria um tesouro peculiar para Ele se obedecessem à Sua voz e guardassem Seu convênio.1

O maior desejo de nosso Pai Celestial é que vivamos com Ele novamente e desfrutemos a vida eterna a Seu lado. A obra e glória de Deus é “levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”.2 Para tornar isso possível, Ele criou o plano de salvação. Ele enviou Seu Filho Amado, Jesus Cristo, para romper as ligaduras da morte e expiar os pecados do mundo.3 Esse sacrifício é a maior expressão do infinito amor de nosso Pai por todos os Seus filhos. Acima de todos os níveis de amor, o amor de nosso Pai Celestial e de Seu Filho, Jesus Cristo, é supremo — ninguém tem “maior amor”.4 Como parte do amor de nosso Salvador, Ele nos convida a nos achegarmos a Ele, a escolhê-Lo. O Senhor ressuscitado é o mesmo que falou no monte Sinai. O Cristo vivo ainda chama um povo do convênio nestes dias.

Em Seu benevolente ensinamento a Moisés, o Senhor estabeleceu um padrão que se aplica, não apenas aos antigos filhos de Israel, mas a todos os que desejam se tornar Seu tesouro — o povo do convênio do Senhor. Esse padrão inclui duas condições simples, mas poderosas: obedecer à Sua voz e guardar os convênios que fizemos com Ele.5 Então seremos um tesouro peculiar, ou especial; e, como tal, seremos abençoados, fortalecidos e favorecidos por meio do sacrifício expiatório do Salvador.

O presidente Russell M. Nelson ensinou: “Uma vez que tivermos feito um convênio com Deus, nosso relacionamento com Ele se torna muito mais próximo do que antes do convênio. Agora estamos unidos. Por causa de nosso convênio com Deus, Ele nunca Se cansará de procurar nos ajudar, e nunca esgotaremos Sua paciência misericordiosa para conosco. Cada um de nós tem um lugar especial no coração de Deus. Ele tem grandes esperanças em relação a nós.”6 O mesmo Deus que chamou os filhos de Israel nos chama agora — para nos tornarmos Seu povo do convênio, para nos elevarmos acima dos padrões do mundo e recebermos as bênçãos que somente Ele pode conceder.

A fidelidade aos convênios faz mais do que nos identificar como povo de Deus — ela nos capacita a superar as limitações deste mundo decaído. O presidente Dallin H. Oaks ensinou que a obediência aos mandamentos de Deus é essencial para superarmos os desafios da vida. Referindo-se aos convênios sagrados que nos ligam a nosso Pai Celestial e a Seu Filho, Jesus Cristo, ele declarou: “Conforme honramos esses convênios ao guardarmos Seus mandamentos e seguirmos Seu plano de redenção, Suas bênçãos prometidas nos capacitam a nos elevar a alturas celestiais.”7

Na revelação atual, o Senhor fornece uma bela descrição de como podemos saber que somos aceitos por Ele. Ele disse: “Em verdade vos digo: Todos os que, dentre eles, souberem que seu coração é honesto e está quebrantado e seu espírito, contrito; e que estiverem dispostos a observar seus convênios por meio de sacrifício — sim, todo sacrifício que eu, o Senhor, ordenar — esses serão aceitos por mim.”8 O Senhor não pede perfeição de uma só vez; em vez disso, Ele pede um coração honesto e quebrantado, um espírito humilde e disposição para guardar nossos convênios — mesmo quando isso exija sacrifício.

Assim como os tesouros que meus irmãos e eu procurávamos e nunca encontrávamos na superfície, tornar-se o tesouro do Senhor e receber Sua aceitação divina não é algo fácil nem acidental. Exige esforço paciente, persistência fiel e sacrifício. Devemos estar dispostos a deixar de lado coisas menores — hábitos, ambições ou confortos que afastam nosso coração Dele — para que possamos nos oferecer por completo e sem reservas. Ao escolhermos seguir o conselho profético, mesmo quando isso exigir muito de nós ou parecer inconveniente, mostramos nosso amor pelo Senhor e que O estimamos acima de todos os desejos mundanos.

O presidente D. Todd Christofferson ensinou que a obediência fiel a nossos convênios faz fluir para nossa vida um “[fluxo] contínuo de bênçãos” de Deus — o poder divino que nos permite suportar as provações e até “converter tribulações em triunfo”.

Ele explicou que, quando honramos nossos convênios, três bênçãos sagradas se seguem: “Os frutos prometidos da obediência se tornam evidentes, (…) o Espírito comunica a alegria de Deus e podemos enfrentar a vida com esperança, (…) sabendo (…) que, no final, teremos sucesso, pois temos a promessa de Deus.”9 Isso faz parte do que significa ser o tesouro peculiar do Senhor. Ele não apenas nos reivindica como Seu povo do convênio — Ele nos fortalece, apoia e nos cerca com o poder desse convênio a cada passo do caminho.

Testifico que, se obedecermos à voz do Salvador e guardarmos nossos convênios — mesmo que por meio de sacrifícios pequenos e silenciosos a cada dia — sentiremos o amor Dele mais profundamente, receberemos Sua orientação com mais clareza e, porque Ele vive, teremos a certeza de que um dia estaremos diante Dele e ouviremos as palavras que mais importam: que somos aceitos por Ele. Em nome de Jesus Cristo, amém.

Notes

  1. Ver Êxodo 19:5. ↩

  2. Moisés 1:39. ↩

  3. Ver João 3:16. ↩

  4. João 15:13. ↩

  5. Ver Êxodo 19:5. ↩

  6. Russell M. Nelson, "O convênio eterno", Liahona, outubro de 2022, p. 6. ↩

  7. Dallin H. Oaks, "Seguir a Cristo", Liahona, novembro de 2024, p. 24. ↩

  8. Doutrina e Convênios 97:8. ↩

  9. D. Todd Christofferson, "O poder dos convênios", A Liahona, maio de 2009, p. 19, grifo do autor. ↩

Como citar este discursoAlan R. Walker, “Um tesouro peculiar”, Conferência Geral de Abril de 2026, Sunday Morning Session (2026-04-05). Pulpit Vault, 2026-04-walker-a-peculiar-treasure. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).