Jesus Cristo é o caminho
Brian J. Holmes
No ano passado, minha esposa, Maggie, e eu corremos a Maratona de Jungfrau na Suíça. Localizada no coração dos Alpes suíços, ela é amplamente considerada uma das maratonas mais difíceis do mundo. Do início ao fim, o percurso consiste numa subida de quase dois quilômetros, serpenteando por belas vilas alpinas e terrenos montanhosos acidentados. A vista ajuda você a atravessar os primeiros quilômetros, mas o trecho final se torna íngreme e estreito, forçando os corredores a caminhar em fila única pela trilha rochosa. A última subida exige muita atenção a cada passo. Nessa corrida você não está apenas cruzando uma linha de chegada; você está vencendo uma montanha. ¶
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Imagine então nossa surpresa quando soubemos que um dos corredores que terminou a corrida era cego. Esse homem corajoso correu preso a um guia por uma corda. Durante a maior parte da corrida, eles correram lado a lado, mas à medida que o percurso se tornou mais íngreme e mais exigente, o guia avançou, avisando sobre cada obstáculo e direcionando cada passo. Como estava amarrado a um guia, o corredor cego realizou o que de outra maneira seria impossível realizar sozinho. ¶
Assim como essa maratona, nossa jornada pela vida tem momentos de beleza e alegria, mas não é um passeio no parque. Todos nós queremos cruzar a linha de chegada celestial e ganhar a vida eterna. No entanto, a trajetória muitas vezes é íngreme e difícil de percorrer. Todos nós passamos por provações. Sem um poder maior do que o nosso, ninguém termina com sucesso essa corrida. ¶
Em algum momento, somos todos como o corredor cego. Todos precisamos de um guia. ¶
Com Sua Expiação, Jesus Cristo “fez tudo o que era essencial para nossa jornada pela mortalidade rumo ao destino determinado no plano de nosso Pai Celestial”.3 Por ter vivido uma vida perfeita, por ter tomado sobre Si todos os pecados e todas as tristezas, por ter rompido as ligaduras da morte, somente Jesus Cristo pode Se colocar diante do mundo e declarar: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim.”4 ¶
Nosso Salvador nos convida a andar com Ele.6 O caminho Dele é o caminho do convênio, o único caminho que nos leva à linha de chegada celestial.7 Escolhemos trilhar o caminho do convênio exercendo fé em Jesus Cristo para o arrependimento, recebendo as ordenanças de Seu evangelho e perseverando até o fim.8 Essas ordenanças são fundamentais. Como Jesus ensinou a Nicodemos: “Aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.”9 ¶
Assim como a corda que manteve o corredor cego amarrado a seu guia, os convênios nos “prendem” a nosso guia — Jesus Cristo. O élder David A. Bednar ensinou: “A conexão por convênio que temos com nosso Pai Celestial e Seu Filho ressurreto e vivo é a fonte celestial de perspectiva, esperança, poder, paz e alegria duradoura.”10 ¶
Uma vez que nos ligamos ao Salvador por meio de convênios, somente nós podemos romper esse laço. Jesus nunca o fará.11 Ao permanecermos firmemente ligados a Ele, Ele estará ligado a nós. Podemos esperar que Seu poder nos abençoe com força e alegria mesmo quando estamos passando por um período de “subida íngreme” na vida. No entanto, se nos afastarmos, não temos essa promessa.12 As bênçãos do convênio fluem da fidelidade contínua, não apenas de participações anteriores.13 ¶
Quando o caminho ficar difícil — e vai ficar —, podemos nos lembrar do apóstolo Pedro. Quando o caminho do discipulado se tornou íngreme e muitos “já não andavam” com Jesus, Ele Se voltou para os Doze e perguntou: “Quereis vós também retirar-vos?”14 Foi uma pergunta de significado profundo, que atravessa o tempo e chega a cada um de nós. ¶
Pedro respondeu: ¶
“Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. ¶
Quando temos dúvidas, quando o discipulado parece exigir muito de nós, quando outros desistem, esse é o momento de permanecermos ligados a Cristo, assim como fez Pedro. Não há outro lugar para ir; somente Cristo tem as palavras de vida eterna. ¶
Ao andarmos com nosso Salvador pelo caminho do convênio, descobrimos uma verdade essencial: Andar com Jesus é seguir Seu profeta. O próprio Salvador chama profetas, fala e governa Sua Igreja por intermédio deles. ¶
Alguns dizem: “Não preciso de um profeta ou de uma igreja para seguir Jesus.” ¶
Rejeitar conscientemente Seus profetas, segundo a própria definição do Salvador, é o mesmo que rejeitá-Lo. ¶
O Senhor advertiu sobre uma época em que “todo homem [andaria] em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus.”18 Sem apóstolos e profetas, nossa percepção de Cristo gradualmente se torna o que queremos que Ele seja. Nosso entendimento da doutrina muda. Nosso compromisso com os padrões se desgasta. A união se dissolve. ¶
É por isso que Paulo ensinou que a Igreja é “[edificada] sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina”.19 Não para que fôssemos controlados, mas para ficarmos firmes, “para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina”.20 ¶
Irmãos e irmãs, nosso Pai Celestial deseja que todos os Seus filhos voltem para casa.22 Seu Filho Amado, Jesus Cristo, é o único caminho de volta. Testifico que, por Jesus Cristo ter escalado a montanha mais íngreme de todas ao carregar o peso de nossa salvação, nunca teremos que encarar nossas montanhas sozinhos. Ao nos ligarmos a Ele por meio de convênios e seguirmos Seu profeta vivo, trilhamos o único caminho que nos leva em segurança para casa. Presto testemunho disso em nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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Ver Dallin H. Oaks, "Auxílios divinos para a mortalidade", Liahona, maio de 2025, p. 104. ↩
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Dallin H. Oaks, "O que nosso Salvador fez por nós?", Liahona, maio de 2021, p. 75. ↩
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Ver "O Cristo Vivo: O Testemunho dos Apóstolos", Biblioteca do Evangelho. ↩
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Ver Moisés 6:34; ver também 2 Néfi 26:33. ↩
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Ver D. Todd Christofferson, "Por que trilhar o caminho do convênio",* Liahona*, maio de 2021, p. 116. ↩
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Ver 2 Néfi 31:17–20. ↩
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David A. Bednar, "Tu permanecerás em mim e eu, em ti; portanto, anda comigo", Liahona, maio de 2023, p. 124. ↩
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Ver 2 Néfi 31:19–20. ↩
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Ver Mosias 3:13. ↩
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Efésios 2:20; compare 1 Néfi 8:26–27 com 1 Néfi 11:34–36. Curiosamente, o grande e espaçoso edifício erguia-se no ar, ou seja, não tinha alicerce, "e sua queda foi muito grande" (1 Néfi 11:36). Além disso, os que ocupavam o edifício foram descritos como aqueles que lutam contra os apóstolos do Cordeiro. ↩
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Ver Dallin H. Oaks, "Achegar-se a Jesus Cristo" (Devocional da Universidade Brigham Young, 10 de fevereiro de 2026), speeches.byu.edu. ↩