Pulpit

Chaves, convênios e a Páscoa

Quentin L. Cook

Conferência Geral de Abril de 2026·Sunday Afternoon Session·2026-04-05

Foi uma bênção especial ter a sessão de domingo da conferência geral que coincidiu com o dia em que comemoramos a Páscoa. Nossa ênfase na Páscoa abrange os acontecimentos que moldaram a eternidade e ocorreram no Jardim do Getsêmani, na cruz do Calvário e no Jardim do Sepulcro, onde Jesus Cristo ressuscitou.1

Testifico que Sua Expiação cumpriu o plano de salvação estabelecido por Seu Pai e proporcionou o caminho para que todos os que já viveram se libertem da morte incondicionalmente e do pecado, sob a condição do arrependimento.2 Portanto, as doutrinas essenciais da Ressurreição e da Expiação foram cumpridas por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.3

Este domingo de Páscoa também coincide com a data da magnífica aparição do Salvador que ocorreu no Templo de Kirtland no domingo de Páscoa de 1836 — há 190 anos —, apenas uma semana após a dedicação do Templo de Kirtland.4 Aquele dia, como hoje, foi uma das épocas em que a Páscoa cristã e a judaica coincidiram.5

A aparição do Salvador ao profeta Joseph Smith e a Oliver Cowdery, bem como as chaves conferidas por Moisés, Elias e Elias, o profeta, são fundamentais para a Restauração do evangelho de Jesus Cristo nos últimos dias.6 O papel de Elias, o profeta, na restauração das chaves do sacerdócio do poder selador é crucial em nossa jornada de retorno ao Pai como povo do convênio.7

Um pouco da história da Igreja ajudará a colocar esses eventos em perspectiva.

Na noite de 21 de setembro de 1823, o anjo Morôni apareceu a Joseph Smith — então com 17 anos — em uma pequena cabana de toras, próxima a Palmyra, Nova York. O anjo Morôni apareceu três vezes durante aquela noite e outra vez pela manhã. Ele ensinou e reiterou informações essenciais relacionadas ao desenrolar dos eventos futuros da Restauração do evangelho de Cristo.8

Ele contou a Joseph sobre placas de ouro escondidas numa colina próxima dali. Além disso, citou profecias do Velho Testamento. A segunda seção de Doutrina e Convênios contém as palavras de Morôni a Joseph Smith relacionadas a Elias:

“Eis que eu vos revelarei o Sacerdócio, pela mão de Elias, o profeta,9 antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor.

E ele plantará no coração dos filhos as promessas feitas aos pais; e o coração dos filhos voltar-se-á para seus pais.

Se assim não fosse, toda a Terra seria completamente devastada na sua vinda.”10

Se eu tivesse 17 anos e tivesse acesso apenas à Bíblia, eu ficaria muito confuso. Quem era o profeta Elias? E que sacerdócio ele revelaria? Por que toda a Terra seria destruída se os filhos não voltassem o coração para seus pais e não se lembrassem das promessas feitas a eles?

Elias foi um profeta extraordinário que possuía as chaves sagradas do sacerdócio e por meio de quem milagres poderosos foram realizados.11 Cristãos, muçulmanos e judeus de todo o mundo aceitam Elias como um profeta.12 Os muçulmanos acreditam que Elias foi um profeta enviado por Deus (Alá) para afastar as pessoas da adoração a ídolos ― especialmente a adoração à Baal ― e fazê-las voltar a adorar o único Deus verdadeiro.13

Há mais de 2.900 anos, os judeus aguardam o retorno de Elias como precursor da vinda do Messias.14

Antes do ministério mortal de Jesus Cristo, o profeta Elias exerceu o poder selador do Sacerdócio de Melquisedeque.15

É digno de nota que Elias também apareceu, com Moisés, por ocasião da transfiguração de Cristo.16 Elias conferiu as chaves do sacerdócio do poder selador a Pedro, Tiago e João.17

Também é significativo que, quando Cristo visitou o continente americano, Ele especificamente recitou ao povo o relato de Malaquias no Velho Testamento sobre Elias e o papel dele em unir as famílias para a eternidade antes da Segunda Vinda de Cristo.18

Graças à Restauração, entendemos o papel importante e fundamental que Elias desempenhou na salvação da humanidade. Elias conferiu a Joseph Smith as chaves do sacerdócio que pertencem ao poder selador para ligar ordenanças e convênios sagrados na Terra e no céu. Isso inclui as ordenanças vicárias de salvação e exaltação que devem ser realizadas aqui na Terra, nos templos do Senhor.19 As ordenanças de selamento entram em vigor após esta vida e na eternidade — para selar maridos e esposas, pais e filhos.20 Sem essas chaves, não há famílias eternas e “toda a Terra seria completamente devastada”.21

Uma das muitas experiências espirituais especiais que tive com meu querido amigo e amado companheiro de missão ― e, posteriormente, meu presidente de quórum ― o presidente Jeffrey R. Holland, foi relacionada ao profeta Elias.

A partir de 2009, o élder Holland e eu tivemos o privilégio de acompanhar vários grupos de pessoas — incluindo líderes rabinos reformistas, conservadores e ortodoxos, bem como líderes judeus seculares — em visitações ao templo aqui em Utah.

Na pia batismal, eu lhes explicava a doutrina do batismo por nossos antepassados falecidos.22 Isso está diretamente ligado às promessas de Malaquias de voltar o coração dos filhos a seus pais falecidos. Li para eles 1 Reis 7:25, em que o templo de Salomão é descrito. A pia batismal fica sobre o dorso de doze bois, representando as doze tribos de Israel.23 Isso fez com que alguns reconhecessem o significado e se emocionassem. Eles perceberam que estavam essencialmente olhando para certos aspectos do templo de Salomão, que tem um significado sagrado tanto para judeus quanto para muçulmanos.

Quando entramos na sala de selamento, o élder Holland, muito emocionado e com lágrimas nos olhos, explicou-lhes que não queria ofendê-los, mas se sentiu compelido a compartilhar algo. Então, de uma maneira muito poderosa espiritualmente, ele explicou que Elias, o profeta, de fato veio e restaurou as chaves sagradas que permitem o selamento eterno de maridos, esposas e suas famílias. Ele explicou que a sala de selamento, onde estávamos reunidos, é um lugar onde as chaves restauradas são exercidas. Nossos amigos judeus apreciaram o fato de que os relatos dos profetas contidos nas escrituras do Velho Testamento são apresentados de modo muito proeminente em nossos templos e em nossa doutrina.

Alguns anos depois, os líderes judeus pediram que celebrássemos o aniversário de 175 anos da histórica dedicação da Terra Santa em Jerusalém, realizada por Orson Hyde. O élder Holland e eu fomos abençoados por representar a Igreja naquela celebração.24

Duas experiências posteriores a esse evento foram particularmente significativas para mim. Na primeira experiência, entendi melhor a conexão do élder Holland com Jerusalém. Ele tinha pouco mais de 30 anos quando, como representante do presidente Spencer W. Kimball e de outros líderes da Igreja, foi designado a liderar o estabelecimento do Centro de Jerusalém no Monte das Oliveiras. Ele trabalhou por aproximadamente 15 anos, com muitos outros, para construir a maior parte dos edifícios da Igreja em Jerusalém. O élder Holland trabalhou incansavelmente com líderes palestinos e judeus.

O élder Holland adorava estar nos lugares em que o Salvador realizou milagres e cumpriu Sua Expiação.

A segunda experiência foi durante uma visita a Jerusalém, na qual eu e minha esposa, Mary, nos juntamos ao élder Holland e sua esposa, Pat, e passamos um tempo próximo ao Jardim do Sepulcro, lendo os preciosos versículos de cada um dos quatro evangelhos que relatam os últimos dias do ministério terreno do Salvador, culminando em Seu sacrifício expiatório e em Sua gloriosa Ressurreição.

Conseguem imaginar os sentimentos de dois ex-companheiros de missão, que agora serviam como apóstolos, e de nossas queridas esposas, tendo a oportunidade de andar por onde Jesus andou, ler as sagradas escrituras dos últimos dias de Seu ministério mortal e sentir o Espírito daqueles acontecimentos milagrosos?

Quero lhes assegurar que não precisam estar fisicamente em Jerusalém para sentirem o que sentimos e que continuamos a sentir muitas vezes desde aquele dia.

Vocês podem ter esse conhecimento e confirmação do Espírito ao estudarem a vida de nosso Salvador, a restauração do sacerdócio e o retorno das chaves seladoras por Elias, o profeta, que unem nossa família para a eternidade. Vocês podem sentir, pela certeza da confirmação espiritual, que nosso Salvador cumpriu o plano do Pai. Ele expiou nossos pecados e rompeu as ligaduras da morte para que pudéssemos voltar ao Pai e ao Filho no reino celestial.

Prometo-lhes, neste dia de Páscoa, que ao permanecerem fiéis a Suas ordenanças, convênios e mandamentos, seu relacionamento com nosso Salvador será cada vez mais próximo, assim como seu apreço e gratidão pelas chaves seladoras que foram restauradas nesta dispensação.

Testifico que as chaves conferidas pelos profetas antigos ao profeta Joseph Smith no Templo de Kirtland são uma parte essencial do evangelho restaurado de Jesus Cristo.

Como apóstolo, presto meu firme e seguro testemunho de Jesus Cristo, o Salvador do mundo, que lidera Sua Igreja. Testifico de Sua Expiação e Ressurreição e me regozijo com vocês neste domingo de Páscoa especial por tudo o que o Salvador realizou para que tenhamos vida eterna. Em nome de Jesus Cristo, amém.

Notes

  1. A Bíblia registra inúmeras aparições do Salvador Jesus Cristo ressuscitado. Ele apareceu a Maria Madalena, conforme registrado em João 20:15–18. O apóstolo João relata Sua aparição às pessoas (ver João 20:19–20), e Paulo registrou que Ele foi visto, uma vez, por "mais de quinhentos irmãos" (ver 1 Coríntios 15:5–8). Após Sua Ressurreição, Ele ministrou às pessoas conforme registrado no Livro de Mórmon (ver 3 Néfi 11–26). ↩

  2. Ver 1 Coríntios 15:3–4; 2 Néfi 9:5–7; Doutrina e Convênios 138:2–4, 19. ↩

  3. Ver Helamã 14:2; Regras de Fé 1:2–3. ↩

  4. Ver Doutrina e Convênios 110:1–9; Russell M. Nelson, "Alegrar-se com a dádiva das chaves do sacerdócio", Liahona, maio 2024, pp. 119–123. ↩

  5. Ver Stephen D. Ricks, "The Appearance of Elijah and Moses in the Kirtland Temple and the Jewish Passover", BYU Studies, vol. 23, nº 4, outono de 1983, pp. 483–486. A Páscoa judaica deste ano começou na quarta-feira, 1º de abril, e terminou ao anoitecer na quinta-feira, 9 de abril. Ver também David A. Edwards, "A Páscoa", Liahona, março de 2026, p. 34. A Páscoa judaica comemora a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, conforme descrito no livro de Êxodo. ↩

  6. É inspirador que os três antigos profetas Moisés, Elias e Elias, o profeta, que entregaram as chaves ao profeta Joseph no Templo de Kirtland, sejam reverenciados como profetas por cristãos, judeus e muçulmanos. ↩

  7. As chaves do sacerdócio são essenciais para o trabalho que é feito nos templos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O presidente Howard W. Hunter ensinou: "A grande família de Deus será reunida por meio das ordenanças salvadoras do evangelho. A obra vicária para os mortos e as ordenanças para os vivos compõem o propósito dos templos", Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Howard W. Hunter, 2015, p. 190. ↩

  8. Ver Joseph Smith—História 1:27–54. ↩

  9. Posteriormente, Joseph Smith explicou: "Por que enviar Elias? Porque ele possui as chaves da autoridade para ministrar em todas as ordenanças do sacerdócio; e [a menos] que a autoridade seja concedida, nenhuma ordenança poderia ser ministrada em retidão", Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 325. Ver também D. Todd Christofferson, "O poder selador", Liahona, novembro de 2023, p. 19. ↩

  10. Doutrina e Convênios 2:1–3; ver também Malaquias 4:5–6; Doutrina e Convênios 27:9; 110:13–16. ↩

  11. O ministério de Elias é abordado na Bíblia, começando em 1 Reis 17:1 e continuando até parte de 2 Reis 2. O presidente Henry B. Eyring descreveu o poder que Elias tinha como "o maior poder que Deus concede [a Seus] filhos", "Corações unidos", A Liahona, maio de 2005, p. 78. Ver também David A. Bednar, "O coração dos filhos voltar-se-á", A Liahona, novembro de 2011, p. 27. ↩

  12. Isso é especialmente verdadeiro para aqueles da fé islâmica. ↩

  13. Ver Alcorão 37:123–126, clearquran.com/037.html. ↩

  14. Até hoje, em seus Seders ou jantares anuais de Páscoa, eles marcam um lugar para Elias e vão até a porta esperando que ele tenha chegado para anunciar a vinda do Messias. ↩

  15. Ver 1 Reis 17:1; Doutrina e Convênios 128:8–9. ↩

  16. Ver Lucas 9:28–36. ↩

  17. Ver David A. Bednar: "O coração dos filhos voltar-se-á", p. 25. ↩

  18. Ver 3 Néfi 25:5. ↩

  19. Ver Doutrina e Convênios 138:47. ↩

  20. Ver Doutrina e Convênios 110:14–16; 138:48. ↩

  21. O trabalho do templo nos últimos dias requer as chaves que Elias conferiu a Joseph Smith e a Oliver Cowdery em 3 de abril de 1836, e que estão nas mãos daqueles que sucederam a Joseph desde aquela época. Essas chaves são mencionadas ou referenciadas em Mateus 16:19; Malaquias 4:5; 3 Néfi 25:5; Doutrina e Convênios 2:1; 27:9; 110:13–16; 128:17; 138:48. ↩

  22. Ver 1 Coríntios 15:29. ↩

  23. Nos templos modernos, a pia batismal é usada para batismos pelos mortos. No templo de Salomão, o "mar de fundição" nas costas de doze bois era usado para outros fins (ver I Reis 7:23–25). ↩

  24. A delegação judaica era liderada pelo ex-senador americano Joseph Lieberman; o ex-procurador-geral de Nova York Robert Abrams; o rabino Joseph Potasnik, vice-presidente executivo do Conselho de Rabinos de Nova York; o rabino Meir Soloveihik, da Congregação Shearith Israel, em Nova York; e outros líderes excepcionais (ver "Latter-day Saint and Jewish Delegation Gathers at Historic Jerusalem Site", 28 de outubro de 2016, newsroom.ChurchofJesusChrist.org). ↩

Como citar este discursoQuentin L. Cook, “Chaves, convênios e a Páscoa”, Conferência Geral de Abril de 2026, Sunday Afternoon Session (2026-04-05). Pulpit Vault, 2026-04-cook-keys-covenants-and-easter. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).