Pulpit

Ame a todos, ame a cada um

Gérald Caussé

Conferência Geral de Abril de 2026·Saturday Afternoon Session·2026-04-04

Há algum tempo, uma jornalista me fez esta pergunta simples, porém profunda: “O que o senhor sabe agora, depois de ser ordenado como um membro do Quórum dos Doze?” Minha resposta veio instantaneamente: “Aprendi que posso amar muito mais.”1

Nos últimos meses, minha esposa, Valérie, e eu ficamos profundamente comovidos com a manifestação de amor e as orações dos membros da Igreja em todo o mundo. Graças a vocês, meus queridos irmãos e irmãs, temos sentido o amor de Deus mais intensamente em nossa vida. E, como resultado, nossa capacidade de amar aumentou, como jamais imaginávamos.

O amor cristão cresce e se multiplica à medida que é compartilhado. Quando demonstramos o puro amor de Cristo às pessoas, elas passam a reconhecer com mais clareza o quanto o Senhor Se importa com elas profundamente e, como resultado, a capacidade delas de amar é ampliada e fortalecida.

Há alguns anos, enquanto eu descansava por um tempo em um belo lugar no campo, depois do pôr do sol, saí da casa onde estava para me deitar em uma espreguiçadeira. A noite estava tão escura que eu mal conseguia ver qualquer coisa. Instintivamente, olhei para o céu e notei um pequeno ponto de luz cintilante, depois outro. À medida que meus olhos se ajustavam à escuridão, vi o céu se encher de estrelas.

Pensei: “Isso se parece com nosso relacionamento com Deus.” Algumas pessoas pensam que Ele está distante e, como resultado, a vida parece difícil. Mas, se pararem para refletir sobre a presença de Deus na vida delas, descobrirão que Ele está perto — silenciosamente presente, muito mais do que imaginam.

Ao ponderar essa ideia, uma pergunta tirada de um dos salmos de Davi me veio à mente:

“Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que firmaste,

Que é o homem mortal, para que te lembres dele?”2

A resposta que se segue é profundamente consoladora: “Pois pouco o fizeste menor do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste.”3

Este é o milagre do relacionamento de Deus conosco: o universo é vasto, além da compreensão, mas toda alma tem um valor infinito aos olhos de nosso Criador. Embora possamos parecer pequenos em um sentido físico, cada um de nós é pessoalmente conhecido, lembrado e amado por nosso Pai Eterno e por Seu Filho Jesus Cristo.4

Em 1905, depois de uma conversa com uma amiga que há muito enfrentava sérios problemas de saúde, Civilla D. Martin encontrou inspiração para o apreciado hino “Do passarinho cuida”.5 Quando Civilla perguntou à amiga como ela enfrentava o desânimo, ela respondeu: “Como posso ficar desanimada sabendo que meu Pai, que cuida dos passarinhos, cuida de mim e me ama também?”6

Suas palavras se referiam ao ensinamento do Salvador de que nenhum passarinho cai sem que o Pai Celestial perceba — e que “até mesmo os cabelos de [nossa] cabeça estão todos contados.” 7 O élder Neal A. Maxwell acrescentou que o Deus que governa as galáxias também guia nossa vida pessoal. “Deus está nos detalhes”, ele disse. “Ele conhece e ama cada indivíduo e toda a humanidade!”8

Presto testemunho dessa verdade: Deus e Seu Filho, Jesus Cristo, amam a todos — e Eles amam a cada um.

Enquanto estudava as escrituras em inglês, notei dezenas de versículos em que as palavras todos e cada (ou cada um) aparecem juntas. Por exemplo, aprendemos em Mosias: “Ele [falando do Senhor] se lembra de [cada] criatura que criou, a* todos* se manifestará.”9

A palavra todos fala do alcance universal do amor de Deus. A palavra cada (ou* cada um)* testifica de Seu poder de cuidar de cada alma individualmente.

Essa dupla realidade se manifesta mais claramente na Expiação de Jesus Cristo. Todos os filhos e as filhas de Deus, sem exceção, receberão a oportunidade plena de ter acesso a suas bênçãos sublimes.10 No entanto, é um dom extremamente íntimo, adaptado às necessidades de cada indivíduo e aplicado a uma pessoa de cada vez.11

Como discípulos de Jesus Cristo, prestamos testemunho Dele sempre que compartilhamos Seu amor com todos ao nosso redor e ajudamos esse amor a criar raízes em cada pessoa que encontramos.

Amar a todos e amar a cada um não são dois tipos diferentes de amor, mas o mesmo amor divino expresso em duas escalas; uma expansiva o suficiente para abranger o mundo inteiro e a outra pessoal o suficiente para perceber uma única pessoa com necessidades, circunstâncias e história de vida únicas.

Primeiro, amar a todos.

Somos seletivos, ou exclusivos, em determinar quem merece nosso amor, ou estendemos amor cristão a todos com quem nos associamos?

O Senhor perguntou: “Se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais?”12 Para Ele, todas as pessoas desta Terra são nosso próximo — não há estrangeiros nem excluídos, apenas irmãos e irmãs.13

O profeta Joseph Smith ensinou que “um homem cheio de amor de Deus não fica contente em abençoar apenas sua família, mas estende a mão para o mundo inteiro, ansioso por abençoar toda a humanidade”.14

O discipulado nunca foi feito para ser um círculo confortável de amigos familiares concentrados em seus próprios interesses. Em vez disso, nossas congregações são um belo mosaico — enriquecido por diversas origens, culturas e experiências —, mas unidos em devoção a Cristo.

O serviço na Igreja expande nosso círculo de amor15 e amplia nossas interações. Conhecemos pessoas de todos os estilos de vida — novos amigos, irmãos e irmãs necessitados, recém-conversos e companheiros missionários ou ministradores. Não servimos apenas àqueles que já amamos; ao contrário, passamos a amar as pessoas à medida que as servimos.16

Segundo, amar cada um.

Será que interagimos superficialmente com os outros ou procuramos genuinamente conhecer e cuidar de cada pessoa que encontramos?

Embora estivesse frequentemente cercado por multidões, o Salvador sempre deu toda a Sua atenção a uma pessoa — uma ovelha17, um leproso18, uma mulher samaritana19, uma criancinha20, uma alma de cada vez. Em Seu amor, ninguém jamais se perdeu na multidão.21

De igual maneira, na Igreja de Jesus Cristo não deve haver anonimato. Ao entrarmos no rebanho de Cristo por meio de convênios sagrados, somos conhecidos, contados e cuidados — uma pessoa de cada vez.22

Por meio de meu serviço, dentro e fora da Igreja, aprendi que mesmo aquelas pessoas que a princípio pareciam insignificantes tornaram-se algumas das pessoas mais notáveis e edificantes que conheço. Há uma profundidade maravilhosa — muito para amar — em cada alma.

Sempre gostei do conto A Bela e a Fera — não só porque se passa na França ou porque posso facilmente me identificar com o sotaque encantador de Lumière, mas por causa da bela verdade que ilustra.

Bela é aprisionada em um castelo assombrado por uma fera temível e repulsiva — que é, na verdade, um jovem príncipe preso por um feitiço no corpo de um monstro aterrorizante. Em vez de julgá-lo por sua aparência, Bela aprende a ver além dessa aparência. Ela passa a entender que a amargura, os modos rudes e a raiva repentina da Fera são apenas uma fachada, escondendo uma alma ferida ansiando por amar e ser amada.

Graças à paciência, à bondade pessoal e ao cuidado amoroso de Bela, uma transformação surpreendente começa; primeiro no fundo da alma da Fera e, finalmente, até mesmo na sua aparência exterior. O feitiço é quebrado, e o jovem príncipe é restaurado, trazendo grande alegria a todos que se reúnem para celebrar seu novo rei e sua rainha.

De modo semelhante, ao estendermos o amor cristão a cada pessoa a quem servimos, nossos olhos se abrem para seu potencial divino. Começamos a vê-la como o Senhor a vê: uma alma mortal com a capacidade de se tornar um ser exaltado por meio do poder restaurador e da graça do Salvador.

Ao cuidarmos de cada alma, ajudamos a conectá-la ao Salvador, convidando-a a ser curada e transformada por meio de Seu sangue expiatório. Como resultado, nossa própria vida é abençoada, e nos tornamos mais semelhantes ao Salvador e nos enchemos de grande alegria.

Meus queridos irmãos e irmãs, sendo eu uma de Suas testemunhas especiais, testifico que nosso Salvador Jesus Cristo nos ama mais do que podemos imaginar. A letra do hino diz: “Do passarinho cuida, quanto mais dos filhos Seus.” 23

Que sigamos o exemplo perfeito do Senhor e aprendamos a amar a todos e a amar a cada um assim como Ele ama. Em nome de Jesus Cristo, amém.

Notes

  1. Ver Sara Jane Weaver, apresentadora, podcast do Church News, episódio 269, "Elder Gérald Caussé on Serving as a Lifelong Witness of the Name of Jesus Christ", Church News, 2 de dezembro de 2025, thechurchnews.com. ↩

  2. Salmos 8:3–4. ↩

  3. Salmos 8:5; ver também 1 Néfi 11:17; Moisés 1:24–39. ↩

  4. Ver Gérald Caussé, "Somos os arquitetos de nossa própria felicidade", Devocional do Sistema Educacional da Igreja para jovens adultos, 4 de novembro de 2012, Biblioteca do Evangelho. ↩

  5. "Do passarinho cuida", Hinos — Para o Lar e para a Igreja, Biblioteca do Evangelho. ↩

  6. Ver Hymn Helps, "About the Hymns: His Eye Is on the Sparrow", Gospel Library. ↩

  7. Ver Mateus 10:29–31. ↩

  8. Neal A. Maxwell, "Envoltos 'nos braços de [Seu] amor'", A Liahona, novembro de 2002, p. 18; grifo do autor. ↩

  9. Mosias 27:30, grifo do autor; ver também Deuteronômio 33:3; Marcos 16:15; Lucas 4:40; João 6:45; Romanos 14:10–12; 2 Coríntios 5:10; Efésios 4:6–7; 1 Néfi 19:17; 2 Néfi 9:21; Mosias 16:1; 27:31; Alma 26:37; Mórmon 3:20; 9:22; Doutrina e Convênios 18:28; 58:64. ↩

  10. Ver Gérald Caussé, "Bênçãos compensatórias", Liahona, maio de 2025. ↩

  11. Ver Gérald Caussé, "Uma testemunha viva do Cristo vivo", Liahona, maio de 2020, p. 40. ↩

  12. Ver Mateus 5:46–47. ↩

  13. Ver Gérald Caussé, "Já não sois estrangeiros", A Liahona, novembro de 2013, p. 49. ↩

  14. Ensinamentos dos Presidente da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 347. ↩

  15. Ver Russell M. Nelson, "Bem-aventurados os pacificadores", A Liahona, novembro de 2002, p. 39. ↩

  16. Também não faltam oportunidades de estender o amor do Salvador para além de nossas congregações da Igreja e de cuidar dos necessitados, quem quer que sejam e onde quer que estejam — em nossa comunidade ou em países distantes. ↩

  17. Ver Lucas 15:4–7. ↩

  18. Ver Mateus 8:2–3; Marcos 1:40–42; Lucas 17:12–19. ↩

  19. Ver João 4:5–29. ↩

  20. Ver Mateus 18:1–5; Marcos 9:36–37; Lucas 9:47–48; 3 Néfi 17:21–24. ↩

  21. Ver Neal A. Maxwell, "Envoltos 'nos braços de [Seu] amor'", A Liahona, novembro de 2002, p. 18. ↩

  22. Ver Morôni 6:4. ↩

  23. "Do passarinho cuida", Hinos — Para o Lar e para a Igreja, Biblioteca do Evangelho. ↩

Como citar este discursoGérald Caussé, “Ame a todos, ame a cada um”, Conferência Geral de Abril de 2026, Saturday Afternoon Session (2026-04-04). Pulpit Vault, 2026-04-causs-love-all-love-each. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).