Pulpit

\"E falamos de Cristo\"

Gary E. Stevenson

Conferência Geral de Abril de 2025·Saturday Evening Session·2025-04-05

Introdução

Ao terminar uma longa designação no exterior, minha esposa, Lesa, e eu entramos no aeroporto nos preparando para mais um voo — um voo bem cansativo — de volta para casa. Enquanto estávamos com várias outras pessoas avançando lentamente, um passo de cada vez, em longas filas, podíamos sentir a crescente ansiedade de outros viajantes preocupados em pegar outros voos, passar pela verificação de passaporte e visto e prosseguir com sucesso pelos controles de segurança.

Finalmente chegamos a um guichê onde havia uma agente alfandegária que parecia não ser afetada pelos altos níveis de estresse e ansiedade do local. Ela quase mecanicamente, sem contato visual, pegou meus documentos, confirmou minha foto, folheou uma página após a outra e, finalmente, carimbou meu passaporte com uma forte batida.

Então ela pegou os documentos da Lesa. Sem esboçar qualquer emoção, de cabeça baixa e concentrada em seu trabalho, ela folheou metodicamente as páginas com seu olhar de especialista, concentrando-se nos detalhes dos documentos à sua frente. Ficamos um tanto surpresos quando ela parou de repente, levantou a cabeça e fez contato visual com Lesa com um olhar intencional e caloroso. Com um sorriso terno, ela gentilmente carimbou o passaporte da Lesa e devolveu os documentos a ela. Minha esposa sorriu de volta, aceitou os documentos, e elas trocaram calorosas palavras de despedida.

“O que aconteceu?”, perguntei incrédulo.

Lesa então me mostrou o que a agente tinha visto: um pequeno cartão com a imagem do Salvador. Ele havia escorregado acidentalmente de sua bolsa para dentro das páginas de seu passaporte. Foi isso que a agente alfandegária encontrou. Foi isso que mudou completamente seu comportamento.

Graça e Verdade, de Simon Dewey, cortesia de altusfineart.com, © 2025, usada com permissão

Aquela pequena gravura do Salvador conectou o coração de duas desconhecidas que de outra forma estariam desconectadas. Transformou o impessoal em pessoal, capturando a beleza, o milagre e a realidade da Luz de Jesus Cristo. Durante o restante daquele dia e muitas vezes desde essa época, tenho contemplado aquele momento doce e simples com admiração e tenho me alegrado com o efeito glorioso da Luz de Cristo sobre os filhos de Deus.

Falamos de Cristo

Somos seguidores de Jesus Cristo e buscamos tanto receber quanto compartilhar Sua luz. Implícita no nome da Igreja está a nossa teologia de que “Jesus Cristo é a principal pedra da esquina”.1 Por meio de profetas antigos e também de profetas vivos, nosso Pai Celestial nos ordenou: “Ouve-O!”2 e “[vinde] a Cristo”.3 “E falamos de Cristo, regozijamo-nos em Cristo, pregamos a Cristo, profetizamos de Cristo.”4

Ensinamos que Jesus Cristo é o Filho de Deus5 e, durante Seu ministério terreno, Jesus ensinou Seu evangelho e estabeleceu Sua Igreja.6

Testificamos que, no final de Sua vida, Jesus expiou nossos pecados quando sofreu no Jardim do Getsêmani,7 foi crucificado8 e então ressuscitou.9

Regozijamo-nos com o fato de que, graças ao sacrifício expiatório de Jesus, podemos ser perdoados e purificados de nossos pecados ao nos arrependermos. Isso nos traz paz e esperança, e possibilita que voltemos à presença de Deus e recebamos a plenitude da alegria.10

Profetizamos que, por causa da Ressurreição de Jesus, a morte não é o fim, mas um importante passo adiante. “Todos vamos ressuscitar depois de morrermos. Isso significa que o espírito e o corpo de cada pessoa serão reunidos e viverão para sempre.”11

Vinde a Cristo

Os profetas vivos de nossos dias — que recebem revelação de Deus para nos ensinar e guiar — estão cada vez mais nos convidando a nos achegar a Cristo. Eles estão nos ajudando a centralizar nosso coração, nossos ouvidos e olhos mais plenamente Nele. Poderíamos citar vários exemplos de ajustes e melhorias anunciados pela Primeira Presidência que visam a nos concentrar em Jesus Cristo. Alguns deles são:

  • A decisão de deixar de utilizar o nome “Igreja Mórmon” e substituí-lo pelo nome correto, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.12

  • Novas artes inspiradas na temática de Cristo disponíveis para exibição nas capelas.13

  • Temas e músicas das Moças e do quórum do Sacerdócio Aarônico centralizados em Jesus Cristo, como “Sou discípulo de Jesus Cristo” e “Busque a Cristo”.14

  • Maior ênfase na Expiação e na Ressurreição literal de Jesus Cristo como os eventos mais gloriosos da história.15

  • A celebração da Páscoa como uma época e não apenas um feriado, com ênfase em Jesus Cristo.16

  • A introdução do identificador visual da Igreja de Jesus Cristo e sua natureza simbólica.17

Vamos analisar mais de perto o impacto de alguns deles. Primeiro, o símbolo da Igreja.

O símbolo da Igreja

Em 2020, o presidente Russell M. Nelson apresentou um novo identificador visual para a Igreja. Esse símbolo reflete a verdade de que Cristo está no centro de Sua Igreja e deve estar no centro de nossa vida.18 Agora vemos esse símbolo familiar nas recomendações para o templo, nos sites e revistas da Igreja, como ícone do aplicativo Biblioteca do Evangelho, e até mesmo em crachás de identificação militar de muitos membros da Igreja que servem nas forças armadas. O símbolo inclui o nome da Igreja sobre uma pedra de esquina, um lembrete de que Jesus Cristo é a Pedra de Esquina19, usado em 145 idiomas e mostrado aqui em cambojano.

O centro do símbolo é uma representação da querida estátua de mármore Christus, de Bertel Thorvaldsen, que se tornou amplamente associada à Igreja e é encontrada em centros de visitantes e em jardins de templos ao redor do mundo. Sua proeminência no símbolo da Igreja sugere que Cristo deve ser o centro de tudo o que fazemos. Da mesma forma, os braços estendidos do Salvador indicam Sua promessa de abraçar todos os que se achegarem a Ele. Esse símbolo é uma representação visual do amor do Salvador Jesus Cristo e um lembrete constante do Cristo vivo.

Por curiosidade, perguntei a muitas famílias e amigos sobre um elemento importante do símbolo da Igreja. Surpreendentemente, muitos desconhecem uma característica sagrada que ele personifica. Jesus Cristo de pé sob o arco. Isso representa o Salvador ressurreto emergindo do túmulo. Verdadeiramente celebramos o Cristo ressurreto e vivo até mesmo no uso do símbolo da Igreja.

Uma Páscoa mais elevada e santa

Agora contemplemos o significado da Páscoa. Em mensagens recentes da Primeira Presidência sobre a Páscoa, fomos desafiados a “comemorar a Ressurreição do nosso Salvador vivo estudando Seus ensinamentos e ajudando a estabelecer tradições de Páscoa em nossa sociedade como um todo, especialmente dentro de nossa própria família”.20 Em resumo, fomos incentivados a evoluir para uma celebração mais elevada e sagrada da Páscoa.

Amo a revelação contínua sobre a Páscoa e sou grato pelos muitos esforços que vocês fazem para tornar a Páscoa uma ocasião sagrada e santa. Além de realizar uma reunião sacramental de uma hora no Domingo de Páscoa, outros exemplos de atividades significativas incluem devocionais de ala e estaca e atividades no Domingo de Ramos, bem como durante a Semana Santa. Essas lembranças incluem atividades com crianças e adultos, e muitas vezes incorporam coros inter-religiosos. Outros realizam dias de visitação pública com o tema do “Cristo Vivo” para membros e amigos e participam de eventos comunitários de Páscoa com outras denominações religiosas.

Tais atividades refletem as multidões na cidade de Jerusalém cujas vozes se uniram para louvar o Salvador durante Sua entrada triunfal. Igualmente impressionantes são os relatos da resposta que vocês deram ao convite da Primeira Presidência para adorarem em casa como famílias a fim de comemorarem esse feriado tão importante.21

Acredito que a adoração familiar no contexto da Páscoa tem aumentado consideravelmente. Há dois anos, falei sobre a determinação de nossa família em melhorar a maneira como celebramos a Páscoa. É verdade que é uma obra que ainda está em andamento. Sempre gostamos de uma refeição especial no domingo de Páscoa, cestas de Páscoa e caça aos ovos de Páscoa, e continuamos gostando. No entanto, acrescentar uma dimensão espiritual intencional, centrada em Jesus Cristo e Sua Expiação, à nossa celebração trouxe um doce equilíbrio à nossa comemoração desse evento, que é o mais sagrado de todos.

Este ano será nossa terceira tentativa de tornar a Páscoa mais centralizada em Cristo. Assim como o presépio de Natal, nossa encenação de Páscoa em família inclui fantasias rudimentares, a leitura das escrituras do Novo Testamento e do Livro de Mórmon, música, gravuras de Páscoa, folhas de palmeira e um pouco de caos, para ser completamente honesto. Filhos e netos lendo e recitando os louvores do Domingo de Ramos: “Hosana (…); bendito o que vem em nome do Senhor” e “Este é Jesus (…) da Galileia”22, que parecem tão relevantes quanto “paz na terra, boa vontade para com os homens”23 na época do Natal.

Agora desfrutamos de uma mistura de decorações. O que antes era quase exclusivamente composto por coelhos e ovos de Páscoa agora é equilibrado com o símbolo Christus e imagens do túmulo vazio, o Salvador ressurreto aparecendo no jardim fora do túmulo e a aparição do Salvador aos nefitas. Também estamos nos esforçando para fazer da Páscoa uma época e não apenas um dia. Estamos tentando nos familiarizar, celebrar e refletir mais profundamente sobre o Domingo de Ramos, a Sexta-feira Santa e os eventos sagrados que ocorreram durante toda a Semana Santa.

A Páscoa permite que honremos tanto o sacrifício expiatório de Jesus Cristo quanto a literal e alegre Ressurreição Dele. Nosso coração fica pesaroso ao imaginar o sofrimento do Salvador no jardim e no Calvário, mas também se alegra ao visualizar o túmulo vazio e a proclamação celestial: “[Ele] ressuscitou!”24

Uma Ressurreição literal

O incentivo recente da Primeira Presidência de “esperar ansiosamente pela Páscoa e pela Ressurreição de Jesus Cristo — a mais gloriosa de todas as mensagens para a humanidade”25 destaca a magnitude desta época. Embora pareça haver uma tendência crescente entre vários teólogos cristãos de ver a Ressurreição em termos figurativos e simbólicos, afirmamos nossa doutrina de que “a ressurreição significa que todos os que já viveram ressuscitarão, e a ressurreição é literal”.26 “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados.”27 Jesus Cristo rompeu as ligaduras da morte para toda alma vivente.28

Verdadeiro assombro me causa a graça que me dá Jesus.29 Celebramos Suas palavras de que “ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”.30

C. S. Lewis afirmou que “pregar o cristianismo significava [para os apóstolos] principalmente pregar a Ressurreição. (…) A Ressurreição é o tema central de todo sermão cristão relatado no livro de Atos. A Ressurreição e suas consequências foram o ‘evangelho’ ou as boas novas que os cristãos trouxeram”.31

Proclamo que “há, porém, uma ressurreição; (…) a sepultura não tem vitória e o aguilhão da morte é desfeito em Cristo”.32

Conclusão e testemunho

Para concluir, testifico que todos os que aceitarem os convites de nosso profeta vivo e seus conselheiros para comemorar mais intencionalmente os eventos sagrados que a Páscoa representa descobrirão que seu vínculo com Jesus Cristo se tornará cada vez mais forte.

Há poucos dias, soube de uma avó que encenou a história da Páscoa com seu neto de 4 anos usando réplicas simples do túmulo, da pedra que cobria o sepulcro, de Jesus, de Maria, dos discípulos e do anjo. O menino observava e ouvia atentamente enquanto sua avó falava sobre o sepultamento, o fechamento e a abertura do túmulo e a cena da Ressurreição no jardim. Depois ele repetiu cuidadosamente a história para seus pais com detalhes surpreendentes enquanto ele mesmo movia as figuras. Após aquele doce momento, perguntaram-lhe se ele sabia por que temos a Páscoa. O menino olhou para cima e com raciocínio infantil respondeu: “Porque Ele tá vivo”.

Acrescento meu testemunho ao dele — e ao seu e ao dos anjos e profetas — de que Ele ressuscitou e que Ele vive. Presto testemunho dessas coisas, em nome de Jesus Cristo, amém.

Notes

  1. Efésios 2:20. ↩

  2. Joseph Smith—História 1:17. ↩

  3. Ômni 1:26; Morôni 10:30. ↩

  4. 2 Néfi 25:26. ↩

  5. Ver Mateus 3:17; João 3:16–17; Hebreus 1:1–3; 3 Néfi 11:7; Doutrina e Convênios 93:15–17; Joseph Smith—História 1:17. ↩

  6. Ver Mateus 16:18; Atos 2:47; 3 Néfi 21:22. ↩

  7. Ver Mateus 26:36–46; Marcos 14:32–41; Lucas 22:39–46; ver também Isaías 53:4–12; Doutrina e Convênios 19:16–19. ↩

  8. Ver Mateus 27:26–51; Marcos 15:15–38; Lucas 23:32–49; João 19:1–6, 14–37; ver também 1 Néfi 11:32–33; 2 Néfi 9:5; Mosias 14:12; Doutrina e Convênios 45:52; 53:2; 110:2–5. ↩

  9. Ver Mateus 28:1–10, 16–18; Marcos 16:1–14; Lucas 24:1–48; João 20:1–31; 21:1–14; 3 Néfi 9:22; 11:1–17. ↩

  10. Ver Mosias 2:41. ↩

  11. Pregar Meu Evangelho: Um Guia para Compartilhar o Evangelho de Jesus Cristo, 2023, p. 11. ↩

  12. Ver Russell M. Nelson, "O nome correto da Igreja", Liahona, novembro de 2018, p. 87. ↩

  13. Ver carta da Primeira Presidência, 11 de maio de 2020. ↩

  14. Ver "Tema das Moças", Biblioteca do Evangelho; "Tema do quórum do Sacerdócio Aarônico", Biblioteca do Evangelho; "Discípulo de Jesus Cristo", Biblioteca de Música; "Busque a Cristo", Biblioteca de Música. ↩

  15. Ver Russell M. Nelson, Facebook, 16 de março de 2025, facebook.com/russell.m.nelson. ↩

  16. Ver Gary E. Stevenson, "A maior história de Páscoa já contada", Liahona, maio de 2023p. 6; "Páscoa de 2025", comunicado aos líderes da Igreja, 11 de março de 2025. ↩

  17. Ver Russell M. Nelson, "Abrir os céus em busca de ajuda", Liahona, maio de 2020, p. 72. ↩

  18. Ver Russell M. Nelson, "Abrir os céus em busca de ajuda", p. 72. ↩

  19. Ver Efésios 2:19–20; 1 Pedro 2:3–6. ↩

  20. Dallin H. Oaks, "Ele ressuscitou!" Uma mensagem especial de Páscoa da Primeira Presidência, vídeo, Biblioteca do Evangelho. ↩

  21. Ver Russell M. Nelson, "A resposta é sempre Jesus Cristo", Liahona, maio de 2023, p. 127; carta da Primeira Presidência, 15 de fevereiro de 2023. ↩

  22. Mateus 21:9, 11. ↩

  23. Ver "Ouvi os sinos do Natal", Hinos, nº 125; ver também Lucas 2:14. ↩

  24. Ver Mateus 28:6; Marcos 16:6; Lucas 24:6; ver também Mateus 28:1–10, 16–18; Marcos 16:1–14; Lucas 24:1–48; João 20:1–31; 21:1–14; 3 Néfi 9:22; 11:1–17. ↩

  25. Dallin H. Oaks, Facebook, 2 de janeiro de 2025, facebook.com/dallin.h.oaks. ↩

  26. Dallin H. Oaks, "Ele ressuscitou!" ↩

  27. 1 Coríntios 15:22. ↩

  28. Ver Mosias 15:7–8. ↩

  29. Ver "Assombro me causa", Hinos, nº 112. ↩

  30. João 15:13. ↩

  31. C. S. Lewis, Miracles: A Preliminary Study, 1947, pp. 171–172. ↩

  32. Mosias 16:8. ↩

Como citar este discursoGary E. Stevenson, “\"E falamos de Cristo\”, Conferência Geral de Abril de 2025, Saturday Evening Session (2025-04-05). Pulpit Vault, 2025-04-stevenson-and-we-talk-of-christ. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).