Autoridade divina, rapazes valorosos
Steven J. Lund
Obrigado, élder Andersen, por sua mensagem extraordinária sobre o poder do sacerdócio e o poder da expiação do Salvador. ¶
Em janeiro em um domingo de manhã, durante a reunião sacramental, vi mais de 12 rapazes serem apoiados para receber um novo ofício no Sacerdócio Aarônico. Senti que algo extraordinário estava acontecendo. ¶
Percebi que, em todo o mundo, em todos os fusos horários, em reuniões sacramentais assim como aquela, dezenas de milhares de diáconos, mestres e sacerdotes — tal como o amigo do presidente Holland mencionado esta manhã, Easton — estavam sendo apoiados para serem ordenados a ministérios do sacerdócio para a vida toda abrangendo assim toda a coligação de Israel. ¶
Todo mês de janeiro, cerca de 100 mil rapazes são ordenados por imposição de mãos, ligando-os, por meio de uma ordenança, a uma linha sagrada de autoridade que se conecta à época da Restauração, passando por Joseph e Oliver, e chegando até João Batista e Jesus Cristo. ¶
Bem, nem sempre nos expomos muito como Igreja. Aqui, preferimos ser discretos. ¶
Ainda assim, ao ver esse poderoso movimento de novos portadores do sacerdócio recém-ordenados se espalhando pela Terra, eu me perguntei se, de maneira condizente com esta “Igreja da alegria”1, isso não deveria ser proclamado para todos ouvirem. Pensei: “Hoje deveria haver trombetas, címbalos estrondosos e fogos de artifícios. Deveríamos ter desfiles”. ¶
Conhecendo o poder de Deus pelo que ele verdadeiramente é, testemunhamos a mudança drástica nos padrões deste mundo à medida que a autoridade divina se espalha pela Terra. ¶
Essas ordenações proporcionam a esses jovens o início de uma vida de serviço ao estarem em locais e momentos importantes em que sua presença, suas orações e os poderes do sacerdócio de Deus que possuem terão um impacto profundo. ¶
Essa reação em cadeia controlada começou com um anjo ministrador enviado por Deus. João Batista da antiguidade, agora ressurreto, apareceu a Joseph e a Oliver, colocou as mãos sobre a cabeça de cada um e disse: “A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Aarão, que possui as chaves do ministério de anjos e do evangelho do arrependimento e do batismo por imersão para remissão de pecados” (Doutrina e Convênios 13:1). ¶
João chamou essa autoridade de “Sacerdócio de Aarão” em homenagem ao irmão de Moisés e companheiro no sacerdócio. Antigamente, os portadores do Sacerdócio de Aarão tinham a função de ensinar e ajudar nas ordenanças — ordenanças que tinham como foco o discipulado ao futuro Messias, o Senhor Jesus Cristo (ver Deuteronômio 33:10). ¶
O livro de Números atribui explicitamente aos portadores do sacerdócio de Aarão as tarefas de manusear os utensílios das ordenanças. “Mas a Aarão e a seus filhos ordenarás (…) e o seu encargo será (…) a mesa (…) e os utensílios do santuário com que ministram”(Números 3:10, 31). ¶
A ordenança do Velho Testamento de sacrifícios de animais foi cumprida e substituída por meio da vida e da Expiação do Salvador. Essa antiga ordenança foi substituída pela ordenança que hoje chamamos de sacramento da ceia do Senhor. ¶
O Senhor confia aos atuais portadores do Sacerdócio de Aarão fazerem praticamente as mesmas coisas que faziam na antiguidade: ensinar e administrar ordenanças — tudo para nos lembrar de Sua Expiação. ¶
Quando diáconos, mestres e sacerdotes ajudam com o sacramento, recebem as bênçãos assim como todos os outros: ao guardarem o convênio que fazem ao partilhar individualmente do pão e da água. Mas, ao atuarem nesses deveres sagrados, eles também aprendem mais sobre suas responsabilidades no sacerdócio. ¶
O Sacerdócio Aarônico é chamado de sacerdócio preparatório porque, em parte, suas ordenanças permitem que eles experimentem a responsabilidade e a alegria de estarem a serviço do Senhor, preparando-os para o futuro serviço no sacerdócio, quando poderão ser chamados para ministrar de maneiras incalculáveis — inclusive proferindo bênçãos inspiradas em momentos em que esperanças e sonhos, e até mesmo a vida e a morte, estarão em situação delicada. ¶
Expectativas elevadas demandam uma preparação igualmente elevada. ¶
Doutrina e Convênios explica que diáconos e mestres devem “admoestar, explicar, exortar e ensinar e convidar todos a virem a Cristo” (Doutrina e Convênios 20:59). Além dessas oportunidades, os sacerdotes devem “pregar (…) e batizar” (Doutrina e Convênios 20:50). ¶
Bem, tudo isso parece muito, mas, no mundo real, essas coisas acontecem naturalmente e em todo o mundo. ¶
Um bispo ensinou à nova presidência do quórum de diáconos seus deveres. Então, essa nova presidência conversou sobre como isso poderia se aplicar ao seu quórum e à sua ala. Decidiram que deveriam começar a visitar os membros idosos da ala para entender suas necessidades e, então, ajudá-los. ¶
Entre aqueles a quem serviram, estava Alan, um vizinho rude, muitas vezes vulgar e, às vezes, hostil. Sua esposa, Wanda, tornou-se membro da Igreja, mas Alan era, como dizemos, um pouco difícil de lidar. ¶
Ainda assim, os diáconos começaram a trabalhar, ignorando os insultos com um toque de humor enquanto retiravam o lixo e removiam a neve. É fácil gostar dos diáconos e, com o tempo, Alan passou a amá-los. Em certo momento, eles o convidaram para ir à igreja. ¶
“Eu não gosto de igreja”, ele respondeu. ¶
“Bem, você gosta de nós”, eles disseram. “Então, venha conosco. Se quiser, pode vir apenas para a nossa reunião do quórum.” ¶
E, com a aprovação do bispo, ele participou de nossa aula e continuou indo. ¶
Os diáconos se tornaram mestres e, enquanto continuavam a servir a Alan, ele os ensinou a consertar carros e a construir coisas. Ao longo desse tempo enquanto eram diáconos, depois mestres e posteriormente sacerdotes, Alan passou a chamá-los de “meus meninos”. ¶
Eles estavam diligentemente se preparando para servir missão e lhe perguntaram se poderiam praticar as lições missionárias com ele. Alan garantiu que nunca ouviria nem acreditaria, mas que, sim, podiam praticar em sua casa. ¶
Então, Alan ficou doente. E seu coração se abrandou. ¶
E um dia na reunião do quórum, ele carinhosamente pediu que orassem por ele para que conseguisse parar de fumar, e assim o fizeram. Depois, foram com ele até sua casa e confiscaram todos os seus cigarros. ¶
À medida que a saúde de Alan se deteriorava e ele era internado em hospitais e centros de reabilitação,“seus meninos” lhe serviam, silenciosamente demonstrando os poderes do sacerdócio e um amor sincero (ver Doutrina e Convênios 121:41). ¶
O milagre continuou quando Alan pediu para ser batizado — porém, ele faleceu antes que isso pudesse acontecer. A pedido dele, seus diáconos, que agora eram sacerdotes, foram responsáveis por carregar o caixão e foram os oradores em seu funeral, no qual eles apropriadamente admoestaram, explicaram, exortaram e ensinaram, e convidaram todos a se achegarem a Cristo. ¶
E posteriormente, no templo, foi um dos “meninos de Alan” que batizou o antigo presidente do quórum de diáconos em favor dele. ¶
Eles fizeram tudo o que foi ensinado por João Batista. E fizeram o que diáconos, mestres e sacerdotes fazem em toda a Igreja e em todo o mundo. ¶
Uma das responsabilidades que os portadores do sacerdócio de Aarão recebem envolve a ordenança do sacramento. ¶
Ano passado, conheci um bispo inspirado e sua maravilhosa esposa. Pouco tempo atrás, em uma manhã de sábado, eles estavam dirigindo para o batismo de seu filho, quando perderam trágica e repentinamente sua querida filha, Tess, de 2 anos. ¶
Na manhã seguinte, os membros da ala se reuniram para a reunião sacramental cheios de compaixão, sofrendo também com a perda daquela incrível menininha. Ninguém esperava que a família do bispo viesse à Igreja naquela manhã, mas, alguns minutos antes do início da reunião, eles entraram silenciosamente e se sentaram. ¶
O bispo foi até o púlpito, passou por seu lugar habitual entre seus conselheiros e se sentou, desta vez, entre seus sacerdotes à mesa do sacramento. ¶
Durante aquela noite angustiante e sem dormir, buscando respostas e paz, ele recebeu a forte inspiração do que a sua família mais precisava — e do que a sua ala mais precisava. Precisavam ouvir a voz de seu bispo, o presidente do Sacerdócio Aarônico de sua ala e um pai em luto, pronunciar as promessas do convênio sacramental. ¶
Palavras que possuem uma consequência eterna. ¶
Palavras de uma ordenança. ¶
Palavras de um convênio. ¶
Uma instrução que nos conecta aos propósitos centrais desta vida e aos resultados mais magníficos do plano do Pai Celestial para nós. ¶
Vocês conseguem imaginar o que a congregação ouviu naquela capela naquele dia — e o que eles sentiram por meio das palavras que ouvimos todo domingo em nossas reuniões sacramentais? ¶
“Ó Deus, Pai Eterno, nós te rogamos em nome de teu Filho, Jesus Cristo, que abençoes e santifiques este pão para as almas de todos os que partilharem dele, para que o comam em lembrança do corpo de teu Filho e testifiquem a ti, ó Deus, Pai Eterno, que desejam tomar sobre si o nome de teu Filho e recordá-lo sempre e guardar os mandamentos que ele lhes deu, para que possam ter sempre consigo o seu Espírito. Amém” (Doutrina e Convênios 20:77). ¶
E, depois: “Ó Deus, Pai Eterno, nós te rogamos em nome de teu Filho, Jesus Cristo, que abençoes e santifiques [esta água] para as almas de todos os que beberem [dela], para que o façam em lembrança do sangue de teu Filho, que por eles foi derramado, e testifiquem a ti, ó Deus, Pai Eterno, que sempre se lembram dele, para que possam ter consigo o seu Espírito. Amém” (Doutrina e Convênios 20:79). ¶
Esse bom pai e essa boa mãe testificam que essa promessa foi cumprida. Eles, de fato, “[têm] consigo o seu Espírito” para seu consolo eterno. ¶
Sou eternamente grato aos portadores do Sacerdócio Aarônico, que com seus poderes, ordenanças e deveres, abençoam a todos nós por meio das chaves do próprio “ministério de anjos e do evangelho do arrependimento e do batismo por imersão para remissão de pecados” (Doutrina e Convênios 13:1). Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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Ver Patrick Kearon, "Bem-vindos à Igreja da alegria", Liahona, novembro de 2024, p. 38. ↩
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Em seu discurso na conferência geral anual intitulado "Bem-vindos à Igreja da alegria", o élder Kearon menciona em sua nota de rodapé nº 10, o ensinamento do presidente Gordon B. Hinckley que diz: "Quando vocês, como sacerdotes, ajoelham-se à mesa do sacramento e oferecem a oração, que veio por revelação, vocês colocam toda a congregação sob convênio com o Senhor. Isso é uma coisa pequena? É algo muito importante e extraordinário" ("Sacerdócio Aarônico — Um dom de Deus", A Liahona, julho de 1988, pp. 51–52). ↩