Adoração
D. Todd Christofferson
“E tendo nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, ¶
O que adorar a Deus significa para vocês e para mim? ¶
Quando pensamos em adoração, nossos pensamentos geralmente se voltam para as maneiras como demonstramos devoção religiosa tanto em particular quanto nas reuniões da Igreja. Ao considerar a questão de adorar nosso Pai Celestial e Seu Filho Amado, nosso Salvador, quatro conceitos me vieram à mente: primeiro, as ações que constituem nossa adoração; segundo, as atitudes e os sentimentos que fazem parte de nossa adoração; terceiro, a exclusividade de nossa adoração; e quarto, a necessidade de imitar os Seres Sagrados que adoramos. ¶
Primeiro, as ações que constituem nossa adoração
Uma das formas mais comuns e importantes de adoração é se reunir em um espaço consagrado para realizar atos de devoção. O Senhor disse: “E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado”.3 Isso, claro, é nossa motivação principal para construirmos capelas. Mas, se for necessário, um local não dedicado servirá se pudermos investir nele certo grau de santidade. ¶
O mais importante é o que fazemos quando nos reunimos no Dia do Senhor. É claro que nos vestimos da melhor maneira possível, de acordo com nossas possibilidades — não de maneira extravagante, mas modesta, de modo a sinalizar nosso respeito e reverência pela Deidade. Nossa conduta é igualmente reverente e respeitosa. Adoramos nos unindo em oração; cantando hinos (não apenas ouvindo, mas cantando os hinos); adoramos instruindo e aprendendo uns com os outros. Jesus disse: “Lembra-te, porém, de que no dia do Senhor oferecerás tuas oblações [significando tuas ‘ofertas (…) de tempo, talentos ou bens, a serviço de Deus e do próximo’4] e teus sacramentos ao Altíssimo, confessando teus pecados a teus irmãos e perante o Senhor”.5 Não nos reunimos para entreter ou ser entretidos — como uma banda, por exemplo —, mas para nos lembrarmos Dele e sermos “instruídos mais perfeitamente”6 em Seu evangelho. ¶
Na conferência geral mais recente, o élder Patrick Kearon nos lembrou que “não nos reunimos no Dia do Senhor simplesmente para assistir à reunião sacramental e riscar um item de uma lista de coisas a fazer. Nós nos reunimos para adorar. Há uma diferença significativa entre esses dois conceitos. Frequentar significa estar presente. Mas adorar é louvar e honrar intencionalmente nosso Deus de um modo que nos transforme!”7 ¶
Dedicar nossos Dias do Senhor ao Senhor e aos Seus propósitos é em si um ato de adoração. Há alguns anos, o então élder Russell M. Nelson comentou: “Até que ponto santificamos o Dia do Senhor? Quando eu era bem mais jovem, estudei o trabalho de outros que tinham compilado listas de coisas para fazer e coisas para não fazer no Dia do Senhor. Foi só mais tarde que aprendi nas escrituras que minha conduta e minha atitude no Dia do Senhor constituíam um sinal entre mim e meu Pai Celestial [ver Êxodo 31:13; Ezequiel 20:12, 20]. Com esse entendimento, não precisei mais de listas do que fazer ou evitar. Quando tinha que tomar a decisão sobre uma atividade ser ou não adequada para o Dia do Senhor, simplesmente me perguntava: ‘Que sinal quero dar a Deus?’”8 ¶
A adoração no Dia do Senhor é marcada por um foco particular no grande sacrifício expiatório de Jesus Cristo. Celebramos apropriada e especialmente Sua Ressurreição na Páscoa, mas também toda semana quando participamos dos emblemas sacramentais de Sua Expiação, incluindo Sua Ressurreição. Para o penitente, participar do sacramento é o ponto alto da adoração no Dia do Senhor. ¶
Adorar juntos como o “corpo de Cristo”9 tem poder e benefícios únicos à medida que ensinamos, servimos e apoiamos uns aos outros. Curiosamente, um estudo recente descobriu que aqueles que consideram sua vida espiritual como algo totalmente pessoal são menos propensos a priorizar o crescimento espiritual, ou a dizer que sua fé é muito importante, ou a ter um tempo regular devotado a Deus.10 Como uma comunidade de santos, fortalecemos uns aos outros na adoração e na fé. ¶
Mesmo assim, não podemos nos esquecer dos atos diários de adoração que realizamos individualmente e em casa. O Salvador nos lembra: “Contudo, teus votos serão oferecidos em retidão todos os dias e em todos os momentos”.11 Uma irmã comentou sabiamente: “Não consigo pensar em uma maneira mais profunda de adorar a Deus do que acolher Seus pequeninos em nossa vida, cuidar deles e lhes ensinar Seu plano para eles”. ¶
“Deveis abrir vossa alma em vossos aposentos e em vossos lugares secretos e em vossos desertos. ¶
Segundo, as atitudes e os sentimentos que fazem parte da adoração
Sentir e expressar gratidão a Deus são, de fato, os elementos que infundem na adoração um senso de renovação alegre em vez de vê-la apenas como mais um dever. ¶
A verdadeira adoração significa amar a Deus e submeter nossa vontade a Ele — a dádiva mais preciosa que podemos oferecer. Quando perguntaram a Jesus qual era o grande mandamento na lei, Ele disse: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”.15 Ele também deu a isso o nome de o primeiro mandamento. ¶
Este era o padrão de adoração do próprio Jesus ao Pai. Sua vida e Seu sacrifício expiatório foram dedicados à glória do Pai. Lembramos com pungência o apelo comovente de Jesus em meio a um sofrimento e uma tristeza inimagináveis: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; porém, não seja como eu quero, mas como tu queres”. 16 ¶
Adoração é se esforçar para seguir esse exemplo perfeito.17 Não alcançaremos a perfeição neste caminho da noite para o dia, mas se a cada dia oferecermos a Ele “como sacrifício um coração quebrantado e um espírito contrito”,18 Ele novamente nos batizará com Seu Espírito e nos encherá com Sua graça. ¶
Terceiro, a exclusividade de nossa adoração
Na primeira seção de Doutrina e Convênios, o Senhor pronuncia esta acusação ao mundo: ¶
“Desviaram-se de minhas ordenanças e quebraram meu convênio eterno. ¶
É bom nos lembrarmos do exemplo dos três jovens judeus Ananias, Misael e Azarias, levados cativos para a Babilônia pouco depois de Leí e sua família terem deixado Jerusalém. Um oficial babilônico deu a eles os nomes Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Posteriormente, quando esses três se recusaram a adorar uma imagem erguida pelo rei Nabucodonosor, ele ordenou que fossem jogados numa fornalha de fogo ardente, dizendo-lhes: “E quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?”20 ¶
Vocês se lembrarão da resposta corajosa deles: ¶
“O nosso Deus, a quem nós servimos, nos pode livrar da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei, ele há de nos livrar. ¶
A fornalha estava tão quente que matou aqueles que os jogaram nela, mas Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram ilesos. “Falou Nabucodonosor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois violaram a palavra do rei, e entregaram os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum outro deus, senão o seu Deus”.22 Eles confiaram em Jeová para obter libertação, “mas se não”, isto é, mesmo que Deus em Sua sabedoria não impedisse a morte deles, eles permaneceriam fiéis a Deus. ¶
Tudo o que tem precedência sobre a adoração ao Pai e ao Filho se torna um ídolo. Aqueles que rejeitam a Deus como a fonte da verdade, ou negam qualquer responsabilidade perante Ele, na realidade fazem a si mesmos como seu próprio deus. Aqueles que colocam a lealdade a um partido ou a uma causa acima da orientação divina adoram um deus falso. Mesmo aqueles que pretendem adorar a Deus, mas não guardam Seus mandamentos, estão andando em seu próprio caminho: “Eles se aproximam de mim com os lábios, mas seu coração está longe de mim”.23 O objeto da nossa adoração é exclusivamente o “único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem [Ele enviou]”.24 ¶
Por fim, a necessidade de imitar o Pai e o Filho
Em última análise, a maneira como vivemos pode ser a melhor e mais genuína forma de adoração. Demonstrar nossa devoção significa imitar o Pai e o Filho ao cultivarmos em nós mesmos Seus atributos e Seu caráter. Se, como diz o ditado, a imitação é a forma mais sincera de lisonja, então poderíamos dizer, com relação à Deidade, que a imitação é a forma mais sincera de veneração. Isso sugere um esforço ativo e consistente de nossa parte para buscar a santidade. Porém, tornar-se mais semelhante a Cristo também é o resultado natural dos nossos atos de adoração. A frase do élder Kearon citada anteriormente sobre adorar, “de um modo que nos transforme”, é significativa. A verdadeira adoração é transformadora. ¶
Essa é a beleza do caminho do convênio — o caminho da adoração, do amor e da lealdade a Deus. Entramos nesse caminho pelo batismo, prometendo tomar sobre nós o nome de Cristo e guardar Seus mandamentos. Recebemos o dom do Espírito Santo, o mensageiro da graça do Salvador que nos redime e nos purifica do pecado quando nos arrependemos.25 Podemos até mesmo dizer que quando nos arrependemos, nós O estamos adorando. ¶
Seguem-se ordenanças e convênios adicionais do sacerdócio feitos na Casa do Senhor que nos santificam ainda mais. As cerimônias e ordenanças do templo constituem uma forma elevada de adoração. ¶
O presidente Russell M. Nelson enfatizou: “Todo homem e toda mulher que participa das ordenanças do sacerdócio e que faz e cumpre convênios com Deus tem acesso direto ao Seu poder”.26 Esse não é apenas um poder que invocamos para agir, servir e abençoar. É também o poder divino que atua em nós para nos refinar e purificar. Ao percorrermos o caminho do convênio, “manifesta-se o poder [santificador] da divindade”27 em nós. ¶
Que possamos, assim como os nefitas e lamanitas, “[lançar-nos] aos pés de Jesus e [adorá-Lo]”.28 Conforme nos ordenou Jesus, que possamos nos prostrar e adorar ao Pai em nome do Filho.29 Que recebamos o Espírito Santo e entreguemos nosso coração a Deus, não tenhamos outros deuses diante Dele e, como discípulos de Jesus Cristo, imitemos Seu caráter em nossa própria vida. Testifico-lhes que, se assim fizermos, vivenciaremos a alegria da adoração. Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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Mateus 2:1–2; grifo do autor. ↩
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Ver Mateus 2:11. ↩
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Doutrina e Convênios 59:12, nota de rodapé a. ↩
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Patrick Kearon, "Bem-vindos à Igreja da alegria", Liahona, novembro de 2024, p. 36. ↩
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Russell M. Nelson, "O Dia do Senhor é deleitoso", A Liahona, maio de 2015, p. 130. ↩
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Ver, por exemplo, 1 Coríntios 12:12–27. ↩
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Ver "Stats for Sermons: Most Christians Have Entirely Private Spiritual Lives," Barna Group, 21 de fevereiro de 2025, barna.com/trends/stat-download-spiritual-lives. ↩
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Alma 34:38; ver também Alma 32:10–11. ↩
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Alma 34:26–27; ver também Alma 33:3–11. ↩
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Ver Alma 33:12–23; Alma 34:8, 28–39. ↩
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Ver Mateus 22:36–38; Marcos 12:28–30. Não foi perguntado a Jesus qual era o segundo mandamento, mas Ele Se voluntariou, dizendo: "E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22:39; ver também Marcos 12:31). ↩
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Mateus 26:39; ver também Marcos 14:36; Lucas 22:42. ↩
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Jesus disse simplesmente: "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (João 14:15). ↩
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Joseph Smith—História 1:19; ver também Isaías 29:13; Lucas 6:46. ↩
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João 17:3; ver também Êxodo 20:2–3; Mosias 12:33–35; Doutrina e Convênios 20:17–19. ↩
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Ver 2 Néfi 31:17. ↩
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Russell M. Nelson, "O convênio eterno", Liahona, outubro de 2022, p. 10. ↩