Pulpit

Adoração

D. Todd Christofferson

Conferência Geral de Abril de 2025·Saturday Evening Session·2025-04-05

“E tendo nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém,

Dizendo: Onde está aquele que é nascido Rei dos Judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos adorá-lo.”1

Os Reis Magos, como são às vezes chamados, foram sábios ao procurar e adorar o Messias. Para eles, adorar significava se curvar diante do menino Jesus e Lhe oferecer presentes de ouro, especiarias preciosas e perfumadas.2

O que adorar a Deus significa para vocês e para mim?

Quando pensamos em adoração, nossos pensamentos geralmente se voltam para as maneiras como demonstramos devoção religiosa tanto em particular quanto nas reuniões da Igreja. Ao considerar a questão de adorar nosso Pai Celestial e Seu Filho Amado, nosso Salvador, quatro conceitos me vieram à mente: primeiro, as ações que constituem nossa adoração; segundo, as atitudes e os sentimentos que fazem parte de nossa adoração; terceiro, a exclusividade de nossa adoração; e quarto, a necessidade de imitar os Seres Sagrados que adoramos.

Primeiro, as ações que constituem nossa adoração

Uma das formas mais comuns e importantes de adoração é se reunir em um espaço consagrado para realizar atos de devoção. O Senhor disse: “E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado”.3 Isso, claro, é nossa motivação principal para construirmos capelas. Mas, se for necessário, um local não dedicado servirá se pudermos investir nele certo grau de santidade.

O mais importante é o que fazemos quando nos reunimos no Dia do Senhor. É claro que nos vestimos da melhor maneira possível, de acordo com nossas possibilidades — não de maneira extravagante, mas modesta, de modo a sinalizar nosso respeito e reverência pela Deidade. Nossa conduta é igualmente reverente e respeitosa. Adoramos nos unindo em oração; cantando hinos (não apenas ouvindo, mas cantando os hinos); adoramos instruindo e aprendendo uns com os outros. Jesus disse: “Lembra-te, porém, de que no dia do Senhor oferecerás tuas oblações [significando tuas ‘ofertas (…) de tempo, talentos ou bens, a serviço de Deus e do próximo’4] e teus sacramentos ao Altíssimo, confessando teus pecados a teus irmãos e perante o Senhor”.5 Não nos reunimos para entreter ou ser entretidos — como uma banda, por exemplo —, mas para nos lembrarmos Dele e sermos “instruídos mais perfeitamente”6 em Seu evangelho.

Na conferência geral mais recente, o élder Patrick Kearon nos lembrou que “não nos reunimos no Dia do Senhor simplesmente para assistir à reunião sacramental e riscar um item de uma lista de coisas a fazer. Nós nos reunimos para adorar. Há uma diferença significativa entre esses dois conceitos. Frequentar significa estar presente. Mas adorar é louvar e honrar intencionalmente nosso Deus de um modo que nos transforme!”7

Dedicar nossos Dias do Senhor ao Senhor e aos Seus propósitos é em si um ato de adoração. Há alguns anos, o então élder Russell M. Nelson comentou: “Até que ponto santificamos o Dia do Senhor? Quando eu era bem mais jovem, estudei o trabalho de outros que tinham compilado listas de coisas para fazer e coisas para não fazer no Dia do Senhor. Foi só mais tarde que aprendi nas escrituras que minha conduta e minha atitude no Dia do Senhor constituíam um sinal entre mim e meu Pai Celestial [ver Êxodo 31:13; Ezequiel 20:12, 20]. Com esse entendimento, não precisei mais de listas do que fazer ou evitar. Quando tinha que tomar a decisão sobre uma atividade ser ou não adequada para o Dia do Senhor, simplesmente me perguntava: ‘Que sinal quero dar a Deus?’”8

A adoração no Dia do Senhor é marcada por um foco particular no grande sacrifício expiatório de Jesus Cristo. Celebramos apropriada e especialmente Sua Ressurreição na Páscoa, mas também toda semana quando participamos dos emblemas sacramentais de Sua Expiação, incluindo Sua Ressurreição. Para o penitente, participar do sacramento é o ponto alto da adoração no Dia do Senhor.

Adorar juntos como o “corpo de Cristo”9 tem poder e benefícios únicos à medida que ensinamos, servimos e apoiamos uns aos outros. Curiosamente, um estudo recente descobriu que aqueles que consideram sua vida espiritual como algo totalmente pessoal são menos propensos a priorizar o crescimento espiritual, ou a dizer que sua fé é muito importante, ou a ter um tempo regular devotado a Deus.10 Como uma comunidade de santos, fortalecemos uns aos outros na adoração e na fé.

Mesmo assim, não podemos nos esquecer dos atos diários de adoração que realizamos individualmente e em casa. O Salvador nos lembra: “Contudo, teus votos serão oferecidos em retidão todos os dias e em todos os momentos”.11 Uma irmã comentou sabiamente: “Não consigo pensar em uma maneira mais profunda de adorar a Deus do que acolher Seus pequeninos em nossa vida, cuidar deles e lhes ensinar Seu plano para eles”.

Alma e Amuleque ensinaram aos zoramitas que tinham sido expulsos de suas sinagogas a adorar a Deus não apenas uma vez por semana, mas sempre, e “em qualquer lugar em que [estivessem]”.12 Eles falaram sobre a oração como adoração:

“Deveis abrir vossa alma em vossos aposentos e em vossos lugares secretos e em vossos desertos.

Sim, e quando não clamardes ao Senhor, deixai que se encha o vosso coração, voltado continuamente para ele em oração pelo vosso bem-estar”.13

Eles também falaram sobre examinar as escrituras, prestar testemunho de Cristo, realizar atos de caridade e serviço, receber o Espírito Santo e viver rendendo graças diariamente.14 Pensem nisto: “Viver rendendo graças diariamente”. Isso leva a meu segundo conceito:

Segundo, as atitudes e os sentimentos que fazem parte da adoração

Sentir e expressar gratidão a Deus são, de fato, os elementos que infundem na adoração um senso de renovação alegre em vez de vê-la apenas como mais um dever.

A verdadeira adoração significa amar a Deus e submeter nossa vontade a Ele — a dádiva mais preciosa que podemos oferecer. Quando perguntaram a Jesus qual era o grande mandamento na lei, Ele disse: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”.15 Ele também deu a isso o nome de o primeiro mandamento.

Este era o padrão de adoração do próprio Jesus ao Pai. Sua vida e Seu sacrifício expiatório foram dedicados à glória do Pai. Lembramos com pungência o apelo comovente de Jesus em meio a um sofrimento e uma tristeza inimagináveis: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; porém, não seja como eu quero, mas como tu queres”. 16

Adoração é se esforçar para seguir esse exemplo perfeito.17 Não alcançaremos a perfeição neste caminho da noite para o dia, mas se a cada dia oferecermos a Ele “como sacrifício um coração quebrantado e um espírito contrito”,18 Ele novamente nos batizará com Seu Espírito e nos encherá com Sua graça.

Terceiro, a exclusividade de nossa adoração

Na primeira seção de Doutrina e Convênios, o Senhor pronuncia esta acusação ao mundo:

“Desviaram-se de minhas ordenanças e quebraram meu convênio eterno.

Não buscam o Senhor para estabelecer sua retidão, mas todo homem anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus, cuja imagem é à semelhança do mundo”.19

É bom nos lembrarmos do exemplo dos três jovens judeus Ananias, Misael e Azarias, levados cativos para a Babilônia pouco depois de Leí e sua família terem deixado Jerusalém. Um oficial babilônico deu a eles os nomes Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Posteriormente, quando esses três se recusaram a adorar uma imagem erguida pelo rei Nabucodonosor, ele ordenou que fossem jogados numa fornalha de fogo ardente, dizendo-lhes: “E quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?”20

Vocês se lembrarão da resposta corajosa deles:

“O nosso Deus, a quem nós servimos, nos pode livrar da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei, ele há de nos livrar.

“Mas se não, fica sabendo (…) que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste”.21

A fornalha estava tão quente que matou aqueles que os jogaram nela, mas Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram ilesos. “Falou Nabucodonosor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois violaram a palavra do rei, e entregaram os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum outro deus, senão o seu Deus”.22 Eles confiaram em Jeová para obter libertação, “mas se não”, isto é, mesmo que Deus em Sua sabedoria não impedisse a morte deles, eles permaneceriam fiéis a Deus.

Tudo o que tem precedência sobre a adoração ao Pai e ao Filho se torna um ídolo. Aqueles que rejeitam a Deus como a fonte da verdade, ou negam qualquer responsabilidade perante Ele, na realidade fazem a si mesmos como seu próprio deus. Aqueles que colocam a lealdade a um partido ou a uma causa acima da orientação divina adoram um deus falso. Mesmo aqueles que pretendem adorar a Deus, mas não guardam Seus mandamentos, estão andando em seu próprio caminho: “Eles se aproximam de mim com os lábios, mas seu coração está longe de mim”.23 O objeto da nossa adoração é exclusivamente o “único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem [Ele enviou]”.24

Por fim, a necessidade de imitar o Pai e o Filho

Em última análise, a maneira como vivemos pode ser a melhor e mais genuína forma de adoração. Demonstrar nossa devoção significa imitar o Pai e o Filho ao cultivarmos em nós mesmos Seus atributos e Seu caráter. Se, como diz o ditado, a imitação é a forma mais sincera de lisonja, então poderíamos dizer, com relação à Deidade, que a imitação é a forma mais sincera de veneração. Isso sugere um esforço ativo e consistente de nossa parte para buscar a santidade. Porém, tornar-se mais semelhante a Cristo também é o resultado natural dos nossos atos de adoração. A frase do élder Kearon citada anteriormente sobre adorar, “de um modo que nos transforme”, é significativa. A verdadeira adoração é transformadora.

Essa é a beleza do caminho do convênio — o caminho da adoração, do amor e da lealdade a Deus. Entramos nesse caminho pelo batismo, prometendo tomar sobre nós o nome de Cristo e guardar Seus mandamentos. Recebemos o dom do Espírito Santo, o mensageiro da graça do Salvador que nos redime e nos purifica do pecado quando nos arrependemos.25 Podemos até mesmo dizer que quando nos arrependemos, nós O estamos adorando.

Seguem-se ordenanças e convênios adicionais do sacerdócio feitos na Casa do Senhor que nos santificam ainda mais. As cerimônias e ordenanças do templo constituem uma forma elevada de adoração.

O presidente Russell M. Nelson enfatizou: “Todo homem e toda mulher que participa das ordenanças do sacerdócio e que faz e cumpre convênios com Deus tem acesso direto ao Seu poder”.26 Esse não é apenas um poder que invocamos para agir, servir e abençoar. É também o poder divino que atua em nós para nos refinar e purificar. Ao percorrermos o caminho do convênio, “manifesta-se o poder [santificador] da divindade”27 em nós.

Que possamos, assim como os nefitas e lamanitas, “[lançar-nos] aos pés de Jesus e [adorá-Lo]”.28 Conforme nos ordenou Jesus, que possamos nos prostrar e adorar ao Pai em nome do Filho.29 Que recebamos o Espírito Santo e entreguemos nosso coração a Deus, não tenhamos outros deuses diante Dele e, como discípulos de Jesus Cristo, imitemos Seu caráter em nossa própria vida. Testifico-lhes que, se assim fizermos, vivenciaremos a alegria da adoração. Em nome de Jesus Cristo, amém.

Notes

  1. Mateus 2:1–2; grifo do autor. ↩

  2. Ver Mateus 2:11. ↩

  3. Doutrina e Convênios 59:9. ↩

  4. Doutrina e Convênios 59:12, nota de rodapé a. ↩

  5. Doutrina e Convênios 59:12. ↩

  6. Doutrina e Convênios 88:78. ↩

  7. Patrick Kearon, "Bem-vindos à Igreja da alegria", Liahona, novembro de 2024, p. 36. ↩

  8. Russell M. Nelson, "O Dia do Senhor é deleitoso", A Liahona, maio de 2015, p. 130. ↩

  9. Ver, por exemplo, 1 Coríntios 12:12–27. ↩

  10. Ver "Stats for Sermons: Most Christians Have Entirely Private Spiritual Lives," Barna Group, 21 de fevereiro de 2025, barna.com/trends/stat-download-spiritual-lives. ↩

  11. Doutrina e Convênios 59:11. ↩

  12. Alma 34:38; ver também Alma 32:10–11. ↩

  13. Alma 34:26–27; ver também Alma 33:3–11. ↩

  14. Ver Alma 33:12–23; Alma 34:8, 28–39. ↩

  15. Ver Mateus 22:36–38; Marcos 12:28–30. Não foi perguntado a Jesus qual era o segundo mandamento, mas Ele Se voluntariou, dizendo: "E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22:39; ver também Marcos 12:31). ↩

  16. Mateus 26:39; ver também Marcos 14:36; Lucas 22:42. ↩

  17. Jesus disse simplesmente: "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (João 14:15). ↩

  18. 3 Néfi 9:20. ↩

  19. Doutrina e Convênios 1:15–16. ↩

  20. Daniel 3:15. ↩

  21. Daniel 3:17–18. ↩

  22. Daniel 3:28. ↩

  23. Joseph Smith—História 1:19; ver também Isaías 29:13; Lucas 6:46. ↩

  24. João 17:3; ver também Êxodo 20:2–3; Mosias 12:33–35; Doutrina e Convênios 20:17–19. ↩

  25. Ver 2 Néfi 31:17. ↩

  26. Russell M. Nelson, "O convênio eterno", Liahona, outubro de 2022, p. 10. ↩

  27. Doutrina e Convênios 84:20. ↩

  28. 3 Néfi 11:17. ↩

  29. Ver Doutrina e Convênios 18:40. ↩

Como citar este discursoD. Todd Christofferson, “Adoração”, Conferência Geral de Abril de 2025, Saturday Evening Session (2025-04-05). Pulpit Vault, 2025-04-christofferson-worship. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).