Confiar no Pai
David P. Homer
No dia 1º de junho de 1843, Addison Pratt saiu de Nauvoo, Illinois, para pregar o evangelho nas ilhas havaianas, deixando sua esposa, Louisa Barnes Pratt, para cuidar de sua jovem família. ¶
Em Nauvoo, as perseguições se intensificaram, forçando os santos a deixar a cidade e, mais tarde, Winter Quarters. Enquanto eles se preparavam para migrar para o Vale do Lago Salgado, Louisa teve que decidir se faria ou não a viagem. Seria mais fácil ficar e esperar Addison voltar do que viajar sozinha com seus filhos. ¶
Em ambas as ocasiões, ela buscou orientação do profeta Brigham Young, que a encorajou a fazer a viagem. Apesar de sua grande dificuldade e relutância pessoal, ela foi bem-sucedida em cada uma de suas viagens. ¶
Inicialmente, Louisa não estava muito animada para viajar. Porém, ela logo começou a se sentir feliz ao ver a grama verde das pradarias, as flores silvestres coloridas e os trechos de terra ao longo das margens dos rios. “A tristeza em minha mente foi aos poucos se dissipando”, relembrou ela, “e não havia mulher mais feliz em toda a companhia”.1 ¶
A história de Louisa me inspirou profundamente. Admiro sua disposição de não se concentrar em suas preferências pessoais, sua habilidade de confiar em Deus e de como exercer fé a ajudou a ver a situação de maneira diferente. ¶
A fonte da verdade
Algumas pessoas sugerem que deveríamos redefinir as fronteiras entre o que é certo e o que é errado, pois dizem que a verdade é relativa, que cada pessoa define sua própria realidade, ou que Deus é tão generoso que Ele não Se importa realmente com o que fazemos. ¶
Ao buscarmos entender e aceitar a vontade de Deus, é útil lembrar que não cabe a nós decidir os limites entre o certo e o errado. Deus estabeleceu esses limites com base nas verdades eternas para nosso benefício e bênção. ¶
O desejo de mudar a verdade eterna de Deus tem uma longa história. Começou antes do princípio do mundo, quando Satanás se rebelou contra o plano de Deus, procurando, de maneira egoísta, destruir o arbítrio da humanidade.4 Seguindo esse padrão, pessoas como Serém, Neor e Corior argumentaram que a fé é tolice, que revelação é irrelevante e tudo que quisermos fazer é certo.5 Infelizmente, com muita frequência, esses desvios da verdade de Deus têm levado à grande tristeza. ¶
Nossa escolha
Felizmente, temos as escrituras e a orientação de profetas vivos para nos ajudar a compreender a verdade de Deus. Se precisarmos de mais esclarecimento, Deus providenciará por meio de Seus profetas. E Ele responderá às nossas orações sinceras por meio do Espírito Santo à medida que buscarmos entender as verdades que ainda não compreendemos plenamente. ¶
O élder Andersen certa vez ensinou que não devemos ficar “surpresos se, às vezes, alguns de [nossos] pontos de vista pessoais inicialmente não estiverem em harmonia com os ensinamentos do profeta do Senhor. Esses são momentos de aprendizado”, disse ele “e de humildade, quando nos colocamos de joelhos para orar. Seguimos em frente com fé, confiando em Deus, sabendo que, com o passar do tempo, receberemos mais clareza espiritual de nosso Pai Celestial”.8 ¶
Em todos os momentos, é útil nos lembrar do ensinamento de Alma de que Deus concede Sua palavra de acordo com a atenção e diligência que dedicamos a ela. Se dermos ouvidos à palavra de Deus, receberemos mais; se ignorarmos Seus conselhos, receberemos menos até que não tenhamos nada.9 Essa perda de conhecimento não significa que a verdade estava errada; ao contrário, mostra que perdemos a capacidade de compreendê-la.10 ¶
Buscar o Salvador
Por que eles foram embora? ¶
Porque não gostaram do que Ele falou. Então, confiando em seu próprio julgamento, eles se afastaram, negando a si mesmos as bênçãos que teriam recebido se tivessem permanecido. ¶
É fácil deixar nosso orgulho ficar entre nós e a verdade eterna. Quando não compreendemos, podemos fazer uma pausa, deixar nossos sentimentos se acalmarem e, então, escolher como responder. O Senhor nos aconselhou a “[buscá-Lo] em cada pensamento; não [duvidar], não [temer]”.12 Quando nos concentramos no Salvador, nossa fé pode começar a superar nossas preocupações. ¶
Bênçãos virão para aqueles que permanecerem
Enquanto os discípulos se afastavam do Salvador naquele dia, Ele perguntou aos Doze: “Quereis vós também retirar-vos?” ¶
Pedro respondeu: ¶
“Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. ¶
Os apóstolos viviam no mesmo mundo e enfrentavam as mesmas pressões sociais dos discípulos que se afastaram. No entanto, nesse momento, eles escolheram sua fé e confiaram em Deus, preservando assim as bênçãos que Ele concede àqueles que permanecem. ¶
Talvez vocês, assim como eu, às vezes se encontrem em ambos os lados dessa decisão. Quando achamos difícil entender ou aceitar a vontade de Deus, é reconfortante lembrar que Ele nos ama como somos, onde quer que estejamos em nossa jornada. E Ele tem algo melhor para nós. Se O procurarmos, Ele vai nos ajudar. ¶
Submeter nossa vontade à Dele
O élder Neal A. Maxwell certa vez ensinou que “a entrega de nossa vontade a Deus é, realmente, a única coisa pessoal e ímpar que temos para depositar no altar de Deus”.17 Não é de se admirar que o rei Benjamin estivesse tão ansioso para que seu povo se tornasse “como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-se a tudo quanto o Senhor achar que lhe deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai”.18 ¶
A escolha de submeter nossa vontade à de Deus é um ato de fé que está no centro de nosso discipulado. Ao fazermos essa escolha, descobrimos que não diminuímos nosso arbítrio, ao contrário, ele é ampliado e recompensado pela presença do Espírito Santo, que traz propósito, alegria, paz e esperança que não podemos encontrar em nenhum outro lugar.20 ¶
Há vários meses, um presidente de estaca e eu visitamos uma irmã e seu filho jovem adulto. Depois de muitos anos afastada da Igreja, vagando por caminhos que levaram a desafios e dificuldades, ela retornou. Durante nossa visita, perguntamos por que ela voltou a frequentar a Igreja. ¶
“Fiz muitas escolhas ruins”, disse ela, “e sabia onde precisava estar”. ¶
Então perguntei o que ela aprendeu em sua jornada. ¶
Com emoção, ela compartilhou que havia aprendido que precisava frequentar a Igreja por tempo suficiente para desfazer o hábito de não ir e que precisava permanecer até que fosse o lugar onde ela desejava estar. Seu retorno não foi fácil, mas à medida que exercia fé no plano do Pai, ela voltou a sentir o Espírito. ¶
E então ela acrescentou: “Aprendi por mim mesma que Deus é bom e que Seus caminhos são melhores que os meus”. ¶
Presto testemunho de Deus, nosso Pai Eterno, que nos ama; de Seu Filho, Jesus Cristo, que nos salvou. Eles conhecem nossas dores e nossos desafios. Eles nunca nos abandonarão e sabem perfeitamente como nos socorrer. Podemos ter bom ânimo ao confiarmos Neles mais do que em qualquer outra pessoa ou coisa. No sagrado nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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Louisa Barnes Pratt, em Santos: A História da Igreja de Jesus Cristo nos Últimos Dias, vol. 2, Nenhuma mão ímpia, 1846–1893, 2020, p. 110; ver também Santos, vol. 1, O estandarte da verdade, 1815–1846, 2018, pp. 494–495. ↩
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Afinal de contas, Ele é nosso Pai. Ele nos ama. E, como o élder Patrick Kearon ensinou: "[Ele] está numa busca incansável por [nós]. Ele 'quer que todos os Seus filhos escolham voltar à Sua presença' [Manual Geral: Servir em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, item 1.1, Biblioteca do Evangelho], e emprega todas as medidas possíveis para [nos levar] de volta" ("Deus deseja levá-los para casa", Liahona, maio de 2024, p. 87). ↩
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Ver 2 Néfi 4:34. ↩
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Ver Moisés 4:3. ↩
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Ver Jacó 7:7; Alma 1:4; 30:13–18, 23–28. ↩
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Ver Russell M. Nelson, "Pensem celestial!", Liahona, novembro de 2023, p. 117; "O amor e as leis de Deus" (Devocional da Universidade Brigham Young, 17 de setembro de 2019), speeches.byu.edu; "Verdade pura, doutrina pura e revelação pura", Liahona, novembro de 2021, p. 6. ↩
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Neil L. Andersen, "O profeta de Deus", Liahona, maio de 2018, p. 26. ↩
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Ver Alma 12:9–11. ↩
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Ver Alma 32:38–39. ↩
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João 6:66; ver também versículo 60. ↩
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Dieter F. Uchtdorf, "Venham, juntem-se a nós", A Liahona, novembro de 2013, p. 23. ↩
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Neal A. Maxwell, "'Absorvido pela vontade do Pai'", A Liahona, janeiro de 1996, p. 26. ↩
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Ver Atos 5:32; Gálatas 3:2; Jarom 1:4; Alma 32:28; Mórmon 9:25; Éter 4:11. ↩