Abraçar o dom do arrependimento dado pelo Senhor
Jorge M. Alvarado
Presto testemunho de um Pai Celestial bondoso e amoroso. Na Conferência Geral de Abril de 2019, logo após eu ter sido apoiado em minha nova responsabilidade como setenta autoridade geral, o coro cantou uma versão de “Assombro me causa” que dominou meu coração e minha alma. ¶
“Surpreso estou que quisesse Jesus baixar ¶
Do trono divino e minh’alma resgatar, ¶
Que desse meu Mestre perdão a tal pecador, ¶
O sentimento comum de inadequação, fraqueza ou até mesmo indignidade é algo com que muitos de nós temos de lidar às vezes. Ainda lido com isso; tive esse sentimento no dia em que fui chamado. Já senti isso inúmeras vezes e continuo sentindo agora, enquanto falo a vocês. Porém, aprendi que não sou o único a ter esses sentimentos. Na verdade, há muitos relatos de pessoas nas escrituras que parecem ter sentido algo muito semelhante. Por exemplo, nós nos lembramos de Néfi como um servo fiel e valente do Senhor. Às vezes, até mesmo ele precisava lidar com sentimentos de indignidade, fraqueza e inadequação. ¶
O profeta Joseph Smith falou sobre se sentir constantemente “condenado”, em sua juventude, “por [suas] fraquezas e imperfeições”.4 Mas os sentimentos de inadequação de Joseph e sua preocupação faziam parte de algo que o levava a ponderar, estudar, aprender e orar. Como devem se lembrar, ele foi orar no bosque perto de sua casa para encontrar a verdade, a paz e o perdão. Ele ouviu o Senhor dizer: “Joseph, meu filho, teus pecados te são perdoados. Vai e anda nos meus estatutos e guarda os meus mandamentos. Eis que sou o Senhor da glória. Fui crucificado pelo mundo a fim de que todos os que crerem em meu nome tenham a vida eterna”.5 ¶
O desejo sincero de Joseph de se arrepender e buscar a salvação de sua alma o ajudou a se achegar a Jesus Cristo e a receber o perdão de seus pecados. Esse esforço contínuo abriu as portas para a Restauração contínua do evangelho de Jesus Cristo nos últimos dias. ¶
Essa experiência notável do profeta Joseph Smith ilustra como sentimentos de fraqueza e inadequação podem nos ajudar a reconhecer nossa natureza decaída. Se formos humildes, isso vai nos ajudar a reconhecer nossa dependência de Jesus Cristo e inspirar um desejo sincero em nosso coração de nos voltarmos para o Salvador e nos arrependermos de nossos pecados.6 ¶
Meus amigos, arrependimento é alegria!7 O doce arrependimento faz parte de um processo diário por meio do qual, “linha sobre linha, preceito sobre preceito”,8 o Senhor nos ensina a viver uma vida centrada em Seus ensinamentos. Assim como Joseph e Néfi, podemos “[clamar] a [Deus] por misericórdia, porque ele é poderoso para salvar”.9 Ele pode realizar qualquer desejo ou anseio justo, e pode curar qualquer ferida em nossa vida. ¶
No Livro de Mórmon: Outro testamento de Jesus Cristo vocês e eu podemos encontrar inúmeros registros de pessoas que aprenderam a se achegar a Cristo por meio do arrependimento sincero. ¶
Gostaria de compartilhar com vocês um exemplo das ternas misericórdias do Senhor por meio de uma experiência que aconteceu em minha amada ilha natal de Porto Rico. ¶
Foi em Ponce, minha cidade natal, que uma irmã da Igreja, Célia Cruz Ayala, decidiu que daria um exemplar do Livro de Mórmon para um amigo. Ela o embrulhou e foi entregar o presente, que era mais precioso para ela do que diamantes e rubis, ela disse.10 No caminho, um ladrão a abordou, pegou sua bolsa e fugiu com o presente especial. ¶
Quando ela contou essa história na igreja, sua amiga disse: “Quem sabe? Talvez essa tenha sido sua oportunidade de compartilhar o evangelho!” ¶
Bem, alguns dias depois, sabem o que aconteceu? Célia recebeu uma carta. Tenho a carta em minhas mãos hoje; Célia a compartilhou comigo. Diz assim: ¶
“Sra. Cruz, ¶
Perdoe-me, perdoe-me. A senhora nem pode imaginar como estou arrependido por assaltá-la! Porém, por causa disso, minha vida mudou e vai continuar mudando. ¶
Aquele livro [o Livro de Mórmon] me ajudou em minha vida. O sonho daquele homem de Deus me afetou profundamente. (…) Estou devolvendo os seus 5 [dólares], pois não posso gastá-los. Quero que saiba que parecia que havia uma luz ao seu redor. Foi como se essa luz me impedisse [de fazer-lhe mal, por isso] eu fugi. ¶
Quero que a senhora saiba que ainda voltará a me ver, mas não vai me reconhecer, porque quando isso acontecer, eu serei seu irmão. (…) Aqui onde moro, vou ter que encontrar o Senhor e ir à igreja à qual a senhora pertence. ¶
A mensagem que a senhora escreveu no livro me trouxe lágrimas aos olhos. Desde a noite de quarta-feira, não consigo parar de lê-la. Já orei e pedi a Deus que me perdoasse, [e] também peço à senhora que me perdoe. (…) Eu achava que em seu embrulho para presente houvesse algo que eu pudesse vender. [Em vez disso], encontrei algo que me fez querer [mudar] de vida. (…) Perdão! Perdão! Eu lhe imploro. ¶
Assim como para o destinatário involuntário do presente de Célia, o Livro de Mórmon, esse irmão passou a vivenciar mais a respeito da misericórdia do Senhor. Embora tenha levado tempo para esse irmão perdoar a si mesmo, ele encontrou alegria no arrependimento. Que milagre! Uma irmã fiel, um Livro de Mórmon, arrependimento sincero e o poder do Salvador resultaram no recebimento da plenitude das bênçãos do evangelho e dos convênios sagrados na Casa do Senhor.13 Outros membros da família seguiram e aceitaram as sagradas responsabilidades na vinha do Senhor, incluindo o serviço missionário de tempo integral.14 ¶
À medida que nos achegamos a Jesus Cristo, nosso caminho fundamentado no arrependimento sincero por fim nos levará ao templo santo do Salvador. ¶
Que motivo excelente tentar ser limpos — ser dignos da plenitude das bênçãos que recebemos de nosso Pai Celestial e de Seu Filho por meio dos convênios do templo santo! Servir regularmente na Casa do Senhor, e nos esforçarmos para guardar os convênios sagrados que fazemos, aumentará nosso desejo e nossa capacidade necessários de vivenciar a mudança de coração, poder, mente e alma para nos tornarmos mais semelhantes ao Salvador. O presidente Russell M. Nelson testificou: “Nada abrirá mais os céus [do que adorar no templo]. Nada!”15 ¶
Irmãos e irmãs, certamente cometeremos erros em nossa vida ao longo do caminho. Mas, lembrem-se de que, como o élder Gerrit W. Gong ensinou: “A Expiação do Salvador é infinita e eterna. Todos nós nos desviamos e falhamos. Podemos, durante algum tempo, perder-nos no caminho. O amor de Deus nos garante que, não importa onde estejamos ou o que tenhamos feito, não existe um ponto de onde não haja retorno. Ele nos espera pronto para nos envolver em seus braços”.17 ¶
Como minha querida esposa, Cari Lu, também me ensinou, todos nós precisamos nos arrepender, retroceder e reiniciar o relógio para “zero hora” todos os dias. ¶
Os obstáculos virão. Não esperemos que as coisas fiquem difíceis antes de nos voltarmos para Deus. Não esperemos até o fim da vida mortal para nos arrependermos verdadeiramente. Em vez disso, não importa em que parte do caminho do convênio estejamos, que nos concentremos no poder redentor de Jesus Cristo e no desejo do Pai Celestial de que retornemos para Ele.18 ¶
E Néfi disse: “E agora, meus amados irmãos, eis que este é o caminho; e não há qualquer outro caminho ou nome debaixo do céu pelo qual o homem [ou a mulher possam ser salvos] no reino de Deus. E agora, eis que esta é a doutrina de Cristo e a única e verdadeira doutrina do Pai e do Filho e do Espírito Santo, que são um Deus, sem fim”.20 ¶
Nosso processo de ter “uma só mente” com Deus pode ser desafiador. Porém, você e eu podemos parar, aquietar-nos, buscar o Salvador, procurar descobrir e agir de acordo com o que Ele gostaria que mudássemos. Se o fizermos com real intenção, testemunharemos Sua cura. E pensem em como nossa posteridade será abençoada ao abraçarmos o dom do arrependimento estabelecido pelo Senhor!21 ¶
O Mestre oleiro, tal como meu pai me ensinou, vai nos moldar e nos refinar, o que pode ser difícil. No entanto, o Mestre que cura também vai nos limpar. Já vivenciei e continuo a vivenciar esse poder de cura. Testifico que isso acontece por meio da fé em Jesus Cristo e do arrependimento diário. ¶
“Que assombroso é; Oh! ele me amou ¶
Presto testemunho do amor de Deus e do poder infinito da Expiação de Seu Filho. Podemos senti-lo profundamente ao nos arrependermos sinceramente e de todo o coração. ¶
Meus amigos, sou testemunha da gloriosa Restauração do evangelho por intermédio do profeta Joseph Smith e da contínua orientação divina do Salvador por meio de Seu profeta e porta-voz, o presidente Russell M. Nelson. Sei que Jesus Cristo vive e que Ele é o Mestre que cura nossa alma. Sei que essas coisas são verdadeiras e presto testemunho delas, no sagrado nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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"Assombro me causa", Hinos, nº 112. ↩
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2 Néfi 4:17; ver também versículos 18–19. ↩
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Joseph Smith, "History, circa Summer 1832", p. 3, josephsmithpapers.org; ortografia e pontuação padronizadas. ↩
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Ver Mosias 4:11–12. ↩
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O presidente Russell M. Nelson ensinou: "Quando decidimos nos arrepender, decidimos mudar! Permitimos que o Salvador nos transforme em uma versão melhor de nós mesmos. Escolhemos crescer espiritualmente e receber alegria — a alegria da redenção advinda Dele. Quando decidimos nos arrepender, decidimos nos tornar mais como Jesus Cristo!" ("Podemos agir melhor e ser melhores", Liahona, maio de 2019, p. 67). ↩
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"Meus irmãos e irmãs, quão precioso é o Livro de Mórmon para vocês? Se lhes oferecessem diamantes, rubis ou o Livro de Mórmon, o que vocês escolheriam? Falando honestamente, o que tem mais valor para vocês?" (Russell M. Nelson, "Como seria sua vida sem o Livro de Mórmon?", A Liahona, novembro de 2017, p. 61). ↩
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Em F. Burton Howard, "Missionary Moments: 'My Life Has Changed'", Church News, 6 de janeiro de 1996, thechurchnews.com; ver também Santos: A História da Igreja de Jesus Cristo nos Últimos Dias, vol. 4, Ecoado em Cada Ouvido, 1955–2020 (2024), pp. 472–474, 477–479. ↩
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Jeffrey R. Holland, "Os trabalhadores da vinha", A Liahona, maio de 2012, p. 33. ↩
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Podemos parar por um segundo e pensar em nossa posteridade? Por causa de nossa visão míope, não conseguimos ver agora, mas nosso desejo de nos voltar para o Senhor com todo o nosso propósito de coração — para mudar, arrepender-nos e abraçar o evangelho de Jesus Cristo — pode influenciar gerações! Imaginem as bênçãos adicionais que podem florescer a partir da humildade, da mansidão e da fé que uma alma tem em Jesus Cristo, até mesmo sob a mais inconveniente das circunstâncias! ↩
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Esses detalhes foram recontados pela irmã Célia Cruz em uma conversa pessoal com o élder Jorge M Alvarado no dia 10 de setembro de 2024. ↩
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Russell M. Nelson, "Alegrar-se com a dádiva das chaves do sacerdócio", Liahona, maio de 2024, p. 122. ↩
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Quando percebemos que estamos nos fazendo perguntas como estas, é importante lembrar das palavras do apóstolo Paulo:
"Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? (…)
Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem os poderes, nem o presente, nem o porvir,
Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 8:35, 37–39). ↩
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Gerrit W. Gong, "Nossa fogueira da fé", Liahona, novembro de 2018, p. 41. ↩
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Néfi é um bom exemplo disso. Ele exclamou:
"Desperta, minha alma! Não te deixes abater pelo pecado. Regozija-te, ó meu coração, e não dês mais lugar ao inimigo de minha alma. (…)
Ó Senhor, redimirás minha alma? Livrar-me-ás das mãos de meus inimigos? Far-me-ás tremer à vista do pecado?" (2 Néfi 4:28, 31.) ↩
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O presidente Dallin H. Oaks ensinou: "[Quando] uma pessoa [passa] pelo processo (…) [do arrependimento], o Salvador faz mais do que [apenas purificar aquela pessoa] do pecado. Ele também lhe dá novas forças. Esse fortalecimento é essencial para que compreendamos o propósito da purificação, que é o retorno à presença de nosso Pai Celestial. Para sermos admitidos em Sua presença, precisaremos estar mais do que puros. Precisaremos também ter deixado de ser a pessoa fraca que pecou e ter nos tornado uma pessoa forte com estatura espiritual para habitar na presença de Deus" ("A Expiação e fé", A Liahona, abril de 2008, pp. 12–13). ↩
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Honramos nossa família e o Pai Celestial ao abraçarmos o arrependimento e ao tentarmos viver uma boa vida. ↩
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Hinos, nº 112. ↩