Cristo restaura o que está destruído
Amy A. Wright
Há alguns anos, em uma atividade de família, meu sobrinho William, na época com 8 anos de idade, perguntou a meu filho mais velho, Briton, se ele gostaria de jogar bola. Briton respondeu animado: “Sim! É claro!” Depois de algum tempo de jogo, Briton perdeu o controle da bola e, sem querer, quebrou um dos antigos vasos de seus avós. ¶
Briton ficou arrasado. Quando ele começou a juntar os cacos, William foi até ele e pôs a mão com carinho em seu ombro. Então, o consolou, dizendo: “Não se preocupe, Briton. Uma vez, quebrei algo na casa da vovó e do vovô, e a vovó pôs a mão no meu ombro e disse: ‘Tudo bem, William. Você tem apenas 5 anos’”. ¶
Então, Briton respondeu: “Mas, William, eu tenho 23!” ¶
Com as escrituras, podemos aprender muito sobre como o Salvador, Jesus Cristo, pode nos ajudar a ter sucesso ao lidarmos com as coisas que estão destruídas em nossa vida, seja qual for a nossa idade. Ele pode restaurar relacionamentos destruídos com Deus, relacionamentos destruídos com outras pessoas e nossas próprias características que estejam destruídas. ¶
Relacionamentos destruídos com Deus
Enquanto o Salvador ensinava no templo, uma mulher foi trazida a Ele pelos escribas e fariseus. Não temos os detalhes, mas sabemos que ela foi “apanhada (…) adulterando”.1 Por vezes, as escrituras dão apenas um vislumbre da vida de alguém e, com base nisso, temos a tendência de exaltar ou condenar. É impossível compreender a vida de alguém com base em um momento magnífico ou em uma decepção pública que causa remorso. O objetivo desses relatos das escrituras é nos ajudar a ver que Jesus Cristo era a resposta naquela época, e Ele é a resposta agora. Ele conhece nossa história completa e exatamente o que sofremos, assim como nossas capacidades e vulnerabilidades. ¶
A resposta de Cristo àquela preciosa filha de Deus foi: “Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais”.2 Outra maneira de dizer “vai-te, e não peques mais” é “siga em frente e mude”. O Salvador a convidou a se arrepender: a mudar seu comportamento, suas relações, o que ela sentia por si mesma, seu coração. ¶
Por causa de Cristo, nossa decisão de “seguir em frente e mudar” também nos permite “seguir em frente e restaurar”, pois Ele é a fonte que restaura tudo o que está destruído em nossa vida. Como grande Mediador e Advogado junto ao Pai, Cristo santifica e restaura relacionamentos destruídos — acima de tudo, nosso relacionamento com Deus. ¶
A Tradução de Joseph Smith deixa claro que a mulher realmente seguiu o conselho do Salvador e mudou sua vida: “E a mulher glorificou a Deus a partir daquela hora, e creu no nome dele”.3 É triste que não saibamos o nome dela ou outros detalhes sobre a vida dela após esse momento, pois teria sido necessária grande determinação, humildade e fé em Jesus Cristo para que ela se arrependesse e mudasse. O que sabemos é que ela era uma mulher que “creu no nome dele” com o entendimento de que não estava além do alcance de Seu infinito e eterno sacrifício. ¶
Relacionamentos destruídos com outras pessoas
Em Lucas, capítulo 15, lemos a parábola de um homem que tinha dois filhos. O filho mais novo pediu ao pai sua herança, viajou para um país distante e desperdiçou seus bens em uma vida dissoluta.4 ¶
“E havendo ele já gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidade. ¶
E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar os porcos. ¶
E desejava saciar o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. ¶
E caindo em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu pereço de fome! ¶
Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; ¶
Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros. ¶
O fato de o pai ter corrido em direção a seu filho, creio eu, é significativo. A dor que o filho havia infligido a seu pai certamente era profunda e intensa. Da mesma forma, o pai deve ter ficado muito envergonhado com as ações do filho. ¶
Então, por que o pai não esperou que o filho pedisse desculpas? Por que ele não esperou uma oferta de restituição e reconciliação antes de conceder perdão e amor? Tenho ponderado com frequência sobre isso. ¶
O Senhor nos ensina que perdoar os outros é um mandamento universal: “Eu, o Senhor, perdoarei a quem desejo perdoar, mas de vós é exigido que perdoeis a todos os homens”.6 Conceder o perdão pode exigir imensa coragem e humildade. Também pode exigir tempo. Exige que depositemos nossa fé e confiança no Senhor, pois assumimos a responsabilidade pela condição de nosso coração. Aí reside o significado e o poder do arbítrio. ¶
Com a representação do pai na parábola do filho pródigo, o Salvador enfatizou que o perdão é um dos dons mais nobres que podemos conceder uns aos outros — e mais especificamente a nós mesmos. Abrir nosso coração por meio do perdão nem sempre é fácil, mas por meio do poder capacitador de Jesus Cristo, isso é possível. ¶
Nossas próprias características que estejam destruídas
Em Atos, capítulo 3, aprendemos sobre um homem que nasceu coxo, “o qual cada dia punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam no templo”.7 ¶
Certo dia, ele viu “Pedro e João, que iam entrando no templo, [e] pediu que lhe dessem uma esmola. ¶
E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós. ¶
E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa. ¶
E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. ¶
E tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram. ¶
Esperar no Senhor pode ser uma experiência sagrada — uma experiência de lapidação e refinamento, por meio da qual podemos conhecer o Salvador de uma forma muito pessoal. Esperar no Senhor também pode ser uma experiência por meio da qual, às vezes, podemos nos perguntar: “Ó Deus, onde estás?”11 — uma experiência na qual a perseverança espiritual exige que exerçamos fé em Jesus Cristo, escolhendo-O intencionalmente vez após vez. Conheço essa experiência e entendo esse tipo de espera. ¶
Passei inúmeras horas em um centro de tratamento de câncer, unida em meu sofrimento com muitas pessoas que desejavam a cura. Algumas viveram; outras não. Aprendi de forma profunda que a libertação de nossas provações é diferente para cada um de nós e, portanto, nosso foco deve estar menos na maneira como somos libertados e mais no próprio Libertador. Nossa ênfase deve estar sempre em Jesus Cristo! ¶
Exercer fé em Cristo significa confiar não apenas na vontade de Deus, mas também em Seu tempo, pois Ele sabe exatamente do que precisamos e quando precisamos. Quando nos submetemos à vontade do Senhor, acabamos recebendo muito mais do que aquilo que desejávamos. ¶
Meus caros amigos, todos nós temos algo em nossa vida que está destruído e que precisa ser curado, consertado ou restaurado. Quando nos voltamos para o Salvador, alinhamos nosso coração e nossos pensamentos com Ele e nos arrependemos, Ele vem a nós, “com poder de cura em suas asas”,12 coloca Sua amorosa mão em nosso ombro e diz: “Tudo bem. Você tem apenas 5 — ou 16, 23, 48, 64 ou 91 anos de idade. Vamos resolver isso juntos!” ¶
Testifico que não há nada destruído em sua vida que esteja além do poder redentor, capacitador e de cura de Jesus Cristo. No sagrado e santo nome Daquele que é poderoso para curar, Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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Tradução de Joseph Smith, João 8:11 (em João 8:11, nota de rodapé c). ↩
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Ver Lucas 15:11–13. ↩