Discipulado valente nos últimos dias
Jörg Klebingat
O arbítrio moral é a dádiva preciosa que Deus concede a cada um de Seus filhos.1 Somos “livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para [escolher] o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo”.2 Deus não vai nos forçar a fazer o bem, e o diabo não pode nos obrigar a fazer o mal.3 Embora algumas pessoas achem que a mortalidade é uma competição entre Deus e o adversário, basta uma palavra do Salvador para “Satanás ser silenciado e banido. (…) É a [nossa] força que está sendo testada, não a de Deus”.4 ¶
No final, vamos colher o que foi semeado pelas escolhas que fizemos ao longo de toda a vida.5 Então, o que a soma total de nossos pensamentos, desejos, palavras e obras dizem a respeito de nosso amor pelo Salvador, por Seus servos escolhidos e por Sua Igreja restaurada? Será que nossos convênios do batismo, do sacerdócio e do templo significam mais para nós do que o louvor do mundo ou do que o número de “curtidas” nas mídias sociais? Será que nosso amor pelo Senhor e por Seus mandamentos é mais forte do que nosso amor por qualquer outra coisa ou qualquer outra pessoa nesta vida? ¶
O adversário e seus seguidores sempre procuraram destruir as obras de Cristo e Seus profetas. Os mandamentos do Salvador, quando não são completamente ignorados, são racionalizados a ponto de se tornarem sem importância para muitas pessoas no mundo atual. Os mensageiros de Deus que ensinam verdades “inconvenientes” são frequentemente rejeitados. Até o próprio Salvador foi chamado de “um homem comilão e beberrão”,6 acusado de causar perturbação pública e provocar dissensões. Almas fracas e coniventes “consultaram entre si como o surpreenderiam nalguma palavra”,7 e a respeito de Sua “seita” dos primeiros cristãos “em toda a parte se [falava] contra ela”.8 ¶
O Salvador e Seus primeiros seguidores lidaram com grave oposição interna e externa, e nós vivenciamos o mesmo. Hoje é quase impossível viver nossa religião corajosamente sem ocasionalmente atrair alguma zombaria real ou virtual das pessoas do mundo. É recompensador seguir o Salvador com confiança; mas, às vezes, somos criticados por aqueles que defendem a filosofia de “comei, bebei e alegrai-vos”,9 na qual a fé em Cristo, a obediência e o arrependimento são substituídos pela ilusão de que Deus vai justificar pequenos pecados por nos amar muito. ¶
Falando “por [Sua] própria voz ou pela voz de [Seus] servos”,10 acaso não disse o Senhor sobre nossos dias que “virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, conforme as suas próprias concupiscências amontoarão para si mestres” e que muitos “desviarão os ouvidos da verdade, e se tornarão às fábulas”?11 Acaso não lamentou Ele que “em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens”?12 Acaso não advertiu Ele que “dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si”?13 Acaso não previu Ele que “ao mal [chamariam] bem, e ao bem, mal” 14 e que “serão os inimigos do homem os que são seus familiares”?15 ¶
E quanto a nós? Devemos ficar intimidados ou com medo? Devemos viver nossa religião de modo oculto às pessoas? Definitivamente, não! Com fé em Cristo, não precisamos temer as censuras dos homens ou ter medo de suas injúrias.16 Com o Salvador ao leme e os profetas vivos para nos liderar e guiar, “quem será contra nós?”17 Sejamos confiantes, não envergonhados; valentes, não tímidos; cheios de fé, não temerosos ao erguermos a luz do Senhor nestes últimos dias.18 ¶
“Oh! Lembra-te, lembra-te, (…) quão estritos [porém libertadores] são os mandamentos de Deus!”25 Às vezes, ensiná-los claramente pode ser visto como um ato de intolerância. Demonstremos, portanto, com respeito, que não apenas é possível, mas também é essencial amar um filho de Deus que tem crenças diferentes das nossas. ¶
Podemos aceitar e respeitar as outras pessoas sem endossar suas crenças ou ações que não se alinham com a vontade do Senhor. Não é preciso sacrificar a verdade no altar da amabilidade e do desejo de ser aceito socialmente. ¶
Demonstremos nosso amor pelo Senhor por meio da obediência voluntária e de todo o coração. ¶
O presidente Russell M. Nelson ensinou que “Jesus Cristo realizará algumas de Suas obras mais poderosas no período entre agora e quando Ele vier novamente”.29 Mas ele também ensinou que “aqueles que escolhem o caminho do Senhor provavelmente sofrerão perseguições”.30 Às vezes, podemos ser “julgados dignos de padecer afronta pelo [Seu] nome”31 ao “[permitirmos] que Sua voz tenha prioridade acima de todas as outras”.32 ¶
O Salvador disse: “Bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim”.33 Em outra escritura, aprendemos que “muita paz têm os que amam a [sua] lei, e para eles não há tropeço”.34 Não há tropeço! Perguntemos a nós mesmos: “Será que estou suportando por um tempo, mas, quando surgem tribulação e perseguição por causa da palavra, aos poucos me sinto ofendido?35 Será que estou firmemente edificado sobre o alicerce de Jesus Cristo e Seus servos?” ¶
O relativismo moral defende que a verdade é mera construção social e que não há absolutos morais. O que eles estão realmente dizendo é que não há pecado,36 que “nada que o homem [faz é] crime”,37 uma filosofia da qual o adversário tem orgulho de ser o autor! Tomemos cuidado, portanto, com os lobos em pele de cordeiro que estão sempre recrutando seguidores e que “frequentemente usam suas dúvidas intelectuais como desculpas para suas [próprias] transgressões”.38 ¶
Para concluir, quero compartilhar algumas palavras a respeito dos 15 servos de Deus sentados atrás de mim. Embora as pessoas do mundo “[digam] aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis”,40 os fiéis são “coroados com bênçãos do alto, sim, e com mandamentos, não poucos, e com revelações em seu tempo”.41 ¶
Não é de se surpreender que esses homens frequentemente se tornam para-raios das pessoas que ficam infelizes com a palavra de Deus conforme proclamada pelos profetas. As pessoas que rejeitam os profetas não se dão conta de que “nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação” ou resultado da vontade do homem, “mas [que] os homens santos de Deus [falam agora conforme são] inspirados pelo Espírito Santo”.42 ¶
Tal como Paulo, esses homens de Deus não se envergonham do testemunho de nosso Senhor e são Seus prisioneiros,43 no sentido de que a doutrina que eles ensinam não é deles, mas Daquele que os chamou. Tal como Pedro, eles “não [podem] deixar de falar do que [viram] e [ouviram]”.44 Testifico que os homens da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze são bons e honestos e que amam a Deus e a Seus filhos e são amados por Ele. Devemos receber suas palavras como se fossem da própria boca do Senhor “com toda paciência e fé. Porque, assim fazendo, as portas do inferno não prevalecerão contra [nós]; (…) e o Senhor Deus afastará de [nós] os poderes das trevas”.45 ¶
“Nenhuma mão ímpia conseguirá impedir o progresso desta obra”;46 ela marchará triunfantemente, quer a acompanhemos ou não; portanto, “escolhei hoje a quem sirvais”.47 Não sejam enganados ou intimidados pelos ruídos barulhentos do adversário que emanam do grande e espaçoso edifício. Seus decibéis desesperados não se comparam à serena influência da voz mansa e delicada sobre o coração quebrantado e o espírito contrito. ¶
Irmãos e irmãs, é um bom dia para sermos bons! No sagrado nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, pp. 222–223. ↩
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Hugh Nibley, "Beyond Politics", BYU Studies, vol. 15, nº 1, 1974, p. 8. ↩
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Ver 2 Néfi 8:7. ↩
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Ver 3 Néfi 18:24. ↩
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D. Todd Christofferson, "Livres para sempre, para agirem por si mesmos", A Liahona, novembro de 2014, p. 18. ↩
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Doutrina e Convênios 98:11; grifo do autor. ↩
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Neal A. Maxwell, "Respondei-me", A Liahona, janeiro de 1989, p. 32. ↩
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Lucas 6:46; grifo do autor. ↩
-
Russell M. Nelson, "Revelação para a Igreja, revelação para nossa vida", Liahona, maio de 2018, p. 96. ↩
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Russell M. Nelson, "Agora é o tempo de nos prepararmos", A Liahona, maio de 2005, p. 17. ↩
-
Russell M. Nelson, "Permita que Deus prevaleça", Liahona, novembro de 2020, p. 94. ↩
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Mateus 11:6; grifo do autor. ↩
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Salmos 119:165; grifo do autor. ↩
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Ver Mateus 13:20–21. ↩
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Ver 2 Néfi 2:13. ↩
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Alma 30:17; ver também Alma 1:4. ↩
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Neal A. Maxwell, "[Lembrai-vos] de quão misericordioso tem sido o Senhor", A Liahona, maio de 2004, p. 44; ver também Neal A. Maxwell, "All These Things Shall Give Thee Experience", 1979, p. 110. ↩
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M. Russell Ballard, "Em que pé estamos?", A Liahona, julho de 2000, p. 37. ↩
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Ver 2 Timóteo 1:8. ↩
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Ensinamentos: Joseph Smith, 444. ↩
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Russell M. Nelson, "Invocando o poder de Jesus Cristo em nossa vida", A Liahona, maio de 2017, p. 41. ↩