O amor de Deus: A maior alegria para a alma
Susan H. Porter
Irmãos e irmãs, vocês sabiam que Deus, nosso Pai Celestial, ama vocês perfeitamente? Já sentiram Seu amor profundamente na alma? ¶
Saber e compreender que você é perfeitamente amado como filho de Deus, muda tudo. Muda a maneira como se sente a respeito de si mesmo quando comete erros. Muda a maneira como se sente quando surgem desafios. Muda a maneira como enxerga os mandamentos de Deus. E muda sua visão a respeito das outras pessoas e de sua capacidade de fazer a diferença. ¶
O élder Jeffrey R. Holland ensinou: “O primeiro grande mandamento de toda a eternidade é amar a Deus com todo o nosso coração, poder, mente e força — esse é o primeiro grande mandamento. Mas, a primeira grande verdade de toda a eternidade é que Deus nos ama com todo o Seu coração, poder, mente e força”.1 ¶
Como cada um de nós pode saber, profundamente na alma, essa grande verdade eterna? ¶
O profeta Néfi recebeu numa visão a mais vigorosa prova do amor de Deus. Ao ver a árvore da vida, Néfi pediu para saber a interpretação do que estava vendo. Em resposta, um anjo mostrou a Néfi uma cidade, uma mãe e um bebê. Quando Néfi olhou para a cidade de Nazaré e para Maria, uma mãe justa, segurando o menino Jesus nos braços, o anjo declarou: “Eis o Cordeiro de Deus, sim, o Filho do Pai Eterno!”2 ¶
Às vezes, pensamos erroneamente que podemos sentir o amor de Deus só depois de trilharmos o caminho pela barra de ferro e partilharmos do fruto. O amor de Deus, porém, não é apenas recebido por aqueles que vão à árvore, mas é o próprio poder que nos motiva a buscar essa árvore. ¶
Há 20 anos, um amado membro da família se afastou da Igreja. Ele tinha muitas perguntas não respondidas. Sua esposa, que havia sido convertida, permaneceu fiel à sua fé. Eles se esforçaram bastante para manter o casamento em meio às diferenças que surgiram. ¶
No ano passado, ele escreveu três perguntas relacionadas à Igreja sobre assuntos difíceis que ele não aceitava e as enviou a dois casais que tinham sido seus amigos por vários anos. Ele pediu que refletissem sobre aquelas perguntas e os convidou para um jantar a fim de trocarem algumas ideias. ¶
Depois da visita dos amigos, ele foi até seu quarto e começou a trabalhar em um projeto. A conversa daquela noite e o amor que os amigos demonstraram por ele vieram à sua mente. Posteriormente, ele escreveu que foi compelido a interromper o trabalho. Ele disse: “Uma luz brilhante encheu minha alma. (…) Eu conhecia aquele profundo sentimento de esclarecimento; mas, naquele dia, esse sentimento continuou a ficar cada vez mais forte e durou vários minutos. Fiquei sentado em silêncio com aquele sentimento, que depois entendi ter sido a manifestação do amor de Deus por mim. (…) Tive uma impressão espiritual de que poderia voltar à Igreja e expressar esse amor de Deus nas coisas que fizesse lá”. ¶
Ele, então, pensou em suas próprias perguntas. O sentimento que recebeu foi de que Deus valorizava suas dúvidas, e não ter respostas claras não deveria impedi-lo de seguir em frente.6 Ele poderia compartilhar o amor de Deus com todos, enquanto ainda buscava respostas. À medida que tomava decisões com base naquela impressão, ele sentiu certa afinidade com Joseph Smith, que escreveu após sua Primeira Visão: “Minha alma encheu-se de amor e por muitos dias pude regozijar-me com grande júbilo”.7 ¶
E, por incrível que pareça, poucos meses depois, esse membro da família recebeu o mesmo chamado que havia recebido 20 anos antes. Na primeira vez, ele desempenhou suas responsabilidades naquele chamado como um fiel membro da Igreja. Agora, a pergunta que passou a fazer não era: “Como posso cumprir esse chamado?”, mas: “Como posso mostrar o amor de Deus por meio de meu serviço?” Com essa nova perspectiva, ele sentiu alegria, significado e propósito em todos os aspectos de seu chamado. ¶
Irmãs e irmãos, como podemos receber o poder transformador do amor de Deus? O profeta Mórmon nos convida, dizendo: “Rogai ao Pai, com toda a energia de vosso coração, que sejais cheios desse amor que ele concedeu a todos os que são verdadeiros seguidores de seu Filho, Jesus Cristo”.8 Mórmon não está apenas nos convidando a orar para que estejamos repletos do amor de Deus pelas pessoas, mas a orar para que saibamos do puro amor de Deus por nós mesmos.9 ¶
O amor de Deus não é encontrado nas circunstâncias de nossa vida, mas em Sua presença em nossa vida. Sabemos de Seu amor quando recebemos forças além de nossa própria força e quando Seu Espírito traz paz, consolo e orientação. Às vezes, pode ser difícil sentir Seu amor. Podemos orar para que nossos olhos sejam abertos para vermos Sua mão em nossa vida e para vermos Seu amor na beleza de Suas criações. ¶
Ao ponderarmos a respeito da vida e do sacrifício infinito do Salvador, começaremos a entender Seu amor por nós. Cantamos reverentemente as palavras de Eliza R. Snow: “Seu sangue pelos homens deu e assim nos libertou”.11 A humildade de Jesus por sofrer por nós se destila sobre nossa alma, abrindo nosso coração para buscar o perdão de Sua mão e nos preenchendo com o desejo de viver como Ele viveu.12 ¶
Nosso filho relatou: “Quando eu tinha 11 anos, meus amigos e eu decidimos nos esconder de nosso professor e não participar da primeira parte de nossa classe da Primária. Para nossa surpresa, quando finalmente chegamos, o professor nos cumprimentou calorosamente. Ele, então, proferiu uma oração sincera durante a qual expressou genuína gratidão ao Senhor por termos decidido ir à aula naquele dia, de nossa livre e espontânea vontade. Não me lembro sobre o que era a lição nem mesmo o nome de nosso professor, mas hoje, cerca de 30 anos depois, ainda me sinto tocado pelo puro amor que ele demonstrou por mim naquele dia”. ¶
Há cinco anos, vi um exemplo de amor divino quando participei da Primária, na Rússia. Vi uma irmã fiel se ajoelhar na frente de duas crianças e testificar que, mesmo que elas fossem as únicas pessoas a viver na Terra, Jesus teria sofrido e morrido por elas. ¶
Testifico que nosso Senhor e Salvador, de fato, morreu por cada um de nós. Foi uma expressão de Seu infinito amor por nós e por Seu Pai Celestial. ¶
Que abramos nosso coração para receber o amor puro que Deus tem por nós e então demonstrar Seu amor em tudo o que fazemos e em tudo que somos. No sagrado nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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Jeffrey R. Holland, "Amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós", A Liahona, maio de 2016, p. 126. ↩
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1 Néfi 11:22; grifo do autor. ↩
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Ver 1 Néfi 11:17. ↩
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Joseph Smith, em Karen Lynn Davidson and others, eds., The Joseph Smith Papers, Histories, Volume 1: Joseph Smith Histories, 1832–1844, 2012, p. 13. ↩
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Ver Neill F. Marriott, "Permanecer em Deus e consertar a rachadura", Liahona, novembro de 2017, p. 11: "Talvez nossa vida num amoroso mundo pré-mortal seja a causa de desejarmos o verdadeiro e duradouro amor nesta Terra. Fomos divinamente [designados] a dar amor e ser [amados], e o amor mais profundo é fruto de nossa união com Deus". ↩
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"Da corte celestial", Hinos, nº 114. ↩
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Ver Linda S. Reeves, "Dignas das bênçãos a nós prometidas", A Liahona, novembro de 2015, p. 11: "Creio que se pudéssemos, a cada dia, lembrar e reconhecer a profundidade do amor que nosso Pai Celestial e nosso Salvador têm por nós, estaríamos dispostas a fazer qualquer coisa para estarmos novamente em Sua presença, cercadas por Seu amor eternamente". ↩
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Russell M. Nelson, "O amor divino", A Liahona, fevereiro de 2003, p. 17. ↩
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"Eu sei que vive meu Senhor", Hinos, nº 70. ↩