Por que trilhar o caminho do convênio
D. Todd Christofferson
Durante seu ministério, o presidente Russell M. Nelson tem estudado e ensinado os convênios que Deus faz com Seus filhos. Ele próprio é um exemplo extraordinário de alguém que trilha o caminho do convênio. Em seu primeiro discurso como presidente da Igreja, o presidente Nelson declarou: ¶
“Seu compromisso de seguir o Salvador, fazendo convênios com Ele e depois guardando esses convênios, vai abrir a porta para todos os privilégios e bênçãos espirituais disponíveis a mulheres, homens e crianças de todo o mundo. ¶
(…) As ordenanças do templo e os convênios que fazem ali são fundamentais para fortalecer sua vida, seu casamento e família e sua capacidade de resistir aos ataques do adversário. Sua adoração no templo e seu serviço por seus antepassados vão abençoá-lo com mais paz e revelação pessoal, e vão fortalecer seu compromisso de permanecer no caminho do convênio”.1 ¶
O que é o caminho do convênio? É o caminho que nos conduz ao reino celestial de Deus. Embarcamos no caminho pelas portas do batismo e depois “[prosseguimos] com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens [os dois grandes mandamentos] (…) até o fim”.2 Na trajetória do caminho do convênio (que a propósito, ultrapassa a mortalidade), recebemos todas as ordenanças e os convênios pertinentes à salvação e exaltação. ¶
Nosso principal compromisso com os convênios é cumprir a vontade de Deus “e obedecer a seus mandamentos em todas as coisas que ele nos ordenar”.3 Seguir diariamente os princípios e os mandamentos do evangelho de Jesus Cristo é a trajetória mais feliz e satisfatória da vida. Fazendo isso, uma pessoa evita muitos problemas e remorsos. Deixem-me usar uma analogia dos esportes. No tênis, há algo chamado “erro não forçado”. Isso ocorre quando uma bola do jogo é arremessada na rede ou quando o jogador comete uma dupla falta no saque. Um erro não forçado é o resultado de uma falha de um jogador, em vez de ter sido causado pela competência do adversário. ¶
Com frequência, nossos problemas ou desafios são autoinfligidos, como resultado de más escolhas, ou podemos dizer, como resultado de “erros não forçados”. Quando seguimos diligentemente o caminho do convênio, evitamos muitos “erros não forçados” de maneira bastante natural. Nós nos desviamos das várias formas de vício. Não caímos no buraco da conduta desonesta. Atravessamos o abismo da imoralidade e da infidelidade. Ignoramos pessoas e coisas que, apesar de serem populares, comprometeriam nosso bem-estar físico e espiritual. Evitamos as escolhas que machucam ou prejudicam outras pessoas e, em vez disso, adquirimos os hábitos da autodisciplina e do serviço.4 ¶
O élder J. Golden Kimball, que serviu como setenta há muitos anos, é conhecido por ter dito: “Posso não ter [sempre] trilhado o caminho estreito e apertado, mas [tento] atravessá-lo tanto quanto [posso]”.5 Em uma ocasião mais séria, acredito que o irmão Kimball concordaria que permanecer no caminho do convênio e não apenas atravessá-lo é nossa esperança principal para, por um lado, escaparmos da miséria evitável e, por outro, lidarmos, com sucesso, com a tristeza inevitável da vida. ¶
Algumas pessoas podem dizer: “Posso fazer boas escolhas com ou sem o batismo; não preciso de convênios para ser uma pessoa honrosa e bem-sucedida”. Certamente, há muitas pessoas que não estão no caminho do convênio cujas ações refletem as escolhas e contribuições daqueles que estão no caminho. Pode-se dizer que essas pessoas recebem as bênçãos de trilhar um caminho “consistente com os convênios”. Então o que diferencia o caminho do convênio? ¶
Na verdade, o que diferencia tem significado eterno e único. Inclui a natureza de nossa obediência, a essência do compromisso de Deus para conosco, a ajuda divina que recebemos, as bênçãos que estão ligadas a nos reunirmos como povo do convênio e, acima de tudo, nossa herança eterna. ¶
Praticar a obediência
A primeira diferença é a natureza de nossa obediência a Deus. Mais do que simplesmente ter boas intenções, nós nos comprometemos a viver de toda palavra que sai da boca de Deus. Dessa maneira, seguimos o exemplo de Jesus Cristo, que, ao ser batizado, “mostra aos filhos dos homens que, segundo a carne, se humilha ante o Pai e testifica-lhe que lhe será obediente na observância de seus mandamentos”.6 ¶
Com os convênios, nós nos concentramos em fazer mais do que apenas evitar erros ou ser prudentes em nossas decisões. Sentimos que devemos prestar contas a Deus por nossas escolhas e nossa vida. Tomamos sobre nós o nome de Cristo. Estamos centralizados em Cristo — em ser valentes no testemunho de Jesus e em desenvolver o caráter de Cristo. ¶
Com os convênios, a obediência aos princípios do evangelho fica enraizada em nossa própria alma. Conheço um casal que, na época de seu casamento, a esposa não estava ativa na Igreja e o marido nunca havia sido membro da Igreja. Vou me referir a eles como Maria e João, que não são os nomes verdadeiros. À medida que os filhos vieram, Maria sentiu profundamente que tinha de criá-los, como lemos nas escrituras, “na doutrina e admoestação do Senhor”.7 João a apoiou. Maria fez alguns sacrifícios importantes para estar em casa a fim de ensinar o evangelho para seus filhos de maneira consistente. Ela garantia que a família participasse ativamente da adoração e das atividades da Igreja. Maria e João se tornaram pais exemplares e seus filhos, que eram meninos cheio de energia, cresceram em fé e devoção em relação aos princípios e padrões do evangelho. ¶
Os pais de João, os avós dos meninos, ficaram felizes com a vida e as realizações íntegras de seus netos, mas, devido a uma certa oposição à Igreja, quiseram atribuir esse sucesso apenas à maneira pela qual João e Maria criaram seus filhos. João contestou a avaliação de seus pais, apesar de não ser membro da Igreja. Ele insistiu que seus pais estavam testemunhando os frutos dos ensinamentos do evangelho — aquilo que seus filhos estavam vivenciando na Igreja e também o que acontecia em seu lar. ¶
O próprio João estava sendo influenciado pelo Espírito, pelo amor e exemplo de sua esposa e pelo encorajamento de seus filhos. No devido tempo, ele foi batizado, o que trouxe muita alegria para os amigos e para os membros da ala. ¶
Ainda que a vida deles e dos filhos não esteja livre de desafios, Maria e João afirmam enfaticamente que os convênios do evangelho realmente são a raiz das bênçãos que receberam. Eles viram o cumprimento das palavras do Senhor a Jeremias em sua própria vida e na vida de seus filhos: “Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e lhes serei por Deus, e eles me serão por povo”.8 ¶
Estar ligados a Deus
Certa vez, li em um jornal um artigo escrito por um repórter mal informado que explicou que realizamos batismos pelos mortos mergulhando rolos de microfilmes na água. Então, todas as pessoas cujos nomes estavam no microfilme seriam consideradas batizadas. Esse método seria eficiente, mas ele ignora o valor infinito de cada alma e a importância fundamental de um convênio pessoal feito com Deus. ¶
“Jesus disse (…): Entrai pela porta estreita, porque estreita é a porta e apertado é o caminho que leva à vida e poucos são os que o encontram.”10 Falando de modo figurado, essa porta é tão apertada que apenas permite que uma pessoa entre de cada vez. Cada pessoa faz um compromisso individual com Deus e recebe Dele um convênio pessoal, exclusivo, no qual ela pode confiar plenamente para a vida e para a eternidade. Com as ordenanças e os convênios, o poder da divindade se manifesta em nossa vida.11 ¶
Receber auxílio divino
Isso nos leva a considerar uma terceira bênção especial do caminho do convênio. Deus proporciona um dom quase incompreensível para ajudar pessoas que fazem convênios a se tornarem pessoas que cumprem convênios: o dom do Espírito Santo. Esse dom é o direito de ter a companhia, a proteção e a orientação constante do Espírito Santo.12 Também conhecido como o Consolador, o Espírito Santo “nos enche de esperança e perfeito amor”.13 Ele “conhece todas as coisas e presta testemunho do Pai e do Filho”,14 cujas testemunhas nos comprometemos a ser.15 ¶
No caminho do convênio, também encontramos as bênçãos essenciais do perdão e da limpeza do pecado. Somente podemos receber essa ajuda por meio da graça divina, administrada pelo Espírito Santo. “Ora, este é o mandamento”, diz o Senhor, “arrependei-vos todos vós, confins da Terra; vinde a mim e sede batizados em meu nome, a fim de que sejais santificados, recebendo o Espírito Santo, para comparecerdes sem mancha perante mim no último dia”.16 ¶
Reunir-se com o povo do convênio
Quarto, aqueles que seguem o caminho do convênio também encontram bênçãos singulares em várias reuniões divinamente atribuídas. Nas escrituras, encontramos profecias sobre uma coligação literal das tribos dispersas de Israel às terras de sua herança.17 Essas profecias e promessas estão sendo cumpridas agora com a coligação do povo do convênio à Igreja, o reino de Deus na Terra. O presidente Nelson explicou: “Quando falamos sobre coligação, estamos simplesmente nos referindo a esta verdade fundamental: todos os filhos do Pai Celestial (…) merecem ouvir a mensagem do evangelho restaurado de Jesus Cristo”.18 ¶
O Senhor ordena aos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: “Erguei-vos e brilhai, para que vossa luz seja um estandarte para as nações; (…) para que a reunião na terra de Sião e em suas estacas seja uma defesa e um refúgio contra a tempestade e contra a ira, quando for derramada, sem mistura, sobre toda a Terra”.19 ¶
Também há uma reunião semanal do povo do convênio que ocorre na casa de oração no Dia do Senhor, a fim de que possam “mais plenamente [se conservar limpos] das manchas do mundo”.20 É uma reunião na qual partilhamos o pão e a água sacramentais em lembrança da Expiação de Jesus Cristo e é um momento para “jejuar e orar e para falar a respeito do bem-estar de [nossa alma]”.21 Na adolescência, eu era o único membro da Igreja em minha turma no Ensino Médio. Eu gostava de me relacionar com vários bons amigos na escola, mas percebi que eu dependia muito da reunião dominical a cada semana para me renovar e me reabastecer espiritualmente, e até fisicamente. Durante a atual pandemia, temos sentido uma falta profunda dessa reunião regular de convênio e esperamos ansiosamente pela época em que poderemos nos reunir novamente como antes. ¶
O povo do convênio também se reúne no templo, na Casa do Senhor, para receber as ordenanças, as bênçãos e a revelação que somente podem ser recebidas nesse lugar sagrado. O profeta Joseph Smith ensinou: “Que objetivo poderá ter a coligação (…) do povo de Deus, em qualquer época do mundo? (…) O objetivo principal foi edificar uma casa ao Senhor, na qual revelaria a Seu povo as ordenanças de Sua casa e as glórias de Seu reino e ensinaria às pessoas o caminho da salvação; porque há certas ordenanças e princípios que, para serem ensinados e praticados, devem ser efetuados em um lugar ou em uma casa edificada para tal propósito”.22 ¶
Herdar as promessas dos convênios
“Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. (…) ¶
Aqueles que forem leais aos convênios que fizeram “surgirão na ressurreição dos justos”.26 Eles são “aperfeiçoados por meio de Jesus, o mediador do novo convênio (…). Estes são aqueles cujo corpo é celestial, cuja glória é a do sol, sim, a glória de Deus, a mais elevada de todas”.27 “Portanto, todas as coisas são suas, seja a vida ou a morte, as coisas presentes ou as coisas futuras, todas são deles e eles são de Cristo e Cristo é de Deus.”28 ¶
Que aceitemos o convite do profeta de permanecermos no caminho do convênio. Néfi viu a nós e nossa época e registrou: “Eu, Néfi, vi o poder do Cordeiro de Deus que descia sobre os santos da igreja do Cordeiro e sobre o povo do convênio do Senhor, que estava disperso sobre toda a face da Terra; e estavam armados com retidão e com o poder de Deus, em grande glória”.29 ¶
Notes
-
Russell M. Nelson, "Ao seguirmos adiante juntos", Liahona, abril de 2018, p. 7. ↩
-
2 Néfi 31:20. O caminho do convênio foi estabelecido desde o princípio com Adão e Eva (ver Moisés 6:50–68). ↩
-
Mosias 5:5. Como Alma, o pai, proferiu: "Se for esse o desejo de vosso coração, o que vos impede de serdes batizados em nome do Senhor, como um testemunho, perante ele, de que haveis feito convênio com ele de servi-lo e guardar seus mandamentos, para que ele possa derramar seu Espírito com mais abundância sobre vós?" (Mosias 18:10.) ↩
-
Para ter um exemplo das escrituras, veja Alma 1:29–32. ↩
-
Eric A. Eliason, The J. Golden Kimball Stories, 2007, p.78. ↩
-
Ver 2 Néfi 31:6–7. ↩
-
Efésios 6:4; ver também Enos 1:1. ↩
-
Ver João 16:33. ↩
-
3 Néfi 27:33; ver também Mateus 7:14. ↩
-
Ver Bible Dictionary, "Holy Ghost". ↩
-
Ver Mosias 18:9. ↩
-
3 Néfi 27:20; ver também 2 Néfi 31:17. ↩
-
Ver, por exemplo, Isaías 5:26–29 (2 Néfi 15:26–28); Isaías 54:7; Jeremias 16:14–16; 2 Néfi 29:14; 3 Néfi 29:1; Regras de Fé 1:10. O surgimento do Livro de Mórmon é um sinal de que o Senhor começou a cumprir Seu convênio com a casa de Israel, inclusive "a sua volta às terras de sua herança" (3 Néfi 29:1; ver também 3 Néfi 21:1–7). O Livro de Mórmon também é o instrumento utilizado para realizar essa coligação (ver 3 Néfi 16:4–8). ↩
-
Russell M. Nelson, "Juventude da promessa", Devocional Mundial para os Jovens, 3 de junho de 2018, HopeofIsrael.ChurchofJesusChrist.org; ver também Russell M. Nelson, "Convênios", A Liahona, novembro de 2011, p. 86. ↩
-
Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, pp. 438–439. ↩
-
Ver Bible Dictionary, "Abraham, covenant of"; Abraão 2:11. ↩
-
O Livro de Mórmon é enviado aos gentios a fim de que eles "arrependam-se e venham a mim e sejam batizados em meu nome e conheçam os verdadeiros pontos de minha doutrina, a fim de que sejam contados com meu povo, ó casa de Israel" (3 Néfi 21:6). ↩
-
Gálatas 3:27, 29; ver também Abraão 2:10. Ao mesmo tempo, até aqueles que são a semente de Abraão ou descendentes literais dele perdem seu legado como parte do povo escolhido do Senhor a não ser que aceitem Jesus Cristo. "Porque acontecerá, diz o Pai, que nesse dia todo aquele que não se arrepender e não vier ao meu Filho Amado, eu o tirarei do meio de meu povo, ó casa de Israel" (3 Néfi 21:20); ver também 2 Néfi 30:2). ↩