Edificar uma fortaleza de espiritualidade e proteção
Ronald A. Rasband
Queridos irmãos e irmãs, ao nos aproximarmos do término desta conferência, dou graças a nosso Pai Celestial pelos conselhos, pelas verdades e pela revelação transmitidos deste púlpito nestes dois dias. Fomos ensinados por servos de Deus, chamados para declarar Suas santas palavras. O Senhor nos lembrou em uma revelação nestes últimos dias: “Seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.1 ¶
Observando esta grande congregação de santos e imaginando os membros que estão assistindo à conferência geral em todo o mundo, penso na reunião descrita no Livro de Mórmon quando Jesus Cristo apareceu aos nefitas após Sua Crucificação. Ele lhes ensinou o evangelho e os incentivou, dizendo: “Ide para vossas casas, meditai sobre as coisas que eu disse e pedi ao Pai, em meu nome, que as possais entender”.2 ¶
“Ide para vossas casas [e] meditai” são os passos seguintes para colocarmos no coração as palavras dos profetas e dos líderes da Igreja proferidas nesta reunião sagrada. Lares centralizados em Cristo são fortalezas do reino de Deus na Terra em uma época na qual, conforme foi profetizado, o diabo “se [enfurece] no coração dos filhos dos homens e [os incita] a irarem-se contra o que é bom”.3 ¶
Pessoas construíram fortalezas em todas as épocas para manter o inimigo do lado de fora. Frequentemente essas fortalezas incluíam uma torre onde os vigias — assim como os profetas — avisavam sobre forças ameaçadoras e ataques futuros. ¶
Na época dos pioneiros em Utah, meu bisavô Thomas Rasband e sua família estavam entre os primeiros colonizadores a entrar no Heber Valley que fica nas belas Montanhas Wasatch de Utah. ¶
Em 1859, Thomas ajudou a construir o forte Heber para protegê-los. Uma estrutura simples de toras de madeira, dispostas uma ao lado da outra para formar o perímetro do forte. Guaritas de toras foram construídas dentro da fortaleza, utilizando a mesma estrutura. A estrutura fornecia tanto segurança quanto proteção para aquelas famílias de pioneiros ao se estabelecerem e adorarem ao Senhor. ¶
O mesmo se dá conosco. Nosso lar é uma fortaleza contra os males do mundo. Em nosso lar, nós nos achegamos a Cristo ao aprendermos a seguir Seus mandamentos, ao estudarmos as escrituras e orarmos em família, e ao ajudarmos uns aos outros a permanecer no caminho do convênio. A nova ênfase no estudo pessoal e familiar no lar por meio do currículo Vem, e Segue-Me tem o propósito de “fortalecer nossa conversão e nos ajudar a nos tornar mais semelhantes a Jesus Cristo”.4 Agindo dessa maneira, nós nos tornaremos o que Paulo chamou de “nova[s] criatura[s]”5, com o coração e a alma em sintonia com Deus. Precisamos dessa força para enfrentarmos os ataques do adversário e nos desviarmos deles. ¶
Quando vivemos com a devoção que advém de nossa fé em Jesus Cristo, sentimos a presença pacificadora do Espírito Santo, que nos guia à verdade, inspira-nos a viver dignos das bênçãos do Senhor e testifica que Deus vive e nos ama. E tudo isso dentro da fortaleza de nosso próprio lar. Mas lembrem-se, o poder de nosso lar depende exclusivamente da força espiritual de cada um de seus habitantes. ¶
O presidente Russell M. Nelson ensinou: “Nos dias que estão por vir, não será possível sobreviver espiritualmente sem a orientação, a direção, o consolo e a influência constante do Espírito Santo”.6 Sendo o profeta, vidente e revelador do Senhor em nossos dias, o vigia da torre de nossa fortaleza, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ele enxerga as investidas do inimigo. ¶
Irmãos e irmãs, estamos em guerra com Satanás pela alma dos homens. As linhas de batalha foram determinadas em nossa vida pré-terrena. Satanás e um terço dos filhos de nosso Pai Celestial recusaram Suas promessas de exaltação. Desde aquela época, os seguidores do adversário vêm lutando contra os fiéis que escolhem o plano do Pai. ¶
Satanás sabe que seus dias estão contados e que lhe resta pouco tempo. Por mais astuto e ardiloso que ele seja, ele não vencerá. No entanto, sua batalha por nossa alma continua. ¶
Para nossa segurança, precisamos edificar uma fortaleza de espiritualidade e proteção para nossa alma, uma fortaleza que não será penetrada pelo maligno. ¶
Satanás é uma serpente sutil, que entra de modo sorrateiro em nossa mente e em nosso coração quando baixamos a guarda, quando enfrentamos uma desilusão ou perdemos a esperança. Ele nos seduz com lisonja, com promessas de vida fácil, conforto, ou com uma alegria temporária quando nos sentimos desanimados. Ele justifica o orgulho, a hostilidade, a desonestidade, a insatisfação e a imoralidade e, no final, podemos “[perder] a sensibilidade”.7 O Espírito pode nos deixar. “E assim o diabo engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno.”8 ¶
Em contraste, frequentemente sentimos o Espírito muito forte ao cantarmos louvores a Deus com palavras como estas: ¶
Castelo forte é nosso Deus, ¶
É torre invencível. ¶
Com forte mão defende os seus, ¶
Quando edificamos uma fortaleza de força espiritual, podemos impedir as investidas do adversário, dar as costas para ele e sentir a paz do Espírito. Podemos seguir o exemplo de nosso Senhor e Salvador, que, quando foi tentado no deserto, disse: “Vai-te, Satanás”.10 Temos que aprender a fazer isso por meio das experiências da vida. ¶
Esse justo propósito é amplamente descrito no Livro de Mórmon quando o capitão Morôni prepara os nefitas para enfrentarem os ataques de Amaliquias, um homem enganador e sedento de sangue e de poder. Morôni construiu fortalezas para proteger os nefitas “a fim de viverem para o Senhor seu Deus e preservarem o que era chamado por seus inimigos a causa dos cristãos”.11 Morôni era “firme na fé em Cristo” 12 e era fiel “em guardar os mandamentos de Deus (…) e em resistir à iniquidade”.13 ¶
Quando os lamanitas chegaram para batalhar, eles ficaram assombrados com a preparação dos nefitas e foram derrotados. Os nefitas agradeceram “ao Senhor seu Deus por haver-lhes demonstrado seu incomparável poder ao livrá-los das mãos de seus inimigos”.14 Eles haviam edificado fortalezas para protegê-los das forças exteriores, e haviam edificado sua fé no Senhor Jesus Cristo em seu interior — profundamente em sua alma. ¶
Quais são algumas maneiras de nos fortificarmos em tempos difíceis para que sejamos “instrumentos nas mãos de Deus, para realizar esta grande obra”?15 Vamos examinar as escrituras. ¶
Somos obedientes. O Senhor ordenou ao patriarca Leí que enviasse seus filhos de volta a Jerusalém para “buscar os registros e os [levar] (…) para o deserto”.16 Leí não questionou; ele não se perguntou o motivo ou a maneira. Nem o fez Néfi, que respondeu: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor”.17 ¶
Agimos com a obediência solícita de Néfi? Ou somos mais inclinados a questionar os mandamentos de Deus como fizeram os irmãos de Néfi, cuja falta de fé acabou por afastá-los do Senhor? O Senhor nos pede obediência, exercida com “santidade de coração”.18 ¶
Confiamos no Senhor, que disse a Josué, quando se preparava para guiar os israelitas à terra prometida: “Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares”.19 Josué confiou nessas palavras e aconselhou o povo: “Santificai-vos, porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós”.20 O Senhor dividiu as águas do rio Jordão, e o período de 40 anos em que os israelitas vagaram pelo deserto foi encerrado. ¶
Defendemos a verdade, assim como fez o profeta Abinádi no Livro de Mórmon. Aprisionado, levado à presença do rei Noé e de seus sacerdotes iníquos, Abinádi ensinou os Dez Mandamentos e pregou poderosamente que Cristo “[desceria] entre os filhos dos homens e [redimiria] seu povo”.21 Então, com profunda fé, ele proclamou: “Ó Deus, recebe a minha alma!”22 E Abinádi sofreu “a morte pelo fogo”.23 ¶
Fazemos e renovamos convênios ao tomarmos o sacramento e ao adorarmos no templo. O sacramento é o ponto central de nossa adoração dominical, na qual recebemos a promessa de que “[teremos] sempre [conosco] o seu Espírito”.24 Com essa ordenança sagrada, comprometemo-nos a tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo, a segui-Lo e a aceitar nossas responsabilidades nesta obra divina assim como Ele fez. No templo, podemos “deixar as coisas deste mundo”25 e sentir a presença do Senhor e Sua paz transcendental. Podemos nos concentrar em nossos antepassados, em nossa família e na vida eterna na presença do Pai. Não é de se admirar que o presidente Nelson tenha dito recentemente em Roma: “O bem que emanará deste templo é incalculavelmente grande”.26 ¶
Devemos ser íntegros em tudo o que fizermos. Devemos desenvolver discernimento e disciplina para que não precisemos constantemente determinar o que é certo e o que é errado. Devemos manter no coração as palavras de Pedro, apóstolo da Igreja na Antiguidade: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”.27 ¶
Quando reforçamos diligentemente nossas fortificações, tornamo-nos semelhantes a Jesus Cristo, como Seus verdadeiros discípulos, com nossa alma sob Sua proteção. ¶
Seu testemunho de Jesus Cristo é sua fortaleza pessoal, a segurança de sua alma. Quando meu bisavô e seus amigos pioneiros construíram o forte Heber, eles colocaram uma tora de cada vez até que o forte estivesse “bem ajustado”28 e eles estivessem protegidos. O mesmo se dá com nosso testemunho. Cada um de nós recebe um testemunho do Espírito Santo à medida que Ele fala a nosso próprio espírito, ensinando “a verdade no íntimo”.29 Quando vivemos o evangelho de Jesus Cristo, quando confiamos na Expiação do Salvador e seguimos adiante com fé, sem temor, estamos fortificados contra as artimanhas do adversário. Nosso testemunho nos conecta aos céus, e somos abençoados com “a verdade de todas as coisas”.30 E, como os pioneiros que foram protegidos por uma fortaleza, somos envolvidos pela segurança dos braços de amor do Salvador. ¶
O profeta Éter ensinou: “Portanto, todos os que creem em Deus podem, com segurança, esperar por um mundo melhor, sim, até mesmo um lugar à mão direita de Deus, esperança essa que vem pela fé e é uma âncora para a alma dos homens, tornando-os seguros e constantes, sempre abundantes em boas obras, sendo levados a glorificar a Deus”.31 ¶
Queridos irmãos e irmãs, deixo-lhes minha bênção para que sigam adiante com confiança no Senhor e em Seu evangelho. Estendam a mão àqueles que tropeçam e, com a força do Espírito que há em vocês, guiem-nos com amor de volta para a fortaleza da espiritualidade e da proteção. Procurem “ser como Cristo”32 em tudo o que fizerem; afastando-se do inimigo e das tentações; arrependam-se conforme fomos admoestados ontem por nosso querido profeta; tenham um coração honesto; sejam retos e puros; demonstrem compaixão e caridade; e amem ao Senhor seu Deus com devoção como verdadeiros discípulos. ¶
Nosso testemunho do evangelho de Jesus Cristo, nosso lar, nossa família e nossa condição de membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias serão nossas fortalezas pessoais de proteção, envolvendo-nos e protegendo-nos do poder do maligno. Presto solene testemunho dessas coisas em nome de nosso Senhor e Salvador, sim, Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
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Vem, e Segue-Me — Estudo Pessoal e Familiar: Novo Testamento 2019, p. v. ↩
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Russell M. Nelson, "Revelação para a Igreja, revelação para nossa vida", Liahona, maio de 2018, p. 96. ↩
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"Castelo forte", Hinos, nº 32. ↩
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Russell M. Nelson, citado em Tad Walch, "President Nelson Refers to Apostles Peter, Paul during Rome Temple Dedication", Deseret News, 10 de março de 2019, deseretnews.com. ↩
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"Eu quero ser como Cristo", Músicas para Crianças, p. 40. ↩