Sou um filho de Deus?
Brian K. Taylor
Recentemente fui com minha querida mãe à reunião da Igreja em nossa velha capela de pedra. Atraído pela voz de crianças vindo da mesma sala da Primária que frequentei há muitos anos, caminhei até o fundo e observei líderes dedicados ensinando o tema deste ano: “Sou um filho de Deus”.1 Sorri ao me lembrar de professores pacientes e amorosos que, naquela época durante a hora de cantar, frequentemente olhavam para mim — aquele menino agitado no final do banco da igreja — como se pensassem: “Será que ele realmente é um filho de Deus? E por causa de quem ele está aqui?”2 ¶
As palavras do presidente Boyd K. Packer são claras e valiosas: “Você é um filho de Deus. Ele é o pai de seu espírito. Espiritualmente, você é de linhagem nobre, você é filho do Rei dos céus. Grave essa verdade na mente e apegue-se a ela. Não importa o número de suas gerações mortais, não importa sua raça ou o povo que você representa, a linhagem do seu espírito pode ser escrita em uma única linha. Você é um filho de Deus!”4 ¶
A grande guerra sobre a identidade divina
Moisés aprendeu sobre sua herança divina falando com o Senhor face a face. Após essa experiência, “Satanás veio tentá-lo”, com a intenção perversa de distorcer a identidade de Moisés, dizendo: “Moisés, filho de homem, adora-me. E (…) Moisés olhou para Satanás e disse: Quem és tu? Pois eis que sou um filho de Deus”.6 ¶
Essa grande guerra sobre nossa identidade divina é debatida com fúria enquanto Satanás prolifera um arsenal de maneiras para destruir nossa crença e nosso conhecimento a respeito de nosso relacionamento com Deus. Felizmente, somos abençoados com uma visão e um conhecimento claros de nossa verdadeira identidade desde o começo: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”,7 e Seus profetas vivos proclamam que “cada [ser humano] é um filho (ou filha) gerado em espírito por pais celestiais que o amam e, como tal, possui natureza e destino divinos”.8 ¶
Conhecer essas verdades tendo certeza delas9 nos ajuda a vencer tribulações, dificuldades e aflições de todo o tipo.10 Quando lhe perguntaram sobre “como podemos ajudar aqueles que têm dificuldades com [um problema pessoal]”, um apóstolo do Senhor instruiu: “Ensine-os sobre sua identidade e seu propósito”.11 ¶
“O conhecimento mais poderoso que possuo”
Essas verdades poderosas transformaram a vida da minha amiga Jen,12 que, quando era adolescente, causou um sério acidente de carro. Apesar de o trauma físico ter sido severo, ela sentiu uma enorme dor porque a outra motorista perdeu a vida. “Alguém perdeu a mãe, e a culpa foi minha”, ela disse. Jen, que dias antes estava de pé recitando: “Somos filhas do Pai Celestial, que nos ama”,13 agora se questionava: “Como Ele poderia me amar?” ¶
“O sofrimento físico passou”, disse ela, “mas eu não achava que algum dia seria curada das feridas emocionais e espirituais”. ¶
Para sobreviver, Jen escondeu seus sentimentos profundamente, tornando-se distante e sem emoção. Após um ano, quando ela finalmente conseguiu falar sobre o acidente, um conselheiro inspirado a convidou a escrever a frase: “Sou uma filha de Deus”, e dizê-la dez vezes todos os dias. ¶
“Escrever as palavras foi fácil”, ela se lembra, “mas eu não conseguia pronunciá-las. (…) Era muito difícil e eu realmente não acreditava que Deus me quisesse como Sua filha. Eu me encolhia e chorava”. ¶
Depois de muitos meses, Jen finalmente foi capaz de terminar a tarefa todos os dias. “Eu implorava de toda a minha alma, suplicando a Deus (…)”, disse ela. “Depois, comecei a acreditar naquelas palavras.” Essa crença permitiu que o Salvador começasse a curar sua alma ferida. O Livro de Mórmon trouxe consolo e coragem em Sua Expiação.14 ¶
“Cristo sentiu minhas dores, minhas tristezas, minha culpa”, concluiu Jen. “Senti o puro amor de Deus e nunca vivenciei nada tão poderoso! Saber que sou filha de Deus é o conhecimento mais poderoso que possuo!” ¶
Buscar conhecer a Deus, nosso Pai
Aprender sobre o Salvador e segui-Lo nos ajuda a conhecer o Pai. “Sendo (…) a expressa imagem [de seu Pai]”,17 Jesus ensinou: “O Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se não o vir fazer o Pai”.18 Cada palavra e ato de Cristo revela a natureza de Deus e nosso relacionamento com Ele.19 O élder Jeffrey R. Holland ensinou: “Com sangue jorrando de todos os poros e uma súplica angustiada nos lábios, Cristo procurou a Quem sempre recorria, Seu Pai (…). ‘Aba, Pai’, exclamou Ele”.20 ¶
Mais tarde, ele escreveu: “Ajoelhei-me e comecei a oferecer a Deus os desejos de meu coração. ¶
(…) Vi um pilar de luz acima de minha cabeça. ¶
Ao seguirmos o exemplo do Salvador e do profeta Joseph ao buscarem a Deus sinceramente, vamos compreender de uma maneira muito real, assim como a Jen, que nosso Pai nos conhece pelo nome e que somos Seus filhos. ¶
Mães, especialmente as mães mais jovens, que frequentemente se sentem sobrecarregadas e sob pressão enquanto se esforçam para criar uma “geração resistente ao pecado”,23 nunca subestimem seu papel central no plano de Deus. Em momentos de estresse — talvez quando você estiver correndo atrás das crianças e sentir o cheiro de algo queimado na cozinha informando que o jantar preparado com amor agora é uma oferta queimada —, saiba que Deus santifica seus dias mais difíceis.24 “Não temas, porque eu estou contigo”,25 Ele serenamente nos afirma. Honramos vocês ao cumprirem a esperança da irmã Joy D. Jones, que disse: “Nossos filhos merecem compreender sua identidade divina”.26 ¶
Convido cada um de vocês a buscar a Deus e Seu Filho Amado. “Em nenhum outro lugar”, ensinou o presidente Nelson, “essas verdades são ensinadas de forma mais clara e poderosa do que no Livro de Mórmon”.27 Abram suas páginas e saibam que Deus “faz tudo para o [nosso] bem e a [nossa] felicidade”;28 que Ele é “misericordioso e compassivo, lento para irar-se, paciente e cheio de bondade”;29 e que “todos são iguais perante [Ele]”.30 Quando se sentir machucado, perdido, com medo, descontente, triste, faminto ou abandonado sem esperanças,31 abra o Livro de Mórmon e você vai saber que “Deus nunca nos abandonará. Ele nunca o fez e jamais o fará. Ele não pode fazer isso. Não é do Seu caráter [fazer isso]”.32 ¶
Conhecer nosso Pai muda tudo, especialmente nosso coração, e Seu doce Espírito confirma nossa verdadeira identidade e nosso grande valor à Sua vista.33 Deus anda conosco no caminho do convênio quando O buscamos por meio da súplica em espírito de oração, do estudo das escrituras e do esforço para obedecer. ¶
A excelência do caráter de Deus — Meu testemunho
Amo o Deus de meus pais,34 “o Senhor Deus Todo-Poderoso”,35 que chora conosco em nossas tristezas, pacientemente nos castiga em nossa iniquidade e fica feliz quando procuramos abandonar “todos os [nossos] pecados para [conhecê-Lo]”.36 Eu O adoro, Ele, que é “Pai de órfãos”,37 e companheiro de quem não tem companhia. Com gratidão testifico que conheço a Deus, meu Pai, e presto testemunho da perfeição, dos atributos e da “excelência de Seu caráter”.38 ¶
Notes
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Ver Esboço para o Tempo de Compartilhar de 2018: Sou um Filho de Deus, LDS.org/manual/primary. ↩
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Ver "Sou um Filho de Deus", Hinos, nº 193. ↩
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Boyd K. Packer, "Às moças e aos rapazes", A Liahona, julho de 1989, p. 63. ↩
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Brigham Young, "Discourse" [Discurso], Deseret News, 1º de outubro de 1856, p. 235. ↩
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Moisés 1:12–13; grifo do autor. ↩
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"A Família: Proclamação ao Mundo", A Liahona, maio de 2017, p. 145. ↩
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Joseph Smith disse: "O primeiro princípio do evangelho é conhecer com toda a certeza o caráter de Deus" (do sermão de King Follett, 7 de abril de 1844; History of the Church [História da Igreja], vol. 6, p. 305). ↩
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Ver Alma 36:3, 27. ↩
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Russell M. Nelson, citado por Tad R. Callister, "Our Identity and Our Destiny" [Nossa identidade e nosso destino], devocional da Universidade Brigham Young, 14 de agosto de 2012, p. 1, speeches, byu.edu. ↩
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O nome foi alterado. ↩
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"Tema das Moças", Progresso Pessoal das Moças, 2009, p. 3, PersonalProgress.LDS.org. ↩
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Ver 2 Néfi 2; 6–9; Mosias 2–5; 14–16; Alma 7; 34; 39–42; Helamã 14; 3 Néfi 11; Morôni 7. ↩
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O profeta Joseph Smith ensinou: "Se o homem não compreende o caráter de Deus, não compreende a si mesmo" (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 43). ↩
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Russell M. Nelson, "Como seria sua vida sem o Livro de Mórmon?", Liahona, novembro de 2017, p. 61. ↩
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Ver Jeffrey R. Holland, "A grandiosidade de Deus", A Liahona, novembro de 2003, p. 70. ↩
-
Jeffrey R. Holland, "As mãos dos pais", A Liahona, julho de 1999, p. 19. ↩
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Russell M. Nelson, "Um apelo às minhas irmãs", A Liahona, novembro de 2015, p. 97. ↩
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Ver "Que firme alicerce", Hinos, nº 42, quarta estrofe. ↩
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Joy D. Jones, citada por Marianne Holman Prescott, "2018 Primary Theme 'I Am a Child of God' Teaches Children Their Divine Identity" [O tema da Primária para 2018: 'Sou um filho de Deus' ensina as crianças sobre sua identidade divina], seção do Church News do LDS.org, 5 de janeiro de 2018, news.LDS.org. ↩
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Russell M. Nelson, "Como seria sua vida sem o Livro de Mórmon?", p. 61. ↩
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Helamã 12:2; ver também 2 Néfi 26:24. ↩
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Lectures on Faith [Dissertações sobre Fé], 1985, p. 42. ↩
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Gosto muito da comovente história de um velho pioneiro que, depois do que vivenciou ao cruzar as planícies, testificou: "Sofremos mais do que lhes é possível imaginar e muitos morreram devido à exposição ao frio e à fome, mas alguma vez vocês já ouviram qualquer sobrevivente dessa companhia fazer uma crítica sequer? Ninguém daquela companhia apostatou ou deixou a Igreja, porque cada um de nós saiu dali com o conhecimento absoluto de que Deus vive, porque O conhecemos em nossos momentos extremos" (David O. McKay, "Pioneer Women" [Mulheres pioneiras], Relief Society Magazine, janeiro de 1948, p. 8). ↩
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George Q. Cannon, "Remarks" [Observações], Deseret Evening News, 7 de março 1891, p. 4. ↩
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Moisés 1:3; ver Apocalipse 15:3; 21:22–23; 3 Néfi 4:32; Doutrina e Convênios 109:77; 121:4. ↩
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Salmos 68:5; ver também Tiago 1:27. ↩
-
Lectures on Faith, 1985, p. 42. ↩
-
"Constantes qual firmes montanhas", Hinos, nº 184. ↩