O Desejo Sincero da Alma
Carol F. McConkie
Nos desafios da mortalidade, nunca estamos sozinhos para realizar nosso trabalho, vencer nossos desafios e enfrentar a adversidade ou as perguntas sem respostas. Jesus Cristo ensinou com uma parábola que “[devemos] orar sempre, e nunca desfalecer”.Ele falou sobre um juiz que não honrava a Deus e não tinha respeito algum pela humanidade. Repetidas vezes, uma viúva ia até ele, pedindo justiça contra seu adversário. Por algum tempo, o juiz não quis ajudá-la. Mas, como resultado de suas súplicas fiéis e constantes, o juiz finalmente disse: “Como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não venha, e me importune muito”. ¶
Então, Jesus explicou: ¶
“Deus não fará justiça aos seus eleitos, que clamam a ele de dia e de noite (…) ? ¶
Digo-vos que depressa lhes fará justiça”. ¶
A oração é essencial para desenvolver a fé. Quando o Senhor retornar, encontrará um povo que sabe orar com fé e que está preparado para receber a salvação? “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”2 Somos filhos de um Pai Celestial amoroso e podemos desfrutar de um canal de comunicação pessoal e direto com Ele quando oramos “com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo”3 e, depois, agimos de acordo com as respostas que recebemos por meio dos sussurros do Espírito Santo. Com fé, oramos, ouvimos e obedecemos para que possamos nos tornar um com o Pai e com o Filho.4 ¶
A oração da fé abre o caminho para recebermos as gloriosas bênçãos enviadas do céu. O Salvador ensinou: ¶
“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. ¶
Se temos a expectativa de receber, precisamos pedir, buscar e bater. Nessa busca pela verdade, Joseph Smith leu nas escrituras: “E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada”.6 Em resposta a sua oração de fé, os céus se abriram. Deus, o Pai, e Seu Filho, Jesus Cristo, desceram em glória e falaram a Joseph Smith, iniciando a dispensação da plenitude dos tempos. Para nós, cura milagrosa, proteção poderosa, conhecimento divino, perdão libertador e paz preciosa estão entre as respostas que vêm quando oferecemos com fé os desejos mais sinceros de nossa alma.7 ¶
Nós oramos ao Pai, em nome de Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo, envolvendo os três membros da Trindade em nossas orações. ¶
Oramos ao nosso Pai Celestial e somente a Ele, porque Ele é “Deus no céu, que é infinito e eterno, de eternidade a eternidade (…) , o criador do céu e da Terra e de tudo o que neles há”. Como nosso Criador, Ele deu mandamentos de que “[deveríamos] amá-lo e servi-lo, o único Deus vivo e verdadeiro; e que ele seria o único ser a quem [deveríamos] adorar”.8 ¶
Ao orarmos ao Pai Celestial com fé, “ele [nos consolará] nas aflições (…) [e poderemos banquetear-nos] com seu amor”.9 O Presidente Henry B. Eyring contou que as orações de seu pai durante uma batalha perdida contra o câncer, ensinaram-lhe sobre o profundo relacionamento pessoal entre Deus e Seus filhos: ¶
“Quando a dor se tornou intensa, nós o encontramos certa manhã de joelhos ao lado da cama. Ele estava fraco demais para voltar ao leito. Disse-nos que orara para perguntar ao Pai Celestial por que tinha de sofrer tanto se sempre tentara ser bom. Contou-nos que, como bondosa resposta, ouviu: ‘Deus precisa de filhos corajosos’. ¶
**Oramos em nome de Jesus Cristo **porque nossa salvação está em Cristo, e “debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”.11 Nós nos achegamos ao Pai no sagrado nome de Jesus Cristo12 porque Ele é nosso Advogado junto ao Pai e Ele pleiteia nossa causa.13 Ele sofreu, sangrou e morreu para glorificar Seu Pai, e Sua misericordiosa súplica em nosso favor possibilita que cada um de nós obtenha paz nesta vida e vida eterna no mundo vindouro. Ele não quer que soframos ou suportemos mais provações do que o necessário. Ele quer que nos voltemos a Ele e permitamos que Ele alivie nossa carga, cure nosso coração e limpe nossa alma por meio de Seu poder purificador. Nunca devemos tomar Seu nome em vão com palavras repetidas e decoradas. Orações sinceras oferecidas no sagrado nome de Jesus Cristo são uma expressão de nosso devotado amor, nossa gratidão eterna e nosso firme desejo de orar como Ele orou, fazer o que Ele fez e tornar-nos o que Ele é. ¶
Oramos pelo poder do Espírito Santo porque “aquele que pede em Espírito pede de acordo com a vontade de Deus”.14 Quando oramos com fé, o Espírito Santo guia nossos pensamentos de modo que nossas palavras se harmonizem com a vontade de Deus. “Não peçais para satisfazer vossas concupiscências, mas pedi com inquebrantável firmeza que não caiais em tentação, mas que possais servir ao verdadeiro Deus vivo.”15 ¶
O Presidente Eyring compartilhou: “Já recebi [respostas] a minhas orações. Essas respostas eram muito claras quando minha vontade era subjugada pela insuperável necessidade de conhecer o desejo do Senhor. É desse modo que a resposta do amoroso Pai Celestial pode ser falada à mente, por meio da voz mansa e delicada, e escrita no coração”.17 ¶
Quando o Salvador entrou no Jardim do Getsêmani, Sua alma estava cheia de tristeza até a morte. Em Sua agonia, o único a quem Ele podia Se achegar era Seu Pai. Ele suplicou: “Se é possível, passa de mim este cálice”. Mas acrescentou: “Porém, não seja como eu quero, mas como tu queres”.18 Apesar de não ter pecados, o Salvador foi chamado para “[sofrer] dores e aflições e tentações de toda espécie”, incluindo as doenças e enfermidades de Seu povo. “[Ele] padece segundo a carne para tomar sobre si os pecados de seu povo, para apagar-lhes as transgressões, de acordo com seu poder de libertação”.19 Três vezes Ele orou: “Pai, (…) faça-se a tua vontade”.20 O cálice não foi removido. Em humilde e fervorosa oração, Ele foi fortalecido para seguir em frente e cumprir Sua missão divina de preparar a nossa salvação para que pudéssemos nos arrepender, crer, obedecer e obter as bênçãos da eternidade. ¶
As respostas que recebemos ao orar podem não ser as que esperávamos. Mas, nos momentos difíceis, nossas orações se tornam uma fonte salvadora de amor e terna misericórdia. Em nossas súplicas, podemos ser fortalecidos para seguir em frente e cumprir tudo o que nos foi ordenado fazer. A Seus santos que vivem em tempos difíceis, o Senhor disse: “Que se console vosso coração (…); pois toda carne está em minhas mãos; aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.21 ¶
Não importa se nossas orações são oferecidas individualmente, em família, na igreja, no templo ou onde quer que estejamos; ou se oramos com um coração quebrantado e um espírito contrito para buscar perdão, sabedoria divina ou simplesmente a força para perseverar, que oremos sempre de todo o coração, voltando-o continuamente para Deus pelo nosso bem-estar e pelo bem-estar daqueles que nos rodeiam. Um desejo sincero oferecido em espírito de gratidão pelas bênçãos em abundância e gratidão pelas lições de vida instila em nosso coração uma fé inabalável em Cristo, um “esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens”.22 ¶
A oração é um dom de Deus. Nunca precisamos nos sentir perdidos ou sozinhos. Testifico que todo momento de preciosa oração pode ser um tempo sagrado com o Pai, em nome do Filho, pelo poder do Espírito Santo. No sagrado nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
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Ver Lucas 18:1–8; ver também Joseph Smith Translation, Luke 18:8 (Lucas 18:8, nota de rodapé a). ↩
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Ver João 17:21–23. O Salvador orou para que fôssemos um com o Pai e com o Filho e fôssemos aperfeiçoados. Obtemos a união com o Pai e com o Filho ao acreditarmos nas palavras de Cristo e agirmos com fé. ↩
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"Eis-nos Agora Aqui", Hinos, nº 82, estrofe não traduzida para o português. ↩
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Henry B. Eyring, "Famílias e Oração",A Liahona, setembro de 2015, p. 4. ↩
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Melvin J. Ballard, "Our Channels of Power and Strength" [Nossos Canais de Poder e Força], Improvement Era, setembro de 1923, p. 992; citado em M. Russell Ballard, *Yesterday, Today, and Forever [Ontem, Hoje e para Sempre], *2015, p. 133. ↩
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Henry B. Eyring, "Escreva em Meu Coração",* A Liahona*, janeiro de 2001, p. 100. ↩
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Mateus 26:39; ver também versículo 38. ↩
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Ver Mateus 26:39–44. ↩