\"Vem, Segue-Me\" Colocando em Prática o Serviço e o Amor Cristãos
Robert D. Hales
O ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Elie Wiesel, estava no hospital recuperando-se de uma cirurgia cardíaca de peito aberto quando recebeu a visita de seu neto de 5 anos. Quando fitou os olhos do avô, o menininho viu sua dor. “Vovô”, ele perguntou, “se eu te amar mais, você vai sofrer menos?”1 Faço hoje uma pergunta semelhante a cada um de nós: “Se amarmos mais ao Salvador, vamos sofrer menos?” ¶
Quando o Salvador chamou Seus discípulos para que O seguissem, eles viviam a lei de Moisés, inclusive buscando “olho por olho, e dente por dente”,2 mas o Salvador veio cumprir aquela lei com Sua Expiação. Ele ensinou uma nova doutrina: “Amai vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”.3 ¶
Os discípulos foram ensinados a deixar os caminhos do homem natural e a seguir o modo amoroso do Salvador, substituindo a contenda pelo perdão, pela bondade e compaixão. O novo mandamento de “[amar] uns aos outros”4 nem sempre era fácil de ser seguido. Quando os discípulos se preocuparam com seu convívio com pecadores e certas classes de pessoas, o Salvador pacientemente ensinou: “Quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.5 Ou, como explicou um profeta do Livro de Mórmon: “Quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de vosso Deus”.6 ¶
Sendo discípulos do Salvador nestes últimos dias, achegamo-nos a Ele amando e servindo aos filhos de Deus. Ao fazermos isso, talvez não consigamos evitar as tribulações, as aflições e o sofrimento na carne, mas sofreremos menos espiritualmente. Até em nossas provações podemos sentir alegria e paz. ¶
Nosso serviço e amor cristãos evidentemente começam no lar. Pais, vocês foram conclamados a ser professores e missionários amorosos para seus filhos pequenos e jovens. Eles são seus pesquisadores. Vocês têm a responsabilidade de ajudá-los a se converter. Na verdade, todos procuramos nos converter — o que significa estar plenos do amor de nosso Salvador. ¶
Ao seguirmos Jesus Cristo, Seu amor nos motiva a apoiar-nos uns aos outros em nossa jornada mortal. Não conseguimos fazer isso sozinhos.7 Vocês já me ouviram mencionar este provérbio Quaker: “Eleve-me, e elevá-lo-ei, e juntos edificaremos”.8 Como discípulos, começamos a fazer isso quando somos batizados, mostrando nosso desejo de “carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves”.9 ¶
“[Ensinar] a doutrina do reino uns aos outros”10 é um modo de amar e prestar serviço uns aos outros. Pais e avós, temos a tendência de lamentar as condições do mundo — que as escolas não estão ensinando o caráter moral. Mas há muito que nós podemos fazer. Podemos aproveitar os momentos de ensino em nossa própria família — agora mesmo. Não os deixem escapar. Quando surgir uma oportunidade de compartilhar seus pensamentos sobre o evangelho e as lições de vida, parem tudo o que estiverem fazendo, sentem-se e conversem com seus filhos e netos. ¶
Não devemos nos preocupar por não sermos professores do evangelho com formação profissional. Nenhum curso de treinamento ou manual é tão útil quanto o estudo pessoal das escrituras, a oração, a reflexão e a busca da orientação do Espírito. O Espírito vai conduzi-los ao longo do caminho. Prometo-lhes: o chamado de pai e mãe inclui a dádiva de ensinar da maneira certa para vocês e para seus filhos. Lembrem-se de que o poder de Deus para nos influenciar em retidão é Seu amor. “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro.”11 ¶
Jovens, vocês são alguns de nossos professores do evangelho mais eficazes. Vocês vão à Igreja e aprendem de maneira que, ao voltar para casa, podem ensinar e servir sua família, seus amigos e vizinhos. Não tenham medo. Tenham fé para testificar o que sabem ser verdade. Pensem em como os missionários de tempo integral crescem por levar fielmente uma vida consagrada — usando seu tempo e seus talentos, e prestando testemunho ao servir e abençoar as pessoas. Ao compartilharem seu testemunho do evangelho, sua fé vai crescer e sua confiança vai aumentar! ¶
Alguns de nossos atos de serviço cristão que têm mais influência são prestados ao realizarmos o estudo das escrituras em família, a oração em família e os conselhos de família. Há mais de cem anos, os líderes da Igreja nos conclamam a reservar um tempo — um tempo sem interrupções todas as semanas. Porém, muitos de nós ainda deixam de receber as bênçãos. A noite familiar não é uma palestra da mãe ou do pai. É nosso tempo em família para compartilhar conceitos e experiências espirituais; ajudar nossos filhos a aprender a cuidar uns dos outros e a compartilhar; para nos divertirmos juntos; prestar testemunho uns aos outros; crescer e progredir. Ao realizarmos nossa noite familiar todas as semanas, nosso amor uns pelos outros vai se tornar mais forte e vamos sofrer menos. ¶
Lembremo-nos do seguinte: o trabalho mais importante que fazemos em nossa família é pelo poder do Espírito Santo. Sempre que erguemos a voz com raiva, o Espírito Se afasta de nossa companhia e de nossa família. Quando falamos com amor, o Espírito pode estar conosco. Lembremo-nos de que nossos filhos e netos avaliam nosso amor pelo tempo que dedicamos a eles. Acima de tudo, não percam a paciência e não desistam! ¶
As escrituras nos dizem que, quando alguns dos filhos espirituais do Pai Celestial decidiram não seguir Seu plano, os céus choraram.12 Alguns pais que amaram e ensinaram seus filhos também choram quando seus filhos crescidos decidem não seguir o plano do Senhor. O que os pais podem fazer? Não podemos orar para tirar o arbítrio das pessoas. Lembrem-se do pai do filho pródigo, que pacientemente esperou que o filho “[caísse] em si”, enquanto o observava o tempo todo. “E quando [o filho] ainda estava longe”, correu até ele.13 Podemos orar por orientação para saber quando falar, o que dizer, e sim, em algumas ocasiões, quando permanecer em silêncio. Lembrem-se de que nossos filhos e familiares já decidiram seguir o Salvador na esfera pré-mortal. Às vezes é somente por meio das próprias experiências de vida que esses sagrados sentimentos são novamente despertados. Por fim, a decisão de amar e seguir ao Senhor tem que ser deles. ¶
Há outro modo especial pelo qual os discípulos expressam seu amor pelo Salvador. Quero hoje homenagear todos os que servem ao Senhor como cuidadores. O Senhor ama vocês! Em seu serviço sereno e sem ostentação, vocês estão seguindo Aquele que prometeu: “Teu Pai, que vê em segredo, recompensar-te-á abertamente”.14 ¶
Penso no meu vizinho cuja esposa sofria do mal de Alzheimer. Todos os domingos, ele a ajudava a vestir-se para as reuniões da Igreja, penteava-lhe o cabelo, passava-lhe maquiagem e colocava-lhe os brincos. Ao prestar esse serviço, ele foi um exemplo para cada homem e mulher de nossa ala. Certo dia, a esposa disse a ele: “Eu apenas queria ver meu marido de novo e estar com ele”. ¶
Ele respondeu: “Eu sou seu marido”. ¶
Ela replicou com brandura: “Oh, que bom!” ¶
Não posso falar desse assunto sem reconhecer a cuidadora especial da minha vida — a discípula especial do Salvador para mim — minha companheira eterna, Mary. Ela doou tudo que o tinha com amor compassivo e carinhoso. Suas mãos são um reflexo do gentil e alentador toque do Mestre. Eu não seria nada sem ela. Com ela, serei capaz de perseverar até o fim e permanecer com ela na vida eterna. ¶
Se “haveis adquirido conhecimento da glória [e da bondade] de Deus”18 e também “da expiação que foi preparada desde a fundação do mundo”,19 “não tereis desejo de ferir-vos uns aos outros, mas, sim, de viver em paz. (…) E não permitireis que vossos filhos (…) transgridam as leis de Deus e briguem e disputem entre si. (…) Ensiná-los-eis, porém, (…) a amarem-se uns aos outros e a servirem-se uns aos outros”.20 ¶
Presto meu testemunho especial de que Ele vive e nos ama com perfeito amor. Esta é Sua Igreja. Thomas S. Monson é Seu profeta na Terra hoje. É minha oração que amemos mais nosso Pai Celestial e Seu Filho, e que soframos menos. Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
-
Elie Wiesel, Open Heart [Coração Aberto], tradução de Marion Wiesel, 2012, p. 70. ↩
-
Mateus 5:44; ver também 3 Néfi 12:44. ↩
-
Ver 1 Coríntios 12:12. ↩
-
Adaptado de "A Story of the 'Barefoot Boy': Written for J. G. Whittier's Seventieth Birthday" [A História do 'Menino Descalço': Escrito para o 17º Aniversário de J. G. Whittier], The Poetical Works of John Townsend Trowbridge [Poesias de John Townsend Trowbridge], 1869, p. 227. ↩
-
3 Néfi 13:4; ver também Mateus 6:4. ↩
-
Ver "Lean on My Ample Arm" [Confie em Meus Braços Abertos], Hymns, nº 120. ↩
-
João 14:15; ver também João 15:10. ↩