O Poder da Divindade
Kent F. Richards
Poucos meses antes da morte do Profeta Joseph Smith, ele reuniu-se com os Doze Apóstolos para falar sobre as maiores necessidades que a Igreja estava enfrentando naquela época tão difícil. Ele lhes disse: “Precisamos do templo mais do que qualquer outra coisa”.1 Certamente hoje, nestes tempos difíceis, cada um de nós e nossa família precisamos do templo mais do que qualquer outra coisa. ¶
Recentemente fiquei muito entusiasmado com a experiência que tive durante a dedicação de um templo. Adorei a visitação pública, na qual cumprimentei muitos visitantes que vieram para ver o templo, a celebração cultural com a animação e o entusiasmo dos jovens, e as maravilhosas sessões dedicatórias. O Espírito era deleitoso. Muitas pessoas foram abençoadas. E na manhã seguinte, minha esposa e eu entramos na pia batismal para realizar batismos por alguns de nossos próprios antepassados. Ao erguer o braço para iniciar a ordenança, quase fui dominado pelo poder do Espírito. Percebi, mais uma vez, que o verdadeiro poder do templo está nas ordenanças. ¶
Conforme o Senhor revelou, a plenitude do Sacerdócio de Melquisedeque é encontrada no templo e em suas ordenanças, “pois [nele] são conferidas as chaves do santo sacerdócio, para que recebais honra e glória”.2 “Portanto, em suas ordenanças manifesta-se o poder da divindade.”3 Essa promessa é para você e para sua família. ¶
Nossa responsabilidade é receber o que nosso Pai oferece.4 “Pois ao que recebe será dado mais abundantemente, sim, poder”:5 poder para receber tudo o que ele pode e vai nos dar — agora e eternamente;6 poder para nos tornarmos filhos e filhas de Deus,7 para conhecer “os poderes do céu”,8 para falar em Seu nome,9 e para receber o “poder de [Seu] Espírito”.10 Esses poderes se tornam disponíveis pessoalmente a cada um de nós por meio das ordenanças e dos convênios do templo. ¶
Tive o privilégio de, recentemente, participar da visitação pública de um templo com o Presidente Russell M. Nelson e membros da família dele. Ele os reuniu ao redor do altar do selamento e explicou-lhes que tudo o que fazemos na Igreja — cada reunião, atividade, aula e ato de serviço — é para preparar cada um de nós para vir ao templo e ajoelhar-se ao altar para receber todas as bênçãos prometidas pelo Pai para a eternidade.12 ¶
Ao sentirmos as bênçãos do templo em nossa própria vida, nosso coração se volta para nossa família, tanto viva como falecida. ¶
Recentemente testemunhei uma família de três gerações realizando batismos por seus antepassados. Até a avó participou — embora tenha ficado um pouco apreensiva na hora de entrar na água. Quando saiu da água e abraçou seu marido, ela chorava de alegria. O avô e o pai então batizaram um ao outro e muitos dos netos. Que alegria maior poderia uma família vivenciar junta? Cada templo tem um horário reservado às famílias para permitir que vocês, como família, agendem uma sessão no batistério. ¶
Pouco antes de sua morte, o Presidente Joseph F. Smith recebeu a visão da redenção dos mortos. Ele ensinou que aqueles que estão no mundo espiritual dependem totalmente das ordenanças que recebemos em favor deles. A escritura diz: “Os mortos que se arrependerem serão redimidos por meio da obediência às ordenanças da Casa de Deus”.13 Recebemos as ordenanças em favor deles, mas eles realizam e são responsáveis por todo convênio associado com cada ordenança. Sem dúvida, o véu é fino para nós e abre-se completamente para eles no templo. ¶
Então, qual é nossa responsabilidade pessoal de envolver-nos nesse trabalho como membros e como oficiantes? Em 1840, o Profeta Joseph Smith ensinou aos santos que “será preciso muito esforço e será exigido muitos recursos — e como a obra precisa ser apressada em retidão, cabe aos santos avaliar a importância dessas coisas (…) e depois tomar as medidas necessárias para colocá-las em prática; preparando-se com coragem, tomando a resolução de fazer tudo o que puderem, sentindo-se tão motivados como se todo o trabalho dependesse exclusivamente deles”.14 ¶
No livro de Apocalipse, lemos: ¶
“Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? (…) ¶
Estes são os que vieram de grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro; ¶
Conseguem imaginar em sua mente aqueles que servem no templo hoje? ¶
Há mais de 120 mil oficiantes nos 150 templos em funcionamento no mundo. No entanto, há oportunidades para ainda mais membros terem essa doce experiência. Quando o Presidente Gordon B. Hinckley anunciou o conceito de muitos templos menores em todo o mundo, ele ensinou que “todos os oficiantes [seriam] pessoas locais que [pudessem] ter outros cargos na ala e na estaca”.16 Normalmente, os oficiantes são chamados para servir por dois ou três anos, com a possibilidade de estender esse período. A intenção não é que, uma vez chamados, vocês fiquem o quanto forem capazes. Muitos oficiantes que serviram por muito tempo levam seu amor pelo templo com eles ao ser desobrigados e permitir que novos oficiantes sirvam. ¶
Há quase cem anos, o Apóstolo John A. Widtsoe ensinou: “Precisamos de mais oficiantes para realizar [esta] maravilhosa obra. (…) Precisamos de mais pessoas, de todas as idades, convertidas ao trabalho do templo. (…) É chegada a hora, (…) nesta nova ênfase no templo, de trazer ao serviço ativo todas as pessoas, de todas as idades. (…) O trabalho do templo (…) traz benefícios tanto para os jovens e ativos como para os idosos, que deixaram para trás todos os fardos da vida. O jovem adulto precisa de seu lugar no templo ainda mais do que seu pai e seu avô, que têm a segurança de uma vida de experiência; e a jovem adulta, que há pouco ingressou na vida, precisa do espírito, da influência e da orientação que advêm de participar das ordenanças do templo”.17 ¶
Em muitos templos, os presidentes estão recebendo missionários recém-chamados e investidos, jovens adultos, para servir por apenas um curto período como oficiantes antes de irem para o CTM. Esses jovens não apenas são abençoados por servir, mas “intensificam a beleza e o espírito para todos os que servem no templo”.18 ¶
Pedi a diversos jovens adultos, que serviram como oficiantes de ordenanças antes e depois da missão, que compartilhassem seus sentimentos. Eles usaram frases como estas para descrever sua experiência no templo: ¶
Quando sirvo no templo… ¶
Tenho “um sentimento de estar mais perto de meu Pai e do Salvador”; ¶
Sinto “completa paz e felicidade”; ¶
Sinto que “estou em casa”; ¶
Recebo “santidade, poder e força”; ¶
Sinto a “importância de meus convênios sagrados”; ¶
“O templo torna-se parte de mim”; ¶
“Aqueles a quem servimos estão próximos de nós durante as ordenanças”; ¶
“Adquiro forças para vencer as tentações” e ¶
Servir no templo é uma experiência rica e poderosa para as pessoas de todas as idades. Até alguns casais recém-casados estão servindo juntos. O Presidente Nelson ensinou: “O serviço no templo (…) é uma atividade sublime para uma família”.20 Como oficiantes, além de receber as ordenanças por seus antepassados, vocês também podem oficiar nas ordenanças por eles. ¶
Como disse o Presidente Wilford Woodruff: ¶
“Que maior chamado pode ter qualquer homem [ou mulher] na face da Terra do que o de possuir em suas mãos o poder e a autoridade para ir adiante e ministrar as ordenanças de salvação? (…) ¶
Ele também disse: ¶
Venham ao templo. Venham com frequência. Venham com sua família e por ela. Venham e ajudem outras pessoas a virem também. ¶
“Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são?” Meus irmãos e irmãs, são vocês. Vocês que receberam as ordenanças do templo, que guardaram seus convênios com sacrifício; vocês que estão ajudando sua família a encontrar as bênçãos do serviço no templo e que ajudaram outras pessoas ao longo do caminho. Obrigado por seu trabalho. Testifico que cada templo é a casa santa de Deus e nessa casa cada um de nós pode aprender e conhecer os poderes da divindade. Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
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Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 434; grifo do autor. ↩
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Ver Marcos 4:20, 24–25. ↩
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Ver Doutrina e Convênios 84:38: "E aquele que recebe a meu Pai, recebe o reino de meu Pai; portanto tudo o que meu Pai possui ser-lhe-á dado". Essas são as promessas associadas aos convênios nas ordenanças do templo; ver também Doutrina e Convênios 132:20–24. ↩
-
Ver Doutrina e Convênios 39:4; ver também Doutrina e Convênios 45:8; Moisés 6:65–68. ↩
-
Ver Doutrina e Convênios 1:20: "Que todo homem, porém, fale em nome de Deus, o Senhor, sim, o Salvador do mundo". ↩
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1 Néfi 14:14; grifo do autor. ↩
-
Ver Russell M. Nelson, "Preparação Pessoal para as Bênçãos do Templo",* A Liahona*, julho de 2001, p. 37. ↩
-
Doutrina e Convênios 138:58; ver também os versículos 53–54. ↩
-
*Ensinamentos: Joseph Smith, *p. 437. ↩
-
Gordon B. Hinckley, "Algumas Reflexões a Respeito de Templos, Retenção de Conversos e Serviço Missionário", A Liahona, novembro de 1998, p. 61. ↩
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John A. Widtsoe, "Temple Worship" [Adoração no Templo], *Utah Genealogical and Historical Magazine, *abril de 1921, pp. 51–52. ↩
-
Correspondência pessoal do Presidente Brent Belliston, Templo de Boise Idaho. ↩
-
Correspondência pessoal. ↩
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Russell M. Nelson, "O Espírito de Elias",* A Liahona*, janeiro de 1995, p. 95. ↩
-
"Discourse by President Wilford Woodruff" [Dissertação do Presidente Wilford Woodruff], *Millennial Star, *14 de maio de 1896, p. 307. ↩
-
Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Wilford Woodruff, 2004, p. xxxi. ↩
-
Ensinamentos: Wilford Woodruff, p. 180. ↩
-
Thomas S. Monson, "As Bênçãos do Templo",A Liahona, maio de 2015, p. 93. ↩
-
Thomas S. Monson, "O Templo Sagrado — Um Farol para o Mundo",A Liahona, maio de 2011, p. 92. ↩