Famílias Eternas
Henry B. Eyring
Sinto-me grato por estar com vocês nesta noite, na sessão geral do sacerdócio de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Este é um momento grandioso na história da Igreja. Há 182 anos, em 1834, em Kirtland, Ohio, todos os portadores do sacerdócio foram convocados a reunir-se em uma escola feita de toras, que tinha pouco mais de quatro metros quadrados. Relata-se que, naquela reunião, o Profeta Joseph Smith declarou: “Vocês sabem tanto a respeito dos destinos desta Igreja e Reino quanto um bebê no colo da mãe. Vocês não compreendem. (…) Vocês veem apenas um pequeno grupo de portadores do sacerdócio aqui reunidos nesta noite, mas esta Igreja encherá a América do Norte e do Sul, ela encherá o mundo”.1 ¶
Milhões de portadores do sacerdócio, em mais de 110 países, estão reunidos nesta sessão. Talvez o Profeta Joseph tenha previsto esta época e o glorioso futuro que temos pela frente. ¶
Minha mensagem esta noite é uma tentativa de descrever esse futuro e o que precisamos fazer para participar do plano de felicidade que o nosso Pai Celestial preparou para nós. Antes de nascermos, vivíamos em família com nosso exaltado e eterno Pai Celestial. Ele ordenou um plano que nos permite avançar e progredir para tornar-nos semelhantes a Ele. Ele fez isso por causa do amor que tem por nós. O propósito do plano era permitir que tivéssemos o privilégio de viver para sempre como nosso Pai Celestial vive. Esse plano do evangelho nos ofereceu uma vida de mortalidade na qual seríamos testados. Foi-nos feita a promessa de que, por meio da Expiação de Jesus Cristo, caso obedecêssemos às leis e às ordenanças do sacerdócio referentes ao evangelho, teríamos a vida eterna, a maior de todas as Suas dádivas. ¶
A vida eterna é o tipo de vida que Deus, nosso Pai Eterno, tem. Deus disse que Seu propósito é “levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem” (Moisés 1:39). O grande propósito de todo portador do sacerdócio, portanto, é auxiliar no trabalho de ajudar as pessoas a elevarem-se até a vida eterna. ¶
Todo esforço e toda ordenança do sacerdócio tem o propósito de ajudar os filhos do Pai Celestial a ser mudados pela Expiação de Jesus Cristo, vindo a tornar-se membros de unidades familiares aperfeiçoadas. Segue-se que “a grande obra de todo homem é acreditar no evangelho, guardar os mandamentos e criar e aperfeiçoar uma unidade familiar eterna”,2 e ajudar outros a fazer o mesmo. ¶
Sendo isso verdadeiro, tudo o que fazemos deve ter o casamento celestial como perspectiva e propósito. Isso significa que precisamos nos esforçar para sermos selados a uma companheira eterna no templo de Deus. Precisamos também incentivar outras pessoas a fazer e guardar os convênios que unem marido e mulher, com sua família, nesta vida e no mundo vindouro. ¶
Por que isso deve importar tanto para cada um de nós — jovens ou idosos, diáconos ou sumos sacerdotes, filhos ou pais? Porque nossa obrigação no sacerdócio é concentrar nossa preocupação em nossa família e nas famílias das pessoas a nosso redor. Toda decisão importante deve se basear no efeito que ela terá sobre uma família de modo a qualificá-la para a vida com o Pai Celestial e Jesus Cristo. Nada há em nosso serviço do sacerdócio que seja tão importante quanto isso. ¶
Deixem-me contar-lhes o que isso pode significar para um diácono que está ouvindo hoje, sendo ele membro de uma unidade familiar e de um quórum. ¶
Na família dele, pode haver ou não orações regulares em família ou noites familiares frequentes. Se o pai dele, sentindo essas obrigações, reunir a família para orar ou para ler as escrituras, o diácono pode ir correndo participar, com um sorriso no rosto. Ele pode incentivar seus irmãos e suas irmãs a participar e elogiá-los quando o fizerem. Pode pedir uma bênção ao pai no início do ano letivo ou em outro momento de necessidade. ¶
Pode ser que ele não tenha um pai fiel assim. Mas o próprio desejo de seu coração de ter essas experiências trará os poderes do céu para as pessoas a seu redor, graças à sua fé. Elas buscarão a vida em família que aquele diácono deseja do fundo do coração. ¶
O mestre no Sacerdócio Aarônico pode ver em sua designação de ensino familiar uma oportunidade de ajudar o Senhor a mudar a vida das pessoas de uma família. O Senhor sugeriu isso em Doutrina e Convênios: ¶
“O dever do mestre é zelar sempre pela igreja, estar com os membros e fortalecê-los; ¶
E certificar-se que não haja iniquidade na igreja nem aspereza entre uns e outros nem mentiras, maledicências ou calúnias” (D&C 20:53–54). ¶
De modo semelhante, o sacerdote no Sacerdócio Aarônico recebeu este encargo: ¶
“O dever do sacerdote é pregar, ensinar, explicar, exortar, batizar e administrar o sacramento. ¶
E visitar a casa de todos os membros, exortando-os a orarem em voz alta e em segredo e a cumprirem todas as obrigações familiares” (D&C 20:46–47). ¶
Vocês podem se perguntar, assim como eu o fiz quando era um jovem mestre e sacerdote, como eu poderia estar à altura desses desafios. Nunca me senti seguro sobre como poderia exortar de modo a conduzir uma família rumo à vida eterna sem ofender ou aparentemente criticar. Aprendi que a única exortação que muda corações vem do Espírito Santo. Isso ocorre mais frequentemente quando prestamos testemunho do Salvador, que foi e é o perfeito membro da família. Ao nos concentrarmos em nosso amor por Ele, a harmonia e a paz vão crescer nos lares que visitamos. O Espírito Santo vai estar conosco no serviço que prestamos às famílias. ¶
O jovem portador do sacerdócio pode, pelo modo como ora, pela sua maneira de falar e pela forma como incentiva os membros da família, levar a influência e o exemplo do Salvador para a mente e o coração deles. ¶
Um sábio líder do sacerdócio mostrou-me que compreendia isso. Ele pediu a meu jovem filho que assumisse a liderança em uma visita de ensino familiar. Disse que a família poderia se opor às exortações dele, mas achou que os simples ensinamentos e o testemunho de um rapaz poderiam com maior probabilidade penetrar-lhes o coração endurecido. ¶
O que o jovem élder pode fazer para ajudar na criação de famílias eternas? Pode ser que ele esteja prestes a ir para o campo missionário. Ele pode orar do fundo do coração para que seja capaz de encontrar, ensinar e batizar famílias. Ainda me lembro de, em certo dia, um belo rapaz com sua adorável noiva e suas duas lindas filhinhas sentados comigo e com meu companheiro missionário. O Espírito Santo veio e testificou a eles que o evangelho de Jesus Cristo havia sido restaurado. Eles acreditaram o suficiente a ponto de até perguntarem se poderíamos dar uma bênção em suas duas filhinhas, como haviam visto em uma de nossas reuniões sacramentais. Já tinham o desejo de que suas filhas fossem abençoadas, mas ainda não compreendiam que as bênçãos maiores somente seriam possíveis nos templos de Deus, após os convênios terem sido feitos. ¶
Ainda sinto uma dor no coração ao pensar naquele casal com as duas filhinhas, que hoje provavelmente já estão idosos, sem a promessa de uma família eterna. Os pais ao menos tinham uma minúscula ideia das bênçãos que poderiam estar a seu alcance. Minha esperança é que, de alguma forma, em algum lugar, eles ainda possam ter a oportunidade de se qualificar para ser uma família eterna. ¶
Outros élderes que vão para o campo missionário terão uma experiência mais feliz, como a que meu filho Matthew teve. Ele e seu companheiro encontraram uma viúva, com oito filhos, vivendo na pobreza. Ele queria para eles o que vocês querem: uma família eterna. Para meu filho, isso parecia impossível, ou ao menos improvável naquele momento. ¶
Visitei aquela pequena cidade alguns anos após meu filho ter batizado a viúva, e ela me convidou a conhecer, na igreja, sua família. Tive que esperar um pouco porque seus filhos, com seus muitos netos, vieram de várias capelas de diferentes regiões. Um filho estava servindo fielmente em um bispado, e cada um dos filhos dela foi abençoado pelos convênios do templo e selado em uma família eterna. Ao despedir-me daquela querida irmã, ela pôs os braços ao redor da minha cintura, porque ela era bem pequena e mal chegava a minha cintura, e disse: “Por favor, diga ao Mateo que volte ao Chile antes que eu morra”. Ela recebera, graças àqueles élderes fiéis, a feliz antecipação da maior de todas as dádivas de Deus. ¶
Há coisas que um élder, ao retornar de sua missão, precisa fazer para manter-se fiel a seu compromisso de buscar a vida eterna para si mesmo e para seus entes queridos. Não há compromisso mais importante nesta vida ou na eternidade do que o casamento. Vocês ouviram o sábio conselho de fazer do casamento uma prioridade em seus planos, logo ao voltarem do campo. O servo fiel no sacerdócio fará isso com sabedoria. ¶
Ao cogitar o casamento, ele verá que está escolhendo os pais de seus filhos e o legado que eles terão. Vai fazer a escolha após buscar sinceramente e ponderar fervorosamente. Vai assegurar-se de que a pessoa com quem ele se casar compartilhe de seus ideais para uma família e de suas convicções do propósito do Senhor para o casamento, e que ela seja uma pessoa a quem ele esteja disposto a confiar a felicidade de seus filhos. ¶
O Presidente N. Eldon Tanner deu este sábio conselho: “Os pais que vocês devem honrar mais do que quaisquer outros são os pais de seus filhos que estão por vir. Esses filhos têm o direito de ter os melhores pais possíveis que vocês possam oferecer-lhes: pais puros”.3 A pureza será a sua proteção, e a proteção de seus filhos. Vocês devem essa bênção a eles. ¶
Agora, há alguns maridos e pais que nos ouvem hoje. O que vocês podem fazer? Minha esperança é que seu desejo de fazer as mudanças necessárias para que vocês e sua família vivam um dia no Reino Celestial tenha aumentado. Como pais portadores do sacerdócio, com sua esposa a seu lado, vocês podem tocar o coração de cada um de seus familiares, incentivando-os a ansiar por esse dia. Vocês vão frequentar as reuniões sacramentais com sua família, vão realizar reuniões de família nas quais o Espírito Santo vai estar presente, vão orar com sua esposa e sua família e vão preparar-se para levar sua família ao templo. Vão conduzi-los pelo caminho que leva ao lar de uma família eterna. ¶
Vão tratar sua esposa e seus filhos do modo que o Pai Celestial tratou vocês. Vão seguir o exemplo e a orientação do Salvador para liderar sua família à maneira Dele. ¶
“Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; ¶
Com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo — ¶
Reprovando prontamente com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando então um amor maior por aquele que repreendeste, para que ele não te julgue seu inimigo” (D&C 121:41–43). ¶
O Senhor disse aos pais portadores do sacerdócio que tipo de marido eles devem ser. Ele disse: “Amarás tua esposa de todo o teu coração e a ela te apegarás e a nenhuma outra” (D&C 42:22). Quando o Senhor fala tanto ao marido quanto à esposa, Ele ordena: “Não (…) cometerás adultério (…) nem farás coisa alguma semelhante” (D&C 59:6). ¶
Para os jovens, o Senhor estabeleceu o padrão: “Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isso é agradável ao Senhor” (Colossenses 3:20) e “honra teu pai e tua mãe” (Êxodo 20:12). ¶
Quando o Senhor fala para todos da família, Seu conselho é que amem e apoiem uns aos outros. ¶
O Senhor também pede que façamos tudo a nosso alcance para ajudar nossos parentes falecidos a estarem conosco em nosso lar eterno. ¶
O líder do grupo de sumos sacerdotes que trabalhou diligentemente para ajudar as pessoas a encontrar os antepassados delas e levar nomes para o templo está resgatando aqueles que já faleceram. Haverá gratidão no mundo vindouro para esses sumos sacerdotes e para os que oferecem as ordenanças, porque eles não se esqueceram de sua família, que está esperando no mundo espiritual. ¶
Em nosso lar, e em nosso serviço no sacerdócio, o maior valor estará nos pequenos atos que ajudam a nós e a nossos entes queridos a prosseguir rumo à vida eterna. Esses atos podem parecer pequenos nesta vida, mas trarão bênçãos sem fim na eternidade. ¶
Ao sermos fiéis em nosso serviço de ajudar os filhos do Pai Celestial a voltar ao lar para estar com Ele, vamos nos qualificar para o cumprimento que todos tanto queremos ouvir ao terminarmos nosso ministério terreno. Estas são as palavras: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:21). ¶
Entre esse “muito” está a promessa de uma posteridade sem fim. Minha oração é que todos nos qualifiquemos e ajudemos outros a se qualificarem para essa sublime bênção no lar de nosso Pai e Seu Filho Jesus Cristo. No sagrado nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
-
Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 144. ↩
-
Bruce R. McConkie, Conference Report, abril de 1970, p. 26. ↩
-
N. Eldon Tanner,* Church News*, 19 de abril de 1969, p. 2. ↩
-
Bruce R. McConkie, Conference Report, abril de 1970, p. 27. ↩
-
Harold B. Lee, Decisions for Successful Living [Decisões para uma Vida Bem-Sucedida], 1973, pp. 248–249. ↩