O Dia do Senhor É Deleitoso
Russell M. Nelson
Queridos irmãos e irmãs, estes dois dias de conferência foram gloriosos. Fomos elevados pela música inspiradora e por eloquentes orações. Nosso espírito foi edificado por mensagens de luz e verdade. Neste domingo de Páscoa, estamos novamente unidos e agradecemos sinceramente a Deus por um profeta! ¶
A pergunta para cada um de nós é: Devido ao que ouvi e senti nesta conferência, como vou mudar? Seja qual for sua resposta, convido-os a também analisar seus sentimentos e sua conduta em relação ao Dia do Senhor. ¶
Senti deleite no Dia do Senhor pela primeira vez há muitos anos quando, como um cirurgião muito atarefado, percebi que o Dia do Senhor havia se tornado um dia de cura pessoal. No final de cada semana, minhas mãos estavam muito machucadas de tanto esfregá-las com sabão, água e uma escova dura. Eu também precisava de um tempo para respirar devido ao fardo de uma profissão muito desgastante. O domingo me proporcionava um alívio muito necessário. ¶
O que o Salvador quis dizer quando declarou que “o sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”?2 Creio que Ele queria que entendêssemos que o Dia do Senhor era Sua dádiva para nós, oferecendo-nos verdadeiro alívio dos rigores da vida cotidiana e uma oportunidade para renovação espiritual e física. Deus nos deu esse dia especial, não para divertimento ou trabalho cotidiano, mas para descanso dos deveres, com alívio físico e espiritual. ¶
Em hebraico, a palavra Sábado significa “descanso”. O propósito do Dia do Senhor remonta à Criação do mundo, quando, após seis dias de trabalho, o Senhor descansou da obra da Criação.3 Quando posteriormente revelou os Dez Mandamentos a Moisés, Deus ordenou: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar”.4 Mais tarde, o Dia do Senhor foi cumprido como lembrete da libertação de Israel do cativeiro no Egito.5 Talvez o mais importante foi que o Dia do Senhor foi dado como um convênio perpétuo, um constante lembrete de que o Senhor pode santificar Seu povo.6 ¶
Até que ponto santificamos o Dia do Senhor? Quando eu era bem mais jovem, estudei o trabalho de outros que tinham compilado listas de coisas para fazer e coisas para não fazer no Dia do Senhor. Foi só mais tarde que aprendi nas escrituras que minha conduta e minha atitude no Dia do Senhor constituíam um sinal entre mim e meu Pai Celestial.12 Com esse entendimento, não precisei mais de listas do que fazer ou evitar. Quando tinha que tomar a decisão sobre uma atividade ser ou não adequada para o Dia do Senhor, simplesmente me perguntava: “Que sinal quero dar a Deus?” Essa pergunta fez com que minhas escolhas para o Dia do Senhor ficassem bem claras. ¶
Embora a doutrina referente ao Dia do Senhor tenha origens antigas, ela foi renovada nestes últimos dias como parte de um novo convênio com promessa. Ouçam o poder deste decreto divino: ¶
“E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado; ¶
porque em verdade este é um dia designado para descansares de teus labores e prestares tua devoção ao Altíssimo; (…) ¶
e nesse dia (…) seja teu alimento preparado com singeleza de coração para que teu jejum seja perfeito, (…) para que tua alegria seja completa. (…) ¶
Como podemos assegurar que nossa conduta no Dia do Senhor nos leve a ter alegria e regozijo? Além de ir para a Igreja, tomar o sacramento e ser diligente em nosso chamado específico para servir, que outras atividades nos ajudariam a tornar o Dia do Senhor deleitoso para nós? Que sinal daremos ao Senhor para mostrar nosso amor por Ele? ¶
Tornamos o Dia do Senhor deleitoso quando ensinamos o evangelho a nossos filhos. Nossa responsabilidade como pais é extremamente clara. O Senhor disse: “E também, se em Sião (…) houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado”.16 ¶
Há vários anos, a Primeira Presidência salientou a importância de passarmos um tempo de qualidade com nossa família. Eles escreveram: ¶
“Conclamamos todos os pais a empenharem-se ao máximo para ensinar e criar seus filhos nos princípios do evangelho, o que os manterá próximos da Igreja. O lar é o alicerce do viver reto, e nada mais pode tomar seu lugar ou desempenhar suas funções essenciais no cumprimento dessa responsabilidade dada por Deus. ¶
Aconselhamos os pais e os filhos a dar a maior prioridade à oração familiar, à noite familiar, ao estudo e ensino do evangelho, e às atividades familiares salutares. Por mais louváveis e adequados que sejam os outros afazeres ou atividades, não podemos permitir que tomem o lugar dos deveres determinados por Deus que somente os pais e a família podem desempenhar adequadamente”.17 ¶
Quando pondero esse conselho, quase desejo voltar a ser um jovem pai. Os pais agora dispõem de recursos maravilhosos para ajudá-los a tornar o tempo em família mais significativo no Dia do Senhor e em outros dias também. Eles têm os sites LDS.org, Mormon.org, os vídeos da Bíblia, o Canal Mórmon, o Livro de Gravuras do Evangelho, a revista A Liahona e muito, muito mais. Esses recursos são extremamente úteis para os pais no cumprimento de seu sagrado dever de ensinar os filhos. Nenhum outro trabalho transcende o que é exercido em retidão e diligência pelos pais! ¶
Ao ensinarmos o evangelho, aprenderemos mais. Essa é a maneira do Senhor de ajudar-nos a entender Seu evangelho. Ele disse: ¶
“E dou-vos um mandamento de que vos ensineis a doutrina do reino uns aos outros. ¶
Esse estudo do evangelho torna o Dia do Senhor deleitoso. Essa promessa se aplica independentemente do tamanho ou da composição da família ou do local em que ela mora. ¶
Além do tempo com a família, podemos sentir verdadeiro deleite no Dia do Senhor com o trabalho de história da família. A pesquisa e a identificação de familiares que nos precederam na Terra — aqueles que não tiveram a oportunidade de aceitar o evangelho enquanto estavam aqui — podem proporcionar imensa alegria. ¶
Vi isso por experiência própria. Há vários anos, minha querida esposa Wendy decidiu aprender a fazer a pesquisa de história da família. Seu progresso foi lento a princípio, mas pouco a pouco ela aprendeu como era fácil realizar aquele trabalho sagrado. E nunca a tinha visto tão feliz. Não precisamos viajar para outros países ou sequer para um centro de história da família. Em casa, com o auxílio de um computador ou dispositivo móvel, podemos identificar almas que anseiam por suas ordenanças. Tornem o Dia do Senhor deleitoso encontrando seus antepassados e libertando-os da prisão espiritual!19 ¶
Quando Isaías descreveu o Dia do Senhor como “deleitoso”, também nos ensinou como torná-lo assim. Ele disse: ¶
“Se desviares (…) de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e (…) honrares [o Senhor] não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, ¶
É preciso autodisciplina para não fazer a nossa “própria vontade” no Dia do Senhor. Pode ser que tenhamos de nos privar de algo que gostamos. Se decidirmos deleitar-nos no Senhor, não permitiremos tratar esse dia como outro qualquer. As atividades rotineiras e recreativas podem ser realizadas em outra ocasião. ¶
A fé em Deus gera o amor pelo Dia do Senhor. A fé no Dia do Senhor gera amor a Deus. Um Dia do Senhor quando consagrado é realmente deleitoso. ¶
Com amor no coração, deixo isso com vocês como minha oração, bênção e meu testemunho, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
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Ver Gênesis 2:2–3. ↩
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Êxodo 20:8; ver também Deuteronômio 5:12; Mosias 13:16; 18:23. ↩
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Ver Deuteronômio 5:14–15. As pessoas que decidem trabalhar sete dias por semana são essencialmente escravas — do trabalho ou talvez do dinheiro, mas escravas mesmo assim. Um milionário que trabalha sete dias por semana é um escravo rico. ↩
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Ver Êxodo 31:13, 16. ↩
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Ver Doutrina e Convênios 59:12. Antes de Sua Crucificação, o Senhor instituiu o sacramento entre Seus discípulos na Festa de Páscoa (ver Mateus 26:26–28; Marcos 14:22–24). O Senhor ressuscitado instituiu o sacramento em lembrança de Sua Expiação entre os povos da América antiga (ver 3 Néfi 18:1–12; Morôni 4:1–3; 5:2) e o restaurou nos tempos modernos (ver Doutrina e Convênios 20:77, 79). Ao tomarmos o sacramento, renovamos o convênio feito no batismo de guardar Seus mandamentos (ver Doutrina e Convênios 20:68). ↩
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Ver Mateus 12:8; Marcos 2:28; Lucas 6:5. ↩
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Ver Êxodo 31:13; Levítico 19:3, 30; 26:2; Doutrina e Convênios 68:29. ↩
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Ver Ezequiel 20:20; 44:24. ↩
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Ver Êxodo 31:13; Ezequiel 20:12, 20. ↩
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Ver Levítico 26:2–4. ↩
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Doutrina e Convênios 68:25; grifo do autor; ver também Moisés 6:58–62. ↩
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Carta da Primeira Presidência, 11 de fevereiro de 1999; citado em Manual 2: Administração da Igreja, 2010, 1.4.1. ↩
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Ver Mateus 25:35–40. ↩
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Isaías 58:13–14; grifo do autor. ↩
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Ver Mosias 2:21. ↩
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Ver I Timóteo 4:12. ↩