Preservar o Arbítrio, Proteger a Liberdade Religiosa
Robert D. Hales
Este é o domingo de Páscoa: um dia de gratidão e lembrança em honra à Expiação e Ressurreição de nosso Salvador Jesus Cristo por toda a humanidade. Nós O adoramos, somos gratos por nossa liberdade de religião, liberdade de reunião, liberdade de expressão e pelo nosso direito ao arbítrio concedido por Deus. ¶
À medida que as pessoas ao nosso redor fazem escolhas sobre como reagirão a nossas crenças, não devemos esquecer de que o arbítrio moral é uma parte essencial do plano de Deus para todos os Seus filhos. Esse plano eterno, que foi apresentado a nós no Conselho dos Céus pré-mortal, incluiu o dom do arbítrio.3 ¶
Como resultado, os filhos espirituais do Pai Celestial que decidiram rejeitar Seu plano e seguir Lúcifer perderam seu destino divino. ¶
Jesus Cristo, usando Seu arbítrio, disse: ¶
Jesus, que exerceu Seu arbítrio para apoiar o plano do Pai Celestial, foi identificado e nomeado pelo Pai como nosso Salvador, preordenado para realizar o Sacrifício Expiatório por todos. Da mesma forma, o exercício de nosso arbítrio para guardar os mandamentos nos possibilita que entendamos plenamente quem somos e recebamos todas as bênçãos que nosso Pai Celestial possui — inclusive a oportunidade de ter um corpo, de progredir, de sentir alegria, de ter uma família e de herdar a vida eterna. ¶
Para guardar os mandamentos, precisamos conhecer a doutrina oficial da Igreja de modo a não sermos desviados da liderança de Cristo pelos caprichos sempre volúveis das pessoas. ¶
As bênçãos que desfrutamos hoje devem-se ao fato de termos feito a escolha de seguir o Salvador antes desta vida. Para todos os que ouvem ou leem estas palavras, sejam vocês quem forem e seja qual for o seu passado, lembrem-se disto: não é tarde demais para fazer essa mesma escolha novamente e segui-Lo. ¶
Por meio de nossa fé em Jesus Cristo, crendo em Sua Expiação, arrependendo-nos de nossos pecados e sendo batizados, podemos então receber o sublime dom do Espírito Santo. Esse dom proporciona conhecimento e entendimento, orientação e forças para aprender e adquirir um testemunho, poder e purificação para vencer o pecado, consolo e encorajamento para sermos fiéis na tribulação. Essas incomparáveis bênçãos do Espírito aumentam nossa liberdade e nosso poder para fazer o que é certo, porque “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”.8 ¶
Ao trilharmos o caminho da liberdade espiritual, nestes últimos dias, devemos entender que a fiel utilização de nosso arbítrio depende de termos liberdade religiosa. Já sabemos que Satanás não quer que tenhamos essa liberdade. Ele tentou destruir o arbítrio moral no céu, e agora na Terra está ferozmente minando, opondo-se e disseminando confusão sobre a liberdade religiosa — o que é e por que é essencial para nossa vida espiritual e para nossa salvação. ¶
Há quatro pedras angulares da liberdade religiosa que nós, como santos dos últimos dias, precisamos proteger e das quais dependemos. ¶
A primeira é a liberdade de crer. Ninguém deve ser criticado, perseguido ou atacado por pessoas ou governos pelas coisas nas quais acredita em relação a Deus. É algo muito importante e muito pessoal. Uma antiga declaração de nossas crenças referente à liberdade religiosa declara: ¶
“Nenhum governo pode existir em paz a não ser que tais leis sejam feitas e mantidas invioladas, de modo a garantir a todo indivíduo o livre exercício de consciência (…). ¶
A segunda pedra angular da liberdade religiosa é a liberdade para compartilhar nossa fé e nossas crenças com outros. O Senhor nos ordenou: “Ensinai [o evangelho] a vossos filhos, (…) assentado em tua casa”.11 Ele também disse a Seus discípulos: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”.12 Como pais, missionários de tempo integral e membros missionários, dependemos da liberdade religiosa para ensinar a doutrina do Senhor em nossa família e no mundo inteiro. ¶
A terceira pedra angular da liberdade religiosa é a liberdade para formar uma organização religiosa e para adorar pacificamente com outros. A décima primeira Regra de Fé declara: “Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde ou o que desejarem”. Os documentos de direitos humanos e muitas constituições nacionais apoiam esse princípio. ¶
A quarta pedra angular da liberdade religiosa é a liberdade de viver nossa fé — o livre exercício da religião não apenas no lar e na capela, mas também em locais públicos. O Senhor não nos ordenou apenas a orar em particular13, mas também a ir e fazer “[resplandecer a nossa] luz diante dos homens, para que vejam as [nossas] boas obras e glorifiquem a [nosso] Pai, que está nos céus”.14 ¶
Alguns ficam ofendidos quando levamos nossa religião para o debate público, mas essas mesmas pessoas que insistem em dizer que seus pontos de vista e suas ações devem ser tolerados na sociedade geralmente hesitam muito em conceder essa mesma tolerância aos fiéis religiosos que também desejam que seus pontos de vista e suas ações sejam tolerados. A falta de respeito generalizada pelos pontos de vista religiosos está rapidamente se transformando em intolerância social e política pelas pessoas e instituições religiosas. ¶
Ao enfrentarmos uma pressão cada vez maior para curvar-nos aos padrões seculares, abdicar de nossa liberdade religiosa e comprometer nosso arbítrio, reflitam sobre o que o Livro de Mórmon ensina sobre nossas responsabilidades. No livro de Alma, lemos a respeito de Anlici, “um homem muito astuto” e “um homem iníquo”, que procurava tornar-se rei do povo e “privá-los-ia de seus direitos e privilégios”, e “isso foi alarmante para o povo da igreja”.15 Eles tinham sido ensinados pelo rei Mosias a erguer a voz para defender o que achassem direito.16 Portanto, “o povo se reuniu em toda a terra, cada um segundo a sua opinião, a favor ou contra Anlici, em grupos separados, havendo muitas disputas (…) entre eles”.17 ¶
Como discípulos de Jesus Cristo, temos a responsabilidade de trabalhar em conjunto com outras pessoas que também acreditam como nós, erguendo a voz para defender o que é certo. Embora os membros jamais devam afirmar ou sequer dar a entender que estejam falando pela Igreja, somos todos convidados, na qualidade de cidadãos, a prestar nosso testemunho pessoal com convicção e amor — “cada um segundo a sua [própria] opinião”.19 ¶
O Profeta Joseph Smith disse: ¶
“Declaro destemidamente perante o Céu que estou igualmente pronto para morrer em defesa dos direitos de um presbiteriano, um batista ou um bom homem de qualquer outra denominação [assim como por um mórmon]; porque o mesmo princípio que destruiria os direitos dos santos dos últimos dias também destruiria os direitos dos católicos romanos ou de qualquer outra denominação que venha a ser impopular ou demasiadamente fraca para defender-se. ¶
Irmãos e irmãs, temos a responsabilidade de salvaguardar esses sagrados direitos e essa liberdade para nós mesmos e para nossa posteridade. O que vocês e eu podemos fazer? ¶
Primeiro, precisamos estar informados. Estejam atentos às questões de sua comunidade que possam ter uma repercussão na liberdade religiosa. ¶
Em segundo lugar, em sua capacidade individual, unam-se a outros que também estão comprometidos a defender a liberdade religiosa. Esforcem-se lado a lado para proteger a liberdade religiosa. ¶
Em terceiro lugar, vivam de modo a ser um bom exemplo daquilo em que acreditam — em palavras e em ações. O modo como vivemos nossa religião é bem mais importante do que dizemos a respeito dela. ¶
A Segunda Vinda de nosso Salvador está se aproximando. Não demoremos em defender esta grande causa. Lembrem-se do capitão Morôni, que ergueu o estandarte da liberdade no qual estavam inscritas as palavras: “Em lembrança de nosso Deus, nossa religião e nossa liberdade e nossa paz, nossas esposas e nossos filhos”.21 Lembremo-nos da reação das pessoas: exercendo seu arbítrio, “o povo se aproximou” com o convênio de agir.22 ¶
Meus amados irmãos e irmãs, não andem! Corram! Corram para receber as bênçãos do arbítrio seguindo o Espírito Santo e exercendo a liberdade que Deus nos concedeu para fazermos Sua vontade. ¶
Presto meu testemunho, neste dia especial de Páscoa, de que Jesus Cristo usou Seu arbítrio para fazer a vontade de nosso Pai. ¶
A respeito de nosso Salvador, cantamos: “Seu sangue pelos homens deu e assim nos libertou”.23 E por Ele ter feito isso, temos a oportunidade inestimável de “escolher a liberdade e a vida eterna” por meio do poder e das bênçãos de Sua Expiação.24 Que escolhamos livremente segui-Lo hoje e sempre, é minha oração em Seu santo nome, sim, Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
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Ver Moisés 6:56. ↩
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Ver Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948; un.org/en/documents/udhr. O Artigo 18 declara que: "Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular". Ver também o Artigo 9 da Convenção da Europa para a Proteção dos Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais, ratificada em 3 de setembro de 1953, conventions.coe.int/treaty/en/treaties/html/005.htm. ↩
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Ver Mateus 6:6. ↩
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Ver Alma 2:1–4. ↩
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Ver Mosias 29:25–26. ↩
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Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 362. ↩
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"Da Corte Celestial", Hinos, nº 114. ↩