Pulpit

Os Poderes do Céu

David A. Bednar

Conferência Geral de Abril de 2012·Priesthood Session·2012-04-07

Meus amados irmãos, sinto-me grato por podermos adorar juntos como um imenso grupo de portadores do sacerdócio. Amo e admiro vocês por sua dignidade e sua influência para o bem no mundo inteiro.

Convido cada um de vocês a refletir sobre como responderiam à seguinte pergunta feita há muitos anos aos membros da Igreja pelo Presidente David O. McKay: “Se neste instante alguém pedisse a cada um de vocês que declarasse, em uma única frase ou sentença, a característica mais marcante de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, qual seria sua resposta?” (“The Mission of the Church and Its Members”, Improvement Era, novembro de 1956, p. 781).

A resposta que o Presidente McKay deu a sua própria pergunta foi: a “autoridade divina” do sacerdócio. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias distingue-se de outras igrejas que afirmam evocar sua autoridade da sucessão histórica, das escrituras ou da formação teológica. Declaramos de modo exclusivo que a autoridade do sacerdócio foi conferida ao Profeta Joseph Smith pela imposição de mãos, diretamente de mensageiros celestiais.

Meu discurso concentra-se nessa autoridade divina e nos poderes do céu. Oro sinceramente pedindo a ajuda do Espírito do Senhor, para que juntos aprendamos algo a respeito dessas importantes verdades.

A Autoridade e o Poder do Sacerdócio

O sacerdócio é a autoridade de Deus delegada na Terra aos homens para que atuem em todas as coisas referentes à salvação da humanidade (ver Spencer W. Kimball, “The Example of Abraham”, Ensign, junho de 1975, p. 3). O sacerdócio é o meio pelo qual o Senhor age por intermédio de homens para salvar almas. Uma das características marcantes da Igreja de Jesus Cristo, tanto no passado quanto no presente, é Sua autoridade. Não pode haver uma Igreja verdadeira sem autoridade divina.

A autoridade do sacerdócio é concedida a homens comuns. A dignidade e a disposição de servir — não a experiência, o conhecimento ou a formação — são as qualificações para a ordenação ao sacerdócio.

O padrão para o recebimento da autoridade do sacerdócio é descrito na quinta regra de fé: “Cremos que um homem deve ser chamado por Deus, por profecia e pela imposição de mãos, por quem possua autoridade, para pregar o Evangelho e administrar suas ordenanças”. Assim, um rapaz ou homem recebe a autoridade do sacerdócio e é ordenado a um ofício específico por alguém que já possui o sacerdócio e que tenha sido autorizado por um líder que possua as devidas chaves do sacerdócio.

Espera-se que o portador do sacerdócio exerça essa autoridade sagrada de acordo com a mente, a vontade e os propósitos sagrados de Deus. Nada em relação ao sacerdócio é de natureza egocêntrica. O sacerdócio sempre é usado para servir, abençoar e fortalecer outras pessoas.

O sacerdócio maior é recebido por um solene convênio que inclui a obrigação de agir pela autoridade (ver D&C 68:8) e no ofício (ver D&C 107:99) para o qual foram designados. Como portadores da santa autoridade de Deus, somos agentes que atuam e não subordinados que recebem a ação (ver 2 Néfi 2:26). O sacerdócio é inerentemente ativo, e não passivo.

O Presidente Ezra Taft Benson ensinou:

“Não é suficiente receber o sacerdócio e depois esperar sentados e passivos até que sejamos impelidos à atividade por alguém. Quando recebemos o sacerdócio, temos a obrigação de tornar-nos ativa e avidamente engajados na promoção da causa da retidão na Terra, porque o Senhor disse:

‘O que nada faz até que seja mandado e recebe um mandamento com o coração duvidoso e guarda-o com indolência, é condenado’ (D&C 58:29)” (So Shall Ye Reap, 1960, p. 21).

O Presidente Spencer W. Kimball também salientou enfaticamente a natureza ativa do sacerdócio. “[Rompe-se] o convênio do sacerdócio transgredindo os mandamentos — e também deixando de cumprir as respectivas obrigações e deveres. Portanto, para quebrar esse convênio, basta apenas não fazer nada” (O Milagre do Perdão, 1999, p. 96).

Quando damos o melhor de nós para cumprir nossas responsabilidades do sacerdócio, podemos abençoar com o poder do sacerdócio. O poder do sacerdócio é o poder de Deus que atua por intermédio de rapazes e homens iguais a nós e requer retidão pessoal, fé, obediência e diligência. Um rapaz ou homem pode receber a autoridade do sacerdócio pela imposição de mãos, mas não ter o poder do sacerdócio, se for desobediente, indigno ou desprovido de vontade de servir.

“Os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e (…) os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão.

Que eles nos podem ser conferidos, é verdade; mas quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho, nossa vã ambição ou exercer controle ou domínio ou coação sobre a alma dos filhos dos homens, em qualquer grau de iniquidade, eis que os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa e, quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade desse homem” (D&C 121:36–37; grifo do autor).

Irmãos, é inaceitável ao Senhor que um rapaz ou homem receba a autoridade do sacerdócio, mas deixe negligentemente de fazer o que é necessário a fim de qualificar-se para o poder do sacerdócio. Os portadores do sacerdócio, jovens e idosos, precisam de autoridade e poder: a permissão necessária e a capacidade espiritual de representar Deus no trabalho de salvação.

Uma Lição de Meu Pai

Fui criado em um lar que tinha uma mãe fiel e um pai maravilhoso. Minha mãe era descendente de pioneiros que sacrificaram tudo pela Igreja e pelo reino de Deus. Meu pai não era membro de nossa Igreja e, quando jovem, teve o desejo de tornar-se sacerdote católico. Por fim, decidiu não entrar para o seminário teológico e escolheu a carreira de ferramenteiro.

Por muito tempo, meu pai assistiu às reuniões da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias com a nossa família. Na verdade, muitas pessoas de nossa ala não faziam ideia de que meu pai não era membro da Igreja. Ele integrava e treinava o time de softball de nossa ala, ajudava nas atividades escoteiras e apoiava minha mãe em seus vários chamados e responsabilidades. Quero contar-lhes uma das grandes lições que aprendi com meu pai sobre a autoridade e o poder do sacerdócio.

Quando menino, eu perguntava a meu pai muitas vezes por semana quando ele seria batizado. Ele respondia com amor, mas com firmeza, toda vez que eu o importunava: “David, não vou me filiar à Igreja por sua mãe, por você, ou por quem quer que seja. Vou me filiar à Igreja quando souber que é a coisa certa a fazer”.

Creio que foi no início da minha adolescência que tive a seguinte conversa com meu pai. Tínhamos acabado de voltar das reuniões de domingo, às quais fôramos juntos, e perguntei a meu pai quando ele seria batizado. Ele sorriu e disse: “Você está sempre me perguntando quando serei batizado. Hoje tenho uma pergunta para você”. Com rapidez e entusiasmo concluí que estávamos fazendo progresso!

Meu pai prosseguiu, dizendo: “David, sua igreja ensina que o sacerdócio foi retirado da Terra no passado e foi restaurado por mensageiros celestes ao Profeta Joseph Smith, certo?” Respondi que sua afirmação era correta. Ele então disse: “Aqui vai minha pergunta. Toda semana, na reunião do sacerdócio, ouço o bispo e outros líderes do sacerdócio lembrarem, pedirem e implorarem que os homens façam suas visitas de ensino familiar e cumpram seus deveres do sacerdócio. Se sua igreja realmente tem o sacerdócio restaurado de Deus, por que há tantos homens em sua igreja quanto há na minha, que não diferem no cumprimento de seus deveres religiosos?” De imediato, deu-me um branco na mente. Fiquei sem uma resposta adequada para meu pai.

Creio que meu pai estava errado ao julgar a validade da afirmação de que a Igreja tinha autoridade divina por causa das falhas dos homens com quem ele convivia na ala. Mas, para mim, sua pergunta carregava o pressuposto correto de que os homens que possuem o santo sacerdócio de Deus devem ser diferentes dos outros. Os homens que possuem o sacerdócio não são inerentemente melhores que os outros, mas devem agir de modo diferente. Os homens que possuem o sacerdócio devem não apenas receber a autoridade do sacerdócio, mas também tornar-se condutores dignos e fiéis do poder de Deus. “Sede limpos, vós que portais os vasos do Senhor” (D&C 38:42).

Nunca me esquecerei das lições sobre a autoridade e o poder do sacerdócio que aprendi com meu pai, um homem bom que não era de nossa religião, que esperava mais dos homens que afirmavam possuir o sacerdócio de Deus. A conversa que tive com meu pai, naquela tarde de domingo, há muitos anos, produziu em mim o desejo de ser um “bom rapaz”. Eu não queria ser um mau exemplo e uma pedra de tropeço para o progresso de meu pai no aprendizado do evangelho restaurado. Simplesmente queria ser um bom rapaz. O Senhor precisa que todos nós, portadores de Sua autoridade, sejamos honrados, virtuosos e bons, em todos os momentos e em todos os lugares.

Talvez se interessem em saber que, alguns anos depois, meu pai foi batizado. E no devido momento, tive a oportunidade de conferir-lhe o Sacerdócio Aarônico e o de Melquisedeque. Uma das grandes experiências pessoais de minha vida foi observar meu pai receber a autoridade e, por fim, o poder do sacerdócio.

Compartilho com vocês essa pungente lição que aprendi com meu pai para salientar uma verdade simples. O recebimento da autoridade do sacerdócio pela imposição de mãos é um começo importante, mas não é o suficiente. A ordenação confere autoridade, mas exige-se retidão para agirmos com poder, ao nos esforçarmos para elevar almas, ensinar e testificar, abençoar, aconselhar e levar adiante a obra de salvação.

Nesta gloriosa época da história da Terra, nós, portadores do sacerdócio, precisamos ser homens justos e instrumentos eficazes nas mãos de Deus. Precisamos erguer-nos como homens de Deus. Seria bom que aprendêssemos com Néfi, neto de Helamã e o primeiro dos doze discípulos chamados pelo Salvador no início de Seu ministério entre os nefitas, e seguíssemos seu exemplo: “E [Néfi] ensinou-lhes muitas coisas. E (…) Néfi ensinou com poder e grande autoridade” (3 Néfi 7:17).

“Por Favor, Ajude Meu Marido a Compreender”

Ao término das entrevistas de recomendação para o templo, que eu realizava como bispo e presidente de estaca, geralmente perguntava às irmãs casadas como é que eu poderia prestar-lhes serviço e ajudar sua família. A resposta constante que eu ouvia daquelas mulheres fiéis era instrutiva, mas também alarmante. As irmãs raramente reclamavam ou criticavam, mas geralmente respondiam assim: “Por favor, ajude meu marido a compreender sua responsabilidade como líder do sacerdócio no lar. Fico feliz em tomar a iniciativa no estudo das escrituras, na oração em família e na noite familiar, e vou continuar a fazê-lo. Mas gostaria que meu marido participasse igualmente e provesse a sólida liderança do sacerdócio que só ele pode oferecer. Por favor, ajude meu marido a aprender a ser um patriarca e um líder do sacerdócio que presida e proteja nosso lar”.

Com frequência, reflito na sinceridade daquelas irmãs e em seu pedido. Os líderes do sacerdócio ouvem preocupações semelhantes hoje em dia. Muitas esposas suplicam que o marido tenha não apenas a autoridade do sacerdócio, mas também o poder do sacerdócio. Elas anseiam em dividir igualmente a tarefa com um marido fiel e companheiro do sacerdócio na criação de um lar centralizado em Cristo e enfocado no evangelho.

Irmãos, prometo que se ponderarmos fervorosamente o pedido daquelas irmãs, o Espírito Santo vai ajudar-nos a vermos a nós mesmos, como realmente somos (ver D&C 93:24) e a reconhecer as coisas que precisamos mudar e melhorar. E a hora de agir é agora!

Ser um Exemplo de Retidão

Quero reiterar os ensinamentos do Presidente Thomas S. Monson, que nos convidou, como portadores do sacerdócio, a ser “exemplos de retidão”. Ele nos lembrou muitas vezes que estamos a serviço do Senhor e que temos direito a Sua ajuda, sob a condição de sermos dignos (ver “Exemplos de Retidão”, A Liahona, maio de 2008, p. 65). Possuímos a autoridade do sacerdócio que foi trazida de volta à Terra nesta dispensação por mensageiros celestes, sim, por João Batista, e por Pedro, Tiago e João. Portanto, todo homem que recebe o Sacerdócio de Melquisedeque pode seguir sua linha pessoal de autoridade diretamente até o Senhor Jesus Cristo. Espero que sejamos gratos por essa maravilhosa bênção. Oro para que sejamos limpos e dignos de representar o Senhor ao exercer Sua sagrada autoridade. Qualifiquemo-nos todos para o poder do sacerdócio.

Testifico que o santo sacerdócio foi realmente restaurado na Terra, nestes últimos dias, e que ele se encontra em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Também testifico que o Presidente Thomas S. Monson é o sumo sacerdote que preside o sumo sacerdócio da Igreja (ver D&C 107:9, 22, 65–66, 91–92) e a única pessoa na Terra que possui todas as chaves do sacerdócio e tem autoridade para exercê-las. Presto solene testemunho dessas verdades, no sagrado nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid A. Bednar, “Os Poderes do Céu”, Conferência Geral de Abril de 2012, Priesthood Session (2012-04-07). Pulpit Vault, 2012-04-bednar-the-powers-of-heaven. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).