Pulpit

A Redenção

LeGrand R. Curtis Jr.

Conferência Geral de Outubro de 2011·Saturday Afternoon Session·2011-10-01

Existem vários nomes com os quais nos referimos ao Senhor Jesus Cristo. Esses nomes nos dão uma ideia dos diferentes aspectos da missão expiatória do Senhor. Tomemos, por exemplo, o título “Salvador”. Todos temos noção do significado de ser salvo, porque cada um de nós foi alguma vez salvo de algo. Quando crianças, minha irmã e eu brincávamos no rio em um pequeno bote e tolamente saímos da área de segurança, sendo impelidos pela correnteza a locais perigosos rio abaixo. Atendendo a nossos gritos, papai correu em nosso socorro e nos salvou dos perigos do rio. Quando penso em salvar, penso naquela experiência.

O título “Redentor” oferece percepções semelhantes. “Redimir” significa adquirir ou comprar de volta. Em termos legais, uma propriedade é redimida pelo pagamento da hipoteca e de outras obrigações. Na época do Velho Testamento, a lei de Moisés estabelecia diferentes formas pelas quais as propriedades e os servos podiam ser liberados ou redimidos, por meio de pagamento em dinheiro (ver Levítico 25:31).

Um uso escriturístico de destaque da palavra redimir descreve a libertação dos filhos de Israel da escravidão no Egito. Após essa liberação, Moisés lhes diz: “Mas, porque o Senhor vos amava, [Ele] vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito” (Deuteronômio 7:8).

O tema de Jeová redimindo o povo de Israel da servidão repete-se muitas vezes nas escrituras. Com frequência, isso acontece para lembrar ao povo a bondade do Senhor em libertar os filhos de Israel do cativeiro egípcio. Mas também ocorre para ensiná-los que haveria outra redenção para Israel, e esta seria mais importante. Leí ensinou: “E o Messias vem na plenitude dos tempos para redimir da queda os filhos dos homens” (2 Néfi 2:26).

O salmista escreveu: “Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura” (Salmos 49:15).

Por meio de Isaías, o Senhor declarou: “Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi” (Isaías 44:22).

A redenção mencionada nessas três escrituras, é claro, é a Expiação de Jesus Cristo. Essa é a “abundante redenção” oferecida por nosso amoroso Deus (Salmos 130:7). Diferentemente da redenção da lei mosaica ou das prescrições legais modernas, essa redenção não vem por meio de “coisas corruptíveis, como prata ou ouro” (I Pedro 1:18).“Em [Cristo] temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7). O Presidente John Taylor ensinou que, devido ao sacrifício do Redentor, “a dívida foi paga, a redenção realizada, o convênio cumprido, a justiça satisfeita, a vontade de Deus feita e todo o poder é (…) passado às mãos do Filho de Deus” * (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: John Taylor, p. 44*).

Os efeitos dessa redenção incluem a vitória sobre a morte física para todos os filhos de Deus. Isto é, a morte temporal foi vencida, e todos ressuscitarão. Outro aspecto dessa redenção realizada por Cristo é a vitória sobre a morte espiritual. Por meio de Seu sofrimento e morte, Cristo pagou pelos pecados de toda a humanidade, bênção condicionada ao arrependimento individual.

Assim, se nos arrependermos, poderemos ser perdoados de nossos pecados, tendo o preço sido pago pelo nosso Redentor. Essa é uma boa nova para todos nós, “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). Os que se afastaram bastante do caminho da retidão precisam desesperadamente dessa redenção e, se eles se arrependerem, terão o direito de solicitá-la. Mas aqueles que se esforçaram arduamente para viver em retidão também precisam desesperadamente dessa redenção, pois ninguém pode chegar à presença do Pai sem a ajuda de Cristo. Assim, essa amorosa redenção permite que as leis da justiça e da misericórdia sejam satisfeitas na vida de todos os que se arrependem e seguem a Cristo.

Que glorioso, celestial,

O plano do Senhor:

Perdão, justiça, redenção,

ao pobre pecador.

(“Da Corte Celestial”, Hinos, nº 114).

O Presidente Boyd K. Packer ensinou: “Há um Redentor, um Mediador, que deseja satisfazer as demandas da justiça e é capaz de fazê-lo, e que também deseja levar a misericórdia ao penitente” (“The Mediator”, Ensign, maio de 1977, p. 56).

As escrituras, a literatura e as experiências da vida estão repletas de exemplos de redenção. Por meio de Cristo, cada um pode mudar — e muda — sua vida, e obtém redenção. Amo histórias de redenção.

Tenho um amigo que não seguiu os ensinamentos da Igreja na juventude. Quando era jovem adulto, percebeu o que estava perdendo por não viver o evangelho. Arrependeu-se, mudou de vida e dedicou-se a um viver justo. Certo dia, anos depois de nossa juventude, encontrei-o no templo. A luz do evangelho brilhava em seus olhos e senti que ele era um membro devoto da Igreja e tentava viver o evangelho plenamente. Essa é uma história de redenção.

Certa vez entrevistei para o batismo uma mulher que tinha cometido um pecado muito grave. Durante a entrevista, perguntei-lhe se ela compreendia que não poderia jamais repetir aquele pecado. Com profunda emoção no olhar e na voz, ela disse: “Oh, Presidente, eu jamais poderia cometer tal pecado de novo. É por isso que quero ser batizada — para limpar-me dos efeitos daquele terrível pecado”. Essa é uma história de redenção.

Ao comparecer a conferências de estaca e a outras reuniões ultimamente, tenho levado aos membros a conclamação do Presidente Thomas S. Monson de resgatarmos os membros menos ativos da Igreja. Em certa conferência de estaca, relatei a história de um membro menos ativo que voltou à plena atividade depois que o bispo e outros líderes o visitaram, disseram-lhe que precisavam dele e o chamaram para servir na ala. Esse homem não apenas aceitou o chamado, mas também mudou de vida e de hábitos, voltando à plena atividade na Igreja.

Um amigo meu estava na congregação onde contei essa história. A fisionomia dele mudou completamente ao ouvir o relato. Por e-mail no dia seguinte, ele me contou que sua reação emocional ao relato se deveu ao fato de que a história do retorno de seu sogro à atividade na Igreja era muito parecida. Contou-me que uma visita semelhante feita por um bispo com o convite de servir na Igreja fez seu sogro reavaliar a própria vida e testemunho, fazer mudanças significativas na vida e aceitar o chamado. Esse homem que foi reativado tem agora 88 descendentes ativos na Igreja.

Em uma reunião alguns dias mais tarde, contei ambas as histórias. No dia seguinte, recebi outro e-mail que dizia: “Essa é também a história do meu pai”. Esse e-mail, escrito por um presidente de estaca, contava como seu pai fora convidado a servir na Igreja, mesmo tendo sido inativo e tendo alguns hábitos que precisavam ser mudados. Ele aceitou o convite e, no processo, arrependeu-se, acabou servindo como presidente de estaca e depois presidente de missão, estabelecendo assim um alicerce para que sua posteridade fosse fiel à Igreja.

Algumas semanas mais tarde, contei as três histórias em outra conferência de estaca. Após a reunião, um homem contou-me que aquela não era a história do pai dele. Mas era sua história. Contou-me sobre os eventos que o levaram a arrepender-se e a voltar à plena atividade na Igreja. E isso continuou: Ao levar avante a conclamação de resgatar os menos ativos, vi e ouvi uma história após a outra sobre pessoas que aceitaram o convite de voltar e mudar de vida.Ouvi histórias de redenção uma após a outra.

Embora nunca possamos pagar ao Redentor pelo que Ele fez por nós, o plano de redenção requer nosso melhor esforço para nos arrependermos plenamente e fazer a vontade de Deus. O apóstolo Orson F. Whitney escreveu:

Salvador, Redentor de minha alma,

Cuja mão poderosa me curou,

Cujo poder maravilhoso me ergueu

e encheu com doçura minha amarga taça!

Que língua pode expressar minha gratidão,

Ó gracioso Deus de Israel.

Nunca poderei pagar-Te, ó Senhor,

Mas posso amar-Te. Tua pura palavra

não tem sido meu único prazer,

minha alegria de dia e meu sonho à noite?

Portanto, que meus lábios o proclamem ainda,

e que toda a minha vida reflita a Ti.

(“Savior, Redeemer of My Soul” [Salvador, Redentor de Minha Alma], Hymns,, nº 112)

Presto meu testemunho do poder da Expiação de Cristo. Quando nos arrependemos e O buscamos, podemos receber todas as bênçãos da vida eterna. Que possamos fazê-lo, obtendo assim nossa própria história de redenção, é a minha oração. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoLeGrand R. Curtis Jr., “A Redenção”, Conferência Geral de Outubro de 2011, Saturday Afternoon Session (2011-10-01). Pulpit Vault, 2011-10-curtis-redemption. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).