\"Minha Alma Se Deleita nas Coisas do Senhor\"
Susan W. Tanner
No Livro de Mórmon, Néfi menciona freqüentemente o deleite. Ele se deleitava “nas coisas do Senhor”, nas escrituras e no “grande e eterno plano” de nosso Pai Celestial (ver 2 Néfi 4:15–16; 11:2–8). De modo notável, Néfi sempre lembrava da fonte de seu deleite em meio às aflições, o que elevava seu espírito e o fazia concentrar-se nas bênçãos eternas. ¶
Também devemos deleitar-nos nas coisas do Senhor, porque isso eleva nosso coração e nos dá motivos para alegrar-nos (ver 2 Néfi 11:8). Gostaria de mencionar algumas coisas nas quais me deleito. ¶
Deleito-me em nosso Salvador Jesus Cristo. Tal como Néfi, “glorio-me em meu Jesus” (2 Néfi 33:6), em Seu ministério e Sua missão de salvação na Terra. Ele nos proveu luz e esperança e nos deu o Espírito Santo para que sejamos guiados e consolados ao longo do caminho a seguir. É somente por meio Dele que poderemos voltar à presença de nosso Pai. “[Não há] nenhum outro caminho ou meio pelo qual a salvação seja concedida aos filhos dos homens, a não ser em nome e pelo nome de Cristo” (Mosias 3:17). ¶
Deleito-me no evangelho restaurado de Jesus Cristo, edificado sobre o alicerce de apóstolos e profetas com os quais tive a abençoada oportunidade de servir. Testifico que o Presidente Thomas S. Monson é o profeta do Senhor na Terra hoje. Deleito-me por ele ser realmente um ministro semelhante a Cristo que estende a mão com carinho e amor a cada pessoa. ¶
Deleito-me nas chaves do sacerdócio e nos templos espalhados pelo mundo inteiro, permitindo que todos nós tenhamos acesso a ordenanças e convênios eternos. Alguns dos dias mais celestiais que tive recentemente foram quando meus filhos se casaram no templo e meu pai realizou essas ordenanças sagradas. ¶
Deleito-me na força dos jovens, ao vê-los encherem os templos para realizar batismos pelos mortos. Adoro seu modo digno de cumprir os padrões que os conduzem ao templo e sua preparação para tornarem-se missionários fiéis e pais e mães dignos. ¶
Deleito-me em ser uma filha do Pai Celestial que me ama. Aprendi a respeito de minha identidade divina quando era bem jovem, ao lado de minha mãe. Recentemente, vi minha neta de três anos aprendendo sobre essa identidade com a mãe dela. Eliza tinha ido deitar-se agitada. Só se consolou quando a mãe lhe contou novamente a sua história verdadeira e favorita a respeito da noite especial em que o Pai Celestial sussurrou, de modo bem nítido e claro, ao coração de sua mãe que Eliza era um espírito especial com uma nobre missão para cumprir. ¶
Sinto grande deleite em meu papel de educadora, que me permite expressar minha mais profunda identidade como mulher. Sempre me surpreendo pelo modo como as mulheres, as jovens e até as meninas, parecem ter a habilidade inata de cuidar e grande interesse por essa atividade. Não se trata apenas da principal responsabilidade da mãe, mas também faz parte de nossa “identidade e [de nosso] propósito pré-mortal, mortal e eterno” (“A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004, p. 49). Cuidar significa ensinar, incentivar o desenvolvimento, promover o crescimento e alimentar. Quem não exclamaria de alegria ao receber um papel tão abençoado? ¶
As escrituras falam da responsabilidade dos pais de cuidar dos filhos e criá-los na “doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4; ver Enos 1:1). ¶
O Presidente Hinckley também admoestou tanto os homens como as mulheres a cuidar dos filhos. Ele disse: “Como (…) a sociedade em que vivemos [seria mais bela], se todo pai (…) e (…) mãe [considerassem os] filhos como (…) presentes do Deus dos céus (…) e os [criassem] com afeto verdadeiro na sabedoria e admoestação do Senhor” (“Eis Nossas Criancinhas”, A Liahona, dezembro de 2007, p. 7). ¶
Deleito-me nas famílias. Recentemente me deleitei no nascimento de uma nova neta, em uma família que sabe que os pais têm a solene responsabilidade de criar os filhos com amor e retidão. Os irmãos mais velhos tiveram uma curiosidade natural sobre como sua irmãzinha chegou a este mundo. Suas primeiras lições sobre esse assunto sagrado foram ensinadas por pais amorosos, em um sagrado ambiente familiar, no clima celestial que acompanha o nascimento de uma nova alma na mortalidade e no contexto do grande plano eterno de nosso Pai. Em contraste, no dia seguinte, nossa outra neta, ao voltar do jardim de infância, contou-nos que aprendera na aula “um novo termo chamado abuso sexual”. Preocupou-me que já tão cedo as crianças tenham que ser alertadas, por questões de segurança, sobre as facetas negativas de um assunto tão nobremente debatido na noite anterior. Deleitei-me como nunca antes em ter uma família alicerçada nos ensinamentos de Jesus Cristo e que cria os filhos de acordo com eles. ¶
Jacó ensinou que o Senhor Se deleita “na castidade das mulheres” (Jacó 2:28). Deleito-me na castidade e pureza de todas as mulheres e homens. Como o Senhor deve Se entristecer ao ver a virtude ser violada e o recato ser escarnecido em todo canto deste mundo iníquo. O Senhor providenciou para que Seus filhos tivessem grande alegria por meio de um relacionamento íntimo e amoroso, como meus netos estavam aprendendo. Deleito-me na clareza da Proclamação ao Mundo sobre a família, a qual adverte que: “as pessoas que violam os convênios de castidade, que maltratam o cônjuge ou os filhos, ou que deixam de cumprir suas responsabilidades familiares, deverão um dia responder perante Deus”. ¶
Deleito-me nos exemplos citados nas escrituras dos que andaram pela fé em sua jornada terrena. Toda vez que percorro com Abraão e Isaque a estrada que levava até o monte Moriá, choro, sabendo que Abraão não sabia que haveria um anjo e um cordeiro nos arbustos, no final da jornada. Todos estamos no meio de nossa estrada da mortalidade e não conhecemos o restante de nossa própria história. Mas tal como Abraão, somos muito abençoados com milagres. ¶
Deleito-me nas “misericórdias e milagres” do Senhor (ver “Bless Our Fast, We Pray”, Hymns, nº 138). Sei que Suas ternas misericórdias e milagres, grandes ou pequenos, são reais. Eles chegam quando e como Ele determinar. Às vezes, isso não acontece até que tenhamos atingido o nosso limite. Os discípulos de Jesus, no mar da Galiléia, tiveram de remar contra o vento durante toda a noite, antes que Jesus fosse finalmente ajudá-los. Ele não chegou até à quarta vigília, ou seja, quase ao amanhecer. Mas Ele foi ajudá-los (ver Marcos 6:45–51). Meu testemunho é que os milagres realmente acontecem embora, às vezes, isso não ocorra antes da quarta vigília. ¶
Neste exato momento, estou exercendo fé, orando e esperando por milagres em favor de entes queridos que estão fisicamente doentes, emocionalmente perturbados ou espiritualmente perdidos. Deleito-me no amor do Senhor por todos os Seus filhos e em Sua sabedoria que nos permite ter experiências terrenas personalizadas. ¶
Por fim, deleito-me, mais do que posso expressar, no amor eterno e auxílio constante de meu marido e nas orações e no apoio de meus filhos e pais, durante esses anos em que servi como presidente geral das Moças. ¶
“Minha alma se deleita nas coisas do Senhor” (2 Néfi 4:16) — Sua lei, Sua vida, Seu amor. Deleitar-se Nele significa reconhecer Sua mão em nossa vida. Nossa obrigação cristã é fazer o que é certo, amar e nos deleitarmos no que é certo. Quando nos deleitamos em servi-Lo, nosso Pai Celestial Se deleita em abençoar-nos. “Eu, o Senhor, (…) deleito-me em honrar aqueles que me servem em retidão e em verdade até o fim” (D&C 76:5). Quero ser sempre digna de Seu deleite. “Amo o Senhor; minha alma se deleita Nele” (“I Love the Lord”, Jackman Music Corp.). Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶