\"Entesourar para o Futuro\"
Keith B. McMullin
Meus queridos irmãos, quão abençoados somos por estarmos aqui reunidos com a Primeira Presidência e os Doze Apóstolos. Cada portador do sacerdócio presente, tenha ele 12 ou 112 anos, pode, graças ao Salvador Jesus Cristo, herdar a ordem celestial da vida “por obediência às leis e ordenanças do Evangelho”.1 Isso é maravilhoso, e sei que é verdade. Vocês estão no comando de seu mundo! ¶
Com essa perspectiva diante de nós, considerem a seguinte história: um rapaz, cheio de ambição e energia, matriculou-se numa boa universidade. Na época, ele era sacerdote no Sacerdócio Aarônico. Sua meta era bem elevada — queria ser médico. Seu objetivo era ambicioso — queria ser rico. ¶
Queria jogar futebol americano, por isso procurou os técnicos e acabou sendo aceito na equipe. Passou então a ter direito ao reconhecimento e glórias, como só acontece no mundo do esporte universitário. ¶
Era isso o que ele tinha na cabeça. ¶
Contudo, dera pouca importância a algo que no final derrubaria suas grandes e vãs ambições: não tinha entesourado nada para o futuro. Tinha subestimado a importância da devida preparação, as exigências de freqüência regular e do estudo disciplinado, e o curso de química da faculdade. As conseqüências foram rápidas e impiedosas. Tudo levou menos de 90 dias, e aconteceu assim. ¶
No dia em que ele, de 1 metro e 85 e 77 quilos, se viu diante de um atacante gigantesco da equipe oficial, percebeu que estava no esporte errado. ¶
Como não estava acostumado aos rigores do estudo, seus olhos e sua mente se recusavam a funcionar depois de passarem pouco tempo diante dos livros. ¶
O ponto culminante do fracasso foi o exame final de química. Basta dizer que com suas respostas aleatórias para as questões de múltipla escolha não chegou nem perto da nota mínima de aprovação. Ele fracassou fragorosamente. ¶
O trabalho árduo, uma missão que lhe abriu os olhos à perspectiva correta dos propósitos da vida e a preparação incansável, por fim, superaram as conseqüências daquele breve período de insensatez. Até hoje, porém, ainda tenho pesadelos com aquele curso de química. ¶
Felizmente, o Senhor mostrou-nos como evitar tolices semelhantes. Ele disse: ¶
“Escutai, ó povo da minha igreja. (…) Escutai, ó povos distantes e vós, que estais nas ilhas do mar, escutai juntamente. ¶
Preparai-vos, preparai-vos para o que está para vir, porque o Senhor está perto.” 2 ¶
A doutrina da Segunda Vinda do Messias dá-nos grande incentivo para preparar-nos e viver corretamente. O Pai Celestial sabe que as recompensas prometidas incentivam Seus filhos a realizar as obras de retidão, e os castigos prometidos nos dão medo de fazer coisas erradas. Assim são as revelações referentes à Segunda Vinda de nosso Senhor.3 ¶
Essas revelações falam de sinais e maravilhas na Terra e nos céus. Indicam que haverá tempos trabalhosos e eventos futuros de grande repercussão e duração. Porém, o mais importante é que nos são feitas estas promessas sublimes: ¶
“O Senhor terá poder sobre seus santos e reinará em seu meio.”4 ¶
“Que pela minha providência, não obstante as tribulações que sobre vós cairão, a igreja permaneça independente, acima de todas as outras criaturas abaixo do mundo celestial.”5 ¶
E “se estiverdes preparados, não temereis.”6 ¶
Os portadores do sacerdócio são motivados por essas promessas a prepararem-se a si mesmos e sua família para a vinda do Senhor.7 Não há necessidade de ficarmos nervosos e preocupados com os eventos que precederão a Segunda Vinda. Em vez disso, enchamo-nos de gratidão pelo conhecimento do que virá. Agradeçamos por estarmos no comando de nosso próprio mundo, sendo agentes do Senhor naquilo que Ele nos confiou.8 A fórmula para o sucesso é simples: Ser fiéis. Desimpedir a vida. Entesourar para o futuro. ¶
Ser Fiéis. Nós, como portadores do sacerdócio, cultivamos a gentileza e a linguagem afável. Somos homens que oram, santificam o Dia do Senhor e conhecem a palavra de Deus. Pagamos o dízimo, jejuamos e fazemos ofertas de jejum generosas. Guardamos nossos convênios e consagramos nossa vida à edificação do reino de Deus. ¶
Além disso, irmãos, entesouramos para o futuro! Se fizermos essas coisas, “o Senhor terá poder sobre seus santos e reinará em [nosso] meio.”9 ¶
Desimpedir a Vida. Como homens de Deus, afastamo-nos dos excessos e buscamos o que edifica, porque “aquilo que não edifica não é de Deus”.10 Se os afazeres, envolvimentos, objetivos ou horários nos impedem de colocar Deus em primeiro lugar, precisamos reduzir as tarefas e desimpedir nossa vida.11 Se tivermos dívidas, devemos pagá-las e permanecer sem dívidas na medida do possível. ¶
E irmãos, entesouramos para o futuro! Então, “pela (…) providência [do Senhor], não obstante as tribulações, (…) a igreja [e seu povo permanecerão independentes] (…)”.12 ¶
Entesourar para o Futuro. A esposa é essencial nesse trabalho, mas ela precisa de um marido que lidere a preparação familiar. Os filhos precisam de pais que neles instilem essa tradição correta e, por sua vez, farão o mesmo com seus próprio filhos, e não passarão necessidades. ¶
Um princípio fundamental do evangelho é preparar-nos para os dias de escassez. Trabalho, industriosidade e economia fazem parte da ordem real da vida. Lembrem-se destas palavras de Paulo: “Se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.”13 ¶
Sentados à nossa frente estão os três sumos sacerdotes presidentes que constituem a Primeira Presidência da Igreja. ¶
Do Presidente James E. Faust, Segundo Conselheiro, ouvimos: “Todo pai e toda mãe são responsáveis pelo armazenamento da família. Eles devem armazenar tudo o que a família gostaria de ter no caso de uma emergência (…) [e] Deus nos susterá quando passarmos por provações.”14 ¶
Do Presidente Thomas S. Monson, Primeiro Conselheiro, ouvimos: “Um número muito maior de pessoas poderia superar as turbulências da vida financeira se tivessem alimentos armazenados para um ano (…) e não tivessem dívida alguma. Vemos, hoje, que muitos seguiram esse conselho ao contrário: têm pelo menos um ano de dívidas e nenhum alimento.”15 ¶
Do Presidente Gordon B. Hinckley, o profeta do Senhor, ouvimos: ¶
“O melhor lugar para termos algum alimento reservado é dentro de nosso lar. (…) ¶
Podemos começar de forma bem simples. Podemos começar com um armazenamento para uma semana e aumentar gradualmente para um mês e depois para três meses. (…) Temo que muitos sintam que uma reserva de alimentos para um período longo está tão além de sua condição financeira que não fazem qualquer esforço. ¶
Comecem com pouco, (…) e gradualmente prossigam até atingir um objetivo razoável.”16 ¶
A preparação inspirada está alicerçada na fé em Jesus Cristo, na obediência e num estilo de vida previdente. Os membros não devem chegar a extremos, mas devem começar. ¶
Nós os convocamos, portadores do sacerdócio, a armazenarem o suficiente para que vocês e sua família consigam superar as vicissitudes da vida. Certifiquem-se de que aqueles que estão sob sua responsabilidade recebam os dois folhetos intitulados Preparai Todas as Coisas Necessárias. Exortem-nos a prepararem-se agora para os dias difíceis que virão. ¶
Líderes do sacerdócio, convoquem a Sociedade de Socorro para promover a preparação familiar e a economia doméstica. As mulheres da Igreja precisam de seu apoio e seguirão sua liderança. ¶
Incentivem os membros a colocarem regularmente em seu armazenamento doméstico alguns artigos básicos e saudáveis e um pouco de água potável. Eles devem economizar dinheiro, nem que sejam algumas moedas por semana. Essa abordagem simples logo permitirá que tenham reservas para vários meses. Com o tempo, podem expandir esse trabalho simples e acumular um suprimento para longo prazo, acrescentando artigos essenciais como grãos, cereais e outros gêneros de primeira necessidade que os manterão vivos, se nada mais tiverem para comer.17 ¶
Se fizermos o melhor possível, poderemos ter a certeza de que “a farinha da panela não se acabará; e o azeite da botija não faltará”.18 Teremos mais sabedoria, segurança, paz de consciência e bem-estar pessoal. Estaremos preparados, e por estarmos preparados, não temeremos.19 ¶
Para terminar, apresento-lhes a família de Luca e Patrizia Vaccarono. Eles moram numa pequena cidade, perto de Roma, na Itália. Numa carta recente, escreveram: ¶
“Decidimos, após alguma experiência, que era importante armazenar as coisas que usamos. Às vezes, temos de modificar nossos hábitos, passando a comer certos tipos de alimentos. (…) ¶
“A sensação de paz e o desejo de ser fiéis aos mandamentos dados pelo Senhor por intermédio do profeta moderno ajudam-nos a sentir o Santo Espírito, (…) a não ter medo e a ver que os sinais dos tempos da Segunda Vinda do Senhor são uma bênção, e não algo a se temer. Regozijamo-nos nisso. (…) Isso nos dá motivação para ser fiéis e perseverar até o fim, ser salvos e alcançar a vida eterna”.20 ¶
Para encerrar, o irmão Vaccarono escreveu: “Desculpe pelo meu inglês; espero que entenda o que tentei explicar”. Irmão e irmã Vaccarono, nós compreendemos, porque está escrito nas escrituras: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas”.21 Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
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Regras de Fé 1:3. ↩
-
D&C 1:1, 12. ↩
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Ver Bruce R. McConkie, Doctrinal New Testament Commentary, 3 vols., 1966–1973, volume 1, p. 677–668. ↩
-
D&C 1:36. ↩
-
D&C 78:14. ↩
-
D&C 38:30. ↩
-
Ver II Timóteo 4:8; D&C 133:50, 52. ↩
-
Ver D&C 104:13–17. ↩
-
D&C 1:36. ↩
-
D&C 50:23. ↩
-
Ver Doctrinal New Testament Commentary, volume 1, pp. 675–676. Tradução de Joseph Smith, Mateus 6:38. ↩
-
D&C 78:14. ↩
-
Ver I Timóteo 5:8; ver também I Timóteo 6:19; D&C 29:34; A Família: Proclamação ao Mundo; A Liahona, outubro de 2004, p. 49; Joseph F. Smith, Conference Report, outubro de 1900, p. 46; Bruce R. McConkie, The Mortal Messiah: From Bethlehem to Calvary, 4 vols., 1979–1981, volume 2, p. 155. ↩
-
"The Responsibility for Welfare Rests with Me and My Family", Ensign, maio de 1986, p. 22. ↩
-
"That Noble Gift—Love at Home", Church News, 12 de maio de 2001, p. 7. ↩
-
"Aos Homens do Sacerdócio", A Liahona, novembro de 2002, p. 58. ↩
-
Ver The Teachings of Harold B. Lee, ed. Clyde J. Williams, 1996, p. 314. ↩
-
I Reis 17:14, ver também versículos 8–16. ↩
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D&C 38:30. ↩
-
Carta, 3 de março de 2007. ↩
-
Provérbios 3:5–6. ↩