Pulpit

Os Hinos e Seu Poder de Nutrir

Jay E. Jensen

Conferência Geral de Abril de 2007·Saturday Morning Session·2007-04-07

Este magnífico coro prega inspiradores sermões. De fato, “alguns dos maiores sermões são pregados através do cântico de hinos”.1 Meu testemunho e conversão ao evangelho restaurado foram fortemente influenciados pelo cântico dos hinos de Sião quando eu era menino. Fui criado na pequena cidade de Mapleton, Utah, e assisti às reuniões no que hoje é conhecida como a “velha igreja branca”. Minha mãe, que tem 95 anos, ainda mora em Mapleton. Quando a visito, passo ao lado da “velha igreja branca” e minha mente se enche de doces recordações. Entre elas estão o poder de conversão dos hinos que cantávamos no sacerdócio, na Escola Dominical e nas reuniões sacramentais. Minhas experiências foram semelhantes às do Presidente Hinckley que, quando diácono, assistiu a uma reunião do sacerdócio da estaca com o pai. Eles cantaram: “Hoje, ao Profeta Louvemos”2. Mais tarde, ele diria: “Senti que Joseph Smith era realmente um profeta de Deus e sinto até hoje”3. Creio que muitos de nossos membros sentem o mesmo muitas e muitas vezes. Os hinos desempenham um papel essencial na espiritualidade, revelação e conversão.

Os Hinos Atraem o Espírito

Os hinos são uma “parte essencial de nossas reuniões na Igreja. Os hinos atraem o Espírito do Senhor”.4 Muitas vezes fazem isso mais rapidamente do que qualquer outra coisa. O Presidente J. Reuben Clark Jr. disse: “Achegamo-nos mais ao Senhor por meio da música do que talvez por qualquer outra coisa exceto a oração”.5

Dois missionários ensinavam um casal idoso em sua casa no Peru quando foram interrompidos pela chegada do filho do casal, com a esposa e três filhos. Os élderes explicaram quem eram e o que estavam fazendo. O filho ficou desconfiado dos missionários, o que resultou num momento de tensão. O companheiro júnior orou em silêncio: “Pai Celestial, o que devemos fazer?” Teve a inspiração de cantar. Eles cantaram “Sou um Filho de Deus”6. O Espírito tocou o coração daquela família de cinco pessoas. Em vez de dois conversos, todos os sete se tornaram membros, influenciados inicialmente por um hino.

A música nas reuniões e aulas da Igreja deve promover o espírito de adoração, revelação e testemunho. Para as reuniões sacramentais, o bispado, ou a presidência do ramo, é responsável por escolher ou aprovar a música. Eles devem assegurar-se de que a música, a letra e os instrumentos musicais sejam sagrados, condignos e promovam a adoração e a revelação. A música torna-se um recital quando atrai a atenção para si mesma. Há vários anos, eu era responsável pela música em uma reunião em que o número especial virou um recital. Foi uma decepção. O espírito de adoração foi reduzido.

Os Hinos Propiciam a Revelação

Os hinos “criam um clima de reverência”.7 As palavras reverência e revelação são como gêmeas que gostam da companhia uma da outra. Quando os Setenta e o Bispado Presidente são convidados a reunir-se com a Primeira Presidência e os Doze, somos lembrados de chegar cedo e ouvir reverentemente o prelúdio musical. Isso convida a revelação e prepara-nos para a reunião.

O Presidente Packer ensinou que um membro que toca suavemente “o prelúdio musical tirado do hinário sintoniza nossos sentimentos e faz com que repassemos na mente a letra do hino, que ensina as coisas pacíficas do reino. Se ouvirmos, a letra nos ensina o evangelho, porque os hinos da Restauração são, de fato, um curso de doutrina!”8

Os Hinos Promovem a Conversão

Os hinos da Restauração trazem consigo o espírito de conversão. Eles foram resultado de sacrifício. Hinos como “Hoje, ao Profeta Louvemos”9, “Vinde, Ó Santos”10, “Ó Élderes de Israel”11, “Graças Damos, Ó Deus, Por um Profeta”12, “Cantando Louvamos”13 e muitos outros salientam as grandes verdades da Restauração — tais como a divindade do Pai e do Filho, o plano de redenção, a revelação, as escrituras modernas, a coligação de Israel, o santo sacerdócio, as ordenanças e os convênios. Esses hinos que nutrem criam um ambiente propício ao Espírito que nos conduz à conversão.

Quão incompletas e vazias seriam as reuniões sacramentais sem hinos de adoração!14 Os hinos mais sagrados são os que falam do sacrifício de Jesus Cristo, do sangue que verteu e de Sua Expiação infinita.

Minhas lembranças mais antigas do poder de cura do Salvador estão associadas a hinos sacramentais. Esta frase é muito real para mim: “Assombro me causa o amor que me dá Jesus, confuso estou pela graça de Sua luz”15.

Minha compreensão das doutrinas da Expiação está ligada aos hinos. Esta estrofe é um exemplo disso:

“Que glorioso, celestial,

O plano do Senhor:

Perdão, justiça, redenção,

Ao pobre pecador.”16

Devemos Começar a Ensinar os Hinos aos Filhos no Lar

Cantar hinos e ouvir boa música começa em casa. A Primeira Presidência lembrou-nos:

“Os santos dos últimos dias devem encher seus lares com o som de música dignificante. (…) Esperamos que o hinário tenha um lugar de destaque entre as escrituras e outros livros religiosos em nosso lar. Os hinos trazem beleza e paz às famílias e inspiram o amor e a unidade entre seus membros.

Ensinem seus filhos a amarem os hinos. Cantem-nos no Dia do Senhor, nas noites familiares, durante o estudo das escrituras e na hora de orar. Cantem enquanto trabalham, enquanto se divertem e enquanto viajam juntos. Cantem hinos como canções de ninar a fim de edificar a fé e o testemunho de seus filhos”.17

Adorar de Modo Mais Significativo por Meio dos Hinos

Algumas lições importantes que aprendi e procuro aplicar em relação aos hinos são:

  • Esforcem-se para ser mais pontuais nas reuniões, sentem-se em silêncio e ouçam o prelúdio musical, sintam a reverência e recebam revelação.

  • Saiam das reuniões com mais reverência, permitindo que a música do poslúdio prolongue o espírito da reunião.

  • Cantem os hinos. Vejo algumas pessoas que têm um hinário à mão mas não cantam.

  • Escolham hinos adequados às reuniões e mensagens.

  • Usem os hinos para apresentar ou salientar escrituras e verdades do evangelho nas lições e aulas.

  • Ouçam os hinos com mais freqüência no lar, convidando a presença do Espírito.

Oro para que eliminemos toda música imprópria de nossa vida e sigamos o conselho da Primeira Presidência: “Irmãos e irmãs, usemos os hinos para que o Espírito do Senhor entre em nossas congregações, em nosso lar e em nossa vida. Memorizemo-los e meditemos sobre eles, recitemo-los, cantemo-los e partilhemos de seu alimento espiritual. O canto dos justos é uma prece ao Pai Celestial ‘e será respondida com uma bênção sobre suas cabeças’”.18 Presto testemunho dessas verdades, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notes

  1. Hinos, p. ix. ↩

  2. Hinos, no. 14. ↩

  3. Teachings of Gordon B. Hinckley, 1997, p. 399. ↩

  4. Hinos, p. ix. ↩

  5. Conference Report, outubro de 1936, p. 111. ↩

  6. Hinos, 193. ↩

  7. Hinos, p. ix. ↩

  8. "Reverence Invites Revelation", Ensign, novembro de 1991, p. 22. ↩

  9. Hinos, no. 14. ↩

  10. Hinos, no. 20. ↩

  11. Hinos, no. 203. ↩

  12. Hinos, no. 14. ↩

  13. Hinos, no. 50. ↩

  14. Assim como os hinos são essenciais para o Dia do Senhor e a adoração em família, o mesmo acontece com os hinos e cânticos de Natal (ver Hinos, 121–133). ↩

  15. "Assombro me Causa", Hinos, no. 112. ↩

  16. "Da Corte Celestial", Hinos, no. 114. ↩

  17. Hinos, p. x. ↩

  18. Hinos, p. x. ↩

Como citar este discursoJay E. Jensen, “Os Hinos e Seu Poder de Nutrir”, Conferência Geral de Abril de 2007, Saturday Morning Session (2007-04-07). Pulpit Vault, 2007-04-jensen-the-nourishing-power-of-hymns. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).