Não Saiam da Trilha
Elaine S. Dalton
Em uma das trilhas de um desfiladeiro próximo da minha casa há um cartaz com os dizeres: “Não saia da trilha”. Quando alguém começa a seguir a trilha, logo percebe claramente que é um bom conselho. Há montanhas, curvas e barrancos íngremes. Em alguns lugares o terreno fora da trilha é muito instável, e em certas épocas do ano, às vezes aparecem cascavéis. Minha mensagem para cada uma de vocês nesta noite é a mesma do cartaz: “Não Saiam da Trilha”. ¶
Há vários anos, fiz uma excursão a pé nas montanhas Teton, no Wyoming, com um grupo de moças. Foi uma subida difícil e no segundo dia chegamos à parte mais perigosa do passeio. Iríamos percorrer a Trilha do Furacão, um nome muito adequado por causa dos fortes ventos que sopram quase constantemente ali. Fomos instruídas por um guarda florestal a permanecer no meio da trilha, manter-nos o mais perto do chão possível na parte exposta da trilha, guardar tudo nas mochilas e caminhar rapidamente. Não era um lugar para tirar fotografias nem descansar. Fiquei muito aliviada e feliz ao ver que cada uma das moças conseguiu atravessar aquele trecho com sucesso. E sabem de uma coisa? Nenhuma delas quis saber quão perto da beira do abismo conseguiria chegar! ¶
Às vezes, quando trilhamos as sendas da vida, queremos parar em lugares perigosos achando que são divertidos e emocionantes, e que estamos no controle da situação. Às vezes, achamos que podemos viver à beira do abismo e ainda assim manter nossa virtude, mas esse é um lugar arriscado para ficar. Como nos disse o Profeta Joseph Smith: “A felicidade é a razão de ser e o propósito de nossa existência; portanto, a alcançaremos, caso sigamos o caminho que nos leva a ela, que é a trilha da virtude” (History of the Church, vol. V, pp. 134–135). ¶
O conselho do Senhor a Emma Smith, na seção 25 de Doutrina e Convênios, é o Seu conselho para todas as Suas filhas preciosas. Recebemos ali um código de conduta e fomos aconselhadas a “andar nos caminhos da virtude” (v. 2). A virtude “é um padrão de pensamento e de conduta baseado em elevados padrões morais” (Pregar Meu Evangelho [2004], p. 125). Portanto, quais são os elevados padrões morais que nos ajudam a ser virtuosas? ¶
A virtude inclui o recato: no pensamento, na linguagem, no vestuário e na atitude. E o recato é o alicerce da castidade. Assim como ninguém anda descalço por trilhas onde existem cascavéis, no mundo atual, é essencial para nossa própria segurança que sejamos recatadas. Quando somos recatadas, mostramos às pessoas que compreendemos nosso relacionamento com nosso Pai Celestial, como Suas filhas. Demonstramos que O amamos e que seremos testemunhas Dele em todas as coisas. Nosso recato informa aos outros que prezamos a “virtude” (Ó Crianças, Deus Vos Ama, Hinos, nº 192). O recato não é uma questão de ser “moderno”. É uma questão íntima de santidade pessoal. Não é uma questão de moda. Trata-se de fidelidade. Não é uma questão de estilo. É uma questão de castidade e cumprimento de convênios. Não se trata de popularidade, mas, sim, de pureza. O recato tem a ver com pisar em lugar seguro na trilha da castidade e da virtude. É evidente que a virtude é pré-requisito para a exaltação. Mórmon ajuda-nos a compreender que tanto a virtude quanto a castidade são mais caras e preciosas do que tudo (ver Morôni 9: 9). Simplesmente não podemos ser descuidadas nem chegar muito perto da beira do abismo. É um terreno perigoso para qualquer filha de Deus. ¶
Somos aconselhadas na seção 25 de Doutrina e Convênios a apegar-nos a nossos convênios (v. 13). Apegar-se, para mim, significa aderir, segurar bem firme, agarrar-se às promessas que fazemos ao Senhor. Nossos convênios nos fortalecerão para resistirmos às tentações. O cumprimento de nossos convênios vai manter-nos firmes no caminho da virtude. Se cumprirmos os convênios que fizemos no batismo, permaneceremos no meio da trilha. O Élder Jeffrey R. Holland nos lembrou: ¶
“A partir de nosso batismo, fazemos convênios à medida que [trilhamos o caminho] rumo à vida eterna e nele permanecemos cumprindo esses convênios. ¶
(…) Os sussurros do Espírito Santo sempre serão suficientes para nossas necessidades, se nos mantivermos no caminho dos convênios. Nosso caminho é ladeira acima, na maioria dos dias, mas a ajuda que recebemos para essa subida é literalmente divina. Temos três membros da Trindade — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — ajudando-nos em virtude dos convênios que fizemos. ¶
Para lembrar-nos desses convênios, tomamos o sacramento todas as semanas. Na oração proferida para o pão declaramos: “[testificamos] a ti, ó Deus, Pai Eterno, que [desejamos] tomar sobre [nós] o nome de teu Filho e recordá-lo sempre e guardar os mandamentos que ele [nos] deu, para que [possamos] ter sempre [conosco] o seu Espírito” (D&C 20:77) (“O Que Eu Gostaria que Todo Membro Novo Soubesse — e que Todo Membro Antigo Lembrasse”, A Liahona, outubro de 2006, pp. 10–16). ¶
Guiados pelo Espírito do Senhor, vocês serão confiantes e felizes, e a virtude adornará seus pensamentos incessantemente. O Livro de Mórmon descreve o que aconteceu quando uma sociedade inteira guardou os convênios e passou a ter uma vida pura e virtuosa: “(…) e certamente não poderia haver povo mais feliz entre todos os povos criados pela mão de Deus” (4 Néfi 1:16). Guiadas pelo Espírito Santo, vocês também serão uma influência positiva para as pessoas. ¶
Tenho em meu escritório fotografias das gerações de mulheres da minha família: minha bisavó, minha avó, minha mãe e minha filha, Emi. O exemplo dessas mulheres, de dedicação e de fé no plano, ajudou a me edificar e a prosseguir nesta jornada. Olhando para aquele quadro agora, vejo claramente a importância de uma vida virtuosa. Tenho hoje não apenas uma filha, mas cinco noras e cinco netinhas para acrescentar ao quadro. Sinto a grande responsabilidade de levar uma vida exemplar de virtude e santidade perante elas. Mesmo que você seja a primeira da linhagem das gerações futuras, você também tem uma responsabilidade para com aquelas que virão no futuro. ¶
Recentemente, fiz uma excursão às montanhas Teton, as mesmas mencionadas anteriormente, mas dessa vez com meu marido e um grupo de amigos de nossa idade. Quando começamos, tudo era emocionante e fácil, mas antes de chegarmos a nosso destino, estávamos exaustos e percebi que eu estava com problemas. Eu não estava tão preparada fisicamente quanto na excursão com as moças há muitos anos — e eu tinha embalado meu equipamento de modo descuidado e levava coisas demais. O peso de minha mochila começou a deixar-me muito cansada, quase a ponto de desistir. Os outros também estavam sentindo os rigores da altitude, da ladeira íngreme e das mochilas pesadas. Meu marido percebeu isso e apressou-se e deixou todos para trás. Senti-me abandonada. Contudo, uma hora depois, vi meu marido descendo a trilha pelo outro lado do vale. Estava correndo em minha direção. Quando chegou até onde eu estava, pegou minha mochila, enxugou-me as lágrimas e conduziu-me ao destino: um lago cristalino cercado de altos pinheiros. Então, virou-se, desceu a trilha novamente e fez o mesmo pelos outros quatro excursionistas. Ao observá-lo, fiquei triste por estar tão despreparada e ainda mais por ter colocado tantas coisas a mais em minha mochila, aumentando o fardo que ele teve de carregar para mim. Mas fiquei extremamente grata por sua força, seu altruísmo, sua preparação e seu amor. ¶
Ao subirem a montanha da vida, permaneçam no caminho da virtude. Haverá outras pessoas para ajudá-las: seus pais, familiares, bispos, consultoras e amigas íntegras de todas as idades. Se vocês ficarem cansadas ou pegarem a direção errada, mudem de rumo e voltem para o caminho da virtude. Lembrem sempre de que o Salvador está a seu lado. Ele permitirá que vocês se arrependam e vai fortalecê-las, aliviará seus fardos, enxugará suas lágrimas, vai consolá-las e ajudá-las a permanecer no caminho. ¶
O Salvador é o perfeito exemplo de virtude. Quando Jesus trilhava as estradas da Terra Santa, Ele “andou fazendo bem” (Atos 10:38). Curou os enfermos, fez os cegos verem e reviveu os mortos. “Ele ensinou as verdades da eternidade, a realidade de nossa existência pré-mortal, o propósito de nossa vida na Terra e [nosso] potencial [como] (…) filhas de Deus [que temos] em relação à vida futura” (ver “O Cristo Vivo: O Testemunho dos Apóstolos*”, A Liahona,* abril de 2000, pp. 2–3). Esta é uma de minhas escrituras preferidas: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Provérbios 3:5–6). ¶
Testifico que isso é verdade. Ele não apenas assinalou o caminho, mas, às vezes, chegou a conduzir-me pela mão. “Seu caminho é aquele que conduz à felicidade nesta vida e à vida eterna no mundo vindouro” (“O Cristo Vivo”, A Liahona, abril de 2000, p. 4). Presto testemunho a vocês de que Ele vive! Ele ouvirá suas orações e guiará seus passos. Jesus Cristo é nosso Exemplo e nosso Guia. Não saiam da trilha! Sejam recatadas! Apeguem-se a seus convênios e sejam dignas da companhia do Espírito Santo! O Senhor promete: “(…) tende bom ânimo, porque eu vos guiarei. Vosso é o reino e são vossas as suas bênçãos e são vossas as riquezas da eternidade” (D&C 78:18). Realmente, assombro me causa “Sua vida incomparável e o infinito poder de Seu grande sacrifício expiatório” (“O Cristo Vivo”, A Liahona, abril de 2000, p. 4; grifo do autor). Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶