Uma Voz de Alegria para Nossos Filhos
Coleen K. Menlove
Gosto de pontos de exclamação! Eu os uso com freqüência quando faço anotações tanto para mim como para os outros. É um modo de demonstrar entusiasmo e compromisso. Uma de minhas escrituras favoritas é pontuada com uma exclamação: ¶
“Agora, o que ouvimos no evangelho que recebemos? Uma voz de alegria!” Nos quatro versículos que se seguem existem outros tantos pontos de exclamação no resto do versículo e nos quatro versículos seguintes. Em parte, dizem: “Uma voz de misericórdia do céu; e uma voz de verdade saindo da Terra; (…) uma voz de (…) boas novas de grande alegria! (…)” ¶
“(…) Quão gloriosa é a voz que ouvimos do céu, proclamando a nossos ouvidos glória e salvação (…)!”1 — com um ponto de exclamação. ¶
Podemos ouvir a voz de alegria que traz exclamações de esperança e júbilo à nossa vida. A alegria de nosso testemunho do Salvador pode acentuar cada aspecto de nossa vida enquanto procuramos vir a Cristo. ¶
E os nossos filhos? Será que eles ouvem exclamações de alegria e esperança no evangelho? Depois de uma lição da Primária sobre a Primeira Visão de Joseph Smith, pediu-se à classe que fizesse desenhos para levar para casa e mostrar à família. As crianças tinham ouvido falar sobre a escuridão experimentada por Joseph antes da aparição do Pai e do Filho. Uma menininha de seis anos pegou um giz de cera preto e começou a desenhar. Ela coloriu de preto um lado da página, desde a parte de baixo até em cima. Quando a professora lhe perguntou sobre o desenho, ela disse que estava desenhando Joseph Smith na escuridão. ¶
A professora perguntou: “Você sabe que quando o Pai Celestial e Jesus apareceram, toda a escuridão teve que desaparecer? O Pai Celestial e Jesus são sempre mais poderosos do que Satanás, e Eles a protegerão”. A criança voltou à sua folha de papel. No canto superior, desenhou o contorno de duas figuras e então, trocando seu giz de cera preto por um outro, amarelo vivo, preencheu o resto da página com luz. ¶
É essa luz, a luz do evangelho restaurado — uma “voz de alegria”— que os pais podem ajudar os filhos a conhecer. O adversário é real, mas as crianças podem sentir paz e alegria ao exercerem fé em Jesus Cristo. Nossos filhos não experimentarão essa luz a menos que ensinemos o evangelho a eles. ¶
O Senhor instruiu os pais para que criassem os “filhos em luz e verdade”.2 Instruiu-nos também a ensinar nossos filhos “a orar e a andar em retidão perante o Senhor”3, e “a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Jesus Cristo (…) e do batismo e do dom do Espírito Santo (…)”4 Ajudamos a sintonizar seus ouvidos, mente e coração, a fim de reconhecerem “uma voz de alegria” e desejarem ser dignos de obter alegria eterna quando ensinamos as verdades do evangelho. ¶
Isto é exemplificado no Livro de Mórmon. O pai de Enos ensinou-lhe “nos preceitos e na admoestação do Senhor”. Essa grande bênção fez com que Enos proclamasse: “Bendito seja o nome de meu Deus por isso”.5 Depois, ele explica: “As palavras que freqüentemente ouvia de meu pai sobre a vida eterna e a alegria dos santos penetraram-me profundamente o coração”.6 ¶
Uma amiga contou a experiência que teve quando criança, em um ramo da Igreja, onde era a única criança em idade de Primária. Semana após semana sua mãe realizava a Primária do lar, no mesmo dia e na mesma hora. Ela aguardava ansiosamente sentar-se no sofá com a mãe e aprender o evangelho de Jesus Cristo e como vivê-lo. As atas cuidadosamente escritas por sua mãe em um caderno indicam que a reunião da Primária tinha sempre orações, hinos e uma lição. ¶
O desejo do coração dessa mãe era de que sua filhinha desenvolvesse um testemunho de Jesus Cristo e sentisse a alegria do evangelho. Ela passava para sua filha aquilo que fora tão importante para ela quando criança. Essa menininha, atualmente uma mulher de fé e do convênio, relembra sua infância com grande apreciação pelo entusiasmo e compromisso de sua mãe para ensiná-la sobre o Salvador. A diligência dessa mãe transformou-se no deleite de sua filha — com um ponto de exclamação. ¶
Os profetas vivos são claros com relação ao nosso dever sagrado de ensinar nossos filhos.7 Em uma carta emitida pela Primeira Presidência, somos instruídos a “dar a mais alta prioridade à oração familiar, noite familiar, estudo do evangelho e instrução sobre ele, e atividades familiares saudáveis. Não importa quão dignas e apropriadas sejam outras exigências ou atividades, não se deve permitir que elas tomem o lugar dos deveres divinamente designados que somente os pais e a família podem realizar adequadamente”8. ¶
Sim, a vida pode ser corrida para os pais e está tornando-se assim para os filhos também. Seria fácil dizer que não há tempo suficiente para encaixar todas as coisas. Lembro-me de uma época que passou depressa demais e, agora, vejo que cada dia era repleto de momentos breves e preciosos cheios de oportunidades de ajudar nossos filhos a ouvir a “voz de alegria” do evangelho. Os filhos estão sempre aprendendo conosco. Eles estão aprendendo o que é importante pelo que escolhemos fazer, assim como pelo que escolhemos não fazer. Orações, estudo das escrituras, e reuniões familiares casuais e irregulares não serão o suficiente para fortalecer nossos filhos. Onde as crianças aprenderão o evangelho e padrões como castidade, integridade e honestidade se não for em casa? Esses valores podem ser reforçados na igreja, mas os pais são os mais capazes e eficientes para ensiná-los a seus filhos. ¶
A compreensão de quem são essas crianças e do potencial que têm no reino de Deus pode ajudar- nos a sentir um desejo maior de enfrentar as dificuldades com mais paciência — com mais amor. O Senhor nos ajudará a ensinar nossos filhos se fizermos tudo o que estiver ao nosso alcance. As famílias são eternas, e o Salvador quer que tenhamos sucesso. Ao procurarmos o Espírito, podemos receber consolo, orientação e a certeza de que necessitamos para cumprir as responsabilidades e receber as bênçãos por sermos pais. ¶
Os programas divinamente inspirados da Igreja e aqueles que são chamados para ministrar aos nossos filhos podem ajudar-nos. Meu marido e eu somos gratos aos bispos, líderes do sacerdócio e auxiliares, mestres familiares e professoras visitantes, que nos ajudaram a fortalecer nossa família. Tenhamos filhos em casa ou não, cada um de nós pode desempenhar um papel muito importante na ajuda aos pais. ¶
As crianças são capazes de aprender as coisas significativas do reino. Quando nós as ouvimos podemos entender melhor como estão aplicando o que estão aprendendo sobre o evangelho. Certo pai explicou à filha de quatro anos que a família havia passado a maior parte do dia limpando a casa e todos os quartos estavam limpos, com exceção de um. ¶
“Você sabe qual é o quarto que não está limpo?” Ele perguntou-lhe. ¶
“O meu”, respondeu ela rapidamente. ¶
Você conhece alguém que poderia ajudar a limpar seu quarto?” perguntou ele, esperando que ela respondesse que poderia. ¶
Em vez disso, ela respondeu: “Bem, papai, sei que toda vez que ficamos com medo, preocupados ou que precisamos de ajuda, podemos ficar de joelhos e pedir ajuda ao Pai Celestial”. ¶
É interessante notar que quando ouvimos nossos filhos, eles também podem nos ensinar. Certo pai contou uma experiência que teve com a filhinha de oito anos. Disse ele: “Quando eu estava selecionando citações para meu discurso na reunião sacramental sobre “Tornar-se como uma Criancinha”, perguntei à minha filha por que precisávamos nos tornar como criancinhas. Ela respondeu: “Porque somos todos criancinhas quando comparados a Jesus, e porque as criancinhas têm uma boa imaginação”. ¶
Surpreso com a última parte da resposta, ele perguntou por que precisamos uma boa imaginação. Ela respondeu: “Para que possamos imaginar Jesus no Jardim do Getsêmane e na cruz, e quando tomarmos o sacramento, podermos pensar Nele”. ¶
Como em todas as coisas, o Salvador deu-nos o exemplo de como devemos amar e ensinar nossas crianças. Quando Ele apareceu aos nefitas neste hemisfério, as escrituras nos contam que, ao falar ao povo “ele chorou (…) e pegou as criancinhas, uma a uma, e abençoou-as e orou por elas ao Pai. (…)”9 ¶
Referindo-se a essa ocasião, o Presidente Hinckley disse: “Não há mais terno e belo quadro nas escrituras sagradas que essa linguagem simples descrevendo o amor do Salvador pelas criancinhas. (…)”10 ¶
A chave para alcançarmos o ensinamento eficaz do evangelho em nossa casa é convidar o Espírito do Senhor a estar conosco. Alguns dos melhores conselhos que meu marido e eu recebemos durante momentos de tribulação ao educar nossos filhos foi o de fazer tudo o que for possível para convidar o Espírito para o nosso lar e mantê-Lo ali. Os filhos não podem aprender coisas espirituais e ter sentimentos espirituais sem a orientação do Espírito. ¶
Como pais, podemos com freqüência compartilhar o testemunho de Jesus Cristo com nossos filhos. Prestar testemunho seja durante a reunião familiar ou em um momento de ensino, convidará o Espírito. O Presidente Boyd K. Packer também nos instruiu a “ensinar nossos jovens a prestar testemunho — a prestar testemunho de que Jesus é o Cristo, Joseph Smith é um profeta de Deus, o Livro de Mórmon é verdadeiro (…).”11 ¶
O Presidente Gordon B. Hinckley nos reafirma: “De todas as alegrias da vida, nenhuma se iguala ao da paternidade e da maternidade feliz. De todas as responsabilidades que pesam sobre nós, nenhuma outra é mais séria. Criar filhos numa atmosfera de amor, segurança e fé é o mais recompensador de todos os desafios”12. ¶
Sei — com um ponto de exclamação — que as crianças podem receber um testemunho por meio do Espírito que traz convicção e compromisso ao seu coração! Testifico que este é nosso encargo, esta é nossa oportunidade de ensinar e testificar diligentemente a nossas crianças quanto à veracidade do evangelho de Jesus Cristo para que elas possam também ouvir a “voz de alegria”. Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
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D&C 128:19, 23; ver também vers. 20–22. ↩
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D&C 93:40. ↩
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D&C 68:28. ↩
-
D&C 68:25. ↩
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Enos 1:1. ↩
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Enos 1:3. ↩
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A Família: Proclamação ao Mundo", A Liahona, outubro de 1998, p.24. ↩
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"A Letter to Church Members from the First Presidency", (Uma Carta da Primeira Presidência aos Membros da Igreja) Church News, 27 de fevereiro de 1999, p. 3. ↩
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3 Né. 17:21. ↩
-
"Salvai as Crianças", A Liahona, janeiro de 1995, p. 58. ↩
-
Let Not Your Heart Be Troubled, (1991), p. 154. ↩
-
A Liahona, janeiro de 1995 p. 54. ↩